domingo, março 07, 2004

Cotas

“Alguém Tem que Ceder”, de Nancy Meyers

O objectivo de Meyers (também argumentista) é interessante: fazer uma comédia romântica na qual o par protagonista não seja formado por adolescentes ou “jovens adultos” (como a personagem de Amanda Peet neste filme) em plena fase de descoberta dos dramas e alegrias da vida, mas sim por um homem e uma mulher já com idade para ter juízo. A narrativa provaria que as rugas não impedem o estabelecimento de novos e profundos relacionamentos amorosos.
Dificilmente poderiam ter sido escolhidos melhores actores para concretizar esse projecto: Diane Keaton e Jack Nicholson, figuras carregadas de prestígio, actuam bem e possuem química entre si, encarnando personagens divertidas e bem construídas. No elenco restante, destaca-se o subaproveitamento de Frances McDormand e o escasso poder expressivo de Keanu Reeves.
Embora o ponto de partida seja bom e alguns momentos (a cena de sexo, os seios de Keaton e o rabo de Nicholson, por exemplo) provoquem verdadeiras gargalhadas, a evolução da história não é a melhor. O filme torna-se demasiado longo e convencional, deixando o espectador (pelo menos eu, já que esta comédia tem os seus fãs) a esperar ansiosamente o final. Certos mecanismos narrativos parecem forçados e pouco inspirados (como a ida de Erica para Nova Iorque), sendo cansativos os diálogos acerca do amor. Meyers acaba por não surpreender ninguém e repetir-se ao longo da fita.
O visionamento de "Alguém Tem que Ceder" em vídeo/DVD é mais adequado que a ida ao cinema, não só por causa do preço mas por permitir a concentração nas melhores cenas de Keaton e Nicholson e o abreviar das partes mais aborrecidas.
A melhor cena: Erica chora dias a fio.
A pior cena: Harry consulta Julian antes de voltar para Nova Iorque.

Nota: 5/10.

P.S. Vi os “trailers” de “A Paixão de Cristo” e “Shrek 2”. O primeiro permite compreender as “acusações” de influências de Tarantino na obra de Gibson, devido ao sangue um pouco por toda a parte (se a publicidade impressiona, imagine-se o filme). O segundo é realmente prometedor (“Já não falta muito, muito tempo”).

Sem comentários: