quinta-feira, outubro 09, 2003

Allen, moribundo?

Rui Henriques Coimbra (um colunista do “Expresso” que vive em Los Angeles e costuma emitir algumas opiniões sobre filmes já estreados nos EUA mas ainda longe do nosso país) não é partidário da subtileza e contenção no desanque das obras que não aprecia. Tendo assistido a uma projecção de “Anything Else”, a nova comédia de Woody Allen, Coimbra descreve assim a sua reacção: “Vomitei violentamente”. Segundo ele, a longa-metragem “abaixo de cão” não tem piada nem originalidade e aborrece o espectador. O articulista pede a Woody que não o faça lembrar-se da expressão “os cavalos também se abatem”. Isto fez-me lembrar a declaração de espanto de Rui Zink (proferida no debate ocorrido na apresentação do livro “Quanta Bondade!”, de Quino): “O Woody Allen ainda não morreu?!”.
Allen é o cineasta americano favorito daqueles que não gostam do cinema americano. As suas obras já não atraem multidões às salas, sobretudo nos States (o facto de “Hollywood Ending” ter estreado no mesmo fim-de-semana que o Episódio II de “Star Wars” prova que já não há grandes esperanças por parte do realizador de conquistar o público do seu país, situação com a qual brinca nesse mesmo filme), mas recebem a atenção de grupos de fãs sempre prontos para assistir a uma nova produção do mestre nova-iorquino.
Confesso amargamente que conheço mal a vasta filmografia de Allen. As únicas fases da sua carreira a que dediquei seriamente a minha atenção foram a inicial, com uma série de comédias completamente doidas e hilariantes (“O Inimigo Público”, “Bananas”, “O ABC do Amor”, “O Herói do Ano 2000”, etc.), e os últimos anos (o primeiro Allen que vi num cinema foi “Através da Noite”). Seja como for, as notícias da sua morte parecem-me algo exageradas. “A Maldição do Escorpião de Jade” (2001) demonstra não só boas ideias como a capacidade de as organizar numa história coerente e divertida. E, é claro, o cabelo de Allen foi caindo mas a graça das suas interpretações manteve-se. “Vigaristas de Bairro”(2000) e “Hollywood Ending” (2002) são marcados, no entanto, por um aproveitamento algo deficiente das premissas iniciais. Depois de um começo muito bom, os argumentos arrastam-se e os filmes tornam-se pouco interessantes para quem não se dê bem com fitas cheias de diálogos. A inteligência dos conteúdos e algumas piadas certeiras, além da qualidade dos elencos, asseguram algum respeito por estas comédias, mas a verdade é que chega-se a ter saudades do ritmo frenético das primeiras aventuras de Allen na realização.
Se o actor-músico-realizador-argumentista já conheceu dias melhores, não deixa de ser verdade que ele nunca insulta o intelecto de ninguém e possui ainda uma habilidade para fazer rir que muitos cineastas cómicos de Hollywood estão bastante longe de alcançar. Portanto, que Allen continue bem vivo, para nosso prazer (embora esse prazer seja algo tardio em relação ao resto da Europa, uma vez que ultimamente os seus filmes chegam a Portugal muito depois de verem a luz do dia). O “jazz” e as letras brancas sobre fundo negro não podem parar.

quarta-feira, outubro 08, 2003

Um bom fim-de-semana

Realmente não é normal ver um fim-de-semana em que estreiem quatro, sim quatro filmes bastante interessantes. Alguns aclamados pela crítica e outros pelo público mas todos interessantes. Um Lars Von Trier, um Ridley Scott na mesma semana mostra que a nova época de cinema vai entrar e espera-se que em força.
Depois de um Verão com muitos blockbusters de qualidade muito duvidosa esperam-se os habituais vencedores de prémios.
Além dos citados vão estrear ainda dois filmes interessantes: um com um leque de actores magnífico e outro um título de culto no país vizinho. Falo de ATRACÇÃO ACIDENTAL com actores sobejamente conhecidos como Frances McDormand, Christian Bale, Kate Beckinsale entre outros e FAUSTO 5.0 vencedor dos prémios de actor(es) e filme no Fantasporto de 2002.

Dia 24 será um dia de puro delírio cinematográfico com o novo filme de Quentin Tarantino (parece ser delicioso se bem que é somente o primeiro capítulo vindo o segundo para Fevereiro) mas no entanto a coisa começa a aquecer.

A Força do Estrelato

O actor norte-americano/austriaco Arnaldo foi nomeado governador da Califórnia.
Isso não será a prova que faltava sobre o poder do mediatismo nos dias que correm?

Se o Herman se candidata-se a presidente da República no nosso seá que ganhava? (Possivelmente agora não pois a sua popularidade já teve melhores dias)

Comparações à parte o actor tem agora na mão um estado com um poder incrivel.
Será que está à altura de um cargo destes. Não será que a máquina política escolhe estes tipos mediaticos de modo a ganhar perto do eleitorado e posteriormente coloca nas suas costas as pessoas que quer a governar (usa a popularidade como cartaz politico) com um potencial brutal para frase chamativas tipo

- Extreminador à presidencia. Ele vem do futuro, viu e vem resolver os nossos problemas.


É uma questão que no mundo dos actores americanos colocou dúvidas, alguns mostraram-se contra (Hanks e Clooney se não me engano) e mostra que se podem confundir realidades que nada tem a ver.

Problemas técnicos

A todos os que nos visitaram durante o período em que estava com o aspecto da página corrompido as nossas desculpas. Pensamos que o problema já foi devidamente corrigido.

terça-feira, outubro 07, 2003

Ah, ah, ah

Miguel Somsen, membro do painel de críticos da “Premiere”, não parece ser um grande fã da série “American Pie” (o ““franchise” pasteleiro”, como lhe chama), como se pode ver no texto que publica no número de Outubro da revista. Também não gosta por aí além dos que se deliciam com a tarte, espantando-se com os mais de 100 mil espectadores portugueses que o terceiro filme da saga teve em quatro dias de exibição. Numa profunda análise sociológica, pergunta-se quantos desses lusitanos foram ao cinema “depois das compras do hipermercado e antes de ver o Benfica na televisão” (e porque não o Sporting?). Mais à frente, atreve-se a sugerir títulos para eventuais futuros capítulos da série: ““American Pie: o Primeiro Bebé” (2005), “American Pie: o Nosso Bebé Já é Uma Stripper” (2013) e “American Pie: a Ressurreição (2022)””. Divertido.
No “Diário de Notícias” de 3 de Outubro último, Eurico de Barros afirma-se como um detractor de “Quaresma”. Longe do estilo “sério” e cuidado (mesmo quando censura algo) do colega João Lopes, Barros declara que, ao contrário do que o filme quer transmitir, “Nenhum ser humano normal conseguiria aturar” a personagem de Beatriz Batarda “mais do que cinco minutos sem lhe pregar um par de galhetas ou dar uns açoites”. Curto e grosso.
Isto faz pensar em qual será o tom mais adequado ao desanque de uma obra considerada má. Deverão procurar-se argumentos sólidos e elaborados, com a preocupação de não ofender ninguém, que dêem a entender, delicadamente, a nossa antipatia pelo objecto, ou simplesmente rir à gargalhada de quem ousa fazer um disparate assim (ou se estivermos num “site” menos respeitoso, uma m... assim) e ainda mais daqueles que pagam para o verem, recorrendo a uma linguagem bem directa e a muito humor insolente?
Eu sei que neste blogue costumamos escolher a segunda opção (até porque não somos lidos por dezenas de milhares de pessoas... por enquanto), que, de facto, é mais divertida (sem um pouco de ironia e irreverência, que piada ou significado teria a crítica?) e faz bem ao ego, mas dentro de certos limites. Desatar aos insultos à equipa técnica ou ao público sem explicar porquê não prova que nós estamos certos e eles errados. Nem sempre é possível colocarmo-nos num patamar de superioridade. Existem outras opiniões à face da terra... O melhor é redigir textos com opiniões bem fundamentadas, por um lado, e ironia q.b., pelo outro, numa linguagem cuidada mas não ilegível ou demasiado subtil.
O que acham? Que tipo de críticas preferem ler e que tipo de discurso pensam que aqueles que emitem opiniões sobre uma coisa qualquer (desde uma escultura aos pastéis do café da esquina) deveriam privilegiar?

segunda-feira, outubro 06, 2003

O grande dia chegou!

É só para registar que ultrapassámos hoje as 1000 visitas (já faltou mais para alcançarmos o Abrupto...).
Obrigado a todos os chanfrados que ousaram visitar este blogue.
Graças a vocês, a nossa vida faz sentido.




Amor (e humor) no meio da guerra

José Carlos de Oliveira filmou em Moçambique a sua nova longa-metragem, “Preto e Branco”, da qual é também produtor e co-argumentista (escreveu o guião a partir da ideia e do texto originais do escritor Mário de Carvalho, que já tinha visto o seu conto “Era uma Vez um Alferes” transformado, em 1987, num pequeno telefilme da RTP). Trata-se de uma obra cuja acção decorre em 1972, durante a guerra colonial, nunca abandonando o espaço da savana onde se trava o conflito. Portanto, está cheio de tiros, sangue, choros convulsivos de soldados, investidas da Frelimo contra os “tugas”, colonos brutais e racistas e cheiro de “napalm” pela manhã, não é? Nada disso, trata-se de uma comédia. Exactamente, um filme leve e humorístico, embora contendo, obviamente, alguns elementos dramáticos.
Em primeiro lugar, centra-se nas figuras de um sargento branco e moçambicano de gema, que nunca foi à Metrópole, e do seu prisioneiro negro, um antigo estudante de Engenharia em Lisboa que se juntou, de forma idealista, à guerrilha de um país que não conhece. Depois, essa dualidade e originalidade levam a que não se formulem juízos de valor sobre o conflito (excepto, talvez, a crença na possibilidade de o ultrapassar através da amizade, como fazem os protagonistas). As mortes que se verificam abruptamente no início de “Preto e Branco” não recebem grandes comentários e a história avança, ou seja, o filme não se leva muito a sério (o tom irónico predomina, por exemplo, nas cenas passadas no quartel).
O humor é obtido naturalmente, não tanto através de “gags” mas graças aos óptimos diálogos. A narrativa flui, na maior parte do tempo, sem obstáculos de relevo, a realização e a montagem são eficazes (embora sem grandes inovações), a qualidade do som e da imagem é digna de nota e os três actores principais estão à altura da tarefa.
Três actores? Sim, ainda não falei da enfermeira alentejana (interpretada por Cristina Homem de Mello, também produtora) da Força Aérea que é forçada a aterrar de pára-quedas no cenário da acção e, infelizmente para nós, despertará o amor no sargento. A segunda parte do filme, marcada pela sua presença, é inferior às primeiras sequências e contém algumas cenas dispensáveis (e uma na qual é visível um microfone). O romance nunca é convincente e não possui grande significado.
Assim, não temos aqui um grande filme ou uma obra que analise profundamente a guerra que marcou a “geração de 60”, mas um objecto agradável e com pés e cabeça, suficientemente comercial (é distribuído pela Lusomundo e um texto promocional existente no verso do “poster” oferecido ao público encontra-se em português e inglês) para atrair uma dose razoável de espectadores. É verdade que não é só o cinema nacional que precisa de se abrir aos consumidores. Estes devem adquirir uma maior receptividade às propostas lusitanas.
A melhor cena: O sargento e o prisioneiro “apresentam-se”, de noite.
A pior cena: Adelaide penteia-se.

Nota: 6/10.

P.S. “Ah, os Imortais, os Imortais...”. Rui Unas/Vítor Pratas diverte com a sua narração no “teaser” de “Os Imortais”.

domingo, outubro 05, 2003

Liga de Ianques

Tom Sawyer???? De onde veio este? Realmente um par romântico??? Liga do Cavalheiros Extraordinários em filme?? BAHHHHHHHHHH!!! Sinceramente para os que tiverem curiosidade leiam os livros já editados em Portugal e deliciem-se com uma BD pura e dura sem americanismos estúpidos.
Sean Connery realmente seria a escolha certa para a personagem mas a contextualização de uma obra que respira de heróis britânicos para um píublico americana dispensa qualquer centimo na compra de um bilhete.

Só já faltam 21-5 = 16 dias para a trilogia do ano

Só faltam 16 para o pacote dos três filmes do Indiana Jones ver a luz do dia nas lojas espalhadas pelo Mundo. Eu fã da velha guarda estou ruido de inveja de felizardos como o Tiago Pimentel que já pôs as mãos em cima da preciosidade. Mas nesses momentos penso para mim: "Tu consegues! Duas Semanas, faz um esforço..."

Esperemos que seja digno

Um dos livros de culto "Hitchhiker's Guide To The Galaxy" de Douglas Adams vai ser adaptado para o cinema pela Disney. Um livro que fez muita gente querer fazer comédia vai ver a luz do dia. O realizador não é conhecido e este é mesmo um dos seus primeiros trabalhos.
O primeiro interessado foi o realizador dos Austin Powers que sai da cadeira de realizador e passou somente para a produção. A única esperança reside no facto do próprio escritor Douglas Adams ser o produtor executivo do filme. Vejamos o que isto vai dar...

