Esquecendo os privados e falando da intervenção das autarquias na divulgação do cinema entre os cidadãos, posso dar-vos o exemplo da Câmara de Odivelas (o meu amado concelho), que gere, através da empresa municipal Odivelcultur, a programação do Auditório da Póvoa de Santo Adrião (fui lá só para ver espectáculos teatrais, mas a sala não me parece má). No mês de Setembro, foram ou serão exibidos "Os Anjos de Charlie: Potência Máxima", "X-Men 2", "Hulk" e "Velocidade Mais Furiosa", além das sessões infantis (as mais concorridas) com "A Floresta Mágica" e "Sinbad - A Lenda dos Sete Mares". Não se pode dizer que a programação seja demasiado intelectual, mas pelo menos a entrada custa apenas três euros (um euro para menores de 13 anos).
No folheto publicitário da empresa, encontram-se, além de alguns erros ortográficos ("Dree Barrymore", "Jennifer Conelly"), a descrição da série de BD "The Incredible Hulk", da Marvel, como "longuíssima". Ou a Odivelcultur detesta o Hulk ou acha que após uns 30 anos de carreira os super-heróis deveriam passar à reforma (que diria do Batman e do Super-Homem?).
No seu "site", a empresa apresenta um inquérito ao utilizador que inclui uma pergunta sobre que filme gostaria de ver projectado na Póvoa de Santo Adrião (não são indicadas opções). O vencedor deste "Voto do Público" no mês passado foi "Os Anjos de Charlie: Potência Máxima". Este conceito não deixa de ser interessante. Se a maioria doodivelenses s escolhesse "Amarcord", a Odivelcultur teria que exibir a obra de Fellini. Aliás, se os munícipes escolhessem um filme ainda não estreado em Portugal, a autarquia teria que o comprar. É o sonho de qualquer cinéfilo.
Diga-se para terminar que a Odivelcultur não se limita a passar fitas: promoverá em Outubro um "workshop" para formar novos realizadores (de vídeo, pelo menos). Os filmes da autoria dos participantes (que abordarão "temas, aspectos ou histórias relacionadas com Odivelas") serão mostrados ao público no Auditório Municipal. Uma vez que uma imagem de "Cidade de Deus" é reproduzida no folheto, supõe-se que os novos cineastas terão de filmar o concelho como Meirelles filmou o Rio de Janeiro, o que pode dar resultados curiosos.
domingo, setembro 21, 2003
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