Tom Sawyer???? De onde veio este? Realmente um par romântico??? Liga do Cavalheiros Extraordinários em filme?? BAHHHHHHHHHH!!! Sinceramente para os que tiverem curiosidade leiam os livros já editados em Portugal e deliciem-se com uma BD pura e dura sem americanismos estúpidos.
Sean Connery realmente seria a escolha certa para a personagem mas a contextualização de uma obra que respira de heróis britânicos para um píublico americana dispensa qualquer centimo na compra de um bilhete.
domingo, outubro 05, 2003
Só já faltam 21-5 = 16 dias para a trilogia do ano
Só faltam 16 para o pacote dos três filmes do Indiana Jones ver a luz do dia nas lojas espalhadas pelo Mundo. Eu fã da velha guarda estou ruido de inveja de felizardos como o Tiago Pimentel que já pôs as mãos em cima da preciosidade. Mas nesses momentos penso para mim: "Tu consegues! Duas Semanas, faz um esforço..."
Esperemos que seja digno
Um dos livros de culto "Hitchhiker's Guide To The Galaxy" de Douglas Adams vai ser adaptado para o cinema pela Disney. Um livro que fez muita gente querer fazer comédia vai ver a luz do dia. O realizador não é conhecido e este é mesmo um dos seus primeiros trabalhos.
O primeiro interessado foi o realizador dos Austin Powers que sai da cadeira de realizador e passou somente para a produção. A única esperança reside no facto do próprio escritor Douglas Adams ser o produtor executivo do filme. Vejamos o que isto vai dar...
O primeiro interessado foi o realizador dos Austin Powers que sai da cadeira de realizador e passou somente para a produção. A única esperança reside no facto do próprio escritor Douglas Adams ser o produtor executivo do filme. Vejamos o que isto vai dar...
Tardes de cinema
Assistindo ontem à exibição da comédia romântica "Kate e Leopold" (segue todos os parâmetros deste tipo de fitas, mas não ofende ninguém e até pode ser seguida com relativo interesse) na SIC, reparei em dois aspectos que provam como é bom ver cinema nesse canal: a existência de quatro intervalos publicitários (em vez dos três tradicionais) de duração considerável durante a difusão de uma longa-metragem com 109 minutos (ainda se fosse do tamanho de um "Magnólia" ou de um "Apocalypse Now Redux", aceitava-se) e, como se sabe, a supressão da ficha técnica, substituída por um "fim" em tons de azul. Para agravar esta última característica, o que se viu não foi o início dos créditos finais, como de costume, mas uma parte (com a duração de uns cinco segundos) escolhida aleatoriamente, com a canção de Sting nomeada para o Oscar em fundo.
Eu sei que isto não é tão grave como a situação no Médio Oriente, mas não deixa de evidenciar uma certa falta de respeito pelos telespectadores (resposta óbvia da estação: "Se querem menos publicidade e mais créditos finais, aluguem um vídeo. Nós temos carradas de comédias e filmes de acção para mostrar antes do jornal e não podemos perder tempo com esquisitices"). A propósito, que acham da presença actual do cinema nas programações das televisões nacionais e da qualidade média das obras transmitidas por estas?
Eu sei que isto não é tão grave como a situação no Médio Oriente, mas não deixa de evidenciar uma certa falta de respeito pelos telespectadores (resposta óbvia da estação: "Se querem menos publicidade e mais créditos finais, aluguem um vídeo. Nós temos carradas de comédias e filmes de acção para mostrar antes do jornal e não podemos perder tempo com esquisitices"). A propósito, que acham da presença actual do cinema nas programações das televisões nacionais e da qualidade média das obras transmitidas por estas?
sábado, outubro 04, 2003
Os pirilampos da blogosfera
A fama do Pipoca Rasca cresce de dia para dia (a nossa média de visitas nem por isso). Um simpático blogue colectivo (animado por quatro nortenhos), The Pirilampo Magico Project, concedeu-nos a honra de nos incluir na sua lista de "Blogs Catitas". Obrigado! Ainda há gente decente neste mundo.
Trata-se de um blogue também ele muito catita, que reflecte sobre as curiosas traduções lusitanas dos títulos dos filmes americanos, a melhor (e pior) música existente no mercado, a defesa do meio ambiente, problemas de âmbito familiar, etc. Acima de tudo, o "site" alerta-nos para a perversidade dos Pirilampos Mágicos. Parecem inofensivos e simpáticos com aquelas caras de parvos, mas afinal...
