domingo, novembro 30, 2003

Eles existem?

A propósito da exibição pela SIC (o canal oficial português de James Bond e “Star Wars”) de mais alguns filmes do agente 007, incluindo “Só se Vive Duas Vezes” (7/10), diga-se que só o desejo de divertimento pode explicar o sonho de cineastas de culto como Steven Spielberg e Quentin Tarantino em realizar um capítulo da série. Manter protagonismo ou dar um cunho pessoal à saga não devem ser os objectivos, devido às características das aventuras da personagem mais famosa da 7ª Arte.
Na verdade, quando estreia um novo filme de 007, todos falam do actor principal, das “Bond girls”, das cenas “impossíveis”, dos vilões megalómanos, das engenhocas, dos efeitos visuais, do contexto geopolítico, do “product placement”, dos locais das filmagens... de tudo menos do realizador, cujo nome não gera normalmente mais que um “ah, sim?”. Não só o formato não permite grandes experimentalismos técnicos como são escolhidos cineastas sem demasiado peso comercial (provavelmente de modo a serem mais facilmente controlados pelos produtores) para dirigir a sucessão de sexo, tiros e explosões. O facto dos realizadores recentemente mudarem de episódio para episódio torna-os ainda mais facilmente olvidáveis que as actrizes que contracenam com o protagonista (à excepção de Halle Berry, claro).
Duvido que algum espectador pense ao ver um Bond: “isto é mesmo Apted”, “o Campbell filma cada vez melhor”, “esta foi a fase mais interessante do Gilbert” ou “como é que se chama aquele que o génio do Spotiswoode realizou?” Enfim, apesar de tudo um Bond acaba por ser a coisa mais vistosa feita por esses cineastas médios, por isso há sempre gente interessada em pegar no projecto.

sábado, novembro 29, 2003

O Admirador e os Admiradores

Desde já quero mandar cumprimentos ao nosso 'admirador' José pelos seus comentários que me têm feito dar umas boas gargalhadas. Realmente quando deixei o espaço para comentários queria interactividade com o pessoal leitor. E leitores bem dispostos são bem vindos.

Quero agradecer ao Tiago Pimentel pelo post que deixou no seu blog que li com muito agrado e que me fez perceber o seu ponto de vista. Ainda queria dar uma palavra de incentivo ao pessoal do site Cinema 2000 que tem andado um pouco parado. Suponho que o tempo seja pouco para as actualizações mas se por outro lado estiverem a pensar que elas são desnecessárias enganem-se pois eu e um grupo de pessoas somos fieis cibernautas leitores. O vosso espaço conquistou a nossa atenção e aguardamos que tudo volte ao normal. Se por outro lado necessitarem de apoio para a dinâmica do site podem contar comigo para o que necessitarem e que esteja dentro do meu alcance.

sexta-feira, novembro 28, 2003

222: zero em qualidade?

Espero que o "adeus" da Zero em Comportamento seja na verdade um "até já". Decerto que a Câmara Municipal de Lisboa (ou outra entidade qualquer) disponibilizará em breve um espaço onde a Zero possa viver com dignidade.
Para quem não sabe, a Zero é uma espécie de cineclube lisboeta que se dedicou nos últimos anos à exibição não só de reposições como de filmes inéditos em Portugal organizados em ciclos inovadores. Curtas-metragens nacionais e estrangeiras e longas de origens variadas (incluindo países escandinavos) puderam assim ser vistas (a preços reduzidos), muitas vezes em primeira mão, pelos cinéfilos da capital. Apesar de enormes dificuldades, a Zero fidelizou um público e obteve vários sucessos de bilheteira dignos de registo (o ciclo Ed Wood e a ante-estreia de "Cidade de Deus", por exemplo). A comunicação social prestou-lhe uma certa atenção e, como afirma a declaração de despedida, gerou-se uma corrente de amor (a que nos juntámos) em torno do projecto.
O problema é que alguns espectadores queixaram-se das más condições das cadeiras e de toda a sala alugada pela associação no Cine-Estúdio 222 (um centro comercial de fraquíssima qualidade situado no Saldanha), marcada pela exiguidade, humildade e mau cheiro. As condições do espaço irritavam o cinéfilo mais paciente (ou com maior capacidade de concentração nos filmes). Fartos de reclamações (os donos do 222 não realizaram até hoje quaisquer obras e o projecto de gestão do São Jorge apresentado à CML não teve seguimento), os dinamizadores da Zero resolveram fechar a loja.
Não para sempre, é claro. Lisboa não ficará sem cinema alternativo que escape ao controlo das grandes distribuidoras. As obras dos melhores cineastas não permanecerão "presas" na televisão. A qualidade cultural vencerá. Acho eu...

