segunda-feira, dezembro 29, 2003

O futuro próximo

O que irá estrear em Portugal nas quintas-feiras de 2004?
Não é difícil responder a esta pergunta (o 7ª Arte já tem uma longa lista), mas alguns títulos merecem particular atenção por uma razão ou outra. No campo do cinema português, iremos ter (se tudo correr bem, porque com os nossos filmes nunca se sabe: vejam-se os casos de "Xavier" ou "A Mulher Polícia") duas produções de Tino Navarro, "Portugal S.A.", de Ruy Guerra, e "Um Tiro no Escuro", o regresso de Leonel Vieira (esperemos que mostre a sua melhor forma no género de acção), além de "Lá Fora", de Fernando Lopes, que filma novamente Rogério Samora e Alexandra Lencastre. Alem destes produtos virados para o grande público, devem também aparecer as obras de autor do costume.
Examinando o ficheiro "Sequelas", temos um Cody Banks 2 (o primeiro filme não é já de 2003? A isto chama-se não perder tempo), mais um Harry Potter (iupiii... confesso que tenho passado ao lado deste fenómeno) e, claro, o segundo Homem-Aranha (uma oportunidade para Raimi corrigir os clichés que apareciam aqui e além na fita de 2002). Numa quinta-feira qualquer, deve aparecer "Scary Movie 3" (com David Zucker, será desta?). O volume II de "Kill Bill" não é bem uma sequela, mas parece ser a proposta mais interessante deste Inverno.
Outras novidades são a tão anunciada viagem de Tom Cruise ao Japão ("O Último Samurai"), a adaptação da "Ilíada" com Brad Pitt ("Troy") e a voz de Bill Murray em "Garfield". Mas talvez o melhor de tudo seja... aquilo que ainda ninguém fala. As surpresas vindas de onde menos se espera (como "Adeus Lenine" ou "Cidade de Deus") costumam incluir-se entre as obras mais marcantes...

domingo, dezembro 28, 2003

Factos de 2003 - Parte 1

Tal como outros anos, 2003 tem motivos de orgulho cinematográfico e também de decepção. Em termos de cinema americano 2003 foi sem qualquer dúvida o ano das sequelas na altura do Verão fundamentalmente. Então vejamos:

- Jeepers Creepers 2
- Terminator 3
- Bad Boys 2
- Tomb Raider 2
- American Wedding AKA American Pie 3
- X-Men 2
- Legally Blonde 2
- Final Destination 2
- Livro da Selva 2
- 2 Fast 2 Furious
- Charlie's Angels: Full Throttle
- Matrix Revolutions
- Matrix Reloaded
- Spy Kid 3d
- Freddy vs. Jason
- Era uma vez no Mexico (Desesperado 2)
- Scary Movie 3

E foi também o ano dos heróis de BD aprovarem que estão de pedra e cal nas bilheteiras:

Hulk
X-Men 2
Demolidor
LOXG

E os produtos que mais sucesso deram nas bilheteiras não são sequelas tal como os Piratas das Caraíbas e Finding Nemo.
Além do mais, nos meses de Verão os Norte-Americano não tiveram aquele filme, foram tantos os blockbusters que se dispersou o mal pelas aldeias e muitos acabaram por ser flop.
Será este um ano para as produtoras pensarem?

quinta-feira, dezembro 25, 2003

Os meus Melhores de 2003

É hora para os habituais balanços do ano. Depois de consultar uma enorme lista com os filmes estreados entre nós, aqui está o meu top 10:

Top 10
Posso dizer que um ano em que todos os filmes do top 10 tem classificação (*****) foi um ano de grandes produções cinematográficas.


1 - A Última Hora
1 - Embriagado de Amor
1 - Mystic River
4 - Herói
5 - Kill Bill
6 - A Cidade de Deus
7 - Longe do Paraíso
8 - Apanha-me se Puderes
9 - Elefante
10 - Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei

Como podem ver não consigo dizer qual gostei mais...

