sexta-feira, janeiro 30, 2004

Autoria e comércio

Sem receio da polémica, Anabela Mota Ribeiro, depois de experiências traumáticas passadas num centro comercial, defende a distinção clara entre as salas que exibem cinema de autor, independente, ou simplesmente de qualidade e aquelas que divulgam obras comerciais e banais, normalmente americanas.
Os ambientes vividos nestes dois tipos de cinemas são muito diferentes, sobretudo quanto ao comportamento do público. O alvo de Ribeiro são, assim, os espaços que procuram combinar obras puramente artísticas com "blockbusters". Em Lisboa, que eu conheça, podem ser citados os exemplos dos multiplexes Alvaláxia, Monumental e Mundial, que misturam na sua programação longas-metragens dos dois géneros.
Parece-me exagerada a separação radical entre "bom" cinema, proveniente de todo o mundo, e "mau" cinema, produzido em Hollywood. É possível gostar tanto de um como de outro, até porque o cinema-pipoca, procurando sobretudo falar ao público e distraí-lo, pode também deter qualidade técnica e narrativa aceitável. Nem sempre nos apetece ver uma história profunda. É verdade que é muito positiva a diversificação da oferta cinéfila, mas não faz sentido pôr de lado o cinema "dependente" da terra dos Bush. Quanto ao espírito "futebolístico" de certos espectadores, não tem muito a ver com o cartaz das salas, mas sobretudo com hábitos culturais. Há cromos por toda a parte.
Não faz sentido barricarmo-nos no King ou no Nimas. Um multiplex como o Monumental oferece tanto do melhor (ou perto disso) que chega de terras europeias ou asiáticas como do hediondo cinema comercial americano (no qual Ribeiro parece incluir cineastas de talento como Spielberg ou Soderbergh). Quanto à barbárie das multidões pipoqueiras, o melhor é afastarem-se das salas da Lusomundo (excepto no caso de uma fita interessante que só esteja lá, é claro).

domingo, janeiro 25, 2004

O que ficou perdido em traduções?

O último filme de Sofia Coppola é algo que tem de ser descoberto. Um filme com um sentido de humor tão minimalista quanto genial. O argumento assenta sobre os pequenos elementos, sobre os pequenos detalhes dos rostos, dos corpos e sobretudo de Tokyo, aqui possivelmente retratada com há muito não se via uma metrópole num filme.
Os actores são a força do filme. Bill Murray é genial, minimalista e oferece uma força dramática ao que não diz, fazendo a sua interpretação dos olhares e à sua linguagem corporal.
Scarlett Johansson é tal como Murray soberba, tanto mais quando se pensa que ela tem dezanove anos. Consegue dar à sua personagem uma maturidade invulgar e ao mesmo tempo uma fragilidade que possibilita que as duas personagens combinem.
Sofia Coppola é talentosa, filma tudo com planos belissímos, é vai do mais arrojado ao mais minimalista com a segurança dos grandes mestres.
O primeiro clássico do ano que poderia naturalmente concorrer aos prémios principais como Filme, Realizador, Actor e Actriz Principal e argumento, mas o seu cariz independente feito em 27 dias não o vai permitir.

5- (0-5)