Trata-se de um blogue também ele muito catita, que reflecte sobre as curiosas traduções lusitanas dos títulos dos filmes americanos, a melhor (e pior) música existente no mercado, a defesa do meio ambiente, problemas de âmbito familiar, etc. Acima de tudo, o "site" alerta-nos para a perversidade dos Pirilampos Mágicos. Parecem inofensivos e simpáticos com aquelas caras de parvos, mas afinal...
Estranhos fenómenos
Realmente é raro o Mundo do cinema americano me deixar espantado. Ontem descobri que Spike Jonze e o seu fiel argomentista Kauffman vão iniciiar a produção de um filme de terror. Espero que venha por aí uma lufada de ar fresco num género que nos últimos anos tem andado esquecido e mal interpretado pelas produtoras (efeitos, efeitos e terror nada).
Será a originalidade deste par capaz de trazer aos ecrans algo alucinante??
Será a originalidade deste par capaz de trazer aos ecrans algo alucinante??
Não contem a ninguém!
Era segredo, mas, sabe-se lá como, alguns órgãos de comunicação social descobriram que, além de "Quaresma", outro filme português estreou ontem nas nossas salas (ou, em Lisboa, apenas numa sala, nas Twin Towers). Trata-se de "Altar", de Rita Azevedo Gomes, que, como todos sabem, foi a realizadora do grande êxito do Verão de 2001, "Frágil como o Mundo" (será que António Guterres teve oportunidade de ver esse filme, como afirmou pretender fazer numa entrevista concedida na altura?). A longa-metragem, de carácter experimental (feita originalmente em vídeo, é, ao que parece, uma mistura de vários elementos poéticos e visuais), é distribuída pela FBF Filmes.
Só na quinta-feira passada Portugal tomou conhecimento da existência desta obra, através da "Visão" (a "Premiere" deste mês não lhe faz referência). Na sexta, surgiram anúncios em alguns jornais (ver pág. 20 do "Público" de ontem) e até uma ou outra crítica destacando a originalidade (ou bizarria) da obra. Às 20.15, o 7ª Arte não sabia nada sobre "Altar". Um pouco mais tarde, já admitia o regresso de Rita Azevedo Gomes, com uma ficha sem grandes informações, mas não indicava as salas de exibição.
O prestígio da cineasta, o carácter comercial da fita (com actores estrangeiros), o enorme número de salas nas quais estreou (o anúncio fala de uma em Lisboa, outra no Porto e, de forma específica, de "Outras Cidades"), a atenção da crítica e o arrojado "marketing" da FBF (que apostou numa estratégia de secretismo, evitando assim a divulgação de demasiados pormenores por parte dos "media", ávidos por satisfazer os fãs de Azevedo Gomes) só podem resultar num histórico êxito de bilheteira que revigorará o cinema nacional. Tudo para Campolide, pessoal!
Só na quinta-feira passada Portugal tomou conhecimento da existência desta obra, através da "Visão" (a "Premiere" deste mês não lhe faz referência). Na sexta, surgiram anúncios em alguns jornais (ver pág. 20 do "Público" de ontem) e até uma ou outra crítica destacando a originalidade (ou bizarria) da obra. Às 20.15, o 7ª Arte não sabia nada sobre "Altar". Um pouco mais tarde, já admitia o regresso de Rita Azevedo Gomes, com uma ficha sem grandes informações, mas não indicava as salas de exibição.
O prestígio da cineasta, o carácter comercial da fita (com actores estrangeiros), o enorme número de salas nas quais estreou (o anúncio fala de uma em Lisboa, outra no Porto e, de forma específica, de "Outras Cidades"), a atenção da crítica e o arrojado "marketing" da FBF (que apostou numa estratégia de secretismo, evitando assim a divulgação de demasiados pormenores por parte dos "media", ávidos por satisfazer os fãs de Azevedo Gomes) só podem resultar num histórico êxito de bilheteira que revigorará o cinema nacional. Tudo para Campolide, pessoal!
Qual é o mentiroso?
Estava só a brincar quando pedi o “link”, mas o Tiago Pimentel realmente leu o meu “post” e deu-nos a honra de sermos dados a conhecer aos visitantes do seu blogue. Obrigado, Tiago, pelos desejos de boa sorte. O teu espaço tem-se revelado bastante interessante.