Top Maiores Decepções

1 - Extreminador Implacável 3 - Ascenção das Máquinas (0)
2 - Matrix Revolutions (**)
3 - Cubo 2 - HyperCube (*)


Prémio "Perdeu-se a oportunidade de fazer algo muito bom"
O Amor Acontece (**) - menos mel, sem Natal e Richard Curtis tinha feito uma comédia 100%

Prémio "Pior Filme de 2003"
Extreminador Implacável 3 - A Ascenção da Máquinas

Prémio "Maior Surpresa"
Herói - realmente estreou sem se falar e é um dos mais belos filmes estreados

Melhor filme "Fora do Top 10"
Dogville (*****) - será o 11 mas só podem ser 10 :-(

Melhor BlockBuster de Verão
Hulk (****,5) - demasiado incompreendida a visão de Ang Lee que a meu ver é a melhor adaptação
de bd desde os Batmans de Tim Burton

Melhor Sequela
Não considerando o Senhor dos Anéis visto ser uma obra única com três volumes
X-Men 2 (****)

terça-feira, dezembro 23, 2003

O que fica de 2003?

O que irá permanecer a longo prazo deste ano cinéfilo prestes a terminar na cabeça dos espectadores lusitanos? Daqui a dez anos, provavelmente (nisto da futurologia há que ser cauteloso) até os mais jovens e desatentos associarão 2003 a "O Regresso do Rei", "À Procura de Nemo" e às sequelas de "Matrix". Mas haverão decerto grupos minoritários que se lembrarão de obras de peso financeiro menos colossal. Um eventual inquérito realizado em 2013 poderá recolher respostas como estas:
"2003? Ah, sim, foi quando chegou cá o "Bowling for Columbine", do Michael Moore, o grande herói da luta contra o tenebroso imperialismo americano."
"Lembro-me da primeira parte do "Kill Bill"... ou isso foi já em 2004?"
"Foi o ano entre os dois primeiros Homens-Aranhas".
"Nesse ano fui ver "Adeus Lenine". Os sacanas dos comunas devem ter odiado essa fita, eh, eh."
"Chegou a Portugal uma das minhas obras preferidas do venerando Mestre Spielberg, "Catch Me if You Can"."
"Nesse tempo ainda estreavam filmes portugueses, veja lá como o tempo passa... Se bem me lembro, houve um, "Os Imortais" ou lá o que era."
"Os Óscares desse ano foram para... "Chicago", "As Horas", "O Pianista" e "Mystic River", acho eu. Não, espera, o do Eastwood só ganhou no ano seguinte."
"O ano de "Legalmente Loura 2", claro! Fartei-me de rir quando vi isso. Foi sem dúvida a grande comédia da década."
"Em termos de cinema, o acontecimento mais importante foi o aparecimento do Pipoca Rasca. Eh pá, ninguém imaginava o fenómeno que aquilo ia ser..."

Feliz Natal e, já agora, bom 2004 para os nossos amados leitores.

segunda-feira, dezembro 22, 2003

Nostalgia dos anos 90

Na década passada (quando éramos jovens e ingénuos), algumas mentes brilhantes, apoiadas paternalmente por Pinto Balsemão, procuraram popularizar o cinema português. Esse objectivo implicava não só histórias com acção e palavrões mas também canções pop/rock de artistas na berra que ficassem no ouvido e servissem para a promoção dos filmes. Assim, Pedro Abrunhosa ("Adão e Eva"), Delfins ("Adeus Pai" e "Zona J"), Xutos e Pontapés ("Tentação" e "Inferno"), Rui Veloso ("Jaime") ou GNR ("Amo-te Teresa") criaram temas a acompanhar as cenas do novo e arrojado cinema luso.
No século XXI, isso acabou. Para já, porque a intenção de fazer os portugueses verem cinema na sua língua acabou por chocar com a realidade. A SIC ficou em dificuldades e abandonou, por muito tempo, os cineastas à sua sorte. A RTP apoia sobretudo os "velhos" realizadores. Os Delfins passaram de moda. Actualmente, recorre-se a reportório mais "clássico" ou a canções giras mas de grupos desconhecidos (como acontece com "Esquece Tudo o que Te Disse"). Isso é bom ou mau? Bem, não deixa de ser pena que o interesse dos produtores e o esforço dos músicos na década anterior tenha sido apenas passageiro... Cinema e rádio constituem mundos praticamente à parte no nosso país.

