"007 - Ao Serviço de Sua Majestade" (1969) é uma espécie de "filme maldito" da série já quarentona (outro capítulo geralmente ostracizado é "Vive e Deixa Morrer", o primeiro com Roger Moore, que eu ainda não vi). George Lazenby foi James Bond por uma única vez (achou que o papel não tinha grande futuro) e, embora os resultados de bilheteira não tenham sido tão maus quanto isso, a popularidade de Connery e Moore tornou o actor australiano irrelevante. A verdade é que o sexto filme de Bond é tão diferente de todos os outros que só pode despertar reacções radicais. Eu não gostei (prefiro o estilo Connery, que o inexpressivo Lazenby tenta por vezes imitar sem qualquer sucesso, e a realização e montagem não convencem, além da história ser algo ridícula demais, para não falar dos diálogos), mas outros afirmam que se trata da melhor adaptação da obra de Fleming e dá ao personagem um lado sentimental que só lhe fica bem. O certo é que ficou como um OVNI na lista das aventuras do espião.
É habitual lembrar-se que parte de "007 - Ao Serviço de Sua Majestade" foi filmada em Portugal. Na verdade, a acção centra-se na Suíça e são poucas as cenas que mostram o nosso país (com imagens de Estoril, Sintra e Lisboa, creio), que curiosamente nunca é identificado. Pelo sotaque dos personagens que Bond encontra por cá, parece mais Espanha. No entanto, é possível ver, no casamento do herói, crianças a executar uma suposta dança tradicional lusitana e, a seguir, 007 a conduzir nas imediações da então Ponte Salazar. Parece que a representação deficiente de Portugal e do seu povo no cinema anglo-saxónico não é de hoje.
segunda-feira, dezembro 01, 2003
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