Tardes de cinema

Assistindo ontem à exibição da comédia romântica "Kate e Leopold" (segue todos os parâmetros deste tipo de fitas, mas não ofende ninguém e até pode ser seguida com relativo interesse) na SIC, reparei em dois aspectos que provam como é bom ver cinema nesse canal: a existência de quatro intervalos publicitários (em vez dos três tradicionais) de duração considerável durante a difusão de uma longa-metragem com 109 minutos (ainda se fosse do tamanho de um "Magnólia" ou de um "Apocalypse Now Redux", aceitava-se) e, como se sabe, a supressão da ficha técnica, substituída por um "fim" em tons de azul. Para agravar esta última característica, o que se viu não foi o início dos créditos finais, como de costume, mas uma parte (com a duração de uns cinco segundos) escolhida aleatoriamente, com a canção de Sting nomeada para o Oscar em fundo.
Eu sei que isto não é tão grave como a situação no Médio Oriente, mas não deixa de evidenciar uma certa falta de respeito pelos telespectadores (resposta óbvia da estação: "Se querem menos publicidade e mais créditos finais, aluguem um vídeo. Nós temos carradas de comédias e filmes de acção para mostrar antes do jornal e não podemos perder tempo com esquisitices"). A propósito, que acham da presença actual do cinema nas programações das televisões nacionais e da qualidade média das obras transmitidas por estas?

sábado, outubro 04, 2003

Os pirilampos da blogosfera

A fama do Pipoca Rasca cresce de dia para dia (a nossa média de visitas nem por isso). Um simpático blogue colectivo (animado por quatro nortenhos), The Pirilampo Magico Project, concedeu-nos a honra de nos incluir na sua lista de "Blogs Catitas". Obrigado! Ainda há gente decente neste mundo.
Trata-se de um blogue também ele muito catita, que reflecte sobre as curiosas traduções lusitanas dos títulos dos filmes americanos, a melhor (e pior) música existente no mercado, a defesa do meio ambiente, problemas de âmbito familiar, etc. Acima de tudo, o "site" alerta-nos para a perversidade dos Pirilampos Mágicos. Parecem inofensivos e simpáticos com aquelas caras de parvos, mas afinal...

Estranhos fenómenos

Realmente é raro o Mundo do cinema americano me deixar espantado. Ontem descobri que Spike Jonze e o seu fiel argomentista Kauffman vão iniciiar a produção de um filme de terror. Espero que venha por aí uma lufada de ar fresco num género que nos últimos anos tem andado esquecido e mal interpretado pelas produtoras (efeitos, efeitos e terror nada).
Será a originalidade deste par capaz de trazer aos ecrans algo alucinante??

Não contem a ninguém!

Era segredo, mas, sabe-se lá como, alguns órgãos de comunicação social descobriram que, além de "Quaresma", outro filme português estreou ontem nas nossas salas (ou, em Lisboa, apenas numa sala, nas Twin Towers). Trata-se de "Altar", de Rita Azevedo Gomes, que, como todos sabem, foi a realizadora do grande êxito do Verão de 2001, "Frágil como o Mundo" (será que António Guterres teve oportunidade de ver esse filme, como afirmou pretender fazer numa entrevista concedida na altura?). A longa-metragem, de carácter experimental (feita originalmente em vídeo, é, ao que parece, uma mistura de vários elementos poéticos e visuais), é distribuída pela FBF Filmes.
Só na quinta-feira passada Portugal tomou conhecimento da existência desta obra, através da "Visão" (a "Premiere" deste mês não lhe faz referência). Na sexta, surgiram anúncios em alguns jornais (ver pág. 20 do "Público" de ontem) e até uma ou outra crítica destacando a originalidade (ou bizarria) da obra. Às 20.15, o 7ª Arte não sabia nada sobre "Altar". Um pouco mais tarde, já admitia o regresso de Rita Azevedo Gomes, com uma ficha sem grandes informações, mas não indicava as salas de exibição.
O prestígio da cineasta, o carácter comercial da fita (com actores estrangeiros), o enorme número de salas nas quais estreou (o anúncio fala de uma em Lisboa, outra no Porto e, de forma específica, de "Outras Cidades"), a atenção da crítica e o arrojado "marketing" da FBF (que apostou numa estratégia de secretismo, evitando assim a divulgação de demasiados pormenores por parte dos "media", ávidos por satisfazer os fãs de Azevedo Gomes) só podem resultar num histórico êxito de bilheteira que revigorará o cinema nacional. Tudo para Campolide, pessoal!

Qual é o mentiroso?

Estava só a brincar quando pedi o “link”, mas o Tiago Pimentel realmente leu o meu “post” e deu-nos a honra de sermos dados a conhecer aos visitantes do seu blogue. Obrigado, Tiago, pelos desejos de boa sorte. O teu espaço tem-se revelado bastante interessante.
Agora podemos praticar a tradição essencial da blogosfera: comentar o que os outros “postam”. Assim, Michael Moore é alvo de um texto bastante crítico do Tiago, que o acusa de ser um mentiroso, com base em artigos publicados na imprensa americana (o movimento para retirar o Oscar ao polémico activista de esquerda já existe há vários meses). Para já, leiam a resposta de Moore aos ataques de que é alvo. Será que tudo o que se publica sobre ele é exacto? Na verdade, só os opositores do documentarista apontam numerosos erros, exageros, inexactidões e falsificações a “Bowling for Columbine”. Assim como Moore destaca algumas críticas infundadas à sua obra, que pormenores exactos do filme denuncia a comunicação social como falsos?
No fundo, o que está em causa é que o Tiago odiou “Bowling for Columbine” e eu não (em primeiro lugar, porque acho que as questões levantadas por Moore vão muito além da sua visão parcial da política internacional na qual o Tiago concentra o ataque; e as razões da paranóia das armas que percorre os EUA, a qual o filme procura explicar afastando as teorias tradicionais)? É certo que, como escrevi num “post” em Julho (nos heróicos primeiros tempos deste blogue, que já parecem tão distantes; estamos a ficar velhos), Moore não é nenhum génio ou santo. Mesmo os maiores defensores do documentário-bomba reconhecem que se denotam sinais evidentes de narcisismo e demagogia no discurso do seu autor. Mas esse aspecto não põe em causa todos os factos e conclusões apresentados ao longo de quase duas horas. A luta conta o “fenómeno Moore” baseia-se acima de tudo em factores políticos. Inserindo-se abertamente no campo da esquerda radical, esse inimigo feroz de Bush não podia ficar imune aos reparos de quem discorda violentamente das suas opiniões e vê, por exemplo, a questão iraquiana de forma mais complexa (mas nem por isso mais correcta). Mas isso é outra história.
Seja como for, o texto do Tiago é, apesar de tudo, mais moderado que a crítica de Eurico de Barros a “Bowling for Columbine” (na qual Barros afirmou que correria Moore a tiro se estivesse no lugar de Charlton Heston).



quinta-feira, outubro 02, 2003

Um filme nomeado?

Em nome do ICAM, Beatriz Pacheco Pereira, Bárbara Guimarães e João Lopes escolheram "Um Filme Falado", de Manoel de Oliveira, como o candidato português à nomeação para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro do próximo ano (a aposta para a competição anterior foi "O Delfim").
Bem... Antes de mais nada, digo que não vi o filme (só chega ao circuito comercial no próximo dia 17, embora tenha sido realizada uma estreia em Aveiro na semana passada, de modo a que a obra pudesse candidatar-se à nomeação) e a verdade é que nos últimos tempos não parece ter surgido nenhuma longa-metragem lusitana de grande valor.
Mas, enquanto Oliveira acumula aplausos e prémios por todo o mundo, será que alguém lhe liga em Portugal (até mesmo críticos nacionais enviados a Veneza não deliraram com a obra escolhida pelo júri do ICAM)? Se "Um Filme Falado" (e porque não outro filme qualquer do realizador veterano?) não conseguir ser nomeado, a única maneira de o cineasta (apoiado pelo produtor Paulo Branco) dar nas vistas é declarar à comunicação social que deseja que o público nacional vá àquela parte.

Uma fita muito estranha

Se está farto dos "blockbusters" que enchem os multiplexes e atraem as atenções de todos, existe em Lisboa um cinema onde são exibidos filmes de que certamente os seus amigos nunca ouviram falar: o Cine-Estúdio 222, gerido pela Zero em Comportamento, que aí projecta, nos dias úteis, as obras raras que obtém sabe-se lá onde. Na programação de Outubro, destaque-se "Pi", a primeira longa-metragem de Darren Aronofsky. Descoberto o DVD importado desta obra pelo Fernando Campos, logo se verificou a divulgação da fita em círculos mais ou menos restritos. Deste modo, posso afirmar que "Pi" é, com certeza, um dos objectos artísticos mais bizarros dos últimos anos. Chamam desde logo a atenção o facto de ser pequeno (85 minutos) e a preto e branco e o orçamento insignificante com que Aronofsky (co-autor da história) contou. A importância da Matemática na narrativa também não é comum. Já a violência visual que por vezes se regista tem paralelo com "A Vida Não é um Sonho", a outra longa da autoria do realizador. As imagens tornam-se socos dirigidos ao estômago do espectador. O visionamento de "Pi" não é muito agradável devido a esse aspecto, mas talvez por isso mesmo (além de todo o talento de Aronofsky e do actor principal, Sean Guilette) trata-se de uma autêntica pérola.
Num dos cinco dias de exibição de "Pi", venha vomitar no Cine-Estúdio 222. Aviso: a cópia projectada tem legendas em castelhano.

quarta-feira, outubro 01, 2003

Herói não é rasca

Parece que o cinema oriental ganha uma dimensão única por terras ocidentais. Herói é disso mesmo um exemplo como o tinha sido o Tigre e o Dragão.
Ambos são a meu ver complementares e extremamente diferentes.
Um é um romance em tempos da China antiga, outro é um épico de guerra no mais amplo sentido da palavra. Ang Lee dá ao filme uma sensibilidade mais humana enquanto Heroi apósta numa sensiblilidade visual esmagadora enquanto o cerne da história é a intriga de assassinato do rei Quin.
O filme tecnicamente é avassalador quer a nível de imagem e de som e realmente o elemento mais comercial é a presença de Jet li, que a meu ver não acrescenta nada de mais ao filme.
Realmente para se saber se se gosta ou não, basta ver qual a sensação que fica no final.
Eu gostaria de ver o filme de novo. Isso foi a minha sensação. Definitivamente gostei


Herói Classificação 5 (0-5)

sábado, setembro 27, 2003

Dados e mais dados

O artigo de Hugo Bordeira publicado no "DN" de hoje (no suplemento Negócios) é muito interessante para avaliar o estado da indústria cinematográfica em Portugal. Algumas conclusões são óbvias (como a falta de afluência às sessões de cinema português). Para já, limito-me a registar algumas informações:

1 - Referi os filmes portugueses mais vistos em 2002, de acordo com o relatório do ICAM, mas não sabia quais foram as longas-metragens menos vistas. Tratam-se de "Brava Gente Brasileira" (445 espectadores), "O Fato Completo ou à Procura de Alberto" (1100) e "Em Volta" (1750). Estariam os realizadores (como Inês de Medeiros, autora do documentário "O Fato Completo...") à espera destes resultados?

2 - O preço dos bilhetes é cada vez mais elevado. Dos 3,1 euros médios de 1998 (na altura eram 633 escudos) passámos aos 3,8 de 2003, num crescimento de 18%.

3 - Das 504 mil sessões realizadas no ano passado, 434 mil consistiram na exibição de filmes "made in USA". Cerca de 7300 foram faladas em português.

4 - Parece-me que há um erro nos dados destacados pelo jornal, relativos ao número de bilhetes vendidos pelos maiores êxitos dos últimos tempos. "As Duas Torres", com 65 mil? Não serão 650 mil? Registe-se também o sucesso de "Johnny English", filme protagonizado por um cómico que mora no coração dos portugueses, Rowan Atkinson.

Banda larga para que te quero

Tomem atenção que as grandes bombas deste ano começam a mexer. Os últimos capítulos de Matrix e Senhor dos Anéis colocam online novos trailers para os entusiastas. Sinceramente a grande bomba do ano para mim é o lançamento da Trilogia Indiana Jones em DVD e o Mystic River mas não deixo de ter uma grande curiosidade.

Atirar no Calhau

Não quero ser chato mas isto de retirar o Arnaldo e começar a mandar montes de notícias com o Calhau começa a ser chato. Vou ao ComingSoon e todos os dias aparece um novo (pro/de)jecto com esse Tarzan Taborda do cinema. Realmente agora aparece um filme baseado num jogo de computador dos anos 80 e com carros e The Rock. Substituir o Vin Diesel pelo Calhau?