Um 007 desastrado

"Johnny English", o último veículo para Rowan Atkinson (que apareceu, mais recentemente, em "O Amor Acontece"), é claramente direccionado aos fãs do actor britânico. Em Portugal, tornou-se um sucesso de bilheteira, ou não fosse a popularidade de Rowan preservada ano após ano pela série "Mr. Bean", que a RTP agora exibe pela enésima vez.
Na verdade, "Johnny English" não é (felizmente) uma cópia da adaptação do mais famoso personagem da TV britânica à 7ª Arte, mas, embora Rowan fale frequentemente, continua a ser nele que praticamente tudo assenta. Os seus esgares e expressões agradam ao espectador mais exigente. Contracenando com o mestre, passam pela tela John Malkovich (interpretando o vilão, com um sotaque francês ultra-irritante), a estreante Natalie Imbruglia (que parece sempre uma cantora a tentar ser actriz) e o interessante Ben Miller.
Parodiando a série James Bond, não possui a imaginação e o estilo próprio de "Austin Powers", o que é compreensível, tendo em conta que dois dos argumentistas escreveram antes "O Mundo não Chega" e "Morre Noutro Dia". É apenas uma comédia simples de hora e meia (alguém conhece uma comédia pura que dure mais de duas horas?), que procura distrair o público com uns quantos "gags" (alguns previsíveis), e de facto consegue-o. A história tem ritmo e hilaridade de qualidade aceitável (é um dos primeiros filmes, pelo menos de que eu me lembre, a referir-se abundantemente à tecnologia do DVD).
Vale, pelo menos, o dinheiro do aluguer (o mais interessante dos extras são as cenas cortadas, visíveis após a realização de um pequeno teste). Quem não gostou de "Bean" pode ver aqui que Rowan pode ser grande também em cinema.
A melhor cena: Johnny revela o seu plano para capturar Sauvage.
A pior cena: Johnny no hospital.

Nota: 6/10.

domingo, dezembro 21, 2003

LOTR: The end

Mais um Natal e a trilogia do Senhor dos Anéis chegou ao fim.
E ao contrário de outras trilogias o final é um ponto alto ao contrário do habitual, uma perda de força.
Peter Jackson consegue arrebatar-nos mais uma vez do ponto de vista visual, consegue com a preciosa ajuda de Alan Lee e Jonh Howe (muito esquecidos) fazer uma obra visualmente esmagadora. Alan Lee, Jonh Howe estudaram durante anos a obra de Tolkien e trouxeram-na para o mundo das imagens. Peter Jackson tem mérito na realização, no suberbo trabalho de casting mas os dois artistas fizeram o mais importante, a credibilidade da Terra Média baseada nas descrições de Tolkien.

E o que dizer deste último filme que ainda não tenha sido dito? Gostei mais deste episódio que do anterior "As Duas Torres" e penso que Peter Jackson fundou um reino semelhante ao que George Lucas alcançou com o Star Wars. Criou uma empresa de efeitos visual, transformou em filme o impossível e conquistou críticos e fãs três vezes seguidas.

Não me quero alongar mais. Posso mesmo dizer que em relação a estes filmes a velha frase:

- Uma imagem vale por mil palavras!

Irmandade do Anel: 5 (0-5)
As Duas Torres 4(0-5) (versão extendida) 5 (0-5)
O Regresso do Rei 5(0-5)

sexta-feira, dezembro 19, 2003

Miramax

Pelas nomeações de ontem para os Globos de Ouro parece que o factor Miramax voltou a atacar. Oito nomeações para um filme da editora, outrora independente.
Nos últimos anos viram-se fenómenos muito estranhoas. O número de vezes que um filme não ganhou óscar de melhor filme e de melhor realizador foi maior nos úlrimos dez anos que no resto da História dos Óscares da Academia. Parece que este ano nhão foge à regra.
No ano passado dos nomeados para melhor filme quatro tinham o envolvimento dos patrões da Miramax e dos quais acho que verdadeiramente bom só o Senhor dos Anéis. Depois de estarem bem nas bilheteiras a Academia lá dá um óscar de melhor filme para não assustar nínguem, distribuindo os restantes prémios.

