De acordo com a “Visão” de ontem, “A Paixão de Cristo” foi visto por 427 mil portugueses apenas no mês de Março. Número impressionante, sem dúvida. A obra de Gibson tornou-se o filme da moda em Portugal (e não só) durante a Quaresma deste ano. Além de atrair multidões às salas e ser citada em tudo o que é meio de comunicação social, a fita gera um debate à sua volta como é raro ver. A verdade é que há muito não se falava tanto (bem ou mal) de um filme em cartaz.
A temática de “A Paixão de Cristo” beneficiou fortemente a sua divulgação, ao tornar o visionamento do filme “obrigatório” para os crentes cristãos. Exemplo disso é a edição deste mês da revista católica “Família Cristã”, na qual a obra de Gibson é publicitada e elogiada, nomeadamente na secção de crítica cinematográfica (assinada por Francisco Perestrello), onde se fala de “um filme de alta qualidade capaz de transmitir com muito rigor e elevação a mensagem do Evangelho”, sendo louvada a sua “fidelidade total à realidade”.
Agora que a RTP recorre, para assinalar a quadra pascal, às obras intermináveis do costume (“Ben-Hur”, “Jesus de Nazaré”, “Os Dez Mandamentos”), não deixa de ser curioso pensar que “A Paixão” poderia ser o filme bíblico ideal para a Páscoa televisiva. No entanto, em vez de preencher o horário da tarde, o projecto da Icon teria de ser exibido já bem depois do pôr-do-sol e com uma esclarecedora bola vermelha no canto superior direito do ecrã.
Páscoa Feliz para todos.
sexta-feira, abril 09, 2004
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