Pimentel chegou ao bairro

Já que não temos muitos colegas no ramo dos blogues sobre cinema, é interessante destacar o aparecimento do espaço pessoal do crítico Tiago Pimentel. O colaborador do 7ª Arte e da "Premiere" reflecte não só sobre questões relativas às fitas e à situação actual dos "media" como também acerca de temas essenciais e de polémica garantida (leia-se: futebol).
Boa sorte, Tiago (e dá-nos uma ajudinha com um "link", OK?).

sexta-feira, setembro 26, 2003

Tempestade de Passaros e de Calhaus

Isto de adaptar tudo e mais alguma coisa tem que se diga. Agora nos sites de cnema todos falar do filme Thunderbirds como a coisa mais esperada. Se o filme fosse produzido da mesma maneira que os orignais eu percebia pois tinha um cunho mutio próprio, mas feito com pessoas de carne e osso, qual a piada? Qualquer dia sai do Wallace and Gromit em filme, com o cão feito em CG I e o Jonh Clease careca a fazer de Wallace. Francamente...

Agora que o Arnaldo se foi do cinema, The Rock vai ter o seu teste de fogo este fim de semana com o filme RunDown. Esperemos um flop ou o Arnaldo terá sucessor.

quinta-feira, setembro 25, 2003

"Críticos de sofá"

Com o início da terceira "rodada" da Série Y, o "Público" lançou um passatempo no qual apela à vocação crítica dos leitores-espectadores, oferecendo leitores de DVD e porta-DVD's. A quem? Àqueles que preencherem um formulário classificando, numa tabela, os 25 filmes que serão vendidos, e escrevendo uma pequena recensão da sua fita predilecta da série.
Curiosamente, a escala através da qual os participantes podem atribuir notas às longas-metragens vai de uma ("dispensável") a cinco estrelas ("obra-prima"). Não é possível atribuir a um título da Série Y a bola preta ("de fugir") que os críticos do diário reservam às obras que consideram realmente péssimas. Imagino que ninguém seja mal-educado ao ponto de achar terrível um dos filmes seleccionados e assinalá-lo. A escolha realizada pelo "Público" é demasiado boa para que tal aconteça.
O facto de as críticas enviadas pelos concorrentes apenas poderem abordar maravilhas pode não ser positivo. Quem sabe se uma reflexão sobre a obra mais odiada do catálogo do "Público" não daria origem a textos de maior qualidade e interesse. Dizer mal de um filme é extremamente reconfortante, quase tanto como visionar uma obra de qualidade. Não só chamamos a atenção do mundo para uma aberração que se passeia impunemente pelos ecrãs, ocupando o lugar de hipotéticas obras-primas, como nos sentimos bem ao fingir que somos melhores que a equipa responsável pela "bosta" e poderíamos realizar um trabalho muito mais competente se nos dessem essa oportunidade. E ainda existe a possibilidade de sacarmos do humor e ridicularizarmos o nosso alvo, sentindo-nos inspirados e espirituosos. Mas, quanto à Série Y, isso simplesmente não é concebível: todos os 25 DVD's contém decerto obras do agrado universal.

Kubrick de graça

A edição de 15 de Setembro de "A Comarca" (jornal regional que cobre a actualidade dos concelhos de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande, no distrito de Leiria) noticia a realização em Figueiró, entre os dias 17 e 20 deste mês, de um ciclo de cinema dedicado a Stanley Kubrick. Foram exibidas quatro das obras do mestre ("Laranja Mecânica", "Barry Lyndon", "Nascido para Matar" e "De Olhos Bem Fechados") no Clube Figueiroense, sem que fosse cobrada qualquer quantia aos espectadores. O ciclo integrou-se na iniciativa "Animar Figueiró", promovida pela Câmara Municipal.
Há poucos anos atrás, realizavam-se sessões de cinema (com obras do circuito comercial) no Clube todas as semanas, com bilhetes vendidos a preços reduzidos. Esse tempo já lá vai, mas não deixa de ser bom sinal que a Câmara dinamize o espaço, procurando atrair a atenção da juventude e divulgando o trabalho já clássico de um cineasta conceituado. Parece que afinal no Interior não se exibem apenas comédias ou os "blockbusters" da moda.

quarta-feira, setembro 24, 2003

Rogério contra o ICAM

Numa entrevista publicada no "Expresso" de 20 de Setembro, Rogério Samora desmente antecipadamente os números do catálogo elaborado pelo ICAM, afirmando que "O Delfim" foi visto por 62 mil espectadores. Incluirá nessa cifra aqueles que viram o filme em DVD? Pensará que o ICAM fez mal as contas, influenciado por um excessivo pessimismo quanto às potencialidades comerciais do cinema nacional? Quererá realmente dizer que "O Delfim" será visto por 62 mil portugueses, através da emissão de quarta-feira da RTP? Terá organizado uma exibição clandestina da fita à qual assistiram quase 25 mil pessoas?
Em compensação, Samora refere que não deverá contracenar com Alexandra Lencastre muito mais vezes, de modo a evitar que o par deixe de ser credível. Bem visto. Apesar do brilho das suas interpretações em "O Delfim", a verdade é que os dois andam sempre juntos no pequeno e no grande ecrã (Samora e Lencastre protagonizam "Lá Fora", a nova obra de Fernando Lopes).

Algumas estatísticas

De acordo com o “Público” (talvez devesse diversificar as minhas fontes...), que por sua vez o soube através da Lusa, o ICAM (Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia) elaborou e divulgou o catálogo “Cinema – Portugal 2003”, que inclui dados relativos aos resultados de bilheteira, apresentados quanto ao número de espectadores (um tipo de informação mais concreto que a receita em euros: como é interessante poder dizer que “um em cada 324,7 portugueses viu o filme x”), das longas-metragens portuguesas estreadas no ano passado. Em primeiro lugar, uma boa notícia: pela primeira vez em cinco anos, o número de pessoas que viu cinema lusitano cresceu. Dos 105 459 espectadores de 2001 (ano em que “Vou para Casa”, de Manoel de Oliveira, foi a fita nacional de maior sucesso, o que dá a entender o quão fracos foram esses malditos doze meses) passou-se a 244 594. O início de uma nova reconciliação do público com aquilo que é feito em Portugal? Tendo em conta aquilo que já se passou este ano, não sei.
Continuando com os resultados de 2002, parece que essa subida do número de tipos que arriscaram ver filmes sem legendas se deve sobretudo a três obras: “A Selva” (75 562), “O Delfim” (37 700) e “Esquece Tudo o que te Disse” (25 650). Porque tiveram sucesso (dentro do nível das fitas portuguesas) esses títulos? Pode indicar-se, por exemplo, o facto de serem bons filmes (embora sem nada de revolucionário), contarem com actores famosos (Diogo Morgado e Maité Proença em “A Selva”, Alexandra Lencastre e Rogério Samora em “O Delfim” e António Capelo e Custódia Gallego em “Esquece Tudo...”), receberem a atenção da comunicação social e críticas relativamente positivas (sobretudo a obra de Fernando Lopes), conhecerem uma distribuição alargada (com destaque para o primeiro, já que os outros dois limitaram-se basicamente às salas do grupo Medeia), apoiarem-se em campanhas publicitárias significativas, serem rodeados à partida de interesse pelas adaptações de obras célebres da literatura nacional que representam ou, no caso do filme de António Ferreira, em resultado do prestígio que o realizador adquiriu com o filme anterior (“Respirar Debaixo d’Água”) e beneficiarem do apoio de um canal televisivo (neste caso, a RTP, uma vez que a SIC, por falta de dinheiro ou qualquer outro motivo, deixou o financiamento de novas obras para a concorrência).
Tirando essas “sensações” (longe de êxitos da década de 90 como “Tentação” ou “Zona J”), o panorama é desanimador. Manoel de Oliveira não foi bafejado pela fortuna: as duas obras da sua autoria que estrearam em 2002 (“Porto da Minha Infância” e “O Princípio da Incerteza”) levaram à venda de, respectivamente, 6178 e 6150 bilhetes. “Um Filme Falado”, ainda por estrear em Portugal, constitui a sua última oportunidade: se ocorrer outro “flop”, Oliveira terá decerto grandes dificuldades em arranjar apoios para levar a cabo novos projectos.

terça-feira, setembro 23, 2003

Morais: o regresso

Ele voltou! José Álvaro Morais, o realizador que criou esse “monstro” chamado “Peixe-Lua” (2000), acabou um novo filme, “Quaresma”, que, depois de passar por Cannes, estreia em Portugal no próximo dia 3 de Outubro. Vi o “trailer” da obra e... tenho medo, muito medo... nem só para dizer mal iria ver “Quaresma”.
Eu sei que é injusto protestar por causa de um filme que ainda não se viu e não tenho nada contra a protagonista, Beatriz Batarda (a propósito de actores portugueses com trabalhos realizados no estrangeiro, ela participou em várias séries britânicas, como “My Family”), além de reconhecer a beleza das paisagens filmadas, mas, já agora, quem é que por aí viu alguma vez uma longa-metragem de José Álvaro Morais? Ou melhor, quem é que alguma vez ouviu falar de Morais (não se trata de um jovem cineasta) e do seu trabalho? Levantem as mãos. Não levantam?
Morais é um dos realizadores mais anti-comerciais com que este país conta. Ninguém dá por ele, a não ser alguns críticos. As suas personagens parecem distantes de qualquer realidade. O enredo de “Peixe-Lua” é do mais confuso e aborrecido que há. O interesse do público parece não estar entre os objectivos do realizador. Na televisão, os seus filmes só devem ser aceites nas madrugadas da RTP2, e muitos espectadores desprevenidos que por acaso os vejam só poderão pensar: “O que raio é isto?” e depois “Quando é que isto acaba?” Morais afirma que os seus filmes, “num momento preciso da sua produção, da sua execução ganham uma vida própria”. Ou seja, a culpa não é dele.
Bem, aceito que exista quem aprecie as histórias de Morais, mas o seu caso não deixa de nos fazer perguntar qual é o público-alvo dos cineastas lusos (com a excepção de Fernando Lopes) cujos filmes são distribuídos pela Atalanta. Gastarão os financiamentos do Estado entretendo (?) sempre a mesma meia dúzia de pessoas?

domingo, setembro 21, 2003

Cinema autárquico

Esquecendo os privados e falando da intervenção das autarquias na divulgação do cinema entre os cidadãos, posso dar-vos o exemplo da Câmara de Odivelas (o meu amado concelho), que gere, através da empresa municipal Odivelcultur, a programação do Auditório da Póvoa de Santo Adrião (fui lá só para ver espectáculos teatrais, mas a sala não me parece má). No mês de Setembro, foram ou serão exibidos "Os Anjos de Charlie: Potência Máxima", "X-Men 2", "Hulk" e "Velocidade Mais Furiosa", além das sessões infantis (as mais concorridas) com "A Floresta Mágica" e "Sinbad - A Lenda dos Sete Mares". Não se pode dizer que a programação seja demasiado intelectual, mas pelo menos a entrada custa apenas três euros (um euro para menores de 13 anos).
No folheto publicitário da empresa, encontram-se, além de alguns erros ortográficos ("Dree Barrymore", "Jennifer Conelly"), a descrição da série de BD "The Incredible Hulk", da Marvel, como "longuíssima". Ou a Odivelcultur detesta o Hulk ou acha que após uns 30 anos de carreira os super-heróis deveriam passar à reforma (que diria do Batman e do Super-Homem?).
No seu "site", a empresa apresenta um inquérito ao utilizador que inclui uma pergunta sobre que filme gostaria de ver projectado na Póvoa de Santo Adrião (não são indicadas opções). O vencedor deste "Voto do Público" no mês passado foi "Os Anjos de Charlie: Potência Máxima". Este conceito não deixa de ser interessante. Se a maioria doodivelenses s escolhesse "Amarcord", a Odivelcultur teria que exibir a obra de Fellini. Aliás, se os munícipes escolhessem um filme ainda não estreado em Portugal, a autarquia teria que o comprar. É o sonho de qualquer cinéfilo.
Diga-se para terminar que a Odivelcultur não se limita a passar fitas: promoverá em Outubro um "workshop" para formar novos realizadores (de vídeo, pelo menos). Os filmes da autoria dos participantes (que abordarão "temas, aspectos ou histórias relacionadas com Odivelas") serão mostrados ao público no Auditório Municipal. Uma vez que uma imagem de "Cidade de Deus" é reproduzida no folheto, supõe-se que os novos cineastas terão de filmar o concelho como Meirelles filmou o Rio de Janeiro, o que pode dar resultados curiosos.

