quinta-feira, setembro 25, 2003

"Críticos de sofá"

Com o início da terceira "rodada" da Série Y, o "Público" lançou um passatempo no qual apela à vocação crítica dos leitores-espectadores, oferecendo leitores de DVD e porta-DVD's. A quem? Àqueles que preencherem um formulário classificando, numa tabela, os 25 filmes que serão vendidos, e escrevendo uma pequena recensão da sua fita predilecta da série.
Curiosamente, a escala através da qual os participantes podem atribuir notas às longas-metragens vai de uma ("dispensável") a cinco estrelas ("obra-prima"). Não é possível atribuir a um título da Série Y a bola preta ("de fugir") que os críticos do diário reservam às obras que consideram realmente péssimas. Imagino que ninguém seja mal-educado ao ponto de achar terrível um dos filmes seleccionados e assinalá-lo. A escolha realizada pelo "Público" é demasiado boa para que tal aconteça.
O facto de as críticas enviadas pelos concorrentes apenas poderem abordar maravilhas pode não ser positivo. Quem sabe se uma reflexão sobre a obra mais odiada do catálogo do "Público" não daria origem a textos de maior qualidade e interesse. Dizer mal de um filme é extremamente reconfortante, quase tanto como visionar uma obra de qualidade. Não só chamamos a atenção do mundo para uma aberração que se passeia impunemente pelos ecrãs, ocupando o lugar de hipotéticas obras-primas, como nos sentimos bem ao fingir que somos melhores que a equipa responsável pela "bosta" e poderíamos realizar um trabalho muito mais competente se nos dessem essa oportunidade. E ainda existe a possibilidade de sacarmos do humor e ridicularizarmos o nosso alvo, sentindo-nos inspirados e espirituosos. Mas, quanto à Série Y, isso simplesmente não é concebível: todos os 25 DVD's contém decerto obras do agrado universal.

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