domingo, novembro 02, 2003

Breves

Três breves comentários:

a) “Cinemaamor” é uma (boa) curta-metragem de 1999 escrita e realizada por Jacinto Lucas Pires (mais conhecido como contista e dramaturgo), contando no elenco com actores dos Artistas Unidos (António Simão, Sylvie Rocha, Manuel Wiborg) e um “cameo” de João Bénard da Costa. Trata-se de uma história urbana sobre a busca do amor por um homem, contendo algumas citações cinéfilas. O guião da fita encontra-se (juntamente com o de “Almirante Reis”, do mesmo autor mas levado à tela por outro cineasta) no livro “2 Filmes e Algo de Algodão” (que até nem é dos melhores de Lucas Pires, mas os dois argumentos são interessantes), editado pela Cotovia.

b) A avaliar pelo que se publica na Internet, “Kill Bill – A Vingança” está a ter enorme sucesso em Portugal. O número de opiniões sobre a obra de Tarantino, positivas ou negativas (sobretudo as primeiras), registadas em “sites” sobre cinema ou em blogues é impressionante.

c) Espero que o filme “Os Imortais” seja melhor que o seu cartaz, que transmite uma impressão de espaço sobreaproveitado. Curiosamente, as letrinhas dos créditos encontram-se ao estilo americano.

sábado, novembro 01, 2003

Não matem Quentin

"Quentin Tarantino diz que afirmar-se que não se gosta de violência nos filmes faz tanto sentido como afirmar-se que não se gosta de sequências de dança nos filmes."

Jacinto Lucas Pires, "Cinemaamor"

As cinematografias de todos os países devem contar com uma personagem como Tarantino: um doido que aposta em projectos polémicos que só a sua imaginação delirante poderia criar e, afastando-se do politicamente correcto, acaba por ganhar o estatuto de cineasta de culto. Há quem adore e quem odeie o seu trabalho, mas é difícil ficar indiferente a quem assim provoca o sistema (em Portugal, o mais próximo disto que tivemos foi João César Monteiro).
É verdade que o argumento do primeiro volume de "Kill Bill" conta-se em meia dúzia de palavras, mas isso acaba por passar despercebido perante o carácter de divertimento frenético da longa-metragem. Todas as cenas construídas por Tarantino apresentam-se tão inovadoras e surpreendentes (aspecto para o qual muito contribui a banda sonora) que a atenção (ou a estupefacção) do espectador é atraída permanentemente. O realizador move-se com mestria nos diferentes géneros que mistura (em várias ocasiões, como a luta na penumbra ou as imagens em câmara lenta, parece aproveitar para exibir-se), resultando da sua loucura uma experiência bizarra e indefinível mas extremamente atraente. Os desempenhos das actrizes (os homens só aparecem a sério em Fevereiro) garantem o funcionamento do projecto.
Trata-se de uma obra a transbordar de sangue (o que dá origem a momentos hilariantes de humor negro), embora não seja, geralmente (a sequência em animação é de dar a volta ao estômago), chocante, uma vez que o absurdo com que a história é desenvolvida não permite levá-la muito a sério (é bom saber que a companhia de aviação japonesa não aderiu à paranóia da segurança e permite que os seus passageiros transportem calmamente as espadas junto de si). Até agora, é o filme de 2003 com a melhor situação do género "herói/heroína luta sozinho/a contra dezenas de adversários".
A melhor cena: A banda de "rock" actua.
A pior cena: The Bride observa as espadas de Hatzo.

Nota: 9/10.

sexta-feira, outubro 31, 2003

Cine quarenta

Hoje, mais uma vez, o “Cine XL” afirmou-se como um bom programa televisivo. Para quem não sabe, a maravilha de que falo passa na SIC Radical às sextas, primeiro à hora de almoço e depois em horário nobre, é coordenada por Rui Pedro Tendinha e apresentada (em “off”) por duas das estrelas do canal (a outra estrela foi ver como era a 7ª Arte por dentro), Nuno Markl e Fernando Alvim. Estes seguem o guião escrito pelo primeiro, mas é difícil acreditar que não improvisem: passam os 20-25 minutos de programa a dizer breves piadinhas e a fazer comentários por vezes pouco elogiosos sobre os actores das fitas americanas. Como Alvim não se cansou de repetir hoje, o “Cine XL” é um espaço cheio de boa disposição (sem cair no ridículo).
São feitas referências (raramente demasiado longas) a alguns dos filmes em estreia nesse dia ou já em exibição, às novidades do mercado de DVD, e a novas obras que talvez cheguem em breve a Portugal. Além disso, são apresentadas algumas entrevistas (feitas normalmente por Tendinha) e secções especiais como “Cena Clássica” ou “Top XL”. Geralmente, Markl e Alvim apenas publicitam longas-metragens de que gostam ou que estão interessados em ver (a excepção são as novidades dos canais Lusomundo, o patrocinador, que, sejam elas boas ou más, são forçados a mostrar), mas quando não apreciam alguma coisa estúpida são bastante claros.
É óbvio que isto tudo serve apenas de interlúdio para preencher os espaços entre os momentos mais aliciantes, que são as sequências esverdeadas com combinações vídeo/áudio no mínimo curiosas.

quinta-feira, outubro 30, 2003

Fiz asneira...

Esqueci-me do raio dos "links"! Assim é difícil que alguém preste atenção às revistas.
Podem encontrar aqui a "Estreia" e aqui a "C de Crítica".

Outras revistas de cinema

Entre os órgãos de imprensa que existem apenas “online” (uma solução mais acessível financeiramente, presumo), contam-se algumas revistas especializadas dedicadas à 7ª Arte criadas há alguns anos. Na Internet portuguesa, é possível apontar os exemplos da “Estreia” e da “C de Crítica”.
O “site” da “Estreia”, regularmente actualizado, vale sobretudo pelas críticas aos filmes estreados nas salas ou em DVD nos últimos meses, apresentadas numa lista bastante completa. Além disso, possui notícias, antevisões de películas ainda não chegadas ao nosso país, “links” de tudo quanto é festival e um sistema que permite conhecer as salas nas quais se encontra em exibição determinado filme (pelo menos em Lisboa e no Porto). Trata-se de uma revista que não gosta de deitar nada fora: além de disponibilizar o arquivo, críticas e notícias antigas misturam-se com as mais recentes. O que é estranho é que a “Estreia” é anónima. As críticas (sem atribuição de classificação às fitas analisadas) referem-se por vezes a posições subjectivas (“estou totalmente de acordo”), mas não aparecem assinadas. Um óbvio precedente de “O Meu Pipi”.
Quanto à “C de Crítica”, é (ou era, visto que não é actualizada desde Junho) um projecto de um grupo de estudantes portuenses. Com um número reduzido de críticas (reunidas em arquivo), nas quais a avaliação é dividida pelos diversos aspectos do filme, possui no entanto, entre outras coisas, artigos sobre variados temas e entrevistas com realizadores portugueses (João Canijo, João Botelho, enfim, essa gente perigosa). Sem muitas imagens, trata-se de uma revista consagrada sobretudo ao cinema feito do lado de cá do Atlântico.
Sem destronar os “pesos-pesados” da Internet cinéfila lusa, como o 7ª Arte e o Cinema 2000, estas duas publicações merecem alguma atenção (e desejos de rápido regresso, no caso da “C de Crítica”).

terça-feira, outubro 28, 2003

As madrugadas de Liliana Moreira

Na madrugada de hoje, a RTP1 emitiu "Cinecidade", um magazine originário da NTV coordenado por Álvaro Costa e apresentado por Liliana Moreira. Na verdade, o programa fala não só de cinema como de música. Que desperdício exibir um espaço televisivo desses às duas da manhã, dirão vocês. Na verdade, não se perde grande coisa.
As rápidas intervenções de Moreira (uma locutora o mais convencional possível, que lê calma e sorridente um teleponto com um texto de má qualidade) servem apenas para marcar a fronteira entre as reportagens estrangeiras exibidas. No que toca ao cinema, foi possível ver no "Cinecidade" de hoje os "making of" dos filmes "Hollywood Homicide" e "Kill Bill" (sem as tão faladas imagens com quilolitros de sangue). Pessoalmente, não gosto por aí além de documentários sobre filmagens. Parecem-me sempre iguais, com um realizador a dizer "acção" e "corta" e actores a elogiar o génio do cineasta com quem tiveram o enorme prazer de trabalhar. Até mesmo para ficar a conhecer informações sobre o filme é mais produtivo consultar a Internet.
Seja como for, "Cinecidade" é basicamente isso: longas reportagens importadas com entrevistas a actores, realizadores ou músicos e algumas imagens soltas do seu trabalho. A imaginação do programa é tão grande como a sua ficha técnica. De pouco vale existirem magazines sobre artes se eles têm tão pouca ambição. Com menor tempo de duração, o "Cine XL" da SIC Radical é muito, mas mesmo muito melhor.

segunda-feira, outubro 27, 2003

Quem é o Pipoca Rasca?

Sei que este post não é sobre cinema mas não queria deixar passar sem comentar o que Pedro Rolo Duarte disse no passado Sábado no Diário de Notícias.
Sei que ele não gosta de blogs, começando por os criticar brutalmente no seu espaço e acabando por dar graxa aos mesmos quando viu que possivelmente as pessoas poderiam não ter gostado e que isso poderia ser mau para um tipo que escreve livros e em jornais. Depois para terminar em glória disse quem era o Pipi do blog "O meu pipi". Sinceramente mais baixo era impossível, desnecessário e mostra que o 25 de Abril só se deu para alguns pois outros continuam a não gostar da liberdade de expressão.
Não gostar de blogs por os achar inúteis é mau vindo de quem sabe que tem um espaço para escrever a sua opinião. Mas e aqueles que gostam de escrever sobre o que os faz viver e que não têm um espaço? O blog foi uma solução, simoles, económica e que poderá chegar a alguns leitores.
Não estou a defender o "O meu pipi". Acho que esse blog é giro e se for entendido é o ideal para dar umas gargalhadas com aquelas coisas que muitos pensam mas que não dizem. É superfulo mas por ele também não vem mal ao Mundo.

E já agora serve para alguma coisa saber quem escreveu este post?

domingo, outubro 26, 2003

Revoluções surpreendentes?

Já só faltam dez dias para a estreia mundial de "The Matrix Revolutions". Ainda não tinham reparado? É compreensível. Além de alguns "outdoors" lembrando que tudo o que tem um princípio tem de ter um fim ("slogan" um pouco básico e desnecessário), poucos têm sido os sinais que vem aí o final daquela que é já uma das trilogias mais famosas de sempre. Isto é estranho, comparando com o que aconteceu com "Matrix Reloaded", precedido por uma esmagadora campanha mediática e publicitária que nos fez sentir que vinha aí o dia mais importante das nossas tristes vidas. É certo que nessa altura chegava ao fim um período de quatro anos sem notícias de Neo e a imprensa deleitava-se ao explicar quem eram os velhos e novos tipos de óculos escuros. Mas, mesmo assim, actualmente seria de esperar um pouco mais de atenção e carinho. Por enquanto, Tarantino é o alvo dos holofotes. Quererá isto dizer que seremos submetidos nos próximos dias a um verdadeiro massacre?
Seja como for, as primeiras sessões vão esgotar e a obra será um sucesso comercial (embora talvez não arrasador). Terá sido feito um final em beleza ou baixar-se-á ainda mais o nível (não é que negue o visual absolutamente espectacular de "Matrix Reloaded", longe disso, mas o argumento deixa um pouco a desejar)? Existe, além disso, a expectativa sobre qual dos capítulos finais deste ano chamará mais pessoal às salas escuras: "Revolutions" ou "O Regresso do Rei"?

sexta-feira, outubro 24, 2003

Um post para o meu bairro

Hoje e amanhã à noite é projectado no Auditório Municipal da Póvoa de Santo Adrião "Exterminador Implacável 3: Ascensão das Máquinas". Amanhã à tarde há uma sessão de "Relatório Minoritário". Os dois filmes integram-se na programação de Outubro da Odivelcultur, a empresa cultural municipal de que já aqui falei. Este mês, a película escolhida através do "Voto do Público" foi "Matrix Reloaded". Que imaginação... Assim é fácil para a Odivelcultur desencantar as longas-metragens que os munícipes exigem.
A propósito, não acreditem naquilo que Artur Teixeira disse no final do noticiário das 17.50 da RNA: o Arnaldo foi eleito governador da Califórnia e não senador e Meryl Streep não contracena com Tom Cruise no filme de Spielberg (este erro é desculpável: o próprio "site" da Odivelcultur comete esse lapso).

P.S. Hoje ultrapassámos as 1500 visitas! Obrigado aos nossos leitores fiéis (e também aos infiéis).

O meu "Top" é maior que o teu!!!!

