Voltando ao tema dos erros presentes em textos sobre cinema publicados na imprensa portuguesa, refira-se igualmente a incoerência existente na crítica que Paulo Portugal faz ao DVD de “Austin Powers em Membro Dourado” na última edição da “Primeiras Imagens”. No texto, Portugal admite ter dado algumas “gargalhadas alarves” e afirma que “Goldmember está cheio de boas ideias” e bons actores, mas acumula as locuções adversativas (“mesmo que”, “ainda assim”, “apesar de”, “apesar da”) para mostrar que não apreciou muito a comédia “algo estafada” ou a “realização nem sempre conseguida”. Exige uma “profunda reflexão” antes do próximo filme da série. No entanto, a classificação atribuída ao filme no quadro abaixo do texto é de quatro estrelas (correspondente a “muito bom”). É estranho, mas não tanto como a garantia do crítico de que “Salvam-nos os extras muito decentes desta edição” e “os comentários do Meyers valem, só por si, uma revisão deste Membro Dourado”. No quadro, os extras recebem uma única estrela (equivalente a “mau”).
Assim, Portugal parece ser pouco exigente na classificação das longas-metragens (a uma obra de que não gostou por aí além atribui o estatuto de “muito bom”) e impossível de contentar quanto às opções especiais dos DVDs (ou então teve acesso a discos com extras tão maravilhosos que são indignos do género humano e tudo o resto lhe parece distante disso). Na página seguinte, encontra-se uma apreciação da sua autoria a uma edição de “Bowling for Comumbine” (sic) sem extras com as mesmas classificações.
Enfim, errar é humano...
terça-feira, setembro 16, 2003
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