Já está à venda a edição portuguesa (publicada pela Temas e Debates) de “Stupid White Men and Other Sorry Excuses for the State of the Nation”, o livro do realizador americano (se fosse europeu, todos lhe chamariam antiamericano) Michael Moore, o mesmo do documentário “Bowling for Columbine”. Com cerca de 300 páginas, a obra é uma divertida e violenta sátira à actuação da Administração Bush e àquilo que o polémico autor considera errado na sociedade americana (ou seja, quase tudo). Ainda não a li na íntegra, mas títulos de capítulos de “Brancos Estúpidos...” como “Querido George”, “Matem o rosto-pálido”, “Uma nação de idiotas” ou “Uma prisão grande e feliz” deixam antever os alvos de Moore e a sua indignação. Escrito antes do 11 de Setembro, pode estar um pouco desactualizado, mas também é muito actual perante toda a discussão sobre os EUA e o seu líder ocorrida neste ano de 2003.
A verdade é que “Bowling for Columbine” só se tornou o documentário de maior sucesso de bilheteira de todos os tempos e gerou tanto falatório, assim como “Brancos Estúpidos...” vendeu imenso em vários países (após as dificuldades que teve em ser publicado), porque o seu autor se distingue pelas suas características especiais: um humor ácido, a preocupação em reunir numerosos factos para justificar as suas teorias, os ataques bombásticos (por vezes exagerados e demagógicos) à elite do seu país e também um certo narcisismo patente no seu filme. Embora a maneira como Moore expõe as suas ideias possa ser considerada incorrecta (houve quem condenasse os discursos proferidos nos Césares e nos Óscares, mas eu achei-os corajosos), só assim é que alguém o ouve e repara nas questões pertinentes que ele levanta. O seu humor passa não só pela ironia como pela mera exposição de situações inacreditavelmente reais (quem se esqueceu da entrevista a Charlton Heston?).
O problema é que, sendo Moore um assumido esquerdista, os mais conservadores poderão ter dificuldade em aceitá-lo e compreendê-lo. Em Portugal, “Bowling for Columbine” foi bem recebido pela crítica (embora sendo realçados os exageros do estilo de Moore), com a curiosa excepção de Eurico de Barros, que chamou quase todos os nomes ao documentarista (Barros viria a confessar ser um apreciador de armas...). Não conheço reacções de ferrenhos direitistas ao filme (e agora, ao livro) de Moore. Se for um militante convicto do CDS-PP ou do PND, comente este post. Terei muito gosto em ler as suas opiniões.
segunda-feira, julho 14, 2003
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