Resposta:
Possivelmente foi o amor

sexta-feira, janeiro 23, 2004

Estrelas

Ao que parece, Scarlett Johansson, a jovem actriz de "Lost in Translation" e "A Rapariga do Brinco de Pérola", está a causar forte sensação em Hollywood. E isso quer dizer chuva de projectos, cobertura mediática, etc. Parece ter sido criada uma nova estrela.
O que é uma estrela de cinema? Dispensando interpretações sociológicas, trata-se de um homem ou uma mulher, com beleza e talento para representar (consensual ou não) que dá nas vistas através de um trabalho esforçado numa ou mais fitas de média dimensão que se tornam êxitos surpreendentes. Despertada a atenção do público e da crítica, o indivíduo passa a obter papéis de peso crescente, até se tornar o centro gravitacional das fitas em que participa, ocupando o seu rosto não menos de 87% do espaço do cartaz publicitário. Conhecida por todos através da reprodução do seu nome e da sua imagem em revistas especializadas e, depois, em todo o tipo de publicações, que seguem a sua vida privada, a criatura torna-se uma fonte tremenda de receitas para os estúdios, confiantes na multidão de fãs, que podem mesmo salvar do fracasso projectos medíocres nos quais se enfie o ídolo.
Este modelo, do qual são Tom Cruise e Julia Roberts são os máximos representantes nos EUA, acaba por não ser reproduzido com excessiva frequência. Nos últimos quatro anos, ao lote de actores "pesados" da indústria americana acrescentaram-se, em ritmo moderado, nomes como Halle Berry, Vin Diesel, Kirsten Dunst ou Reese Witherspoon. Talvez uns dois actores por ano entrem para a nossa memória comum. A renovação não é, assim, demasiado visível nos "blockbusters".
Em Portugal, um país pequenino e sem indústria cinematográfica, as caras que surgem no grande ecrã não são, geralmente, diferentes das que aparecem no pequeno. No que ao cinema diz respeito, nesse período de quatro anos, irrompeu, talvez, Beatriz Batarda (acarinhada por alguma imprensa), mas o tipo de filmes em que entra por cá leva a que ainda esteja longe de se ver numa fotografia de corpo inteiro com o seu nome por cima da cabeça e o título colorido de uma fita à frente.

quinta-feira, janeiro 22, 2004

Novidades, nem só no Continente

Depois de muito tempo sem postar, aproveito para chamar a atenção para dois novos (ou, pelo menos, infelizmente só agora os descobri) blogues portugueses sobre cinema (com espaço para comentários) que prometem dar que falar, pela informação contida nos textos e pelo recurso frequente a imagens e meios audiovisuais.
O Divã do Cinéfilo, filial de um blogue generalista, apresenta-nos alguns "posts" do misterioso PM (que teve a gentileza de se lembrar de nós), abordando quer apreciações críticas de longas-metragens (neste caso, "O Último Samurai", alvo de fortes elogios) quer notícias (e conjecturas) sobre os "blockbusters" aracnídeos que aí vêm.
Depois da obscuridade do seu anterior espaço, Tiago Costa ressurge em força através de About Movies, com um visual e conteúdos mais atractivos e completos, sendo de destacar não só o "top 2003" ilustrado como as novidades sobre "The Passion of Christ". Todos ficaremos a ganhar com uma participação mais frequente do bloguista.


quinta-feira, janeiro 15, 2004

Censura: sim ou não?

É uma boa notícia que a obra integral de Tex Avery seja editada em DVD. Eu vi (quando a RTP2 as exibia) algumas das curtas-metragens de animação produzidas nos anos 40 e 50 por esse realizador e posso garantir que se tratam das comédias mais originais e divertidas já produzidas em cinema, bem melhores que as dos Looney Tunes (em cuja criação Avery colaborou). O ritmo alucinante, o humor "nonsense" e o conteúdo politicamente incorrecto dos argumentos, em que os próprios heróis nem sempre são impolutos, resultam numa obra de génio (muito apreciada pela crítica). O problema é que a Warner recorreu à censura para impedir que as fitas mais marcadas pelo "espírito do tempo" surgissem na colectânea. Para além de os delírios de Avery não serem 100% destinados às crianças, não seria melhor integrar as situações mais polémicas no seu contexto histórico e mostrar não só as qualidades mas também os defeitos do cineasta, de forma a que possa ser plenamente compreendido?