1 Embriagado de Amor
1 Última Hora
2 Dogville
3 Inadaptado
4 Apanha-me se Puderes
5 Herói
6 As Confissões de Schmidt
7 Adeus Lenine!
8 As Regras da Atracção
9. Matrix Reloaded
10. Hulk
10. X.Men2

Acho que colocar somente um filme por lugar acabada por ser injusto.
Assim os dois melhores filmes ãté à data são magistrais e totalmente distintos.
Para finalizar mostro as duas melhores adaptações que a Marvel conseguiu no cinema e ficaram juntos por serem adaptações de BD.


Possivelmente já amanhã quando vir o Kill Bill a lista terá de ser alterado.

quinta-feira, outubro 23, 2003

"Top" provisório

Aqui estão os dez melhores filmes que vi no cinema de 1 de Janeiro de 2003 até hoje. Os três últimos não fazem parte do meu "top" ideal (que teria apenas obras com nota igual ou superior a 8/10), mas espero que até ao final do ano sejam corridos da tabela por verdadeiras pérolas...

1 - "Embriagado de Amor", de Paul Thomas Anderson
2 - "A Última Hora", de Spike Lee
3 - "Apanha-me se Puderes", de Steven Spielberg
4 - "Bowling for Columbine", de Michael Moore
5 - "Adeus Lenine!", de Wolfgang Becker
6 - "Solaris", de Steven Soderbergh
7 - "Matrix Reloaded", de Andy e Larry Wachovski
8 - "Inadaptado", de Spike Jonze
9 - "As Horas", de Stephen Daldry
10 - "Cabine Telefónica", de Joel Schumacher

Resmas de DVD's

Já se tornou moda a venda de DVD's juntamente com jornais ou revistas. Agora é a "Visão" que inicia em Novembro uma série de filmes postos à disposição dos leitores por mais 8,90 euros. Observando a lista das longas-metragens escolhidas (ou que se puderam arranjar) pela revista de Balsemão, verifica-se que começa bem, com "Magnólia" (a propósito, o destaque atribuído à presença de Tom Cruise na fita de PT Anderson é um pouco enganador, pois dá a entender que a história se concentra na sua personagem, como costuma acontecer), e pelo meio há um Polanski e um "Ali", mas na sua maioria é composta por comédias de brilho duvidoso ("Bean", "Doidos à Solta", "Eram Todos Bons Rapazes") e filmes de impacto quase nulo ("Sob Suspeita", "Um Perigo de Mulher", etc.). Estariam todos os cineastas "de alto nível" reservados pelo "Público"? Enfim, desde que a iniciativa contribua para a divulgação do formato DVD...

P.S. O "best-seller" de Michael Moore chama-se "Brancos Estúpidos e Outras Desculpas Esfarrapadas para o Estado da Nação" e não "Brancos Estúpidos e Outras Histórias" (não se trata de um livro de contos), como a "Visão" de hoje refere erradamente, a propósito da antecipação da "sequela" (com o título de "Dude, Where's My Country?").

terça-feira, outubro 21, 2003

Asneiras e disparates

Dentro da crítica cinematográfica, há um subgénero que consiste na detecção e revelação ao mundo da existência de “erros” ou “falhas” (designações que costumam ser aplicadas em Portugal) em um ou mais filmes. Analisando as longas-metragens à lupa, os especialistas desta actividade reparam em falhas de continuidade, incoerências no argumento, microfones ou equipa técnica visíveis, anacronismos (no caso de cenas que decorrem no passado), informações que não correspondem aos factos reais, situações cientificamente impossíveis, má tradução e muito mais. O que parece fazer sentido aos olhos de um espectador desatento (como eu) é exposto como não possuindo qualquer lógica ou realismo. Por vezes, o que provoca espanto é como ninguém durante a realização e montagem da obra em questão reparou em disparates óbvios.
Os “sites” que constituem referências para este tipo de análise exaustiva da 7ª Arte são, além do Imdb (secção “Goofs”), Nitpickers (muita informação) e o inglês Movie Mistakes (visual agradável). Nestes últimos, os seus autores e qualquer cibernauta que aí se registe publicam textos denunciando os erros (geralmente, quase insignificantes) das fitas (ou de episódios de séries televisivas, no caso dos Nitpickers) e promovem inquéritos. Os filmes com mais falhas plausíveis registadas (como “Matrix”, “O Resgate do Soldado Ryan” ou “A Irmandade do Anel”) não são necessariamente aqueles que são feitos com mais desleixo, mas sim os mais populares (logo, com maiores probabilidades de serem “apanhados”).
Há três anos, existia um equivalente português muito interessante, “Oops! Falhas nos Filmes”. Depois de alguma instabilidade, desapareceu sem deixar rasto. Alguém sabe o que lhe aconteceu?

segunda-feira, outubro 20, 2003

Ladra mas morde: Volume 2

Dedico este volume a um dos maiores nomes da história da 7ª Arte, Clint Eastwood. O realizador/actor americano começou a sua carreira na televisão em séries cujo tema era centrado no Oeste Americano.

Nos anos sessenta aparece um projecto ambicioso de um realizador italiano que procura actores de renome para westerns. Após Bronson e Fonda rejeitarem Sergio Leone vira-se para Eastwood como o possivel substituto.

Nestes tempos criou-se uma lenda, o "cowboy sem nome" personagem que iria aparecer em mais dois filmes perfazendo uma trilogia que não é trilogia (uma vez que nunca se estabelecem ligações entre histórias/personagens).

Eastwood viveu tempos de glória perto do público mas um grande afastamento da crítica que a agora o "ama". Eastwood volta a marcar a sua carreira de uma personagem simbolica nos anos 70, Dirty Harry. As sequelas são muitas e perto dos anos 90 Eastwood começa a realizar películas mais regularmente.
Contra o que é hábito os seus dois títulos mais importantes são esquecidos pela crítica Europeia e amados pela Americana. Assim um pouco inesperadamente ganha dois Óscares com o melhor Western dos últimos 20 anos, Imperdoável.
Todos os seus filmes seguintes são marcados por um toque clássico brilhante e mesmo os filmes mais descontraídos são de uma qualidade acima da média.

Em 2000 faz aquele filme mais descontraído, Space Cowboys que a meu ver é um dos melhores filmes do género desde Os Efeitos. Pensando bem poderia mesmo dizer que é semelhante mas mais descontraído. E o último plano do filme é a sequência mais bonita que o cinema americano nos deu nos últimos 10 anos.

Sangue

E agora um filme em DVD: "Blood Work - Dívida de Sangue", de Clint Eastwood. Não conheço como deve ser a filmografia deste cineasta (confesso que, com honrosas excepções, a minha sabedoria cinéfila abrange apenas o período posterior a 1980): só vi "Imperdoável" e "Um Mundo Perfeito" (que passa hoje no canal Hollywood). Talvez por isso não fui acometido de qualquer entusiasmo especial por este seu penúltimo filme, que, no entanto, é perfeitamente recomendável: trata-se de um policial com uma história bem imaginada e contada (incluindo o "twist"), protagonizado por um actor (o próprio Eastwood) que exprime às mil maravilhas todas as fragilidades do personagem principal. Já os secundários não são tão brilhantes e existem alguns lugares-comuns despropositados (como os "alívios cómicos" e a cena de sexo). Mas vê-se que por trás do projecto está um realizador (e produtor) que sabe o que faz.
Acho que este é um bom exemplo do género policial (até porque não tem tiros e explosões em catadupa), sobretudo por, como escreveu o Fernando, ser tão simples.

Nota: 7/10.

domingo, outubro 19, 2003

O mundo louco dos videoclubes

Ao contrário do que por enquanto acontece com as longas-metragens exibidas nos cinemas, são divulgados em Portugal "tops" com as obras mais vendidas ou requisitadas do circuito de vídeo/DVD. Nos videoclubes, é possível observar essas listas nacionais ou simplesmente o registo feito pelas próprias lojas das fitas mais escolhidas pelos seus clientes, dando assim a conhecer as preferências de um microcosmos que podemos, geralmente sem grande exagero, estender à generalidade do público.
A verdade é que essas tabelas não possuem interesse de maior, uma vez que os filmes que ocupam o topo delas são sempre as últimas novidades. Acho que os consumidores alugam sobretudo aquilo que é recente, sem grandes preocupações com a qualidade ou prestígio crítico das fitas (vi numa loja "Barco Fantasma" na primeira posição, superando "As Duas Torres"). É claro que a publicidade e o mediatismo dos filmes ajudam ao seu sucesso, mas obras lançadas directamente para o circuito de "cinema em casa" e dirigidas a um público específico (como "Jason X" ou filmes com Steven Seagal) também costumam marcar presença nos dez mais, talvez porque existe menor exigência na escolha da fita que se vai ver na sala de estar do que no multiplex.
As diferenças entre o visionamento de cinema em casa e a ida às salas começam, no entanto, a esbater-se: o vídeoclube que frequento já passou a vender sacos de pipocas. Portanto, já não falta o essencial para fingir que se está num cinema. Restam ainda alguns pormenores de escassa importância (além do preço) que diferenciam essas duas formas de desfrutar da 7ª Arte. A possibilidade de ver as cassetes ou os discos aos bocadinhos (metade antes do jantar, 10 minutos antes de ir passear o cão, 20 minutos a seguir à novela...) é uma delas. Digam mais...

sexta-feira, outubro 17, 2003

Os longínquos anos 90

Após meses de uma omnipresente campanha publicitária (como é habitual com a distribuidora portuense FBF Filmes), que gerou um enorme "hype" e levou a numerosas reservas de bilhetes para as primeiras sessões, estreia hoje finalmente "Xavier", do realizador Manuel Mozos, a grande revelação do cinema português ("Quando Troveja", a sua primeira obra a chegar aos cinemas, provocou, como todos se devem lembrar, enorme alarido).
A quem esteve fora de Portugal nos últimos tempos, revelo que "Xavier" (produzido por Paulo Rocha) é um drama sobre um rapaz abandonado pela mãe num orfanato que é adoptado, na adolescência, pelos Alves, uma família burguesa. O problema é que a instabilidade emocional própria da idade e um encontro surpreendente vão desequilibrar Xavier... Promete ser um enredo cheio de acção e emoção.
A estratégia comercial de Mozos e da FBF é tão apurada que esperaram 11 anos (a fita foi rodada em 1992) até chegar o momento perfeito para lançar o produto no mercado. Certamente a espera não será em vão e centenas de milhares de espectadores encherão as cinco (ainda mais que "Altar"!) salas nacionais nas quais "Xavier" estreia, vendo como eram actores como Alexandra Lencastre ou José Pedro Gomes no início da década passada. Tratar-se-á, afinal, de um saudável exercício de revivalismo dos anos 90.

quinta-feira, outubro 16, 2003

O futuro à nossa frente

O filme cujo DVD é vendido hoje com o "Público", "Manobras na Casa Branca" ("Wag the Dog"), é classificado pelo jornal como "comédia" ou "sátira política", mas na verdade é muito mais que isso. Trata-se da criação de um novo género: o cinema profético. Para quem não sabe, esta longa-metragem de 1997 (realizada por Barry Levinson e protagonizada por Dustin Hoffman, Robert de Niro e Anne Heche) conta a história de um grupo de colaboradores do presidente americano que inventam uma guerra (existente apenas na televisão) contra a Albânia para distrair a população de um escândalo sexual que envolve o líder do mundo livre.
Um presidente a desencadear um ataque militar para desviar as atenções dos seus pecadilhos? Um personagem (o de Robert de Niro) que explica que a guerra do futuro não é contra o estado A ou B, mas sim contra grupos terroristas equipados com armas de destruição maciça? Uma Administração que promove um conflito patriótico (apoiado pelo eleitorado) contra um país que diz considerar uma ameaça para a segurança mundial? Um soldado que cai nas mãos do inimigo e, depois da sua "libertação", é transformado num herói nacional? Não viram isto em qualquer lado (depois de "Manobras na Casa Branca" estrear)? É um dos casos em que a realidade imita a ficção.
Que mais elementos do filme de Levinson se virão a tornar realidade? Os (péssimos) anúncios televisivos de apoio à reeleição do presidente?

quarta-feira, outubro 15, 2003

Pessoal a corja vai voltar ao mar !!!

É sabido. Vai haver um novo filme dos Piratas das Caraíbas e todo o elenco principal e realizador, produtor vão voltar a trabalhar para a Disney.
Produzir uma sequela somente por ser um investimento necessário para uma grande empresa que descobriu a sua galinha dos ovos de ouro, penso ser triste, mas o cinema dos tempos modernos é isso mesmo.
Longe vão os tempos da criação de sequelas por desafio ao realizador/actores
como foram casos excepcionais os Indianas Jones, Star Wars, os Padrinhos e os Regressos ao Futuro.

Depois com o tempo morre a ideia, o filme e as virtudes que os primeiros episódios tiveram.

terça-feira, outubro 14, 2003

Ladra mas morde - volume 1

Pois é, estreou a nova obra-prima do realizador do Dogma. Este filme não nos deixa indiferentes se nos deixarmos ir. O filme é um portento para a 7* arte e Van Trier passa mais uma vez com nota elevada num teste experimental. Existem dúvidas quanto ao talento deste criador?

