A febre da listagem começa a instalar-se. A selecção furiosa e incontrolável dos melhores filmes, actores, realizadores ou cenas de 2003 iniciou-se e, mesmo antes da cerimónia dos Óscares, dominará a Internet cinéfila. Mas nem todas as longas-metragens que estreiam em Portugal recebem a mesma atenção. Algumas não são capa de jornal, vêem a sua publicidade na imprensa reduzida a um espacinho na edição de sexta-feira (ou quinta-feira, como parece que acontecerá em 2004), recebem atenção escassa ou nula da crítica e, geralmente, ficam em exibição num número reduzido de salas durante duas ou, com sorte, três semanas. Em resumo, quase ninguém dá por elas. A recolha de alguns destes casos é fortemente subjectiva (na Europa, não existem ainda dados sobre receitas de bilheteira a oeste de Badajoz), mas não me parece que (seja isso justo ou injusto), excepto em caso de sucesso no circuito vídeo/DVD (cada vez mais só DVD), muita gente se lembre de incluir estes títulos no seu "top" mais das fitas estreadas em Portugal em 2003:
"Altar", de Rita Azevedo Gomes
"Altos Voos", de Bruno Barreto
"Amores de Verão", de Jim Fall
"Bela Marta", de Sandra Nettelbeck
"Below-Maldição Submersa", de David Twohy
"Blanche", de Bernie Bonvoisin
"Blue Car", de Karen Moncrieff
"O Clube do Imperador", de Michael Hoffman
"Duro Amor", de Martin Brest
"Encontros Fatídicos", de Brian Gilbert
"Encurralada", de Luis Mandoki
"A Filha", de Solveig Nordlund
"A Flor do Mal", de Peter Kosminsky
"Gente Conhecida", de Dan Algrant
"Kangaroo Jack", de David McNally
"Matar o Rei", de Mike Barker
"Os Náufragos da D17", de Luc Moulet
"O Que Uma Rapariga Quer", de Dennie Gordon
"O Rapaz do Trapézio Voador", de Fernando Matos Silva
"Regressão", de Stephen Gaghan
"Relações Imprevistas", de Lisa Cholodenko
"The Touch - O Talismã", de Peter Pau
"Tudo a Roubar!", de Gavin Grazer
quarta-feira, dezembro 17, 2003
terça-feira, dezembro 16, 2003
Piada fácil do dia
A operação militar americana que capturou Saddam Hussein recebeu o nome de código de "Red Dawn". Tal como o "Público" de ontem lembrava, trata-se do mesmo nome de um filme rasca (realizado por John Milius) de 1984, no qual um grupo de jovens americanos (os "Wolverines", termo também utilizado na operação) enfrentam uma invasão cubano-soviética. "Red Dawn" ("Amanhecer Violento" em português, talvez por receio dos tradutores de parecerem anticomunistas) é muito mau, mas teve algum sucesso e talvez tenha agradado vivamente a algum oficial que planeou a acção. Só espero que a moda das fitas de baixa qualidade dos anos 80 não pegue e não surja nenhuma Operação "Missing in Action".
P.S. Infelizmente, ainda tenho de recorrer a computadores públicos...
P.S. Infelizmente, ainda tenho de recorrer a computadores públicos...
domingo, dezembro 14, 2003
Cegos e Samurais
O novo filme de Kitano apresenta-se como um filme de época muito interessante. Não se pense que Kitano leva esta coisa de época muito a sério, o filme é um entreternimento muito interessante, melhor que muita coisa que vem dos lados americanos.
Sendo um filme baseado numa personagem que teve direito a 27 filmes e que o último apareceu em 1989, Kitano soube dar a uma obra que não lhe dizia nada em especial, um cunho pessoal muito interessante, capaz de lhe dar um interesse adicional.
A nível técnico o realizador soube utilizar a violência brutal muito bem, completamente diluida na acção e na história, esta sim surpreendeu-me pois esperava algo muito mais linear o que não é o caso.
Kitano sabe dosear o humor muito bem, com sequências que mostram um à vontade a toda a prova fazendo com que o filme nunca se leve muito a sério.
Sem me alongar muito mais recomendo vivamente para que quiser um bom entreternimento.
Classificação: 4 (0-5)
Sendo um filme baseado numa personagem que teve direito a 27 filmes e que o último apareceu em 1989, Kitano soube dar a uma obra que não lhe dizia nada em especial, um cunho pessoal muito interessante, capaz de lhe dar um interesse adicional.
A nível técnico o realizador soube utilizar a violência brutal muito bem, completamente diluida na acção e na história, esta sim surpreendeu-me pois esperava algo muito mais linear o que não é o caso.
Kitano sabe dosear o humor muito bem, com sequências que mostram um à vontade a toda a prova fazendo com que o filme nunca se leve muito a sério.
Sem me alongar muito mais recomendo vivamente para que quiser um bom entreternimento.
Classificação: 4 (0-5)
sábado, dezembro 13, 2003
Vida Díficil esta de "Bloguista"
O meu colega do blogue sofreu um pequeno problema com o seu computador e nos próximos tempos serei eu a colocar todas as novidades no blogue. Os computadores quando pifam, pifam mesmo.
quinta-feira, dezembro 11, 2003
Notas
Na última edição, "O Independente" mostrava serem verdadeiros os boatos que recentemente corriam à boca pequena em alguns círculos restritos: o Estado português gasta fortunas a apoiar filmes que ninguém vê. Entre 1997 e 2002, longas-metragens de realizadores como João César Monteiro ou Rita Azevedo Gomes tiveram um custo de mais de 200 euros por cada espectador. Só cineastas chamados Leonel Vieira, Joaquim Leitão ou Maria de Medeiros obtém lucros de bilheteira que reduzem esse valor a menos de quatro euros.
É certo que o ICAM deveria aperfeiçoar os seus critérios de atribuição dos preciosos subsídios e a indústria cinematográfica portuguesa (caso existisse) deveria possuir muito maiores apoios privados, mas, como escreve Inês Serra Lopes, a culpa também é dos nossos realizadores, que tomam sempre precauções para que o número de espectadores das suas obras seja bastante reduzido. Apoiado pelos fundos públicos, o pérfido e tenebroso Paulo Branco (que "O Independente" reconhece como o produtor de maior estatuto internacional com que Portugal conta) lança películas de autor que pouco ou nada contribuem para a evolução do nosso cinema. Cinema-espectáculo ou cinema de autor: o grande drama português. Até agora, tem prevalecido o segundo, com os resultados que se conhecem.
Devido a um problema do servidor, não têm aparecido abaixo dos textos deste blogue referências à existência de postas de pescada. Cliquem no local indicado na mesma, pois há muito que ler.
Sim, ultrapassámos na segunda-feira as 3000 visitas. Obrigado Sara, Tiago, Frederico, Anónimo, José, Duarte, fatchary, Cristina, Nuno, Christopher e todos os leitores cujo nome não sabemos.
É certo que o ICAM deveria aperfeiçoar os seus critérios de atribuição dos preciosos subsídios e a indústria cinematográfica portuguesa (caso existisse) deveria possuir muito maiores apoios privados, mas, como escreve Inês Serra Lopes, a culpa também é dos nossos realizadores, que tomam sempre precauções para que o número de espectadores das suas obras seja bastante reduzido. Apoiado pelos fundos públicos, o pérfido e tenebroso Paulo Branco (que "O Independente" reconhece como o produtor de maior estatuto internacional com que Portugal conta) lança películas de autor que pouco ou nada contribuem para a evolução do nosso cinema. Cinema-espectáculo ou cinema de autor: o grande drama português. Até agora, tem prevalecido o segundo, com os resultados que se conhecem.
Devido a um problema do servidor, não têm aparecido abaixo dos textos deste blogue referências à existência de postas de pescada. Cliquem no local indicado na mesma, pois há muito que ler.
Sim, ultrapassámos na segunda-feira as 3000 visitas. Obrigado Sara, Tiago, Frederico, Anónimo, José, Duarte, fatchary, Cristina, Nuno, Christopher e todos os leitores cujo nome não sabemos.
terça-feira, dezembro 09, 2003
O melhor crítico Português: Eurico Lopes
Perguntam-me vocês quem é Eurico Lopes?
Muitos são os sites de cinema onde vezes sem conta os fóruns são bombardeados com comentários de mau nível sobre cinema. E a discussão é sempre sobre o valor do crítico que proferiu tal sentença.
Sou um leitor frequente das críticas de João Lopes e de Eurico de Barros e acho que sendo João Lopes um crírico que gosta de Spielberg, Lynch e a linha mais clássica Eurico de Barros gosta de uma boa sessão de Carpenter, com sangue, balas e ferro torcido.
Sinceramente acho que o leitor deve antes de criticar um crítico (passo a redundãncia) ler frequentemente as suas opiniões e percebê-lo. Perceber um crítico é perceber as suas sensibilidades e aí poderemos pensar: O Eurico de Barros deu 5 estrelas ao Lord of the Rings: FOTR e o João Lopes deu 2 estrelas... hummm acho que EU vou gostar. Agora aquele BLOG do boi... NÃO HAVIA NECESSIDADE
Muitos são os sites de cinema onde vezes sem conta os fóruns são bombardeados com comentários de mau nível sobre cinema. E a discussão é sempre sobre o valor do crítico que proferiu tal sentença.
Sou um leitor frequente das críticas de João Lopes e de Eurico de Barros e acho que sendo João Lopes um crírico que gosta de Spielberg, Lynch e a linha mais clássica Eurico de Barros gosta de uma boa sessão de Carpenter, com sangue, balas e ferro torcido.
Sinceramente acho que o leitor deve antes de criticar um crítico (passo a redundãncia) ler frequentemente as suas opiniões e percebê-lo. Perceber um crítico é perceber as suas sensibilidades e aí poderemos pensar: O Eurico de Barros deu 5 estrelas ao Lord of the Rings: FOTR e o João Lopes deu 2 estrelas... hummm acho que EU vou gostar. Agora aquele BLOG do boi... NÃO HAVIA NECESSIDADE
segunda-feira, dezembro 08, 2003
Os críticos são nossos amigos
Não direi que a Kathleen Gomes (ou qualquer outro crítico alérgico a Spielberg) é um boi, até porque costumo registar sobretudo as impressões gerais dos especialistas na 7ª Arte que publicam recensões na imprensa ou na Internet sobre determinado filme. Normalmente, estão de acordo quanto ao elevado mérito ou à monstruosidade de uma longa-metragem. Mesmo quando as opiniões se dividem (como aconteceu com “Kill Bill”), costuma haver uma tendência dominante. Mesmo que não me guie estritamente pelas estrelinhas atribuídas pelos críticos, eles acabam por criar, pelo seu aplauso ou repulsa (ou ainda pior, indiferença), uma ideia prévia sobre as fitas que pode ser prejudicial.
É difícil (felizmente) ler tudo o que se publica em Portugal sobre o cinema em exibição. Ainda assim, nos espaços que consulto mais frequentemente, costumam-se destacar alguns nomes cujos textos possuem determinadas características especiais. Quem pode passar ao lado das reflexões elaboradas e intelectuais de João Lopes, da brutalidade (ou polémica) de Eurico de Barros, da snobice q.b. do painel do “Público”, dos intermináveis (mas claros e directos) ensaios de Nuno Antunes (Cinema2000), da paixão pela comédia romântica inglesa de Rui Pedro Tendinha, da tendência para dizer bem de João Antunes, da tendência para desancar de Francisco Ferreira, da atracção pela Ásia de Luís Canau (CineDie), da abundância da produção de Jorge Pereira (C7nema), do sarcasmo e das piadas extra-cinema de John Snow (“O Inimigo Público”), da capacidade de síntese de JP Machado (7ª Arte), etc.?
De uma forma geral, acho que em Portugal se escreve bem sobre cinema em folhas de papel e no ciberespaço. De resto, os articulistas especializados não são muitos (se excluirmos a “democratização” da função crítica proporcionada por fóruns e blogues), são quase todos homens (sabe-se lá porquê) e renovam-se apenas de vez em quando (foi bom terem surgido “novos valores” na Net, como Joaquim Lucas e Tiago Pimentel, ou mesmo na imprensa, como Vasco Menezes). Os críticos portugueses são inofensivos para a saúde ou gente muito perigosa? O certo é que não podemos passar sem eles.
É difícil (felizmente) ler tudo o que se publica em Portugal sobre o cinema em exibição. Ainda assim, nos espaços que consulto mais frequentemente, costumam-se destacar alguns nomes cujos textos possuem determinadas características especiais. Quem pode passar ao lado das reflexões elaboradas e intelectuais de João Lopes, da brutalidade (ou polémica) de Eurico de Barros, da snobice q.b. do painel do “Público”, dos intermináveis (mas claros e directos) ensaios de Nuno Antunes (Cinema2000), da paixão pela comédia romântica inglesa de Rui Pedro Tendinha, da tendência para dizer bem de João Antunes, da tendência para desancar de Francisco Ferreira, da atracção pela Ásia de Luís Canau (CineDie), da abundância da produção de Jorge Pereira (C7nema), do sarcasmo e das piadas extra-cinema de John Snow (“O Inimigo Público”), da capacidade de síntese de JP Machado (7ª Arte), etc.?
De uma forma geral, acho que em Portugal se escreve bem sobre cinema em folhas de papel e no ciberespaço. De resto, os articulistas especializados não são muitos (se excluirmos a “democratização” da função crítica proporcionada por fóruns e blogues), são quase todos homens (sabe-se lá porquê) e renovam-se apenas de vez em quando (foi bom terem surgido “novos valores” na Net, como Joaquim Lucas e Tiago Pimentel, ou mesmo na imprensa, como Vasco Menezes). Os críticos portugueses são inofensivos para a saúde ou gente muito perigosa? O certo é que não podemos passar sem eles.
sexta-feira, dezembro 05, 2003
Um actor fascinante
É bom saber que estreará ná última sexta-feira de 2003 "O Fascínio" (de José Fonseca e Costa) uma longa-metragem protagonizada por Vítor Norte e Sylvie Rocha. Embora a sinopse disponibilizada contenha alguns pontos suspeitos (uma herdade alentejana? Uma metáfora de Portugal?), pode tratar-se de uma boa aposta, ainda que as suas receitas de bilheteira devam ficar bastante aquém das de "Os Imortais". Sobretudo, é positivo que volte às salas Vítor Norte, um dos melhores actores do cinema nacional. Ultimamente (como já lembrou a "Visão"), Norte anda perdido em produções de qualidade duvidosa da TVI.
Nos últimos anos da década passada, Norte brilhou em sucessivas experiências na 7ª Arte. Quer como protagonista como secundário, deu outra dimensão a obras como "Sapatos Pretos", "A Sombra dos Abutres", "Jaime", "Tarde Demais", "Respirar (Debaixo d'Água)" ou os telefilmes "Monsanto" e "Mustang" (neste caso, sem salvar o filme). O sucesso destes últimos (sim, e aquilo em que se meteu depois) garantiu-lhe popularidade suficiente para ganhar um Globo de Ouro pela sua participação numa fita que ninguém viu ("O Gotejar da Luz"). É certo que costuma interpretar personagens com características semelhantes (uma imagem de duro ou mesmo rude), mas fá-lo com uma força que agarra o espectador. Quando está em cena, o ecrã é dele.
Esperemos assim que nos próximos anos Norte faça mais filmes, voltando a atingir o nível que possuiu no seu auge (a "Premiere" portuguesa considerou-o uma das figuras de 2000). Nas telenovelas, não só recebe papéis mais fracos como passa quase despercebido.
Nos últimos anos da década passada, Norte brilhou em sucessivas experiências na 7ª Arte. Quer como protagonista como secundário, deu outra dimensão a obras como "Sapatos Pretos", "A Sombra dos Abutres", "Jaime", "Tarde Demais", "Respirar (Debaixo d'Água)" ou os telefilmes "Monsanto" e "Mustang" (neste caso, sem salvar o filme). O sucesso destes últimos (sim, e aquilo em que se meteu depois) garantiu-lhe popularidade suficiente para ganhar um Globo de Ouro pela sua participação numa fita que ninguém viu ("O Gotejar da Luz"). É certo que costuma interpretar personagens com características semelhantes (uma imagem de duro ou mesmo rude), mas fá-lo com uma força que agarra o espectador. Quando está em cena, o ecrã é dele.
Esperemos assim que nos próximos anos Norte faça mais filmes, voltando a atingir o nível que possuiu no seu auge (a "Premiere" portuguesa considerou-o uma das figuras de 2000). Nas telenovelas, não só recebe papéis mais fracos como passa quase despercebido.
quarta-feira, dezembro 03, 2003
Mistérios
As minhas piores suspeitas parecem concretizar-se. Lembram-se de quando, no passado mês de Setembro, elogiei a mudança de visual da revista "Primeiras Imagens" (PI) e reflecti seriamente sobre a existência ou não de Nuno Ferreira, o director da publicação? Não? Bem, o certo é que desta vez interrogo-me sobre a existência ou não da própria PI, que parece ter desaparecido sem deixar rasto. Nunca mais apareceu nas bancas, sem qualquer aviso ou explicação dada aos leitores. Durante quase um ano de actividade, a PI queixou-se continuamente da falta de meios, apoios e tempo para realizar os seus projectos. Por vezes demorou imenso tempo a sair, mas mais de dois meses é demais.
Filipe Lopes, que prometia nos editoriais da revista amanhãs que cantavam, contra ventos e marés, ainda anda por aí (faz parte de júris de festivais de animação). Poderá ele contar a história do fim da PI?
É pena que desapareça uma alternativa à poderosa "Premiere". Enfim, guardei quase todos os números. Na próxima década, quando a memória da PI se desvanecer de vez, podem vir a ter algum valor histórico e monetário...
"Camarate", de Luís Filipe Rocha, é exibido hoje (mais uma vez) na RTP1 e vendido amanhã com o "Público", assinalando o 23º aniversário do desastre. O filme não é mau e serve para esclarecer rapidamente o espectador sobre aquele que era o processo mais polémico da justiça portuguesa até Novembro de 2002. O início (a reconstituição dos últimos momentos dos ocupantes do Cessna) e o fim (a defesa da tese de atentado) são o mais interessante. O resto, nomeadamente a ficção amorosa que envolve a personagem de Maria João Luís, chega, infelizmente, a aborrecer imenso.
Lembro-me que, quando vi a fita no cinema, a esmagadora maioria da plateia era constituída por gente que já devia ser bem crescida em 1980. Os eventos que dão origem à história serão demasiado distantes para os jovens ou semi-jovens (este não é, de resto, um filme português que os vá atrair)?
Filipe Lopes, que prometia nos editoriais da revista amanhãs que cantavam, contra ventos e marés, ainda anda por aí (faz parte de júris de festivais de animação). Poderá ele contar a história do fim da PI?
É pena que desapareça uma alternativa à poderosa "Premiere". Enfim, guardei quase todos os números. Na próxima década, quando a memória da PI se desvanecer de vez, podem vir a ter algum valor histórico e monetário...
"Camarate", de Luís Filipe Rocha, é exibido hoje (mais uma vez) na RTP1 e vendido amanhã com o "Público", assinalando o 23º aniversário do desastre. O filme não é mau e serve para esclarecer rapidamente o espectador sobre aquele que era o processo mais polémico da justiça portuguesa até Novembro de 2002. O início (a reconstituição dos últimos momentos dos ocupantes do Cessna) e o fim (a defesa da tese de atentado) são o mais interessante. O resto, nomeadamente a ficção amorosa que envolve a personagem de Maria João Luís, chega, infelizmente, a aborrecer imenso.