P.S. A revista C de Crítica, de que já aqui falei, regressou finalmente.

terça-feira, janeiro 13, 2004

Toneladas de pipocas vendidas

A Lusomundo revelou a lista das dez longas-metragens mais vistas nas suas salas (grande parte da oferta em Portugal) no passado ano de 2003. Que dizer? É certo que a Lusomundo não exibe todos os filmes que chegam a Portugal (evitando o mais possível aqueles que poderão ser elogiados pela crítica), mas este rol não deixa de constituir uma amostra importante. O êxito de "À Procura de Nemo" está longe de surpreender, o mesmo já não acontecendo com "Johnny English" (Portugal ama Rowan "Bean" Atkinson) ou com obras que foram fuziladas nos poucos artigos sobre elas escritas, como "Velocidade Mais Furiosa" e "Lara Croft: O Berço da Vida".
Sequelas de grandes sucessos costumam ser grandes sucessos também. O público é menos exigente que os críticos que o "representam". A publicidade é mais importante que as referências na imprensa (especializada ou não). Uma boa distribuição é decisiva para que uma fita chegue a muita gente. Os jovens são reis e senhores nas bilheteiras. Há mais conclusões óbvias e simples que se possam tirar?

P.S. Não sei como, mas ontem ultrapassámos as 4000 visitas. Obrigado a quem costuma parar por cá uns segundos.

O início da 2:

Na sua primeira semana de emissão, a 2: exibiu dois filmes portugueses, um na rubrica "Grande Ecrã" e outro no já clássico "Onda Curta". Essas obras foram, respectivamente...

"A Falha", de João Mário Grilo

Adaptando um romance (a estrutura cheia de analepses e prolepses do filme é mais comum na literatura que no cinema) de Luís Carmelo, o crítico e cineasta João Mário Grilo recrutou um grupo de actores de primeira (Alexandra Lencastre, Rogério Samora, Rita Blanco, Adriano Luz, João Lagarto, etc.), entregou-lhes as personagens de um grupo de antigos colegas de liceu que se reúnem após um longo período de afastamento e procurou que exprimissem as marcas e desilusões do pós-25 de Abril através das reacções das criaturas após um acidente numa pedreira (filmado com os efeitos especiais possíveis...) que praticamente as isola do mundo.
Mas, tal como o título indica, a ideia falhou. Não se pode dizer que a narrativa evolua mal até à tragédia (à excepção dos "flashbacks" supérfluos), mas a partir daí tudo o que vemos são os actores a debitar diálogos terríveis e a comportar-se de forma incompreensível. O conteúdo político-social da obra é difícil de descortinar (há uma referência forçada e despropositada à guerra colonial) e o desfecho insólito só confirma a impressáo de que estiveram a gozar connosco durante quase hora e meia.
A melhor cena: O depoimento de Elsa.
A pior cena: Um crime horrendo é cometido.

Nota: 4/10.

"Crónica Feminina", de Gonçalo Luz

Protagonizada pelas magníficas Ana Bustorff e Maria João Luís, esta curta-metragem (26 minutos) chegou ao circuito comercial graças à Zero em Comportamento, que a exibiu sem o complemento de qualquer "longa" (uma ideia rara mas adequada à qualidade do objecto).
Vagamente inspirado em duas crónicas de António Lobo Antunes, "Crónica Feminina" é uma história de mulheres urbanas (a bela fotografia reforça o ambiente citadino) com sérios problemas sentimentais, apresentados geralmente em tom de comédia. A obra é prejudicada pela sua duração (havia material para mais tempo), sucedendo-se as peripécias de forma algo apressada. No entanto, a dinâmica e comicidade do argumento, a repulsa de Gonçalo Luz pelos planos fixos e o aspecto "moderno" da fita resultam numa obra bem interessante.
A melhor cena: Branca e Sónia confessam amargamente os seus males.
A pior cena: O "monologo romântico" no restaurante.