O filme é todo uma cidade e tal como em disse para Akira, a cidade é também um personagem. Melhor possivelmente a ausência de cidade é um personagem. Afinal os mirones podem saber o que se passa dentro das casas dos vizinhos porque estas não têm paredes. Coisa de loucos...

O conceito é original e funciona. O que é fabuloso é a filmagem aérea da cidade em que o realizador coloca toda a cidade num único plano. O toque trágico de Trier permanece exactamente igual ao dos filmes anteriores sendo no entanto um pouco diferente desta feita para o destino de Grace.
Quanto a Kidman, acho que tem um papel competente a cair para o muito bom se não me soubesse que Bjork endendera o seu papel um pouco melhpr. Penso que Kidman por vezes parece demasiado distante da acção como se não entendesse o propósito de toda aquela violência.

Felizmente DogVille ladra mas morde ou seja muito se falou mas pelo menos não desilude.

Ele não morre...

Lendo as últimas notícias, fico a saber que a 20th Century Fox contratou um argumentista para escrever "Die Hard 4: Die Hardest". Se Bruce Willis não odiar o texto que virá a ser produzido, o agente John McClane regressará aos ecrãs de cinema no Verão de 2005.
Os jornalistas de cinema parecem-me às vezes um pouco precipitados. Já muito se escreveu sobre "Die Hard 4": que se passaria na selva, que Britney Spears faria parte do elenco (espero que isto não tenha qualquer fundamento), que McClane morreria no final... Enfim, trata-se de um projecto com o objectivo de estourar as bilheteiras e os rumores só servem para fazer crescer a expectativa. Pessoalmente, acho que, quase uma década depois de "Die Hard - A Vingança", não faz muito sentido prolongar a série (também se poderia dizer o mesmo de "Terminator", mas fizeram mesmo mais um filme).
"Assalto ao Arranha-Céus" (1988) continua a ser um clássico do cinema de acção. O espaço restrito no qual decorre a história, a realização de John McTiernan e a maneira como Willis se integra na perfeição na pele de "action hero" (tudo poderia ser tragicamente diferente se o Arnaldo tivesse sido John McClane, como estava previsto inicialmente - já imaginaram o "Governator", o antecessor do Calhau, a encher o edifício com o seu sotaque austríaco?) asseguraram o sucesso de crítica e bilheteira. "Assalto ao Aeroporto" (1990), de Renny Harlin, não é tão inteligente ou cativante, mas diverte. A seguir (ou seja, em 1995), voltou McTiernan para rodar "Die Hard - a Vingança" (que parte do primeiro filme mas, sabe-se lá porquê, ignora completamente o segundo), que considero o mais fraco. Não por causa da parceria entre Willis e Samuel L. Jackson (que, como se voltaria a ver em "O Protegido", resulta muito bem), mas pelo facto de, com tantos cenários, situações e luz natural, se perder o efeito dos primeiros "Die Hard". A história também não é nenhum prodígio.
Bem, que regresse então McClane e nos salve, aos tiros, de mais um grupo de terroristas (actualmente, é necessário tratar esse tema com muita moderação e sensibilidade).

Um sucesso de crítica

Seguindo o exemplo da distribuidora Atalanta Filmes, passamos a apresentar todas as críticas escritas acerca dos nossos produtos (neste caso, os “posts”). Se não lerem aqui críticas negativas, é porque elas não existem. Se existissem, eu divulgá-las-ia. Juro.
Assim, aqui está uma citação do artigo de Cátia C. Simões a respeito dos blogues em português sobre a 7ª Arte publicado no “site” c7nema em 14 de Outubro:

"Um blog bastante interessante e com uma perspectiva muito própria sobre os filmes é o Pipoca Rasca, onde são feitos comentários satíricos e muito inteligentes aos filmes e até mesmo às reacções do público. Não se limita a críticas, os artigos de opinião são uma presença assídua que enriquecem o blog."

Mais à frente, a autora do texto afirma que o Pipoca Rasca e o Punch-Drunk Movies (o espaço de Duarte Oliveira do qual já aqui se falou) “são dois dos blogs nacionais que realmente valem a pena”. A comunicação social rende-se aos nossos encantos. Uma vez que, ao contrário de alguns cineastas portugueses, preocupamo-nos em chegar ao maior número de pessoas possível, esperamos que o público seja atraído em força...

segunda-feira, outubro 13, 2003

Akira

Este fim-de-semana vi algo que me tirou o fôlego. Falo de Akira "o pai" de todos os filmes manga. É um objecto incrível, mesmo passados quase quinze anos da sua realização contínua a ser o melhor filme manga que já vi (incluindo Viagem de Chiirro e outras pérolas).

A diferença reside nos toques de autor, no grafismo de um detalhe só visto nas pranchas de BD e o melhor personagem do filme, a cidade de Tóquio ou melhor, Neo-Tóquio. Deste o Blade Runner não vi, uma cidade tão bem personificada numa história de ficção e ainda por cima essa personificação é somente passada por desenhos e ambinete sonoros fantásticos.

As personagens são magistrais, com os habituais elos de honra, vingança e mistério. E a presença espiritual da Natureza torna realmente este filme algo a explorar diversas vezes.

A violência é uma persoagem tal como o é a cidade. A violência é o toque que caracteriza o estilo do filme. Sei que dizer isto pode parecer estranho, mas a violência deste filme, embora podendo parecer por vezes gratuita dá ao filme um ar desconfortante que nos permite sentir mal durante a sua visão sem que deixemos de achar a violência muito artística.

Culto

Classificação (10-10)
O melhor e mais completo filme de animação de que há memória

sábado, outubro 11, 2003

Cinema em poucas palavras

Descobri hoje o poiso de um "colega" nosso, Duarte Oliveira. O blogue dele constitui uma boa opção para aqueles que preferem ler críticas claras e sucintas, em vez dos longos ensaios que eu publico. Virado quer para Hollywood quer para esse cinema tão desconhecido que é o europeu, Oliveira procura reunir todas as novidades de que toma conhecimento (sem formar uma lista exaustiva de notícias) e preocupa-se (ou melhor, regozija-se) com o que 2003 ainda reserva aos espectadores portugueses. Quanto aos seus gostos, previno que no seu espaço não encontrarão nem grandes elogios a obras como "Ken Park - Quem És Tu?" ou "Dogville" nem quaisquer insultos a "À Procura de Nemo" ou "Amigos do Alheio".
Espero que possamos trocar frequentemente ideias sobre a oferta que chega às nossas salas de cinema. É bom não estarmos sozinhos neste vasto mundo da blogosfera portuguesa...

sexta-feira, outubro 10, 2003

Esperma

Se não houver um ruído excessivo de pipocas em fundo ou alguém entre os espectadores que decide fazer em voz alta o seu próprio comentário áudio do filme, uma sala de cinema pode ser um espaço propício à calma, ao silêncio, à introspecção (e ao amor...). Mas isso depende do tipo de obra a que se assiste. No caso das comédias, e sobretudo daquelas que esperam do espectador não um sorrisinho ou uma gargalhada rápida, mas sim um ataque incontrolável de hilaridade (apostando por isso num humor o mais absurdo e grotesco possível), o público transforma-se por vezes num coro de manifestações ensurdecedoras.
Na impossibilidade de decidir qual foi a mais flagrante situação deste tipo que vi num cinema, registo aqui as duas cenas que mais facilmente ocupariam o primeiro lugar da tabela de "histeria colectiva". Curiosamente, ambas envolvem esperma. Em "Doidos por Mary" (1998), entre outras imagens que provocaram explosões de riso, encontra-se a cena na qual, equivocada, Cameron Diaz coloca o referido líquido no seu cabelo, com consequências rapidamente visíveis. Vi a plateia do Monumental não conseguir controlar-se. O mesmo, ou ainda pior, aconteceu dois anos depois, graças a "Um Susto de Filme", com exemplos de comedia nojenta que fariam os Farrelly corar (ou roer-se de inveja). Desta vez, uma cena de sexo na qual Anna Faris é projectada até ao tecto do quarto, onde fica colada, por uma torrente do líquido foi a responsável pelo delírio de uma audiência que urrava de prazer.
Desde então não vi muitos desses casos em que a reacção do público é mais espectacular que o filme, talvez porque fujo um bocado desse tipo de humor (diga-se que até gostei das comédias citadas, sobretudo da primeira). As fitas cómicas mais originais talvez sejam aquelas que provocam menos gargalhadas na assistência, uma vez que esta encontra-se demasiado surpreendida para reagir (veja-se o caso de "Queres Ser John Malkovich?").

quinta-feira, outubro 09, 2003

Allen, moribundo?

Rui Henriques Coimbra (um colunista do “Expresso” que vive em Los Angeles e costuma emitir algumas opiniões sobre filmes já estreados nos EUA mas ainda longe do nosso país) não é partidário da subtileza e contenção no desanque das obras que não aprecia. Tendo assistido a uma projecção de “Anything Else”, a nova comédia de Woody Allen, Coimbra descreve assim a sua reacção: “Vomitei violentamente”. Segundo ele, a longa-metragem “abaixo de cão” não tem piada nem originalidade e aborrece o espectador. O articulista pede a Woody que não o faça lembrar-se da expressão “os cavalos também se abatem”. Isto fez-me lembrar a declaração de espanto de Rui Zink (proferida no debate ocorrido na apresentação do livro “Quanta Bondade!”, de Quino): “O Woody Allen ainda não morreu?!”.
Allen é o cineasta americano favorito daqueles que não gostam do cinema americano. As suas obras já não atraem multidões às salas, sobretudo nos States (o facto de “Hollywood Ending” ter estreado no mesmo fim-de-semana que o Episódio II de “Star Wars” prova que já não há grandes esperanças por parte do realizador de conquistar o público do seu país, situação com a qual brinca nesse mesmo filme), mas recebem a atenção de grupos de fãs sempre prontos para assistir a uma nova produção do mestre nova-iorquino.
Confesso amargamente que conheço mal a vasta filmografia de Allen. As únicas fases da sua carreira a que dediquei seriamente a minha atenção foram a inicial, com uma série de comédias completamente doidas e hilariantes (“O Inimigo Público”, “Bananas”, “O ABC do Amor”, “O Herói do Ano 2000”, etc.), e os últimos anos (o primeiro Allen que vi num cinema foi “Através da Noite”). Seja como for, as notícias da sua morte parecem-me algo exageradas. “A Maldição do Escorpião de Jade” (2001) demonstra não só boas ideias como a capacidade de as organizar numa história coerente e divertida. E, é claro, o cabelo de Allen foi caindo mas a graça das suas interpretações manteve-se. “Vigaristas de Bairro”(2000) e “Hollywood Ending” (2002) são marcados, no entanto, por um aproveitamento algo deficiente das premissas iniciais. Depois de um começo muito bom, os argumentos arrastam-se e os filmes tornam-se pouco interessantes para quem não se dê bem com fitas cheias de diálogos. A inteligência dos conteúdos e algumas piadas certeiras, além da qualidade dos elencos, asseguram algum respeito por estas comédias, mas a verdade é que chega-se a ter saudades do ritmo frenético das primeiras aventuras de Allen na realização.
Se o actor-músico-realizador-argumentista já conheceu dias melhores, não deixa de ser verdade que ele nunca insulta o intelecto de ninguém e possui ainda uma habilidade para fazer rir que muitos cineastas cómicos de Hollywood estão bastante longe de alcançar. Portanto, que Allen continue bem vivo, para nosso prazer (embora esse prazer seja algo tardio em relação ao resto da Europa, uma vez que ultimamente os seus filmes chegam a Portugal muito depois de verem a luz do dia). O “jazz” e as letras brancas sobre fundo negro não podem parar.

quarta-feira, outubro 08, 2003

Um bom fim-de-semana

Realmente não é normal ver um fim-de-semana em que estreiem quatro, sim quatro filmes bastante interessantes. Alguns aclamados pela crítica e outros pelo público mas todos interessantes. Um Lars Von Trier, um Ridley Scott na mesma semana mostra que a nova época de cinema vai entrar e espera-se que em força.
Depois de um Verão com muitos blockbusters de qualidade muito duvidosa esperam-se os habituais vencedores de prémios.
Além dos citados vão estrear ainda dois filmes interessantes: um com um leque de actores magnífico e outro um título de culto no país vizinho. Falo de ATRACÇÃO ACIDENTAL com actores sobejamente conhecidos como Frances McDormand, Christian Bale, Kate Beckinsale entre outros e FAUSTO 5.0 vencedor dos prémios de actor(es) e filme no Fantasporto de 2002.

Dia 24 será um dia de puro delírio cinematográfico com o novo filme de Quentin Tarantino (parece ser delicioso se bem que é somente o primeiro capítulo vindo o segundo para Fevereiro) mas no entanto a coisa começa a aquecer.

