sábado, setembro 27, 2003

Dados e mais dados

O artigo de Hugo Bordeira publicado no "DN" de hoje (no suplemento Negócios) é muito interessante para avaliar o estado da indústria cinematográfica em Portugal. Algumas conclusões são óbvias (como a falta de afluência às sessões de cinema português). Para já, limito-me a registar algumas informações:

1 - Referi os filmes portugueses mais vistos em 2002, de acordo com o relatório do ICAM, mas não sabia quais foram as longas-metragens menos vistas. Tratam-se de "Brava Gente Brasileira" (445 espectadores), "O Fato Completo ou à Procura de Alberto" (1100) e "Em Volta" (1750). Estariam os realizadores (como Inês de Medeiros, autora do documentário "O Fato Completo...") à espera destes resultados?

2 - O preço dos bilhetes é cada vez mais elevado. Dos 3,1 euros médios de 1998 (na altura eram 633 escudos) passámos aos 3,8 de 2003, num crescimento de 18%.

3 - Das 504 mil sessões realizadas no ano passado, 434 mil consistiram na exibição de filmes "made in USA". Cerca de 7300 foram faladas em português.

4 - Parece-me que há um erro nos dados destacados pelo jornal, relativos ao número de bilhetes vendidos pelos maiores êxitos dos últimos tempos. "As Duas Torres", com 65 mil? Não serão 650 mil? Registe-se também o sucesso de "Johnny English", filme protagonizado por um cómico que mora no coração dos portugueses, Rowan Atkinson.

Banda larga para que te quero

Tomem atenção que as grandes bombas deste ano começam a mexer. Os últimos capítulos de Matrix e Senhor dos Anéis colocam online novos trailers para os entusiastas. Sinceramente a grande bomba do ano para mim é o lançamento da Trilogia Indiana Jones em DVD e o Mystic River mas não deixo de ter uma grande curiosidade.

Atirar no Calhau

Não quero ser chato mas isto de retirar o Arnaldo e começar a mandar montes de notícias com o Calhau começa a ser chato. Vou ao ComingSoon e todos os dias aparece um novo (pro/de)jecto com esse Tarzan Taborda do cinema. Realmente agora aparece um filme baseado num jogo de computador dos anos 80 e com carros e The Rock. Substituir o Vin Diesel pelo Calhau?

Pimentel chegou ao bairro

Já que não temos muitos colegas no ramo dos blogues sobre cinema, é interessante destacar o aparecimento do espaço pessoal do crítico Tiago Pimentel. O colaborador do 7ª Arte e da "Premiere" reflecte não só sobre questões relativas às fitas e à situação actual dos "media" como também acerca de temas essenciais e de polémica garantida (leia-se: futebol).
Boa sorte, Tiago (e dá-nos uma ajudinha com um "link", OK?).

sexta-feira, setembro 26, 2003

Tempestade de Passaros e de Calhaus

Isto de adaptar tudo e mais alguma coisa tem que se diga. Agora nos sites de cnema todos falar do filme Thunderbirds como a coisa mais esperada. Se o filme fosse produzido da mesma maneira que os orignais eu percebia pois tinha um cunho mutio próprio, mas feito com pessoas de carne e osso, qual a piada? Qualquer dia sai do Wallace and Gromit em filme, com o cão feito em CG I e o Jonh Clease careca a fazer de Wallace. Francamente...