Nota: 7/10.

domingo, janeiro 11, 2004

Darkman - O Homem das Trevas

Realmente após um grande zapping Sábado encontrei uma preciosidade no Canal Hollywood, Darkman de Sam Raimi. Este filme de 1990 é prodígio do cinema de entertenimento, com uma realização inspirada, personagens bem desenvolvidas e uma banda sonora muito interessante de Danny Elfman que Raimi posteriormente repescou para o seu "Homem-Aranha".
Sendo eu um grande fã de comics, este filme que foi realizado porque Sam Raimi gostava de realizar "The Shadow" mas não conseguiu os direitos dos Comics. Assim fez o que ninguém faz actualmente, imaginou um novo (anti)herói assustador e cujo poder é somente substituir a cara com proteses que duram 99 minutos e a ausencia de dores nos seus braços provocada por grandes queimaduras.
A quem procura boas adaptações de comics digo para darem uma vista de olhos a este filme cujo maior problema é estar editado numa edição de Dvd antiga, muito cara e pobrezinha.

Ao lado de Unbreakable como o melhor filme de comics.

sexta-feira, janeiro 09, 2004

Coisas

a) De acordo com o 7ª Arte, "Lost in Translation" será exibido em Portugal com o subtítulo "O Amor é um Lugar Estranho". De facto, fica muito mais no ouvido que o título original do filme de Sofia Coppola... A febre dos subtítulos continua a afectar Portugal, onde, pelos vistos, a imaginação (e a sensibilidade poética) é muito maior que nos EUA.

b) A estreia de "Kill Bill 2" foi adiada para Abril ou Maio. Nessa altura, já estará no mercado o DVD do volume I. Faria muito mais sentido vender os dois filmes em conjunto, mas não seria tão rentável.

c) Um pouco tardiamente, destaco a intenção altruísta de Tino Navarro: com obras como "Portugal S.A." (que está a ser bem publicitado), não pretende apenas enriquecer mas também alertar o público para o que se passa no seu país (crise de valores, excessivo poder da Igreja, etc.) e motivá-lo a mudar a situação. Nada má ideia, essa de fazer cinema de intervenção, mas, pelo que aparece nos "teasers", a longa-metragem de Ruy Guerra parece ter sobretudo muito sexo (bom para estimular a revolta popular) e alguns estereótipos.

d) A propósito da estreia de "O Fascínio", Mário Jorge Torres escreveu no "Público" que não vale a pena os cineastas lusitanos tentarem adequar os seus filmes ao gosto do público (fazendo "Preto e Branco", por exemplo) porque este rejeita-os imediatamente, motivado pelo preconceito. Ou seja, é como dar pérolas a porcos. É verdade que essas ideias preconcebidas sobre as longas-metragens nacionais existem (e eu também sou influenciado por elas, admito-o), mas dizer que assim não vale a pena é um exagero simplista. Alguns projectos "comerciais" como "Os Imortais" possuem de facto algum impacto.

quinta-feira, janeiro 08, 2004

Larry Clark e mundo adolescente

Nestes tempos difíceis para a sociedade Portuguesa estrea o segundo filme em menos de seis meses de Larry Clark, Bully (já tinha estreado em Agosto Ken Park).
Sei que vou tocar num assunto delicado mas não quero fugir a uma dúvida que me perturba e que me ocorre de cada vez que um filme deste realizador estreia e é aclamado por generalidade da crítica. Passo a perguntar:
- Que devo pensar de um cineasta que em entrevista diz que os actores de Ken Park nunca tinham tido experiências sexuais e que a primeira vez que tiveram foi no filme e pelo que me parece em manage e sexo oral? Pior que isso ,disse que os actores se apaixonaram pela rapariga. Será que os actores foram alertados que a vida real poderá ser diferem que aquela situação aberrante vinda da mente do Clark? Questiono-me que sociedade temos nós que consegue idolatrar este realizador e que "alimenta" o público cinéfilo com estreias dos seus filmes mesmo repescando aqueles mais esquecidos? Não estaremos já fartos de ver pessoas com realidades sexuais bastante más nos telejornais para alimentar o ego de um cineasta que disse ainda que ficou contente por ter conseguido o plano da ejaculação do jovem? Será que eu é que só um retrogado e que vale tudo para se criar arte?

segunda-feira, janeiro 05, 2004

Mais uma lista...

