sexta-feira, novembro 28, 2003

222: zero em qualidade?

Espero que o "adeus" da Zero em Comportamento seja na verdade um "até já". Decerto que a Câmara Municipal de Lisboa (ou outra entidade qualquer) disponibilizará em breve um espaço onde a Zero possa viver com dignidade.
Para quem não sabe, a Zero é uma espécie de cineclube lisboeta que se dedicou nos últimos anos à exibição não só de reposições como de filmes inéditos em Portugal organizados em ciclos inovadores. Curtas-metragens nacionais e estrangeiras e longas de origens variadas (incluindo países escandinavos) puderam assim ser vistas (a preços reduzidos), muitas vezes em primeira mão, pelos cinéfilos da capital. Apesar de enormes dificuldades, a Zero fidelizou um público e obteve vários sucessos de bilheteira dignos de registo (o ciclo Ed Wood e a ante-estreia de "Cidade de Deus", por exemplo). A comunicação social prestou-lhe uma certa atenção e, como afirma a declaração de despedida, gerou-se uma corrente de amor (a que nos juntámos) em torno do projecto.
O problema é que alguns espectadores queixaram-se das más condições das cadeiras e de toda a sala alugada pela associação no Cine-Estúdio 222 (um centro comercial de fraquíssima qualidade situado no Saldanha), marcada pela exiguidade, humildade e mau cheiro. As condições do espaço irritavam o cinéfilo mais paciente (ou com maior capacidade de concentração nos filmes). Fartos de reclamações (os donos do 222 não realizaram até hoje quaisquer obras e o projecto de gestão do São Jorge apresentado à CML não teve seguimento), os dinamizadores da Zero resolveram fechar a loja.
Não para sempre, é claro. Lisboa não ficará sem cinema alternativo que escape ao controlo das grandes distribuidoras. As obras dos melhores cineastas não permanecerão "presas" na televisão. A qualidade cultural vencerá. Acho eu...

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