terça-feira, novembro 25, 2003

Trilogias caras

As trilogias estão na moda. Curiosamente, nunca me tornei verdadeiramente fã de nenhuma, pelo menos ao nível do culto quase religioso que alguns cinéfilos praticam. Não nego, é claro, os momentos excelentes de cinema que séries como (os episódios IV-VI de) "Star Wars", "Indiana Jones", "O Senhor dos Anéis" (partindo do princípio que "O Regresso do Rei" voltará a deixar-nos boquiabertos) ou mesmo "Matrix" apresentam e perpetuam. Mas é difícil ter o mesmo entusiasmo de quem compra logo que pode os DVDs com a trilogia que adora mais.
Esta notícia faz-me sentir feliz por isso. Os preços do mercado português são, de facto, justos...

segunda-feira, novembro 24, 2003

Beba Sagres

Ao contrário do que acontece na ficção televisiva nacional, é rara a presença de "product placement" no cinema português (exceptuando as antigas e já esquecidas produções da SICFilmes). Não podemos saber que marcas é que, no intervalo das suas aventuras ou dramas existenciais, os personagens comem, bebem, fumam ou conduzem (diga-se que em princípio, não tenho nada contra a publicidade nos filmes, embora seja por vezes insultuoso que determinados planos ou cenas sirvam apenas para esse fim). Que fizemos para merecer isto? Como é possível?
Para começar, alguns cineastas do género José Álvaro Morais produzem fitas demasiado "artísticas" e independentes para aceitar apelos básicos ao consumo que possam conceder um aspecto sórdido de realismo às criaturas dos enredos. Além disso, os anunciantes sabem que o público a que chegariam com esse tipo de publicidade seria reduzido e constituído por gente muito esquisita (espectadores do cinema lusitano) afastada do padrão do consumidor comum.
Neste cenário, "Os Imortais", de António-Pedro Vasconcelos, representa sem dúvida um passo em frente na comercialização das longas-metragens lusas. Afinal, a breve referência à cerveja Sagres (consumida pelo personagem de Nicolau Breyner) e a presença de outras bebidas verdadeiras como "JB" indicam o início do investimento nesse sentido. O eventual (não tenho dados) sucesso da fita servirá decerto de incentivo a esse esforço patriótico. O nosso cinema jamais se aproximará do prestígio das produções americanas se os argumentos não previrem de antemão numerosas cenas com publicidade regiamente paga.

P.S. Não recebi (por enquanto) nenhum pagamento da Sagres por ter escrito isto. Juro.