Agora que o Arnaldo se foi do cinema, The Rock vai ter o seu teste de fogo este fim de semana com o filme RunDown. Esperemos um flop ou o Arnaldo terá sucessor.

quinta-feira, setembro 25, 2003

"Críticos de sofá"

Com o início da terceira "rodada" da Série Y, o "Público" lançou um passatempo no qual apela à vocação crítica dos leitores-espectadores, oferecendo leitores de DVD e porta-DVD's. A quem? Àqueles que preencherem um formulário classificando, numa tabela, os 25 filmes que serão vendidos, e escrevendo uma pequena recensão da sua fita predilecta da série.
Curiosamente, a escala através da qual os participantes podem atribuir notas às longas-metragens vai de uma ("dispensável") a cinco estrelas ("obra-prima"). Não é possível atribuir a um título da Série Y a bola preta ("de fugir") que os críticos do diário reservam às obras que consideram realmente péssimas. Imagino que ninguém seja mal-educado ao ponto de achar terrível um dos filmes seleccionados e assinalá-lo. A escolha realizada pelo "Público" é demasiado boa para que tal aconteça.
O facto de as críticas enviadas pelos concorrentes apenas poderem abordar maravilhas pode não ser positivo. Quem sabe se uma reflexão sobre a obra mais odiada do catálogo do "Público" não daria origem a textos de maior qualidade e interesse. Dizer mal de um filme é extremamente reconfortante, quase tanto como visionar uma obra de qualidade. Não só chamamos a atenção do mundo para uma aberração que se passeia impunemente pelos ecrãs, ocupando o lugar de hipotéticas obras-primas, como nos sentimos bem ao fingir que somos melhores que a equipa responsável pela "bosta" e poderíamos realizar um trabalho muito mais competente se nos dessem essa oportunidade. E ainda existe a possibilidade de sacarmos do humor e ridicularizarmos o nosso alvo, sentindo-nos inspirados e espirituosos. Mas, quanto à Série Y, isso simplesmente não é concebível: todos os 25 DVD's contém decerto obras do agrado universal.

Kubrick de graça

A edição de 15 de Setembro de "A Comarca" (jornal regional que cobre a actualidade dos concelhos de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande, no distrito de Leiria) noticia a realização em Figueiró, entre os dias 17 e 20 deste mês, de um ciclo de cinema dedicado a Stanley Kubrick. Foram exibidas quatro das obras do mestre ("Laranja Mecânica", "Barry Lyndon", "Nascido para Matar" e "De Olhos Bem Fechados") no Clube Figueiroense, sem que fosse cobrada qualquer quantia aos espectadores. O ciclo integrou-se na iniciativa "Animar Figueiró", promovida pela Câmara Municipal.
Há poucos anos atrás, realizavam-se sessões de cinema (com obras do circuito comercial) no Clube todas as semanas, com bilhetes vendidos a preços reduzidos. Esse tempo já lá vai, mas não deixa de ser bom sinal que a Câmara dinamize o espaço, procurando atrair a atenção da juventude e divulgando o trabalho já clássico de um cineasta conceituado. Parece que afinal no Interior não se exibem apenas comédias ou os "blockbusters" da moda.

quarta-feira, setembro 24, 2003

Rogério contra o ICAM

Numa entrevista publicada no "Expresso" de 20 de Setembro, Rogério Samora desmente antecipadamente os números do catálogo elaborado pelo ICAM, afirmando que "O Delfim" foi visto por 62 mil espectadores. Incluirá nessa cifra aqueles que viram o filme em DVD? Pensará que o ICAM fez mal as contas, influenciado por um excessivo pessimismo quanto às potencialidades comerciais do cinema nacional? Quererá realmente dizer que "O Delfim" será visto por 62 mil portugueses, através da emissão de quarta-feira da RTP? Terá organizado uma exibição clandestina da fita à qual assistiram quase 25 mil pessoas?
Em compensação, Samora refere que não deverá contracenar com Alexandra Lencastre muito mais vezes, de modo a evitar que o par deixe de ser credível. Bem visto. Apesar do brilho das suas interpretações em "O Delfim", a verdade é que os dois andam sempre juntos no pequeno e no grande ecrã (Samora e Lencastre protagonizam "Lá Fora", a nova obra de Fernando Lopes).

