sábado, outubro 04, 2003

Não contem a ninguém!

Era segredo, mas, sabe-se lá como, alguns órgãos de comunicação social descobriram que, além de "Quaresma", outro filme português estreou ontem nas nossas salas (ou, em Lisboa, apenas numa sala, nas Twin Towers). Trata-se de "Altar", de Rita Azevedo Gomes, que, como todos sabem, foi a realizadora do grande êxito do Verão de 2001, "Frágil como o Mundo" (será que António Guterres teve oportunidade de ver esse filme, como afirmou pretender fazer numa entrevista concedida na altura?). A longa-metragem, de carácter experimental (feita originalmente em vídeo, é, ao que parece, uma mistura de vários elementos poéticos e visuais), é distribuída pela FBF Filmes.
Só na quinta-feira passada Portugal tomou conhecimento da existência desta obra, através da "Visão" (a "Premiere" deste mês não lhe faz referência). Na sexta, surgiram anúncios em alguns jornais (ver pág. 20 do "Público" de ontem) e até uma ou outra crítica destacando a originalidade (ou bizarria) da obra. Às 20.15, o 7ª Arte não sabia nada sobre "Altar". Um pouco mais tarde, já admitia o regresso de Rita Azevedo Gomes, com uma ficha sem grandes informações, mas não indicava as salas de exibição.
O prestígio da cineasta, o carácter comercial da fita (com actores estrangeiros), o enorme número de salas nas quais estreou (o anúncio fala de uma em Lisboa, outra no Porto e, de forma específica, de "Outras Cidades"), a atenção da crítica e o arrojado "marketing" da FBF (que apostou numa estratégia de secretismo, evitando assim a divulgação de demasiados pormenores por parte dos "media", ávidos por satisfazer os fãs de Azevedo Gomes) só podem resultar num histórico êxito de bilheteira que revigorará o cinema nacional. Tudo para Campolide, pessoal!

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