domingo, novembro 23, 2003

Regresso ao Cruel Mundo dos Homens

Li a crítica do Tiago Pimentel sobre o filme "Mystic River" e poderei dizer que não estou de acordo com aquilo que ele diz ser a temática do filme: a Morte. Não acho que esse seja a principal marca e obcessão de Clint EastWood.
Possivelmente nos últimos filmes sejam a "Morte" e a "Velhice" os temas principais mas aquilo que me parecer ser a sua imagem de marca são "Histórias sobre o Cruel Mundo dos Homens".
Muitas vezes Homens com a conotação de espécie Humana e outras com a conotação Machista da palavra. Vejam por exemplo o "Mundo Perfeito" em que os causadores de todos os problemas são homens. O bandido é mau pois teve problemas na adolescência com o pai, o rapaz quer fugir por não ter pai e a personagem de Laura Dern personifica o contraste com a visão feminina desse Mundo machista em que os Rangers e a personagem de Clint se move na caça ao homem. Posteriormente essa visão do Mundo continuou no filme "Imperdoável" e em todos os seus filmes de forma mais ou menos evidente (Space Cowboy é aquele que ligeiramente goza com todos os clichés sobre os durões da corrida ao espaço vista no cinema sempre de uma forma manifestamente machista).
Agora em "Mystic River" volta a ser evidente essa marca de Clint Eastwood.
Aquilo que o ser Humano pode fazer em muitas vertentes. Desde a pedófia, à perda da amizade, à desconfiança e traição e a grande diferença é que nesta história as mulheres ganham a mesma dimensão que os homens e Clint Eastwood realça bastante isso quer durante o filme quer no final com um sucessivo jogo de olhares (também presente no livro).
Eu desde que vi o "Mundo Perfeito" sou um fervoroso fã dos filmes de Eastwood e conheço todos desde 92 e posso sem qualquer dúvida dizer que este é o tal momento alto que gostaria de voltar a sentir.
Gostava ainda de salientar que quer em "Um Mundo Perfeito" e "Mystic River" estamos na presença de estranhas personagem crucificadas pelo seu semelhante. No primeiro a personagem de Kevin Costner e no segundo caso Dave que bem no fundo é a constante vitima do Mundo dos Homens (traído até pela sua mulher).

Sem qualquer dúvida o melhor filme do ano e ficará para muito meditar.

***** (0-5)

BD em imagem real

Não é propriamente novidade, mas vem aí (em Junho de 2004, e não em Dezembro deste ano como foi anunciado de início) a adaptação da série de BD "Garfield" para o cinema de imagem real. O gato criado por Jim Davis em 1978 e as outras personagens "não-humanas" serão introduzidos digitalmente de modo a contracenarem com os actores, à imagem do que aconteceu em "Scooby-Doo". Peter Hewitt realiza, Bill Murray (boa escolha) faz a voz do protagonista (Lorenzo Music, que desempenhava essa função na televisão, já faleceu), enquanto Breckin Meyer (uma estrela qualquer do cinema adolescente) encarna Jon Arbuckle e Jennifer Love Hewitt a paixão deste.
Numa época marcada por uma série ininterrupta de transposições das histórias de super-heróis para as telas das salas escuras, é curioso que se pegue numa personagem dos tradicionais "comics" diários humorísticos (por acaso, quanto a Garfield, gosto mais da série televisiva de animação que das tiras propriamente ditas). Irá resultar? Talvez não. O universo de Garfield é tão simples que no cinema pode tornar-se demasiado óbvio e "cartoonesco".
É pena que a melhor série de BD humorística vinda dos EUA nos últimos anos ("Calvin e Hobbes") seja aquela que menos hipóteses tem de ser alvo de uma adaptação para a televisão ou o cinema (o autor nunca o permitiria...).

quinta-feira, novembro 20, 2003

Ladra mas morde

Fui ver no passado fim de semana (com uma belissíma companhia) o filme que venceu o festival de Cannes.
Nunca tinha visto antes tanta conformidade no meio dos críticos de cinema sobre a pontuação a dar a este filme (5 estrelas desde o Público ao Expresso).
Realmente não poderei fugir a isso mesmo. O filme é um portento. É simples como poucos, pequeno como muitos mas incisivo à sua maneira. A realização é soberba, realmente o realizador dá-se melhor na sua veia independente do que na mais comercial mas a montagem é milimétrica. Nada está fora do sítio e o filme faz um sentido esmagador.
A história todos sabem, trata-se num filme onde nos é relatado um massacre semelhante ao de Columbine. Neste caso o que interessa não é o porquê mas sim o envolvimento social e emocional que está envolvido numa tragédia deste tipo nos momentos que o antecedem e durante a sua consomação. A força do filme é sem qualquer dúvida o facto de não entrar em demagogias e explicações pretenciosas dando-nos uma lição de poesia trágica.