Lembro-me que, quando vi a fita no cinema, a esmagadora maioria da plateia era constituída por gente que já devia ser bem crescida em 1980. Os eventos que dão origem à história serão demasiado distantes para os jovens ou semi-jovens (este não é, de resto, um filme português que os vá atrair)?
segunda-feira, dezembro 01, 2003
007 em Portugal?
"007 - Ao Serviço de Sua Majestade" (1969) é uma espécie de "filme maldito" da série já quarentona (outro capítulo geralmente ostracizado é "Vive e Deixa Morrer", o primeiro com Roger Moore, que eu ainda não vi). George Lazenby foi James Bond por uma única vez (achou que o papel não tinha grande futuro) e, embora os resultados de bilheteira não tenham sido tão maus quanto isso, a popularidade de Connery e Moore tornou o actor australiano irrelevante. A verdade é que o sexto filme de Bond é tão diferente de todos os outros que só pode despertar reacções radicais. Eu não gostei (prefiro o estilo Connery, que o inexpressivo Lazenby tenta por vezes imitar sem qualquer sucesso, e a realização e montagem não convencem, além da história ser algo ridícula demais, para não falar dos diálogos), mas outros afirmam que se trata da melhor adaptação da obra de Fleming e dá ao personagem um lado sentimental que só lhe fica bem. O certo é que ficou como um OVNI na lista das aventuras do espião.
É habitual lembrar-se que parte de "007 - Ao Serviço de Sua Majestade" foi filmada em Portugal. Na verdade, a acção centra-se na Suíça e são poucas as cenas que mostram o nosso país (com imagens de Estoril, Sintra e Lisboa, creio), que curiosamente nunca é identificado. Pelo sotaque dos personagens que Bond encontra por cá, parece mais Espanha. No entanto, é possível ver, no casamento do herói, crianças a executar uma suposta dança tradicional lusitana e, a seguir, 007 a conduzir nas imediações da então Ponte Salazar. Parece que a representação deficiente de Portugal e do seu povo no cinema anglo-saxónico não é de hoje.
É habitual lembrar-se que parte de "007 - Ao Serviço de Sua Majestade" foi filmada em Portugal. Na verdade, a acção centra-se na Suíça e são poucas as cenas que mostram o nosso país (com imagens de Estoril, Sintra e Lisboa, creio), que curiosamente nunca é identificado. Pelo sotaque dos personagens que Bond encontra por cá, parece mais Espanha. No entanto, é possível ver, no casamento do herói, crianças a executar uma suposta dança tradicional lusitana e, a seguir, 007 a conduzir nas imediações da então Ponte Salazar. Parece que a representação deficiente de Portugal e do seu povo no cinema anglo-saxónico não é de hoje.
Realizadores de 007
Não posso estar totalmente de acordo com o Pedro no que diz respeito ao que ele disse sobre os realizadores dos filmes do 007. Existe um que é para mim o responsável pelo sucesso dos 007 dos anos 80/90 e sobretudo dos de Roger Moore. Acho que o único dos realizadores que deixou um cunho foi John Glen. Possivelmente foi mais pela insistência, afinal fez 5 filmes e posso dizer que muito mais giros do que os actuais.
O hábito de colocar sequências de engenhocas de 4 rodas começou com este realizador que coloca sempre sequências frenéticas de caça ao agente por paisagens europeias. E culmina com o melhor 007 que me lembro "007 - Operação Tentáculo".
O hábito de colocar sequências de engenhocas de 4 rodas começou com este realizador que coloca sempre sequências frenéticas de caça ao agente por paisagens europeias. E culmina com o melhor 007 que me lembro "007 - Operação Tentáculo".
domingo, novembro 30, 2003
Eles existem?
A propósito da exibição pela SIC (o canal oficial português de James Bond e “Star Wars”) de mais alguns filmes do agente 007, incluindo “Só se Vive Duas Vezes” (7/10), diga-se que só o desejo de divertimento pode explicar o sonho de cineastas de culto como Steven Spielberg e Quentin Tarantino em realizar um capítulo da série. Manter protagonismo ou dar um cunho pessoal à saga não devem ser os objectivos, devido às características das aventuras da personagem mais famosa da 7ª Arte.
Na verdade, quando estreia um novo filme de 007, todos falam do actor principal, das “Bond girls”, das cenas “impossíveis”, dos vilões megalómanos, das engenhocas, dos efeitos visuais, do contexto geopolítico, do “product placement”, dos locais das filmagens... de tudo menos do realizador, cujo nome não gera normalmente mais que um “ah, sim?”. Não só o formato não permite grandes experimentalismos técnicos como são escolhidos cineastas sem demasiado peso comercial (provavelmente de modo a serem mais facilmente controlados pelos produtores) para dirigir a sucessão de sexo, tiros e explosões. O facto dos realizadores recentemente mudarem de episódio para episódio torna-os ainda mais facilmente olvidáveis que as actrizes que contracenam com o protagonista (à excepção de Halle Berry, claro).
Duvido que algum espectador pense ao ver um Bond: “isto é mesmo Apted”, “o Campbell filma cada vez melhor”, “esta foi a fase mais interessante do Gilbert” ou “como é que se chama aquele que o génio do Spotiswoode realizou?” Enfim, apesar de tudo um Bond acaba por ser a coisa mais vistosa feita por esses cineastas médios, por isso há sempre gente interessada em pegar no projecto.
Na verdade, quando estreia um novo filme de 007, todos falam do actor principal, das “Bond girls”, das cenas “impossíveis”, dos vilões megalómanos, das engenhocas, dos efeitos visuais, do contexto geopolítico, do “product placement”, dos locais das filmagens... de tudo menos do realizador, cujo nome não gera normalmente mais que um “ah, sim?”. Não só o formato não permite grandes experimentalismos técnicos como são escolhidos cineastas sem demasiado peso comercial (provavelmente de modo a serem mais facilmente controlados pelos produtores) para dirigir a sucessão de sexo, tiros e explosões. O facto dos realizadores recentemente mudarem de episódio para episódio torna-os ainda mais facilmente olvidáveis que as actrizes que contracenam com o protagonista (à excepção de Halle Berry, claro).
Duvido que algum espectador pense ao ver um Bond: “isto é mesmo Apted”, “o Campbell filma cada vez melhor”, “esta foi a fase mais interessante do Gilbert” ou “como é que se chama aquele que o génio do Spotiswoode realizou?” Enfim, apesar de tudo um Bond acaba por ser a coisa mais vistosa feita por esses cineastas médios, por isso há sempre gente interessada em pegar no projecto.
sábado, novembro 29, 2003
O Admirador e os Admiradores
Desde já quero mandar cumprimentos ao nosso 'admirador' José pelos seus comentários que me têm feito dar umas boas gargalhadas. Realmente quando deixei o espaço para comentários queria interactividade com o pessoal leitor. E leitores bem dispostos são bem vindos.
Quero agradecer ao Tiago Pimentel pelo post que deixou no seu blog que li com muito agrado e que me fez perceber o seu ponto de vista. Ainda queria dar uma palavra de incentivo ao pessoal do site Cinema 2000 que tem andado um pouco parado. Suponho que o tempo seja pouco para as actualizações mas se por outro lado estiverem a pensar que elas são desnecessárias enganem-se pois eu e um grupo de pessoas somos fieis cibernautas leitores. O vosso espaço conquistou a nossa atenção e aguardamos que tudo volte ao normal. Se por outro lado necessitarem de apoio para a dinâmica do site podem contar comigo para o que necessitarem e que esteja dentro do meu alcance.
Quero agradecer ao Tiago Pimentel pelo post que deixou no seu blog que li com muito agrado e que me fez perceber o seu ponto de vista. Ainda queria dar uma palavra de incentivo ao pessoal do site Cinema 2000 que tem andado um pouco parado. Suponho que o tempo seja pouco para as actualizações mas se por outro lado estiverem a pensar que elas são desnecessárias enganem-se pois eu e um grupo de pessoas somos fieis cibernautas leitores. O vosso espaço conquistou a nossa atenção e aguardamos que tudo volte ao normal. Se por outro lado necessitarem de apoio para a dinâmica do site podem contar comigo para o que necessitarem e que esteja dentro do meu alcance.
sexta-feira, novembro 28, 2003
222: zero em qualidade?
Espero que o "adeus" da Zero em Comportamento seja na verdade um "até já". Decerto que a Câmara Municipal de Lisboa (ou outra entidade qualquer) disponibilizará em breve um espaço onde a Zero possa viver com dignidade.
Para quem não sabe, a Zero é uma espécie de cineclube lisboeta que se dedicou nos últimos anos à exibição não só de reposições como de filmes inéditos em Portugal organizados em ciclos inovadores. Curtas-metragens nacionais e estrangeiras e longas de origens variadas (incluindo países escandinavos) puderam assim ser vistas (a preços reduzidos), muitas vezes em primeira mão, pelos cinéfilos da capital. Apesar de enormes dificuldades, a Zero fidelizou um público e obteve vários sucessos de bilheteira dignos de registo (o ciclo Ed Wood e a ante-estreia de "Cidade de Deus", por exemplo). A comunicação social prestou-lhe uma certa atenção e, como afirma a declaração de despedida, gerou-se uma corrente de amor (a que nos juntámos) em torno do projecto.
O problema é que alguns espectadores queixaram-se das más condições das cadeiras e de toda a sala alugada pela associação no Cine-Estúdio 222 (um centro comercial de fraquíssima qualidade situado no Saldanha), marcada pela exiguidade, humildade e mau cheiro. As condições do espaço irritavam o cinéfilo mais paciente (ou com maior capacidade de concentração nos filmes). Fartos de reclamações (os donos do 222 não realizaram até hoje quaisquer obras e o projecto de gestão do São Jorge apresentado à CML não teve seguimento), os dinamizadores da Zero resolveram fechar a loja.
Não para sempre, é claro. Lisboa não ficará sem cinema alternativo que escape ao controlo das grandes distribuidoras. As obras dos melhores cineastas não permanecerão "presas" na televisão. A qualidade cultural vencerá. Acho eu...
Para quem não sabe, a Zero é uma espécie de cineclube lisboeta que se dedicou nos últimos anos à exibição não só de reposições como de filmes inéditos em Portugal organizados em ciclos inovadores. Curtas-metragens nacionais e estrangeiras e longas de origens variadas (incluindo países escandinavos) puderam assim ser vistas (a preços reduzidos), muitas vezes em primeira mão, pelos cinéfilos da capital. Apesar de enormes dificuldades, a Zero fidelizou um público e obteve vários sucessos de bilheteira dignos de registo (o ciclo Ed Wood e a ante-estreia de "Cidade de Deus", por exemplo). A comunicação social prestou-lhe uma certa atenção e, como afirma a declaração de despedida, gerou-se uma corrente de amor (a que nos juntámos) em torno do projecto.
O problema é que alguns espectadores queixaram-se das más condições das cadeiras e de toda a sala alugada pela associação no Cine-Estúdio 222 (um centro comercial de fraquíssima qualidade situado no Saldanha), marcada pela exiguidade, humildade e mau cheiro. As condições do espaço irritavam o cinéfilo mais paciente (ou com maior capacidade de concentração nos filmes). Fartos de reclamações (os donos do 222 não realizaram até hoje quaisquer obras e o projecto de gestão do São Jorge apresentado à CML não teve seguimento), os dinamizadores da Zero resolveram fechar a loja.
Não para sempre, é claro. Lisboa não ficará sem cinema alternativo que escape ao controlo das grandes distribuidoras. As obras dos melhores cineastas não permanecerão "presas" na televisão. A qualidade cultural vencerá. Acho eu...
terça-feira, novembro 25, 2003
Trilogias caras
As trilogias estão na moda. Curiosamente, nunca me tornei verdadeiramente fã de nenhuma, pelo menos ao nível do culto quase religioso que alguns cinéfilos praticam. Não nego, é claro, os momentos excelentes de cinema que séries como (os episódios IV-VI de) "Star Wars", "Indiana Jones", "O Senhor dos Anéis" (partindo do princípio que "O Regresso do Rei" voltará a deixar-nos boquiabertos) ou mesmo "Matrix" apresentam e perpetuam. Mas é difícil ter o mesmo entusiasmo de quem compra logo que pode os DVDs com a trilogia que adora mais.
Esta notícia faz-me sentir feliz por isso. Os preços do mercado português são, de facto, justos...
Esta notícia faz-me sentir feliz por isso. Os preços do mercado português são, de facto, justos...
segunda-feira, novembro 24, 2003
Beba Sagres
Ao contrário do que acontece na ficção televisiva nacional, é rara a presença de "product placement" no cinema português (exceptuando as antigas e já esquecidas produções da SICFilmes). Não podemos saber que marcas é que, no intervalo das suas aventuras ou dramas existenciais, os personagens comem, bebem, fumam ou conduzem (diga-se que em princípio, não tenho nada contra a publicidade nos filmes, embora seja por vezes insultuoso que determinados planos ou cenas sirvam apenas para esse fim). Que fizemos para merecer isto? Como é possível?
Para começar, alguns cineastas do género José Álvaro Morais produzem fitas demasiado "artísticas" e independentes para aceitar apelos básicos ao consumo que possam conceder um aspecto sórdido de realismo às criaturas dos enredos. Além disso, os anunciantes sabem que o público a que chegariam com esse tipo de publicidade seria reduzido e constituído por gente muito esquisita (espectadores do cinema lusitano) afastada do padrão do consumidor comum.
Neste cenário, "Os Imortais", de António-Pedro Vasconcelos, representa sem dúvida um passo em frente na comercialização das longas-metragens lusas. Afinal, a breve referência à cerveja Sagres (consumida pelo personagem de Nicolau Breyner) e a presença de outras bebidas verdadeiras como "JB" indicam o início do investimento nesse sentido. O eventual (não tenho dados) sucesso da fita servirá decerto de incentivo a esse esforço patriótico. O nosso cinema jamais se aproximará do prestígio das produções americanas se os argumentos não previrem de antemão numerosas cenas com publicidade regiamente paga.
P.S. Não recebi (por enquanto) nenhum pagamento da Sagres por ter escrito isto. Juro.
Para começar, alguns cineastas do género José Álvaro Morais produzem fitas demasiado "artísticas" e independentes para aceitar apelos básicos ao consumo que possam conceder um aspecto sórdido de realismo às criaturas dos enredos. Além disso, os anunciantes sabem que o público a que chegariam com esse tipo de publicidade seria reduzido e constituído por gente muito esquisita (espectadores do cinema lusitano) afastada do padrão do consumidor comum.
Neste cenário, "Os Imortais", de António-Pedro Vasconcelos, representa sem dúvida um passo em frente na comercialização das longas-metragens lusas. Afinal, a breve referência à cerveja Sagres (consumida pelo personagem de Nicolau Breyner) e a presença de outras bebidas verdadeiras como "JB" indicam o início do investimento nesse sentido. O eventual (não tenho dados) sucesso da fita servirá decerto de incentivo a esse esforço patriótico. O nosso cinema jamais se aproximará do prestígio das produções americanas se os argumentos não previrem de antemão numerosas cenas com publicidade regiamente paga.
P.S. Não recebi (por enquanto) nenhum pagamento da Sagres por ter escrito isto. Juro.
domingo, novembro 23, 2003
Regresso ao Cruel Mundo dos Homens
Li a crítica do Tiago Pimentel sobre o filme "Mystic River" e poderei dizer que não estou de acordo com aquilo que ele diz ser a temática do filme: a Morte. Não acho que esse seja a principal marca e obcessão de Clint EastWood.
Possivelmente nos últimos filmes sejam a "Morte" e a "Velhice" os temas principais mas aquilo que me parecer ser a sua imagem de marca são "Histórias sobre o Cruel Mundo dos Homens".
Muitas vezes Homens com a conotação de espécie Humana e outras com a conotação Machista da palavra. Vejam por exemplo o "Mundo Perfeito" em que os causadores de todos os problemas são homens. O bandido é mau pois teve problemas na adolescência com o pai, o rapaz quer fugir por não ter pai e a personagem de Laura Dern personifica o contraste com a visão feminina desse Mundo machista em que os Rangers e a personagem de Clint se move na caça ao homem. Posteriormente essa visão do Mundo continuou no filme "Imperdoável" e em todos os seus filmes de forma mais ou menos evidente (Space Cowboy é aquele que ligeiramente goza com todos os clichés sobre os durões da corrida ao espaço vista no cinema sempre de uma forma manifestamente machista).
Agora em "Mystic River" volta a ser evidente essa marca de Clint Eastwood.
Aquilo que o ser Humano pode fazer em muitas vertentes. Desde a pedófia, à perda da amizade, à desconfiança e traição e a grande diferença é que nesta história as mulheres ganham a mesma dimensão que os homens e Clint Eastwood realça bastante isso quer durante o filme quer no final com um sucessivo jogo de olhares (também presente no livro).
Eu desde que vi o "Mundo Perfeito" sou um fervoroso fã dos filmes de Eastwood e conheço todos desde 92 e posso sem qualquer dúvida dizer que este é o tal momento alto que gostaria de voltar a sentir.
Gostava ainda de salientar que quer em "Um Mundo Perfeito" e "Mystic River" estamos na presença de estranhas personagem crucificadas pelo seu semelhante. No primeiro a personagem de Kevin Costner e no segundo caso Dave que bem no fundo é a constante vitima do Mundo dos Homens (traído até pela sua mulher).
Sem qualquer dúvida o melhor filme do ano e ficará para muito meditar.
***** (0-5)
Possivelmente nos últimos filmes sejam a "Morte" e a "Velhice" os temas principais mas aquilo que me parecer ser a sua imagem de marca são "Histórias sobre o Cruel Mundo dos Homens".
Muitas vezes Homens com a conotação de espécie Humana e outras com a conotação Machista da palavra. Vejam por exemplo o "Mundo Perfeito" em que os causadores de todos os problemas são homens. O bandido é mau pois teve problemas na adolescência com o pai, o rapaz quer fugir por não ter pai e a personagem de Laura Dern personifica o contraste com a visão feminina desse Mundo machista em que os Rangers e a personagem de Clint se move na caça ao homem. Posteriormente essa visão do Mundo continuou no filme "Imperdoável" e em todos os seus filmes de forma mais ou menos evidente (Space Cowboy é aquele que ligeiramente goza com todos os clichés sobre os durões da corrida ao espaço vista no cinema sempre de uma forma manifestamente machista).
Agora em "Mystic River" volta a ser evidente essa marca de Clint Eastwood.
Aquilo que o ser Humano pode fazer em muitas vertentes. Desde a pedófia, à perda da amizade, à desconfiança e traição e a grande diferença é que nesta história as mulheres ganham a mesma dimensão que os homens e Clint Eastwood realça bastante isso quer durante o filme quer no final com um sucessivo jogo de olhares (também presente no livro).
Eu desde que vi o "Mundo Perfeito" sou um fervoroso fã dos filmes de Eastwood e conheço todos desde 92 e posso sem qualquer dúvida dizer que este é o tal momento alto que gostaria de voltar a sentir.
Gostava ainda de salientar que quer em "Um Mundo Perfeito" e "Mystic River" estamos na presença de estranhas personagem crucificadas pelo seu semelhante. No primeiro a personagem de Kevin Costner e no segundo caso Dave que bem no fundo é a constante vitima do Mundo dos Homens (traído até pela sua mulher).