Agora podemos praticar a tradição essencial da blogosfera: comentar o que os outros “postam”. Assim, Michael Moore é alvo de um texto bastante crítico do Tiago, que o acusa de ser um mentiroso, com base em artigos publicados na imprensa americana (o movimento para retirar o Oscar ao polémico activista de esquerda já existe há vários meses). Para já, leiam a resposta de Moore aos ataques de que é alvo. Será que tudo o que se publica sobre ele é exacto? Na verdade, só os opositores do documentarista apontam numerosos erros, exageros, inexactidões e falsificações a “Bowling for Columbine”. Assim como Moore destaca algumas críticas infundadas à sua obra, que pormenores exactos do filme denuncia a comunicação social como falsos?
No fundo, o que está em causa é que o Tiago odiou “Bowling for Columbine” e eu não (em primeiro lugar, porque acho que as questões levantadas por Moore vão muito além da sua visão parcial da política internacional na qual o Tiago concentra o ataque; e as razões da paranóia das armas que percorre os EUA, a qual o filme procura explicar afastando as teorias tradicionais)? É certo que, como escrevi num “post” em Julho (nos heróicos primeiros tempos deste blogue, que já parecem tão distantes; estamos a ficar velhos), Moore não é nenhum génio ou santo. Mesmo os maiores defensores do documentário-bomba reconhecem que se denotam sinais evidentes de narcisismo e demagogia no discurso do seu autor. Mas esse aspecto não põe em causa todos os factos e conclusões apresentados ao longo de quase duas horas. A luta conta o “fenómeno Moore” baseia-se acima de tudo em factores políticos. Inserindo-se abertamente no campo da esquerda radical, esse inimigo feroz de Bush não podia ficar imune aos reparos de quem discorda violentamente das suas opiniões e vê, por exemplo, a questão iraquiana de forma mais complexa (mas nem por isso mais correcta). Mas isso é outra história.
Seja como for, o texto do Tiago é, apesar de tudo, mais moderado que a crítica de Eurico de Barros a “Bowling for Columbine” (na qual Barros afirmou que correria Moore a tiro se estivesse no lugar de Charlton Heston).
Agora podemos praticar a tradição essencial da blogosfera: comentar o que os outros “postam”. Assim, Michael Moore é alvo de um texto bastante crítico do Tiago, que o acusa de ser um mentiroso, com base em artigos publicados na imprensa americana (o movimento para retirar o Oscar ao polémico activista de esquerda já existe há vários meses). Para já, leiam a resposta de Moore aos ataques de que é alvo. Será que tudo o que se publica sobre ele é exacto? Na verdade, só os opositores do documentarista apontam numerosos erros, exageros, inexactidões e falsificações a “Bowling for Columbine”. Assim como Moore destaca algumas críticas infundadas à sua obra, que pormenores exactos do filme denuncia a comunicação social como falsos?
No fundo, o que está em causa é que o Tiago odiou “Bowling for Columbine” e eu não (em primeiro lugar, porque acho que as questões levantadas por Moore vão muito além da sua visão parcial da política internacional na qual o Tiago concentra o ataque; e as razões da paranóia das armas que percorre os EUA, a qual o filme procura explicar afastando as teorias tradicionais)? É certo que, como escrevi num “post” em Julho (nos heróicos primeiros tempos deste blogue, que já parecem tão distantes; estamos a ficar velhos), Moore não é nenhum génio ou santo. Mesmo os maiores defensores do documentário-bomba reconhecem que se denotam sinais evidentes de narcisismo e demagogia no discurso do seu autor. Mas esse aspecto não põe em causa todos os factos e conclusões apresentados ao longo de quase duas horas. A luta conta o “fenómeno Moore” baseia-se acima de tudo em factores políticos. Inserindo-se abertamente no campo da esquerda radical, esse inimigo feroz de Bush não podia ficar imune aos reparos de quem discorda violentamente das suas opiniões e vê, por exemplo, a questão iraquiana de forma mais complexa (mas nem por isso mais correcta). Mas isso é outra história.
Seja como for, o texto do Tiago é, apesar de tudo, mais moderado que a crítica de Eurico de Barros a “Bowling for Columbine” (na qual Barros afirmou que correria Moore a tiro se estivesse no lugar de Charlton Heston).
quinta-feira, outubro 02, 2003
Um filme nomeado?