Por estas e outras o desacreditar dos prémios Made in America
Espero que "Cold Mountain" seja verdadeiramente bom

quinta-feira, dezembro 18, 2003

Roma diz "OK"

Segundo o Imdb, o Vaticano (diz-se que até o próprio João Paulo II) já pôde ver o novo filme de Mel Gibson, "The Passion of Christ". O veredicto é positivo: a fita não possui qualquer elemento anti-semita. Será mesmo assim? A avaliação da poderosa comunidade judaica de Hollywood não parece ser a mesma... De qualquer maneira, virão as eventuais reacções do público a este filme tão polémico (esperemos que a sua qualidade mereça tanto barulho...) e anti-comercial (agora nem tanto, graças à curiosidade provocada pela "guerra religiosa" que o rodeia) a ser influenciadas sobretudo pelas suas opiniões religiosas? Os espectadores que duvidarem da verosimilhança do argumento acharão tudo ridiculamente exagerado? Os crentes arrebatados ficarão maravilhados com a visão de Gibson? Seja como for, o melhor será evitar reacções exageradas. É só um filme, não é para ser levado a sério...

quarta-feira, dezembro 17, 2003

Alguém deu por eles?

A febre da listagem começa a instalar-se. A selecção furiosa e incontrolável dos melhores filmes, actores, realizadores ou cenas de 2003 iniciou-se e, mesmo antes da cerimónia dos Óscares, dominará a Internet cinéfila. Mas nem todas as longas-metragens que estreiam em Portugal recebem a mesma atenção. Algumas não são capa de jornal, vêem a sua publicidade na imprensa reduzida a um espacinho na edição de sexta-feira (ou quinta-feira, como parece que acontecerá em 2004), recebem atenção escassa ou nula da crítica e, geralmente, ficam em exibição num número reduzido de salas durante duas ou, com sorte, três semanas. Em resumo, quase ninguém dá por elas. A recolha de alguns destes casos é fortemente subjectiva (na Europa, não existem ainda dados sobre receitas de bilheteira a oeste de Badajoz), mas não me parece que (seja isso justo ou injusto), excepto em caso de sucesso no circuito vídeo/DVD (cada vez mais só DVD), muita gente se lembre de incluir estes títulos no seu "top" mais das fitas estreadas em Portugal em 2003:

"Altar", de Rita Azevedo Gomes
"Altos Voos", de Bruno Barreto
"Amores de Verão", de Jim Fall
"Bela Marta", de Sandra Nettelbeck
"Below-Maldição Submersa", de David Twohy
"Blanche", de Bernie Bonvoisin
"Blue Car", de Karen Moncrieff
"O Clube do Imperador", de Michael Hoffman
"Duro Amor", de Martin Brest
"Encontros Fatídicos", de Brian Gilbert
"Encurralada", de Luis Mandoki
"A Filha", de Solveig Nordlund
"A Flor do Mal", de Peter Kosminsky
"Gente Conhecida", de Dan Algrant
"Kangaroo Jack", de David McNally
"Matar o Rei", de Mike Barker
"Os Náufragos da D17", de Luc Moulet
"O Que Uma Rapariga Quer", de Dennie Gordon
"O Rapaz do Trapézio Voador", de Fernando Matos Silva
"Regressão", de Stephen Gaghan
"Relações Imprevistas", de Lisa Cholodenko
"The Touch - O Talismã", de Peter Pau
"Tudo a Roubar!", de Gavin Grazer

terça-feira, dezembro 16, 2003

Piada fácil do dia

A operação militar americana que capturou Saddam Hussein recebeu o nome de código de "Red Dawn". Tal como o "Público" de ontem lembrava, trata-se do mesmo nome de um filme rasca (realizado por John Milius) de 1984, no qual um grupo de jovens americanos (os "Wolverines", termo também utilizado na operação) enfrentam uma invasão cubano-soviética. "Red Dawn" ("Amanhecer Violento" em português, talvez por receio dos tradutores de parecerem anticomunistas) é muito mau, mas teve algum sucesso e talvez tenha agradado vivamente a algum oficial que planeou a acção. Só espero que a moda das fitas de baixa qualidade dos anos 80 não pegue e não surja nenhuma Operação "Missing in Action".