Sem qualquer dúvida o melhor filme do ano e ficará para muito meditar.
***** (0-5)
BD em imagem real
Não é propriamente novidade, mas vem aí (em Junho de 2004, e não em Dezembro deste ano como foi anunciado de início) a adaptação da série de BD "Garfield" para o cinema de imagem real. O gato criado por Jim Davis em 1978 e as outras personagens "não-humanas" serão introduzidos digitalmente de modo a contracenarem com os actores, à imagem do que aconteceu em "Scooby-Doo". Peter Hewitt realiza, Bill Murray (boa escolha) faz a voz do protagonista (Lorenzo Music, que desempenhava essa função na televisão, já faleceu), enquanto Breckin Meyer (uma estrela qualquer do cinema adolescente) encarna Jon Arbuckle e Jennifer Love Hewitt a paixão deste.
Numa época marcada por uma série ininterrupta de transposições das histórias de super-heróis para as telas das salas escuras, é curioso que se pegue numa personagem dos tradicionais "comics" diários humorísticos (por acaso, quanto a Garfield, gosto mais da série televisiva de animação que das tiras propriamente ditas). Irá resultar? Talvez não. O universo de Garfield é tão simples que no cinema pode tornar-se demasiado óbvio e "cartoonesco".
É pena que a melhor série de BD humorística vinda dos EUA nos últimos anos ("Calvin e Hobbes") seja aquela que menos hipóteses tem de ser alvo de uma adaptação para a televisão ou o cinema (o autor nunca o permitiria...).
Numa época marcada por uma série ininterrupta de transposições das histórias de super-heróis para as telas das salas escuras, é curioso que se pegue numa personagem dos tradicionais "comics" diários humorísticos (por acaso, quanto a Garfield, gosto mais da série televisiva de animação que das tiras propriamente ditas). Irá resultar? Talvez não. O universo de Garfield é tão simples que no cinema pode tornar-se demasiado óbvio e "cartoonesco".
É pena que a melhor série de BD humorística vinda dos EUA nos últimos anos ("Calvin e Hobbes") seja aquela que menos hipóteses tem de ser alvo de uma adaptação para a televisão ou o cinema (o autor nunca o permitiria...).
quinta-feira, novembro 20, 2003
Ladra mas morde
Fui ver no passado fim de semana (com uma belissíma companhia) o filme que venceu o festival de Cannes.
Nunca tinha visto antes tanta conformidade no meio dos críticos de cinema sobre a pontuação a dar a este filme (5 estrelas desde o Público ao Expresso).
Realmente não poderei fugir a isso mesmo. O filme é um portento. É simples como poucos, pequeno como muitos mas incisivo à sua maneira. A realização é soberba, realmente o realizador dá-se melhor na sua veia independente do que na mais comercial mas a montagem é milimétrica. Nada está fora do sítio e o filme faz um sentido esmagador.
A história todos sabem, trata-se num filme onde nos é relatado um massacre semelhante ao de Columbine. Neste caso o que interessa não é o porquê mas sim o envolvimento social e emocional que está envolvido numa tragédia deste tipo nos momentos que o antecedem e durante a sua consomação. A força do filme é sem qualquer dúvida o facto de não entrar em demagogias e explicações pretenciosas dando-nos uma lição de poesia trágica.
O melhor filme estreado desde o final do Verão sem qualquer dúvida
5 em 5 estrelas
Nunca tinha visto antes tanta conformidade no meio dos críticos de cinema sobre a pontuação a dar a este filme (5 estrelas desde o Público ao Expresso).
Realmente não poderei fugir a isso mesmo. O filme é um portento. É simples como poucos, pequeno como muitos mas incisivo à sua maneira. A realização é soberba, realmente o realizador dá-se melhor na sua veia independente do que na mais comercial mas a montagem é milimétrica. Nada está fora do sítio e o filme faz um sentido esmagador.
A história todos sabem, trata-se num filme onde nos é relatado um massacre semelhante ao de Columbine. Neste caso o que interessa não é o porquê mas sim o envolvimento social e emocional que está envolvido numa tragédia deste tipo nos momentos que o antecedem e durante a sua consomação. A força do filme é sem qualquer dúvida o facto de não entrar em demagogias e explicações pretenciosas dando-nos uma lição de poesia trágica.
O melhor filme estreado desde o final do Verão sem qualquer dúvida
5 em 5 estrelas
Há muito, muito tempo
Comprei numa feira do livro “Vídeo 93” (Projornal/Difusão Cultural, 1993), coordenado pelo jornalista Pedro Garcia Rosado. Porquê? Bem, trata-se de um catálogo de todos (ou quase todos) os filmes disponíveis em cassete no território português em Novembro de 1992. 7000 títulos indicados com os dados essenciais, uma pequena sinopse e, muitas vezes, uma classificação (de 1 a 5) e um comentário crítico de Rosado (autor de, entre outros livros, “Steven Spielberg” e “Quem é Quem no Cinema e Vídeo”, além dos “Vídeos” entre 89 e 92). As obras encontram-se agrupadas por géneros, desde o infantil-juvenil ao erótico e pornográfico. Assim, títulos como “O Dia dos Namorados com Snoopy” (duas estrelas) coexistem com outros como “O Mistério dos Traseiros” (duas estrelas) ou “Penetrações Anais III” (três estrelas, o filme da série melhor classificado). A grande virtude do livro é fazer referência a centenas de “pérolas” desconhecidas dos anos 70 e 80 que o triunfo do DVD fará desaparecer para sempre.
Seria difícil que hoje alguém se aventurasse num projecto chamado “DVD 03”, uma vez que a obrigatória análise dos extras levaria a que se necessitasse de muito mais tempo. Sem poder ser actualizada, a obra de Rosado serve no entanto para relembrar os tempos em que Joaquim Leitão era “um jovem saído da Escola de Cinema”.
Seria difícil que hoje alguém se aventurasse num projecto chamado “DVD 03”, uma vez que a obrigatória análise dos extras levaria a que se necessitasse de muito mais tempo. Sem poder ser actualizada, a obra de Rosado serve no entanto para relembrar os tempos em que Joaquim Leitão era “um jovem saído da Escola de Cinema”.
terça-feira, novembro 18, 2003
A forma do blogue
Mais um otário, quero dizer, mais um bloguista com bom gosto resolveu incluir-nos na sua lista de "links". Podem encontrar-nos algures no "site" A Forma do Jazz a Vir, de Nuno Catarino.
Imprimindo ao espaço um tom pessoal e descrevendo o seu dia-a-dia, marcado por cortes de cabelo, idas à Fnac, expedições fracassadas à Cinemateca, leituras de Lobo Antunes, surpresas positivas (como ocorreu com "Crueldade Intolerável") ou negativas (no caso de "Kill Bill"), etc., Catarino dedica numerosas linhas à análise da música por ele ouvida (afinal, falamos do "Professor Marcelo dos discos"). Sem se levar muito a sério, cria um blogue interessante e divertido de seguir (que eu só descobri agora, confesso).
Fãs de Vincent Gallo e José Cid, venham todos à Forma do Jazz!
Imprimindo ao espaço um tom pessoal e descrevendo o seu dia-a-dia, marcado por cortes de cabelo, idas à Fnac, expedições fracassadas à Cinemateca, leituras de Lobo Antunes, surpresas positivas (como ocorreu com "Crueldade Intolerável") ou negativas (no caso de "Kill Bill"), etc., Catarino dedica numerosas linhas à análise da música por ele ouvida (afinal, falamos do "Professor Marcelo dos discos"). Sem se levar muito a sério, cria um blogue interessante e divertido de seguir (que eu só descobri agora, confesso).
Fãs de Vincent Gallo e José Cid, venham todos à Forma do Jazz!
domingo, novembro 16, 2003
Unas e muito mais
Para começar, é importante destacar que "Os Imortais" demonstra um esforço meritório de atrair o público nacional, dispensando histórias demasiado lentas e complexas, criando personagens e apostando no contacto com a realidade, blá, blá... Isto já se tornou um lugar-comum.
Embora principiando com a narração de Rui Unas (nada no seu trabalho o identifica como um "novato" ou uma estrela da televisão, está tão bem como os actores mais habituados ao cinema), a obra de António-Pedro Vasconcelos concentra-se sobretudo na perspectiva do inspector Malarranha (Nicolau Breyner magnífico, melhor no drama que na comédia), que toma conhecimento de toda a história dos Imortais através de vários "flashbacks". Quanto à guerra colonial e às suas memórias, a abordagem é muito diferente, como é óbvio, da comédia que é "Preto e Branco", mas eficaz na sua brevidade (brevidade essa que não caracteriza todo o filme, que se torna demasiado longo).
O elenco é de alto calibre, excepto Emmanuelle Seigner, que serve sobretudo para introduzir a língua francesa ("Os Imortais" é co-produzido pelo Luxemburgo) e cenas de sexo. Mas neste caso a gaja não estraga tudo. É certo que não é um grande filme, mas, como já alguém disse, tem princípio, meio e fim.
Não deixa de ser curioso observar o 1985 recriado por Vasconcelos (com a campanha de Cavaco Silva, cartazes do PRD, Carlos Fino a apresentar o telejornal e toda a gente a pagar em notas de escudo) e pormenores como o "cameo" do realizador (é um pianista) e a enorme quantidade de álcool e tabaco utilizados na rodagem da fita.
A melhor cena: É revelado o destino de Abel.
A pior cena: Madeleine e Malarranha na esplanada.
Nota: 6/10.
P.S. "Portugal S.A."? O que raio vem aí (a avaliar pelo "teaser", muito, mas muito sexo)?
Embora principiando com a narração de Rui Unas (nada no seu trabalho o identifica como um "novato" ou uma estrela da televisão, está tão bem como os actores mais habituados ao cinema), a obra de António-Pedro Vasconcelos concentra-se sobretudo na perspectiva do inspector Malarranha (Nicolau Breyner magnífico, melhor no drama que na comédia), que toma conhecimento de toda a história dos Imortais através de vários "flashbacks". Quanto à guerra colonial e às suas memórias, a abordagem é muito diferente, como é óbvio, da comédia que é "Preto e Branco", mas eficaz na sua brevidade (brevidade essa que não caracteriza todo o filme, que se torna demasiado longo).
O elenco é de alto calibre, excepto Emmanuelle Seigner, que serve sobretudo para introduzir a língua francesa ("Os Imortais" é co-produzido pelo Luxemburgo) e cenas de sexo. Mas neste caso a gaja não estraga tudo. É certo que não é um grande filme, mas, como já alguém disse, tem princípio, meio e fim.
Não deixa de ser curioso observar o 1985 recriado por Vasconcelos (com a campanha de Cavaco Silva, cartazes do PRD, Carlos Fino a apresentar o telejornal e toda a gente a pagar em notas de escudo) e pormenores como o "cameo" do realizador (é um pianista) e a enorme quantidade de álcool e tabaco utilizados na rodagem da fita.
A melhor cena: É revelado o destino de Abel.
A pior cena: Madeleine e Malarranha na esplanada.
Nota: 6/10.
P.S. "Portugal S.A."? O que raio vem aí (a avaliar pelo "teaser", muito, mas muito sexo)?
sábado, novembro 15, 2003
Cinema na televisão
“Fargo” (Hollywood)
Uma história simples (mas mirabolante e, incrivelmente, verídica) e uma duração curta. O filme mais célebre dos Coen apresenta uma certa falta de conteúdo, em resultado desse carácter sucinto. No entanto, se a intriga é breve (parece ser apenas mais um caso para a detective Marge), a maneira como ela nos é narrada surpreende quase sempre. Os diálogos (e os sotaques) são fabulosos e por vezes alucinantes. Frances “Oscar” McDormand e William H. Macy ajudam os realizadores compondo na perfeição os seres insólitos que lhes são atribuídos. Os dois bandidos (tão diferentes) tornam-se figuras de referência. Tudo isto junto forma uma comédia de respeito salpicada de violência deliciosamente absurda.
Se tudo o resto for esquecido, “Fargo” pode ser recordado como “o filme da neve”. O amor com que ela é filmada...
Nota: 8/10.
“Tempos Modernos” (RTP2)
Esta é a obra de Charlie Chaplin cujo visionamento é recomendado nos manuais de História do 9º e 12º anos por ser útil para o estudo da crítica ao “taylorismo” e à alienação do trabalho. Na verdade, essa sátira encontra-se presente sobretudo nos primeiros minutos do filme (que são os mais engraçados). A história é afinal a série de tentativas de Charlot e da sua companheira de aventuras e desventuras (interpretada por Paulette Goddard) para obter uma vida feliz numa América atingida pela agitação social e pelo desemprego (a obra é de 1936). Tecnicamente, “Tempos Modernos” é curioso por se tratar de um filme mudo com música e algumas falas sonorizadas.
A ingenuidade da história e dos personagens e o humor (simples mas cheio de imaginação) no qual Chaplin foi no mínimo exímio e com o qual conseguiu agradar a todos (a minha mãe gosta) foram garantia de sucesso. Por outro lado, as óbvias dúvidas sobre as virtudes do capitalismo industrial devem ter estado na origem dos problemas que o cineasta viria a ter.
“O Grande Ditador” é mais divertido, mas as peripécias do vagabundo ainda possuem potencial de riso.
Nota: 7/10.
Uma história simples (mas mirabolante e, incrivelmente, verídica) e uma duração curta. O filme mais célebre dos Coen apresenta uma certa falta de conteúdo, em resultado desse carácter sucinto. No entanto, se a intriga é breve (parece ser apenas mais um caso para a detective Marge), a maneira como ela nos é narrada surpreende quase sempre. Os diálogos (e os sotaques) são fabulosos e por vezes alucinantes. Frances “Oscar” McDormand e William H. Macy ajudam os realizadores compondo na perfeição os seres insólitos que lhes são atribuídos. Os dois bandidos (tão diferentes) tornam-se figuras de referência. Tudo isto junto forma uma comédia de respeito salpicada de violência deliciosamente absurda.
Se tudo o resto for esquecido, “Fargo” pode ser recordado como “o filme da neve”. O amor com que ela é filmada...
Nota: 8/10.
“Tempos Modernos” (RTP2)
Esta é a obra de Charlie Chaplin cujo visionamento é recomendado nos manuais de História do 9º e 12º anos por ser útil para o estudo da crítica ao “taylorismo” e à alienação do trabalho. Na verdade, essa sátira encontra-se presente sobretudo nos primeiros minutos do filme (que são os mais engraçados). A história é afinal a série de tentativas de Charlot e da sua companheira de aventuras e desventuras (interpretada por Paulette Goddard) para obter uma vida feliz numa América atingida pela agitação social e pelo desemprego (a obra é de 1936). Tecnicamente, “Tempos Modernos” é curioso por se tratar de um filme mudo com música e algumas falas sonorizadas.
A ingenuidade da história e dos personagens e o humor (simples mas cheio de imaginação) no qual Chaplin foi no mínimo exímio e com o qual conseguiu agradar a todos (a minha mãe gosta) foram garantia de sucesso. Por outro lado, as óbvias dúvidas sobre as virtudes do capitalismo industrial devem ter estado na origem dos problemas que o cineasta viria a ter.
“O Grande Ditador” é mais divertido, mas as peripécias do vagabundo ainda possuem potencial de riso.
Nota: 7/10.
quinta-feira, novembro 13, 2003
Torque
Quando fui ver o último Matrix assisti a uma peróla do filme chunga americano: Torque.
Imaginem o "The Fast And The Furious" mas com motas. Fácil!!! Umas motas, uns gajos com barba de 5 dias, umas gajas boas e está aí a bombar.
No trailer o tipo passa de mota em cima de um comboio em andamento e pára uma mota aí a uns 200 km/h contra uma árvore com os pés. Nunca me ri tanto!!!!
Vão ao site Coming Soon que está nos links ali ao lado e vão à sessão de trailers. Garantidamente vão passar um bom bocado.
Se gostarem vão às páginas amarelas e procurem psiquiatras.
Imaginem o "The Fast And The Furious" mas com motas. Fácil!!! Umas motas, uns gajos com barba de 5 dias, umas gajas boas e está aí a bombar.
No trailer o tipo passa de mota em cima de um comboio em andamento e pára uma mota aí a uns 200 km/h contra uma árvore com os pés. Nunca me ri tanto!!!!
Vão ao site Coming Soon que está nos links ali ao lado e vão à sessão de trailers. Garantidamente vão passar um bom bocado.
Se gostarem vão às páginas amarelas e procurem psiquiatras.
Top 10
Quando não se sabe do que falar, nesta coisa de blogs, o pessoal começa a magicar e surge sempre a mesma ideia escrever o TOP 10. Neste caso vou colocar os dez filmes que mais gostei mas tendo em conta os géneros. Assim divido os géneros em 10 e escolho o melhor de cada género.
TOP 10
Drama: Magnólia
Aventura: Os Salteadores da Arca Perdida
Ficção Ciêntifica: Blade Runner: O perigo Iminente
Terror/Suspense: The Shinning
Thriller: Seven: Sete Pecados Mortais
Musical: Dancer In The Dark
Peplum/Histórico/Épico: Spartacus
Romance: Punch-Drunk Love
Comédia: A Vida de Brian
Guerra: A Barreira Invisível
Naturalmente há filmes que gostei muito que ficaram de fora. Não se pode ser justo nestas coisas de gostos e tops.
TOP 10
Drama: Magnólia
Aventura: Os Salteadores da Arca Perdida
Ficção Ciêntifica: Blade Runner: O perigo Iminente
Terror/Suspense: The Shinning
Thriller: Seven: Sete Pecados Mortais
Musical: Dancer In The Dark
Peplum/Histórico/Épico: Spartacus
Romance: Punch-Drunk Love
Comédia: A Vida de Brian
Guerra: A Barreira Invisível
Naturalmente há filmes que gostei muito que ficaram de fora. Não se pode ser justo nestas coisas de gostos e tops.
Blogadas
The Temple of Doom, tal como o nome indica, é um blogue da responsabilidade de um fã de Spielberg. Tiago Costa apresenta aos Portugueses um "site" de qualidade tanto a nível do visual como dos textos, nos quais não só fala sobre o realizador de "Hook" como exprime a sua má recepção a "Hulk" e o entusiasmo moderado provocado por "Kill Bill - A Vingança", além de, como a vida não é só a 7ª Arte, registar impressões acerca de vários álbuns. É pena que as actualizações do blogue sejam tão raras.
Entretanto, o Christopher terminou a lista dos melhores filmes que já lhe passaram diante dos olhos, estabelecendo o "top 5" (sem preocupações de ordem). Não posso dar muitas opiniões, porque (oh, vergonha) só vi duas das obras escolhidas, "Magnólia" (obra-prima e o maior filme de culto dos últimos anos, mas não me apetece colocá-la nas cinco mais) e "Queres Ser John Malkovich?" (absolutamente incrível de tão original, mas não excelente). O meu género é mais "O Mundo a Seus Pés", "Beleza Americana", "A Vida é Bela", "Se7en - Sete Pecados Mortais" e "A Lista de Schindler". Uma lista tão válida como qualquer outra...
