terça-feira, janeiro 13, 2004

O início da 2:

Na sua primeira semana de emissão, a 2: exibiu dois filmes portugueses, um na rubrica "Grande Ecrã" e outro no já clássico "Onda Curta". Essas obras foram, respectivamente...

"A Falha", de João Mário Grilo

Adaptando um romance (a estrutura cheia de analepses e prolepses do filme é mais comum na literatura que no cinema) de Luís Carmelo, o crítico e cineasta João Mário Grilo recrutou um grupo de actores de primeira (Alexandra Lencastre, Rogério Samora, Rita Blanco, Adriano Luz, João Lagarto, etc.), entregou-lhes as personagens de um grupo de antigos colegas de liceu que se reúnem após um longo período de afastamento e procurou que exprimissem as marcas e desilusões do pós-25 de Abril através das reacções das criaturas após um acidente numa pedreira (filmado com os efeitos especiais possíveis...) que praticamente as isola do mundo.
Mas, tal como o título indica, a ideia falhou. Não se pode dizer que a narrativa evolua mal até à tragédia (à excepção dos "flashbacks" supérfluos), mas a partir daí tudo o que vemos são os actores a debitar diálogos terríveis e a comportar-se de forma incompreensível. O conteúdo político-social da obra é difícil de descortinar (há uma referência forçada e despropositada à guerra colonial) e o desfecho insólito só confirma a impressáo de que estiveram a gozar connosco durante quase hora e meia.
A melhor cena: O depoimento de Elsa.
A pior cena: Um crime horrendo é cometido.

Nota: 4/10.

"Crónica Feminina", de Gonçalo Luz

Protagonizada pelas magníficas Ana Bustorff e Maria João Luís, esta curta-metragem (26 minutos) chegou ao circuito comercial graças à Zero em Comportamento, que a exibiu sem o complemento de qualquer "longa" (uma ideia rara mas adequada à qualidade do objecto).
Vagamente inspirado em duas crónicas de António Lobo Antunes, "Crónica Feminina" é uma história de mulheres urbanas (a bela fotografia reforça o ambiente citadino) com sérios problemas sentimentais, apresentados geralmente em tom de comédia. A obra é prejudicada pela sua duração (havia material para mais tempo), sucedendo-se as peripécias de forma algo apressada. No entanto, a dinâmica e comicidade do argumento, a repulsa de Gonçalo Luz pelos planos fixos e o aspecto "moderno" da fita resultam numa obra bem interessante.
A melhor cena: Branca e Sónia confessam amargamente os seus males.
A pior cena: O "monologo romântico" no restaurante.

Nota: 7/10.

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