O melhor filme estreado desde o final do Verão sem qualquer dúvida

5 em 5 estrelas

Há muito, muito tempo

Comprei numa feira do livro “Vídeo 93” (Projornal/Difusão Cultural, 1993), coordenado pelo jornalista Pedro Garcia Rosado. Porquê? Bem, trata-se de um catálogo de todos (ou quase todos) os filmes disponíveis em cassete no território português em Novembro de 1992. 7000 títulos indicados com os dados essenciais, uma pequena sinopse e, muitas vezes, uma classificação (de 1 a 5) e um comentário crítico de Rosado (autor de, entre outros livros, “Steven Spielberg” e “Quem é Quem no Cinema e Vídeo”, além dos “Vídeos” entre 89 e 92). As obras encontram-se agrupadas por géneros, desde o infantil-juvenil ao erótico e pornográfico. Assim, títulos como “O Dia dos Namorados com Snoopy” (duas estrelas) coexistem com outros como “O Mistério dos Traseiros” (duas estrelas) ou “Penetrações Anais III” (três estrelas, o filme da série melhor classificado). A grande virtude do livro é fazer referência a centenas de “pérolas” desconhecidas dos anos 70 e 80 que o triunfo do DVD fará desaparecer para sempre.
Seria difícil que hoje alguém se aventurasse num projecto chamado “DVD 03”, uma vez que a obrigatória análise dos extras levaria a que se necessitasse de muito mais tempo. Sem poder ser actualizada, a obra de Rosado serve no entanto para relembrar os tempos em que Joaquim Leitão era “um jovem saído da Escola de Cinema”.

terça-feira, novembro 18, 2003

A forma do blogue

Mais um otário, quero dizer, mais um bloguista com bom gosto resolveu incluir-nos na sua lista de "links". Podem encontrar-nos algures no "site" A Forma do Jazz a Vir, de Nuno Catarino.
Imprimindo ao espaço um tom pessoal e descrevendo o seu dia-a-dia, marcado por cortes de cabelo, idas à Fnac, expedições fracassadas à Cinemateca, leituras de Lobo Antunes, surpresas positivas (como ocorreu com "Crueldade Intolerável") ou negativas (no caso de "Kill Bill"), etc., Catarino dedica numerosas linhas à análise da música por ele ouvida (afinal, falamos do "Professor Marcelo dos discos"). Sem se levar muito a sério, cria um blogue interessante e divertido de seguir (que eu só descobri agora, confesso).
Fãs de Vincent Gallo e José Cid, venham todos à Forma do Jazz!

domingo, novembro 16, 2003

Unas e muito mais

Para começar, é importante destacar que "Os Imortais" demonstra um esforço meritório de atrair o público nacional, dispensando histórias demasiado lentas e complexas, criando personagens e apostando no contacto com a realidade, blá, blá... Isto já se tornou um lugar-comum.
Embora principiando com a narração de Rui Unas (nada no seu trabalho o identifica como um "novato" ou uma estrela da televisão, está tão bem como os actores mais habituados ao cinema), a obra de António-Pedro Vasconcelos concentra-se sobretudo na perspectiva do inspector Malarranha (Nicolau Breyner magnífico, melhor no drama que na comédia), que toma conhecimento de toda a história dos Imortais através de vários "flashbacks". Quanto à guerra colonial e às suas memórias, a abordagem é muito diferente, como é óbvio, da comédia que é "Preto e Branco", mas eficaz na sua brevidade (brevidade essa que não caracteriza todo o filme, que se torna demasiado longo).
O elenco é de alto calibre, excepto Emmanuelle Seigner, que serve sobretudo para introduzir a língua francesa ("Os Imortais" é co-produzido pelo Luxemburgo) e cenas de sexo. Mas neste caso a gaja não estraga tudo. É certo que não é um grande filme, mas, como já alguém disse, tem princípio, meio e fim.
Não deixa de ser curioso observar o 1985 recriado por Vasconcelos (com a campanha de Cavaco Silva, cartazes do PRD, Carlos Fino a apresentar o telejornal e toda a gente a pagar em notas de escudo) e pormenores como o "cameo" do realizador (é um pianista) e a enorme quantidade de álcool e tabaco utilizados na rodagem da fita.
A melhor cena: É revelado o destino de Abel.
A pior cena: Madeleine e Malarranha na esplanada.

