“A Secretária”, de Steven Shainberg
É isto o cinema "indie"? Poucos cenários e personagens, ritmo sem pressas, diálogos acompanhados por silêncio, temas politicamente incorrectos, nus (femininos) integrais... Não é melhor ou pior que o convencional, é sobretudo diferente. Com estes elementos, é possível produzir um disparate completo, mas não é esse o caso de "A Secretária".
Contado depressa, o argumento da fita não parece excessivamente original: trata-se da história da relação entre um advogado (James Spader) e a sua secretária (Maggie Gyllenhaal) e os avanços e retrocessos que conhece até ao final feliz. Enfim, uma comédia romântica. Visto de perto, é no mínimo curioso, não só por causa da abundância de cenas de sexo (não pensem, no entanto, que a obra se aproxima do porno), mas acima de tudo pelo seu conteúdo sado-masoquista (uma palavra que chama a atenção). Pronto, foi isso que retirou o filme do anonimato. Mas o realizador nunca nos mostra a acção de forma obscena ou desastrada (o erotismo é aqui, geralmente, mais subtil que explícito), construindo uma verdadeira história de amor, para lá da sua bizarria.
Maggie Gyllenhaal (fixem o nome) tem um desempenho fabuloso, quanto mais não seja pela maneira como se expõe. Spader também merece elogios (a serenidade aparente é a imagem de marca da sua personagem).
Apesar da sua evolução por vezes vagarosa e de personagens secundárias mal exploradas, temos aqui uma história com pés e cabeça. "A Secretária" (dificilmente exibível nas tardes televisivas de domingo) constitui uma alternativa credível aos "blockbusters".
A melhor cena: Várias pessoas visitam Lee durante a sua "greve".
A pior cena: Mulheres conversam à beira da piscina.
Nota: 7/10.
terça-feira, fevereiro 10, 2004
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