sábado, setembro 20, 2003

Obras-primas

Uma coisa que encontro nos clubes de vídeo e acho dispensável e algo ridícula (além de imensos filmes com Sylvester Stallone e sequelas como “Inspector Gadget 2”) são as citações de críticas (positivas) presentes nos cartazes ou nas próprias caixas de alguns vídeos ou DVDs. Esses elogios proferidos por críticos americanos que garantem a qualidade assombrosa das longas-metragens e nunca lhes atribuem menos de quatro estrelas fazem-me desconfiar. Parece que, contrariando o objectivo com que foram transcritos, esses louvores só comprovam a falta de valor da obra.
Para começar, são raros na publicidade de filmes muito famosos ou premiados, porque esses não precisam disso, valem por si. A citação de um artigo num jornal ou revista a exprimir adoração pela obra genial que agora chega ao circuito de “cinema em casa” parece estar na caixa para diminuir a má impressão deixada no consumidor pela leitura da sinopse existente na contracapa (um truque básico do comércio: “Não, não, vai ver que não é tão mau como lhe parece”).
A escolha quase generalizada de textos publicados nos States, da autoria de críticos obscuros e dados a conhecer em órgãos da imprensa que nada dizem ao espectador português, é outra desvantagem (curiosamente, os casos que conheço nos quais se recorreu a elogios lusitanos, como na publicidade de “Matrix” ou de “A Residência Espanhola”, correspondem a bons filmes), até porque anula o prestígio que a opinião poderia ter. Sem ter acesso aos textos dos quais foram retiradas as (breves) frases laudatórias, é impossível não imaginar que elas podem ter sido retiradas do contexto. Lembro-me de um “poster” de “O Homem Transparente” (filme de que não gostei) no qual uma citação louvava a qualidade dos efeitos especiais. Está bem, mas e os outros aspectos? O crítico pode ter escrito logo a seguir: “Tudo o resto é horrível”.
Na maioria dos casos, tratam-se de elogios tão curtos e fortes (“Magnífico!”, “Cinco estrelas!”) que soam a falso. Nem todos os filmes podem ser obras-primas, mas também é preciso reconhecer que pouco efeito publicitário teriam opiniões como “Exceptuando a primeira meia hora, o filme é bom”, “Os actores são óptimos, mas a banda sonora é insuportável” ou “Um dos 57 melhores filmes do ano”.
E é claro que a crítica elogiosa do “camone” que escreve no tal jornal pode ser uma excepção em mil textos carregados de insultos. No caso de “Encontro em Manhattan” (classificado com cinco estrelas pela citação), deve ser essa a situação.
Ao examinarem a caixa de um filme, concentrem a vossa atenção nas “taglines” ou no resumo da história e esqueçam os “certificados de qualidade” que nos impingem.

sexta-feira, setembro 19, 2003

quinta-feira, setembro 18, 2003

Portugal triunfa finalmente

É a sensação do momento: Lúcia Moniz (aquela das cantigas e das novelas) participou no filme "Love Actually" (ou "Love Actually is all around", como se chama agora) de Richard Curtis, uma comédia romântica em que contracena com Colin Firth ("O Diário de Bridget Jones"). Moniz interpreta uma emigrante portuguesa (surpreendente...) em França que trabalha para o personagem de Firth e, embora só se expresse na língua de Camões, acaba por se aproximar romanticamente do patrão (é apenas uma das dez histórias de amor que se cruzam ao longo da fita). Já estou a imaginar Moniz no ecrã de um cinema lusitano, a dizer frases deliciosas no nosso idioma enquanto lemos as legendas que traduzem o palavreado para inglês, de modo a que aqueles ignorantes anglo-saxónicos percebam... Tirando Luís Figo, nenhum compatriota nos deu tanto orgulho nas últimas décadas. Viva Portugal!
Mais habituado a representar para estrangeiros está Joaquim de Almeida, que, além de se meter em alguns filmitos por cá, interpreta vilões latinos e perversos nas fitas de Hollywood. Almeida recebeu agora a oportunidade de ser mau como as cobras na terceira série de "24", onde tentará matar Kiefer Sutherland (é isso que um vilão dessa série é suposto fazer).
Com a Lúcia e o Quim a alcançar o estrelato e a divulgar a nossa imagem nos States, Portugal será grande.

Realmente...

Parece que a confusão nos fóruns de cinema Nacionais continua. Fui ao site 7 arte e para variar lá estava o pessoal a mandar vir com os criticos de serviço. Penso que é uma atitude fácil e descnecessária. Para mim o trabalho de um crítico deve ser respeitado e entendido.
Eu gosto de ler as críticas mas para seleccionar um filme, procuro os críticos que mais acompanho, uma vez que conheço as suas reacções a coisas que gostei e que detestei.
Mas ir ao cinjema baseando a escolha numa opinião é sempre um risco, risco esse que faz o cinema ser tão fascinante.

quarta-feira, setembro 17, 2003

Cinema da coxa

Procurando contrariar a regra vigente que condena a maioria dos filmes portugueses à quase ausência de publicidade (já deu para ver que o investimento publicitário é meio caminho andado para o sucesso do cinema lusitano) e conduz a "flops" humilhantes, mesmo à nossa escala, como acontece agora com "O Rapaz do Trapézio Voador" (ver crítica ao filme em www.c7nema.net), com apenas alguns anúncios ultra-discretos na imprensa, falo agora de uma obra de origem nacional que estreia ainda em 2003 e sobre a qual é legítimo alimentar alguma expectativa: "Os Imortais", o novo filme de António Pedro Vasconcelos ("Jaime").
Apesar da atenção dada pela imprensa à sua rodagem, a estreia desta produção recheada de acção sobre um grupo de ex-combatentes que se reúne e faz estragos (oxalá não seja assim tão parecido com "Inferno"?), assaltando um banco, tem sido muito incerta. Falou-se da Primavera, depois de Junho e agora de 24 de Outubro. Nesse dia, “Os Imortais” enfrenta a concorrência de várias películas, incluindo o primeiro volume de “Kill Bill”. Lá mais para o final do ano, estreiam novos filmes das trilogias “Matrix” e “O Senhor dos Anéis”, que podem levar a outro adiamento. Quando poderemos realmente ver a obra (suficientemente comercial para fugir ao estereótipo do “filme para minorias”) de Vasconcelos?
Um dos principais motivos de interesse de “Os Imortais” reside no seu elenco, que conta com uma “estrela internacional”, Emmanuelle Seigner (a mulher de Polanski), os nomes do costume, como Joaquim de Almeida, Rogério Samora (actor presente em 93,7% da produção cinematográfica anual portuguesa) ou Nicolau Breyner, e a grande estreia: Rui Unas. Esse mesmo, o homem do “Cabaret da Coxa”, o “ganda maluco” da SIC Radical, que agora conta até com ficha e biografia no Imdb. Antes de participar neste filme (onde parece ter um papel de relevo), Unas fizera, em termos de representação, apenas uns quantos bonecos no “Curto-Circuito”, que eu me lembre. Além de ser um dos quatro “imortais” do título (fugindo, aparentemente, do registo cómico), Unas rodou já outro filme, a curta de terror “I’ll See You in My Dreams”, onde encarna um sacerdote.
Espero que o caso deste novo actor seja um pouco mais feliz que o de Catarina Furtado, outra vedeta da televisão que tentou a sua sorte no cinema. O lado mais “sério” de Unas será tão ou mais eficaz que as suas piadas politicamente incorrectas?

I live again!!!

Realmente estou de volta. O trabalho deste blog está em boas mãos mas hoje li umas coisas que não posso deixar de salientar.

O tio Arnaldo vai deixar o cinema. A vida na California é importante demais para continuar com o cinema. Boa notícia para o cinema, má noticia para os EUA. Antes eles do que nós.

Um filme que iria protagonizar vai ser feito pelo "o Calhau", a prova de que já era para os produtores.

Agora as boas notícias. Para os fans de Star Wars existe a possibilidade de já para o ano se ver a trilogia final da saga em DVD. Uma maneira de aumentar a agitação para a estreia do Episódio 3. Jogada mercenária de George Lucas, o que é perfeitamente normal.

Novamente as más notícias. O Indiana Jones e O Templo PErdido será cortado no Reino unido.
Esperemos que a versão que chegue cá seja feita propositadamente para nós ou temos de nos sujeitar.

E que tal este filme: Ghosts of Girlfriends Past
que é o Actor Principal???? Ben Affleck!!! Promete.

terça-feira, setembro 16, 2003

Incoerências de Portugal

Voltando ao tema dos erros presentes em textos sobre cinema publicados na imprensa portuguesa, refira-se igualmente a incoerência existente na crítica que Paulo Portugal faz ao DVD de “Austin Powers em Membro Dourado” na última edição da “Primeiras Imagens”. No texto, Portugal admite ter dado algumas “gargalhadas alarves” e afirma que “Goldmember está cheio de boas ideias” e bons actores, mas acumula as locuções adversativas (“mesmo que”, “ainda assim”, “apesar de”, “apesar da”) para mostrar que não apreciou muito a comédia “algo estafada” ou a “realização nem sempre conseguida”. Exige uma “profunda reflexão” antes do próximo filme da série. No entanto, a classificação atribuída ao filme no quadro abaixo do texto é de quatro estrelas (correspondente a “muito bom”). É estranho, mas não tanto como a garantia do crítico de que “Salvam-nos os extras muito decentes desta edição” e “os comentários do Meyers valem, só por si, uma revisão deste Membro Dourado”. No quadro, os extras recebem uma única estrela (equivalente a “mau”).
Assim, Portugal parece ser pouco exigente na classificação das longas-metragens (a uma obra de que não gostou por aí além atribui o estatuto de “muito bom”) e impossível de contentar quanto às opções especiais dos DVDs (ou então teve acesso a discos com extras tão maravilhosos que são indignos do género humano e tudo o resto lhe parece distante disso). Na página seguinte, encontra-se uma apreciação da sua autoria a uma edição de “Bowling for Comumbine” (sic) sem extras com as mesmas classificações.
Enfim, errar é humano...

segunda-feira, setembro 15, 2003

O filme da vida dele

Continuando com o tema da cinefilia dos nossos governantes, de acordo com o "Público" de 12 de Setembro último, o filme preferido do ministro da Presidência, Nuno Morais Sarmento, é "O Clube dos Poetas Mortos". Por mim tudo bem, se A Dois exibir ao menos essa obra. Parece que o espaço reservado ao cinema no novo canal público será menor que aquele que existe na "velhinha" RTP2.

Rigor jornalístico III

“Para rir, há a sequela de “Doidos à Solta”, com Jim Carrey, de novo pelas mãos dos irmãos Farrelly.”
Antena 1, 29 de Agosto, 08.02

Leia-se: “Para rir, há a prequela de “Doidos à Solta”, agora sem Jim Carrey e sem intervenção dos irmãos Farrelly.”

“O Presidente de Moçambique, Joaquim Chissano (...) assistirá, no Porto, à anteestreia do filme “Preto e Branco”, de José Carlos Rodrigues.”
“Público”, 3 de Setembro

O jornal admitiu posteriormente o erro e indicou o verdadeiro nome do cineasta, “José Carlos Oliveira”. Mais exactamente, José Carlos de Oliveira.

“A seu (de Luke Skywalker) lado, a princesa Leila e Han Solo (...).”
“Diário de Notícias”, 6 de Setembro

Leia-se: “... a princesa Leia”.

““Caserna dos Calões” (90 minutos). Uma irresistível comédia de caserna, com Steve Martin (...) na figura do sargento do título (...).”
“Diário de Notícias”, 6 de Setembro

Com o título da obra em português, o texto não faz sentido (o nome original da fita é “Sgt. Bilko”).

“O fim da saga da Guerra das Estrelas em que se revela a relação entre Luke Skywalker e Darth Vater. O herói é agora um jedi experimentado cuja primeira missão é libertar o seu companheiro Hans Solo (...).”
“Público”, 14 de Setembro

Leia-se “Darth Vader” e "Han Solo”.

domingo, setembro 14, 2003

Dois meses depois

Uma vez que se assinalaram anteontem dois meses decorridos desde o início da minha colaboração neste blogue, aproveito para agradecer ao Eng. Campos (sem o qual este projecto nunca existiria) a oportunidade que me concedeu de ver publicados textos da minha autoria, devolvendo-me o prazer de escrever e permitindo-me a observação deliciada do meu umbigo. Agradeço também à Dra. Serra e a toda a vasta equipa que trabalha diariamente para tornar este blogue possível.
Peço desculpa se alguma vez ultrapassei os limites do bom gosto (há blogues especializados nisso e não quero intrometer-me no seu campo de acção) ou produzi "posts" desprovidos de interesse e de valor literário nulo. Isso não voltará a acontecer... muitas vezes.
Espero que o Pipoca Rasca continue no bom caminho, atraindo um cada vez maior número de leitores (acredito que, com esforço, um dia chegaremos às 30 visitas diárias) e constituindo um útil instrumento de reflexão sobre a 7ª Arte que chega (por vezes, infelizmente) a Portugal.
Para terminar, agradeço também a colaboração incansável do casal Ben Affleck-Jennifer Lopez, que nos fornece abundante material para os "posts". Com estrelas de cinema assim, dizer mal é ainda mais divertido.

terça-feira, setembro 09, 2003

As aventuras de Leonel

Em meados da década passada surgiu, vindo do nada, um mirandês com vontade de fazer cinema sem sair de Portugal. Como se isto não fosse suficientemente anormal, o raio do homem não sonhava ver a sua obra exibida no King Triplex nem fazia questão dos críticos nacionais e estrangeiros o considerarem um génio. Não, ele pretendia fazer longas-metragens que os seus compatriotas realmente vissem. Filmes recheados de peripécias nos quais o realizador e o argumentista não fossem necessariamente a mesma pessoa, falados em português, fortemente publicitados na televisão e com dezenas de milhares de espectadores. Muita gente terá duvidado da sua sanidade mental.
No entanto, com o caminho aberto por Joaquim Leitão através do sucesso dos seus trabalhos com Joaquim de Almeida (no final de 1999 Leitão sofreu a desilusão de “Inferno” e só agora faz tenção de se lançar num novo projecto), este chanfrado chamado Leonel Vieira passou à acção, realizando “A Sombra dos Abutres”, uma história passada nos tempos negros do Estado Novo que talvez nunca tivesse chegado às salas se a seguir Vieira não mergulhasse no presente e revelasse ao país imagens únicas da Zona J de Chelas. E então soube-se que o mirandês podia realmente concretizar o seu plano insano. Vieira tornou-se o cineasta luso mais “mainstream” e foi aceite no exclusivíssimo clube dos realizadores não-americanos com a honra de ver os seus filmes projectados nas salas da Warner-Lusomundo. Com que resultados?
Bem, se exceptuarmos os seus trabalhos para televisão, até agora Vieira obteve dois êxitos, “Zona J” e “A Selva” (embora este não tenha sido a sensação que os seus responsáveis esperavam) e dois relativos fracassos, “A Sombra dos Abutres” e “A Bomba”. Recordo agora as longas-metragens rodadas por esta autêntica aberração do nosso cinema:

“A Sombra dos Abutres”: Não me recordo muito bem da história, mas sei que não gostei por aí além. Vieira provou aqui que, por incrível que pareça, não basta ter Vítor Norte e Diogo Infante no mesmo elenco para fazer um bom filme. Uma das primeiras obras portuguesas a ser lançada em DVD.
Do que me lembro: Um rádio anuncia a morte de Marilyn Monroe.