Nota: 6/10.

P.S. "Portugal S.A."? O que raio vem aí (a avaliar pelo "teaser", muito, mas muito sexo)?

sábado, novembro 15, 2003

Cinema na televisão

“Fargo” (Hollywood)

Uma história simples (mas mirabolante e, incrivelmente, verídica) e uma duração curta. O filme mais célebre dos Coen apresenta uma certa falta de conteúdo, em resultado desse carácter sucinto. No entanto, se a intriga é breve (parece ser apenas mais um caso para a detective Marge), a maneira como ela nos é narrada surpreende quase sempre. Os diálogos (e os sotaques) são fabulosos e por vezes alucinantes. Frances “Oscar” McDormand e William H. Macy ajudam os realizadores compondo na perfeição os seres insólitos que lhes são atribuídos. Os dois bandidos (tão diferentes) tornam-se figuras de referência. Tudo isto junto forma uma comédia de respeito salpicada de violência deliciosamente absurda.
Se tudo o resto for esquecido, “Fargo” pode ser recordado como “o filme da neve”. O amor com que ela é filmada...

Nota: 8/10.


“Tempos Modernos” (RTP2)

Esta é a obra de Charlie Chaplin cujo visionamento é recomendado nos manuais de História do 9º e 12º anos por ser útil para o estudo da crítica ao “taylorismo” e à alienação do trabalho. Na verdade, essa sátira encontra-se presente sobretudo nos primeiros minutos do filme (que são os mais engraçados). A história é afinal a série de tentativas de Charlot e da sua companheira de aventuras e desventuras (interpretada por Paulette Goddard) para obter uma vida feliz numa América atingida pela agitação social e pelo desemprego (a obra é de 1936). Tecnicamente, “Tempos Modernos” é curioso por se tratar de um filme mudo com música e algumas falas sonorizadas.
A ingenuidade da história e dos personagens e o humor (simples mas cheio de imaginação) no qual Chaplin foi no mínimo exímio e com o qual conseguiu agradar a todos (a minha mãe gosta) foram garantia de sucesso. Por outro lado, as óbvias dúvidas sobre as virtudes do capitalismo industrial devem ter estado na origem dos problemas que o cineasta viria a ter.
“O Grande Ditador” é mais divertido, mas as peripécias do vagabundo ainda possuem potencial de riso.

Nota: 7/10.

quinta-feira, novembro 13, 2003

Torque

Quando fui ver o último Matrix assisti a uma peróla do filme chunga americano: Torque.
Imaginem o "The Fast And The Furious" mas com motas. Fácil!!! Umas motas, uns gajos com barba de 5 dias, umas gajas boas e está aí a bombar.
No trailer o tipo passa de mota em cima de um comboio em andamento e pára uma mota aí a uns 200 km/h contra uma árvore com os pés. Nunca me ri tanto!!!!
Vão ao site Coming Soon que está nos links ali ao lado e vão à sessão de trailers. Garantidamente vão passar um bom bocado.

Se gostarem vão às páginas amarelas e procurem psiquiatras.

Top 10

Quando não se sabe do que falar, nesta coisa de blogs, o pessoal começa a magicar e surge sempre a mesma ideia escrever o TOP 10. Neste caso vou colocar os dez filmes que mais gostei mas tendo em conta os géneros. Assim divido os géneros em 10 e escolho o melhor de cada género.

TOP 10

Drama: Magnólia
Aventura: Os Salteadores da Arca Perdida
Ficção Ciêntifica: Blade Runner: O perigo Iminente
Terror/Suspense: The Shinning
Thriller: Seven: Sete Pecados Mortais
Musical: Dancer In The Dark
Peplum/Histórico/Épico: Spartacus
Romance: Punch-Drunk Love
Comédia: A Vida de Brian
Guerra: A Barreira Invisível


Naturalmente há filmes que gostei muito que ficaram de fora. Não se pode ser justo nestas coisas de gostos e tops.