P.S. Infelizmente, ainda tenho de recorrer a computadores públicos...

domingo, dezembro 14, 2003

Cegos e Samurais

O novo filme de Kitano apresenta-se como um filme de época muito interessante. Não se pense que Kitano leva esta coisa de época muito a sério, o filme é um entreternimento muito interessante, melhor que muita coisa que vem dos lados americanos.
Sendo um filme baseado numa personagem que teve direito a 27 filmes e que o último apareceu em 1989, Kitano soube dar a uma obra que não lhe dizia nada em especial, um cunho pessoal muito interessante, capaz de lhe dar um interesse adicional.
A nível técnico o realizador soube utilizar a violência brutal muito bem, completamente diluida na acção e na história, esta sim surpreendeu-me pois esperava algo muito mais linear o que não é o caso.
Kitano sabe dosear o humor muito bem, com sequências que mostram um à vontade a toda a prova fazendo com que o filme nunca se leve muito a sério.
Sem me alongar muito mais recomendo vivamente para que quiser um bom entreternimento.

Classificação: 4 (0-5)

sábado, dezembro 13, 2003

Vida Díficil esta de "Bloguista"

O meu colega do blogue sofreu um pequeno problema com o seu computador e nos próximos tempos serei eu a colocar todas as novidades no blogue. Os computadores quando pifam, pifam mesmo.

quinta-feira, dezembro 11, 2003

Notas

Na última edição, "O Independente" mostrava serem verdadeiros os boatos que recentemente corriam à boca pequena em alguns círculos restritos: o Estado português gasta fortunas a apoiar filmes que ninguém vê. Entre 1997 e 2002, longas-metragens de realizadores como João César Monteiro ou Rita Azevedo Gomes tiveram um custo de mais de 200 euros por cada espectador. Só cineastas chamados Leonel Vieira, Joaquim Leitão ou Maria de Medeiros obtém lucros de bilheteira que reduzem esse valor a menos de quatro euros.
É certo que o ICAM deveria aperfeiçoar os seus critérios de atribuição dos preciosos subsídios e a indústria cinematográfica portuguesa (caso existisse) deveria possuir muito maiores apoios privados, mas, como escreve Inês Serra Lopes, a culpa também é dos nossos realizadores, que tomam sempre precauções para que o número de espectadores das suas obras seja bastante reduzido. Apoiado pelos fundos públicos, o pérfido e tenebroso Paulo Branco (que "O Independente" reconhece como o produtor de maior estatuto internacional com que Portugal conta) lança películas de autor que pouco ou nada contribuem para a evolução do nosso cinema. Cinema-espectáculo ou cinema de autor: o grande drama português. Até agora, tem prevalecido o segundo, com os resultados que se conhecem.

Devido a um problema do servidor, não têm aparecido abaixo dos textos deste blogue referências à existência de postas de pescada. Cliquem no local indicado na mesma, pois há muito que ler.

Sim, ultrapassámos na segunda-feira as 3000 visitas. Obrigado Sara, Tiago, Frederico, Anónimo, José, Duarte, fatchary, Cristina, Nuno, Christopher e todos os leitores cujo nome não sabemos.

terça-feira, dezembro 09, 2003

O melhor crítico Português: Eurico Lopes

Perguntam-me vocês quem é Eurico Lopes?
Muitos são os sites de cinema onde vezes sem conta os fóruns são bombardeados com comentários de mau nível sobre cinema. E a discussão é sempre sobre o valor do crítico que proferiu tal sentença.
Sou um leitor frequente das críticas de João Lopes e de Eurico de Barros e acho que sendo João Lopes um crírico que gosta de Spielberg, Lynch e a linha mais clássica Eurico de Barros gosta de uma boa sessão de Carpenter, com sangue, balas e ferro torcido.
Sinceramente acho que o leitor deve antes de criticar um crítico (passo a redundãncia) ler frequentemente as suas opiniões e percebê-lo. Perceber um crítico é perceber as suas sensibilidades e aí poderemos pensar: O Eurico de Barros deu 5 estrelas ao Lord of the Rings: FOTR e o João Lopes deu 2 estrelas... hummm acho que EU vou gostar. Agora aquele BLOG do boi... NÃO HAVIA NECESSIDADE