“Zona J”: Exemplar de “realismo urbano” com diálogos recheados de palavrões (sem parecerem excessivos) e um “casting” geralmente eficaz. Uma história interessante que acaba por se tornar algo simplista e limitada. Até agora, a melhor obra de Vieira.
Do que me lembro: Numa cena “romântica”, José Pedro Gomes pergunta a Ana Bustorff: “Tens mais pistáchios?”

“Mustang”: O quarto dos SICFilmes e o primeiro a poder ser agrupado na categoria “bosta”. Uma mistura de drama e “thriller” sem nada de criativo ou convincente.
Do que me lembro: No Verão de 1999, um grupo de jovens tenta decidir que filme irão ver: “O Mundo a seus Pés”? “Matrix”?

“A Bomba”: Não vi esta comédia, mas recebeu críticas péssimas e não me parece que tenha atraído multidões às salas. A principal acusação que lhe fizeram foi a de, ao tentar parodiar os “reality-shows”, não passar do nível de “Os Malucos do Riso”.
Do que me lembro: No “trailer”, Artur Albarran apresenta o telejornal.

“A Selva”: Grande aposta de Vieira e do produtor Paulo Trancoso, surpreende de início pela montagem frenética e pela beleza das paisagens amazónicas, mas as relações que se vão estabelecendo entre as personagens e os acontecimentos que daí decorrem parecem forçados. Contém Diogo Morgado num dos seus piores papéis (o que não quer dizer que seja um mau actor).
Do que me lembro: António Melo (que já aparecera em “A Bomba”) é referenciado nos créditos finais como “Tó Melo”. Será o actor-fetiche de Vieira?

O balanço acaba por ser mediano, entre as intenções de Vieira (e as expectativas que gerou com a competência demonstrada nos primeiros dois filmes) e o valor financeiro e cinematográfico das suas obras. Parece-me que “o” filme deste realizador ainda está para vir. Basta juntar a sua perícia na descrição de ambientes (os prédios suburbanos de “Zona J” e “Mustang”, o rio Amazonas de “A Selva”) e o seu gosto pela acção a uma boa história e a actores bem dirigidos para o mirandês receber os aplausos entusiásticos do público lusitano. Oxalá os seus próximos projectos acertem no alvo.

Nuno Ferreira - Quem És Tu?

Bravo! A "Primeiras Imagens" (PI) deste mês (nº9) apresenta um novo e melhorado grafismo, publicidade não-cinematográfica e, sobretudo, um menor tamanho, tornando-se bem mais fácil de manusear. Talvez as vendas aumentem com esta aparência renovada.
Há, no entanto, um mistério que o nº9 não esclarece e já dura talvez desde a fundação da revista. A ficha técnica da página 3 indica Nuno Ferreira como director da publicação e Filipe Lopes como seu sub-director. Certo. Mas não me lembro de alguma vez ler um texto assinado pelo director (ao contrário do que acontece na "Premiere", dirigida por José Vieira Mendes). Ele nem sequer faz parte do painel de críticos. É Lopes quem escreve o editorial, faz entrevistas e constitui a "cara" da PI, sendo convidado para fazer parte do júri de festivais. No meio disso tudo, o que faz o seu superior hierárquico? Não, não responde aos leitores (essa secção é anónima). Não há provas de que se envolva na redacção da PI. Nesse caso, porque não é Lopes simplesmente o director e Ferreira permanece desde sempre no topo da coluna da página 3?
Há várias explicações possíveis:
a) Nuno Ferreira é filho de um importante investidor que quando os fundadores da PI procuravam apoios exigiu que o seu rebento tivesse um "tacho" na redacção. Caso contrário, não haveria revista para ninguém. Ferreira limita-se basicamente a receber a sua parte dos lucros.
b) Filipe Lopes possui dupla personalidade e à noite transforma-se em Nuno Ferreira, dirigindo a revista com essa faceta, enquanto escreve os seus textos (como Lopes) de dia. Ferreira faz numerosas alterações aos escritos de Lopes.
c) Ferreira é um homem tão ocupado com o grafismo, a publicidade e a construção do "site" da PI que não nem tempo para ver nem uma curta, quanto mais escrever sobre cinema. Além disso, prefere assistir à programação da TVI.
d) Ferreira nunca é visto em público e duvida-se da sua real existência. Trata-se de uma espécie de Grande Irmão, criado para obter a veneração e obediência cega dos colaboradores da revista. O culto ao chefe impede-os de pensar em reclamar melhores pagamentos.
e) Ferreira é neto de um emigrante português no Qatar e não sabe quase nada da língua de Camões, por isso não pode redigir artigos para a revista que dirige.
Alguma destas teses deve estar próxima da verdade.

domingo, setembro 07, 2003

Obrigado, ACAPOR!

Encontrei no videoclube um folheto gratuito da autoria da ACAPOR (Associação de Comércio de AudioVisuais de Portugal) informando os consumidores das últimas novidades no mercado de aluguer de vídeo/DVD.
O mais interessante no folheto é a indicação, fornecida quando existem dados disponíveis a esse respeito, dos custos de produção e receitas nas bilheteiras americanas dos filmes publicitados. Trata-se de um acto de enorme sinceridade da ACAPOR, que não promove cada fita como se fosse a melhor de sempre mas apresenta dados que permitem ao cliente formular algumas conclusões, tanto mais que se revelam não só casos como o de "A Diva da Moda" (cujos rendimentos foram superiores ao quádruplo do orçamento) como também fracassos do tipo de "Nas Teias da Corrupção" (custou 24 milhões de dólares e não rendeu nem um milhão).
Um "slogan" presente na brochura ("Vá ao seu videoclube - Veja cinema em família") parece absurdo tendo em conta que uma das obras mencionadas é "Irreversível" (não me parece aconselhável que uma família inteira, incluindo crianças e avós, veja em conjunto o filme de Gaspar Noé). Curiosamente, ao contrário do que acontece com os outros DVDs, o título desta longa-metragem é acompanhado não de uma sinopse mas de um texto retórico ("Porque o tempo destrói tudo... Porque o amor comanda a vida. Porque toda a história descreve-se (sic) com sémen e sangue...") incentivando o seu aluguer. Porque será?

sábado, setembro 06, 2003

Ben e Jennifer triunfam

Consultando a lista dos cem filmes pior classificados pelos frequentadores do Internet Movie Database, podemos ver como o mestre Ed Wood vai perdendo o “amor” do público graças aos novos cineastas que, embora com mais dinheiro à sua disposição, tudo fazem para imitar o grau de falta de qualidade de clássicos como “Glen or Glenda” (posição 66) e “Plan 9 From Outer Space” (posição 77). Filmes dos anos 90 e até mesmo já deste século espalham-se pelas posições superiores. Neste momento, “Gigli” e “From Justin to Kelly” (uma comédia musical passada na praia, ou algo do género), ambos de 2003, disputam a primeira posição, com a mesma média (1,5 em 10), mas possuindo a obra protagonizada por Lopez e Affleck um maior número de votos. Se algo ainda pior não aparecer nos próximos tempos, o casal pode realmente ficar na História do Cinema, embora não pelas melhores razões.

sexta-feira, setembro 05, 2003

Eu não quero ser chato, mas...

A propósito da Série Y do “Público”, lembrei-me de um pormenor insignificante mas bizarro do DVD de “Que Fiz Eu para Merecer Isto?” (uma das comédias mais divertidamente absurdas de Pedro Almodóvar), vendido com uma edição do jornal. Embora o cartaz reproduzido na capa da caixa corresponda ao referido filme, as fotografias da contracapa apresentam imagens que não fazem parte dele. Tendo em conta a presença de freiras, devem ter sido retiradas de “Negros Hábitos”, outra obra do realizador espanhol. Todos os outros elementos da contracapa encontram-se correctos (à excepção da omissão do “Eu” na citação do título da fita). A confusão é ainda maior sabendo-se que a ideia inicial do “Público” era a edição de “A Lei do Desejo”, projecto que se revelou impossível, obrigando à utilização de “Que Fiz Eu...” para representar Almodóvar.
Será a detecção de erros nas caixas de DVDs um novo tipo de “caça” que pode ser efectuado por este “blog”? De acordo com o que a “Premiere” não se cansa de repetir, há muito material para explorar.

Super-heróis velhos e gastos?

Falar dos próximos filmes do Batman e do Super-Homem tornou-se tão vago e fútil como discutir quais serão os candidatos às próximas eleições presidenciais portuguesas. Há anos que as publicações especializadas lançam nomes mais ou menos sonantes de actores e realizadores prontos para fazerem nascer novas versões cinematográficas das duas figuras da DC Comics (que vê a Marvel triunfar nas bilheteiras mundiais com as criaturas de Stan Lee). No entanto, parece acontecer sempre algo que faz esses nomes voltar atrás e abandonar os projectos. A nível dos realizadores, já se falou de Tim Burton, Darren Aronofsky, McG, Brett Ratner, Wolfgang Petersen... Quanto aos actores dispostos a tornarem-se heróis na tela, são inúmeros. A imprensa de Hollywood afirma já ter listas entre as quais será escolhido o homem certo, neste caso para o "Batman" que, ao que parece, Christopher Nolan rodará. Por enquanto, para variar, são só rumores...
Haverá realmente necessidade de prolongar (ou melhor, ressuscitar, pois as últimas obras das duas séries foram produzidas já há bastante tempo) as aventuras em imagem real do Homem-Morcego e do Homem de Aço? Curiosamente, as "carreiras" dos dois possuem vários pontos em comum. Embora o especialista neste assunto seja o Fernando Campos, sei que, se exceptuarmos produções antigas de pequeno orçamento, os dois heróis apareceram em quatro longas-metragens cada um, com uma evolução semelhante: primeiro filme - enorme sucesso de crítica e público; segundo - consolidação do êxito; terceiro - perda de qualidade, descaracterização da personagem e baixa de receitas; quarto - oficialmente nunca existiu, tal foi o ódio que lhe votaram os poucos espectadores que o viram.
Nesta altura, 16 anos depois de "Super-Homem IV" e 6 depois de "Batman e Robin", valerá a pena voltar a pegar nesses tipos e confiar neles para salvar o mundo e atrair multidões aos multiplexes?

quinta-feira, setembro 04, 2003

Numa banca perto de si

De acordo com a publicidade, o jornal diário "24 Horas" lança-se na aventura da venda de DVDs a baixo preço juntamente com os exemplares de um determinado dia da semana. O dia escolhido é a quinta-feira. Uma decisão arrojada, pois é também na quinta que o "Público" põe à venda as obras que constituem a Série Y. Decerto que, a pouco e pouco, os leitores do jornal de Belmiro de Azevedo, sobretudo os de classe alta ou média-alta, se interessarão de forma crescente pela colecção rival e passarão a preferir o "24 Horas", com a sua informação útil e variada.
É interessante, como sinal e contributo para a banalização do DVD, que a imprensa lance este tipo de iniciativas. Mas qual será o catálogo do "24 Horas"? Já conhecemos a lista do "Público", uma espécie de guarda-vestidos onde se encontram peças concebidas pelos melhores costureiros europeus (Almodóvar, Moretti, Jeunet, etc.) e americanos (Lee, Allen, Lynch, Fincher e muitos outros), além de algumas roupas "made in Portugal", modernas ("Tentação", Zona J") ou para saudosistas (comédias portuguesas dos anos 40), dando um toque de classe ao cinéfilo sofisticado, e a do "Diário de Notícias" (agora suspensa), muito desarrumada e com material de todo o tipo misturado, incluindo artigos mais triviais mas nem por isso populares ("O Lago", "Paixões Paralelas"...) e outros mais finos ("Disponível para Amar"), embora nenhum particularmente vistoso.
Como será a colecção "24 Horas"? Provavelmente serão seleccionados filmes com títulos apelativos, cheios de sexo, com pouco diálogo e repletos de estrelas e pseudo-estrelas.

