quinta-feira, julho 31, 2003

Os patinhos feios Da Pixar

É interessante ver que num ano em que os filmes de Verão se sucedem um filme de desenhos animados esmagar todos os poderosos Matrix, T3, X-Men e outros nomes.
A Pixar é uma produtor interessante que revolucionou a produção de animação abrindo as portas com a tecnologia digital. Todos os seus filmes são muito bons alguns sendo mesmo obras-primas (Monsters Inc e Toy Story).

Finding Nemo ultrapassou todas as espectativas e parece que vai bater o Rei Leão nas bilheteiras ficando o filme de animação mais lucrativo.
No entanto a Pixar já tem um filme de super-herois em reforma, 'Os incriveis' e ainda outro com o nome 'Carros' e posso garantir que assim são sucessos garantidos.

Em Portugal o filme sai no Natal já depois de ter saido em DVD nos EUA, uma vergonha.

Para todos os outros humilhados pelos sucessivos filmes da Pixar poderão vir melhores dias, mais imaginação e menos orçamentos.

Sessões e pipocas

Não conheço muitas salas de cinema, para dizer a verdade. Vou quase sempre de autocarro até ao Saldanha quando quero ver uma longa-metragem (a propósito, bem gostava que fossem exibidas frequentemente nas salas do circuito comercial “curtas” portuguesas, normalmente remetidas para os festivais, mas tal aposta é ainda rara). Mas posso deixar alguns breves apontamentos sobre locais de exibição que visitei ocasionalmente em Lisboa e arredores. Além das condições desses espaços, interessa-me a programação aí seguida, como principal factor de atracção do público que é (será? É mais provável que as pessoas prefiram sobretudo ir aonde toda a gente vai).

Cine-Estúdio 222: Cinema situado num centro comercial manhoso e minúsculo em frente à “torre de vidro”. Dominado pela exibição de obras de proveniência indiana, é alugado pela Zero em Comportamento, que realiza aí os seus ciclos durante os dias úteis. A única sala é pequena e humilde. As cadeiras são gastas. Mas é possível ver aí bons filmes, esquecendo totalmente a pobreza do cenário (a imaginação pode, afinal, ser mais importante que o dinheiro).

Cine Odivel: É a sala de projecção do centro comercial Kaué, em Odivelas. Embora tenha sido durante muito tempo o único cinema da cidade, era alvo de escárnio pelas suas más condições e pelo atraso com que exibia as películas. Sujeito a obras de remodelação (pintura e colocação de novas cadeiras), ficou mais parecido com os espaços da Warner-Lusomundo (continuando no entanto a cheirar mal). Não vou lá há mais de um ano, mas parece-me que tem tido sucesso ao estrear filmes como “Nascer para Morrer”, “Charlie’s Angels – Potência Máxima” e “Exterminador Implacável 3”. Tem intervalo, o que é o mesmo que dizer que tem pipocas. Como outros estabelecimentos do género, procura atrair o público infantil, realizando sessões extra de desenhos animados durante as férias escolares.

Colombo: “O” cinema de Lisboa. Salas vastas que se enchem facilmente. Pipocas, pipocas e pipocas. Muitos doces e refrigerantes (não vá o espectador sentir um desejo irreprimível de um saco de gomas ou de uma Pepsi a meio do filme) à venda perto de corredores longos, escuros e misteriosos pelos quais se espalham cartazes de todos os filmes com estreia marcada para os próximos dois anos. Os Looney Tunes a olhar-nos por toda a parte e a anunciar, após dúzias de “trailers”, que vai ser projectado o filme que pagámos para ver (por vezes, não sem outro “trailer” depois do anúncio). O Colombo é um espaço de louvor aos EUA, o país de origem de 99,6% dos filmes exibidos (não contando com as co-produções EUA/Reino Unido). A programação é rica em obras (geralmente comédias e filmes de terror) que os críticos, horrorizados, preferem fingir que não existem e evitam a todo o custo, mas fazem vender toneladas de milho.

El Corte Inglés: Fui ao polémico centro comercial uma vez e não tenho grandes motivos de queixa. Não é muito diferente de outros multiplexes mas as salas são boas e o ambiente agradável. A programação parece trivial mas lá pelo meio há filmes comercialmente arriscados (como “Cidade de Deus” e “Donnie Darko”) que faz bem ver nos cinemas.