Algumas estatísticas

De acordo com o “Público” (talvez devesse diversificar as minhas fontes...), que por sua vez o soube através da Lusa, o ICAM (Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia) elaborou e divulgou o catálogo “Cinema – Portugal 2003”, que inclui dados relativos aos resultados de bilheteira, apresentados quanto ao número de espectadores (um tipo de informação mais concreto que a receita em euros: como é interessante poder dizer que “um em cada 324,7 portugueses viu o filme x”), das longas-metragens portuguesas estreadas no ano passado. Em primeiro lugar, uma boa notícia: pela primeira vez em cinco anos, o número de pessoas que viu cinema lusitano cresceu. Dos 105 459 espectadores de 2001 (ano em que “Vou para Casa”, de Manoel de Oliveira, foi a fita nacional de maior sucesso, o que dá a entender o quão fracos foram esses malditos doze meses) passou-se a 244 594. O início de uma nova reconciliação do público com aquilo que é feito em Portugal? Tendo em conta aquilo que já se passou este ano, não sei.
Continuando com os resultados de 2002, parece que essa subida do número de tipos que arriscaram ver filmes sem legendas se deve sobretudo a três obras: “A Selva” (75 562), “O Delfim” (37 700) e “Esquece Tudo o que te Disse” (25 650). Porque tiveram sucesso (dentro do nível das fitas portuguesas) esses títulos? Pode indicar-se, por exemplo, o facto de serem bons filmes (embora sem nada de revolucionário), contarem com actores famosos (Diogo Morgado e Maité Proença em “A Selva”, Alexandra Lencastre e Rogério Samora em “O Delfim” e António Capelo e Custódia Gallego em “Esquece Tudo...”), receberem a atenção da comunicação social e críticas relativamente positivas (sobretudo a obra de Fernando Lopes), conhecerem uma distribuição alargada (com destaque para o primeiro, já que os outros dois limitaram-se basicamente às salas do grupo Medeia), apoiarem-se em campanhas publicitárias significativas, serem rodeados à partida de interesse pelas adaptações de obras célebres da literatura nacional que representam ou, no caso do filme de António Ferreira, em resultado do prestígio que o realizador adquiriu com o filme anterior (“Respirar Debaixo d’Água”) e beneficiarem do apoio de um canal televisivo (neste caso, a RTP, uma vez que a SIC, por falta de dinheiro ou qualquer outro motivo, deixou o financiamento de novas obras para a concorrência).
Tirando essas “sensações” (longe de êxitos da década de 90 como “Tentação” ou “Zona J”), o panorama é desanimador. Manoel de Oliveira não foi bafejado pela fortuna: as duas obras da sua autoria que estrearam em 2002 (“Porto da Minha Infância” e “O Princípio da Incerteza”) levaram à venda de, respectivamente, 6178 e 6150 bilhetes. “Um Filme Falado”, ainda por estrear em Portugal, constitui a sua última oportunidade: se ocorrer outro “flop”, Oliveira terá decerto grandes dificuldades em arranjar apoios para levar a cabo novos projectos.

terça-feira, setembro 23, 2003

Morais: o regresso

Ele voltou! José Álvaro Morais, o realizador que criou esse “monstro” chamado “Peixe-Lua” (2000), acabou um novo filme, “Quaresma”, que, depois de passar por Cannes, estreia em Portugal no próximo dia 3 de Outubro. Vi o “trailer” da obra e... tenho medo, muito medo... nem só para dizer mal iria ver “Quaresma”.
Eu sei que é injusto protestar por causa de um filme que ainda não se viu e não tenho nada contra a protagonista, Beatriz Batarda (a propósito de actores portugueses com trabalhos realizados no estrangeiro, ela participou em várias séries britânicas, como “My Family”), além de reconhecer a beleza das paisagens filmadas, mas, já agora, quem é que por aí viu alguma vez uma longa-metragem de José Álvaro Morais? Ou melhor, quem é que alguma vez ouviu falar de Morais (não se trata de um jovem cineasta) e do seu trabalho? Levantem as mãos. Não levantam?
Morais é um dos realizadores mais anti-comerciais com que este país conta. Ninguém dá por ele, a não ser alguns críticos. As suas personagens parecem distantes de qualquer realidade. O enredo de “Peixe-Lua” é do mais confuso e aborrecido que há. O interesse do público parece não estar entre os objectivos do realizador. Na televisão, os seus filmes só devem ser aceites nas madrugadas da RTP2, e muitos espectadores desprevenidos que por acaso os vejam só poderão pensar: “O que raio é isto?” e depois “Quando é que isto acaba?” Morais afirma que os seus filmes, “num momento preciso da sua produção, da sua execução ganham uma vida própria”. Ou seja, a culpa não é dele.
Bem, aceito que exista quem aprecie as histórias de Morais, mas o seu caso não deixa de nos fazer perguntar qual é o público-alvo dos cineastas lusos (com a excepção de Fernando Lopes) cujos filmes são distribuídos pela Atalanta. Gastarão os financiamentos do Estado entretendo (?) sempre a mesma meia dúzia de pessoas?