A Força do Estrelato

O actor norte-americano/austriaco Arnaldo foi nomeado governador da Califórnia.
Isso não será a prova que faltava sobre o poder do mediatismo nos dias que correm?

Se o Herman se candidata-se a presidente da República no nosso seá que ganhava? (Possivelmente agora não pois a sua popularidade já teve melhores dias)

Comparações à parte o actor tem agora na mão um estado com um poder incrivel.
Será que está à altura de um cargo destes. Não será que a máquina política escolhe estes tipos mediaticos de modo a ganhar perto do eleitorado e posteriormente coloca nas suas costas as pessoas que quer a governar (usa a popularidade como cartaz politico) com um potencial brutal para frase chamativas tipo

- Extreminador à presidencia. Ele vem do futuro, viu e vem resolver os nossos problemas.


É uma questão que no mundo dos actores americanos colocou dúvidas, alguns mostraram-se contra (Hanks e Clooney se não me engano) e mostra que se podem confundir realidades que nada tem a ver.

Problemas técnicos

A todos os que nos visitaram durante o período em que estava com o aspecto da página corrompido as nossas desculpas. Pensamos que o problema já foi devidamente corrigido.

terça-feira, outubro 07, 2003

Ah, ah, ah

Miguel Somsen, membro do painel de críticos da “Premiere”, não parece ser um grande fã da série “American Pie” (o ““franchise” pasteleiro”, como lhe chama), como se pode ver no texto que publica no número de Outubro da revista. Também não gosta por aí além dos que se deliciam com a tarte, espantando-se com os mais de 100 mil espectadores portugueses que o terceiro filme da saga teve em quatro dias de exibição. Numa profunda análise sociológica, pergunta-se quantos desses lusitanos foram ao cinema “depois das compras do hipermercado e antes de ver o Benfica na televisão” (e porque não o Sporting?). Mais à frente, atreve-se a sugerir títulos para eventuais futuros capítulos da série: ““American Pie: o Primeiro Bebé” (2005), “American Pie: o Nosso Bebé Já é Uma Stripper” (2013) e “American Pie: a Ressurreição (2022)””. Divertido.
No “Diário de Notícias” de 3 de Outubro último, Eurico de Barros afirma-se como um detractor de “Quaresma”. Longe do estilo “sério” e cuidado (mesmo quando censura algo) do colega João Lopes, Barros declara que, ao contrário do que o filme quer transmitir, “Nenhum ser humano normal conseguiria aturar” a personagem de Beatriz Batarda “mais do que cinco minutos sem lhe pregar um par de galhetas ou dar uns açoites”. Curto e grosso.
Isto faz pensar em qual será o tom mais adequado ao desanque de uma obra considerada má. Deverão procurar-se argumentos sólidos e elaborados, com a preocupação de não ofender ninguém, que dêem a entender, delicadamente, a nossa antipatia pelo objecto, ou simplesmente rir à gargalhada de quem ousa fazer um disparate assim (ou se estivermos num “site” menos respeitoso, uma m... assim) e ainda mais daqueles que pagam para o verem, recorrendo a uma linguagem bem directa e a muito humor insolente?
Eu sei que neste blogue costumamos escolher a segunda opção (até porque não somos lidos por dezenas de milhares de pessoas... por enquanto), que, de facto, é mais divertida (sem um pouco de ironia e irreverência, que piada ou significado teria a crítica?) e faz bem ao ego, mas dentro de certos limites. Desatar aos insultos à equipa técnica ou ao público sem explicar porquê não prova que nós estamos certos e eles errados. Nem sempre é possível colocarmo-nos num patamar de superioridade. Existem outras opiniões à face da terra... O melhor é redigir textos com opiniões bem fundamentadas, por um lado, e ironia q.b., pelo outro, numa linguagem cuidada mas não ilegível ou demasiado subtil.
O que acham? Que tipo de críticas preferem ler e que tipo de discurso pensam que aqueles que emitem opiniões sobre uma coisa qualquer (desde uma escultura aos pastéis do café da esquina) deveriam privilegiar?

segunda-feira, outubro 06, 2003

O grande dia chegou!

É só para registar que ultrapassámos hoje as 1000 visitas (já faltou mais para alcançarmos o Abrupto...).
Obrigado a todos os chanfrados que ousaram visitar este blogue.
Graças a vocês, a nossa vida faz sentido.




Amor (e humor) no meio da guerra

José Carlos de Oliveira filmou em Moçambique a sua nova longa-metragem, “Preto e Branco”, da qual é também produtor e co-argumentista (escreveu o guião a partir da ideia e do texto originais do escritor Mário de Carvalho, que já tinha visto o seu conto “Era uma Vez um Alferes” transformado, em 1987, num pequeno telefilme da RTP). Trata-se de uma obra cuja acção decorre em 1972, durante a guerra colonial, nunca abandonando o espaço da savana onde se trava o conflito. Portanto, está cheio de tiros, sangue, choros convulsivos de soldados, investidas da Frelimo contra os “tugas”, colonos brutais e racistas e cheiro de “napalm” pela manhã, não é? Nada disso, trata-se de uma comédia. Exactamente, um filme leve e humorístico, embora contendo, obviamente, alguns elementos dramáticos.
Em primeiro lugar, centra-se nas figuras de um sargento branco e moçambicano de gema, que nunca foi à Metrópole, e do seu prisioneiro negro, um antigo estudante de Engenharia em Lisboa que se juntou, de forma idealista, à guerrilha de um país que não conhece. Depois, essa dualidade e originalidade levam a que não se formulem juízos de valor sobre o conflito (excepto, talvez, a crença na possibilidade de o ultrapassar através da amizade, como fazem os protagonistas). As mortes que se verificam abruptamente no início de “Preto e Branco” não recebem grandes comentários e a história avança, ou seja, o filme não se leva muito a sério (o tom irónico predomina, por exemplo, nas cenas passadas no quartel).
O humor é obtido naturalmente, não tanto através de “gags” mas graças aos óptimos diálogos. A narrativa flui, na maior parte do tempo, sem obstáculos de relevo, a realização e a montagem são eficazes (embora sem grandes inovações), a qualidade do som e da imagem é digna de nota e os três actores principais estão à altura da tarefa.
Três actores? Sim, ainda não falei da enfermeira alentejana (interpretada por Cristina Homem de Mello, também produtora) da Força Aérea que é forçada a aterrar de pára-quedas no cenário da acção e, infelizmente para nós, despertará o amor no sargento. A segunda parte do filme, marcada pela sua presença, é inferior às primeiras sequências e contém algumas cenas dispensáveis (e uma na qual é visível um microfone). O romance nunca é convincente e não possui grande significado.
Assim, não temos aqui um grande filme ou uma obra que analise profundamente a guerra que marcou a “geração de 60”, mas um objecto agradável e com pés e cabeça, suficientemente comercial (é distribuído pela Lusomundo e um texto promocional existente no verso do “poster” oferecido ao público encontra-se em português e inglês) para atrair uma dose razoável de espectadores. É verdade que não é só o cinema nacional que precisa de se abrir aos consumidores. Estes devem adquirir uma maior receptividade às propostas lusitanas.
A melhor cena: O sargento e o prisioneiro “apresentam-se”, de noite.
A pior cena: Adelaide penteia-se.

Nota: 6/10.

P.S. “Ah, os Imortais, os Imortais...”. Rui Unas/Vítor Pratas diverte com a sua narração no “teaser” de “Os Imortais”.

domingo, outubro 05, 2003

Liga de Ianques

Tom Sawyer???? De onde veio este? Realmente um par romântico??? Liga do Cavalheiros Extraordinários em filme?? BAHHHHHHHHHH!!! Sinceramente para os que tiverem curiosidade leiam os livros já editados em Portugal e deliciem-se com uma BD pura e dura sem americanismos estúpidos.
Sean Connery realmente seria a escolha certa para a personagem mas a contextualização de uma obra que respira de heróis britânicos para um píublico americana dispensa qualquer centimo na compra de um bilhete.

Só já faltam 21-5 = 16 dias para a trilogia do ano

Só faltam 16 para o pacote dos três filmes do Indiana Jones ver a luz do dia nas lojas espalhadas pelo Mundo. Eu fã da velha guarda estou ruido de inveja de felizardos como o Tiago Pimentel que já pôs as mãos em cima da preciosidade. Mas nesses momentos penso para mim: "Tu consegues! Duas Semanas, faz um esforço..."

Esperemos que seja digno

Um dos livros de culto "Hitchhiker's Guide To The Galaxy" de Douglas Adams vai ser adaptado para o cinema pela Disney. Um livro que fez muita gente querer fazer comédia vai ver a luz do dia. O realizador não é conhecido e este é mesmo um dos seus primeiros trabalhos.
O primeiro interessado foi o realizador dos Austin Powers que sai da cadeira de realizador e passou somente para a produção. A única esperança reside no facto do próprio escritor Douglas Adams ser o produtor executivo do filme. Vejamos o que isto vai dar...

Tardes de cinema

Assistindo ontem à exibição da comédia romântica "Kate e Leopold" (segue todos os parâmetros deste tipo de fitas, mas não ofende ninguém e até pode ser seguida com relativo interesse) na SIC, reparei em dois aspectos que provam como é bom ver cinema nesse canal: a existência de quatro intervalos publicitários (em vez dos três tradicionais) de duração considerável durante a difusão de uma longa-metragem com 109 minutos (ainda se fosse do tamanho de um "Magnólia" ou de um "Apocalypse Now Redux", aceitava-se) e, como se sabe, a supressão da ficha técnica, substituída por um "fim" em tons de azul. Para agravar esta última característica, o que se viu não foi o início dos créditos finais, como de costume, mas uma parte (com a duração de uns cinco segundos) escolhida aleatoriamente, com a canção de Sting nomeada para o Oscar em fundo.
Eu sei que isto não é tão grave como a situação no Médio Oriente, mas não deixa de evidenciar uma certa falta de respeito pelos telespectadores (resposta óbvia da estação: "Se querem menos publicidade e mais créditos finais, aluguem um vídeo. Nós temos carradas de comédias e filmes de acção para mostrar antes do jornal e não podemos perder tempo com esquisitices"). A propósito, que acham da presença actual do cinema nas programações das televisões nacionais e da qualidade média das obras transmitidas por estas?

sábado, outubro 04, 2003

Os pirilampos da blogosfera

A fama do Pipoca Rasca cresce de dia para dia (a nossa média de visitas nem por isso). Um simpático blogue colectivo (animado por quatro nortenhos), The Pirilampo Magico Project, concedeu-nos a honra de nos incluir na sua lista de "Blogs Catitas". Obrigado! Ainda há gente decente neste mundo.
Trata-se de um blogue também ele muito catita, que reflecte sobre as curiosas traduções lusitanas dos títulos dos filmes americanos, a melhor (e pior) música existente no mercado, a defesa do meio ambiente, problemas de âmbito familiar, etc. Acima de tudo, o "site" alerta-nos para a perversidade dos Pirilampos Mágicos. Parecem inofensivos e simpáticos com aquelas caras de parvos, mas afinal...

Estranhos fenómenos

Realmente é raro o Mundo do cinema americano me deixar espantado. Ontem descobri que Spike Jonze e o seu fiel argomentista Kauffman vão iniciiar a produção de um filme de terror. Espero que venha por aí uma lufada de ar fresco num género que nos últimos anos tem andado esquecido e mal interpretado pelas produtoras (efeitos, efeitos e terror nada).
Será a originalidade deste par capaz de trazer aos ecrans algo alucinante??

Não contem a ninguém!

Era segredo, mas, sabe-se lá como, alguns órgãos de comunicação social descobriram que, além de "Quaresma", outro filme português estreou ontem nas nossas salas (ou, em Lisboa, apenas numa sala, nas Twin Towers). Trata-se de "Altar", de Rita Azevedo Gomes, que, como todos sabem, foi a realizadora do grande êxito do Verão de 2001, "Frágil como o Mundo" (será que António Guterres teve oportunidade de ver esse filme, como afirmou pretender fazer numa entrevista concedida na altura?). A longa-metragem, de carácter experimental (feita originalmente em vídeo, é, ao que parece, uma mistura de vários elementos poéticos e visuais), é distribuída pela FBF Filmes.
Só na quinta-feira passada Portugal tomou conhecimento da existência desta obra, através da "Visão" (a "Premiere" deste mês não lhe faz referência). Na sexta, surgiram anúncios em alguns jornais (ver pág. 20 do "Público" de ontem) e até uma ou outra crítica destacando a originalidade (ou bizarria) da obra. Às 20.15, o 7ª Arte não sabia nada sobre "Altar". Um pouco mais tarde, já admitia o regresso de Rita Azevedo Gomes, com uma ficha sem grandes informações, mas não indicava as salas de exibição.
O prestígio da cineasta, o carácter comercial da fita (com actores estrangeiros), o enorme número de salas nas quais estreou (o anúncio fala de uma em Lisboa, outra no Porto e, de forma específica, de "Outras Cidades"), a atenção da crítica e o arrojado "marketing" da FBF (que apostou numa estratégia de secretismo, evitando assim a divulgação de demasiados pormenores por parte dos "media", ávidos por satisfazer os fãs de Azevedo Gomes) só podem resultar num histórico êxito de bilheteira que revigorará o cinema nacional. Tudo para Campolide, pessoal!

