quinta-feira, dezembro 11, 2003

Notas

Na última edição, "O Independente" mostrava serem verdadeiros os boatos que recentemente corriam à boca pequena em alguns círculos restritos: o Estado português gasta fortunas a apoiar filmes que ninguém vê. Entre 1997 e 2002, longas-metragens de realizadores como João César Monteiro ou Rita Azevedo Gomes tiveram um custo de mais de 200 euros por cada espectador. Só cineastas chamados Leonel Vieira, Joaquim Leitão ou Maria de Medeiros obtém lucros de bilheteira que reduzem esse valor a menos de quatro euros.
É certo que o ICAM deveria aperfeiçoar os seus critérios de atribuição dos preciosos subsídios e a indústria cinematográfica portuguesa (caso existisse) deveria possuir muito maiores apoios privados, mas, como escreve Inês Serra Lopes, a culpa também é dos nossos realizadores, que tomam sempre precauções para que o número de espectadores das suas obras seja bastante reduzido. Apoiado pelos fundos públicos, o pérfido e tenebroso Paulo Branco (que "O Independente" reconhece como o produtor de maior estatuto internacional com que Portugal conta) lança películas de autor que pouco ou nada contribuem para a evolução do nosso cinema. Cinema-espectáculo ou cinema de autor: o grande drama português. Até agora, tem prevalecido o segundo, com os resultados que se conhecem.

Devido a um problema do servidor, não têm aparecido abaixo dos textos deste blogue referências à existência de postas de pescada. Cliquem no local indicado na mesma, pois há muito que ler.

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