domingo, novembro 30, 2003

Eles existem?

A propósito da exibição pela SIC (o canal oficial português de James Bond e “Star Wars”) de mais alguns filmes do agente 007, incluindo “Só se Vive Duas Vezes” (7/10), diga-se que só o desejo de divertimento pode explicar o sonho de cineastas de culto como Steven Spielberg e Quentin Tarantino em realizar um capítulo da série. Manter protagonismo ou dar um cunho pessoal à saga não devem ser os objectivos, devido às características das aventuras da personagem mais famosa da 7ª Arte.
Na verdade, quando estreia um novo filme de 007, todos falam do actor principal, das “Bond girls”, das cenas “impossíveis”, dos vilões megalómanos, das engenhocas, dos efeitos visuais, do contexto geopolítico, do “product placement”, dos locais das filmagens... de tudo menos do realizador, cujo nome não gera normalmente mais que um “ah, sim?”. Não só o formato não permite grandes experimentalismos técnicos como são escolhidos cineastas sem demasiado peso comercial (provavelmente de modo a serem mais facilmente controlados pelos produtores) para dirigir a sucessão de sexo, tiros e explosões. O facto dos realizadores recentemente mudarem de episódio para episódio torna-os ainda mais facilmente olvidáveis que as actrizes que contracenam com o protagonista (à excepção de Halle Berry, claro).
Duvido que algum espectador pense ao ver um Bond: “isto é mesmo Apted”, “o Campbell filma cada vez melhor”, “esta foi a fase mais interessante do Gilbert” ou “como é que se chama aquele que o génio do Spotiswoode realizou?” Enfim, apesar de tudo um Bond acaba por ser a coisa mais vistosa feita por esses cineastas médios, por isso há sempre gente interessada em pegar no projecto.

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