domingo, setembro 21, 2003

Cinema autárquico

Esquecendo os privados e falando da intervenção das autarquias na divulgação do cinema entre os cidadãos, posso dar-vos o exemplo da Câmara de Odivelas (o meu amado concelho), que gere, através da empresa municipal Odivelcultur, a programação do Auditório da Póvoa de Santo Adrião (fui lá só para ver espectáculos teatrais, mas a sala não me parece má). No mês de Setembro, foram ou serão exibidos "Os Anjos de Charlie: Potência Máxima", "X-Men 2", "Hulk" e "Velocidade Mais Furiosa", além das sessões infantis (as mais concorridas) com "A Floresta Mágica" e "Sinbad - A Lenda dos Sete Mares". Não se pode dizer que a programação seja demasiado intelectual, mas pelo menos a entrada custa apenas três euros (um euro para menores de 13 anos).
No folheto publicitário da empresa, encontram-se, além de alguns erros ortográficos ("Dree Barrymore", "Jennifer Conelly"), a descrição da série de BD "The Incredible Hulk", da Marvel, como "longuíssima". Ou a Odivelcultur detesta o Hulk ou acha que após uns 30 anos de carreira os super-heróis deveriam passar à reforma (que diria do Batman e do Super-Homem?).
No seu "site", a empresa apresenta um inquérito ao utilizador que inclui uma pergunta sobre que filme gostaria de ver projectado na Póvoa de Santo Adrião (não são indicadas opções). O vencedor deste "Voto do Público" no mês passado foi "Os Anjos de Charlie: Potência Máxima". Este conceito não deixa de ser interessante. Se a maioria doodivelenses s escolhesse "Amarcord", a Odivelcultur teria que exibir a obra de Fellini. Aliás, se os munícipes escolhessem um filme ainda não estreado em Portugal, a autarquia teria que o comprar. É o sonho de qualquer cinéfilo.
Diga-se para terminar que a Odivelcultur não se limita a passar fitas: promoverá em Outubro um "workshop" para formar novos realizadores (de vídeo, pelo menos). Os filmes da autoria dos participantes (que abordarão "temas, aspectos ou histórias relacionadas com Odivelas") serão mostrados ao público no Auditório Municipal. Uma vez que uma imagem de "Cidade de Deus" é reproduzida no folheto, supõe-se que os novos cineastas terão de filmar o concelho como Meirelles filmou o Rio de Janeiro, o que pode dar resultados curiosos.

