quarta-feira, setembro 17, 2003

Cinema da coxa

Procurando contrariar a regra vigente que condena a maioria dos filmes portugueses à quase ausência de publicidade (já deu para ver que o investimento publicitário é meio caminho andado para o sucesso do cinema lusitano) e conduz a "flops" humilhantes, mesmo à nossa escala, como acontece agora com "O Rapaz do Trapézio Voador" (ver crítica ao filme em www.c7nema.net), com apenas alguns anúncios ultra-discretos na imprensa, falo agora de uma obra de origem nacional que estreia ainda em 2003 e sobre a qual é legítimo alimentar alguma expectativa: "Os Imortais", o novo filme de António Pedro Vasconcelos ("Jaime").
Apesar da atenção dada pela imprensa à sua rodagem, a estreia desta produção recheada de acção sobre um grupo de ex-combatentes que se reúne e faz estragos (oxalá não seja assim tão parecido com "Inferno"?), assaltando um banco, tem sido muito incerta. Falou-se da Primavera, depois de Junho e agora de 24 de Outubro. Nesse dia, “Os Imortais” enfrenta a concorrência de várias películas, incluindo o primeiro volume de “Kill Bill”. Lá mais para o final do ano, estreiam novos filmes das trilogias “Matrix” e “O Senhor dos Anéis”, que podem levar a outro adiamento. Quando poderemos realmente ver a obra (suficientemente comercial para fugir ao estereótipo do “filme para minorias”) de Vasconcelos?
Um dos principais motivos de interesse de “Os Imortais” reside no seu elenco, que conta com uma “estrela internacional”, Emmanuelle Seigner (a mulher de Polanski), os nomes do costume, como Joaquim de Almeida, Rogério Samora (actor presente em 93,7% da produção cinematográfica anual portuguesa) ou Nicolau Breyner, e a grande estreia: Rui Unas. Esse mesmo, o homem do “Cabaret da Coxa”, o “ganda maluco” da SIC Radical, que agora conta até com ficha e biografia no Imdb. Antes de participar neste filme (onde parece ter um papel de relevo), Unas fizera, em termos de representação, apenas uns quantos bonecos no “Curto-Circuito”, que eu me lembre. Além de ser um dos quatro “imortais” do título (fugindo, aparentemente, do registo cómico), Unas rodou já outro filme, a curta de terror “I’ll See You in My Dreams”, onde encarna um sacerdote.
Espero que o caso deste novo actor seja um pouco mais feliz que o de Catarina Furtado, outra vedeta da televisão que tentou a sua sorte no cinema. O lado mais “sério” de Unas será tão ou mais eficaz que as suas piadas politicamente incorrectas?

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