Qual é o mentiroso?

Estava só a brincar quando pedi o “link”, mas o Tiago Pimentel realmente leu o meu “post” e deu-nos a honra de sermos dados a conhecer aos visitantes do seu blogue. Obrigado, Tiago, pelos desejos de boa sorte. O teu espaço tem-se revelado bastante interessante.
Agora podemos praticar a tradição essencial da blogosfera: comentar o que os outros “postam”. Assim, Michael Moore é alvo de um texto bastante crítico do Tiago, que o acusa de ser um mentiroso, com base em artigos publicados na imprensa americana (o movimento para retirar o Oscar ao polémico activista de esquerda já existe há vários meses). Para já, leiam a resposta de Moore aos ataques de que é alvo. Será que tudo o que se publica sobre ele é exacto? Na verdade, só os opositores do documentarista apontam numerosos erros, exageros, inexactidões e falsificações a “Bowling for Columbine”. Assim como Moore destaca algumas críticas infundadas à sua obra, que pormenores exactos do filme denuncia a comunicação social como falsos?
No fundo, o que está em causa é que o Tiago odiou “Bowling for Columbine” e eu não (em primeiro lugar, porque acho que as questões levantadas por Moore vão muito além da sua visão parcial da política internacional na qual o Tiago concentra o ataque; e as razões da paranóia das armas que percorre os EUA, a qual o filme procura explicar afastando as teorias tradicionais)? É certo que, como escrevi num “post” em Julho (nos heróicos primeiros tempos deste blogue, que já parecem tão distantes; estamos a ficar velhos), Moore não é nenhum génio ou santo. Mesmo os maiores defensores do documentário-bomba reconhecem que se denotam sinais evidentes de narcisismo e demagogia no discurso do seu autor. Mas esse aspecto não põe em causa todos os factos e conclusões apresentados ao longo de quase duas horas. A luta conta o “fenómeno Moore” baseia-se acima de tudo em factores políticos. Inserindo-se abertamente no campo da esquerda radical, esse inimigo feroz de Bush não podia ficar imune aos reparos de quem discorda violentamente das suas opiniões e vê, por exemplo, a questão iraquiana de forma mais complexa (mas nem por isso mais correcta). Mas isso é outra história.
Seja como for, o texto do Tiago é, apesar de tudo, mais moderado que a crítica de Eurico de Barros a “Bowling for Columbine” (na qual Barros afirmou que correria Moore a tiro se estivesse no lugar de Charlton Heston).



quinta-feira, outubro 02, 2003

Um filme nomeado?

Em nome do ICAM, Beatriz Pacheco Pereira, Bárbara Guimarães e João Lopes escolheram "Um Filme Falado", de Manoel de Oliveira, como o candidato português à nomeação para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro do próximo ano (a aposta para a competição anterior foi "O Delfim").
Bem... Antes de mais nada, digo que não vi o filme (só chega ao circuito comercial no próximo dia 17, embora tenha sido realizada uma estreia em Aveiro na semana passada, de modo a que a obra pudesse candidatar-se à nomeação) e a verdade é que nos últimos tempos não parece ter surgido nenhuma longa-metragem lusitana de grande valor.
Mas, enquanto Oliveira acumula aplausos e prémios por todo o mundo, será que alguém lhe liga em Portugal (até mesmo críticos nacionais enviados a Veneza não deliraram com a obra escolhida pelo júri do ICAM)? Se "Um Filme Falado" (e porque não outro filme qualquer do realizador veterano?) não conseguir ser nomeado, a única maneira de o cineasta (apoiado pelo produtor Paulo Branco) dar nas vistas é declarar à comunicação social que deseja que o público nacional vá àquela parte.

Uma fita muito estranha

Se está farto dos "blockbusters" que enchem os multiplexes e atraem as atenções de todos, existe em Lisboa um cinema onde são exibidos filmes de que certamente os seus amigos nunca ouviram falar: o Cine-Estúdio 222, gerido pela Zero em Comportamento, que aí projecta, nos dias úteis, as obras raras que obtém sabe-se lá onde. Na programação de Outubro, destaque-se "Pi", a primeira longa-metragem de Darren Aronofsky. Descoberto o DVD importado desta obra pelo Fernando Campos, logo se verificou a divulgação da fita em círculos mais ou menos restritos. Deste modo, posso afirmar que "Pi" é, com certeza, um dos objectos artísticos mais bizarros dos últimos anos. Chamam desde logo a atenção o facto de ser pequeno (85 minutos) e a preto e branco e o orçamento insignificante com que Aronofsky (co-autor da história) contou. A importância da Matemática na narrativa também não é comum. Já a violência visual que por vezes se regista tem paralelo com "A Vida Não é um Sonho", a outra longa da autoria do realizador. As imagens tornam-se socos dirigidos ao estômago do espectador. O visionamento de "Pi" não é muito agradável devido a esse aspecto, mas talvez por isso mesmo (além de todo o talento de Aronofsky e do actor principal, Sean Guilette) trata-se de uma autêntica pérola.
Num dos cinco dias de exibição de "Pi", venha vomitar no Cine-Estúdio 222. Aviso: a cópia projectada tem legendas em castelhano.

quarta-feira, outubro 01, 2003

Herói não é rasca

Parece que o cinema oriental ganha uma dimensão única por terras ocidentais. Herói é disso mesmo um exemplo como o tinha sido o Tigre e o Dragão.
Ambos são a meu ver complementares e extremamente diferentes.
Um é um romance em tempos da China antiga, outro é um épico de guerra no mais amplo sentido da palavra. Ang Lee dá ao filme uma sensibilidade mais humana enquanto Heroi apósta numa sensiblilidade visual esmagadora enquanto o cerne da história é a intriga de assassinato do rei Quin.
O filme tecnicamente é avassalador quer a nível de imagem e de som e realmente o elemento mais comercial é a presença de Jet li, que a meu ver não acrescenta nada de mais ao filme.
Realmente para se saber se se gosta ou não, basta ver qual a sensação que fica no final.
Eu gostaria de ver o filme de novo. Isso foi a minha sensação. Definitivamente gostei


Herói Classificação 5 (0-5)

sábado, setembro 27, 2003

Dados e mais dados

O artigo de Hugo Bordeira publicado no "DN" de hoje (no suplemento Negócios) é muito interessante para avaliar o estado da indústria cinematográfica em Portugal. Algumas conclusões são óbvias (como a falta de afluência às sessões de cinema português). Para já, limito-me a registar algumas informações:

1 - Referi os filmes portugueses mais vistos em 2002, de acordo com o relatório do ICAM, mas não sabia quais foram as longas-metragens menos vistas. Tratam-se de "Brava Gente Brasileira" (445 espectadores), "O Fato Completo ou à Procura de Alberto" (1100) e "Em Volta" (1750). Estariam os realizadores (como Inês de Medeiros, autora do documentário "O Fato Completo...") à espera destes resultados?

2 - O preço dos bilhetes é cada vez mais elevado. Dos 3,1 euros médios de 1998 (na altura eram 633 escudos) passámos aos 3,8 de 2003, num crescimento de 18%.

3 - Das 504 mil sessões realizadas no ano passado, 434 mil consistiram na exibição de filmes "made in USA". Cerca de 7300 foram faladas em português.

4 - Parece-me que há um erro nos dados destacados pelo jornal, relativos ao número de bilhetes vendidos pelos maiores êxitos dos últimos tempos. "As Duas Torres", com 65 mil? Não serão 650 mil? Registe-se também o sucesso de "Johnny English", filme protagonizado por um cómico que mora no coração dos portugueses, Rowan Atkinson.

Banda larga para que te quero

Tomem atenção que as grandes bombas deste ano começam a mexer. Os últimos capítulos de Matrix e Senhor dos Anéis colocam online novos trailers para os entusiastas. Sinceramente a grande bomba do ano para mim é o lançamento da Trilogia Indiana Jones em DVD e o Mystic River mas não deixo de ter uma grande curiosidade.

Atirar no Calhau

Não quero ser chato mas isto de retirar o Arnaldo e começar a mandar montes de notícias com o Calhau começa a ser chato. Vou ao ComingSoon e todos os dias aparece um novo (pro/de)jecto com esse Tarzan Taborda do cinema. Realmente agora aparece um filme baseado num jogo de computador dos anos 80 e com carros e The Rock. Substituir o Vin Diesel pelo Calhau?

Pimentel chegou ao bairro

Já que não temos muitos colegas no ramo dos blogues sobre cinema, é interessante destacar o aparecimento do espaço pessoal do crítico Tiago Pimentel. O colaborador do 7ª Arte e da "Premiere" reflecte não só sobre questões relativas às fitas e à situação actual dos "media" como também acerca de temas essenciais e de polémica garantida (leia-se: futebol).
Boa sorte, Tiago (e dá-nos uma ajudinha com um "link", OK?).

sexta-feira, setembro 26, 2003

Tempestade de Passaros e de Calhaus

Isto de adaptar tudo e mais alguma coisa tem que se diga. Agora nos sites de cnema todos falar do filme Thunderbirds como a coisa mais esperada. Se o filme fosse produzido da mesma maneira que os orignais eu percebia pois tinha um cunho mutio próprio, mas feito com pessoas de carne e osso, qual a piada? Qualquer dia sai do Wallace and Gromit em filme, com o cão feito em CG I e o Jonh Clease careca a fazer de Wallace. Francamente...

Agora que o Arnaldo se foi do cinema, The Rock vai ter o seu teste de fogo este fim de semana com o filme RunDown. Esperemos um flop ou o Arnaldo terá sucessor.

quinta-feira, setembro 25, 2003

"Críticos de sofá"

Com o início da terceira "rodada" da Série Y, o "Público" lançou um passatempo no qual apela à vocação crítica dos leitores-espectadores, oferecendo leitores de DVD e porta-DVD's. A quem? Àqueles que preencherem um formulário classificando, numa tabela, os 25 filmes que serão vendidos, e escrevendo uma pequena recensão da sua fita predilecta da série.
Curiosamente, a escala através da qual os participantes podem atribuir notas às longas-metragens vai de uma ("dispensável") a cinco estrelas ("obra-prima"). Não é possível atribuir a um título da Série Y a bola preta ("de fugir") que os críticos do diário reservam às obras que consideram realmente péssimas. Imagino que ninguém seja mal-educado ao ponto de achar terrível um dos filmes seleccionados e assinalá-lo. A escolha realizada pelo "Público" é demasiado boa para que tal aconteça.
O facto de as críticas enviadas pelos concorrentes apenas poderem abordar maravilhas pode não ser positivo. Quem sabe se uma reflexão sobre a obra mais odiada do catálogo do "Público" não daria origem a textos de maior qualidade e interesse. Dizer mal de um filme é extremamente reconfortante, quase tanto como visionar uma obra de qualidade. Não só chamamos a atenção do mundo para uma aberração que se passeia impunemente pelos ecrãs, ocupando o lugar de hipotéticas obras-primas, como nos sentimos bem ao fingir que somos melhores que a equipa responsável pela "bosta" e poderíamos realizar um trabalho muito mais competente se nos dessem essa oportunidade. E ainda existe a possibilidade de sacarmos do humor e ridicularizarmos o nosso alvo, sentindo-nos inspirados e espirituosos. Mas, quanto à Série Y, isso simplesmente não é concebível: todos os 25 DVD's contém decerto obras do agrado universal.

Kubrick de graça

A edição de 15 de Setembro de "A Comarca" (jornal regional que cobre a actualidade dos concelhos de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande, no distrito de Leiria) noticia a realização em Figueiró, entre os dias 17 e 20 deste mês, de um ciclo de cinema dedicado a Stanley Kubrick. Foram exibidas quatro das obras do mestre ("Laranja Mecânica", "Barry Lyndon", "Nascido para Matar" e "De Olhos Bem Fechados") no Clube Figueiroense, sem que fosse cobrada qualquer quantia aos espectadores. O ciclo integrou-se na iniciativa "Animar Figueiró", promovida pela Câmara Municipal.
Há poucos anos atrás, realizavam-se sessões de cinema (com obras do circuito comercial) no Clube todas as semanas, com bilhetes vendidos a preços reduzidos. Esse tempo já lá vai, mas não deixa de ser bom sinal que a Câmara dinamize o espaço, procurando atrair a atenção da juventude e divulgando o trabalho já clássico de um cineasta conceituado. Parece que afinal no Interior não se exibem apenas comédias ou os "blockbusters" da moda.

quarta-feira, setembro 24, 2003

Rogério contra o ICAM

Numa entrevista publicada no "Expresso" de 20 de Setembro, Rogério Samora desmente antecipadamente os números do catálogo elaborado pelo ICAM, afirmando que "O Delfim" foi visto por 62 mil espectadores. Incluirá nessa cifra aqueles que viram o filme em DVD? Pensará que o ICAM fez mal as contas, influenciado por um excessivo pessimismo quanto às potencialidades comerciais do cinema nacional? Quererá realmente dizer que "O Delfim" será visto por 62 mil portugueses, através da emissão de quarta-feira da RTP? Terá organizado uma exibição clandestina da fita à qual assistiram quase 25 mil pessoas?
Em compensação, Samora refere que não deverá contracenar com Alexandra Lencastre muito mais vezes, de modo a evitar que o par deixe de ser credível. Bem visto. Apesar do brilho das suas interpretações em "O Delfim", a verdade é que os dois andam sempre juntos no pequeno e no grande ecrã (Samora e Lencastre protagonizam "Lá Fora", a nova obra de Fernando Lopes).