Monumental: Porque gosto deste cinema de oito salas (contando com o Saldanha Residence)? Bem, entre os filmes projectados verifica-se um equilíbrio entre o entretenimento americano e as obras mais “alternativas” e diversificadas. Não costumam aparecer por lá os chatos que se fazem ouvir em outros locais. Alguns espaços são muito bons (com destaque para o Cineteatro) e tudo parece estar no sítio certo, sem nada de piroso. É como se tivesse sido feito para ver cinema e não para comer pipocas (não entram cereais nas salas). Além disso, no Residence, quem se aborrecer com o filme a que assiste pode entreter-se a calcular o tempo que decorre entre a passagem de cada comboio do Metro.

Mundial: A W-L mostra que não é tão comercial como se diz (no fundo, tem um lado sensível e intelectual) gerindo o Mundial, à Fontes Pereira de Melo. Aí são exibidas não só algumas obras viradas para o grande público como fitas de países da UE e filmes de culto (esses beneficiando da atenção da crítica). Algumas longas-metragens só chegam a Portugal graças ao Mundial, como aconteceu com “Memento” (uma daquelas que teve sucesso e ficou longos meses em cartaz). No rés-do-chão, ficam a bilheteira, a loja de venda dos habituais produtos alimentares e a sala de maiores dimensões. Na cave, estão duas salas pequeninas, as casas-de-banho e um espaço dedicado à imprensa onde é possível ler o DN do dia. Se procura um cinema com intervalos durante as sessões, este é o ideal.

Odivelas Parque: Parecido com o Colombo, mas sem público. Os funcionários deambulam pelo corredor, preparados para a vinda de hordas imensas de espectadores ansiosos que não há meio de aparecerem. Alguns seres humanos espalham-se pelas cadeiras das acanhadas salas, com um som por vezes deficiente.

Imaginação para que te quero?????

Na minha viagem internética diária descobri duas bombas:

- Irão adaptar ao cinema "Os 3 Duques" possivelmente com a Britney Spears (versão não virgem)
- E ainda A-Team.

Para culminar a falta de interesse vem ainda por aí o "Get Smart" uma série de culto de Mel Brooks (produtor) que me lembro de ver no Agora Escolha com o nome Olho Vivo.

Sendo mesmo de culto acho que vão estragar o bom nome e memórias que a série deixou. Sem ser o Fugitivo todas as adaptações de séries resultaram em maus filmes.

Faboluso...

quarta-feira, julho 30, 2003

Estatísticas? Onde?

Porque não existe em Portugal uma tabela relativa ao número de espectadores obtido pelos filmes em cada semana? As distribuidoras só divulgam esse tipo de dados à imprensa para efeitos promocionais (normalmente para mostrar o sucesso nos primeiros dias de exibição de “blockbusters” como “Harry Potter e a Câmara dos Segredos”, “XXX - Missão Radical” ou “Matrix Reloaded”), ocultando o fracasso de determinadas fitas (há filmes com uma carreira tão discreta que me pergunto se alguém dá por eles). A inexistência de uma contabilização que permita comparar estatísticas e analisar a evolução do impacte de uma longa-metragem junto do público acaba por ser prejudicial para o espectador, não só para decidir o que vai ver como para satisfazer a sua simples curiosidade (será a qualidade de uma obra equivalente à atenção que os portugueses lhe dedicam? Que tipo de cinema agrada mais aos habitantes deste país?).
Eu sei que a Warner-Lusomundo revela quais são os cinco filmes mais vistos nos seus multiplexes em cada semana, mas (por enquanto) nem todas as salas são controladas por esse grupo nem este exibe todo o cinema que passa por Portugal.
Sendo assim, como avaliar o sucesso ou o fracasso de uma fita no nosso país? Vários números podem ser levados em conta: referências ao filme na comunicação social, anúncios (tendo em conta os meios pelos quais são transmitidos), críticas nos fóruns da Internet, semanas de exibição, salas nas quais a obra é projectada, etc. Estes indicadores nem sempre são coerentes (uma longa-metragem pode estrear por todo o país mas só ficar duas ou três semanas em exibição, enquanto há filmes que se ficam por meia dúzia de salas mas nunca mais saem de lá, como acontece agora em Lisboa com “Cidade de Deus” e “Bowling for Columbine”), mas são os que temos. Virão as distribuidoras a entender-se de modo a permitir ao público saber quais são os filmes mais vistos por cá (tal como é possível saber quais são os CD’s ou os livros mais vendidos)?


