"Johnny English", o último veículo para Rowan Atkinson (que apareceu, mais recentemente, em "O Amor Acontece"), é claramente direccionado aos fãs do actor britânico. Em Portugal, tornou-se um sucesso de bilheteira, ou não fosse a popularidade de Rowan preservada ano após ano pela série "Mr. Bean", que a RTP agora exibe pela enésima vez.
Na verdade, "Johnny English" não é (felizmente) uma cópia da adaptação do mais famoso personagem da TV britânica à 7ª Arte, mas, embora Rowan fale frequentemente, continua a ser nele que praticamente tudo assenta. Os seus esgares e expressões agradam ao espectador mais exigente. Contracenando com o mestre, passam pela tela John Malkovich (interpretando o vilão, com um sotaque francês ultra-irritante), a estreante Natalie Imbruglia (que parece sempre uma cantora a tentar ser actriz) e o interessante Ben Miller.
Parodiando a série James Bond, não possui a imaginação e o estilo próprio de "Austin Powers", o que é compreensível, tendo em conta que dois dos argumentistas escreveram antes "O Mundo não Chega" e "Morre Noutro Dia". É apenas uma comédia simples de hora e meia (alguém conhece uma comédia pura que dure mais de duas horas?), que procura distrair o público com uns quantos "gags" (alguns previsíveis), e de facto consegue-o. A história tem ritmo e hilaridade de qualidade aceitável (é um dos primeiros filmes, pelo menos de que eu me lembre, a referir-se abundantemente à tecnologia do DVD).
Vale, pelo menos, o dinheiro do aluguer (o mais interessante dos extras são as cenas cortadas, visíveis após a realização de um pequeno teste). Quem não gostou de "Bean" pode ver aqui que Rowan pode ser grande também em cinema.
A melhor cena: Johnny revela o seu plano para capturar Sauvage.
A pior cena: Johnny no hospital.
Nota: 6/10.
segunda-feira, dezembro 22, 2003
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