terça-feira, outubro 21, 2003

Asneiras e disparates

Dentro da crítica cinematográfica, há um subgénero que consiste na detecção e revelação ao mundo da existência de “erros” ou “falhas” (designações que costumam ser aplicadas em Portugal) em um ou mais filmes. Analisando as longas-metragens à lupa, os especialistas desta actividade reparam em falhas de continuidade, incoerências no argumento, microfones ou equipa técnica visíveis, anacronismos (no caso de cenas que decorrem no passado), informações que não correspondem aos factos reais, situações cientificamente impossíveis, má tradução e muito mais. O que parece fazer sentido aos olhos de um espectador desatento (como eu) é exposto como não possuindo qualquer lógica ou realismo. Por vezes, o que provoca espanto é como ninguém durante a realização e montagem da obra em questão reparou em disparates óbvios.
Os “sites” que constituem referências para este tipo de análise exaustiva da 7ª Arte são, além do Imdb (secção “Goofs”), Nitpickers (muita informação) e o inglês Movie Mistakes (visual agradável). Nestes últimos, os seus autores e qualquer cibernauta que aí se registe publicam textos denunciando os erros (geralmente, quase insignificantes) das fitas (ou de episódios de séries televisivas, no caso dos Nitpickers) e promovem inquéritos. Os filmes com mais falhas plausíveis registadas (como “Matrix”, “O Resgate do Soldado Ryan” ou “A Irmandade do Anel”) não são necessariamente aqueles que são feitos com mais desleixo, mas sim os mais populares (logo, com maiores probabilidades de serem “apanhados”).
Há três anos, existia um equivalente português muito interessante, “Oops! Falhas nos Filmes”. Depois de alguma instabilidade, desapareceu sem deixar rasto. Alguém sabe o que lhe aconteceu?

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