segunda-feira, dezembro 08, 2003

Os críticos são nossos amigos

Não direi que a Kathleen Gomes (ou qualquer outro crítico alérgico a Spielberg) é um boi, até porque costumo registar sobretudo as impressões gerais dos especialistas na 7ª Arte que publicam recensões na imprensa ou na Internet sobre determinado filme. Normalmente, estão de acordo quanto ao elevado mérito ou à monstruosidade de uma longa-metragem. Mesmo quando as opiniões se dividem (como aconteceu com “Kill Bill”), costuma haver uma tendência dominante. Mesmo que não me guie estritamente pelas estrelinhas atribuídas pelos críticos, eles acabam por criar, pelo seu aplauso ou repulsa (ou ainda pior, indiferença), uma ideia prévia sobre as fitas que pode ser prejudicial.
É difícil (felizmente) ler tudo o que se publica em Portugal sobre o cinema em exibição. Ainda assim, nos espaços que consulto mais frequentemente, costumam-se destacar alguns nomes cujos textos possuem determinadas características especiais. Quem pode passar ao lado das reflexões elaboradas e intelectuais de João Lopes, da brutalidade (ou polémica) de Eurico de Barros, da snobice q.b. do painel do “Público”, dos intermináveis (mas claros e directos) ensaios de Nuno Antunes (Cinema2000), da paixão pela comédia romântica inglesa de Rui Pedro Tendinha, da tendência para dizer bem de João Antunes, da tendência para desancar de Francisco Ferreira, da atracção pela Ásia de Luís Canau (CineDie), da abundância da produção de Jorge Pereira (C7nema), do sarcasmo e das piadas extra-cinema de John Snow (“O Inimigo Público”), da capacidade de síntese de JP Machado (7ª Arte), etc.?
De uma forma geral, acho que em Portugal se escreve bem sobre cinema em folhas de papel e no ciberespaço. De resto, os articulistas especializados não são muitos (se excluirmos a “democratização” da função crítica proporcionada por fóruns e blogues), são quase todos homens (sabe-se lá porquê) e renovam-se apenas de vez em quando (foi bom terem surgido “novos valores” na Net, como Joaquim Lucas e Tiago Pimentel, ou mesmo na imprensa, como Vasco Menezes). Os críticos portugueses são inofensivos para a saúde ou gente muito perigosa? O certo é que não podemos passar sem eles.

sexta-feira, dezembro 05, 2003

Um actor fascinante

É bom saber que estreará ná última sexta-feira de 2003 "O Fascínio" (de José Fonseca e Costa) uma longa-metragem protagonizada por Vítor Norte e Sylvie Rocha. Embora a sinopse disponibilizada contenha alguns pontos suspeitos (uma herdade alentejana? Uma metáfora de Portugal?), pode tratar-se de uma boa aposta, ainda que as suas receitas de bilheteira devam ficar bastante aquém das de "Os Imortais". Sobretudo, é positivo que volte às salas Vítor Norte, um dos melhores actores do cinema nacional. Ultimamente (como já lembrou a "Visão"), Norte anda perdido em produções de qualidade duvidosa da TVI.
Nos últimos anos da década passada, Norte brilhou em sucessivas experiências na 7ª Arte. Quer como protagonista como secundário, deu outra dimensão a obras como "Sapatos Pretos", "A Sombra dos Abutres", "Jaime", "Tarde Demais", "Respirar (Debaixo d'Água)" ou os telefilmes "Monsanto" e "Mustang" (neste caso, sem salvar o filme). O sucesso destes últimos (sim, e aquilo em que se meteu depois) garantiu-lhe popularidade suficiente para ganhar um Globo de Ouro pela sua participação numa fita que ninguém viu ("O Gotejar da Luz"). É certo que costuma interpretar personagens com características semelhantes (uma imagem de duro ou mesmo rude), mas fá-lo com uma força que agarra o espectador. Quando está em cena, o ecrã é dele.
Esperemos assim que nos próximos anos Norte faça mais filmes, voltando a atingir o nível que possuiu no seu auge (a "Premiere" portuguesa considerou-o uma das figuras de 2000). Nas telenovelas, não só recebe papéis mais fracos como passa quase despercebido.