Entretanto, o Christopher terminou a lista dos melhores filmes que já lhe passaram diante dos olhos, estabelecendo o "top 5" (sem preocupações de ordem). Não posso dar muitas opiniões, porque (oh, vergonha) só vi duas das obras escolhidas, "Magnólia" (obra-prima e o maior filme de culto dos últimos anos, mas não me apetece colocá-la nas cinco mais) e "Queres Ser John Malkovich?" (absolutamente incrível de tão original, mas não excelente). O meu género é mais "O Mundo a Seus Pés", "Beleza Americana", "A Vida é Bela", "Se7en - Sete Pecados Mortais" e "A Lista de Schindler". Uma lista tão válida como qualquer outra...
segunda-feira, novembro 10, 2003
Uma prenda barata
Questionado pela Antena1 sobre qual seria a prenda de aniversário que daria ao seu adversário político Álvaro Cunhal, Mário Soares respondeu que compraria um bilhete para uma sessão daquele que considera ser "um grande filme" em exibição: "Adeus Lenine!" Segundo o eurodeputado, a obra de Wolfgang Becker não faz rir mas sim pensar muito.
Deixando de lado o claro significado político da escolha de Soares (a verdade é que "Adeus Lenine!" não possui uma visão declaradamente anticomunista e adopta uma postura sobretudo documental, apresentando até a opinião de idosos que vêem com desagrado o fim do país que conheceram durante quase toda a vida), a sua crítica pode ser comentada como justa, uma vez que o primeiro filme alemão que vi é realmente muito bom (seria perfeito se não fosse a sua excessiva duração, com partes algo arrastadas), tanto a nível do argumento (cuja brilhante ideia central já todos conhecem) como da realização e das interpretações. Quanto à questão do riso, a verdade é que ele é por vezes inevitável (embora não se procure fazer o espectador sorrir a todo o custo, até porque se parte da história de uma família separada pelo Muro), sobretudo aquando dos noticiários inventados que "reescrevem" a História. Quanto à reflexão, a primeira coisa que me veio à cabeça foi a pena de não ter assistido à reunificação alemã (que as personagens jovens apoiam desde o início) com olhos de ver. Depois, é claro, foi a constatação de que o cinema europeu pode produzir autênticas pérolas com correspondente sucesso de público (o filme já terá chegado aos EUA? Terá agradado aos poucos espectadores?).
O tema tão real e a abordagem de uma época ainda recente contribuem, é claro, de forma decisiva para o forte impacto de "Adeus Lenine!" na Alemanha e fora dela. Quanto mais não seja por ganhar assim a promoção do "boca-a-boca" e ser referido fora dos círculos da crítica cinematográfica. Por exemplo, pelas Produções Fictícias ou por velhos políticos inesperadamente cinéfilos.
Deixando de lado o claro significado político da escolha de Soares (a verdade é que "Adeus Lenine!" não possui uma visão declaradamente anticomunista e adopta uma postura sobretudo documental, apresentando até a opinião de idosos que vêem com desagrado o fim do país que conheceram durante quase toda a vida), a sua crítica pode ser comentada como justa, uma vez que o primeiro filme alemão que vi é realmente muito bom (seria perfeito se não fosse a sua excessiva duração, com partes algo arrastadas), tanto a nível do argumento (cuja brilhante ideia central já todos conhecem) como da realização e das interpretações. Quanto à questão do riso, a verdade é que ele é por vezes inevitável (embora não se procure fazer o espectador sorrir a todo o custo, até porque se parte da história de uma família separada pelo Muro), sobretudo aquando dos noticiários inventados que "reescrevem" a História. Quanto à reflexão, a primeira coisa que me veio à cabeça foi a pena de não ter assistido à reunificação alemã (que as personagens jovens apoiam desde o início) com olhos de ver. Depois, é claro, foi a constatação de que o cinema europeu pode produzir autênticas pérolas com correspondente sucesso de público (o filme já terá chegado aos EUA? Terá agradado aos poucos espectadores?).
O tema tão real e a abordagem de uma época ainda recente contribuem, é claro, de forma decisiva para o forte impacto de "Adeus Lenine!" na Alemanha e fora dela. Quanto mais não seja por ganhar assim a promoção do "boca-a-boca" e ser referido fora dos círculos da crítica cinematográfica. Por exemplo, pelas Produções Fictícias ou por velhos políticos inesperadamente cinéfilos.
domingo, novembro 09, 2003
2000
Hoje, ultrapassámos as 2000 visitas.
É certo que demorou algum tempo. No entanto, temos orgulho em ser um blogue pequeno mas honrado.
Aos sectores da opinião pública nacional por nós influenciados, muito obrigado.
E como somos amigos dos nossos leitores ao ponto de os criticarmos, vejam lá se fazem mais comentários (eu sei que é difícil não concordar plenamente com os nossos juízos, mas esforcem-se)!
É certo que demorou algum tempo. No entanto, temos orgulho em ser um blogue pequeno mas honrado.
Aos sectores da opinião pública nacional por nós influenciados, muito obrigado.
E como somos amigos dos nossos leitores ao ponto de os criticarmos, vejam lá se fazem mais comentários (eu sei que é difícil não concordar plenamente com os nossos juízos, mas esforcem-se)!
sábado, novembro 08, 2003
Ladra mas quase que não morde
Ontem vi o final da trilogia Matrix. A desilusão apoderou-se de mim. A meu ver não havia material para fazer três filmes mas sim dois com principio e fim. Isto porque não considero todo o filme mau. Acho que a batalha é francamente má, tem todos os clichés possiveis e imaginários e tem a falta de metal torcido (mas tem muito digital torcido).
Ô final é realmente muito bom o que me deixa com uma certa frustração. Neste caso o excesso de meios atropelou a história que poderia ter uma volta diferente. Seja como for vale a pena pela primeira e últimas meias horas. O resto é para encher chouriço.
Classificação:
O final da trilogia 5 (0-5)
Matrix Revolutions 3(0-5)
Ô final é realmente muito bom o que me deixa com uma certa frustração. Neste caso o excesso de meios atropelou a história que poderia ter uma volta diferente. Seja como for vale a pena pela primeira e últimas meias horas. O resto é para encher chouriço.
Classificação:
O final da trilogia 5 (0-5)
Matrix Revolutions 3(0-5)
sexta-feira, novembro 07, 2003
E assim acontece II
Bruno Lomba concebeu e apresentou recentemente uma nova página onde publica críticas e outros artigos sobre cinema. Não foi o primeiro a pensar nisso, é verdade, mas o visual impecável do seu blogue chama a atenção. Os (muitos) textos sobre longas-metragens possuem geralmente não mais que meia dúzia de linhas nas quais são expostas de forma clara uma opinião e uma classificação. As imagens (provenientes, nomeadamente, dos filmes que o bloguista considera fazerem parte do melhor de 2003, como "Kill Bill" ou "Dogville") são uma constante neste espaço (aberto à participação dos leitores) produzido por quem sabe do assunto.
Uma sequela de "O Diário de Bridget Jones" está a ser filmada? A sério? Renée Zellweger voltou a engordar? Para quê? Sou daqueles que acham que a comédia romântica de 2001 que agora conhece uma continuação (afinal não era aquele o homem perfeito para Bridget...) não tem piada ou imaginação nas doses aconselháveis e a própria personagem principal (dos seus amigos e amores é melhor nem falar) não inspira interesse por aí além. Terá a segunda aventura de Jones maior ambição? Talvez só um argumento muito bom pudesse levar a actriz principal a aceitar voltar àquilo.
"Adeus Lenine!" já vai na oitava semana de exibição, permanecendo tranquilamente em quatro salas de Lisboa (e uma de Oeiras). Vai assim seguindo o exemplo de "O Fabuloso Destino de Amélie" (2001) e "Fala com Ela" (2002). Tratam-se de filmes europeus (inventivos e com um lado comovente) exibidos em poucos locais e à margem dos maiores multiplexes (leia-se: Warner-Lusomundo), sem campanhas publicitárias dispendiosas e esmagadoras, mas acarinhados pela crítica (aí, "Amélie" foi por vezes excepção) e que, pouco a pouco, aparecem nas conversas de toda a gente, tornando-se autênticas referências. De vez em quando, manifesta-se a costela europeísta do público cinéfilo lusitano, graças a quem aposta na divulgação (não por puro idealismo, uma vez que as três obras citadas foram êxitos de bilheteira nos seus países natais) de fitas produzidas na UE.
Uma sequela de "O Diário de Bridget Jones" está a ser filmada? A sério? Renée Zellweger voltou a engordar? Para quê? Sou daqueles que acham que a comédia romântica de 2001 que agora conhece uma continuação (afinal não era aquele o homem perfeito para Bridget...) não tem piada ou imaginação nas doses aconselháveis e a própria personagem principal (dos seus amigos e amores é melhor nem falar) não inspira interesse por aí além. Terá a segunda aventura de Jones maior ambição? Talvez só um argumento muito bom pudesse levar a actriz principal a aceitar voltar àquilo.
"Adeus Lenine!" já vai na oitava semana de exibição, permanecendo tranquilamente em quatro salas de Lisboa (e uma de Oeiras). Vai assim seguindo o exemplo de "O Fabuloso Destino de Amélie" (2001) e "Fala com Ela" (2002). Tratam-se de filmes europeus (inventivos e com um lado comovente) exibidos em poucos locais e à margem dos maiores multiplexes (leia-se: Warner-Lusomundo), sem campanhas publicitárias dispendiosas e esmagadoras, mas acarinhados pela crítica (aí, "Amélie" foi por vezes excepção) e que, pouco a pouco, aparecem nas conversas de toda a gente, tornando-se autênticas referências. De vez em quando, manifesta-se a costela europeísta do público cinéfilo lusitano, graças a quem aposta na divulgação (não por puro idealismo, uma vez que as três obras citadas foram êxitos de bilheteira nos seus países natais) de fitas produzidas na UE.
quarta-feira, novembro 05, 2003
E assim acontece
O cartaz de "O Amor Acontece" (filme com um enorme elenco que permite ao espectador dedicar-se ao jogo do "caça-a-estrela", perante tão grande número de actores famosos ingleses e americanos creditados) colocado nas estações de metro de Lisboa possui uma ligeira diferença em relação ao original: Martine McCutcheon é substituída por Lúcia Moniz (conhecem-na?). Ora aí estão capacidade de adaptação e uma boa estratégia comercial. Vamos todos correr a ver a Lúcia, o símbolo do crescente prestígio internacional que Portugal adquiriu nos últimos anos.
Entretanto, hoje foi, na verdade, o dia M, no qual a trilogia "Matrix" chegou ao fim. Críticos como Vasco Câmara, Nuno Antunes (em mais um dos seus textos infindáveis mas extremamente claros e divertidos) e Tiago Pimentel já revelaram ao mundo o asco que lhes provocou a conclusão da história. Nos próximos dias, irá o público adquirir a mesma opinião?
Entretanto, hoje foi, na verdade, o dia M, no qual a trilogia "Matrix" chegou ao fim. Críticos como Vasco Câmara, Nuno Antunes (em mais um dos seus textos infindáveis mas extremamente claros e divertidos) e Tiago Pimentel já revelaram ao mundo o asco que lhes provocou a conclusão da história. Nos próximos dias, irá o público adquirir a mesma opinião?
terça-feira, novembro 04, 2003
O rol continua
Para quem não leu a posta de pescada de domingo, o blogue Bons Companheiros está aqui. Na lista dos 100 mais, mais uma ousadia: a inclusão de "Todo Mundo em Pânico" (em português, "Um Susto de Filme" e, em americano, "Scary Movie"). Se me perguntarem o que penso, acho que gostos não se discutem... pouco. Por exemplo, "Embriagado de Amor" é, para mim, bem melhor que "As Horas".
segunda-feira, novembro 03, 2003
Brasil
O blogue do qual faz parte o Christopher, Os Bons Companheiros, possui abundante produção e muitas imagens. Ultimamente, ele lançou-se numa iniciativa no mínimo ambiciosa: a elaboração de um “top” com os cem melhores filmes que já viu. Algumas opções tomadas contrariam a preferência crítica habitual, como por exemplo as baixas posições de filmes de Spielberg (“ET – O Extraterrestre” e “O Resgate do Soldado Ryan”) ou a inclusão na lista de comédias com Jim Carrey. O rol ainda está nas últimas posições, por isso fiquem atentos aos próximos desenvolvimentos.
É curioso comparar as traduções dos títulos dos filmes americanos feitas no Brasil com as portuguesas. Muitas vezes, os responsáveis pelo sector do “país irmão” distanciam-se da prudência dos seus colegas lusos, que, como sabem, se preocupam acima de tudo em não inventar nomes muito diferentes dos originais. Já célebre é o facto de “O Padrinho” ser conhecido na terra de Lula como “O Poderoso Chefão”. No entanto, nem sempre é assim. Aqui estão mais alguns exemplos:
Título Original: “Tears of the Sun”
Título Português: “Operação Especial”
Título Brasileiro: “Lágrimas do Sol”
TO: “Ferris Bueller’s Day Off”
TP: “O Rei dos Gazeteiros”
TB: “Curtindo a Vida Adoidado”
TO: “Phone Booth”
TP: “Cabine Telefónica”
TB: “Por um Fio”
TO: “Annie Hall”
TP: “Annie Hall”
TB: “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”
TO: “Bowling for Columbine”
TP: “Bowling for Columbine”
TO: “Tiros em Columbine”
TO: “The Life of David Gale”
TP: “Inocente ou Culpado?”
TB: “A Vida de David Gale”
E há mais, vejam por vocês próprios...
É curioso comparar as traduções dos títulos dos filmes americanos feitas no Brasil com as portuguesas. Muitas vezes, os responsáveis pelo sector do “país irmão” distanciam-se da prudência dos seus colegas lusos, que, como sabem, se preocupam acima de tudo em não inventar nomes muito diferentes dos originais. Já célebre é o facto de “O Padrinho” ser conhecido na terra de Lula como “O Poderoso Chefão”. No entanto, nem sempre é assim. Aqui estão mais alguns exemplos:
Título Original: “Tears of the Sun”
Título Português: “Operação Especial”
Título Brasileiro: “Lágrimas do Sol”
TO: “Ferris Bueller’s Day Off”
TP: “O Rei dos Gazeteiros”
TB: “Curtindo a Vida Adoidado”
TO: “Phone Booth”
TP: “Cabine Telefónica”
TB: “Por um Fio”
TO: “Annie Hall”
TP: “Annie Hall”
TB: “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”
TO: “Bowling for Columbine”
TP: “Bowling for Columbine”
TO: “Tiros em Columbine”
TO: “The Life of David Gale”
TP: “Inocente ou Culpado?”
TB: “A Vida de David Gale”
E há mais, vejam por vocês próprios...
Ladra mas morde volume 3
O primeiro volume do filme de Tarantino é deveras divertido. Após o genérico inicial fiquei com a noção das saudades que tinha dos filmes deste génio da colagem cinematografica. Tarantino vai mesmo mais longe que a colagem uma vez que a sua própria visão deteoria todos os lugares comuns e os transforma em icones da cultura pop.
João Lopes disse no DNA no Sábado imediatamente após a estreia do filme, que Tarantino é um "movie jockey" e não posso deixar de dar cinco estrelas ao filme e mais uma vez à magnífica opinião de João Lopes.
Falar de Tarantino é falar de "pure cinematic delight" e esta expressão é a única capaz de expressar o que se sente quando se vê este filme.
No entanto acho que a parte manga do filme está um pouco descontextualizada parecendo estar ali somente para ocupar tempo e puder ser criado o volume 2 com duração suficiente. Mas o restante é tão bom...
João Lopes disse no DNA no Sábado imediatamente após a estreia do filme, que Tarantino é um "movie jockey" e não posso deixar de dar cinco estrelas ao filme e mais uma vez à magnífica opinião de João Lopes.
Falar de Tarantino é falar de "pure cinematic delight" e esta expressão é a única capaz de expressar o que se sente quando se vê este filme.
No entanto acho que a parte manga do filme está um pouco descontextualizada parecendo estar ali somente para ocupar tempo e puder ser criado o volume 2 com duração suficiente. Mas o restante é tão bom...
domingo, novembro 02, 2003
Breves
Três breves comentários:
a) “Cinemaamor” é uma (boa) curta-metragem de 1999 escrita e realizada por Jacinto Lucas Pires (mais conhecido como contista e dramaturgo), contando no elenco com actores dos Artistas Unidos (António Simão, Sylvie Rocha, Manuel Wiborg) e um “cameo” de João Bénard da Costa. Trata-se de uma história urbana sobre a busca do amor por um homem, contendo algumas citações cinéfilas. O guião da fita encontra-se (juntamente com o de “Almirante Reis”, do mesmo autor mas levado à tela por outro cineasta) no livro “2 Filmes e Algo de Algodão” (que até nem é dos melhores de Lucas Pires, mas os dois argumentos são interessantes), editado pela Cotovia.
b) A avaliar pelo que se publica na Internet, “Kill Bill – A Vingança” está a ter enorme sucesso em Portugal. O número de opiniões sobre a obra de Tarantino, positivas ou negativas (sobretudo as primeiras), registadas em “sites” sobre cinema ou em blogues é impressionante.
c) Espero que o filme “Os Imortais” seja melhor que o seu cartaz, que transmite uma impressão de espaço sobreaproveitado. Curiosamente, as letrinhas dos créditos encontram-se ao estilo americano.
a) “Cinemaamor” é uma (boa) curta-metragem de 1999 escrita e realizada por Jacinto Lucas Pires (mais conhecido como contista e dramaturgo), contando no elenco com actores dos Artistas Unidos (António Simão, Sylvie Rocha, Manuel Wiborg) e um “cameo” de João Bénard da Costa. Trata-se de uma história urbana sobre a busca do amor por um homem, contendo algumas citações cinéfilas. O guião da fita encontra-se (juntamente com o de “Almirante Reis”, do mesmo autor mas levado à tela por outro cineasta) no livro “2 Filmes e Algo de Algodão” (que até nem é dos melhores de Lucas Pires, mas os dois argumentos são interessantes), editado pela Cotovia.
b) A avaliar pelo que se publica na Internet, “Kill Bill – A Vingança” está a ter enorme sucesso em Portugal. O número de opiniões sobre a obra de Tarantino, positivas ou negativas (sobretudo as primeiras), registadas em “sites” sobre cinema ou em blogues é impressionante.
c) Espero que o filme “Os Imortais” seja melhor que o seu cartaz, que transmite uma impressão de espaço sobreaproveitado. Curiosamente, as letrinhas dos créditos encontram-se ao estilo americano.
sábado, novembro 01, 2003
Não matem Quentin
"Quentin Tarantino diz que afirmar-se que não se gosta de violência nos filmes faz tanto sentido como afirmar-se que não se gosta de sequências de dança nos filmes."
Jacinto Lucas Pires, "Cinemaamor"
As cinematografias de todos os países devem contar com uma personagem como Tarantino: um doido que aposta em projectos polémicos que só a sua imaginação delirante poderia criar e, afastando-se do politicamente correcto, acaba por ganhar o estatuto de cineasta de culto. Há quem adore e quem odeie o seu trabalho, mas é difícil ficar indiferente a quem assim provoca o sistema (em Portugal, o mais próximo disto que tivemos foi João César Monteiro).
É verdade que o argumento do primeiro volume de "Kill Bill" conta-se em meia dúzia de palavras, mas isso acaba por passar despercebido perante o carácter de divertimento frenético da longa-metragem. Todas as cenas construídas por Tarantino apresentam-se tão inovadoras e surpreendentes (aspecto para o qual muito contribui a banda sonora) que a atenção (ou a estupefacção) do espectador é atraída permanentemente. O realizador move-se com mestria nos diferentes géneros que mistura (em várias ocasiões, como a luta na penumbra ou as imagens em câmara lenta, parece aproveitar para exibir-se), resultando da sua loucura uma experiência bizarra e indefinível mas extremamente atraente. Os desempenhos das actrizes (os homens só aparecem a sério em Fevereiro) garantem o funcionamento do projecto.