Algumas estatísticas

De acordo com o “Público” (talvez devesse diversificar as minhas fontes...), que por sua vez o soube através da Lusa, o ICAM (Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia) elaborou e divulgou o catálogo “Cinema – Portugal 2003”, que inclui dados relativos aos resultados de bilheteira, apresentados quanto ao número de espectadores (um tipo de informação mais concreto que a receita em euros: como é interessante poder dizer que “um em cada 324,7 portugueses viu o filme x”), das longas-metragens portuguesas estreadas no ano passado. Em primeiro lugar, uma boa notícia: pela primeira vez em cinco anos, o número de pessoas que viu cinema lusitano cresceu. Dos 105 459 espectadores de 2001 (ano em que “Vou para Casa”, de Manoel de Oliveira, foi a fita nacional de maior sucesso, o que dá a entender o quão fracos foram esses malditos doze meses) passou-se a 244 594. O início de uma nova reconciliação do público com aquilo que é feito em Portugal? Tendo em conta aquilo que já se passou este ano, não sei.
Continuando com os resultados de 2002, parece que essa subida do número de tipos que arriscaram ver filmes sem legendas se deve sobretudo a três obras: “A Selva” (75 562), “O Delfim” (37 700) e “Esquece Tudo o que te Disse” (25 650). Porque tiveram sucesso (dentro do nível das fitas portuguesas) esses títulos? Pode indicar-se, por exemplo, o facto de serem bons filmes (embora sem nada de revolucionário), contarem com actores famosos (Diogo Morgado e Maité Proença em “A Selva”, Alexandra Lencastre e Rogério Samora em “O Delfim” e António Capelo e Custódia Gallego em “Esquece Tudo...”), receberem a atenção da comunicação social e críticas relativamente positivas (sobretudo a obra de Fernando Lopes), conhecerem uma distribuição alargada (com destaque para o primeiro, já que os outros dois limitaram-se basicamente às salas do grupo Medeia), apoiarem-se em campanhas publicitárias significativas, serem rodeados à partida de interesse pelas adaptações de obras célebres da literatura nacional que representam ou, no caso do filme de António Ferreira, em resultado do prestígio que o realizador adquiriu com o filme anterior (“Respirar Debaixo d’Água”) e beneficiarem do apoio de um canal televisivo (neste caso, a RTP, uma vez que a SIC, por falta de dinheiro ou qualquer outro motivo, deixou o financiamento de novas obras para a concorrência).
Tirando essas “sensações” (longe de êxitos da década de 90 como “Tentação” ou “Zona J”), o panorama é desanimador. Manoel de Oliveira não foi bafejado pela fortuna: as duas obras da sua autoria que estrearam em 2002 (“Porto da Minha Infância” e “O Princípio da Incerteza”) levaram à venda de, respectivamente, 6178 e 6150 bilhetes. “Um Filme Falado”, ainda por estrear em Portugal, constitui a sua última oportunidade: se ocorrer outro “flop”, Oliveira terá decerto grandes dificuldades em arranjar apoios para levar a cabo novos projectos.

terça-feira, setembro 23, 2003

Morais: o regresso

Ele voltou! José Álvaro Morais, o realizador que criou esse “monstro” chamado “Peixe-Lua” (2000), acabou um novo filme, “Quaresma”, que, depois de passar por Cannes, estreia em Portugal no próximo dia 3 de Outubro. Vi o “trailer” da obra e... tenho medo, muito medo... nem só para dizer mal iria ver “Quaresma”.
Eu sei que é injusto protestar por causa de um filme que ainda não se viu e não tenho nada contra a protagonista, Beatriz Batarda (a propósito de actores portugueses com trabalhos realizados no estrangeiro, ela participou em várias séries britânicas, como “My Family”), além de reconhecer a beleza das paisagens filmadas, mas, já agora, quem é que por aí viu alguma vez uma longa-metragem de José Álvaro Morais? Ou melhor, quem é que alguma vez ouviu falar de Morais (não se trata de um jovem cineasta) e do seu trabalho? Levantem as mãos. Não levantam?
Morais é um dos realizadores mais anti-comerciais com que este país conta. Ninguém dá por ele, a não ser alguns críticos. As suas personagens parecem distantes de qualquer realidade. O enredo de “Peixe-Lua” é do mais confuso e aborrecido que há. O interesse do público parece não estar entre os objectivos do realizador. Na televisão, os seus filmes só devem ser aceites nas madrugadas da RTP2, e muitos espectadores desprevenidos que por acaso os vejam só poderão pensar: “O que raio é isto?” e depois “Quando é que isto acaba?” Morais afirma que os seus filmes, “num momento preciso da sua produção, da sua execução ganham uma vida própria”. Ou seja, a culpa não é dele.
Bem, aceito que exista quem aprecie as histórias de Morais, mas o seu caso não deixa de nos fazer perguntar qual é o público-alvo dos cineastas lusos (com a excepção de Fernando Lopes) cujos filmes são distribuídos pela Atalanta. Gastarão os financiamentos do Estado entretendo (?) sempre a mesma meia dúzia de pessoas?

domingo, setembro 21, 2003

Cinema autárquico

Esquecendo os privados e falando da intervenção das autarquias na divulgação do cinema entre os cidadãos, posso dar-vos o exemplo da Câmara de Odivelas (o meu amado concelho), que gere, através da empresa municipal Odivelcultur, a programação do Auditório da Póvoa de Santo Adrião (fui lá só para ver espectáculos teatrais, mas a sala não me parece má). No mês de Setembro, foram ou serão exibidos "Os Anjos de Charlie: Potência Máxima", "X-Men 2", "Hulk" e "Velocidade Mais Furiosa", além das sessões infantis (as mais concorridas) com "A Floresta Mágica" e "Sinbad - A Lenda dos Sete Mares". Não se pode dizer que a programação seja demasiado intelectual, mas pelo menos a entrada custa apenas três euros (um euro para menores de 13 anos).
No folheto publicitário da empresa, encontram-se, além de alguns erros ortográficos ("Dree Barrymore", "Jennifer Conelly"), a descrição da série de BD "The Incredible Hulk", da Marvel, como "longuíssima". Ou a Odivelcultur detesta o Hulk ou acha que após uns 30 anos de carreira os super-heróis deveriam passar à reforma (que diria do Batman e do Super-Homem?).
No seu "site", a empresa apresenta um inquérito ao utilizador que inclui uma pergunta sobre que filme gostaria de ver projectado na Póvoa de Santo Adrião (não são indicadas opções). O vencedor deste "Voto do Público" no mês passado foi "Os Anjos de Charlie: Potência Máxima". Este conceito não deixa de ser interessante. Se a maioria doodivelenses s escolhesse "Amarcord", a Odivelcultur teria que exibir a obra de Fellini. Aliás, se os munícipes escolhessem um filme ainda não estreado em Portugal, a autarquia teria que o comprar. É o sonho de qualquer cinéfilo.
Diga-se para terminar que a Odivelcultur não se limita a passar fitas: promoverá em Outubro um "workshop" para formar novos realizadores (de vídeo, pelo menos). Os filmes da autoria dos participantes (que abordarão "temas, aspectos ou histórias relacionadas com Odivelas") serão mostrados ao público no Auditório Municipal. Uma vez que uma imagem de "Cidade de Deus" é reproduzida no folheto, supõe-se que os novos cineastas terão de filmar o concelho como Meirelles filmou o Rio de Janeiro, o que pode dar resultados curiosos.

sábado, setembro 20, 2003

Obras-primas

Uma coisa que encontro nos clubes de vídeo e acho dispensável e algo ridícula (além de imensos filmes com Sylvester Stallone e sequelas como “Inspector Gadget 2”) são as citações de críticas (positivas) presentes nos cartazes ou nas próprias caixas de alguns vídeos ou DVDs. Esses elogios proferidos por críticos americanos que garantem a qualidade assombrosa das longas-metragens e nunca lhes atribuem menos de quatro estrelas fazem-me desconfiar. Parece que, contrariando o objectivo com que foram transcritos, esses louvores só comprovam a falta de valor da obra.
Para começar, são raros na publicidade de filmes muito famosos ou premiados, porque esses não precisam disso, valem por si. A citação de um artigo num jornal ou revista a exprimir adoração pela obra genial que agora chega ao circuito de “cinema em casa” parece estar na caixa para diminuir a má impressão deixada no consumidor pela leitura da sinopse existente na contracapa (um truque básico do comércio: “Não, não, vai ver que não é tão mau como lhe parece”).
A escolha quase generalizada de textos publicados nos States, da autoria de críticos obscuros e dados a conhecer em órgãos da imprensa que nada dizem ao espectador português, é outra desvantagem (curiosamente, os casos que conheço nos quais se recorreu a elogios lusitanos, como na publicidade de “Matrix” ou de “A Residência Espanhola”, correspondem a bons filmes), até porque anula o prestígio que a opinião poderia ter. Sem ter acesso aos textos dos quais foram retiradas as (breves) frases laudatórias, é impossível não imaginar que elas podem ter sido retiradas do contexto. Lembro-me de um “poster” de “O Homem Transparente” (filme de que não gostei) no qual uma citação louvava a qualidade dos efeitos especiais. Está bem, mas e os outros aspectos? O crítico pode ter escrito logo a seguir: “Tudo o resto é horrível”.
Na maioria dos casos, tratam-se de elogios tão curtos e fortes (“Magnífico!”, “Cinco estrelas!”) que soam a falso. Nem todos os filmes podem ser obras-primas, mas também é preciso reconhecer que pouco efeito publicitário teriam opiniões como “Exceptuando a primeira meia hora, o filme é bom”, “Os actores são óptimos, mas a banda sonora é insuportável” ou “Um dos 57 melhores filmes do ano”.
E é claro que a crítica elogiosa do “camone” que escreve no tal jornal pode ser uma excepção em mil textos carregados de insultos. No caso de “Encontro em Manhattan” (classificado com cinco estrelas pela citação), deve ser essa a situação.
Ao examinarem a caixa de um filme, concentrem a vossa atenção nas “taglines” ou no resumo da história e esqueçam os “certificados de qualidade” que nos impingem.

sexta-feira, setembro 19, 2003

quinta-feira, setembro 18, 2003

Portugal triunfa finalmente

É a sensação do momento: Lúcia Moniz (aquela das cantigas e das novelas) participou no filme "Love Actually" (ou "Love Actually is all around", como se chama agora) de Richard Curtis, uma comédia romântica em que contracena com Colin Firth ("O Diário de Bridget Jones"). Moniz interpreta uma emigrante portuguesa (surpreendente...) em França que trabalha para o personagem de Firth e, embora só se expresse na língua de Camões, acaba por se aproximar romanticamente do patrão (é apenas uma das dez histórias de amor que se cruzam ao longo da fita). Já estou a imaginar Moniz no ecrã de um cinema lusitano, a dizer frases deliciosas no nosso idioma enquanto lemos as legendas que traduzem o palavreado para inglês, de modo a que aqueles ignorantes anglo-saxónicos percebam... Tirando Luís Figo, nenhum compatriota nos deu tanto orgulho nas últimas décadas. Viva Portugal!
Mais habituado a representar para estrangeiros está Joaquim de Almeida, que, além de se meter em alguns filmitos por cá, interpreta vilões latinos e perversos nas fitas de Hollywood. Almeida recebeu agora a oportunidade de ser mau como as cobras na terceira série de "24", onde tentará matar Kiefer Sutherland (é isso que um vilão dessa série é suposto fazer).
Com a Lúcia e o Quim a alcançar o estrelato e a divulgar a nossa imagem nos States, Portugal será grande.

Realmente...

