domingo, novembro 16, 2003

Unas e muito mais

Para começar, é importante destacar que "Os Imortais" demonstra um esforço meritório de atrair o público nacional, dispensando histórias demasiado lentas e complexas, criando personagens e apostando no contacto com a realidade, blá, blá... Isto já se tornou um lugar-comum.
Embora principiando com a narração de Rui Unas (nada no seu trabalho o identifica como um "novato" ou uma estrela da televisão, está tão bem como os actores mais habituados ao cinema), a obra de António-Pedro Vasconcelos concentra-se sobretudo na perspectiva do inspector Malarranha (Nicolau Breyner magnífico, melhor no drama que na comédia), que toma conhecimento de toda a história dos Imortais através de vários "flashbacks". Quanto à guerra colonial e às suas memórias, a abordagem é muito diferente, como é óbvio, da comédia que é "Preto e Branco", mas eficaz na sua brevidade (brevidade essa que não caracteriza todo o filme, que se torna demasiado longo).
O elenco é de alto calibre, excepto Emmanuelle Seigner, que serve sobretudo para introduzir a língua francesa ("Os Imortais" é co-produzido pelo Luxemburgo) e cenas de sexo. Mas neste caso a gaja não estraga tudo. É certo que não é um grande filme, mas, como já alguém disse, tem princípio, meio e fim.
Não deixa de ser curioso observar o 1985 recriado por Vasconcelos (com a campanha de Cavaco Silva, cartazes do PRD, Carlos Fino a apresentar o telejornal e toda a gente a pagar em notas de escudo) e pormenores como o "cameo" do realizador (é um pianista) e a enorme quantidade de álcool e tabaco utilizados na rodagem da fita.
A melhor cena: É revelado o destino de Abel.
A pior cena: Madeleine e Malarranha na esplanada.

Nota: 6/10.

P.S. "Portugal S.A."? O que raio vem aí (a avaliar pelo "teaser", muito, mas muito sexo)?

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