Li a crítica do Tiago Pimentel sobre o filme "Mystic River" e poderei dizer que não estou de acordo com aquilo que ele diz ser a temática do filme: a Morte. Não acho que esse seja a principal marca e obcessão de Clint EastWood.
Possivelmente nos últimos filmes sejam a "Morte" e a "Velhice" os temas principais mas aquilo que me parecer ser a sua imagem de marca são "Histórias sobre o Cruel Mundo dos Homens".
Muitas vezes Homens com a conotação de espécie Humana e outras com a conotação Machista da palavra. Vejam por exemplo o "Mundo Perfeito" em que os causadores de todos os problemas são homens. O bandido é mau pois teve problemas na adolescência com o pai, o rapaz quer fugir por não ter pai e a personagem de Laura Dern personifica o contraste com a visão feminina desse Mundo machista em que os Rangers e a personagem de Clint se move na caça ao homem. Posteriormente essa visão do Mundo continuou no filme "Imperdoável" e em todos os seus filmes de forma mais ou menos evidente (Space Cowboy é aquele que ligeiramente goza com todos os clichés sobre os durões da corrida ao espaço vista no cinema sempre de uma forma manifestamente machista).
Agora em "Mystic River" volta a ser evidente essa marca de Clint Eastwood.
Aquilo que o ser Humano pode fazer em muitas vertentes. Desde a pedófia, à perda da amizade, à desconfiança e traição e a grande diferença é que nesta história as mulheres ganham a mesma dimensão que os homens e Clint Eastwood realça bastante isso quer durante o filme quer no final com um sucessivo jogo de olhares (também presente no livro).
Eu desde que vi o "Mundo Perfeito" sou um fervoroso fã dos filmes de Eastwood e conheço todos desde 92 e posso sem qualquer dúvida dizer que este é o tal momento alto que gostaria de voltar a sentir.
Gostava ainda de salientar que quer em "Um Mundo Perfeito" e "Mystic River" estamos na presença de estranhas personagem crucificadas pelo seu semelhante. No primeiro a personagem de Kevin Costner e no segundo caso Dave que bem no fundo é a constante vitima do Mundo dos Homens (traído até pela sua mulher).
Sem qualquer dúvida o melhor filme do ano e ficará para muito meditar.
***** (0-5)
domingo, novembro 23, 2003
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