terça-feira, setembro 23, 2003

Morais: o regresso

Ele voltou! José Álvaro Morais, o realizador que criou esse “monstro” chamado “Peixe-Lua” (2000), acabou um novo filme, “Quaresma”, que, depois de passar por Cannes, estreia em Portugal no próximo dia 3 de Outubro. Vi o “trailer” da obra e... tenho medo, muito medo... nem só para dizer mal iria ver “Quaresma”.
Eu sei que é injusto protestar por causa de um filme que ainda não se viu e não tenho nada contra a protagonista, Beatriz Batarda (a propósito de actores portugueses com trabalhos realizados no estrangeiro, ela participou em várias séries britânicas, como “My Family”), além de reconhecer a beleza das paisagens filmadas, mas, já agora, quem é que por aí viu alguma vez uma longa-metragem de José Álvaro Morais? Ou melhor, quem é que alguma vez ouviu falar de Morais (não se trata de um jovem cineasta) e do seu trabalho? Levantem as mãos. Não levantam?
Morais é um dos realizadores mais anti-comerciais com que este país conta. Ninguém dá por ele, a não ser alguns críticos. As suas personagens parecem distantes de qualquer realidade. O enredo de “Peixe-Lua” é do mais confuso e aborrecido que há. O interesse do público parece não estar entre os objectivos do realizador. Na televisão, os seus filmes só devem ser aceites nas madrugadas da RTP2, e muitos espectadores desprevenidos que por acaso os vejam só poderão pensar: “O que raio é isto?” e depois “Quando é que isto acaba?” Morais afirma que os seus filmes, “num momento preciso da sua produção, da sua execução ganham uma vida própria”. Ou seja, a culpa não é dele.
Bem, aceito que exista quem aprecie as histórias de Morais, mas o seu caso não deixa de nos fazer perguntar qual é o público-alvo dos cineastas lusos (com a excepção de Fernando Lopes) cujos filmes são distribuídos pela Atalanta. Gastarão os financiamentos do Estado entretendo (?) sempre a mesma meia dúzia de pessoas?

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