Em nome do ICAM, Beatriz Pacheco Pereira, Bárbara Guimarães e João Lopes escolheram "Um Filme Falado", de Manoel de Oliveira, como o candidato português à nomeação para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro do próximo ano (a aposta para a competição anterior foi "O Delfim").
Bem... Antes de mais nada, digo que não vi o filme (só chega ao circuito comercial no próximo dia 17, embora tenha sido realizada uma estreia em Aveiro na semana passada, de modo a que a obra pudesse candidatar-se à nomeação) e a verdade é que nos últimos tempos não parece ter surgido nenhuma longa-metragem lusitana de grande valor.
Mas, enquanto Oliveira acumula aplausos e prémios por todo o mundo, será que alguém lhe liga em Portugal (até mesmo críticos nacionais enviados a Veneza não deliraram com a obra escolhida pelo júri do ICAM)? Se "Um Filme Falado" (e porque não outro filme qualquer do realizador veterano?) não conseguir ser nomeado, a única maneira de o cineasta (apoiado pelo produtor Paulo Branco) dar nas vistas é declarar à comunicação social que deseja que o público nacional vá àquela parte.
Bem... Antes de mais nada, digo que não vi o filme (só chega ao circuito comercial no próximo dia 17, embora tenha sido realizada uma estreia em Aveiro na semana passada, de modo a que a obra pudesse candidatar-se à nomeação) e a verdade é que nos últimos tempos não parece ter surgido nenhuma longa-metragem lusitana de grande valor.
Mas, enquanto Oliveira acumula aplausos e prémios por todo o mundo, será que alguém lhe liga em Portugal (até mesmo críticos nacionais enviados a Veneza não deliraram com a obra escolhida pelo júri do ICAM)? Se "Um Filme Falado" (e porque não outro filme qualquer do realizador veterano?) não conseguir ser nomeado, a única maneira de o cineasta (apoiado pelo produtor Paulo Branco) dar nas vistas é declarar à comunicação social que deseja que o público nacional vá àquela parte.
Uma fita muito estranha
Se está farto dos "blockbusters" que enchem os multiplexes e atraem as atenções de todos, existe em Lisboa um cinema onde são exibidos filmes de que certamente os seus amigos nunca ouviram falar: o Cine-Estúdio 222, gerido pela Zero em Comportamento, que aí projecta, nos dias úteis, as obras raras que obtém sabe-se lá onde. Na programação de Outubro, destaque-se "Pi", a primeira longa-metragem de Darren Aronofsky. Descoberto o DVD importado desta obra pelo Fernando Campos, logo se verificou a divulgação da fita em círculos mais ou menos restritos. Deste modo, posso afirmar que "Pi" é, com certeza, um dos objectos artísticos mais bizarros dos últimos anos. Chamam desde logo a atenção o facto de ser pequeno (85 minutos) e a preto e branco e o orçamento insignificante com que Aronofsky (co-autor da história) contou. A importância da Matemática na narrativa também não é comum. Já a violência visual que por vezes se regista tem paralelo com "A Vida Não é um Sonho", a outra longa da autoria do realizador. As imagens tornam-se socos dirigidos ao estômago do espectador. O visionamento de "Pi" não é muito agradável devido a esse aspecto, mas talvez por isso mesmo (além de todo o talento de Aronofsky e do actor principal, Sean Guilette) trata-se de uma autêntica pérola.
Num dos cinco dias de exibição de "Pi", venha vomitar no Cine-Estúdio 222. Aviso: a cópia projectada tem legendas em castelhano.
Num dos cinco dias de exibição de "Pi", venha vomitar no Cine-Estúdio 222. Aviso: a cópia projectada tem legendas em castelhano.
quarta-feira, outubro 01, 2003
Herói não é rasca
Parece que o cinema oriental ganha uma dimensão única por terras ocidentais. Herói é disso mesmo um exemplo como o tinha sido o Tigre e o Dragão.
Ambos são a meu ver complementares e extremamente diferentes.
Um é um romance em tempos da China antiga, outro é um épico de guerra no mais amplo sentido da palavra. Ang Lee dá ao filme uma sensibilidade mais humana enquanto Heroi apósta numa sensiblilidade visual esmagadora enquanto o cerne da história é a intriga de assassinato do rei Quin.
O filme tecnicamente é avassalador quer a nível de imagem e de som e realmente o elemento mais comercial é a presença de Jet li, que a meu ver não acrescenta nada de mais ao filme.
