Na década passada (quando éramos jovens e ingénuos), algumas mentes brilhantes, apoiadas paternalmente por Pinto Balsemão, procuraram popularizar o cinema português. Esse objectivo implicava não só histórias com acção e palavrões mas também canções pop/rock de artistas na berra que ficassem no ouvido e servissem para a promoção dos filmes. Assim, Pedro Abrunhosa ("Adão e Eva"), Delfins ("Adeus Pai" e "Zona J"), Xutos e Pontapés ("Tentação" e "Inferno"), Rui Veloso ("Jaime") ou GNR ("Amo-te Teresa") criaram temas a acompanhar as cenas do novo e arrojado cinema luso.
No século XXI, isso acabou. Para já, porque a intenção de fazer os portugueses verem cinema na sua língua acabou por chocar com a realidade. A SIC ficou em dificuldades e abandonou, por muito tempo, os cineastas à sua sorte. A RTP apoia sobretudo os "velhos" realizadores. Os Delfins passaram de moda. Actualmente, recorre-se a reportório mais "clássico" ou a canções giras mas de grupos desconhecidos (como acontece com "Esquece Tudo o que Te Disse"). Isso é bom ou mau? Bem, não deixa de ser pena que o interesse dos produtores e o esforço dos músicos na década anterior tenha sido apenas passageiro... Cinema e rádio constituem mundos praticamente à parte no nosso país.
segunda-feira, dezembro 22, 2003
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