quarta-feira, dezembro 03, 2003

Mistérios

As minhas piores suspeitas parecem concretizar-se. Lembram-se de quando, no passado mês de Setembro, elogiei a mudança de visual da revista "Primeiras Imagens" (PI) e reflecti seriamente sobre a existência ou não de Nuno Ferreira, o director da publicação? Não? Bem, o certo é que desta vez interrogo-me sobre a existência ou não da própria PI, que parece ter desaparecido sem deixar rasto. Nunca mais apareceu nas bancas, sem qualquer aviso ou explicação dada aos leitores. Durante quase um ano de actividade, a PI queixou-se continuamente da falta de meios, apoios e tempo para realizar os seus projectos. Por vezes demorou imenso tempo a sair, mas mais de dois meses é demais.
Filipe Lopes, que prometia nos editoriais da revista amanhãs que cantavam, contra ventos e marés, ainda anda por aí (faz parte de júris de festivais de animação). Poderá ele contar a história do fim da PI?
É pena que desapareça uma alternativa à poderosa "Premiere". Enfim, guardei quase todos os números. Na próxima década, quando a memória da PI se desvanecer de vez, podem vir a ter algum valor histórico e monetário...

"Camarate", de Luís Filipe Rocha, é exibido hoje (mais uma vez) na RTP1 e vendido amanhã com o "Público", assinalando o 23º aniversário do desastre. O filme não é mau e serve para esclarecer rapidamente o espectador sobre aquele que era o processo mais polémico da justiça portuguesa até Novembro de 2002. O início (a reconstituição dos últimos momentos dos ocupantes do Cessna) e o fim (a defesa da tese de atentado) são o mais interessante. O resto, nomeadamente a ficção amorosa que envolve a personagem de Maria João Luís, chega, infelizmente, a aborrecer imenso.
Lembro-me que, quando vi a fita no cinema, a esmagadora maioria da plateia era constituída por gente que já devia ser bem crescida em 1980. Os eventos que dão origem à história serão demasiado distantes para os jovens ou semi-jovens (este não é, de resto, um filme português que os vá atrair)?

segunda-feira, dezembro 01, 2003

007 em Portugal?

"007 - Ao Serviço de Sua Majestade" (1969) é uma espécie de "filme maldito" da série já quarentona (outro capítulo geralmente ostracizado é "Vive e Deixa Morrer", o primeiro com Roger Moore, que eu ainda não vi). George Lazenby foi James Bond por uma única vez (achou que o papel não tinha grande futuro) e, embora os resultados de bilheteira não tenham sido tão maus quanto isso, a popularidade de Connery e Moore tornou o actor australiano irrelevante. A verdade é que o sexto filme de Bond é tão diferente de todos os outros que só pode despertar reacções radicais. Eu não gostei (prefiro o estilo Connery, que o inexpressivo Lazenby tenta por vezes imitar sem qualquer sucesso, e a realização e montagem não convencem, além da história ser algo ridícula demais, para não falar dos diálogos), mas outros afirmam que se trata da melhor adaptação da obra de Fleming e dá ao personagem um lado sentimental que só lhe fica bem. O certo é que ficou como um OVNI na lista das aventuras do espião.
É habitual lembrar-se que parte de "007 - Ao Serviço de Sua Majestade" foi filmada em Portugal. Na verdade, a acção centra-se na Suíça e são poucas as cenas que mostram o nosso país (com imagens de Estoril, Sintra e Lisboa, creio), que curiosamente nunca é identificado. Pelo sotaque dos personagens que Bond encontra por cá, parece mais Espanha. No entanto, é possível ver, no casamento do herói, crianças a executar uma suposta dança tradicional lusitana e, a seguir, 007 a conduzir nas imediações da então Ponte Salazar. Parece que a representação deficiente de Portugal e do seu povo no cinema anglo-saxónico não é de hoje.

Realizadores de 007

Não posso estar totalmente de acordo com o Pedro no que diz respeito ao que ele disse sobre os realizadores dos filmes do 007. Existe um que é para mim o responsável pelo sucesso dos 007 dos anos 80/90 e sobretudo dos de Roger Moore. Acho que o único dos realizadores que deixou um cunho foi John Glen. Possivelmente foi mais pela insistência, afinal fez 5 filmes e posso dizer que muito mais giros do que os actuais.
O hábito de colocar sequências de engenhocas de 4 rodas começou com este realizador que coloca sempre sequências frenéticas de caça ao agente por paisagens europeias. E culmina com o melhor 007 que me lembro "007 - Operação Tentáculo".