quarta-feira, setembro 03, 2003

Evitar cinema rasca Parte1

Domingo é um dia giro para ir ao cinema. Mas qual cinema?
Os filmes que andam por aí são de qualidade duvidosa.
Sugiro uma boa procura pelo jornal pelos cinema do Grupo Medeia. Se repararmos com atenção estão muitas obras-primas no cinema como dois clássicos de Fellini (Amarcord e A doce Vida) e ainda os melhores filmes da última temporada no cinema Ávila.
As salas podem ter lugares apertados mas os filmes valem o sofrimento.

segunda-feira, setembro 01, 2003

A sequela de que o mundo (não) precisava

Já está filmada a sequela de "Falsas Aparências". A sua estreia nos EUA, prevista ainda para este ano, foi adiada para Abril de 2004.
É provável que quem leu o parágrafo anterior esteja a perguntar: a sequela de quê?
"Falsas Aparências" passou bastante despercebido em Portugal, mas na América do Norte, onde é conhecido pelo título de "The Whole Nine Yards", teve um surpreendente sucesso que justificou uma continuação. De facto, só esse sucesso pode servir de razão para fazer o novo "The Whole Ten Yards".
O filme original trata-se de uma comédia realizada por um tipo qualquer e com actores como Bruce Willis, Matthew Perry, Rosanna Arquette e Amanda Peet (quem quiser ver nua a actriz de "Jack and Jill" tem aqui a sua oportunidade de ouro). É sobre um dentista canadiano bonzinho (Perry, engraçadinho) casado com uma mulher que lhe faz a vida negra e ainda por cima tem um sotaque francês horripilante (Arquette, exagerada) que descobre que o seu novo vizinho (Willis, longe da nomeação para o Óscar mas suficiente: acho que ele resulta melhor na acção que na comédia) é um assassino recém-saído da prisão. Assustado, é no entanto convencido pela esposa a procurar ganhar dinheiro com a sua descoberta, envolvendo-se então numa embrulhada imensa da qual dificilmente sairá com vida. Não parece muito cómico, e a verdade é que o filme raramente faz rir. Ainda por cima combina o tom negro com alguns apontamentos de humor físico que não possuem qualquer graça ou sentido. Uns 75% da história são previsíveis e o final feliz é no mínimo convencional. Mas até lá o espectador resigna-se e vai sofrendo, só para saber o que vai acontecer ao coitado do dentista. Em suma, é um filminho banal que está longe de ofender tanto como "Irreversível" mas que, ao contrário deste, dificilmente persistirá na memória de mais de dez pessoas.
Porquê fazer uma sequela?! A história, da maneira como acabava, parecia esgotada e a verdade é que não compreendo o que raio pode ter o novo projecto para oferecer de diferente. Ainda por cima o argumentista é o mesmo. Para quê desperdiçar dinheiro tentando fazer render ainda mais o peixe? Duvido que alguém fora do público que viu "Falsas Aparências" manifeste algum interesse por "Falsas Aparências 2", "Aparências Mais Falsas", "Outras Falsas Aparências" ou seja lá qual vier a ser o título lusitano.
Vendo bem, não será o único caso de sequela inútil. Será vital para o cinema esse tipo de filmes? Estarão as sequelas condenadas a não ser mais que transcrições a papel químico dos filmes que lhes deram origem?

sábado, agosto 30, 2003

A inesquecível primeira vez

Já que a minha anterior pergunta trivial e supérflua não teve qualquer resposta decente (antipatriotas...), lanço outra proposta: qual foi o primeiro filme que viram num cinema e do que se recordam dessa experiência?
Iniciei-me na frequência de salas de projecção com "Forrest Gump", visionado no Cine Odivel, de que já aqui falei. Tinha uns dez anos. Gostei muito do filme, achei o final comovente (ou seja, ia desatando a chorar). O único problema é que antes disso tive de sair da sala para urinar. Foi lindo.

Confuso...

A propósito dos subtítulos portugueses dos filmes de Soderbergh, encontrei num clube de vídeo a caixa do DVD (para aluguer) de "Ocean's Eleven - Façam as Vossas Apostas". O estranho é que o subtítulo indicado na capa é "Façam as Suas Apostas", enquanto a faixa do Ministério da Cultura colocada na contracapa refere o subtítulo que todos conhecemos. Que se passou? Terá havido uma troca com a edição brasileira? Descobriu-se à última hora que "Suas" é muito mais original e soa melhor que "Vossas"? Nesse caso, a quem se refere o "suas"? A Ocean? Que confusão.
Se a obsessão com os subtítulos em português não fosse tão forte, nada disto aconteceria...

sexta-feira, agosto 29, 2003

Cuidado: político no cinema

Respondendo à minha curiosidade, a "Visão" noticia a ida do primeiro-ministro ao King Triplex, para ver a reposição de "Amarcord". Vês, Sara? O gosto cinematográfico de Durão é mais vasto que tu pensavas (lembro-me de ele dizer numa entrevista, quando ainda estava na oposição, que tinha ido ver "Através da Noite", de Woody Allen).
O King é uma espécie de cinema da moda em Lisboa, atraindo "intelectuais" sérios com a sua programação não comercial. Que aconteceria se Durão fosse a uma sessão quase esgotada no Colombo, com miudos sempre a falar e baldes cheios de pipocas, para ver uma comédia nojenta americana?

"Ninguém"

Que história é essa de o novo filme de Larry Clark, "Ken Park", ser exibido em Portugal como "Ken Park - Quem És Tu?"? Para quê o subtítulo? Ken Park é o nome de uma personagem e portanto não precisa de tradução ou adaptação. Acrescentar um subtítulo parece excesso de imaginação. Ainda por cima já existe um filme (de João Botelho) designado por essa pergunta.
A necessidade irreprimível (de quem? Das distribuidoras?) de acrescentar subtítulos e deixar a "marca portuguesa" nos filmes americanos manifestou-se já com o cinema de Steven Soderbergh. Não me parece que fosse essencial pegar nas "taglines" de "Traffic" ("Nobody gets away clean") e "Ocean's Eleven" ("Place your bets"), transformando-os, respectivamente, em "Traffic - Ninguém Sai Ileso" e "Ocean's Eleven - Façam as Vossas Apostas". Duvido que alguém recorde as longas-metragens por esses subtítulos (por exemplo, "lembras-te do "Ninguém" e do "Façam"? Grandes filmes, pá").
Outros exemplos? "Os Tenembaums - Uma Comédia Genial", "Cody Banks - Agente de Palmo e Meio", "Dave - Presidente por um Dia", "The Truman Show - A Vida em Directo" etc., etc.... Continuem vocês...

quinta-feira, agosto 28, 2003

Rigor jornalístico II

"... e a excelente (transcrição para vídeo de) "Uma questão de Nervos II, Analyze that"".
"Diário de Notícias" (DNA), 16 de Agosto

Fugindo à tradição, a sequela de "Uma Questão de Nervos" recebeu o título de "Outra Questão de Nervos".

""Ao Ataque Raparigas!" (97 minutos). Comédia realizada por Sarah Kernochan e Kirsten Dunst e Gaby Hoffmann."
"Diário de Notícias", 19 de Agosto

Leia-se: "Comédia realizada por Sarah Kernochan e interpretada por..."

"(na foto (Ben Affleck) a contracenar com a noiva, em "Daredevil")"
"Visão", 21 de Agosto

Ben Affleck e Jennifer Lopez contracenam na foto mas não em "Daredevil".

"Antes deste filme ("Troy") Wolfgang Petersen tinha feito "A Tempestade Perfeita"".
"Público", 24 de Agosto

Em Portugal, "The Perfect Storm" chama-se simplesmente "Tempestade".

quarta-feira, agosto 27, 2003

Agente adora o Arnaldo!!!!!!!!

Mandaram-me por mail a página das página. Depois do site para o ministro da informação iraquiano chega a página do Arnaldo e as suas maravilhosas constatações filosóficas. Um mimo!!!!!!!!!

we love arnold.com

Apontamentos soltos

Lido na imprensa:

Já está em DVD "Sete Dias e Uma Vida" (título horrível), ou seja, "Life or Something Like It", a comédia na qual Angelina Jolie usa uma peruca loira. Foi um enorme fracasso nos EUA e todos preferem pensar que a actriz não protagonizou nenhuma obra entre os dois "Tomb Raider".

O "poster" de "Os Polícias do Mundo", ao contrário do que parece à primeira vista, não foi criado pelo Bloco de Esquerda. Foi a própria Miramax a patrocinar a substituição das estrelas por cifrões e a enfrentar a contestação dos sectores mais patrióticos perante esta negação do idealismo profundo dos militares americanos.

"O Resgate do Soldado Ryan" mereceu fortes aplausos de George W. Bush (também apreciador da saga Austin Powers e dos filmes de Chuck Norris, que não só massacra comunas no Vietname como protege dos bandidos o estado outrora governado por Bush). Percebe-se porquê. Além de ser, de facto, um filme muito bom, está cheio de manifestações do heroísmo dos militares americanos e do alto custo da luta contra o mal. Mas é preciso ter em conta que já não estamos em 1944.

(Já agora, não consta que os governantes portugueses organizem visionamentos privados de filmes em Belém ou São Bento, mas seria interessante (ou talvez não) conhecer os seus gostos cinematográficos. Que eu saiba, no Governo só Paulo Portas é um cinéfilo convicto, frequentando assiduamente, quando tinha mais tempo livre, o Quarteto. Terão as longas-metragens por ele vistas influenciado o seu ideário?)

terça-feira, agosto 26, 2003

Um apoio de peso

Graças ao blogue Cruzes Canhoto (ao qual desejo rápidas melhoras), que por vezes parece "O Homem que Mordeu o Cão" da blogosfera, encontrei um link para este texto noticioso (verídico) sobre a candidatura do "Arnaldo" datado de 25 de Agosto e publicado no "site" NCBuy.

FARGO, N.D. (Wireless Flash) -- Arnold Schwarzenegger's run for office has support in high places -- like the great beyond.
According to a spiritualist in Fargo, North Dakota, Jesus Christ himself is personally endorsing "Ahnuld" for governor.

The Reverend Speaker Gerald Polley says he recently channeled a message from Jesus suggesting Californians put the Terminator in office.

Polley says Jesus wants someone with Schwarzenegger's "incredible character to serve Californians" and that the almighty spent hours pouring over the credentials of the other 134 candidates before making his decision.

Polley says Jesus sends messages through him frequently, but this one was especially difficult to channel because, in his words, "I have a hard time saying Arnold's last name. It usually comes out something like Slushinhammer."

domingo, agosto 24, 2003

Portugal, Portugal

Pergunta trivial e supérflua nº2: quais foram o pior e o melhor filme português que já viram?
No meu caso, o pior filme foi "Peixe-Lua", de José Álvaro Morais. Tirando a actriz Beatriz Batarda e um ou dois planos bonitos da paisagem alentejana, não há nada nesse filme que possa ser interessante. Não me perguntem como é a história porque eu não percebi nada de nada...
O melhor filme lusitano que já vi não é uma longa, mas sim uma curta-metragem: "A Suspeita", de José Miguel Ribeiro. Tem de tudo: comédia, "suspense", um "twist"... Animação em "stop-motion" muito criativa e convincente.
Tirando isso e uma ou outra curta com talento e imaginação, até mesmo os "nossos" bons filmes parecem incapazes de ultrapassar um dado patamar de qualidade. Não conheço as obras de "mestres" como Manoel de Oliveira, Paulo Rocha ou João César Monteiro, mas de uma maneira ou outra as "longas" lusitanas que vi tornam-se aborrecidas. A comunicação entre o filme e o espectador não é fácil...

