quarta-feira, julho 23, 2008

Caveiras

“Tropa de Elite”, de José Padilha

O maior êxito de bilheteira brasileiro do ano passado apresenta toda a violência e a polémica que o celebrizaram. O combate ao crime tal como é mostrado aproxima-se da máxima “tu és uma doença, eu sou a cura”, mas com mais inteligência e qualidade nas cenas de acção.

Afirmando claramente e até com alguma coragem a sua perspectiva quanto ao problema social abordado, o filme aponta como inútil e hipócrita a tolerância para com os traficantes e destaca o carácter quase heróico dos polícias militares que recusam a corrupção (também denunciada). A aceitação da dureza do comportamento do capitão Nascimento e dos seus subordinados passa pela questionável admissão da utilidade da tortura.

Deixando para segundo plano essa mensagem, “Tropa de Elite” revela-se acima de tudo um bom filme de acção, com a montagem e a realização a garantirem a emoção e o ritmo constante da obra, apoiada pelos bons desempenhos de Wagner Moura, Caio Mendonça e André Ramiro. No entanto, o filme fraqueja um pouco nas cenas ligadas aos dramas pessoais dos personagens.

Tão “fascista” como qualquer fita onde os “bons” usam a violência, a longa-metragem de Padilha dá maior visibilidade ao cinema brasileiro e revela a possibilidade de filmar uma guerra sem cair na facilidade.
A melhor cena: Matias defende a polícia na faculdade.
A pior cena: Nascimento decide recuperar o corpo do “fogueteiro”.

Nota: 7/10.

1 comentário:

contra-regra disse...

Uma das maiores realizações de nosso cinema. Infelizmente, rotulado por muitos como uma visão fascista da polícia (o que eu, particularmente, acho exagerado!). Wagner Moura empresta seu vigor e carisma ao ambíguo Nascimento, um homem perturbado entre o seu dever como policial e sua família, que necessita dele agora mais do que nunca. José Padilha: um nome a ser acompanhado de perto de agora em diante.

Discutir mídia e cultura (Meu outro blog):
http://robertoqueiroz.wordpress.com