terça-feira, abril 06, 2004

Cidade maravilhosa

1. "Cidade de Deus" tornou-se, em Portugal, um exemplo clássico do filme "de culto". Depois das sessões esgotadas no Cine-Estúdio 222 (na época da Zero em Comportamento) aquando da ante-estreia, a obra de Fernando Meirelles, distribuída pela New Age Entertainment, foi exibida em apenas três ou quatro salas de Lisboa. No entanto, permaneceu no UCI-El Corte Inglés durante semanas a fio, recebendo a atenção e o carinho da crítica. Agora em DVD (com uma edição de coleccionador), continua a destacar-se (de acordo com a "Premiere", lidera a tabela de vendas da Fnac). Uma excepção à regra (o cinema brasileiro não tem tido muita visibilidade em Portugal) ou o início de uma tendência que "Carandiru" prolongará?
2. A versão de aluguer tem legendas em português (que, embora não transcrevam rigorosamente todas as frases, são muito úteis para a compreensão do filme, como já disse aqui o Fernando), além de um comentário áudio.
3. Sendo o personagem principal colectivo (a Cidade de Deus e o seu povo), as características individuais das figuras que mais se destacam perdem-se um pouco. À excepção disso, Meirelles apresenta uma autêntica bomba. A montagem, fotografia e realização criam um ambiente inesquecível. O mecanismo através do qual o argumento abandona uma cena ou personagem para a retomar de outra perspectiva mais adiante é brilhante.
4. O problema é que a violência (em grandes doses, mas nunca excessivamente dramatizada) nunca parece exagerada, ou seja, irrealista. O próprio final aberto da história aponta quer para o optimismo (o triunfo de Buscapé) quer para o pessimismo (as crianças assassinas), deixando a escolha ao espectador.

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