Trata-se de uma obra a transbordar de sangue (o que dá origem a momentos hilariantes de humor negro), embora não seja, geralmente (a sequência em animação é de dar a volta ao estômago), chocante, uma vez que o absurdo com que a história é desenvolvida não permite levá-la muito a sério (é bom saber que a companhia de aviação japonesa não aderiu à paranóia da segurança e permite que os seus passageiros transportem calmamente as espadas junto de si). Até agora, é o filme de 2003 com a melhor situação do género "herói/heroína luta sozinho/a contra dezenas de adversários".
A melhor cena: A banda de "rock" actua.
A pior cena: The Bride observa as espadas de Hatzo.
Nota: 9/10.
Jacinto Lucas Pires, "Cinemaamor"
As cinematografias de todos os países devem contar com uma personagem como Tarantino: um doido que aposta em projectos polémicos que só a sua imaginação delirante poderia criar e, afastando-se do politicamente correcto, acaba por ganhar o estatuto de cineasta de culto. Há quem adore e quem odeie o seu trabalho, mas é difícil ficar indiferente a quem assim provoca o sistema (em Portugal, o mais próximo disto que tivemos foi João César Monteiro).
É verdade que o argumento do primeiro volume de "Kill Bill" conta-se em meia dúzia de palavras, mas isso acaba por passar despercebido perante o carácter de divertimento frenético da longa-metragem. Todas as cenas construídas por Tarantino apresentam-se tão inovadoras e surpreendentes (aspecto para o qual muito contribui a banda sonora) que a atenção (ou a estupefacção) do espectador é atraída permanentemente. O realizador move-se com mestria nos diferentes géneros que mistura (em várias ocasiões, como a luta na penumbra ou as imagens em câmara lenta, parece aproveitar para exibir-se), resultando da sua loucura uma experiência bizarra e indefinível mas extremamente atraente. Os desempenhos das actrizes (os homens só aparecem a sério em Fevereiro) garantem o funcionamento do projecto.
Trata-se de uma obra a transbordar de sangue (o que dá origem a momentos hilariantes de humor negro), embora não seja, geralmente (a sequência em animação é de dar a volta ao estômago), chocante, uma vez que o absurdo com que a história é desenvolvida não permite levá-la muito a sério (é bom saber que a companhia de aviação japonesa não aderiu à paranóia da segurança e permite que os seus passageiros transportem calmamente as espadas junto de si). Até agora, é o filme de 2003 com a melhor situação do género "herói/heroína luta sozinho/a contra dezenas de adversários".
A melhor cena: A banda de "rock" actua.
A pior cena: The Bride observa as espadas de Hatzo.
Nota: 9/10.
sexta-feira, outubro 31, 2003
Cine quarenta
Hoje, mais uma vez, o “Cine XL” afirmou-se como um bom programa televisivo. Para quem não sabe, a maravilha de que falo passa na SIC Radical às sextas, primeiro à hora de almoço e depois em horário nobre, é coordenada por Rui Pedro Tendinha e apresentada (em “off”) por duas das estrelas do canal (a outra estrela foi ver como era a 7ª Arte por dentro), Nuno Markl e Fernando Alvim. Estes seguem o guião escrito pelo primeiro, mas é difícil acreditar que não improvisem: passam os 20-25 minutos de programa a dizer breves piadinhas e a fazer comentários por vezes pouco elogiosos sobre os actores das fitas americanas. Como Alvim não se cansou de repetir hoje, o “Cine XL” é um espaço cheio de boa disposição (sem cair no ridículo).
São feitas referências (raramente demasiado longas) a alguns dos filmes em estreia nesse dia ou já em exibição, às novidades do mercado de DVD, e a novas obras que talvez cheguem em breve a Portugal. Além disso, são apresentadas algumas entrevistas (feitas normalmente por Tendinha) e secções especiais como “Cena Clássica” ou “Top XL”. Geralmente, Markl e Alvim apenas publicitam longas-metragens de que gostam ou que estão interessados em ver (a excepção são as novidades dos canais Lusomundo, o patrocinador, que, sejam elas boas ou más, são forçados a mostrar), mas quando não apreciam alguma coisa estúpida são bastante claros.
É óbvio que isto tudo serve apenas de interlúdio para preencher os espaços entre os momentos mais aliciantes, que são as sequências esverdeadas com combinações vídeo/áudio no mínimo curiosas.
São feitas referências (raramente demasiado longas) a alguns dos filmes em estreia nesse dia ou já em exibição, às novidades do mercado de DVD, e a novas obras que talvez cheguem em breve a Portugal. Além disso, são apresentadas algumas entrevistas (feitas normalmente por Tendinha) e secções especiais como “Cena Clássica” ou “Top XL”. Geralmente, Markl e Alvim apenas publicitam longas-metragens de que gostam ou que estão interessados em ver (a excepção são as novidades dos canais Lusomundo, o patrocinador, que, sejam elas boas ou más, são forçados a mostrar), mas quando não apreciam alguma coisa estúpida são bastante claros.
É óbvio que isto tudo serve apenas de interlúdio para preencher os espaços entre os momentos mais aliciantes, que são as sequências esverdeadas com combinações vídeo/áudio no mínimo curiosas.
quinta-feira, outubro 30, 2003
Fiz asneira...
Outras revistas de cinema
Entre os órgãos de imprensa que existem apenas “online” (uma solução mais acessível financeiramente, presumo), contam-se algumas revistas especializadas dedicadas à 7ª Arte criadas há alguns anos. Na Internet portuguesa, é possível apontar os exemplos da “Estreia” e da “C de Crítica”.
O “site” da “Estreia”, regularmente actualizado, vale sobretudo pelas críticas aos filmes estreados nas salas ou em DVD nos últimos meses, apresentadas numa lista bastante completa. Além disso, possui notícias, antevisões de películas ainda não chegadas ao nosso país, “links” de tudo quanto é festival e um sistema que permite conhecer as salas nas quais se encontra em exibição determinado filme (pelo menos em Lisboa e no Porto). Trata-se de uma revista que não gosta de deitar nada fora: além de disponibilizar o arquivo, críticas e notícias antigas misturam-se com as mais recentes. O que é estranho é que a “Estreia” é anónima. As críticas (sem atribuição de classificação às fitas analisadas) referem-se por vezes a posições subjectivas (“estou totalmente de acordo”), mas não aparecem assinadas. Um óbvio precedente de “O Meu Pipi”.
Quanto à “C de Crítica”, é (ou era, visto que não é actualizada desde Junho) um projecto de um grupo de estudantes portuenses. Com um número reduzido de críticas (reunidas em arquivo), nas quais a avaliação é dividida pelos diversos aspectos do filme, possui no entanto, entre outras coisas, artigos sobre variados temas e entrevistas com realizadores portugueses (João Canijo, João Botelho, enfim, essa gente perigosa). Sem muitas imagens, trata-se de uma revista consagrada sobretudo ao cinema feito do lado de cá do Atlântico.
Sem destronar os “pesos-pesados” da Internet cinéfila lusa, como o 7ª Arte e o Cinema 2000, estas duas publicações merecem alguma atenção (e desejos de rápido regresso, no caso da “C de Crítica”).
O “site” da “Estreia”, regularmente actualizado, vale sobretudo pelas críticas aos filmes estreados nas salas ou em DVD nos últimos meses, apresentadas numa lista bastante completa. Além disso, possui notícias, antevisões de películas ainda não chegadas ao nosso país, “links” de tudo quanto é festival e um sistema que permite conhecer as salas nas quais se encontra em exibição determinado filme (pelo menos em Lisboa e no Porto). Trata-se de uma revista que não gosta de deitar nada fora: além de disponibilizar o arquivo, críticas e notícias antigas misturam-se com as mais recentes. O que é estranho é que a “Estreia” é anónima. As críticas (sem atribuição de classificação às fitas analisadas) referem-se por vezes a posições subjectivas (“estou totalmente de acordo”), mas não aparecem assinadas. Um óbvio precedente de “O Meu Pipi”.
Quanto à “C de Crítica”, é (ou era, visto que não é actualizada desde Junho) um projecto de um grupo de estudantes portuenses. Com um número reduzido de críticas (reunidas em arquivo), nas quais a avaliação é dividida pelos diversos aspectos do filme, possui no entanto, entre outras coisas, artigos sobre variados temas e entrevistas com realizadores portugueses (João Canijo, João Botelho, enfim, essa gente perigosa). Sem muitas imagens, trata-se de uma revista consagrada sobretudo ao cinema feito do lado de cá do Atlântico.
Sem destronar os “pesos-pesados” da Internet cinéfila lusa, como o 7ª Arte e o Cinema 2000, estas duas publicações merecem alguma atenção (e desejos de rápido regresso, no caso da “C de Crítica”).
terça-feira, outubro 28, 2003
As madrugadas de Liliana Moreira
Na madrugada de hoje, a RTP1 emitiu "Cinecidade", um magazine originário da NTV coordenado por Álvaro Costa e apresentado por Liliana Moreira. Na verdade, o programa fala não só de cinema como de música. Que desperdício exibir um espaço televisivo desses às duas da manhã, dirão vocês. Na verdade, não se perde grande coisa.
As rápidas intervenções de Moreira (uma locutora o mais convencional possível, que lê calma e sorridente um teleponto com um texto de má qualidade) servem apenas para marcar a fronteira entre as reportagens estrangeiras exibidas. No que toca ao cinema, foi possível ver no "Cinecidade" de hoje os "making of" dos filmes "Hollywood Homicide" e "Kill Bill" (sem as tão faladas imagens com quilolitros de sangue). Pessoalmente, não gosto por aí além de documentários sobre filmagens. Parecem-me sempre iguais, com um realizador a dizer "acção" e "corta" e actores a elogiar o génio do cineasta com quem tiveram o enorme prazer de trabalhar. Até mesmo para ficar a conhecer informações sobre o filme é mais produtivo consultar a Internet.
Seja como for, "Cinecidade" é basicamente isso: longas reportagens importadas com entrevistas a actores, realizadores ou músicos e algumas imagens soltas do seu trabalho. A imaginação do programa é tão grande como a sua ficha técnica. De pouco vale existirem magazines sobre artes se eles têm tão pouca ambição. Com menor tempo de duração, o "Cine XL" da SIC Radical é muito, mas mesmo muito melhor.
As rápidas intervenções de Moreira (uma locutora o mais convencional possível, que lê calma e sorridente um teleponto com um texto de má qualidade) servem apenas para marcar a fronteira entre as reportagens estrangeiras exibidas. No que toca ao cinema, foi possível ver no "Cinecidade" de hoje os "making of" dos filmes "Hollywood Homicide" e "Kill Bill" (sem as tão faladas imagens com quilolitros de sangue). Pessoalmente, não gosto por aí além de documentários sobre filmagens. Parecem-me sempre iguais, com um realizador a dizer "acção" e "corta" e actores a elogiar o génio do cineasta com quem tiveram o enorme prazer de trabalhar. Até mesmo para ficar a conhecer informações sobre o filme é mais produtivo consultar a Internet.
Seja como for, "Cinecidade" é basicamente isso: longas reportagens importadas com entrevistas a actores, realizadores ou músicos e algumas imagens soltas do seu trabalho. A imaginação do programa é tão grande como a sua ficha técnica. De pouco vale existirem magazines sobre artes se eles têm tão pouca ambição. Com menor tempo de duração, o "Cine XL" da SIC Radical é muito, mas mesmo muito melhor.
segunda-feira, outubro 27, 2003
Quem é o Pipoca Rasca?
Sei que este post não é sobre cinema mas não queria deixar passar sem comentar o que Pedro Rolo Duarte disse no passado Sábado no Diário de Notícias.
Sei que ele não gosta de blogs, começando por os criticar brutalmente no seu espaço e acabando por dar graxa aos mesmos quando viu que possivelmente as pessoas poderiam não ter gostado e que isso poderia ser mau para um tipo que escreve livros e em jornais. Depois para terminar em glória disse quem era o Pipi do blog "O meu pipi". Sinceramente mais baixo era impossível, desnecessário e mostra que o 25 de Abril só se deu para alguns pois outros continuam a não gostar da liberdade de expressão.
Não gostar de blogs por os achar inúteis é mau vindo de quem sabe que tem um espaço para escrever a sua opinião. Mas e aqueles que gostam de escrever sobre o que os faz viver e que não têm um espaço? O blog foi uma solução, simoles, económica e que poderá chegar a alguns leitores.
Não estou a defender o "O meu pipi". Acho que esse blog é giro e se for entendido é o ideal para dar umas gargalhadas com aquelas coisas que muitos pensam mas que não dizem. É superfulo mas por ele também não vem mal ao Mundo.
E já agora serve para alguma coisa saber quem escreveu este post?
Sei que ele não gosta de blogs, começando por os criticar brutalmente no seu espaço e acabando por dar graxa aos mesmos quando viu que possivelmente as pessoas poderiam não ter gostado e que isso poderia ser mau para um tipo que escreve livros e em jornais. Depois para terminar em glória disse quem era o Pipi do blog "O meu pipi". Sinceramente mais baixo era impossível, desnecessário e mostra que o 25 de Abril só se deu para alguns pois outros continuam a não gostar da liberdade de expressão.
Não gostar de blogs por os achar inúteis é mau vindo de quem sabe que tem um espaço para escrever a sua opinião. Mas e aqueles que gostam de escrever sobre o que os faz viver e que não têm um espaço? O blog foi uma solução, simoles, económica e que poderá chegar a alguns leitores.
Não estou a defender o "O meu pipi". Acho que esse blog é giro e se for entendido é o ideal para dar umas gargalhadas com aquelas coisas que muitos pensam mas que não dizem. É superfulo mas por ele também não vem mal ao Mundo.
E já agora serve para alguma coisa saber quem escreveu este post?
domingo, outubro 26, 2003
Revoluções surpreendentes?
Já só faltam dez dias para a estreia mundial de "The Matrix Revolutions". Ainda não tinham reparado? É compreensível. Além de alguns "outdoors" lembrando que tudo o que tem um princípio tem de ter um fim ("slogan" um pouco básico e desnecessário), poucos têm sido os sinais que vem aí o final daquela que é já uma das trilogias mais famosas de sempre. Isto é estranho, comparando com o que aconteceu com "Matrix Reloaded", precedido por uma esmagadora campanha mediática e publicitária que nos fez sentir que vinha aí o dia mais importante das nossas tristes vidas. É certo que nessa altura chegava ao fim um período de quatro anos sem notícias de Neo e a imprensa deleitava-se ao explicar quem eram os velhos e novos tipos de óculos escuros. Mas, mesmo assim, actualmente seria de esperar um pouco mais de atenção e carinho. Por enquanto, Tarantino é o alvo dos holofotes. Quererá isto dizer que seremos submetidos nos próximos dias a um verdadeiro massacre?
Seja como for, as primeiras sessões vão esgotar e a obra será um sucesso comercial (embora talvez não arrasador). Terá sido feito um final em beleza ou baixar-se-á ainda mais o nível (não é que negue o visual absolutamente espectacular de "Matrix Reloaded", longe disso, mas o argumento deixa um pouco a desejar)? Existe, além disso, a expectativa sobre qual dos capítulos finais deste ano chamará mais pessoal às salas escuras: "Revolutions" ou "O Regresso do Rei"?
Seja como for, as primeiras sessões vão esgotar e a obra será um sucesso comercial (embora talvez não arrasador). Terá sido feito um final em beleza ou baixar-se-á ainda mais o nível (não é que negue o visual absolutamente espectacular de "Matrix Reloaded", longe disso, mas o argumento deixa um pouco a desejar)? Existe, além disso, a expectativa sobre qual dos capítulos finais deste ano chamará mais pessoal às salas escuras: "Revolutions" ou "O Regresso do Rei"?
sexta-feira, outubro 24, 2003
Um post para o meu bairro
Hoje e amanhã à noite é projectado no Auditório Municipal da Póvoa de Santo Adrião "Exterminador Implacável 3: Ascensão das Máquinas". Amanhã à tarde há uma sessão de "Relatório Minoritário". Os dois filmes integram-se na programação de Outubro da Odivelcultur, a empresa cultural municipal de que já aqui falei. Este mês, a película escolhida através do "Voto do Público" foi "Matrix Reloaded". Que imaginação... Assim é fácil para a Odivelcultur desencantar as longas-metragens que os munícipes exigem.
A propósito, não acreditem naquilo que Artur Teixeira disse no final do noticiário das 17.50 da RNA: o Arnaldo foi eleito governador da Califórnia e não senador e Meryl Streep não contracena com Tom Cruise no filme de Spielberg (este erro é desculpável: o próprio "site" da Odivelcultur comete esse lapso).
P.S. Hoje ultrapassámos as 1500 visitas! Obrigado aos nossos leitores fiéis (e também aos infiéis).
A propósito, não acreditem naquilo que Artur Teixeira disse no final do noticiário das 17.50 da RNA: o Arnaldo foi eleito governador da Califórnia e não senador e Meryl Streep não contracena com Tom Cruise no filme de Spielberg (este erro é desculpável: o próprio "site" da Odivelcultur comete esse lapso).
P.S. Hoje ultrapassámos as 1500 visitas! Obrigado aos nossos leitores fiéis (e também aos infiéis).
O meu "Top" é maior que o teu!!!!
1 Embriagado de Amor
1 Última Hora
2 Dogville
3 Inadaptado
4 Apanha-me se Puderes
5 Herói
6 As Confissões de Schmidt
7 Adeus Lenine!
8 As Regras da Atracção
9. Matrix Reloaded
10. Hulk
10. X.Men2
Acho que colocar somente um filme por lugar acabada por ser injusto.
Assim os dois melhores filmes ãté à data são magistrais e totalmente distintos.
Para finalizar mostro as duas melhores adaptações que a Marvel conseguiu no cinema e ficaram juntos por serem adaptações de BD.
Possivelmente já amanhã quando vir o Kill Bill a lista terá de ser alterado.
1 Última Hora
2 Dogville
3 Inadaptado
4 Apanha-me se Puderes
5 Herói
6 As Confissões de Schmidt
7 Adeus Lenine!
8 As Regras da Atracção
9. Matrix Reloaded
10. Hulk
10. X.Men2
Acho que colocar somente um filme por lugar acabada por ser injusto.
Assim os dois melhores filmes ãté à data são magistrais e totalmente distintos.
Para finalizar mostro as duas melhores adaptações que a Marvel conseguiu no cinema e ficaram juntos por serem adaptações de BD.
Possivelmente já amanhã quando vir o Kill Bill a lista terá de ser alterado.
quinta-feira, outubro 23, 2003
"Top" provisório
Aqui estão os dez melhores filmes que vi no cinema de 1 de Janeiro de 2003 até hoje. Os três últimos não fazem parte do meu "top" ideal (que teria apenas obras com nota igual ou superior a 8/10), mas espero que até ao final do ano sejam corridos da tabela por verdadeiras pérolas...