Ben e Jennifer

Está prestes a estrear nos Estados Unidos “Gigli”, um drama escrito e realizado por Martin Brest. E daí? Para começar, o casal composto por Ben Affleck e Jennifer Lopez (dois dos “melhores” actores do cinema actual) tem a seu cargo os papéis principais. Embora ainda não tenha chegado ao circuito comercial, “Gigli” está a receber um “hype” negativíssimo. Os críticos classificam-no como um disparate total e algumas opiniões no Internet Movie Database apontam-no como um dos piores filmes de sempre. Os produtores acreditam, no entanto, que a popularidade de Affleck e Lopez pode salvar “Gigli” do desastre financeiro. Será mesmo? Mais informações em www.imdb.com.



Pimentel na PREMIERE??? Não devia estar na PI?

Pedro se reparares cpm atenção na Premiere deste mês o Tiago Pimentel aparece como crítico.
Penso que ele também estava na PI tal como outros elementos do Site 7 Arte. Uma estranha
curiosidade...

Banhada Implacável

Era uma linda sexta-feira como qualquer outra...
A gaja de quem eu gosto tinha ido para longe e eu fui-me afogar num multiplex perto de casa. o filme só podia ser um: Exterminador III. Aproveitei para me tentar sentido um pouco macho com o tio Arnaldo a rebentar tudo o que lhe aparecia à frente.
Sempre fui um fã da saga mas este filme é ridiculo demais, até para a minha masculinidade. O Arnaldo a dizer piadas e tudo a rebentar por todos os lados sem nexo.

Transcrevo aqui o que penso deste filme:

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O que dizer da sequela de duas obras-primas do cinema de acção/sci-fi
da década passada? O que dizer caso o génio detrás das camaras
diga: NÃO?

Respondo: DESILUSÃO E INCONSEQUÊNCIA.


Para analisar melhor o filme começo por duas pequenas análises
aos filmes anteriores.



Terminator 1: Cameron queria reproduzir visualmente a ideia
de colocar um esqueleto de metal a sair do fogo.Era a sua pretensão,
mas não
tinha dinheiro para produzir um filme passado no futuro de forma credível.
Então a sua arma foi a escrita e trouxe o futuro para o presente. Criou
o Extreminador no presente e criou um filme muito inteligente e muito opressivo.
A maneira como o Extreminador é filmado oprime, o espectador
respira fundo, tem suores e o suspense é manipulado de modo a estarmos
no lugar das personagens sabendo o mesmo que elas nas sequências de perigo.
Basta ver a maneira como o plano em que o Extreminador é visto pela
personagem principal, em câmara lenta com a mira vermelha no centro da cara.
Toda a sequência final da empilhadora é visualmente impressionante
mesmo agora pois o suspense está lá e este não se perde
com o tempo. Classificação 5 (0-5)



Terminator 2: A fotografia mais "dark" do filme anterior é um
pouco mais calorosa neste filme. Todos os detalhes da chegada do Extreminador
são íncriveis. Desde a sequência no bar, com o Extreminador
a arranjar a roupa e posteriormente a obter os óculos e a caçadeira
de uma maneira só possível num Universo BD. Depois toda a personagem
do Extreminador é trabalhada de uma maneira espectacular estabelecendo
com a criança uma relação pai-filho e ao mesmo tempo sem
perder de vista a sua missão.

Robert Patrick é letal. Nota-se na maneira como age com o que o rodeia, é misterioso
e os planos em que mata e usa as armas brancas são visualmente esmagadores
tendo um suspense aterrorizador. O filme custou 100 milhões e provocava
um efeito de novidade da mesma maneira que o anterior sendo para mim, a única
sequela que inova sem esmagar o trabalho do filme anterior e que unida ao anterior
cria um filme único.Classificação:
5 (0-5)


Mostow é um tarefeiro, com 170 milhões de dólares alguém
com espirito criativo faria qualquer coisa mais inventiva. O argumento é uma
cópia do anterior, indo desta vez directamente ao que interessa não
nos deliciando com aqueles pormenores que imortalizaram a saga. O argumento é retalhado,
poderia ter boas ideias, mas a realização deita tudo por água.
Não tem suspense, é tudo dado de uma maneira gratuita e nada,
mesmo nada inovadora. Arnold Schwarzenegger muda o registo para o burlesco
pois vendo bem o argumento não permite a sua personagem dar nas vistas
senão pelas cenas de acção ou pelo humor. Tudo o mais
já foi explorado de maneira magistral no filme anterior.

