quinta-feira, outubro 02, 2003

Uma fita muito estranha

Se está farto dos "blockbusters" que enchem os multiplexes e atraem as atenções de todos, existe em Lisboa um cinema onde são exibidos filmes de que certamente os seus amigos nunca ouviram falar: o Cine-Estúdio 222, gerido pela Zero em Comportamento, que aí projecta, nos dias úteis, as obras raras que obtém sabe-se lá onde. Na programação de Outubro, destaque-se "Pi", a primeira longa-metragem de Darren Aronofsky. Descoberto o DVD importado desta obra pelo Fernando Campos, logo se verificou a divulgação da fita em círculos mais ou menos restritos. Deste modo, posso afirmar que "Pi" é, com certeza, um dos objectos artísticos mais bizarros dos últimos anos. Chamam desde logo a atenção o facto de ser pequeno (85 minutos) e a preto e branco e o orçamento insignificante com que Aronofsky (co-autor da história) contou. A importância da Matemática na narrativa também não é comum. Já a violência visual que por vezes se regista tem paralelo com "A Vida Não é um Sonho", a outra longa da autoria do realizador. As imagens tornam-se socos dirigidos ao estômago do espectador. O visionamento de "Pi" não é muito agradável devido a esse aspecto, mas talvez por isso mesmo (além de todo o talento de Aronofsky e do actor principal, Sean Guilette) trata-se de uma autêntica pérola.
Num dos cinco dias de exibição de "Pi", venha vomitar no Cine-Estúdio 222. Aviso: a cópia projectada tem legendas em castelhano.

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