1 - "Embriagado de Amor", de Paul Thomas Anderson
2 - "A Última Hora", de Spike Lee
3 - "Apanha-me se Puderes", de Steven Spielberg
4 - "Bowling for Columbine", de Michael Moore
5 - "Adeus Lenine!", de Wolfgang Becker
6 - "Solaris", de Steven Soderbergh
7 - "Matrix Reloaded", de Andy e Larry Wachovski
8 - "Inadaptado", de Spike Jonze
9 - "As Horas", de Stephen Daldry
10 - "Cabine Telefónica", de Joel Schumacher
1 - "Embriagado de Amor", de Paul Thomas Anderson
2 - "A Última Hora", de Spike Lee
3 - "Apanha-me se Puderes", de Steven Spielberg
4 - "Bowling for Columbine", de Michael Moore
5 - "Adeus Lenine!", de Wolfgang Becker
6 - "Solaris", de Steven Soderbergh
7 - "Matrix Reloaded", de Andy e Larry Wachovski
8 - "Inadaptado", de Spike Jonze
9 - "As Horas", de Stephen Daldry
10 - "Cabine Telefónica", de Joel Schumacher
Resmas de DVD's
Já se tornou moda a venda de DVD's juntamente com jornais ou revistas. Agora é a "Visão" que inicia em Novembro uma série de filmes postos à disposição dos leitores por mais 8,90 euros. Observando a lista das longas-metragens escolhidas (ou que se puderam arranjar) pela revista de Balsemão, verifica-se que começa bem, com "Magnólia" (a propósito, o destaque atribuído à presença de Tom Cruise na fita de PT Anderson é um pouco enganador, pois dá a entender que a história se concentra na sua personagem, como costuma acontecer), e pelo meio há um Polanski e um "Ali", mas na sua maioria é composta por comédias de brilho duvidoso ("Bean", "Doidos à Solta", "Eram Todos Bons Rapazes") e filmes de impacto quase nulo ("Sob Suspeita", "Um Perigo de Mulher", etc.). Estariam todos os cineastas "de alto nível" reservados pelo "Público"? Enfim, desde que a iniciativa contribua para a divulgação do formato DVD...
P.S. O "best-seller" de Michael Moore chama-se "Brancos Estúpidos e Outras Desculpas Esfarrapadas para o Estado da Nação" e não "Brancos Estúpidos e Outras Histórias" (não se trata de um livro de contos), como a "Visão" de hoje refere erradamente, a propósito da antecipação da "sequela" (com o título de "Dude, Where's My Country?").
P.S. O "best-seller" de Michael Moore chama-se "Brancos Estúpidos e Outras Desculpas Esfarrapadas para o Estado da Nação" e não "Brancos Estúpidos e Outras Histórias" (não se trata de um livro de contos), como a "Visão" de hoje refere erradamente, a propósito da antecipação da "sequela" (com o título de "Dude, Where's My Country?").
terça-feira, outubro 21, 2003
Asneiras e disparates
Dentro da crítica cinematográfica, há um subgénero que consiste na detecção e revelação ao mundo da existência de “erros” ou “falhas” (designações que costumam ser aplicadas em Portugal) em um ou mais filmes. Analisando as longas-metragens à lupa, os especialistas desta actividade reparam em falhas de continuidade, incoerências no argumento, microfones ou equipa técnica visíveis, anacronismos (no caso de cenas que decorrem no passado), informações que não correspondem aos factos reais, situações cientificamente impossíveis, má tradução e muito mais. O que parece fazer sentido aos olhos de um espectador desatento (como eu) é exposto como não possuindo qualquer lógica ou realismo. Por vezes, o que provoca espanto é como ninguém durante a realização e montagem da obra em questão reparou em disparates óbvios.
Os “sites” que constituem referências para este tipo de análise exaustiva da 7ª Arte são, além do Imdb (secção “Goofs”), Nitpickers (muita informação) e o inglês Movie Mistakes (visual agradável). Nestes últimos, os seus autores e qualquer cibernauta que aí se registe publicam textos denunciando os erros (geralmente, quase insignificantes) das fitas (ou de episódios de séries televisivas, no caso dos Nitpickers) e promovem inquéritos. Os filmes com mais falhas plausíveis registadas (como “Matrix”, “O Resgate do Soldado Ryan” ou “A Irmandade do Anel”) não são necessariamente aqueles que são feitos com mais desleixo, mas sim os mais populares (logo, com maiores probabilidades de serem “apanhados”).
Há três anos, existia um equivalente português muito interessante, “Oops! Falhas nos Filmes”. Depois de alguma instabilidade, desapareceu sem deixar rasto. Alguém sabe o que lhe aconteceu?
Os “sites” que constituem referências para este tipo de análise exaustiva da 7ª Arte são, além do Imdb (secção “Goofs”), Nitpickers (muita informação) e o inglês Movie Mistakes (visual agradável). Nestes últimos, os seus autores e qualquer cibernauta que aí se registe publicam textos denunciando os erros (geralmente, quase insignificantes) das fitas (ou de episódios de séries televisivas, no caso dos Nitpickers) e promovem inquéritos. Os filmes com mais falhas plausíveis registadas (como “Matrix”, “O Resgate do Soldado Ryan” ou “A Irmandade do Anel”) não são necessariamente aqueles que são feitos com mais desleixo, mas sim os mais populares (logo, com maiores probabilidades de serem “apanhados”).
Há três anos, existia um equivalente português muito interessante, “Oops! Falhas nos Filmes”. Depois de alguma instabilidade, desapareceu sem deixar rasto. Alguém sabe o que lhe aconteceu?
segunda-feira, outubro 20, 2003
Ladra mas morde: Volume 2
Dedico este volume a um dos maiores nomes da história da 7ª Arte, Clint Eastwood. O realizador/actor americano começou a sua carreira na televisão em séries cujo tema era centrado no Oeste Americano.
Nos anos sessenta aparece um projecto ambicioso de um realizador italiano que procura actores de renome para westerns. Após Bronson e Fonda rejeitarem Sergio Leone vira-se para Eastwood como o possivel substituto.
Nestes tempos criou-se uma lenda, o "cowboy sem nome" personagem que iria aparecer em mais dois filmes perfazendo uma trilogia que não é trilogia (uma vez que nunca se estabelecem ligações entre histórias/personagens).
Eastwood viveu tempos de glória perto do público mas um grande afastamento da crítica que a agora o "ama". Eastwood volta a marcar a sua carreira de uma personagem simbolica nos anos 70, Dirty Harry. As sequelas são muitas e perto dos anos 90 Eastwood começa a realizar películas mais regularmente.
Contra o que é hábito os seus dois títulos mais importantes são esquecidos pela crítica Europeia e amados pela Americana. Assim um pouco inesperadamente ganha dois Óscares com o melhor Western dos últimos 20 anos, Imperdoável.
Todos os seus filmes seguintes são marcados por um toque clássico brilhante e mesmo os filmes mais descontraídos são de uma qualidade acima da média.
Em 2000 faz aquele filme mais descontraído, Space Cowboys que a meu ver é um dos melhores filmes do género desde Os Efeitos. Pensando bem poderia mesmo dizer que é semelhante mas mais descontraído. E o último plano do filme é a sequência mais bonita que o cinema americano nos deu nos últimos 10 anos.
Nos anos sessenta aparece um projecto ambicioso de um realizador italiano que procura actores de renome para westerns. Após Bronson e Fonda rejeitarem Sergio Leone vira-se para Eastwood como o possivel substituto.
Nestes tempos criou-se uma lenda, o "cowboy sem nome" personagem que iria aparecer em mais dois filmes perfazendo uma trilogia que não é trilogia (uma vez que nunca se estabelecem ligações entre histórias/personagens).
Eastwood viveu tempos de glória perto do público mas um grande afastamento da crítica que a agora o "ama". Eastwood volta a marcar a sua carreira de uma personagem simbolica nos anos 70, Dirty Harry. As sequelas são muitas e perto dos anos 90 Eastwood começa a realizar películas mais regularmente.
Contra o que é hábito os seus dois títulos mais importantes são esquecidos pela crítica Europeia e amados pela Americana. Assim um pouco inesperadamente ganha dois Óscares com o melhor Western dos últimos 20 anos, Imperdoável.
Todos os seus filmes seguintes são marcados por um toque clássico brilhante e mesmo os filmes mais descontraídos são de uma qualidade acima da média.
Em 2000 faz aquele filme mais descontraído, Space Cowboys que a meu ver é um dos melhores filmes do género desde Os Efeitos. Pensando bem poderia mesmo dizer que é semelhante mas mais descontraído. E o último plano do filme é a sequência mais bonita que o cinema americano nos deu nos últimos 10 anos.
Sangue
E agora um filme em DVD: "Blood Work - Dívida de Sangue", de Clint Eastwood. Não conheço como deve ser a filmografia deste cineasta (confesso que, com honrosas excepções, a minha sabedoria cinéfila abrange apenas o período posterior a 1980): só vi "Imperdoável" e "Um Mundo Perfeito" (que passa hoje no canal Hollywood). Talvez por isso não fui acometido de qualquer entusiasmo especial por este seu penúltimo filme, que, no entanto, é perfeitamente recomendável: trata-se de um policial com uma história bem imaginada e contada (incluindo o "twist"), protagonizado por um actor (o próprio Eastwood) que exprime às mil maravilhas todas as fragilidades do personagem principal. Já os secundários não são tão brilhantes e existem alguns lugares-comuns despropositados (como os "alívios cómicos" e a cena de sexo). Mas vê-se que por trás do projecto está um realizador (e produtor) que sabe o que faz.
Acho que este é um bom exemplo do género policial (até porque não tem tiros e explosões em catadupa), sobretudo por, como escreveu o Fernando, ser tão simples.
Nota: 7/10.
Acho que este é um bom exemplo do género policial (até porque não tem tiros e explosões em catadupa), sobretudo por, como escreveu o Fernando, ser tão simples.
Nota: 7/10.
domingo, outubro 19, 2003
O mundo louco dos videoclubes
Ao contrário do que por enquanto acontece com as longas-metragens exibidas nos cinemas, são divulgados em Portugal "tops" com as obras mais vendidas ou requisitadas do circuito de vídeo/DVD. Nos videoclubes, é possível observar essas listas nacionais ou simplesmente o registo feito pelas próprias lojas das fitas mais escolhidas pelos seus clientes, dando assim a conhecer as preferências de um microcosmos que podemos, geralmente sem grande exagero, estender à generalidade do público.
A verdade é que essas tabelas não possuem interesse de maior, uma vez que os filmes que ocupam o topo delas são sempre as últimas novidades. Acho que os consumidores alugam sobretudo aquilo que é recente, sem grandes preocupações com a qualidade ou prestígio crítico das fitas (vi numa loja "Barco Fantasma" na primeira posição, superando "As Duas Torres"). É claro que a publicidade e o mediatismo dos filmes ajudam ao seu sucesso, mas obras lançadas directamente para o circuito de "cinema em casa" e dirigidas a um público específico (como "Jason X" ou filmes com Steven Seagal) também costumam marcar presença nos dez mais, talvez porque existe menor exigência na escolha da fita que se vai ver na sala de estar do que no multiplex.
As diferenças entre o visionamento de cinema em casa e a ida às salas começam, no entanto, a esbater-se: o vídeoclube que frequento já passou a vender sacos de pipocas. Portanto, já não falta o essencial para fingir que se está num cinema. Restam ainda alguns pormenores de escassa importância (além do preço) que diferenciam essas duas formas de desfrutar da 7ª Arte. A possibilidade de ver as cassetes ou os discos aos bocadinhos (metade antes do jantar, 10 minutos antes de ir passear o cão, 20 minutos a seguir à novela...) é uma delas. Digam mais...
A verdade é que essas tabelas não possuem interesse de maior, uma vez que os filmes que ocupam o topo delas são sempre as últimas novidades. Acho que os consumidores alugam sobretudo aquilo que é recente, sem grandes preocupações com a qualidade ou prestígio crítico das fitas (vi numa loja "Barco Fantasma" na primeira posição, superando "As Duas Torres"). É claro que a publicidade e o mediatismo dos filmes ajudam ao seu sucesso, mas obras lançadas directamente para o circuito de "cinema em casa" e dirigidas a um público específico (como "Jason X" ou filmes com Steven Seagal) também costumam marcar presença nos dez mais, talvez porque existe menor exigência na escolha da fita que se vai ver na sala de estar do que no multiplex.
As diferenças entre o visionamento de cinema em casa e a ida às salas começam, no entanto, a esbater-se: o vídeoclube que frequento já passou a vender sacos de pipocas. Portanto, já não falta o essencial para fingir que se está num cinema. Restam ainda alguns pormenores de escassa importância (além do preço) que diferenciam essas duas formas de desfrutar da 7ª Arte. A possibilidade de ver as cassetes ou os discos aos bocadinhos (metade antes do jantar, 10 minutos antes de ir passear o cão, 20 minutos a seguir à novela...) é uma delas. Digam mais...
sexta-feira, outubro 17, 2003
Os longínquos anos 90
Após meses de uma omnipresente campanha publicitária (como é habitual com a distribuidora portuense FBF Filmes), que gerou um enorme "hype" e levou a numerosas reservas de bilhetes para as primeiras sessões, estreia hoje finalmente "Xavier", do realizador Manuel Mozos, a grande revelação do cinema português ("Quando Troveja", a sua primeira obra a chegar aos cinemas, provocou, como todos se devem lembrar, enorme alarido).
A quem esteve fora de Portugal nos últimos tempos, revelo que "Xavier" (produzido por Paulo Rocha) é um drama sobre um rapaz abandonado pela mãe num orfanato que é adoptado, na adolescência, pelos Alves, uma família burguesa. O problema é que a instabilidade emocional própria da idade e um encontro surpreendente vão desequilibrar Xavier... Promete ser um enredo cheio de acção e emoção.
A estratégia comercial de Mozos e da FBF é tão apurada que esperaram 11 anos (a fita foi rodada em 1992) até chegar o momento perfeito para lançar o produto no mercado. Certamente a espera não será em vão e centenas de milhares de espectadores encherão as cinco (ainda mais que "Altar"!) salas nacionais nas quais "Xavier" estreia, vendo como eram actores como Alexandra Lencastre ou José Pedro Gomes no início da década passada. Tratar-se-á, afinal, de um saudável exercício de revivalismo dos anos 90.
A quem esteve fora de Portugal nos últimos tempos, revelo que "Xavier" (produzido por Paulo Rocha) é um drama sobre um rapaz abandonado pela mãe num orfanato que é adoptado, na adolescência, pelos Alves, uma família burguesa. O problema é que a instabilidade emocional própria da idade e um encontro surpreendente vão desequilibrar Xavier... Promete ser um enredo cheio de acção e emoção.
A estratégia comercial de Mozos e da FBF é tão apurada que esperaram 11 anos (a fita foi rodada em 1992) até chegar o momento perfeito para lançar o produto no mercado. Certamente a espera não será em vão e centenas de milhares de espectadores encherão as cinco (ainda mais que "Altar"!) salas nacionais nas quais "Xavier" estreia, vendo como eram actores como Alexandra Lencastre ou José Pedro Gomes no início da década passada. Tratar-se-á, afinal, de um saudável exercício de revivalismo dos anos 90.
quinta-feira, outubro 16, 2003
O futuro à nossa frente
O filme cujo DVD é vendido hoje com o "Público", "Manobras na Casa Branca" ("Wag the Dog"), é classificado pelo jornal como "comédia" ou "sátira política", mas na verdade é muito mais que isso. Trata-se da criação de um novo género: o cinema profético. Para quem não sabe, esta longa-metragem de 1997 (realizada por Barry Levinson e protagonizada por Dustin Hoffman, Robert de Niro e Anne Heche) conta a história de um grupo de colaboradores do presidente americano que inventam uma guerra (existente apenas na televisão) contra a Albânia para distrair a população de um escândalo sexual que envolve o líder do mundo livre.
Um presidente a desencadear um ataque militar para desviar as atenções dos seus pecadilhos? Um personagem (o de Robert de Niro) que explica que a guerra do futuro não é contra o estado A ou B, mas sim contra grupos terroristas equipados com armas de destruição maciça? Uma Administração que promove um conflito patriótico (apoiado pelo eleitorado) contra um país que diz considerar uma ameaça para a segurança mundial? Um soldado que cai nas mãos do inimigo e, depois da sua "libertação", é transformado num herói nacional? Não viram isto em qualquer lado (depois de "Manobras na Casa Branca" estrear)? É um dos casos em que a realidade imita a ficção.
Que mais elementos do filme de Levinson se virão a tornar realidade? Os (péssimos) anúncios televisivos de apoio à reeleição do presidente?
Um presidente a desencadear um ataque militar para desviar as atenções dos seus pecadilhos? Um personagem (o de Robert de Niro) que explica que a guerra do futuro não é contra o estado A ou B, mas sim contra grupos terroristas equipados com armas de destruição maciça? Uma Administração que promove um conflito patriótico (apoiado pelo eleitorado) contra um país que diz considerar uma ameaça para a segurança mundial? Um soldado que cai nas mãos do inimigo e, depois da sua "libertação", é transformado num herói nacional? Não viram isto em qualquer lado (depois de "Manobras na Casa Branca" estrear)? É um dos casos em que a realidade imita a ficção.
Que mais elementos do filme de Levinson se virão a tornar realidade? Os (péssimos) anúncios televisivos de apoio à reeleição do presidente?
quarta-feira, outubro 15, 2003
Pessoal a corja vai voltar ao mar !!!
É sabido. Vai haver um novo filme dos Piratas das Caraíbas e todo o elenco principal e realizador, produtor vão voltar a trabalhar para a Disney.
Produzir uma sequela somente por ser um investimento necessário para uma grande empresa que descobriu a sua galinha dos ovos de ouro, penso ser triste, mas o cinema dos tempos modernos é isso mesmo.
Longe vão os tempos da criação de sequelas por desafio ao realizador/actores
como foram casos excepcionais os Indianas Jones, Star Wars, os Padrinhos e os Regressos ao Futuro.
Depois com o tempo morre a ideia, o filme e as virtudes que os primeiros episódios tiveram.
Produzir uma sequela somente por ser um investimento necessário para uma grande empresa que descobriu a sua galinha dos ovos de ouro, penso ser triste, mas o cinema dos tempos modernos é isso mesmo.
Longe vão os tempos da criação de sequelas por desafio ao realizador/actores
como foram casos excepcionais os Indianas Jones, Star Wars, os Padrinhos e os Regressos ao Futuro.
Depois com o tempo morre a ideia, o filme e as virtudes que os primeiros episódios tiveram.
terça-feira, outubro 14, 2003
Ladra mas morde - volume 1
Pois é, estreou a nova obra-prima do realizador do Dogma. Este filme não nos deixa indiferentes se nos deixarmos ir. O filme é um portento para a 7* arte e Van Trier passa mais uma vez com nota elevada num teste experimental. Existem dúvidas quanto ao talento deste criador?
O filme é todo uma cidade e tal como em disse para Akira, a cidade é também um personagem. Melhor possivelmente a ausência de cidade é um personagem. Afinal os mirones podem saber o que se passa dentro das casas dos vizinhos porque estas não têm paredes. Coisa de loucos...
O conceito é original e funciona. O que é fabuloso é a filmagem aérea da cidade em que o realizador coloca toda a cidade num único plano. O toque trágico de Trier permanece exactamente igual ao dos filmes anteriores sendo no entanto um pouco diferente desta feita para o destino de Grace.
Quanto a Kidman, acho que tem um papel competente a cair para o muito bom se não me soubesse que Bjork endendera o seu papel um pouco melhpr. Penso que Kidman por vezes parece demasiado distante da acção como se não entendesse o propósito de toda aquela violência.
