domingo, outubro 19, 2003

O mundo louco dos videoclubes

Ao contrário do que por enquanto acontece com as longas-metragens exibidas nos cinemas, são divulgados em Portugal "tops" com as obras mais vendidas ou requisitadas do circuito de vídeo/DVD. Nos videoclubes, é possível observar essas listas nacionais ou simplesmente o registo feito pelas próprias lojas das fitas mais escolhidas pelos seus clientes, dando assim a conhecer as preferências de um microcosmos que podemos, geralmente sem grande exagero, estender à generalidade do público.
A verdade é que essas tabelas não possuem interesse de maior, uma vez que os filmes que ocupam o topo delas são sempre as últimas novidades. Acho que os consumidores alugam sobretudo aquilo que é recente, sem grandes preocupações com a qualidade ou prestígio crítico das fitas (vi numa loja "Barco Fantasma" na primeira posição, superando "As Duas Torres"). É claro que a publicidade e o mediatismo dos filmes ajudam ao seu sucesso, mas obras lançadas directamente para o circuito de "cinema em casa" e dirigidas a um público específico (como "Jason X" ou filmes com Steven Seagal) também costumam marcar presença nos dez mais, talvez porque existe menor exigência na escolha da fita que se vai ver na sala de estar do que no multiplex.
As diferenças entre o visionamento de cinema em casa e a ida às salas começam, no entanto, a esbater-se: o vídeoclube que frequento já passou a vender sacos de pipocas. Portanto, já não falta o essencial para fingir que se está num cinema. Restam ainda alguns pormenores de escassa importância (além do preço) que diferenciam essas duas formas de desfrutar da 7ª Arte. A possibilidade de ver as cassetes ou os discos aos bocadinhos (metade antes do jantar, 10 minutos antes de ir passear o cão, 20 minutos a seguir à novela...) é uma delas. Digam mais...

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