Parece que a confusão nos fóruns de cinema Nacionais continua. Fui ao site 7 arte e para variar lá estava o pessoal a mandar vir com os criticos de serviço. Penso que é uma atitude fácil e descnecessária. Para mim o trabalho de um crítico deve ser respeitado e entendido.
Eu gosto de ler as críticas mas para seleccionar um filme, procuro os críticos que mais acompanho, uma vez que conheço as suas reacções a coisas que gostei e que detestei.
Mas ir ao cinjema baseando a escolha numa opinião é sempre um risco, risco esse que faz o cinema ser tão fascinante.

quarta-feira, setembro 17, 2003

Cinema da coxa

Procurando contrariar a regra vigente que condena a maioria dos filmes portugueses à quase ausência de publicidade (já deu para ver que o investimento publicitário é meio caminho andado para o sucesso do cinema lusitano) e conduz a "flops" humilhantes, mesmo à nossa escala, como acontece agora com "O Rapaz do Trapézio Voador" (ver crítica ao filme em www.c7nema.net), com apenas alguns anúncios ultra-discretos na imprensa, falo agora de uma obra de origem nacional que estreia ainda em 2003 e sobre a qual é legítimo alimentar alguma expectativa: "Os Imortais", o novo filme de António Pedro Vasconcelos ("Jaime").
Apesar da atenção dada pela imprensa à sua rodagem, a estreia desta produção recheada de acção sobre um grupo de ex-combatentes que se reúne e faz estragos (oxalá não seja assim tão parecido com "Inferno"?), assaltando um banco, tem sido muito incerta. Falou-se da Primavera, depois de Junho e agora de 24 de Outubro. Nesse dia, “Os Imortais” enfrenta a concorrência de várias películas, incluindo o primeiro volume de “Kill Bill”. Lá mais para o final do ano, estreiam novos filmes das trilogias “Matrix” e “O Senhor dos Anéis”, que podem levar a outro adiamento. Quando poderemos realmente ver a obra (suficientemente comercial para fugir ao estereótipo do “filme para minorias”) de Vasconcelos?
Um dos principais motivos de interesse de “Os Imortais” reside no seu elenco, que conta com uma “estrela internacional”, Emmanuelle Seigner (a mulher de Polanski), os nomes do costume, como Joaquim de Almeida, Rogério Samora (actor presente em 93,7% da produção cinematográfica anual portuguesa) ou Nicolau Breyner, e a grande estreia: Rui Unas. Esse mesmo, o homem do “Cabaret da Coxa”, o “ganda maluco” da SIC Radical, que agora conta até com ficha e biografia no Imdb. Antes de participar neste filme (onde parece ter um papel de relevo), Unas fizera, em termos de representação, apenas uns quantos bonecos no “Curto-Circuito”, que eu me lembre. Além de ser um dos quatro “imortais” do título (fugindo, aparentemente, do registo cómico), Unas rodou já outro filme, a curta de terror “I’ll See You in My Dreams”, onde encarna um sacerdote.
Espero que o caso deste novo actor seja um pouco mais feliz que o de Catarina Furtado, outra vedeta da televisão que tentou a sua sorte no cinema. O lado mais “sério” de Unas será tão ou mais eficaz que as suas piadas politicamente incorrectas?

I live again!!!

Realmente estou de volta. O trabalho deste blog está em boas mãos mas hoje li umas coisas que não posso deixar de salientar.

O tio Arnaldo vai deixar o cinema. A vida na California é importante demais para continuar com o cinema. Boa notícia para o cinema, má noticia para os EUA. Antes eles do que nós.

Um filme que iria protagonizar vai ser feito pelo "o Calhau", a prova de que já era para os produtores.

Agora as boas notícias. Para os fans de Star Wars existe a possibilidade de já para o ano se ver a trilogia final da saga em DVD. Uma maneira de aumentar a agitação para a estreia do Episódio 3. Jogada mercenária de George Lucas, o que é perfeitamente normal.

Novamente as más notícias. O Indiana Jones e O Templo PErdido será cortado no Reino unido.
Esperemos que a versão que chegue cá seja feita propositadamente para nós ou temos de nos sujeitar.

E que tal este filme: Ghosts of Girlfriends Past
que é o Actor Principal???? Ben Affleck!!! Promete.

terça-feira, setembro 16, 2003

Incoerências de Portugal

Voltando ao tema dos erros presentes em textos sobre cinema publicados na imprensa portuguesa, refira-se igualmente a incoerência existente na crítica que Paulo Portugal faz ao DVD de “Austin Powers em Membro Dourado” na última edição da “Primeiras Imagens”. No texto, Portugal admite ter dado algumas “gargalhadas alarves” e afirma que “Goldmember está cheio de boas ideias” e bons actores, mas acumula as locuções adversativas (“mesmo que”, “ainda assim”, “apesar de”, “apesar da”) para mostrar que não apreciou muito a comédia “algo estafada” ou a “realização nem sempre conseguida”. Exige uma “profunda reflexão” antes do próximo filme da série. No entanto, a classificação atribuída ao filme no quadro abaixo do texto é de quatro estrelas (correspondente a “muito bom”). É estranho, mas não tanto como a garantia do crítico de que “Salvam-nos os extras muito decentes desta edição” e “os comentários do Meyers valem, só por si, uma revisão deste Membro Dourado”. No quadro, os extras recebem uma única estrela (equivalente a “mau”).
Assim, Portugal parece ser pouco exigente na classificação das longas-metragens (a uma obra de que não gostou por aí além atribui o estatuto de “muito bom”) e impossível de contentar quanto às opções especiais dos DVDs (ou então teve acesso a discos com extras tão maravilhosos que são indignos do género humano e tudo o resto lhe parece distante disso). Na página seguinte, encontra-se uma apreciação da sua autoria a uma edição de “Bowling for Comumbine” (sic) sem extras com as mesmas classificações.
Enfim, errar é humano...

segunda-feira, setembro 15, 2003

O filme da vida dele

Continuando com o tema da cinefilia dos nossos governantes, de acordo com o "Público" de 12 de Setembro último, o filme preferido do ministro da Presidência, Nuno Morais Sarmento, é "O Clube dos Poetas Mortos". Por mim tudo bem, se A Dois exibir ao menos essa obra. Parece que o espaço reservado ao cinema no novo canal público será menor que aquele que existe na "velhinha" RTP2.

Rigor jornalístico III

“Para rir, há a sequela de “Doidos à Solta”, com Jim Carrey, de novo pelas mãos dos irmãos Farrelly.”
Antena 1, 29 de Agosto, 08.02

Leia-se: “Para rir, há a prequela de “Doidos à Solta”, agora sem Jim Carrey e sem intervenção dos irmãos Farrelly.”

“O Presidente de Moçambique, Joaquim Chissano (...) assistirá, no Porto, à anteestreia do filme “Preto e Branco”, de José Carlos Rodrigues.”
“Público”, 3 de Setembro

O jornal admitiu posteriormente o erro e indicou o verdadeiro nome do cineasta, “José Carlos Oliveira”. Mais exactamente, José Carlos de Oliveira.

“A seu (de Luke Skywalker) lado, a princesa Leila e Han Solo (...).”
“Diário de Notícias”, 6 de Setembro

Leia-se: “... a princesa Leia”.

““Caserna dos Calões” (90 minutos). Uma irresistível comédia de caserna, com Steve Martin (...) na figura do sargento do título (...).”
“Diário de Notícias”, 6 de Setembro

Com o título da obra em português, o texto não faz sentido (o nome original da fita é “Sgt. Bilko”).

“O fim da saga da Guerra das Estrelas em que se revela a relação entre Luke Skywalker e Darth Vater. O herói é agora um jedi experimentado cuja primeira missão é libertar o seu companheiro Hans Solo (...).”
“Público”, 14 de Setembro

Leia-se “Darth Vader” e "Han Solo”.

domingo, setembro 14, 2003

Dois meses depois

Uma vez que se assinalaram anteontem dois meses decorridos desde o início da minha colaboração neste blogue, aproveito para agradecer ao Eng. Campos (sem o qual este projecto nunca existiria) a oportunidade que me concedeu de ver publicados textos da minha autoria, devolvendo-me o prazer de escrever e permitindo-me a observação deliciada do meu umbigo. Agradeço também à Dra. Serra e a toda a vasta equipa que trabalha diariamente para tornar este blogue possível.
Peço desculpa se alguma vez ultrapassei os limites do bom gosto (há blogues especializados nisso e não quero intrometer-me no seu campo de acção) ou produzi "posts" desprovidos de interesse e de valor literário nulo. Isso não voltará a acontecer... muitas vezes.
Espero que o Pipoca Rasca continue no bom caminho, atraindo um cada vez maior número de leitores (acredito que, com esforço, um dia chegaremos às 30 visitas diárias) e constituindo um útil instrumento de reflexão sobre a 7ª Arte que chega (por vezes, infelizmente) a Portugal.
Para terminar, agradeço também a colaboração incansável do casal Ben Affleck-Jennifer Lopez, que nos fornece abundante material para os "posts". Com estrelas de cinema assim, dizer mal é ainda mais divertido.

terça-feira, setembro 09, 2003

As aventuras de Leonel

Em meados da década passada surgiu, vindo do nada, um mirandês com vontade de fazer cinema sem sair de Portugal. Como se isto não fosse suficientemente anormal, o raio do homem não sonhava ver a sua obra exibida no King Triplex nem fazia questão dos críticos nacionais e estrangeiros o considerarem um génio. Não, ele pretendia fazer longas-metragens que os seus compatriotas realmente vissem. Filmes recheados de peripécias nos quais o realizador e o argumentista não fossem necessariamente a mesma pessoa, falados em português, fortemente publicitados na televisão e com dezenas de milhares de espectadores. Muita gente terá duvidado da sua sanidade mental.
No entanto, com o caminho aberto por Joaquim Leitão através do sucesso dos seus trabalhos com Joaquim de Almeida (no final de 1999 Leitão sofreu a desilusão de “Inferno” e só agora faz tenção de se lançar num novo projecto), este chanfrado chamado Leonel Vieira passou à acção, realizando “A Sombra dos Abutres”, uma história passada nos tempos negros do Estado Novo que talvez nunca tivesse chegado às salas se a seguir Vieira não mergulhasse no presente e revelasse ao país imagens únicas da Zona J de Chelas. E então soube-se que o mirandês podia realmente concretizar o seu plano insano. Vieira tornou-se o cineasta luso mais “mainstream” e foi aceite no exclusivíssimo clube dos realizadores não-americanos com a honra de ver os seus filmes projectados nas salas da Warner-Lusomundo. Com que resultados?
Bem, se exceptuarmos os seus trabalhos para televisão, até agora Vieira obteve dois êxitos, “Zona J” e “A Selva” (embora este não tenha sido a sensação que os seus responsáveis esperavam) e dois relativos fracassos, “A Sombra dos Abutres” e “A Bomba”. Recordo agora as longas-metragens rodadas por esta autêntica aberração do nosso cinema:

“A Sombra dos Abutres”: Não me recordo muito bem da história, mas sei que não gostei por aí além. Vieira provou aqui que, por incrível que pareça, não basta ter Vítor Norte e Diogo Infante no mesmo elenco para fazer um bom filme. Uma das primeiras obras portuguesas a ser lançada em DVD.
Do que me lembro: Um rádio anuncia a morte de Marilyn Monroe.

“Zona J”: Exemplar de “realismo urbano” com diálogos recheados de palavrões (sem parecerem excessivos) e um “casting” geralmente eficaz. Uma história interessante que acaba por se tornar algo simplista e limitada. Até agora, a melhor obra de Vieira.
Do que me lembro: Numa cena “romântica”, José Pedro Gomes pergunta a Ana Bustorff: “Tens mais pistáchios?”

“Mustang”: O quarto dos SICFilmes e o primeiro a poder ser agrupado na categoria “bosta”. Uma mistura de drama e “thriller” sem nada de criativo ou convincente.
Do que me lembro: No Verão de 1999, um grupo de jovens tenta decidir que filme irão ver: “O Mundo a seus Pés”? “Matrix”?

“A Bomba”: Não vi esta comédia, mas recebeu críticas péssimas e não me parece que tenha atraído multidões às salas. A principal acusação que lhe fizeram foi a de, ao tentar parodiar os “reality-shows”, não passar do nível de “Os Malucos do Riso”.
Do que me lembro: No “trailer”, Artur Albarran apresenta o telejornal.

“A Selva”: Grande aposta de Vieira e do produtor Paulo Trancoso, surpreende de início pela montagem frenética e pela beleza das paisagens amazónicas, mas as relações que se vão estabelecendo entre as personagens e os acontecimentos que daí decorrem parecem forçados. Contém Diogo Morgado num dos seus piores papéis (o que não quer dizer que seja um mau actor).
Do que me lembro: António Melo (que já aparecera em “A Bomba”) é referenciado nos créditos finais como “Tó Melo”. Será o actor-fetiche de Vieira?

O balanço acaba por ser mediano, entre as intenções de Vieira (e as expectativas que gerou com a competência demonstrada nos primeiros dois filmes) e o valor financeiro e cinematográfico das suas obras. Parece-me que “o” filme deste realizador ainda está para vir. Basta juntar a sua perícia na descrição de ambientes (os prédios suburbanos de “Zona J” e “Mustang”, o rio Amazonas de “A Selva”) e o seu gosto pela acção a uma boa história e a actores bem dirigidos para o mirandês receber os aplausos entusiásticos do público lusitano. Oxalá os seus próximos projectos acertem no alvo.