Os filmes de Alex

Felizmente, o êxito de “Gladiador” incentivou os produtores de Hollywood a voltar a apostar na produção de filmes passados na Antiguidade Clássica. E qual é a personagem mais famosa (à excepção de Astérix) e fascinante da Antiguidade? Alexandre, o Grande, o rei macedónico que conquistou todo o vasto Império Persa em poucos anos e procurou assegurar a fusão entre o mundo helénico e o mundo oriental. E, mais importante que isso, teve relações sexuais com homens. Impossível não fazer uma superprodução sobre isto. Assim, os filmes de Baz Luhrman e Oliver Stone, a estrear em meados da década, prestarão, ao que parece, grande atenção às conquistas amorosas (e referirão, uma vez ou outra, as militares) do grande guerreiro.
O projecto de Stone desperta-me maior expectativa, quer pela surpresa de o tema ser tratado por um realizador que se tem revelado mais interessado na história contemporânea quer pelo muito interessante elenco que tem sido reunido (Colin Farrell, Jared Leto, Anthony Hopkins, Angelina Jolie, Rosario Dawson, etc.). Não sei porquê, mas o “Alexandre” protagonizado por Leonardo di Caprio e Nicole Kidman parece-me vir a ser bem mais convencional.
Antes destas novas longas-metragens chegarem às telas, deve surgir “Troy”, a adaptação da “Ilíada” realizada por Wolfgang Petersen, com Brad Pitt como Aquiles. Não há dúvida que a Antiguidade voltou a ter interesse para o cinema americano, mas os resultados desta nova situação podem não ser totalmente positivos: li algures que Vin Diesel será Aníbal...

sexta-feira, agosto 22, 2003

A verdadeira questão de Mel Gibson

O problema quanto a mim não é "The Passion" mas sim depois. Vejamos o filme estreia, não dá dinheiro, o Mel gastou muito dinheiro (é o produtor), onde é que vai recuperar. Possivelemente a fazer grandes Patriotas ou Fomos Soldados, a cuidar o tema que gosta tanto como a religião, o ser-se Americano.... (sendo Australiano)

O Evangelho de Gibson

A estreia de “The Passion” nos EUA está marcada apenas para a próxima Páscoa, mas já se faz sentir uma forte polémica em torno da obra na qual Mel Gibson aborda as últimas doze horas da vida de Jesus Cristo (interpretado por Jim Caviezel). Associações judaicas e até grupos de católicos contestam o conteúdo supostamente anti-semita do filme.
Logo que foi anunciado que Gibson iria rodar uma longa-metragem sobre a morte de Cristo falada em latim e aramaico e que provavelmente não teria quaisquer legendas, não terão sido poucos aqueles que pensaram: “O homem passou-se”. No entanto, profundamente empenhado no projecto, Gibson dirigiu as filmagens de “The Passion” (do qual é também co-argumentista) em Itália (país de origem da maioria dos actores que participam no filme). Depois iniciou a série de declarações fora do comum que avivou a polémica (de acordo com Gibson, ter-se-iam verificado milagres e conversões ao Cristianismo entre a equipa de rodagem, dirigida pelo Espírito Santo através dele), incluindo a afirmação de que os judeus teriam que assumir as suas responsabilidades pelo que fizeram, em resposta às críticas de grupos religiosos que julgam que “The Passion” aponta os Hebreus, de forma simplista, como os “maus da fita”. Lembraram-se então as ideias religiosas radicais do realizador. Perante isto, será possível que a fé de Gibson o tenha levado a cair no exagero e a cobrir-se de ridículo ao tentar fazer uma obra evangelizadora?
Por outro lado, é certo que estamos a falar do vencedor de um Oscar e as reacções ao “trailer” (não legendado) de “The Passion” foram bastante positivas. A força das interpretações e o realismo da realização tornariam supérflua a compreensão plena dos diálogos (além do mais, o texto que inspirou os argumentistas encontra-se acessível a todos). A expectativa, já alimentada pela discussão teológica, cresceu ainda mais. Independentemente das suas tendências ideológicas, é possível que estejamos perante um grande filme e uma nova e impressionante abordagem da mais famosa história de sempre.
Irá “The Passion” levar muitos espectadores a modificar as suas ideias religiosas, seguindo o caminho de Cristo, como pretende o realizador? Duvido. Seja como for, trata-se ou de um drama histórico interessante ou de um total disparate. Veremos... Para já, todo o falatório cria uma publicidade que faz prever boas receitas de bilheteira.

quinta-feira, agosto 21, 2003

Denise, que é feito de ti?

Por falar na (no mínimo) sensual Denise Richards, a carreira dela anda por baixo. Depois de atingir o pico da fama com a participação em "O Mundo não Chega", sofreu o enorme fracasso de "Terror no Dia de S. Valentim" e desde então fez filmes que não deram muito nas vistas e nem sequer estrearam nos nossos cinemas. Já se passaram quatro anos e Richards quase saiu do mapa. A esperança dela pode estar em "Scary Movie 3" (não se assustem, agora é o "profissional" David Zucker que está ao leme do projecto), onde participa, juntamente com o marido, Charlie Sheen. Já agora, recomendo um filme com ela que por acaso é mesmo bom e original, "Linda de Morrer" ("Drop Dead Gorgeous").

quarta-feira, agosto 20, 2003

O pior twist

O filme Wild Things tem os piores twists por metro quadrado. O filme quer ter tanta surpresa que chega mesmo a fartar. Está uma pessoa a sair da sala do cinema quando se percebe o que realmente aconteceu. Twists no genérico final.

Felizmente ainda bem que só fui ver as gajas ( . ) ( . ) = Denise Richards

E filmes bons...

Sinceramente este Verão e uma m***** cinematografica. A altura em que se pode ir mais facilmente ao cinema é bombardeada de filmes desinteressantes, já vistos. Este ano ainda estreiam filmes interessantes, que já apareceram nos USA mas cá foram mandados para o Verão. Por exemplo Mytic Rivers e Finding Nemo. Dois filmes que me garantem no cinema assim que estrearem, já se encontram nos cinemas pelo Mundo mas cá...
Temos sempre uns quatro meses frenéticos e os restantes só com filmes para encher (tipicamente Multiplexers).
Analisando o que ainda vai estrear temos até ao filnal do ano (sabendo que entre Novembro e Fevereiro estreiam os melhores filmes do ano):

Esta semana:

Praticamente todos desconhecidos, mais uma comédia de multiplex e um filme pseudo-intelectual.

BÁSICO
Chihwaseon
What a Girl Wants
Sangre Eterna


Agosto/2003

Possivelmente a melhor semana, com a melhor fornada.
Identity teve algumas criticas muito boas lá fora. Desperta-me interesse.
Holes parece um novo Goonies com o realizador de O Fugitivo e Ken Park
o novo filme do realizador de "Kids"

Dia 29
OS POLÍCIAS DO MUNDO - Buffalo Soldiers
DOIDOS À SOLTA: QUANDO HARRY CONHECEU LLOYD
IDENTIDADE MISTERIOSA - Identity
TRABALHOS FORÇADOS - Holes (N.)
THE LEGEND O TITANIC
KEN PARK (N.)


Setembro/2003

O filme de piratas ganhou muito dinheiro e dizem ser um bom regresso à aventura. 5 estrelas na Empire poderão
fazer-me ver o filme.

Dia 05
CONFIANÇA - Confidence (N.)
É AGORA OU NUNCA - The Good Girl
OS OBSTINADOS - Los Porfiados
PIRATAS DAS CARAÍBAS: A MALDIÇÃO DO PÉROLA NEGRA (N.)
HOTEL
O PÂNTANO
HISTÓRIAS MÍNIMAS
TÃO DE REPENTE



Só cá faltava o American Pie. E descansem para sempre...
Dia 12
ENCONTROS FATÍDICOS - The Gathering
BLUE CAR
AMERICAN PIE, O CASAMENTO


E com isto acabaram-se as férias da malta.

segunda-feira, agosto 18, 2003

Podia ser melhor...

Eu sei que este blog é destinado sobretudo ao desanque puro e simples de longas-metragens, mas critico aqui um filme recentemente estreado que não é totalmente mau, embora possua elementos intragáveis que estragam quase tudo:

Além do caso de numerosas pessoas com a pouca sorte de possuir um número de telefone igual ao que é atribuído a Deus no filme que passaram a receber centenas de chamadas de brincalhões, foram referidas nos jornais as dificuldades que “Bruce, o Todo-Poderoso” teve em ser exibido na Malásia, país onde acabou por ser classificado como para maiores de 18 devido ao seu conteúdo “ofensivo” para a religião. É quase o mesmo que proibir a sua exibição, uma vez que o público pós-adolescente pouco interesse verá nesta comédia de Tom Shadyac. Apesar do sexo, de alguns palavrões e do gesto ofensivo que Carrey realiza, trata-se de um filme com um tom algo infantil. O humor é simples (muitas vezes demasiado simples) e directo, feito a pensar no actor principal. E como ele está à vontade nesse registo! Se este filme chega a divertir, é graças ao trabalho extraordinário de Carrey. Ver Morgan Freeman a representar também é um prazer, como sempre. Quanto a Aniston, não há grande coisa a dizer. Não é nada de especial.
A graça e originalidade da ideia que Shadyac passou para a tela acabam por se perder bastante, tendo em conta a facilidade das piadas e a evolução sem grandes rasgos do enredo. Isto, claro, até à última meia hora. A partir daí... prefiro nem falar nisso. Como é que ninguém se lembrou de cortar as cenas mais sentimentais? Enfim, chega-se ao final feliz, fica toda a gente contente e propaga-se uma moral correcta e agradável. Para melhorar ainda mais as coisas, vemos nos créditos finais algumas fífias de Carrey e Aniston. Que interessante.
“Bruce, o Todo-Poderoso” tem momentos de bom entretenimento, mas não deixa de ser pena que Carrey exiba o seu enorme talento em obras menores.
A melhor cena: Bruce faz imitações em frente ao espelho.
A pior cena: Bruce reza por Grace.

Nota: 5/10.

P.S. Vi os "trailers" de duas comédias fraquinhas, "Daddy Day Care" (com Eddie Murphy) e "What a Girl Wants". A primeira explora o humor sobre crianças traquinas e a segunda o humor sobre a adaptação de uma personagem irreverente a um ambiente formal. Que imaginação.

domingo, agosto 17, 2003

O quê?! Afinal, era tudo...

Já agora, uma pergunta trivial e supérflua: qual é o vosso "twist" preferido visto em cinema (independentemente da qualidade da fita que o possui)? A reviravolta final que me fascinou mais foi a de "Os Suspeitos do Costume". Sendo o melhor do filme (não gosto muito de obras sobre o "mundo do crime"), é incrivelmente simples e plausível e obriga a compreender a história de uma maneira totalmente diferente. E bastaria um único pormenor para que a narrativa não fosse assim... Brilhante.

sábado, agosto 16, 2003

Correcção

Quando fiz a lista dos piores de sempre esqueci-me, sei lá como, dessa magnífica obra de propaganda que é "Amanhecer Violento". Assim, a obra de John Milius ocupa a posição 10, em lugar de "Inferno" (o filme de Joaquim Leitão ao menos tem uma banda sonora porreira).
As minhas sinceras desculpas pela "gaffe".

Os meus piores filmes

Sem ordenação por nível de (falta de) qualidade, aqui estão alguns filmes maus que vi:

1 - “Plan 9 From Outer Space” (1958). Um verdadeiro clássico. Sem nunca deixar de ser ridícula ou aborrecida, a obra-prima de Ed Wood possui pormenores capazes de deliciar qualquer espectador.

2 – “Bride of the Monster” (1956). Comparado com a fita antes referida, parece por momentos uma superprodução. No entanto, as interpretações de Tor Johnson e Bela Lugosi e as cenas finais asseguram o (nulo) valor do filme.

3 – “Peixe-Lua” (2000). Esta obra de José Álvaro Morais é daqueles filmes que dão má fama ao cinema português. Tão chato e confuso que se torna dificílimo vê-lo.

4 – “Ligações Imprevistas” (2000). Comédia (?) dramática com Madonna e Rupert Everett. Sem inspiração no início, quando chega a parte do drama fica mesmo horrível.

5 – “Astérix e Obélix Contra César” (1999). Admita-se que, com muito dinheiro e efeitos especiais, conseguiu-se passar o universo visual de Astérix para o cinema de imagem real. O problema é que o produtor e o realizador esqueceram-se do humor e de uma história coerente, limitando-se a cortar e colar pedaços de diferentes álbuns. Actores como Depardieu e Benigni fazem figuras tristes. A sequela, já com outro cineasta, é muito melhor.

6 – “Desaparecido em Combate” (1984). Chuck Norris em toda a sua glória, liquidando centenas de vietnamitas maus como as cobras e salvando a honra dos EUA. Para além do argumento maniqueísta, o filme conta com acção enfadonha e previsível. Não incluo nesta lista uma das duas sequelas, “Desaparecido em Combate 3”, porque só vi metade desse filme. Mas garanto-vos: o primeiro ao menos tinha por vezes alguma noção do ridículo, enquanto o terceiro é simplesmente hilariante.

7 – “Um Azarado com Sorte” (2000). Apenas no circuito vídeo em Portugal, este filme de Amy Heckerling consegue a proeza de desperdiçar actores como Greg Kinnear e Mena Suvari. Sem imaginação, sem piada, sem nada que valha a pena, este filme é mais falhado que o seu personagem principal (interpretado por Jason Biggs).

8 – “Legalmente Loura” (2001). O que Reese Witherspoon tem de fazer para ganhar dinheiro...

9 – “O Clube das Divorciadas” (1996). Serei o único que acha que esta comédia feminista não tem piada e está repleta de clichés e cenas cretinas?

10 – “Inferno” (1999). Tentativa falhada de Tino Navarro e Joaquim Leitão de fazer o primeiro filme de acção português, pegando nos traumas da guerra colonial. Os actores estão muito exagerados e o enredo não tem interesse. Só tem valor a banda sonora (grandes Xutos e Pontapés).