Realmente para se saber se se gosta ou não, basta ver qual a sensação que fica no final.
Eu gostaria de ver o filme de novo. Isso foi a minha sensação. Definitivamente gostei
Herói Classificação 5 (0-5)
Ambos são a meu ver complementares e extremamente diferentes.
Um é um romance em tempos da China antiga, outro é um épico de guerra no mais amplo sentido da palavra. Ang Lee dá ao filme uma sensibilidade mais humana enquanto Heroi apósta numa sensiblilidade visual esmagadora enquanto o cerne da história é a intriga de assassinato do rei Quin.
O filme tecnicamente é avassalador quer a nível de imagem e de som e realmente o elemento mais comercial é a presença de Jet li, que a meu ver não acrescenta nada de mais ao filme.
Realmente para se saber se se gosta ou não, basta ver qual a sensação que fica no final.
Eu gostaria de ver o filme de novo. Isso foi a minha sensação. Definitivamente gostei
Herói Classificação 5 (0-5)
sábado, setembro 27, 2003
Dados e mais dados
O artigo de Hugo Bordeira publicado no "DN" de hoje (no suplemento Negócios) é muito interessante para avaliar o estado da indústria cinematográfica em Portugal. Algumas conclusões são óbvias (como a falta de afluência às sessões de cinema português). Para já, limito-me a registar algumas informações:
1 - Referi os filmes portugueses mais vistos em 2002, de acordo com o relatório do ICAM, mas não sabia quais foram as longas-metragens menos vistas. Tratam-se de "Brava Gente Brasileira" (445 espectadores), "O Fato Completo ou à Procura de Alberto" (1100) e "Em Volta" (1750). Estariam os realizadores (como Inês de Medeiros, autora do documentário "O Fato Completo...") à espera destes resultados?
2 - O preço dos bilhetes é cada vez mais elevado. Dos 3,1 euros médios de 1998 (na altura eram 633 escudos) passámos aos 3,8 de 2003, num crescimento de 18%.
3 - Das 504 mil sessões realizadas no ano passado, 434 mil consistiram na exibição de filmes "made in USA". Cerca de 7300 foram faladas em português.
4 - Parece-me que há um erro nos dados destacados pelo jornal, relativos ao número de bilhetes vendidos pelos maiores êxitos dos últimos tempos. "As Duas Torres", com 65 mil? Não serão 650 mil? Registe-se também o sucesso de "Johnny English", filme protagonizado por um cómico que mora no coração dos portugueses, Rowan Atkinson.
1 - Referi os filmes portugueses mais vistos em 2002, de acordo com o relatório do ICAM, mas não sabia quais foram as longas-metragens menos vistas. Tratam-se de "Brava Gente Brasileira" (445 espectadores), "O Fato Completo ou à Procura de Alberto" (1100) e "Em Volta" (1750). Estariam os realizadores (como Inês de Medeiros, autora do documentário "O Fato Completo...") à espera destes resultados?
2 - O preço dos bilhetes é cada vez mais elevado. Dos 3,1 euros médios de 1998 (na altura eram 633 escudos) passámos aos 3,8 de 2003, num crescimento de 18%.
3 - Das 504 mil sessões realizadas no ano passado, 434 mil consistiram na exibição de filmes "made in USA". Cerca de 7300 foram faladas em português.
4 - Parece-me que há um erro nos dados destacados pelo jornal, relativos ao número de bilhetes vendidos pelos maiores êxitos dos últimos tempos. "As Duas Torres", com 65 mil? Não serão 650 mil? Registe-se também o sucesso de "Johnny English", filme protagonizado por um cómico que mora no coração dos portugueses, Rowan Atkinson.
Banda larga para que te quero
Tomem atenção que as grandes bombas deste ano começam a mexer. Os últimos capítulos de Matrix e Senhor dos Anéis colocam online novos trailers para os entusiastas. Sinceramente a grande bomba do ano para mim é o lançamento da Trilogia Indiana Jones em DVD e o Mystic River mas não deixo de ter uma grande curiosidade.
Atirar no Calhau
Não quero ser chato mas isto de retirar o Arnaldo e começar a mandar montes de notícias com o Calhau começa a ser chato. Vou ao ComingSoon e todos os dias aparece um novo (pro/de)jecto com esse Tarzan Taborda do cinema. Realmente agora aparece um filme baseado num jogo de computador dos anos 80 e com carros e The Rock. Substituir o Vin Diesel pelo Calhau?