Blogadas

The Temple of Doom, tal como o nome indica, é um blogue da responsabilidade de um fã de Spielberg. Tiago Costa apresenta aos Portugueses um "site" de qualidade tanto a nível do visual como dos textos, nos quais não só fala sobre o realizador de "Hook" como exprime a sua má recepção a "Hulk" e o entusiasmo moderado provocado por "Kill Bill - A Vingança", além de, como a vida não é só a 7ª Arte, registar impressões acerca de vários álbuns. É pena que as actualizações do blogue sejam tão raras.
Entretanto, o Christopher terminou a lista dos melhores filmes que já lhe passaram diante dos olhos, estabelecendo o "top 5" (sem preocupações de ordem). Não posso dar muitas opiniões, porque (oh, vergonha) só vi duas das obras escolhidas, "Magnólia" (obra-prima e o maior filme de culto dos últimos anos, mas não me apetece colocá-la nas cinco mais) e "Queres Ser John Malkovich?" (absolutamente incrível de tão original, mas não excelente). O meu género é mais "O Mundo a Seus Pés", "Beleza Americana", "A Vida é Bela", "Se7en - Sete Pecados Mortais" e "A Lista de Schindler". Uma lista tão válida como qualquer outra...

segunda-feira, novembro 10, 2003

Uma prenda barata

Questionado pela Antena1 sobre qual seria a prenda de aniversário que daria ao seu adversário político Álvaro Cunhal, Mário Soares respondeu que compraria um bilhete para uma sessão daquele que considera ser "um grande filme" em exibição: "Adeus Lenine!" Segundo o eurodeputado, a obra de Wolfgang Becker não faz rir mas sim pensar muito.
Deixando de lado o claro significado político da escolha de Soares (a verdade é que "Adeus Lenine!" não possui uma visão declaradamente anticomunista e adopta uma postura sobretudo documental, apresentando até a opinião de idosos que vêem com desagrado o fim do país que conheceram durante quase toda a vida), a sua crítica pode ser comentada como justa, uma vez que o primeiro filme alemão que vi é realmente muito bom (seria perfeito se não fosse a sua excessiva duração, com partes algo arrastadas), tanto a nível do argumento (cuja brilhante ideia central já todos conhecem) como da realização e das interpretações. Quanto à questão do riso, a verdade é que ele é por vezes inevitável (embora não se procure fazer o espectador sorrir a todo o custo, até porque se parte da história de uma família separada pelo Muro), sobretudo aquando dos noticiários inventados que "reescrevem" a História. Quanto à reflexão, a primeira coisa que me veio à cabeça foi a pena de não ter assistido à reunificação alemã (que as personagens jovens apoiam desde o início) com olhos de ver. Depois, é claro, foi a constatação de que o cinema europeu pode produzir autênticas pérolas com correspondente sucesso de público (o filme já terá chegado aos EUA? Terá agradado aos poucos espectadores?).
O tema tão real e a abordagem de uma época ainda recente contribuem, é claro, de forma decisiva para o forte impacto de "Adeus Lenine!" na Alemanha e fora dela. Quanto mais não seja por ganhar assim a promoção do "boca-a-boca" e ser referido fora dos círculos da crítica cinematográfica. Por exemplo, pelas Produções Fictícias ou por velhos políticos inesperadamente cinéfilos.

domingo, novembro 09, 2003

2000

Hoje, ultrapassámos as 2000 visitas.
É certo que demorou algum tempo. No entanto, temos orgulho em ser um blogue pequeno mas honrado.
Aos sectores da opinião pública nacional por nós influenciados, muito obrigado.
E como somos amigos dos nossos leitores ao ponto de os criticarmos, vejam lá se fazem mais comentários (eu sei que é difícil não concordar plenamente com os nossos juízos, mas esforcem-se)!