Felizmente DogVille ladra mas morde ou seja muito se falou mas pelo menos não desilude.
O filme é todo uma cidade e tal como em disse para Akira, a cidade é também um personagem. Melhor possivelmente a ausência de cidade é um personagem. Afinal os mirones podem saber o que se passa dentro das casas dos vizinhos porque estas não têm paredes. Coisa de loucos...
O conceito é original e funciona. O que é fabuloso é a filmagem aérea da cidade em que o realizador coloca toda a cidade num único plano. O toque trágico de Trier permanece exactamente igual ao dos filmes anteriores sendo no entanto um pouco diferente desta feita para o destino de Grace.
Quanto a Kidman, acho que tem um papel competente a cair para o muito bom se não me soubesse que Bjork endendera o seu papel um pouco melhpr. Penso que Kidman por vezes parece demasiado distante da acção como se não entendesse o propósito de toda aquela violência.
Felizmente DogVille ladra mas morde ou seja muito se falou mas pelo menos não desilude.
Ele não morre...
Lendo as últimas notícias, fico a saber que a 20th Century Fox contratou um argumentista para escrever "Die Hard 4: Die Hardest". Se Bruce Willis não odiar o texto que virá a ser produzido, o agente John McClane regressará aos ecrãs de cinema no Verão de 2005.
Os jornalistas de cinema parecem-me às vezes um pouco precipitados. Já muito se escreveu sobre "Die Hard 4": que se passaria na selva, que Britney Spears faria parte do elenco (espero que isto não tenha qualquer fundamento), que McClane morreria no final... Enfim, trata-se de um projecto com o objectivo de estourar as bilheteiras e os rumores só servem para fazer crescer a expectativa. Pessoalmente, acho que, quase uma década depois de "Die Hard - A Vingança", não faz muito sentido prolongar a série (também se poderia dizer o mesmo de "Terminator", mas fizeram mesmo mais um filme).
"Assalto ao Arranha-Céus" (1988) continua a ser um clássico do cinema de acção. O espaço restrito no qual decorre a história, a realização de John McTiernan e a maneira como Willis se integra na perfeição na pele de "action hero" (tudo poderia ser tragicamente diferente se o Arnaldo tivesse sido John McClane, como estava previsto inicialmente - já imaginaram o "Governator", o antecessor do Calhau, a encher o edifício com o seu sotaque austríaco?) asseguraram o sucesso de crítica e bilheteira. "Assalto ao Aeroporto" (1990), de Renny Harlin, não é tão inteligente ou cativante, mas diverte. A seguir (ou seja, em 1995), voltou McTiernan para rodar "Die Hard - a Vingança" (que parte do primeiro filme mas, sabe-se lá porquê, ignora completamente o segundo), que considero o mais fraco. Não por causa da parceria entre Willis e Samuel L. Jackson (que, como se voltaria a ver em "O Protegido", resulta muito bem), mas pelo facto de, com tantos cenários, situações e luz natural, se perder o efeito dos primeiros "Die Hard". A história também não é nenhum prodígio.
Bem, que regresse então McClane e nos salve, aos tiros, de mais um grupo de terroristas (actualmente, é necessário tratar esse tema com muita moderação e sensibilidade).
Os jornalistas de cinema parecem-me às vezes um pouco precipitados. Já muito se escreveu sobre "Die Hard 4": que se passaria na selva, que Britney Spears faria parte do elenco (espero que isto não tenha qualquer fundamento), que McClane morreria no final... Enfim, trata-se de um projecto com o objectivo de estourar as bilheteiras e os rumores só servem para fazer crescer a expectativa. Pessoalmente, acho que, quase uma década depois de "Die Hard - A Vingança", não faz muito sentido prolongar a série (também se poderia dizer o mesmo de "Terminator", mas fizeram mesmo mais um filme).
"Assalto ao Arranha-Céus" (1988) continua a ser um clássico do cinema de acção. O espaço restrito no qual decorre a história, a realização de John McTiernan e a maneira como Willis se integra na perfeição na pele de "action hero" (tudo poderia ser tragicamente diferente se o Arnaldo tivesse sido John McClane, como estava previsto inicialmente - já imaginaram o "Governator", o antecessor do Calhau, a encher o edifício com o seu sotaque austríaco?) asseguraram o sucesso de crítica e bilheteira. "Assalto ao Aeroporto" (1990), de Renny Harlin, não é tão inteligente ou cativante, mas diverte. A seguir (ou seja, em 1995), voltou McTiernan para rodar "Die Hard - a Vingança" (que parte do primeiro filme mas, sabe-se lá porquê, ignora completamente o segundo), que considero o mais fraco. Não por causa da parceria entre Willis e Samuel L. Jackson (que, como se voltaria a ver em "O Protegido", resulta muito bem), mas pelo facto de, com tantos cenários, situações e luz natural, se perder o efeito dos primeiros "Die Hard". A história também não é nenhum prodígio.
Bem, que regresse então McClane e nos salve, aos tiros, de mais um grupo de terroristas (actualmente, é necessário tratar esse tema com muita moderação e sensibilidade).
Um sucesso de crítica
Seguindo o exemplo da distribuidora Atalanta Filmes, passamos a apresentar todas as críticas escritas acerca dos nossos produtos (neste caso, os “posts”). Se não lerem aqui críticas negativas, é porque elas não existem. Se existissem, eu divulgá-las-ia. Juro.
Assim, aqui está uma citação do artigo de Cátia C. Simões a respeito dos blogues em português sobre a 7ª Arte publicado no “site” c7nema em 14 de Outubro:
"Um blog bastante interessante e com uma perspectiva muito própria sobre os filmes é o Pipoca Rasca, onde são feitos comentários satíricos e muito inteligentes aos filmes e até mesmo às reacções do público. Não se limita a críticas, os artigos de opinião são uma presença assídua que enriquecem o blog."
Mais à frente, a autora do texto afirma que o Pipoca Rasca e o Punch-Drunk Movies (o espaço de Duarte Oliveira do qual já aqui se falou) “são dois dos blogs nacionais que realmente valem a pena”. A comunicação social rende-se aos nossos encantos. Uma vez que, ao contrário de alguns cineastas portugueses, preocupamo-nos em chegar ao maior número de pessoas possível, esperamos que o público seja atraído em força...
Assim, aqui está uma citação do artigo de Cátia C. Simões a respeito dos blogues em português sobre a 7ª Arte publicado no “site” c7nema em 14 de Outubro:
"Um blog bastante interessante e com uma perspectiva muito própria sobre os filmes é o Pipoca Rasca, onde são feitos comentários satíricos e muito inteligentes aos filmes e até mesmo às reacções do público. Não se limita a críticas, os artigos de opinião são uma presença assídua que enriquecem o blog."
Mais à frente, a autora do texto afirma que o Pipoca Rasca e o Punch-Drunk Movies (o espaço de Duarte Oliveira do qual já aqui se falou) “são dois dos blogs nacionais que realmente valem a pena”. A comunicação social rende-se aos nossos encantos. Uma vez que, ao contrário de alguns cineastas portugueses, preocupamo-nos em chegar ao maior número de pessoas possível, esperamos que o público seja atraído em força...
segunda-feira, outubro 13, 2003
Akira
Este fim-de-semana vi algo que me tirou o fôlego. Falo de Akira "o pai" de todos os filmes manga. É um objecto incrível, mesmo passados quase quinze anos da sua realização contínua a ser o melhor filme manga que já vi (incluindo Viagem de Chiirro e outras pérolas).
A diferença reside nos toques de autor, no grafismo de um detalhe só visto nas pranchas de BD e o melhor personagem do filme, a cidade de Tóquio ou melhor, Neo-Tóquio. Deste o Blade Runner não vi, uma cidade tão bem personificada numa história de ficção e ainda por cima essa personificação é somente passada por desenhos e ambinete sonoros fantásticos.
As personagens são magistrais, com os habituais elos de honra, vingança e mistério. E a presença espiritual da Natureza torna realmente este filme algo a explorar diversas vezes.
A violência é uma persoagem tal como o é a cidade. A violência é o toque que caracteriza o estilo do filme. Sei que dizer isto pode parecer estranho, mas a violência deste filme, embora podendo parecer por vezes gratuita dá ao filme um ar desconfortante que nos permite sentir mal durante a sua visão sem que deixemos de achar a violência muito artística.
Culto
Classificação (10-10)
O melhor e mais completo filme de animação de que há memória
A diferença reside nos toques de autor, no grafismo de um detalhe só visto nas pranchas de BD e o melhor personagem do filme, a cidade de Tóquio ou melhor, Neo-Tóquio. Deste o Blade Runner não vi, uma cidade tão bem personificada numa história de ficção e ainda por cima essa personificação é somente passada por desenhos e ambinete sonoros fantásticos.
As personagens são magistrais, com os habituais elos de honra, vingança e mistério. E a presença espiritual da Natureza torna realmente este filme algo a explorar diversas vezes.
A violência é uma persoagem tal como o é a cidade. A violência é o toque que caracteriza o estilo do filme. Sei que dizer isto pode parecer estranho, mas a violência deste filme, embora podendo parecer por vezes gratuita dá ao filme um ar desconfortante que nos permite sentir mal durante a sua visão sem que deixemos de achar a violência muito artística.
Culto
Classificação (10-10)
O melhor e mais completo filme de animação de que há memória
sábado, outubro 11, 2003
Cinema em poucas palavras
Descobri hoje o poiso de um "colega" nosso, Duarte Oliveira. O blogue dele constitui uma boa opção para aqueles que preferem ler críticas claras e sucintas, em vez dos longos ensaios que eu publico. Virado quer para Hollywood quer para esse cinema tão desconhecido que é o europeu, Oliveira procura reunir todas as novidades de que toma conhecimento (sem formar uma lista exaustiva de notícias) e preocupa-se (ou melhor, regozija-se) com o que 2003 ainda reserva aos espectadores portugueses. Quanto aos seus gostos, previno que no seu espaço não encontrarão nem grandes elogios a obras como "Ken Park - Quem És Tu?" ou "Dogville" nem quaisquer insultos a "À Procura de Nemo" ou "Amigos do Alheio".
Espero que possamos trocar frequentemente ideias sobre a oferta que chega às nossas salas de cinema. É bom não estarmos sozinhos neste vasto mundo da blogosfera portuguesa...
Espero que possamos trocar frequentemente ideias sobre a oferta que chega às nossas salas de cinema. É bom não estarmos sozinhos neste vasto mundo da blogosfera portuguesa...
sexta-feira, outubro 10, 2003
Esperma
Se não houver um ruído excessivo de pipocas em fundo ou alguém entre os espectadores que decide fazer em voz alta o seu próprio comentário áudio do filme, uma sala de cinema pode ser um espaço propício à calma, ao silêncio, à introspecção (e ao amor...). Mas isso depende do tipo de obra a que se assiste. No caso das comédias, e sobretudo daquelas que esperam do espectador não um sorrisinho ou uma gargalhada rápida, mas sim um ataque incontrolável de hilaridade (apostando por isso num humor o mais absurdo e grotesco possível), o público transforma-se por vezes num coro de manifestações ensurdecedoras.
Na impossibilidade de decidir qual foi a mais flagrante situação deste tipo que vi num cinema, registo aqui as duas cenas que mais facilmente ocupariam o primeiro lugar da tabela de "histeria colectiva". Curiosamente, ambas envolvem esperma. Em "Doidos por Mary" (1998), entre outras imagens que provocaram explosões de riso, encontra-se a cena na qual, equivocada, Cameron Diaz coloca o referido líquido no seu cabelo, com consequências rapidamente visíveis. Vi a plateia do Monumental não conseguir controlar-se. O mesmo, ou ainda pior, aconteceu dois anos depois, graças a "Um Susto de Filme", com exemplos de comedia nojenta que fariam os Farrelly corar (ou roer-se de inveja). Desta vez, uma cena de sexo na qual Anna Faris é projectada até ao tecto do quarto, onde fica colada, por uma torrente do líquido foi a responsável pelo delírio de uma audiência que urrava de prazer.
Desde então não vi muitos desses casos em que a reacção do público é mais espectacular que o filme, talvez porque fujo um bocado desse tipo de humor (diga-se que até gostei das comédias citadas, sobretudo da primeira). As fitas cómicas mais originais talvez sejam aquelas que provocam menos gargalhadas na assistência, uma vez que esta encontra-se demasiado surpreendida para reagir (veja-se o caso de "Queres Ser John Malkovich?").
Na impossibilidade de decidir qual foi a mais flagrante situação deste tipo que vi num cinema, registo aqui as duas cenas que mais facilmente ocupariam o primeiro lugar da tabela de "histeria colectiva". Curiosamente, ambas envolvem esperma. Em "Doidos por Mary" (1998), entre outras imagens que provocaram explosões de riso, encontra-se a cena na qual, equivocada, Cameron Diaz coloca o referido líquido no seu cabelo, com consequências rapidamente visíveis. Vi a plateia do Monumental não conseguir controlar-se. O mesmo, ou ainda pior, aconteceu dois anos depois, graças a "Um Susto de Filme", com exemplos de comedia nojenta que fariam os Farrelly corar (ou roer-se de inveja). Desta vez, uma cena de sexo na qual Anna Faris é projectada até ao tecto do quarto, onde fica colada, por uma torrente do líquido foi a responsável pelo delírio de uma audiência que urrava de prazer.
Desde então não vi muitos desses casos em que a reacção do público é mais espectacular que o filme, talvez porque fujo um bocado desse tipo de humor (diga-se que até gostei das comédias citadas, sobretudo da primeira). As fitas cómicas mais originais talvez sejam aquelas que provocam menos gargalhadas na assistência, uma vez que esta encontra-se demasiado surpreendida para reagir (veja-se o caso de "Queres Ser John Malkovich?").
quinta-feira, outubro 09, 2003
Allen, moribundo?
Rui Henriques Coimbra (um colunista do “Expresso” que vive em Los Angeles e costuma emitir algumas opiniões sobre filmes já estreados nos EUA mas ainda longe do nosso país) não é partidário da subtileza e contenção no desanque das obras que não aprecia. Tendo assistido a uma projecção de “Anything Else”, a nova comédia de Woody Allen, Coimbra descreve assim a sua reacção: “Vomitei violentamente”. Segundo ele, a longa-metragem “abaixo de cão” não tem piada nem originalidade e aborrece o espectador. O articulista pede a Woody que não o faça lembrar-se da expressão “os cavalos também se abatem”. Isto fez-me lembrar a declaração de espanto de Rui Zink (proferida no debate ocorrido na apresentação do livro “Quanta Bondade!”, de Quino): “O Woody Allen ainda não morreu?!”.
Allen é o cineasta americano favorito daqueles que não gostam do cinema americano. As suas obras já não atraem multidões às salas, sobretudo nos States (o facto de “Hollywood Ending” ter estreado no mesmo fim-de-semana que o Episódio II de “Star Wars” prova que já não há grandes esperanças por parte do realizador de conquistar o público do seu país, situação com a qual brinca nesse mesmo filme), mas recebem a atenção de grupos de fãs sempre prontos para assistir a uma nova produção do mestre nova-iorquino.
Confesso amargamente que conheço mal a vasta filmografia de Allen. As únicas fases da sua carreira a que dediquei seriamente a minha atenção foram a inicial, com uma série de comédias completamente doidas e hilariantes (“O Inimigo Público”, “Bananas”, “O ABC do Amor”, “O Herói do Ano 2000”, etc.), e os últimos anos (o primeiro Allen que vi num cinema foi “Através da Noite”). Seja como for, as notícias da sua morte parecem-me algo exageradas. “A Maldição do Escorpião de Jade” (2001) demonstra não só boas ideias como a capacidade de as organizar numa história coerente e divertida. E, é claro, o cabelo de Allen foi caindo mas a graça das suas interpretações manteve-se. “Vigaristas de Bairro”(2000) e “Hollywood Ending” (2002) são marcados, no entanto, por um aproveitamento algo deficiente das premissas iniciais. Depois de um começo muito bom, os argumentos arrastam-se e os filmes tornam-se pouco interessantes para quem não se dê bem com fitas cheias de diálogos. A inteligência dos conteúdos e algumas piadas certeiras, além da qualidade dos elencos, asseguram algum respeito por estas comédias, mas a verdade é que chega-se a ter saudades do ritmo frenético das primeiras aventuras de Allen na realização.
Se o actor-músico-realizador-argumentista já conheceu dias melhores, não deixa de ser verdade que ele nunca insulta o intelecto de ninguém e possui ainda uma habilidade para fazer rir que muitos cineastas cómicos de Hollywood estão bastante longe de alcançar. Portanto, que Allen continue bem vivo, para nosso prazer (embora esse prazer seja algo tardio em relação ao resto da Europa, uma vez que ultimamente os seus filmes chegam a Portugal muito depois de verem a luz do dia). O “jazz” e as letras brancas sobre fundo negro não podem parar.
Allen é o cineasta americano favorito daqueles que não gostam do cinema americano. As suas obras já não atraem multidões às salas, sobretudo nos States (o facto de “Hollywood Ending” ter estreado no mesmo fim-de-semana que o Episódio II de “Star Wars” prova que já não há grandes esperanças por parte do realizador de conquistar o público do seu país, situação com a qual brinca nesse mesmo filme), mas recebem a atenção de grupos de fãs sempre prontos para assistir a uma nova produção do mestre nova-iorquino.
Confesso amargamente que conheço mal a vasta filmografia de Allen. As únicas fases da sua carreira a que dediquei seriamente a minha atenção foram a inicial, com uma série de comédias completamente doidas e hilariantes (“O Inimigo Público”, “Bananas”, “O ABC do Amor”, “O Herói do Ano 2000”, etc.), e os últimos anos (o primeiro Allen que vi num cinema foi “Através da Noite”). Seja como for, as notícias da sua morte parecem-me algo exageradas. “A Maldição do Escorpião de Jade” (2001) demonstra não só boas ideias como a capacidade de as organizar numa história coerente e divertida. E, é claro, o cabelo de Allen foi caindo mas a graça das suas interpretações manteve-se. “Vigaristas de Bairro”(2000) e “Hollywood Ending” (2002) são marcados, no entanto, por um aproveitamento algo deficiente das premissas iniciais. Depois de um começo muito bom, os argumentos arrastam-se e os filmes tornam-se pouco interessantes para quem não se dê bem com fitas cheias de diálogos. A inteligência dos conteúdos e algumas piadas certeiras, além da qualidade dos elencos, asseguram algum respeito por estas comédias, mas a verdade é que chega-se a ter saudades do ritmo frenético das primeiras aventuras de Allen na realização.
Se o actor-músico-realizador-argumentista já conheceu dias melhores, não deixa de ser verdade que ele nunca insulta o intelecto de ninguém e possui ainda uma habilidade para fazer rir que muitos cineastas cómicos de Hollywood estão bastante longe de alcançar. Portanto, que Allen continue bem vivo, para nosso prazer (embora esse prazer seja algo tardio em relação ao resto da Europa, uma vez que ultimamente os seus filmes chegam a Portugal muito depois de verem a luz do dia). O “jazz” e as letras brancas sobre fundo negro não podem parar.
quarta-feira, outubro 08, 2003
Um bom fim-de-semana
Realmente não é normal ver um fim-de-semana em que estreiem quatro, sim quatro filmes bastante interessantes. Alguns aclamados pela crítica e outros pelo público mas todos interessantes. Um Lars Von Trier, um Ridley Scott na mesma semana mostra que a nova época de cinema vai entrar e espera-se que em força.