sábado, setembro 20, 2003

Obras-primas

Uma coisa que encontro nos clubes de vídeo e acho dispensável e algo ridícula (além de imensos filmes com Sylvester Stallone e sequelas como “Inspector Gadget 2”) são as citações de críticas (positivas) presentes nos cartazes ou nas próprias caixas de alguns vídeos ou DVDs. Esses elogios proferidos por críticos americanos que garantem a qualidade assombrosa das longas-metragens e nunca lhes atribuem menos de quatro estrelas fazem-me desconfiar. Parece que, contrariando o objectivo com que foram transcritos, esses louvores só comprovam a falta de valor da obra.
Para começar, são raros na publicidade de filmes muito famosos ou premiados, porque esses não precisam disso, valem por si. A citação de um artigo num jornal ou revista a exprimir adoração pela obra genial que agora chega ao circuito de “cinema em casa” parece estar na caixa para diminuir a má impressão deixada no consumidor pela leitura da sinopse existente na contracapa (um truque básico do comércio: “Não, não, vai ver que não é tão mau como lhe parece”).
A escolha quase generalizada de textos publicados nos States, da autoria de críticos obscuros e dados a conhecer em órgãos da imprensa que nada dizem ao espectador português, é outra desvantagem (curiosamente, os casos que conheço nos quais se recorreu a elogios lusitanos, como na publicidade de “Matrix” ou de “A Residência Espanhola”, correspondem a bons filmes), até porque anula o prestígio que a opinião poderia ter. Sem ter acesso aos textos dos quais foram retiradas as (breves) frases laudatórias, é impossível não imaginar que elas podem ter sido retiradas do contexto. Lembro-me de um “poster” de “O Homem Transparente” (filme de que não gostei) no qual uma citação louvava a qualidade dos efeitos especiais. Está bem, mas e os outros aspectos? O crítico pode ter escrito logo a seguir: “Tudo o resto é horrível”.
Na maioria dos casos, tratam-se de elogios tão curtos e fortes (“Magnífico!”, “Cinco estrelas!”) que soam a falso. Nem todos os filmes podem ser obras-primas, mas também é preciso reconhecer que pouco efeito publicitário teriam opiniões como “Exceptuando a primeira meia hora, o filme é bom”, “Os actores são óptimos, mas a banda sonora é insuportável” ou “Um dos 57 melhores filmes do ano”.
E é claro que a crítica elogiosa do “camone” que escreve no tal jornal pode ser uma excepção em mil textos carregados de insultos. No caso de “Encontro em Manhattan” (classificado com cinco estrelas pela citação), deve ser essa a situação.
Ao examinarem a caixa de um filme, concentrem a vossa atenção nas “taglines” ou no resumo da história e esqueçam os “certificados de qualidade” que nos impingem.

sexta-feira, setembro 19, 2003

quinta-feira, setembro 18, 2003

Portugal triunfa finalmente

É a sensação do momento: Lúcia Moniz (aquela das cantigas e das novelas) participou no filme "Love Actually" (ou "Love Actually is all around", como se chama agora) de Richard Curtis, uma comédia romântica em que contracena com Colin Firth ("O Diário de Bridget Jones"). Moniz interpreta uma emigrante portuguesa (surpreendente...) em França que trabalha para o personagem de Firth e, embora só se expresse na língua de Camões, acaba por se aproximar romanticamente do patrão (é apenas uma das dez histórias de amor que se cruzam ao longo da fita). Já estou a imaginar Moniz no ecrã de um cinema lusitano, a dizer frases deliciosas no nosso idioma enquanto lemos as legendas que traduzem o palavreado para inglês, de modo a que aqueles ignorantes anglo-saxónicos percebam... Tirando Luís Figo, nenhum compatriota nos deu tanto orgulho nas últimas décadas. Viva Portugal!
Mais habituado a representar para estrangeiros está Joaquim de Almeida, que, além de se meter em alguns filmitos por cá, interpreta vilões latinos e perversos nas fitas de Hollywood. Almeida recebeu agora a oportunidade de ser mau como as cobras na terceira série de "24", onde tentará matar Kiefer Sutherland (é isso que um vilão dessa série é suposto fazer).
Com a Lúcia e o Quim a alcançar o estrelato e a divulgar a nossa imagem nos States, Portugal será grande.

Realmente...