Pimentel chegou ao bairro
Já que não temos muitos colegas no ramo dos blogues sobre cinema, é interessante destacar o aparecimento do espaço pessoal do crítico Tiago Pimentel. O colaborador do 7ª Arte e da "Premiere" reflecte não só sobre questões relativas às fitas e à situação actual dos "media" como também acerca de temas essenciais e de polémica garantida (leia-se: futebol).
Boa sorte, Tiago (e dá-nos uma ajudinha com um "link", OK?).
Boa sorte, Tiago (e dá-nos uma ajudinha com um "link", OK?).
sexta-feira, setembro 26, 2003
Tempestade de Passaros e de Calhaus
Isto de adaptar tudo e mais alguma coisa tem que se diga. Agora nos sites de cnema todos falar do filme Thunderbirds como a coisa mais esperada. Se o filme fosse produzido da mesma maneira que os orignais eu percebia pois tinha um cunho mutio próprio, mas feito com pessoas de carne e osso, qual a piada? Qualquer dia sai do Wallace and Gromit em filme, com o cão feito em CG I e o Jonh Clease careca a fazer de Wallace. Francamente...
Agora que o Arnaldo se foi do cinema, The Rock vai ter o seu teste de fogo este fim de semana com o filme RunDown. Esperemos um flop ou o Arnaldo terá sucessor.
Agora que o Arnaldo se foi do cinema, The Rock vai ter o seu teste de fogo este fim de semana com o filme RunDown. Esperemos um flop ou o Arnaldo terá sucessor.
quinta-feira, setembro 25, 2003
"Críticos de sofá"
Com o início da terceira "rodada" da Série Y, o "Público" lançou um passatempo no qual apela à vocação crítica dos leitores-espectadores, oferecendo leitores de DVD e porta-DVD's. A quem? Àqueles que preencherem um formulário classificando, numa tabela, os 25 filmes que serão vendidos, e escrevendo uma pequena recensão da sua fita predilecta da série.
Curiosamente, a escala através da qual os participantes podem atribuir notas às longas-metragens vai de uma ("dispensável") a cinco estrelas ("obra-prima"). Não é possível atribuir a um título da Série Y a bola preta ("de fugir") que os críticos do diário reservam às obras que consideram realmente péssimas. Imagino que ninguém seja mal-educado ao ponto de achar terrível um dos filmes seleccionados e assinalá-lo. A escolha realizada pelo "Público" é demasiado boa para que tal aconteça.
O facto de as críticas enviadas pelos concorrentes apenas poderem abordar maravilhas pode não ser positivo. Quem sabe se uma reflexão sobre a obra mais odiada do catálogo do "Público" não daria origem a textos de maior qualidade e interesse. Dizer mal de um filme é extremamente reconfortante, quase tanto como visionar uma obra de qualidade. Não só chamamos a atenção do mundo para uma aberração que se passeia impunemente pelos ecrãs, ocupando o lugar de hipotéticas obras-primas, como nos sentimos bem ao fingir que somos melhores que a equipa responsável pela "bosta" e poderíamos realizar um trabalho muito mais competente se nos dessem essa oportunidade. E ainda existe a possibilidade de sacarmos do humor e ridicularizarmos o nosso alvo, sentindo-nos inspirados e espirituosos. Mas, quanto à Série Y, isso simplesmente não é concebível: todos os 25 DVD's contém decerto obras do agrado universal.
Curiosamente, a escala através da qual os participantes podem atribuir notas às longas-metragens vai de uma ("dispensável") a cinco estrelas ("obra-prima"). Não é possível atribuir a um título da Série Y a bola preta ("de fugir") que os críticos do diário reservam às obras que consideram realmente péssimas. Imagino que ninguém seja mal-educado ao ponto de achar terrível um dos filmes seleccionados e assinalá-lo. A escolha realizada pelo "Público" é demasiado boa para que tal aconteça.
