A estreia de “The Passion” nos EUA está marcada apenas para a próxima Páscoa, mas já se faz sentir uma forte polémica em torno da obra na qual Mel Gibson aborda as últimas doze horas da vida de Jesus Cristo (interpretado por Jim Caviezel). Associações judaicas e até grupos de católicos contestam o conteúdo supostamente anti-semita do filme.
Logo que foi anunciado que Gibson iria rodar uma longa-metragem sobre a morte de Cristo falada em latim e aramaico e que provavelmente não teria quaisquer legendas, não terão sido poucos aqueles que pensaram: “O homem passou-se”. No entanto, profundamente empenhado no projecto, Gibson dirigiu as filmagens de “The Passion” (do qual é também co-argumentista) em Itália (país de origem da maioria dos actores que participam no filme). Depois iniciou a série de declarações fora do comum que avivou a polémica (de acordo com Gibson, ter-se-iam verificado milagres e conversões ao Cristianismo entre a equipa de rodagem, dirigida pelo Espírito Santo através dele), incluindo a afirmação de que os judeus teriam que assumir as suas responsabilidades pelo que fizeram, em resposta às críticas de grupos religiosos que julgam que “The Passion” aponta os Hebreus, de forma simplista, como os “maus da fita”. Lembraram-se então as ideias religiosas radicais do realizador. Perante isto, será possível que a fé de Gibson o tenha levado a cair no exagero e a cobrir-se de ridículo ao tentar fazer uma obra evangelizadora?
Por outro lado, é certo que estamos a falar do vencedor de um Oscar e as reacções ao “trailer” (não legendado) de “The Passion” foram bastante positivas. A força das interpretações e o realismo da realização tornariam supérflua a compreensão plena dos diálogos (além do mais, o texto que inspirou os argumentistas encontra-se acessível a todos). A expectativa, já alimentada pela discussão teológica, cresceu ainda mais. Independentemente das suas tendências ideológicas, é possível que estejamos perante um grande filme e uma nova e impressionante abordagem da mais famosa história de sempre.
Irá “The Passion” levar muitos espectadores a modificar as suas ideias religiosas, seguindo o caminho de Cristo, como pretende o realizador? Duvido. Seja como for, trata-se ou de um drama histórico interessante ou de um total disparate. Veremos... Para já, todo o falatório cria uma publicidade que faz prever boas receitas de bilheteira.
sexta-feira, agosto 22, 2003
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