A tão falada cena do camião é um massacre visual. Nunca
se percebe bem o que está a acontecer pois só se veem coisas
a passar, a partir ou a ir pelos ares. A vilã é uma piada, poderia
ser uma boa ideia mas chega até para os argumentistas copiarem a cena
da casa de banho do True Lies. Mata sem qualquer suspense ou terror e cinco
minutos depois do filme acabar perguntamos quem é aquela bimba que andou
ali a dar uns tiros, onde está o "Nice Byke!" irónico
do Robert Patrick tal como as suas lâminas? E os meios de transporte? O universo
de Cameron criou fugas em carros antigos para o deserto, perseguições com motas,
camiões, helicopteros e robôs partidos ao meio mas querendo completar a sua
missão. Tudo isto voltar a aparecer sem qualquer nexo e lógica.


Nos filmes anteriores anteriores existia uma máxima: FUTURE
IS NOT SET. Agora
foi totalmente destruida com divagações confusas que nunca se auto-explicam
ou justificam.


A única coisa boa deste filme foi fazer-me rever os anteriores, tê-los
agora na minha colecção de DVDs e acreditem que vou começar
a revê-los para me esquecer deste pesadelo.

Esta saga só tem dois episódios!

Terninator 3: Classificação 0 (0-5)


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Uma revista à portuguesa

O mês de Julho está a chegar ao fim e ainda não há sinais nas bancas do próximo número da revista “Primeiras Imagens” (PI). Tudo indica que se repetirá a situação de Maio, mês no qual a revista não chegou a ser publicada. Ou então... chegou ao fim esse projecto 100% português. Espero bem que não seja o caso. Para dizer a verdade, sempre que compro uma edição da PI receio que seja a última. Já em 1999 a revista não passou do nº1; depois de ter voltado à vida em Outubro de 2002, teve até agora a sorte de chegar ao nº7. Ao contrário da sua concorrente, a bem conhecida “Premiere” (propriedade da Hachette), a PI, como não se cansa de lembrar, não pertence a um grupo editorial forte. Portanto, ou não fosse bem portuguesa, é com grande esforço que se dá a conhecer ao mundo (a avaliar pela escassez de páginas de publicidade no nº7, não me parece que tenha muito sucesso nessa tarefa).
Venho portanto fazer aqui a defesa dessa publicação tão ignorada e ostracizada, num pequeno esforço para salvá-la.
Sim, é verdade que a “Premiere” ainda é melhor, tem mais informação e até um visual mais atraente (embora eu preferisse o anterior). Mas a PI tem vindo a melhorar desde o primeiro número da sua segunda vida. Tanto quanto ao grafismo quanto ao conteúdo, conseguiu tornar-se uma alternativa credível à sua concorrente. A existência dessa alternativa é importante para qualquer cinéfilo, que assim pode não só obter mais informação (sobretudo sobre filmes acabados de estrear nos EUA mas ainda longe de Portugal) como ler diferentes abordagens de certos filmes ou temas (como, por exemplo, o Festival de Cannes). A verdade é que os monopólios, na comunicação social, nunca foram particularmente estimulantes. Quanto mais diversidade houver, melhor.
Que características apresenta a PI? Em primeiro lugar, a abundância de imagens, que, estando estas acompanhadas por textos de qualidade, resulta bem. Além disso, existem análises à quase totalidade dos filmes a estrear brevemente, secções interessantes como “Clássicos” ou “Filme de Culto”, uma forte atenção concedida ao cinema português e um número agradável de entrevistas (realizadas pelo incansável Paulo Portugal). O painel de críticos possui tanto figuras já conhecidas (como José de Matos-Cruz, João Antunes ou Joaquim Lucas) como nomes novos (os críticos de cinema da imprensa portuguesa, além de serem, sabe-se lá porquê, quase todos do sexo masculino, parecem ser sempre a mesma meia dúzia). A secção de DVD também não está nada má. A nível da promoção, os “posters” oferecidos aos leitores parecem-me uma ideia a seguir.
Apesar das imperfeições que ainda possui, a PI merece ser lida com alguma atenção. Por isso, se o nº8 chegar a aparecer nos postos de venda, folheiem-no e experimentem até comprar um exemplar. Vão ver que não faz mal à saúde (se fizer, podem bater-me à vontade).



