quinta-feira, setembro 04, 2003

Numa banca perto de si

De acordo com a publicidade, o jornal diário "24 Horas" lança-se na aventura da venda de DVDs a baixo preço juntamente com os exemplares de um determinado dia da semana. O dia escolhido é a quinta-feira. Uma decisão arrojada, pois é também na quinta que o "Público" põe à venda as obras que constituem a Série Y. Decerto que, a pouco e pouco, os leitores do jornal de Belmiro de Azevedo, sobretudo os de classe alta ou média-alta, se interessarão de forma crescente pela colecção rival e passarão a preferir o "24 Horas", com a sua informação útil e variada.
É interessante, como sinal e contributo para a banalização do DVD, que a imprensa lance este tipo de iniciativas. Mas qual será o catálogo do "24 Horas"? Já conhecemos a lista do "Público", uma espécie de guarda-vestidos onde se encontram peças concebidas pelos melhores costureiros europeus (Almodóvar, Moretti, Jeunet, etc.) e americanos (Lee, Allen, Lynch, Fincher e muitos outros), além de algumas roupas "made in Portugal", modernas ("Tentação", Zona J") ou para saudosistas (comédias portuguesas dos anos 40), dando um toque de classe ao cinéfilo sofisticado, e a do "Diário de Notícias" (agora suspensa), muito desarrumada e com material de todo o tipo misturado, incluindo artigos mais triviais mas nem por isso populares ("O Lago", "Paixões Paralelas"...) e outros mais finos ("Disponível para Amar"), embora nenhum particularmente vistoso.
Como será a colecção "24 Horas"? Provavelmente serão seleccionados filmes com títulos apelativos, cheios de sexo, com pouco diálogo e repletos de estrelas e pseudo-estrelas.

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