OK. Chegou a minha vez. Mas o problema é que (oh, vergonha!) ainda não vi alguns dos filmes mais elogiados de 2003 ("O Regresso do Rei", "Cidade de Deus", "Mystic River", etc.). Portanto, a lista apresentada será necessariamente provisória. Com as minhas mais sinceras desculpas, aqui vai:

1 - "Embriagado de Amor", de Paul Thomas Anderson
2 - "À Procura de Nemo", de Andrew Stanton
3 - "A Última Hora", de Spike Lee
4 - "Kill Bill" (vol. I), de Quentin Tarantino
5 - "Apanha-me se Puderes", de Steven Spielberg
6 - "Bowling for Columbine", de Michael Moore
7 - "Adeus Lenine", de Wolfgang Becker
8 - "Longe do Paraíso", de Todd Haynes
9 - "Solaris", de Steven Soderbergh
10 - "As Confissões de Schmidt", de Alexander Payne

Merecem também menção títulos como "Matrix Reloaded", de Andy e Larry Wachowski, "Inadaptado", de Spike Jonze, "As Horas", de Stephen Daldry, "Cabine Telefónica", de Joel Schumacher, e outros não tão bons mas que valeu a pena terem sido feitos, como "Os Imortais", de António-Pedro Vasconcelos.
Sim, foi bom ir ao cinema em 2003. Para dizer a verdade, não me lembro de nenhuma obra que tenha realmente odiado (não vejo tantos filmes como o Duarte Oliveira...), pelo menos vista numa sala escura.
2003 acabou e 2004 será o grande ano do cinema português, que atrairá centenas de milhares de cidadãos ansiosos pela reconciliação definitiva com o que se faz no seu país... ou não? Bem, dêem uma última hipótese às fitas lusas...

domingo, janeiro 04, 2004

De onde és? De Grandola terra da liberdade

Não sei se viram a versão portuguesa da Fuga das Galinhas? O Galo nesta versão tinha vindo de Grandola e não da América mas uma coisa tinha em comum, vinha da terra da liberdade...
Este é o ponto de partida para "Na´América" apontado como um dos candidatos aos óscares, o que me parece pouco provável dado o tom do filme. Parece demasiado independente para que a Academia o possa premiar. Não é impossível mas espero para ver...

Bem o filme é baseado na vida complicada do realizador do filme e da sua família, os actores são notáveis no seu todo, a realização penso que é calorosa sendo por vezes demasiado melósa o que se compreenda dada a proximidade da história e do cineasta.

Numa primeira leitura um filme humano, com desempenhos notáveis e uma realização calorosa.

Classificação 4 (0-5)

sexta-feira, janeiro 02, 2004

Pessoal, tenham medo muito MEDO

Vai estrear o novo filme de Tom Cruise, O Último Samurai.
Tenho amigos que estão cheios de pica para ver o filme mas eu estou com medo de ir para uma sala escura e estar durante 2h e meia com o tio Tom. Sinceramente um filme 100 % centrado no actor assusta um pouco. E pensar que é do mesmo realizador de "Lendas de Paixão" faz-me pensar em fugir.
Parece-me um daqueles "Chick-Flick Movie" que por vezes se produzem e que surgem como um "One Men Show" dirigido para os adolescentes e sobretudo para as adolescentes.
Vendo o trailer parece que tudo acontece ao pobre Tom: as velhas questões de herói honrado, herói apaixonado, herói lutador, herói herói e blá, blá, blá e fico com a sensação do trailer deixar pouca mais história para o próprio filme contar.