terça-feira, julho 15, 2003

Cinema "político"?

A propósito de "Amanhecer Violento" (marcado por uma ideologia de extrema-direita) e "Bowling for Columbine" (inspirado por ideias de esquerda radical), seria interessante discutir o que é exactamente o cinema "político". Qualquer filme transmite determinados valores morais (normalmente os do "american way of life"), mas poucos pretendem possuir um carácter interventivo, propondo uma visão da sociedade ou tomando posição sobre um qualquer assunto da actualidade (o que pode ser feito através da abordagem de um acontecimento histórico). Pondo de lado os filmes propagandísticos habituais nos regimes ditatoriais, que obras marcadas por uma determinada tendência ideológica político-social conhecem? Acham necessário que tal tipo de cinema exista ou deveria ser privilegiado o puro entretenimento?
Em Portugal, onde o cinema nacional é frequentemente criticado pelo seu desfasamento da realidade, surgiram em 2000 duas longas-metragens que abordam conhecidos episódios verídicos: "Camarate" e "Capitães de Abril". O filme de Luís Filipe Rocha analisa os indícios recolhidos e a evolução do processo relativo à morte de Sá Carneiro e dos outros ocupantes do Cessna e acaba por apresentar uma defesa da tese de atentado, arriscando mesmo uma das personagens apontar a explicação desse eventual crime. Quanto ao trabalho de Maria de Medeiros, pode ser criticado por uma excessiva idealização da figura de Salgueiro Maia, o protagonista da narrativa, em detrimento da acção de outras figuras (nomeadamente Otelo Saraiva de Carvalho, o "herói" da revolução escolhido pela esquerda). Diga-se de passagem que estas perspectivas da História recente são o mais interessante destes dois filmes, apoiados em ficções com personagens e peripécias bastante fracas e aborrecidas.

segunda-feira, julho 14, 2003

Flops e Banhadas

Estamos no ano em que HollyWood bate o recorde de sequelas (14 suponho eu) e parece que filmes deveriam lucrar mto
ficaram pelo prejuizo. O exemplo maior é Hulk que acho que é a melhor adaptação da BD dos últimos anos.

Acho que se deveria pensar melhor esta estratégia todo bombardeamento massiço, em que cada semana surge um novo
blockbuster, não existindo um filme que toda a gente vai ver. Se passar uma semana, os focos estão noutros filmes e o pessoal pega nas pipocas e vai para outra sala.

Com este tipo de estratégia o que compensa é fazer filme de orçamento médio de modo a que com uma boa promoção possam sobreviver se lançados aos leões na altura certa.
Temos os exemplos de Viram-se Gregos para Casar e de A mullher da Casa estes sim os grandes vencedores uma vez em proporção com o que custaram ganharam muito mais.