Parece que a confusão nos fóruns de cinema Nacionais continua. Fui ao site 7 arte e para variar lá estava o pessoal a mandar vir com os criticos de serviço. Penso que é uma atitude fácil e descnecessária. Para mim o trabalho de um crítico deve ser respeitado e entendido.
Eu gosto de ler as críticas mas para seleccionar um filme, procuro os críticos que mais acompanho, uma vez que conheço as suas reacções a coisas que gostei e que detestei.
Mas ir ao cinjema baseando a escolha numa opinião é sempre um risco, risco esse que faz o cinema ser tão fascinante.

quarta-feira, setembro 17, 2003

Cinema da coxa

Procurando contrariar a regra vigente que condena a maioria dos filmes portugueses à quase ausência de publicidade (já deu para ver que o investimento publicitário é meio caminho andado para o sucesso do cinema lusitano) e conduz a "flops" humilhantes, mesmo à nossa escala, como acontece agora com "O Rapaz do Trapézio Voador" (ver crítica ao filme em www.c7nema.net), com apenas alguns anúncios ultra-discretos na imprensa, falo agora de uma obra de origem nacional que estreia ainda em 2003 e sobre a qual é legítimo alimentar alguma expectativa: "Os Imortais", o novo filme de António Pedro Vasconcelos ("Jaime").
Apesar da atenção dada pela imprensa à sua rodagem, a estreia desta produção recheada de acção sobre um grupo de ex-combatentes que se reúne e faz estragos (oxalá não seja assim tão parecido com "Inferno"?), assaltando um banco, tem sido muito incerta. Falou-se da Primavera, depois de Junho e agora de 24 de Outubro. Nesse dia, “Os Imortais” enfrenta a concorrência de várias películas, incluindo o primeiro volume de “Kill Bill”. Lá mais para o final do ano, estreiam novos filmes das trilogias “Matrix” e “O Senhor dos Anéis”, que podem levar a outro adiamento. Quando poderemos realmente ver a obra (suficientemente comercial para fugir ao estereótipo do “filme para minorias”) de Vasconcelos?
Um dos principais motivos de interesse de “Os Imortais” reside no seu elenco, que conta com uma “estrela internacional”, Emmanuelle Seigner (a mulher de Polanski), os nomes do costume, como Joaquim de Almeida, Rogério Samora (actor presente em 93,7% da produção cinematográfica anual portuguesa) ou Nicolau Breyner, e a grande estreia: Rui Unas. Esse mesmo, o homem do “Cabaret da Coxa”, o “ganda maluco” da SIC Radical, que agora conta até com ficha e biografia no Imdb. Antes de participar neste filme (onde parece ter um papel de relevo), Unas fizera, em termos de representação, apenas uns quantos bonecos no “Curto-Circuito”, que eu me lembre. Além de ser um dos quatro “imortais” do título (fugindo, aparentemente, do registo cómico), Unas rodou já outro filme, a curta de terror “I’ll See You in My Dreams”, onde encarna um sacerdote.
Espero que o caso deste novo actor seja um pouco mais feliz que o de Catarina Furtado, outra vedeta da televisão que tentou a sua sorte no cinema. O lado mais “sério” de Unas será tão ou mais eficaz que as suas piadas politicamente incorrectas?

I live again!!!

Realmente estou de volta. O trabalho deste blog está em boas mãos mas hoje li umas coisas que não posso deixar de salientar.

O tio Arnaldo vai deixar o cinema. A vida na California é importante demais para continuar com o cinema. Boa notícia para o cinema, má noticia para os EUA. Antes eles do que nós.

Um filme que iria protagonizar vai ser feito pelo "o Calhau", a prova de que já era para os produtores.

Agora as boas notícias. Para os fans de Star Wars existe a possibilidade de já para o ano se ver a trilogia final da saga em DVD. Uma maneira de aumentar a agitação para a estreia do Episódio 3. Jogada mercenária de George Lucas, o que é perfeitamente normal.