O facto de as críticas enviadas pelos concorrentes apenas poderem abordar maravilhas pode não ser positivo. Quem sabe se uma reflexão sobre a obra mais odiada do catálogo do "Público" não daria origem a textos de maior qualidade e interesse. Dizer mal de um filme é extremamente reconfortante, quase tanto como visionar uma obra de qualidade. Não só chamamos a atenção do mundo para uma aberração que se passeia impunemente pelos ecrãs, ocupando o lugar de hipotéticas obras-primas, como nos sentimos bem ao fingir que somos melhores que a equipa responsável pela "bosta" e poderíamos realizar um trabalho muito mais competente se nos dessem essa oportunidade. E ainda existe a possibilidade de sacarmos do humor e ridicularizarmos o nosso alvo, sentindo-nos inspirados e espirituosos. Mas, quanto à Série Y, isso simplesmente não é concebível: todos os 25 DVD's contém decerto obras do agrado universal.
Kubrick de graça
A edição de 15 de Setembro de "A Comarca" (jornal regional que cobre a actualidade dos concelhos de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande, no distrito de Leiria) noticia a realização em Figueiró, entre os dias 17 e 20 deste mês, de um ciclo de cinema dedicado a Stanley Kubrick. Foram exibidas quatro das obras do mestre ("Laranja Mecânica", "Barry Lyndon", "Nascido para Matar" e "De Olhos Bem Fechados") no Clube Figueiroense, sem que fosse cobrada qualquer quantia aos espectadores. O ciclo integrou-se na iniciativa "Animar Figueiró", promovida pela Câmara Municipal.
Há poucos anos atrás, realizavam-se sessões de cinema (com obras do circuito comercial) no Clube todas as semanas, com bilhetes vendidos a preços reduzidos. Esse tempo já lá vai, mas não deixa de ser bom sinal que a Câmara dinamize o espaço, procurando atrair a atenção da juventude e divulgando o trabalho já clássico de um cineasta conceituado. Parece que afinal no Interior não se exibem apenas comédias ou os "blockbusters" da moda.
Há poucos anos atrás, realizavam-se sessões de cinema (com obras do circuito comercial) no Clube todas as semanas, com bilhetes vendidos a preços reduzidos. Esse tempo já lá vai, mas não deixa de ser bom sinal que a Câmara dinamize o espaço, procurando atrair a atenção da juventude e divulgando o trabalho já clássico de um cineasta conceituado. Parece que afinal no Interior não se exibem apenas comédias ou os "blockbusters" da moda.
quarta-feira, setembro 24, 2003
Rogério contra o ICAM
Numa entrevista publicada no "Expresso" de 20 de Setembro, Rogério Samora desmente antecipadamente os números do catálogo elaborado pelo ICAM, afirmando que "O Delfim" foi visto por 62 mil espectadores. Incluirá nessa cifra aqueles que viram o filme em DVD? Pensará que o ICAM fez mal as contas, influenciado por um excessivo pessimismo quanto às potencialidades comerciais do cinema nacional? Quererá realmente dizer que "O Delfim" será visto por 62 mil portugueses, através da emissão de quarta-feira da RTP? Terá organizado uma exibição clandestina da fita à qual assistiram quase 25 mil pessoas?
Em compensação, Samora refere que não deverá contracenar com Alexandra Lencastre muito mais vezes, de modo a evitar que o par deixe de ser credível. Bem visto. Apesar do brilho das suas interpretações em "O Delfim", a verdade é que os dois andam sempre juntos no pequeno e no grande ecrã (Samora e Lencastre protagonizam "Lá Fora", a nova obra de Fernando Lopes).
Em compensação, Samora refere que não deverá contracenar com Alexandra Lencastre muito mais vezes, de modo a evitar que o par deixe de ser credível. Bem visto. Apesar do brilho das suas interpretações em "O Delfim", a verdade é que os dois andam sempre juntos no pequeno e no grande ecrã (Samora e Lencastre protagonizam "Lá Fora", a nova obra de Fernando Lopes).
Algumas estatísticas
De acordo com o “Público” (talvez devesse diversificar as minhas fontes...), que por sua vez o soube através da Lusa, o ICAM (Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia) elaborou e divulgou o catálogo “Cinema – Portugal 2003”, que inclui dados relativos aos resultados de bilheteira, apresentados quanto ao número de espectadores (um tipo de informação mais concreto que a receita em euros: como é interessante poder dizer que “um em cada 324,7 portugueses viu o filme x”), das longas-metragens portuguesas estreadas no ano passado. Em primeiro lugar, uma boa notícia: pela primeira vez em cinco anos, o número de pessoas que viu cinema lusitano cresceu. Dos 105 459 espectadores de 2001 (ano em que “Vou para Casa”, de Manoel de Oliveira, foi a fita nacional de maior sucesso, o que dá a entender o quão fracos foram esses malditos doze meses) passou-se a 244 594. O início de uma nova reconciliação do público com aquilo que é feito em Portugal? Tendo em conta aquilo que já se passou este ano, não sei.