sábado, novembro 08, 2003

Ladra mas quase que não morde

Ontem vi o final da trilogia Matrix. A desilusão apoderou-se de mim. A meu ver não havia material para fazer três filmes mas sim dois com principio e fim. Isto porque não considero todo o filme mau. Acho que a batalha é francamente má, tem todos os clichés possiveis e imaginários e tem a falta de metal torcido (mas tem muito digital torcido).
Ô final é realmente muito bom o que me deixa com uma certa frustração. Neste caso o excesso de meios atropelou a história que poderia ter uma volta diferente. Seja como for vale a pena pela primeira e últimas meias horas. O resto é para encher chouriço.


Classificação:

O final da trilogia 5 (0-5)
Matrix Revolutions 3(0-5)

sexta-feira, novembro 07, 2003

E assim acontece II

Bruno Lomba concebeu e apresentou recentemente uma nova página onde publica críticas e outros artigos sobre cinema. Não foi o primeiro a pensar nisso, é verdade, mas o visual impecável do seu blogue chama a atenção. Os (muitos) textos sobre longas-metragens possuem geralmente não mais que meia dúzia de linhas nas quais são expostas de forma clara uma opinião e uma classificação. As imagens (provenientes, nomeadamente, dos filmes que o bloguista considera fazerem parte do melhor de 2003, como "Kill Bill" ou "Dogville") são uma constante neste espaço (aberto à participação dos leitores) produzido por quem sabe do assunto.

Uma sequela de "O Diário de Bridget Jones" está a ser filmada? A sério? Renée Zellweger voltou a engordar? Para quê? Sou daqueles que acham que a comédia romântica de 2001 que agora conhece uma continuação (afinal não era aquele o homem perfeito para Bridget...) não tem piada ou imaginação nas doses aconselháveis e a própria personagem principal (dos seus amigos e amores é melhor nem falar) não inspira interesse por aí além. Terá a segunda aventura de Jones maior ambição? Talvez só um argumento muito bom pudesse levar a actriz principal a aceitar voltar àquilo.

"Adeus Lenine!" já vai na oitava semana de exibição, permanecendo tranquilamente em quatro salas de Lisboa (e uma de Oeiras). Vai assim seguindo o exemplo de "O Fabuloso Destino de Amélie" (2001) e "Fala com Ela" (2002). Tratam-se de filmes europeus (inventivos e com um lado comovente) exibidos em poucos locais e à margem dos maiores multiplexes (leia-se: Warner-Lusomundo), sem campanhas publicitárias dispendiosas e esmagadoras, mas acarinhados pela crítica (aí, "Amélie" foi por vezes excepção) e que, pouco a pouco, aparecem nas conversas de toda a gente, tornando-se autênticas referências. De vez em quando, manifesta-se a costela europeísta do público cinéfilo lusitano, graças a quem aposta na divulgação (não por puro idealismo, uma vez que as três obras citadas foram êxitos de bilheteira nos seus países natais) de fitas produzidas na UE.



quarta-feira, novembro 05, 2003

E assim acontece

O cartaz de "O Amor Acontece" (filme com um enorme elenco que permite ao espectador dedicar-se ao jogo do "caça-a-estrela", perante tão grande número de actores famosos ingleses e americanos creditados) colocado nas estações de metro de Lisboa possui uma ligeira diferença em relação ao original: Martine McCutcheon é substituída por Lúcia Moniz (conhecem-na?). Ora aí estão capacidade de adaptação e uma boa estratégia comercial. Vamos todos correr a ver a Lúcia, o símbolo do crescente prestígio internacional que Portugal adquiriu nos últimos anos.
Entretanto, hoje foi, na verdade, o dia M, no qual a trilogia "Matrix" chegou ao fim. Críticos como Vasco Câmara, Nuno Antunes (em mais um dos seus textos infindáveis mas extremamente claros e divertidos) e Tiago Pimentel já revelaram ao mundo o asco que lhes provocou a conclusão da história. Nos próximos dias, irá o público adquirir a mesma opinião?