O fenómeno Moore

Já está à venda a edição portuguesa (publicada pela Temas e Debates) de “Stupid White Men and Other Sorry Excuses for the State of the Nation”, o livro do realizador americano (se fosse europeu, todos lhe chamariam antiamericano) Michael Moore, o mesmo do documentário “Bowling for Columbine”. Com cerca de 300 páginas, a obra é uma divertida e violenta sátira à actuação da Administração Bush e àquilo que o polémico autor considera errado na sociedade americana (ou seja, quase tudo). Ainda não a li na íntegra, mas títulos de capítulos de “Brancos Estúpidos...” como “Querido George”, “Matem o rosto-pálido”, “Uma nação de idiotas” ou “Uma prisão grande e feliz” deixam antever os alvos de Moore e a sua indignação. Escrito antes do 11 de Setembro, pode estar um pouco desactualizado, mas também é muito actual perante toda a discussão sobre os EUA e o seu líder ocorrida neste ano de 2003.
A verdade é que “Bowling for Columbine” só se tornou o documentário de maior sucesso de bilheteira de todos os tempos e gerou tanto falatório, assim como “Brancos Estúpidos...” vendeu imenso em vários países (após as dificuldades que teve em ser publicado), porque o seu autor se distingue pelas suas características especiais: um humor ácido, a preocupação em reunir numerosos factos para justificar as suas teorias, os ataques bombásticos (por vezes exagerados e demagógicos) à elite do seu país e também um certo narcisismo patente no seu filme. Embora a maneira como Moore expõe as suas ideias possa ser considerada incorrecta (houve quem condenasse os discursos proferidos nos Césares e nos Óscares, mas eu achei-os corajosos), só assim é que alguém o ouve e repara nas questões pertinentes que ele levanta. O seu humor passa não só pela ironia como pela mera exposição de situações inacreditavelmente reais (quem se esqueceu da entrevista a Charlton Heston?).
O problema é que, sendo Moore um assumido esquerdista, os mais conservadores poderão ter dificuldade em aceitá-lo e compreendê-lo. Em Portugal, “Bowling for Columbine” foi bem recebido pela crítica (embora sendo realçados os exageros do estilo de Moore), com a curiosa excepção de Eurico de Barros, que chamou quase todos os nomes ao documentarista (Barros viria a confessar ser um apreciador de armas...). Não conheço reacções de ferrenhos direitistas ao filme (e agora, ao livro) de Moore. Se for um militante convicto do CDS-PP ou do PND, comente este post. Terei muito gosto em ler as suas opiniões.

domingo, julho 13, 2003

Uma pérola em DVD

Há algum tempo atrás, aluguei o DVD de uma obra de 1984, “Amanhecer Violento” (“Red Dawn”), um filme de guerra de John Milius (co-argumentista de “Apocalypse Now” e realizador de “Conan, o Bárbaro”) protagonizado por Patrick Swayze e Charlie Sheen. Porquê? Bem, a premissa do filme gerou em mim expectativas que, de facto, não foram goradas: trata-se de uma autêntica pérola do mau cinema. Um filme de propaganda de extrema-direita como deve ser. Sobretudo, uma longa-metragem tão séria, inepta, patriótica e ridícula que fornece excelente entretenimento.
Tudo começa quando, em resultado da crise de produção no Leste europeu e da chegada ao poder, na RFA, dos sacanas dos Verdes (que exigem a retirada dos mísseis americanos do território alemão), uma pequena cidade do Colorado é invadida por pára-quedistas cubanos e soviéticos, que imediatamente espalham o terror, promovendo sucessivas execuções de civis e criando um campo de “reeducação” dos seus opositores. Tudo estaria perdido, se um grupo de rapazes (ao qual se juntam mais tarde duas raparigas) não se tivesse refugiado nas montanhas e aí formado (com as armas de fogo que se encontravam à venda na cidade) uma guerrilha que provoca sérios danos nas perversas tropas marxistas-leninistas. Assim, enquanto, abandonados pelos seus ingratos aliados europeus, os EUA enfrentam a invasão do seu território (havendo o compromisso mútuo de não usar armas nucleares), esses heróicos jovens lutam pela preservação da democracia e do modo de vida americano.
Independentemente de esta situação ser ou não encarada como remotamente possível em 1984, poder-se-ia afirmar que se trata de uma obra recheada de cenas emocionantes, bem realizada e interpretada. É pena que isso não seja verdade. A falta de meios é notória (a artificialidade, provocando a sensação “isto-é-um-filme”, é permanente), o trabalho de Milius (também argumentista) é ineficaz, inspirando o tédio (até as cenas de combate são aborrecidas) e os diálogos, debitados pelos (maus) actores sem qualquer convicção, são 100% cliché. O pior é que a história se torna cada vez mais dramática (à medida que os guerrilheiros vão sendo despachados), ou seja, penosamente melosa e exagerada. Mesmo sem ter em conta o seu carácter político, “Amanhecer Violento” é péssimo.
Milius (membro destacado da NRA) deixa bem claro as linhas do seu pensamento: comunismo = Mal absoluto, direito à posse de armas = garantia da salvação nacional, etc. É óbvio que a ocupação comuna do Colorado é decalcada do domínio nazi sobre a França, os guerreiros inimigos são o mais estereotipados possível (incluindo um militar cubano que, saudoso do calor e da sua mulher que está na ilha, se arrepende dos seus crimes) e o valor e a coragem dos jovens guerrilheiros (inclusive quando executam um traidor) são comoventes.
Por tudo isto, garanto-vos: “Amanhecer Violento” (porque não “Vermelho”?) é uma verdadeira relíquia dos anos 80. Trata-se de um documento histórico útil para estudar as consequências da tensão entre as superpotências: havia pessoas paranóicas ao ponto de irem ver e levarem a sério uma comédia involuntária como esta.

