segunda-feira, março 01, 2004

A festa de Hallywood

A comunicação social portuguesa não deixou de cobrir a expectativa que rodeou a cerimónia de entrega dos Óscares, inclusive através do trabalho de enviados especiais a Los Angeles. Foi o caso da RTP, que destacou para o local da notícia Pedro Bicudo, o seu correspondente nos EUA. No "Telejornal" de ontem, o diálogo em directo entre Bicudo e a pivô Judite de Sousa permitiu obter informações preciosas (nomeadamente acerca da dificuldade de fugir aos lugares-comuns nestas reportagens rotineiras e "divertidas"). Este ano, a presença da lusofonia entre as nomeações (Eduardo Serra e "Cidade de Deus") mereceu particular destaque. Na sua curiosa pronúncia (referiu-se frequentemente a "Hallywood"), Bicudo relembrou que Serra estava nomeado pelo seu trabalho em "Rapariga do Anel de Pérola" e contradisse Sousa (crente na nomeação do filme de Fernando Meirelles para a categoria de Melhor Filme Estrangeiro) ao enumerar os quatro prémios que "Cidade de Deus" poderia ganhar, entre eles "Melhor Adaptação". Deslizes...
Quanto às estatuetas em si, vale a pena dizer que se obteve a lista de premiados mais previsível dos últimos anos. O triunfo absoluto da trilogia "O Senhor dos Anéis" acaba por ser justo, tendo em conta a dimensão e a qualidade do projecto coordenado por Peter Jackson. Alguns filmes de menor dimensão poderão, infelizmente, ter sido esquecidos imerecidamente devido ao poder do Anel. Destaque ainda para o prémio de Melhor Argumento Original atribuído a Sofia Coppola, realçando a qualidade de uma nova e brilhante cineasta, autora de uma longa-metragem de sucesso (que, segundo João Lopes assinalou na Antena 1, custou menos que algumas fitas portuguesas). Quanto a Eduardo Serra, fica para uma próxima oportunidade...

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