Novamente as más notícias. O Indiana Jones e O Templo PErdido será cortado no Reino unido.
Esperemos que a versão que chegue cá seja feita propositadamente para nós ou temos de nos sujeitar.

E que tal este filme: Ghosts of Girlfriends Past
que é o Actor Principal???? Ben Affleck!!! Promete.

terça-feira, setembro 16, 2003

Incoerências de Portugal

Voltando ao tema dos erros presentes em textos sobre cinema publicados na imprensa portuguesa, refira-se igualmente a incoerência existente na crítica que Paulo Portugal faz ao DVD de “Austin Powers em Membro Dourado” na última edição da “Primeiras Imagens”. No texto, Portugal admite ter dado algumas “gargalhadas alarves” e afirma que “Goldmember está cheio de boas ideias” e bons actores, mas acumula as locuções adversativas (“mesmo que”, “ainda assim”, “apesar de”, “apesar da”) para mostrar que não apreciou muito a comédia “algo estafada” ou a “realização nem sempre conseguida”. Exige uma “profunda reflexão” antes do próximo filme da série. No entanto, a classificação atribuída ao filme no quadro abaixo do texto é de quatro estrelas (correspondente a “muito bom”). É estranho, mas não tanto como a garantia do crítico de que “Salvam-nos os extras muito decentes desta edição” e “os comentários do Meyers valem, só por si, uma revisão deste Membro Dourado”. No quadro, os extras recebem uma única estrela (equivalente a “mau”).
Assim, Portugal parece ser pouco exigente na classificação das longas-metragens (a uma obra de que não gostou por aí além atribui o estatuto de “muito bom”) e impossível de contentar quanto às opções especiais dos DVDs (ou então teve acesso a discos com extras tão maravilhosos que são indignos do género humano e tudo o resto lhe parece distante disso). Na página seguinte, encontra-se uma apreciação da sua autoria a uma edição de “Bowling for Comumbine” (sic) sem extras com as mesmas classificações.
Enfim, errar é humano...

segunda-feira, setembro 15, 2003

O filme da vida dele

Continuando com o tema da cinefilia dos nossos governantes, de acordo com o "Público" de 12 de Setembro último, o filme preferido do ministro da Presidência, Nuno Morais Sarmento, é "O Clube dos Poetas Mortos". Por mim tudo bem, se A Dois exibir ao menos essa obra. Parece que o espaço reservado ao cinema no novo canal público será menor que aquele que existe na "velhinha" RTP2.

Rigor jornalístico III

“Para rir, há a sequela de “Doidos à Solta”, com Jim Carrey, de novo pelas mãos dos irmãos Farrelly.”
Antena 1, 29 de Agosto, 08.02

Leia-se: “Para rir, há a prequela de “Doidos à Solta”, agora sem Jim Carrey e sem intervenção dos irmãos Farrelly.”

“O Presidente de Moçambique, Joaquim Chissano (...) assistirá, no Porto, à anteestreia do filme “Preto e Branco”, de José Carlos Rodrigues.”
“Público”, 3 de Setembro

O jornal admitiu posteriormente o erro e indicou o verdadeiro nome do cineasta, “José Carlos Oliveira”. Mais exactamente, José Carlos de Oliveira.

“A seu (de Luke Skywalker) lado, a princesa Leila e Han Solo (...).”
“Diário de Notícias”, 6 de Setembro

Leia-se: “... a princesa Leia”.

““Caserna dos Calões” (90 minutos). Uma irresistível comédia de caserna, com Steve Martin (...) na figura do sargento do título (...).”
“Diário de Notícias”, 6 de Setembro

Com o título da obra em português, o texto não faz sentido (o nome original da fita é “Sgt. Bilko”).

“O fim da saga da Guerra das Estrelas em que se revela a relação entre Luke Skywalker e Darth Vater. O herói é agora um jedi experimentado cuja primeira missão é libertar o seu companheiro Hans Solo (...).”
“Público”, 14 de Setembro

Leia-se “Darth Vader” e "Han Solo”.