Nuno Ferreira - Quem És Tu?

Bravo! A "Primeiras Imagens" (PI) deste mês (nº9) apresenta um novo e melhorado grafismo, publicidade não-cinematográfica e, sobretudo, um menor tamanho, tornando-se bem mais fácil de manusear. Talvez as vendas aumentem com esta aparência renovada.
Há, no entanto, um mistério que o nº9 não esclarece e já dura talvez desde a fundação da revista. A ficha técnica da página 3 indica Nuno Ferreira como director da publicação e Filipe Lopes como seu sub-director. Certo. Mas não me lembro de alguma vez ler um texto assinado pelo director (ao contrário do que acontece na "Premiere", dirigida por José Vieira Mendes). Ele nem sequer faz parte do painel de críticos. É Lopes quem escreve o editorial, faz entrevistas e constitui a "cara" da PI, sendo convidado para fazer parte do júri de festivais. No meio disso tudo, o que faz o seu superior hierárquico? Não, não responde aos leitores (essa secção é anónima). Não há provas de que se envolva na redacção da PI. Nesse caso, porque não é Lopes simplesmente o director e Ferreira permanece desde sempre no topo da coluna da página 3?
Há várias explicações possíveis:
a) Nuno Ferreira é filho de um importante investidor que quando os fundadores da PI procuravam apoios exigiu que o seu rebento tivesse um "tacho" na redacção. Caso contrário, não haveria revista para ninguém. Ferreira limita-se basicamente a receber a sua parte dos lucros.
b) Filipe Lopes possui dupla personalidade e à noite transforma-se em Nuno Ferreira, dirigindo a revista com essa faceta, enquanto escreve os seus textos (como Lopes) de dia. Ferreira faz numerosas alterações aos escritos de Lopes.
c) Ferreira é um homem tão ocupado com o grafismo, a publicidade e a construção do "site" da PI que não nem tempo para ver nem uma curta, quanto mais escrever sobre cinema. Além disso, prefere assistir à programação da TVI.
d) Ferreira nunca é visto em público e duvida-se da sua real existência. Trata-se de uma espécie de Grande Irmão, criado para obter a veneração e obediência cega dos colaboradores da revista. O culto ao chefe impede-os de pensar em reclamar melhores pagamentos.
e) Ferreira é neto de um emigrante português no Qatar e não sabe quase nada da língua de Camões, por isso não pode redigir artigos para a revista que dirige.
Alguma destas teses deve estar próxima da verdade.

domingo, setembro 07, 2003

Obrigado, ACAPOR!

Encontrei no videoclube um folheto gratuito da autoria da ACAPOR (Associação de Comércio de AudioVisuais de Portugal) informando os consumidores das últimas novidades no mercado de aluguer de vídeo/DVD.
O mais interessante no folheto é a indicação, fornecida quando existem dados disponíveis a esse respeito, dos custos de produção e receitas nas bilheteiras americanas dos filmes publicitados. Trata-se de um acto de enorme sinceridade da ACAPOR, que não promove cada fita como se fosse a melhor de sempre mas apresenta dados que permitem ao cliente formular algumas conclusões, tanto mais que se revelam não só casos como o de "A Diva da Moda" (cujos rendimentos foram superiores ao quádruplo do orçamento) como também fracassos do tipo de "Nas Teias da Corrupção" (custou 24 milhões de dólares e não rendeu nem um milhão).
Um "slogan" presente na brochura ("Vá ao seu videoclube - Veja cinema em família") parece absurdo tendo em conta que uma das obras mencionadas é "Irreversível" (não me parece aconselhável que uma família inteira, incluindo crianças e avós, veja em conjunto o filme de Gaspar Noé). Curiosamente, ao contrário do que acontece com os outros DVDs, o título desta longa-metragem é acompanhado não de uma sinopse mas de um texto retórico ("Porque o tempo destrói tudo... Porque o amor comanda a vida. Porque toda a história descreve-se (sic) com sémen e sangue...") incentivando o seu aluguer. Porque será?

sábado, setembro 06, 2003

Ben e Jennifer triunfam

Consultando a lista dos cem filmes pior classificados pelos frequentadores do Internet Movie Database, podemos ver como o mestre Ed Wood vai perdendo o “amor” do público graças aos novos cineastas que, embora com mais dinheiro à sua disposição, tudo fazem para imitar o grau de falta de qualidade de clássicos como “Glen or Glenda” (posição 66) e “Plan 9 From Outer Space” (posição 77). Filmes dos anos 90 e até mesmo já deste século espalham-se pelas posições superiores. Neste momento, “Gigli” e “From Justin to Kelly” (uma comédia musical passada na praia, ou algo do género), ambos de 2003, disputam a primeira posição, com a mesma média (1,5 em 10), mas possuindo a obra protagonizada por Lopez e Affleck um maior número de votos. Se algo ainda pior não aparecer nos próximos tempos, o casal pode realmente ficar na História do Cinema, embora não pelas melhores razões.

sexta-feira, setembro 05, 2003

Eu não quero ser chato, mas...

A propósito da Série Y do “Público”, lembrei-me de um pormenor insignificante mas bizarro do DVD de “Que Fiz Eu para Merecer Isto?” (uma das comédias mais divertidamente absurdas de Pedro Almodóvar), vendido com uma edição do jornal. Embora o cartaz reproduzido na capa da caixa corresponda ao referido filme, as fotografias da contracapa apresentam imagens que não fazem parte dele. Tendo em conta a presença de freiras, devem ter sido retiradas de “Negros Hábitos”, outra obra do realizador espanhol. Todos os outros elementos da contracapa encontram-se correctos (à excepção da omissão do “Eu” na citação do título da fita). A confusão é ainda maior sabendo-se que a ideia inicial do “Público” era a edição de “A Lei do Desejo”, projecto que se revelou impossível, obrigando à utilização de “Que Fiz Eu...” para representar Almodóvar.
Será a detecção de erros nas caixas de DVDs um novo tipo de “caça” que pode ser efectuado por este “blog”? De acordo com o que a “Premiere” não se cansa de repetir, há muito material para explorar.

Super-heróis velhos e gastos?

Falar dos próximos filmes do Batman e do Super-Homem tornou-se tão vago e fútil como discutir quais serão os candidatos às próximas eleições presidenciais portuguesas. Há anos que as publicações especializadas lançam nomes mais ou menos sonantes de actores e realizadores prontos para fazerem nascer novas versões cinematográficas das duas figuras da DC Comics (que vê a Marvel triunfar nas bilheteiras mundiais com as criaturas de Stan Lee). No entanto, parece acontecer sempre algo que faz esses nomes voltar atrás e abandonar os projectos. A nível dos realizadores, já se falou de Tim Burton, Darren Aronofsky, McG, Brett Ratner, Wolfgang Petersen... Quanto aos actores dispostos a tornarem-se heróis na tela, são inúmeros. A imprensa de Hollywood afirma já ter listas entre as quais será escolhido o homem certo, neste caso para o "Batman" que, ao que parece, Christopher Nolan rodará. Por enquanto, para variar, são só rumores...
Haverá realmente necessidade de prolongar (ou melhor, ressuscitar, pois as últimas obras das duas séries foram produzidas já há bastante tempo) as aventuras em imagem real do Homem-Morcego e do Homem de Aço? Curiosamente, as "carreiras" dos dois possuem vários pontos em comum. Embora o especialista neste assunto seja o Fernando Campos, sei que, se exceptuarmos produções antigas de pequeno orçamento, os dois heróis apareceram em quatro longas-metragens cada um, com uma evolução semelhante: primeiro filme - enorme sucesso de crítica e público; segundo - consolidação do êxito; terceiro - perda de qualidade, descaracterização da personagem e baixa de receitas; quarto - oficialmente nunca existiu, tal foi o ódio que lhe votaram os poucos espectadores que o viram.
Nesta altura, 16 anos depois de "Super-Homem IV" e 6 depois de "Batman e Robin", valerá a pena voltar a pegar nesses tipos e confiar neles para salvar o mundo e atrair multidões aos multiplexes?

quinta-feira, setembro 04, 2003

Numa banca perto de si

De acordo com a publicidade, o jornal diário "24 Horas" lança-se na aventura da venda de DVDs a baixo preço juntamente com os exemplares de um determinado dia da semana. O dia escolhido é a quinta-feira. Uma decisão arrojada, pois é também na quinta que o "Público" põe à venda as obras que constituem a Série Y. Decerto que, a pouco e pouco, os leitores do jornal de Belmiro de Azevedo, sobretudo os de classe alta ou média-alta, se interessarão de forma crescente pela colecção rival e passarão a preferir o "24 Horas", com a sua informação útil e variada.
É interessante, como sinal e contributo para a banalização do DVD, que a imprensa lance este tipo de iniciativas. Mas qual será o catálogo do "24 Horas"? Já conhecemos a lista do "Público", uma espécie de guarda-vestidos onde se encontram peças concebidas pelos melhores costureiros europeus (Almodóvar, Moretti, Jeunet, etc.) e americanos (Lee, Allen, Lynch, Fincher e muitos outros), além de algumas roupas "made in Portugal", modernas ("Tentação", Zona J") ou para saudosistas (comédias portuguesas dos anos 40), dando um toque de classe ao cinéfilo sofisticado, e a do "Diário de Notícias" (agora suspensa), muito desarrumada e com material de todo o tipo misturado, incluindo artigos mais triviais mas nem por isso populares ("O Lago", "Paixões Paralelas"...) e outros mais finos ("Disponível para Amar"), embora nenhum particularmente vistoso.
Como será a colecção "24 Horas"? Provavelmente serão seleccionados filmes com títulos apelativos, cheios de sexo, com pouco diálogo e repletos de estrelas e pseudo-estrelas.

quarta-feira, setembro 03, 2003

Evitar cinema rasca Parte1

Domingo é um dia giro para ir ao cinema. Mas qual cinema?
Os filmes que andam por aí são de qualidade duvidosa.
Sugiro uma boa procura pelo jornal pelos cinema do Grupo Medeia. Se repararmos com atenção estão muitas obras-primas no cinema como dois clássicos de Fellini (Amarcord e A doce Vida) e ainda os melhores filmes da última temporada no cinema Ávila.
As salas podem ter lugares apertados mas os filmes valem o sofrimento.

segunda-feira, setembro 01, 2003

A sequela de que o mundo (não) precisava

Já está filmada a sequela de "Falsas Aparências". A sua estreia nos EUA, prevista ainda para este ano, foi adiada para Abril de 2004.
É provável que quem leu o parágrafo anterior esteja a perguntar: a sequela de quê?
"Falsas Aparências" passou bastante despercebido em Portugal, mas na América do Norte, onde é conhecido pelo título de "The Whole Nine Yards", teve um surpreendente sucesso que justificou uma continuação. De facto, só esse sucesso pode servir de razão para fazer o novo "The Whole Ten Yards".
O filme original trata-se de uma comédia realizada por um tipo qualquer e com actores como Bruce Willis, Matthew Perry, Rosanna Arquette e Amanda Peet (quem quiser ver nua a actriz de "Jack and Jill" tem aqui a sua oportunidade de ouro). É sobre um dentista canadiano bonzinho (Perry, engraçadinho) casado com uma mulher que lhe faz a vida negra e ainda por cima tem um sotaque francês horripilante (Arquette, exagerada) que descobre que o seu novo vizinho (Willis, longe da nomeação para o Óscar mas suficiente: acho que ele resulta melhor na acção que na comédia) é um assassino recém-saído da prisão. Assustado, é no entanto convencido pela esposa a procurar ganhar dinheiro com a sua descoberta, envolvendo-se então numa embrulhada imensa da qual dificilmente sairá com vida. Não parece muito cómico, e a verdade é que o filme raramente faz rir. Ainda por cima combina o tom negro com alguns apontamentos de humor físico que não possuem qualquer graça ou sentido. Uns 75% da história são previsíveis e o final feliz é no mínimo convencional. Mas até lá o espectador resigna-se e vai sofrendo, só para saber o que vai acontecer ao coitado do dentista. Em suma, é um filminho banal que está longe de ofender tanto como "Irreversível" mas que, ao contrário deste, dificilmente persistirá na memória de mais de dez pessoas.
Porquê fazer uma sequela?! A história, da maneira como acabava, parecia esgotada e a verdade é que não compreendo o que raio pode ter o novo projecto para oferecer de diferente. Ainda por cima o argumentista é o mesmo. Para quê desperdiçar dinheiro tentando fazer render ainda mais o peixe? Duvido que alguém fora do público que viu "Falsas Aparências" manifeste algum interesse por "Falsas Aparências 2", "Aparências Mais Falsas", "Outras Falsas Aparências" ou seja lá qual vier a ser o título lusitano.
Vendo bem, não será o único caso de sequela inútil. Será vital para o cinema esse tipo de filmes? Estarão as sequelas condenadas a não ser mais que transcrições a papel químico dos filmes que lhes deram origem?