Além do mais, nada vai tirar o Óscar ao tio Tom mas por muito bom que seja o seu papel nada será como o seu brilhantismo no "Magnolia". E acho que se é para dar um prémio a um épico coisa que a Acamedia gosta, onde está o justo prémio para o "Senhor dos Anéis" e para Peter Jackson?

segunda-feira, dezembro 29, 2003

O futuro próximo

O que irá estrear em Portugal nas quintas-feiras de 2004?
Não é difícil responder a esta pergunta (o 7ª Arte já tem uma longa lista), mas alguns títulos merecem particular atenção por uma razão ou outra. No campo do cinema português, iremos ter (se tudo correr bem, porque com os nossos filmes nunca se sabe: vejam-se os casos de "Xavier" ou "A Mulher Polícia") duas produções de Tino Navarro, "Portugal S.A.", de Ruy Guerra, e "Um Tiro no Escuro", o regresso de Leonel Vieira (esperemos que mostre a sua melhor forma no género de acção), além de "Lá Fora", de Fernando Lopes, que filma novamente Rogério Samora e Alexandra Lencastre. Alem destes produtos virados para o grande público, devem também aparecer as obras de autor do costume.
Examinando o ficheiro "Sequelas", temos um Cody Banks 2 (o primeiro filme não é já de 2003? A isto chama-se não perder tempo), mais um Harry Potter (iupiii... confesso que tenho passado ao lado deste fenómeno) e, claro, o segundo Homem-Aranha (uma oportunidade para Raimi corrigir os clichés que apareciam aqui e além na fita de 2002). Numa quinta-feira qualquer, deve aparecer "Scary Movie 3" (com David Zucker, será desta?). O volume II de "Kill Bill" não é bem uma sequela, mas parece ser a proposta mais interessante deste Inverno.
Outras novidades são a tão anunciada viagem de Tom Cruise ao Japão ("O Último Samurai"), a adaptação da "Ilíada" com Brad Pitt ("Troy") e a voz de Bill Murray em "Garfield". Mas talvez o melhor de tudo seja... aquilo que ainda ninguém fala. As surpresas vindas de onde menos se espera (como "Adeus Lenine" ou "Cidade de Deus") costumam incluir-se entre as obras mais marcantes...

domingo, dezembro 28, 2003

Factos de 2003 - Parte 1

Tal como outros anos, 2003 tem motivos de orgulho cinematográfico e também de decepção. Em termos de cinema americano 2003 foi sem qualquer dúvida o ano das sequelas na altura do Verão fundamentalmente. Então vejamos:

- Jeepers Creepers 2
- Terminator 3
- Bad Boys 2
- Tomb Raider 2
- American Wedding AKA American Pie 3
- X-Men 2
- Legally Blonde 2
- Final Destination 2
- Livro da Selva 2
- 2 Fast 2 Furious
- Charlie's Angels: Full Throttle
- Matrix Revolutions
- Matrix Reloaded
- Spy Kid 3d
- Freddy vs. Jason
- Era uma vez no Mexico (Desesperado 2)
- Scary Movie 3

E foi também o ano dos heróis de BD aprovarem que estão de pedra e cal nas bilheteiras:

Hulk
X-Men 2
Demolidor
LOXG

E os produtos que mais sucesso deram nas bilheteiras não são sequelas tal como os Piratas das Caraíbas e Finding Nemo.
Além do mais, nos meses de Verão os Norte-Americano não tiveram aquele filme, foram tantos os blockbusters que se dispersou o mal pelas aldeias e muitos acabaram por ser flop.
Será este um ano para as produtoras pensarem?

quinta-feira, dezembro 25, 2003

Os meus Melhores de 2003

É hora para os habituais balanços do ano. Depois de consultar uma enorme lista com os filmes estreados entre nós, aqui está o meu top 10:

Top 10
Posso dizer que um ano em que todos os filmes do top 10 tem classificação (*****) foi um ano de grandes produções cinematográficas.


1 - A Última Hora
1 - Embriagado de Amor
1 - Mystic River
4 - Herói
5 - Kill Bill
6 - A Cidade de Deus
7 - Longe do Paraíso
8 - Apanha-me se Puderes
9 - Elefante
10 - Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei

Como podem ver não consigo dizer qual gostei mais...