Foram estes de que me lembrei, pondo de parte alguns telefilmes nacionais que por aí aparecem. Apesar de tudo, acredito que o número de filmes bons supera o de filmes maus: é preciso apenas saber procurá-los.

sexta-feira, agosto 15, 2003

Rigor jornalístico

"(Em "A Residência Espanhola") Barcelona é o palco onde William decide cumprir o seu último ano académico, a reboque do programa Erasmus.”
“Público” (Edição Centro), 6-8-03

O personagem principal do filme chama-se Xavier.


“ “Amarcord”, o novo filme de Federico Fellini...”
Antena 1, 6-8-03, 17.55

“Amarcord” estreou em 1973 e depois disso Fellini rodou outras películas.


“ “Astérix (e Obélix: Missão Cleópatra)” (...) R.: Gérard Judnot; I.: Gérard Depardieu, Cristian Clavier(…).”
“Maria”, 6-8-03

O verdadeiro realizador é Alain Chabat.


“Os dois grandes “blockbusters” deste Verão – “Terminator 3” e “Hulk – A ascensão das máquinas” (...).”
“Visão”, 7-8-03

Leia-se: “Os dois grandes “blockbusters” deste Verão – “Exterminador Implacável 3 – Ascensão das Máquinas” e “Hulk” ”. Para o Fernando Campos, misturar os títulos destas duas fitas tão diferentes deve ser um sacrilégio.


“ “Sinais” (ed. Lusomundo), o terceiro filme de M. Night Shyamalan (...).”
“Diário de Notícias” (DN Mais), 9-8-03

Antes de alcançar a fama com “O Sexto Sentido”, Shyamalan já tinha realizado duas longas-metragens.


“Gwyneth Paltrow é a protagonista do filme “Voando alto”, inserido no género de comédia.”
“Jornal de Notícias”, 10-8-03

O título português de “A View From the Top” é “Altos Voos”.




quarta-feira, agosto 13, 2003

Imaginação... Onde páras!!!!!!!!!

Ontem vi num site de cinema que vai estrear o filme Freddy vs Jason. Este filme pretende mostrar um combate entre o mau do pesadelo em Elm Street e o mauzão do Sexta-Feira 13. Prevejo algo diferente nos estúdios americanos: a reciclagem de personagens e colocá-las frente a frente. Mal posso esperar para ver títulos como:

Rambo Vs Commando
Indiana Jones Vs Lara Croft
Alien Vs Predator (este está a ser produzido)
Walker - Texas Ranger Vs JR Ewing

e outros tantos.
Realmente a falta de imaginação contamina...

sexta-feira, agosto 08, 2003

I'll be back!

Depois de se ter tornado oficial a candidatura do Arnaldo à Califórnia começo a entende a realidade que Michael Moore pretende mostrar sobre os USA. Um tipo que passa a vida a fazer filmes de entretenimento em que o seu valor como actor é proporcional`ao arsenal disponivel.

Podemos fazer tudo o que sonhamos, se formos americanos. Podemos fazer filmes aos 56 anos, de qualidade duvidosa durante toda a vida, podemos arranjar massa muscular durante muitos anos à custa de muitas drogas que aos 50 e poucos nos rebentam com o coração e nos fazem abrandar. Se depois disto ainda andarem por aí, cão à Junta de Freguesia mais próxima e candidatem se. Vitória garantida.

quinta-feira, agosto 07, 2003

Pipocas...

Sinceramente não percebo a necessidade de comer pipocas durante a visão de um filme.
Quando fui ver o Terminator 3 senti que estava no restaurante errado até que apareceu o nome do Arnaldo. E o pessoal vai armado com as pipocas grandes e o copo de refrigerante gigante para molhar o bico enquanto se masca o milho infernal.

Qual a necessidade de misturar a Fast-Food com o cinema?
Qual a necessidade de colocar o Mc Donalds dentro de uma sala escura?

Se calhar valia mais ir para um Drive-In em que o pessoal podia comer a sua fast-food dentro do carro e não chateava quem lhe apetecesse ver o filme.

E pior que isto é um bando de putos que nascem das paredes, a invadir a sala, quando o filme já tinha começado e começarem a tentar perceber onde iriam enfiar os copos e onde iriam começar o bascal.

Sinceramente já vi mortos por menos...

quarta-feira, agosto 06, 2003

Os meus piores filmes

1 - Irreversivel - Alguém tem Gurosan?

2 - Daredevil - É um dos piores filmes que já vi e ao mesmo tempo consegue ser a pior adaptação de BD com o pior actor da actualidade. O heroi mais incorrecto transforma-se num ceguinho coitadinho.

3 - Armaggedon - massacre audio-visual. Tem o pior actor da actualidade e é de cortar os pulsos. Michael Bay ainda voltou a fazer estragos em Pearl Habour que não tive coragem para ver.

4 - Velocidade Furiosa - Cópia chapada de Ruptura Explosiva. Desta vez colocam marginais dos USA com carro e aí está o grande sucesso de 2001. Que porcaria.

5 - Con Air - Realmente mau. É o pior filme tipo Die Hard que me lembro.

6 - Trilogia Scream e todos os filmes de Kevin Williamson - Muito mau. Parece que adaptaram ao cinema o Scooby-Doo. Gajas, facas e no final arranja-se um mau a pontapé sem qualquer tipo de lógica. Suspense?? Onde?

7 - Parque Jurássico 3 - depois de dois filmes do mago este é um série B sem história para americano ver.

8- Rambo 3 - irónico passar no dia 11 de Setembro de 2001 na Sic. Coincidências...

9 - Ace Ventura 2 - no humor mais nojento de sempre.

10 - Dias de Tempestade e Top Gun - apresenta-se Tom, o macho!

segunda-feira, agosto 04, 2003

O piores da Sara Serra

1. Irreversível (para quem quiser pagar para ter naúseas)

2. "Dark City" (cenários pós apocalípticos não fazem muito o meu género). Achava que era o pior de sempre até conhecer o irreversível.

3. Fast and the furious (é o chamado mau que até é bom, porque sempre nos podemos rir do mau que é. Se se vir à borla ou com 5 euros achados na rua, claro, senão não dá tanta vontade de rir...)

4. Daredevil ( não gosto muito de adaptações de BD, mas se a isso juntarmos um mau protagonista e um argumento tipo "coitadinho-do-ceguinho", é do piorio.

5. Pearl Harbour (a recordação de momentos como os soldados a darem sangue para dentro de garrfas de Coca Cola e uma sequência pós-ataque que parecia um catálogo de efeitos de realização (câmara ao ombro, seguida de câmara desfocada, seguida de slow motion, seguida de planos mais clássicos) ainda me traz lágrimas aos olhos....de tanto rir.)

6. Qualquer filme com a Madonna

7. 8 e 9. Uma amálgama de comédias adolescentes tipo American Pie e filmes de terror adolescentes tipo scream e mitos urbanos, em que o assassino se descobre por exclusão de partes: é a única personagem viva no final, à excepção da bonita e frágil rapariga que fica para as sequelas).
Resumindo: tudo o que foi criado especificamente para o público adolescente deixa uma memória como o estado do balde das pipocas dos espectadores no fim do filme: vazio.

10. E "last but not the least", "Plan 9 from outer space" e outros do Ed Wood". O melhor dos piores, enquadra-se na categoria dos genialmente maus. Os únicos desta lista pelos quais vale a pena pagar um bilhete!

domingo, agosto 03, 2003

Os piores filmes da nossa vida!

Sei que todos os anos escolhemos os melhores filmes que vimos. Sei que frequentemente escolhemos ou pensamos nos melhores filmes que já vimos.
Mas fico sempre com a questão: Será isso um reflexo de todos os filmes que já vimos, bons ou maus?

Desafio que mpassar por este blog a comentar este post e colocar os 10 piores filmes da sua vida.

Eu vou colocando posts com esses filmes e o respectivo autor para que se dê o destaque merecido.
Assim podem-se comentar sempre as escolhas que o pessoal fizer!

Já estou a pensar nos que vou colocar... é complicado!!! HE! HE! HE!

De regresso da 69ª Arte...

Depois de uma tarde interessante no cinema, sento-me agora para descrever toda uma nova aventura.(com um balde de gelo entre as pernas).
Sinceramente a pornografia dá muito trabalho. Eu sou um adepto de chegar ao cinema a hora e neste filme op tipo que chega a horas tem de ficar à espera do melhor.

Os filmes tradicionais superam qualquer filme em que o Chico e a Chica se conhecem e temos logo história. Perto disto o último Terminator é uma obra-prima. Sem ofender é claro. A minha maior fascinação são os planos Manuel de Oliveira. Um filme deste consegue estar 30m sempre a mostrar a mesma coisa. Não entendo...

Pensei por alguns sendo abandonar a Sétima Arte mas que se lixe.



sábado, agosto 02, 2003

Mudança de rumo neste Blog!!!

Depois de muitas tentativas pela via da cultura, cinema e outras artes, a "direcção" deste blog pretende torná-lo num blog de discussão de filmes pornográficos. Existe em Portugal uma grande falha neste campo e portanto este blog pretende dar realce a todos os filmes que deixam muita gente 'pra cima'.

Muitos chamar-me-ão Porco e outros génio e eu chamo-me Fernando e como pela cultura não sou aceite vou fazê-lo como os outros o conseguem, pela via da badalhoquice.

Amigos é orgulhosamente que vos digo que a pornografia começará a ser um tema de debate e iremos falar dos maiores blockbusters do meio. Para começar vou partir para uma sessão no Cine Paraíso para críticar o novo filme em exibição "Rua da Vergonha" que conta a história de um casal do interior que vai morar para uma rua em que o Swing é o prato do dia.

A Direcção,

Fernando Campos

Nota: quando o filme acabar ou seja quando começar a ver partes repetidas (sessões contínuas são assim) saio e começarei a escrever a crítica a este filme que levou ao rubro quem o viu.

O Divx

Sinceramente são cada vez mais os filmes que se veem primeiro em casa num formato estúpido, mal gravado e com mau som. Os filmes são relativamente fáceis de obter (download na Internet) e permitem o pessoal dizer que vi este filme primeiro do que tu.
Sinceramente estes formatos são uma porcaria e não há nada como o cinema mesmo que o filme seja mau, é mau com estilo.

Os filmes são obtidos na internet e muitas vezes são destinados ao mercado negro em formatos de divx e mesmo em dvd. Eu posso ser um tipo simples e não sou rico mas acho que o dvd é insubstituivel. Não podem comprar, aluguem!
Honestamente com esta moda está a colocar-se em causa o local e o formato que viram para potencializar a 7 Arte.

sexta-feira, agosto 01, 2003

Sessões e pipocas II

“Infiltro-me” nos posts para continuar a crítica do Pedro às salas de Lisboa, porque acho que a sala em que se vê um filme influencia muito a memória que fica dele:



O São Jorge, com melhor sala de Lisboa, a principal, e uma varanda/esplanada muito agradável com vista sobre a Avenida da Liberdade. Infelizmente, as salas mais pequenas não têm tanta qualidade. Devia ser mais acarinhado pelos lisboetas, mas infelizmente não fornece a combinação compras-jantar de fast food-quilos de pipocas (o S. Jorge já as teve em tempos, mas felizmente aboliu-as), que um multiplex oferece. É como o Mundial, com salas maiores, e intervalos. Procura combinar filmes americanos com outros mais alternativos, como a Cidade de Deus ou a Viagem de Chiiro. Como todos os cinemas antigos e de poucas salas, fica prejudicado pela falta de diversidade filmes exibidos em simultâneo.

O Vasco da Gama, cópia exacta do Colombo.

O Quarteto, com salas pequenas e a precisar de renovação, no entanto mantém por vezes alguns filmes que escapam aos multiplex.

O King, o paraíso para os que gostam de cinema menos mainstream, explorado pela Medeia, o que leva a salas semelhantes às do Monumental.

O Antigo Cinema Roma, com uma sala comparável em qualidade e dimensão só à sala principal do S. Jorge. Infelizmente hoje em dia só acolhe eventos especiais, como anteestreias, documentários, etc. Mas vale a pena ir lá nem que seja para conhecer.

O Londres, passa quase exclusivamente cinema mais comercial (se não exclusivamente). Tem possivelmente as cadeiras mais confortáveis, talvez até demais (facilita sestas em filmes mais aborrecidos).

E finalmente, o Àvila, sala pequena no centro de Lisboa. Não percam agora no Verão a reposição (a 2 euros!!!!) dos filmes que marcaram o Inverno!

O que prejudica estes cinemas mais pequenos não é a localização, no centro de Lisboa, ideal para ir ao cinema depois do trabalho ou ao fim de semana, quando Lisboa está entregue aos turistas, mas, como já referi, a fraca diversidade, como não poderia deixar de ser dada a reduzida dimensão. Isto afasta o tipo de espectadores chegamos-lá-e-depois-logo-decidimos. Também a ausência ou reduzida qualidade de serviços de apoio (não necessariamente pipocas, por incrível que pareça há quem goste de beber um café e ler um jornal no intervalo....). Espero que o público lisboeta não deixe estas salas morrer.

Sara Serra

PS: Espero por comentários que completem isto com as Twin Towers, o Almada Forum ou outros que eu não conheça. (Nunca tinha pensado que conhecia tantos....)