quinta-feira, outubro 16, 2003

O futuro à nossa frente

O filme cujo DVD é vendido hoje com o "Público", "Manobras na Casa Branca" ("Wag the Dog"), é classificado pelo jornal como "comédia" ou "sátira política", mas na verdade é muito mais que isso. Trata-se da criação de um novo género: o cinema profético. Para quem não sabe, esta longa-metragem de 1997 (realizada por Barry Levinson e protagonizada por Dustin Hoffman, Robert de Niro e Anne Heche) conta a história de um grupo de colaboradores do presidente americano que inventam uma guerra (existente apenas na televisão) contra a Albânia para distrair a população de um escândalo sexual que envolve o líder do mundo livre.
Um presidente a desencadear um ataque militar para desviar as atenções dos seus pecadilhos? Um personagem (o de Robert de Niro) que explica que a guerra do futuro não é contra o estado A ou B, mas sim contra grupos terroristas equipados com armas de destruição maciça? Uma Administração que promove um conflito patriótico (apoiado pelo eleitorado) contra um país que diz considerar uma ameaça para a segurança mundial? Um soldado que cai nas mãos do inimigo e, depois da sua "libertação", é transformado num herói nacional? Não viram isto em qualquer lado (depois de "Manobras na Casa Branca" estrear)? É um dos casos em que a realidade imita a ficção.
Que mais elementos do filme de Levinson se virão a tornar realidade? Os (péssimos) anúncios televisivos de apoio à reeleição do presidente?

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