Top Maiores Decepções

1 - Extreminador Implacável 3 - Ascenção das Máquinas (0)
2 - Matrix Revolutions (**)
3 - Cubo 2 - HyperCube (*)


Prémio "Perdeu-se a oportunidade de fazer algo muito bom"
O Amor Acontece (**) - menos mel, sem Natal e Richard Curtis tinha feito uma comédia 100%

Prémio "Pior Filme de 2003"
Extreminador Implacável 3 - A Ascenção da Máquinas

Prémio "Maior Surpresa"
Herói - realmente estreou sem se falar e é um dos mais belos filmes estreados

Melhor filme "Fora do Top 10"
Dogville (*****) - será o 11 mas só podem ser 10 :-(

Melhor BlockBuster de Verão
Hulk (****,5) - demasiado incompreendida a visão de Ang Lee que a meu ver é a melhor adaptação
de bd desde os Batmans de Tim Burton

Melhor Sequela
Não considerando o Senhor dos Anéis visto ser uma obra única com três volumes
X-Men 2 (****)

terça-feira, dezembro 23, 2003

O que fica de 2003?

O que irá permanecer a longo prazo deste ano cinéfilo prestes a terminar na cabeça dos espectadores lusitanos? Daqui a dez anos, provavelmente (nisto da futurologia há que ser cauteloso) até os mais jovens e desatentos associarão 2003 a "O Regresso do Rei", "À Procura de Nemo" e às sequelas de "Matrix". Mas haverão decerto grupos minoritários que se lembrarão de obras de peso financeiro menos colossal. Um eventual inquérito realizado em 2013 poderá recolher respostas como estas:
"2003? Ah, sim, foi quando chegou cá o "Bowling for Columbine", do Michael Moore, o grande herói da luta contra o tenebroso imperialismo americano."
"Lembro-me da primeira parte do "Kill Bill"... ou isso foi já em 2004?"
"Foi o ano entre os dois primeiros Homens-Aranhas".
"Nesse ano fui ver "Adeus Lenine". Os sacanas dos comunas devem ter odiado essa fita, eh, eh."
"Chegou a Portugal uma das minhas obras preferidas do venerando Mestre Spielberg, "Catch Me if You Can"."
"Nesse tempo ainda estreavam filmes portugueses, veja lá como o tempo passa... Se bem me lembro, houve um, "Os Imortais" ou lá o que era."
"Os Óscares desse ano foram para... "Chicago", "As Horas", "O Pianista" e "Mystic River", acho eu. Não, espera, o do Eastwood só ganhou no ano seguinte."
"O ano de "Legalmente Loura 2", claro! Fartei-me de rir quando vi isso. Foi sem dúvida a grande comédia da década."
"Em termos de cinema, o acontecimento mais importante foi o aparecimento do Pipoca Rasca. Eh pá, ninguém imaginava o fenómeno que aquilo ia ser..."

Feliz Natal e, já agora, bom 2004 para os nossos amados leitores.

segunda-feira, dezembro 22, 2003

Nostalgia dos anos 90

Na década passada (quando éramos jovens e ingénuos), algumas mentes brilhantes, apoiadas paternalmente por Pinto Balsemão, procuraram popularizar o cinema português. Esse objectivo implicava não só histórias com acção e palavrões mas também canções pop/rock de artistas na berra que ficassem no ouvido e servissem para a promoção dos filmes. Assim, Pedro Abrunhosa ("Adão e Eva"), Delfins ("Adeus Pai" e "Zona J"), Xutos e Pontapés ("Tentação" e "Inferno"), Rui Veloso ("Jaime") ou GNR ("Amo-te Teresa") criaram temas a acompanhar as cenas do novo e arrojado cinema luso.
No século XXI, isso acabou. Para já, porque a intenção de fazer os portugueses verem cinema na sua língua acabou por chocar com a realidade. A SIC ficou em dificuldades e abandonou, por muito tempo, os cineastas à sua sorte. A RTP apoia sobretudo os "velhos" realizadores. Os Delfins passaram de moda. Actualmente, recorre-se a reportório mais "clássico" ou a canções giras mas de grupos desconhecidos (como acontece com "Esquece Tudo o que Te Disse"). Isso é bom ou mau? Bem, não deixa de ser pena que o interesse dos produtores e o esforço dos músicos na década anterior tenha sido apenas passageiro... Cinema e rádio constituem mundos praticamente à parte no nosso país.