Continuando com os resultados de 2002, parece que essa subida do número de tipos que arriscaram ver filmes sem legendas se deve sobretudo a três obras: “A Selva” (75 562), “O Delfim” (37 700) e “Esquece Tudo o que te Disse” (25 650). Porque tiveram sucesso (dentro do nível das fitas portuguesas) esses títulos? Pode indicar-se, por exemplo, o facto de serem bons filmes (embora sem nada de revolucionário), contarem com actores famosos (Diogo Morgado e Maité Proença em “A Selva”, Alexandra Lencastre e Rogério Samora em “O Delfim” e António Capelo e Custódia Gallego em “Esquece Tudo...”), receberem a atenção da comunicação social e críticas relativamente positivas (sobretudo a obra de Fernando Lopes), conhecerem uma distribuição alargada (com destaque para o primeiro, já que os outros dois limitaram-se basicamente às salas do grupo Medeia), apoiarem-se em campanhas publicitárias significativas, serem rodeados à partida de interesse pelas adaptações de obras célebres da literatura nacional que representam ou, no caso do filme de António Ferreira, em resultado do prestígio que o realizador adquiriu com o filme anterior (“Respirar Debaixo d’Água”) e beneficiarem do apoio de um canal televisivo (neste caso, a RTP, uma vez que a SIC, por falta de dinheiro ou qualquer outro motivo, deixou o financiamento de novas obras para a concorrência).
Tirando essas “sensações” (longe de êxitos da década de 90 como “Tentação” ou “Zona J”), o panorama é desanimador. Manoel de Oliveira não foi bafejado pela fortuna: as duas obras da sua autoria que estrearam em 2002 (“Porto da Minha Infância” e “O Princípio da Incerteza”) levaram à venda de, respectivamente, 6178 e 6150 bilhetes. “Um Filme Falado”, ainda por estrear em Portugal, constitui a sua última oportunidade: se ocorrer outro “flop”, Oliveira terá decerto grandes dificuldades em arranjar apoios para levar a cabo novos projectos.
Continuando com os resultados de 2002, parece que essa subida do número de tipos que arriscaram ver filmes sem legendas se deve sobretudo a três obras: “A Selva” (75 562), “O Delfim” (37 700) e “Esquece Tudo o que te Disse” (25 650). Porque tiveram sucesso (dentro do nível das fitas portuguesas) esses títulos? Pode indicar-se, por exemplo, o facto de serem bons filmes (embora sem nada de revolucionário), contarem com actores famosos (Diogo Morgado e Maité Proença em “A Selva”, Alexandra Lencastre e Rogério Samora em “O Delfim” e António Capelo e Custódia Gallego em “Esquece Tudo...”), receberem a atenção da comunicação social e críticas relativamente positivas (sobretudo a obra de Fernando Lopes), conhecerem uma distribuição alargada (com destaque para o primeiro, já que os outros dois limitaram-se basicamente às salas do grupo Medeia), apoiarem-se em campanhas publicitárias significativas, serem rodeados à partida de interesse pelas adaptações de obras célebres da literatura nacional que representam ou, no caso do filme de António Ferreira, em resultado do prestígio que o realizador adquiriu com o filme anterior (“Respirar Debaixo d’Água”) e beneficiarem do apoio de um canal televisivo (neste caso, a RTP, uma vez que a SIC, por falta de dinheiro ou qualquer outro motivo, deixou o financiamento de novas obras para a concorrência).
Tirando essas “sensações” (longe de êxitos da década de 90 como “Tentação” ou “Zona J”), o panorama é desanimador. Manoel de Oliveira não foi bafejado pela fortuna: as duas obras da sua autoria que estrearam em 2002 (“Porto da Minha Infância” e “O Princípio da Incerteza”) levaram à venda de, respectivamente, 6178 e 6150 bilhetes. “Um Filme Falado”, ainda por estrear em Portugal, constitui a sua última oportunidade: se ocorrer outro “flop”, Oliveira terá decerto grandes dificuldades em arranjar apoios para levar a cabo novos projectos.
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