sábado, julho 12, 2003

Reese Witherspoon é uma óptima actriz. As suas interpretações em filmes como Eleições (uma comédia mordaz e divertida que em Portugal chegou apenas ao circuito vídeo) ou American Psycho provam-no. No entanto, quando fez esses dois filmes era ainda relativamente desconhecida. Quase de um momento para o outro, isso mudou e, no cartaz de 'A Diva da Moda', o seu último êxito, apareciam apenas a sua cara e o seu nome, o que dá a entender o estatuto de estrela que alcançou.
Até aqui, tudo bem. O problema é que o filme que impôs o seu nome em Hollywood foi a comédia "Legalmente Loura" ("Legally Blonde"), de Robert Luketic (quem?). O sucesso foi tal que logo se avançou para a sequela. "Legally Blonde 2: Red, White and Blonde" já estreou nos EUA e chega a Portugal em Setembro (de acordo com o "site" 7ªArte).
E eu pergunto: porquê??? Porque se faz uma sequela de um filme absolutamente desinspirado, sem graça e irrelevante? A resposta é óbvia (já a referi), mas dá que pensar sobre o tipo de comédias feitas pelos estúdios americanos e a adesão do público que obtêm.

Em "Legalmente Loura", Witherspoon é Elle Woods, uma jovem loura, rica e mimada que resolve estudar Direito em Harvard para reaver o namorado que a deixou por a achar demasiado superficial. Na faculdade, e depois já como advogada, dá cabo da ideia feita de que as louras são burras. Ideia interessante, pode dar um filme engraçado, pensei eu em Novembro de 2001. Fui ver a fita. Depois, escrevi isto:

"SAI DA??, REESE!
?? difícil pensar outra coisa enquanto este filmito é projectado. Reese Witherspoon bem merecia mostrar o seu talento em algo melhor. Ela é, de resto, a única actriz que se destaca nesta comédia. Os actores secundários vêem-se condenados a representar personagens nada estimulantes, de tal modo são inverosímeis e estereotipadas (as que deveriam aparecer um pouco mais, como as amigas parvinhas ou os pais da loura, desaparecem rapidamente).
O filmito combina elementos de comédia romântica, fita de tribunal e rol de piadinhas sexuais (não há cenas nojentas, mas frases como ???Deviam ver o tamanho da pila dele??? mostram que o nível aqui não é muito elevado). Curiosamente, são estas as únicas que fazem rir. De resto, só sorrisinhos muito forçados. Esta comédia consiste numa ideia engraçada que é desenvolvida sem ponta de imaginação. Tudo, menos a personagem de Witherspoon, parece copiado de uma coisa qualquer que já tenhamos visto. Quanto ? cena futurista do final é, de facto, fruto de uma mente prodigiosa e espantosamente surpreendente.
O realizador... digamos que não tem tanto talento como Spielberg. Mas o pior de tudo é a horrorosa banda sonora ???pop???, de fugir.
Pouco apropriado para o cinema, ???Legalmente Loura??? só deve ser visto no pequeno ecrã, onde é possível mudar de canal.
Prémios a atribuir: Genérico Inicial com a Canção Mais Estridente, Cão Menos Engraçado em Comédia"

Está tudo dito.
"Legally Blonde 2" passa-se em Washington, onde a idealista Elle Woods entra no mundo da política. As primeiras reacções parecem não ser, geralmente, positivas. Diz-se que a sua qualidade é inferior ? do filme original. Se assim for, já nada é impossível.
Ah, Reese, quando é voltas a protagonizar uma coisa decente