Um 007 desastrado

"Johnny English", o último veículo para Rowan Atkinson (que apareceu, mais recentemente, em "O Amor Acontece"), é claramente direccionado aos fãs do actor britânico. Em Portugal, tornou-se um sucesso de bilheteira, ou não fosse a popularidade de Rowan preservada ano após ano pela série "Mr. Bean", que a RTP agora exibe pela enésima vez.
Na verdade, "Johnny English" não é (felizmente) uma cópia da adaptação do mais famoso personagem da TV britânica à 7ª Arte, mas, embora Rowan fale frequentemente, continua a ser nele que praticamente tudo assenta. Os seus esgares e expressões agradam ao espectador mais exigente. Contracenando com o mestre, passam pela tela John Malkovich (interpretando o vilão, com um sotaque francês ultra-irritante), a estreante Natalie Imbruglia (que parece sempre uma cantora a tentar ser actriz) e o interessante Ben Miller.
Parodiando a série James Bond, não possui a imaginação e o estilo próprio de "Austin Powers", o que é compreensível, tendo em conta que dois dos argumentistas escreveram antes "O Mundo não Chega" e "Morre Noutro Dia". É apenas uma comédia simples de hora e meia (alguém conhece uma comédia pura que dure mais de duas horas?), que procura distrair o público com uns quantos "gags" (alguns previsíveis), e de facto consegue-o. A história tem ritmo e hilaridade de qualidade aceitável (é um dos primeiros filmes, pelo menos de que eu me lembre, a referir-se abundantemente à tecnologia do DVD).
Vale, pelo menos, o dinheiro do aluguer (o mais interessante dos extras são as cenas cortadas, visíveis após a realização de um pequeno teste). Quem não gostou de "Bean" pode ver aqui que Rowan pode ser grande também em cinema.
A melhor cena: Johnny revela o seu plano para capturar Sauvage.
A pior cena: Johnny no hospital.

Nota: 6/10.

domingo, dezembro 21, 2003

LOTR: The end

Mais um Natal e a trilogia do Senhor dos Anéis chegou ao fim.
E ao contrário de outras trilogias o final é um ponto alto ao contrário do habitual, uma perda de força.
Peter Jackson consegue arrebatar-nos mais uma vez do ponto de vista visual, consegue com a preciosa ajuda de Alan Lee e Jonh Howe (muito esquecidos) fazer uma obra visualmente esmagadora. Alan Lee, Jonh Howe estudaram durante anos a obra de Tolkien e trouxeram-na para o mundo das imagens. Peter Jackson tem mérito na realização, no suberbo trabalho de casting mas os dois artistas fizeram o mais importante, a credibilidade da Terra Média baseada nas descrições de Tolkien.

E o que dizer deste último filme que ainda não tenha sido dito? Gostei mais deste episódio que do anterior "As Duas Torres" e penso que Peter Jackson fundou um reino semelhante ao que George Lucas alcançou com o Star Wars. Criou uma empresa de efeitos visual, transformou em filme o impossível e conquistou críticos e fãs três vezes seguidas.

Não me quero alongar mais. Posso mesmo dizer que em relação a estes filmes a velha frase:

- Uma imagem vale por mil palavras!

Irmandade do Anel: 5 (0-5)
As Duas Torres 4(0-5) (versão extendida) 5 (0-5)
O Regresso do Rei 5(0-5)