segunda-feira, agosto 18, 2003

Podia ser melhor...

Eu sei que este blog é destinado sobretudo ao desanque puro e simples de longas-metragens, mas critico aqui um filme recentemente estreado que não é totalmente mau, embora possua elementos intragáveis que estragam quase tudo:

Além do caso de numerosas pessoas com a pouca sorte de possuir um número de telefone igual ao que é atribuído a Deus no filme que passaram a receber centenas de chamadas de brincalhões, foram referidas nos jornais as dificuldades que “Bruce, o Todo-Poderoso” teve em ser exibido na Malásia, país onde acabou por ser classificado como para maiores de 18 devido ao seu conteúdo “ofensivo” para a religião. É quase o mesmo que proibir a sua exibição, uma vez que o público pós-adolescente pouco interesse verá nesta comédia de Tom Shadyac. Apesar do sexo, de alguns palavrões e do gesto ofensivo que Carrey realiza, trata-se de um filme com um tom algo infantil. O humor é simples (muitas vezes demasiado simples) e directo, feito a pensar no actor principal. E como ele está à vontade nesse registo! Se este filme chega a divertir, é graças ao trabalho extraordinário de Carrey. Ver Morgan Freeman a representar também é um prazer, como sempre. Quanto a Aniston, não há grande coisa a dizer. Não é nada de especial.
A graça e originalidade da ideia que Shadyac passou para a tela acabam por se perder bastante, tendo em conta a facilidade das piadas e a evolução sem grandes rasgos do enredo. Isto, claro, até à última meia hora. A partir daí... prefiro nem falar nisso. Como é que ninguém se lembrou de cortar as cenas mais sentimentais? Enfim, chega-se ao final feliz, fica toda a gente contente e propaga-se uma moral correcta e agradável. Para melhorar ainda mais as coisas, vemos nos créditos finais algumas fífias de Carrey e Aniston. Que interessante.
“Bruce, o Todo-Poderoso” tem momentos de bom entretenimento, mas não deixa de ser pena que Carrey exiba o seu enorme talento em obras menores.
A melhor cena: Bruce faz imitações em frente ao espelho.
A pior cena: Bruce reza por Grace.

Nota: 5/10.

P.S. Vi os "trailers" de duas comédias fraquinhas, "Daddy Day Care" (com Eddie Murphy) e "What a Girl Wants". A primeira explora o humor sobre crianças traquinas e a segunda o humor sobre a adaptação de uma personagem irreverente a um ambiente formal. Que imaginação.

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