O mês de Julho está a chegar ao fim e ainda não há sinais nas bancas do próximo número da revista “Primeiras Imagens” (PI). Tudo indica que se repetirá a situação de Maio, mês no qual a revista não chegou a ser publicada. Ou então... chegou ao fim esse projecto 100% português. Espero bem que não seja o caso. Para dizer a verdade, sempre que compro uma edição da PI receio que seja a última. Já em 1999 a revista não passou do nº1; depois de ter voltado à vida em Outubro de 2002, teve até agora a sorte de chegar ao nº7. Ao contrário da sua concorrente, a bem conhecida “Premiere” (propriedade da Hachette), a PI, como não se cansa de lembrar, não pertence a um grupo editorial forte. Portanto, ou não fosse bem portuguesa, é com grande esforço que se dá a conhecer ao mundo (a avaliar pela escassez de páginas de publicidade no nº7, não me parece que tenha muito sucesso nessa tarefa).
Venho portanto fazer aqui a defesa dessa publicação tão ignorada e ostracizada, num pequeno esforço para salvá-la.
Sim, é verdade que a “Premiere” ainda é melhor, tem mais informação e até um visual mais atraente (embora eu preferisse o anterior). Mas a PI tem vindo a melhorar desde o primeiro número da sua segunda vida. Tanto quanto ao grafismo quanto ao conteúdo, conseguiu tornar-se uma alternativa credível à sua concorrente. A existência dessa alternativa é importante para qualquer cinéfilo, que assim pode não só obter mais informação (sobretudo sobre filmes acabados de estrear nos EUA mas ainda longe de Portugal) como ler diferentes abordagens de certos filmes ou temas (como, por exemplo, o Festival de Cannes). A verdade é que os monopólios, na comunicação social, nunca foram particularmente estimulantes. Quanto mais diversidade houver, melhor.
Que características apresenta a PI? Em primeiro lugar, a abundância de imagens, que, estando estas acompanhadas por textos de qualidade, resulta bem. Além disso, existem análises à quase totalidade dos filmes a estrear brevemente, secções interessantes como “Clássicos” ou “Filme de Culto”, uma forte atenção concedida ao cinema português e um número agradável de entrevistas (realizadas pelo incansável Paulo Portugal). O painel de críticos possui tanto figuras já conhecidas (como José de Matos-Cruz, João Antunes ou Joaquim Lucas) como nomes novos (os críticos de cinema da imprensa portuguesa, além de serem, sabe-se lá porquê, quase todos do sexo masculino, parecem ser sempre a mesma meia dúzia). A secção de DVD também não está nada má. A nível da promoção, os “posters” oferecidos aos leitores parecem-me uma ideia a seguir.
Apesar das imperfeições que ainda possui, a PI merece ser lida com alguma atenção. Por isso, se o nº8 chegar a aparecer nos postos de venda, folheiem-no e experimentem até comprar um exemplar. Vão ver que não faz mal à saúde (se fizer, podem bater-me à vontade).
quarta-feira, julho 30, 2003
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