“Lost in Translation – O Amor é um Lugar Estranho”
O que há de errado, mal feito, tremendamente ofensivo no segundo filme de Sofia Coppola? Ao contrário do que muita gente pensa, não é a sua falta de “verbalidade racional intrínseca”. É… bem… nada de importante (o ritmo da fita é por vezes lento, mas não é propriamente o tipo de história que envolva sexo, tiros e explosões). Acima de tudo, é uma obra de imenso bom gosto e por isso conquistou a admiração da crítica e do público. A nível de Óscares, não seria disparatado se ganhasse as estatuetas de Melhor Actor e Melhor Realizador.
“O Amor é um Lugar Estranho” (que poético) conta com uma banda sonora espantosamente envolvente combinada de forma bastante hábil com as imagens. As cenas de humor fogem ao exagero (nada de gritar aos espectadores: “Agora riam-se às gargalhadas”) e ao despropósito (não me parece que exista a intenção de caricaturar a cultura japonesa, mas apenas de destacar a inadaptação dos dois americanos ao ambiente local), com Anna Faris, agora sim, a divertir com a sua personagem. Bill Murray e Scarlett Johansson são inesquecíveis, tal como numerosos planos de Tóquio, captados com mão de mestre por Coppola. E o final, claro, só podia ser aquele. Nada a acrescentar.
Eis um filme que pode agradar quer aos fãs do cinema “intelectual” e inteligente quer a qualquer um que não se importe de assistir a uma história romântica (?) sem clichés. “O Amor é um Lugar Estranho” tornou Sofia Coppola uma cineasta de culto.
A melhor cena: Um táxi transporta Bob para o aeroporto.
A pior cena: Bob faz a barba.
Nota: 8/10.
P.S. Foi difícil, mas atingimos as 5000 visitas. Àqueles que (ainda) não nos abandonaram para sempre durante este difícil período de crise, o nosso muito obrigado.
segunda-feira, fevereiro 16, 2004
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