Depois de um Verão com muitos blockbusters de qualidade muito duvidosa esperam-se os habituais vencedores de prémios.
Além dos citados vão estrear ainda dois filmes interessantes: um com um leque de actores magnífico e outro um título de culto no país vizinho. Falo de ATRACÇÃO ACIDENTAL com actores sobejamente conhecidos como Frances McDormand, Christian Bale, Kate Beckinsale entre outros e FAUSTO 5.0 vencedor dos prémios de actor(es) e filme no Fantasporto de 2002.
Dia 24 será um dia de puro delírio cinematográfico com o novo filme de Quentin Tarantino (parece ser delicioso se bem que é somente o primeiro capítulo vindo o segundo para Fevereiro) mas no entanto a coisa começa a aquecer.
Depois de um Verão com muitos blockbusters de qualidade muito duvidosa esperam-se os habituais vencedores de prémios.
Além dos citados vão estrear ainda dois filmes interessantes: um com um leque de actores magnífico e outro um título de culto no país vizinho. Falo de ATRACÇÃO ACIDENTAL com actores sobejamente conhecidos como Frances McDormand, Christian Bale, Kate Beckinsale entre outros e FAUSTO 5.0 vencedor dos prémios de actor(es) e filme no Fantasporto de 2002.
Dia 24 será um dia de puro delírio cinematográfico com o novo filme de Quentin Tarantino (parece ser delicioso se bem que é somente o primeiro capítulo vindo o segundo para Fevereiro) mas no entanto a coisa começa a aquecer.
A Força do Estrelato
O actor norte-americano/austriaco Arnaldo foi nomeado governador da Califórnia.
Isso não será a prova que faltava sobre o poder do mediatismo nos dias que correm?
Se o Herman se candidata-se a presidente da República no nosso seá que ganhava? (Possivelmente agora não pois a sua popularidade já teve melhores dias)
Comparações à parte o actor tem agora na mão um estado com um poder incrivel.
Será que está à altura de um cargo destes. Não será que a máquina política escolhe estes tipos mediaticos de modo a ganhar perto do eleitorado e posteriormente coloca nas suas costas as pessoas que quer a governar (usa a popularidade como cartaz politico) com um potencial brutal para frase chamativas tipo
- Extreminador à presidencia. Ele vem do futuro, viu e vem resolver os nossos problemas.
É uma questão que no mundo dos actores americanos colocou dúvidas, alguns mostraram-se contra (Hanks e Clooney se não me engano) e mostra que se podem confundir realidades que nada tem a ver.
Isso não será a prova que faltava sobre o poder do mediatismo nos dias que correm?
Se o Herman se candidata-se a presidente da República no nosso seá que ganhava? (Possivelmente agora não pois a sua popularidade já teve melhores dias)
Comparações à parte o actor tem agora na mão um estado com um poder incrivel.
Será que está à altura de um cargo destes. Não será que a máquina política escolhe estes tipos mediaticos de modo a ganhar perto do eleitorado e posteriormente coloca nas suas costas as pessoas que quer a governar (usa a popularidade como cartaz politico) com um potencial brutal para frase chamativas tipo
- Extreminador à presidencia. Ele vem do futuro, viu e vem resolver os nossos problemas.
É uma questão que no mundo dos actores americanos colocou dúvidas, alguns mostraram-se contra (Hanks e Clooney se não me engano) e mostra que se podem confundir realidades que nada tem a ver.
Problemas técnicos
A todos os que nos visitaram durante o período em que estava com o aspecto da página corrompido as nossas desculpas. Pensamos que o problema já foi devidamente corrigido.
terça-feira, outubro 07, 2003
Ah, ah, ah
Miguel Somsen, membro do painel de críticos da “Premiere”, não parece ser um grande fã da série “American Pie” (o ““franchise” pasteleiro”, como lhe chama), como se pode ver no texto que publica no número de Outubro da revista. Também não gosta por aí além dos que se deliciam com a tarte, espantando-se com os mais de 100 mil espectadores portugueses que o terceiro filme da saga teve em quatro dias de exibição. Numa profunda análise sociológica, pergunta-se quantos desses lusitanos foram ao cinema “depois das compras do hipermercado e antes de ver o Benfica na televisão” (e porque não o Sporting?). Mais à frente, atreve-se a sugerir títulos para eventuais futuros capítulos da série: ““American Pie: o Primeiro Bebé” (2005), “American Pie: o Nosso Bebé Já é Uma Stripper” (2013) e “American Pie: a Ressurreição (2022)””. Divertido.
No “Diário de Notícias” de 3 de Outubro último, Eurico de Barros afirma-se como um detractor de “Quaresma”. Longe do estilo “sério” e cuidado (mesmo quando censura algo) do colega João Lopes, Barros declara que, ao contrário do que o filme quer transmitir, “Nenhum ser humano normal conseguiria aturar” a personagem de Beatriz Batarda “mais do que cinco minutos sem lhe pregar um par de galhetas ou dar uns açoites”. Curto e grosso.
Isto faz pensar em qual será o tom mais adequado ao desanque de uma obra considerada má. Deverão procurar-se argumentos sólidos e elaborados, com a preocupação de não ofender ninguém, que dêem a entender, delicadamente, a nossa antipatia pelo objecto, ou simplesmente rir à gargalhada de quem ousa fazer um disparate assim (ou se estivermos num “site” menos respeitoso, uma m... assim) e ainda mais daqueles que pagam para o verem, recorrendo a uma linguagem bem directa e a muito humor insolente?
Eu sei que neste blogue costumamos escolher a segunda opção (até porque não somos lidos por dezenas de milhares de pessoas... por enquanto), que, de facto, é mais divertida (sem um pouco de ironia e irreverência, que piada ou significado teria a crítica?) e faz bem ao ego, mas dentro de certos limites. Desatar aos insultos à equipa técnica ou ao público sem explicar porquê não prova que nós estamos certos e eles errados. Nem sempre é possível colocarmo-nos num patamar de superioridade. Existem outras opiniões à face da terra... O melhor é redigir textos com opiniões bem fundamentadas, por um lado, e ironia q.b., pelo outro, numa linguagem cuidada mas não ilegível ou demasiado subtil.
O que acham? Que tipo de críticas preferem ler e que tipo de discurso pensam que aqueles que emitem opiniões sobre uma coisa qualquer (desde uma escultura aos pastéis do café da esquina) deveriam privilegiar?
No “Diário de Notícias” de 3 de Outubro último, Eurico de Barros afirma-se como um detractor de “Quaresma”. Longe do estilo “sério” e cuidado (mesmo quando censura algo) do colega João Lopes, Barros declara que, ao contrário do que o filme quer transmitir, “Nenhum ser humano normal conseguiria aturar” a personagem de Beatriz Batarda “mais do que cinco minutos sem lhe pregar um par de galhetas ou dar uns açoites”. Curto e grosso.
Isto faz pensar em qual será o tom mais adequado ao desanque de uma obra considerada má. Deverão procurar-se argumentos sólidos e elaborados, com a preocupação de não ofender ninguém, que dêem a entender, delicadamente, a nossa antipatia pelo objecto, ou simplesmente rir à gargalhada de quem ousa fazer um disparate assim (ou se estivermos num “site” menos respeitoso, uma m... assim) e ainda mais daqueles que pagam para o verem, recorrendo a uma linguagem bem directa e a muito humor insolente?
Eu sei que neste blogue costumamos escolher a segunda opção (até porque não somos lidos por dezenas de milhares de pessoas... por enquanto), que, de facto, é mais divertida (sem um pouco de ironia e irreverência, que piada ou significado teria a crítica?) e faz bem ao ego, mas dentro de certos limites. Desatar aos insultos à equipa técnica ou ao público sem explicar porquê não prova que nós estamos certos e eles errados. Nem sempre é possível colocarmo-nos num patamar de superioridade. Existem outras opiniões à face da terra... O melhor é redigir textos com opiniões bem fundamentadas, por um lado, e ironia q.b., pelo outro, numa linguagem cuidada mas não ilegível ou demasiado subtil.
O que acham? Que tipo de críticas preferem ler e que tipo de discurso pensam que aqueles que emitem opiniões sobre uma coisa qualquer (desde uma escultura aos pastéis do café da esquina) deveriam privilegiar?
segunda-feira, outubro 06, 2003
O grande dia chegou!
É só para registar que ultrapassámos hoje as 1000 visitas (já faltou mais para alcançarmos o Abrupto...).
Obrigado a todos os chanfrados que ousaram visitar este blogue.
Graças a vocês, a nossa vida faz sentido.
Obrigado a todos os chanfrados que ousaram visitar este blogue.
Graças a vocês, a nossa vida faz sentido.
Amor (e humor) no meio da guerra
José Carlos de Oliveira filmou em Moçambique a sua nova longa-metragem, “Preto e Branco”, da qual é também produtor e co-argumentista (escreveu o guião a partir da ideia e do texto originais do escritor Mário de Carvalho, que já tinha visto o seu conto “Era uma Vez um Alferes” transformado, em 1987, num pequeno telefilme da RTP). Trata-se de uma obra cuja acção decorre em 1972, durante a guerra colonial, nunca abandonando o espaço da savana onde se trava o conflito. Portanto, está cheio de tiros, sangue, choros convulsivos de soldados, investidas da Frelimo contra os “tugas”, colonos brutais e racistas e cheiro de “napalm” pela manhã, não é? Nada disso, trata-se de uma comédia. Exactamente, um filme leve e humorístico, embora contendo, obviamente, alguns elementos dramáticos.
Em primeiro lugar, centra-se nas figuras de um sargento branco e moçambicano de gema, que nunca foi à Metrópole, e do seu prisioneiro negro, um antigo estudante de Engenharia em Lisboa que se juntou, de forma idealista, à guerrilha de um país que não conhece. Depois, essa dualidade e originalidade levam a que não se formulem juízos de valor sobre o conflito (excepto, talvez, a crença na possibilidade de o ultrapassar através da amizade, como fazem os protagonistas). As mortes que se verificam abruptamente no início de “Preto e Branco” não recebem grandes comentários e a história avança, ou seja, o filme não se leva muito a sério (o tom irónico predomina, por exemplo, nas cenas passadas no quartel).
O humor é obtido naturalmente, não tanto através de “gags” mas graças aos óptimos diálogos. A narrativa flui, na maior parte do tempo, sem obstáculos de relevo, a realização e a montagem são eficazes (embora sem grandes inovações), a qualidade do som e da imagem é digna de nota e os três actores principais estão à altura da tarefa.
Três actores? Sim, ainda não falei da enfermeira alentejana (interpretada por Cristina Homem de Mello, também produtora) da Força Aérea que é forçada a aterrar de pára-quedas no cenário da acção e, infelizmente para nós, despertará o amor no sargento. A segunda parte do filme, marcada pela sua presença, é inferior às primeiras sequências e contém algumas cenas dispensáveis (e uma na qual é visível um microfone). O romance nunca é convincente e não possui grande significado.
Assim, não temos aqui um grande filme ou uma obra que analise profundamente a guerra que marcou a “geração de 60”, mas um objecto agradável e com pés e cabeça, suficientemente comercial (é distribuído pela Lusomundo e um texto promocional existente no verso do “poster” oferecido ao público encontra-se em português e inglês) para atrair uma dose razoável de espectadores. É verdade que não é só o cinema nacional que precisa de se abrir aos consumidores. Estes devem adquirir uma maior receptividade às propostas lusitanas.
A melhor cena: O sargento e o prisioneiro “apresentam-se”, de noite.
A pior cena: Adelaide penteia-se.
Nota: 6/10.
P.S. “Ah, os Imortais, os Imortais...”. Rui Unas/Vítor Pratas diverte com a sua narração no “teaser” de “Os Imortais”.
Em primeiro lugar, centra-se nas figuras de um sargento branco e moçambicano de gema, que nunca foi à Metrópole, e do seu prisioneiro negro, um antigo estudante de Engenharia em Lisboa que se juntou, de forma idealista, à guerrilha de um país que não conhece. Depois, essa dualidade e originalidade levam a que não se formulem juízos de valor sobre o conflito (excepto, talvez, a crença na possibilidade de o ultrapassar através da amizade, como fazem os protagonistas). As mortes que se verificam abruptamente no início de “Preto e Branco” não recebem grandes comentários e a história avança, ou seja, o filme não se leva muito a sério (o tom irónico predomina, por exemplo, nas cenas passadas no quartel).
O humor é obtido naturalmente, não tanto através de “gags” mas graças aos óptimos diálogos. A narrativa flui, na maior parte do tempo, sem obstáculos de relevo, a realização e a montagem são eficazes (embora sem grandes inovações), a qualidade do som e da imagem é digna de nota e os três actores principais estão à altura da tarefa.
Três actores? Sim, ainda não falei da enfermeira alentejana (interpretada por Cristina Homem de Mello, também produtora) da Força Aérea que é forçada a aterrar de pára-quedas no cenário da acção e, infelizmente para nós, despertará o amor no sargento. A segunda parte do filme, marcada pela sua presença, é inferior às primeiras sequências e contém algumas cenas dispensáveis (e uma na qual é visível um microfone). O romance nunca é convincente e não possui grande significado.
Assim, não temos aqui um grande filme ou uma obra que analise profundamente a guerra que marcou a “geração de 60”, mas um objecto agradável e com pés e cabeça, suficientemente comercial (é distribuído pela Lusomundo e um texto promocional existente no verso do “poster” oferecido ao público encontra-se em português e inglês) para atrair uma dose razoável de espectadores. É verdade que não é só o cinema nacional que precisa de se abrir aos consumidores. Estes devem adquirir uma maior receptividade às propostas lusitanas.
A melhor cena: O sargento e o prisioneiro “apresentam-se”, de noite.
A pior cena: Adelaide penteia-se.
Nota: 6/10.
P.S. “Ah, os Imortais, os Imortais...”. Rui Unas/Vítor Pratas diverte com a sua narração no “teaser” de “Os Imortais”.
domingo, outubro 05, 2003
Liga de Ianques
Tom Sawyer???? De onde veio este? Realmente um par romântico??? Liga do Cavalheiros Extraordinários em filme?? BAHHHHHHHHHH!!! Sinceramente para os que tiverem curiosidade leiam os livros já editados em Portugal e deliciem-se com uma BD pura e dura sem americanismos estúpidos.
Sean Connery realmente seria a escolha certa para a personagem mas a contextualização de uma obra que respira de heróis britânicos para um píublico americana dispensa qualquer centimo na compra de um bilhete.
Sean Connery realmente seria a escolha certa para a personagem mas a contextualização de uma obra que respira de heróis britânicos para um píublico americana dispensa qualquer centimo na compra de um bilhete.
Só já faltam 21-5 = 16 dias para a trilogia do ano
Só faltam 16 para o pacote dos três filmes do Indiana Jones ver a luz do dia nas lojas espalhadas pelo Mundo. Eu fã da velha guarda estou ruido de inveja de felizardos como o Tiago Pimentel que já pôs as mãos em cima da preciosidade. Mas nesses momentos penso para mim: "Tu consegues! Duas Semanas, faz um esforço..."
Esperemos que seja digno
Um dos livros de culto "Hitchhiker's Guide To The Galaxy" de Douglas Adams vai ser adaptado para o cinema pela Disney. Um livro que fez muita gente querer fazer comédia vai ver a luz do dia. O realizador não é conhecido e este é mesmo um dos seus primeiros trabalhos.
O primeiro interessado foi o realizador dos Austin Powers que sai da cadeira de realizador e passou somente para a produção. A única esperança reside no facto do próprio escritor Douglas Adams ser o produtor executivo do filme. Vejamos o que isto vai dar...
O primeiro interessado foi o realizador dos Austin Powers que sai da cadeira de realizador e passou somente para a produção. A única esperança reside no facto do próprio escritor Douglas Adams ser o produtor executivo do filme. Vejamos o que isto vai dar...
Tardes de cinema
Assistindo ontem à exibição da comédia romântica "Kate e Leopold" (segue todos os parâmetros deste tipo de fitas, mas não ofende ninguém e até pode ser seguida com relativo interesse) na SIC, reparei em dois aspectos que provam como é bom ver cinema nesse canal: a existência de quatro intervalos publicitários (em vez dos três tradicionais) de duração considerável durante a difusão de uma longa-metragem com 109 minutos (ainda se fosse do tamanho de um "Magnólia" ou de um "Apocalypse Now Redux", aceitava-se) e, como se sabe, a supressão da ficha técnica, substituída por um "fim" em tons de azul. Para agravar esta última característica, o que se viu não foi o início dos créditos finais, como de costume, mas uma parte (com a duração de uns cinco segundos) escolhida aleatoriamente, com a canção de Sting nomeada para o Oscar em fundo.
Eu sei que isto não é tão grave como a situação no Médio Oriente, mas não deixa de evidenciar uma certa falta de respeito pelos telespectadores (resposta óbvia da estação: "Se querem menos publicidade e mais créditos finais, aluguem um vídeo. Nós temos carradas de comédias e filmes de acção para mostrar antes do jornal e não podemos perder tempo com esquisitices"). A propósito, que acham da presença actual do cinema nas programações das televisões nacionais e da qualidade média das obras transmitidas por estas?
Eu sei que isto não é tão grave como a situação no Médio Oriente, mas não deixa de evidenciar uma certa falta de respeito pelos telespectadores (resposta óbvia da estação: "Se querem menos publicidade e mais créditos finais, aluguem um vídeo. Nós temos carradas de comédias e filmes de acção para mostrar antes do jornal e não podemos perder tempo com esquisitices"). A propósito, que acham da presença actual do cinema nas programações das televisões nacionais e da qualidade média das obras transmitidas por estas?
sábado, outubro 04, 2003
Os pirilampos da blogosfera
A fama do Pipoca Rasca cresce de dia para dia (a nossa média de visitas nem por isso). Um simpático blogue colectivo (animado por quatro nortenhos), The Pirilampo Magico Project, concedeu-nos a honra de nos incluir na sua lista de "Blogs Catitas". Obrigado! Ainda há gente decente neste mundo.
Trata-se de um blogue também ele muito catita, que reflecte sobre as curiosas traduções lusitanas dos títulos dos filmes americanos, a melhor (e pior) música existente no mercado, a defesa do meio ambiente, problemas de âmbito familiar, etc. Acima de tudo, o "site" alerta-nos para a perversidade dos Pirilampos Mágicos. Parecem inofensivos e simpáticos com aquelas caras de parvos, mas afinal...
Trata-se de um blogue também ele muito catita, que reflecte sobre as curiosas traduções lusitanas dos títulos dos filmes americanos, a melhor (e pior) música existente no mercado, a defesa do meio ambiente, problemas de âmbito familiar, etc. Acima de tudo, o "site" alerta-nos para a perversidade dos Pirilampos Mágicos. Parecem inofensivos e simpáticos com aquelas caras de parvos, mas afinal...
Estranhos fenómenos
Realmente é raro o Mundo do cinema americano me deixar espantado. Ontem descobri que Spike Jonze e o seu fiel argomentista Kauffman vão iniciiar a produção de um filme de terror. Espero que venha por aí uma lufada de ar fresco num género que nos últimos anos tem andado esquecido e mal interpretado pelas produtoras (efeitos, efeitos e terror nada).
Será a originalidade deste par capaz de trazer aos ecrans algo alucinante??
Será a originalidade deste par capaz de trazer aos ecrans algo alucinante??
Não contem a ninguém!
Era segredo, mas, sabe-se lá como, alguns órgãos de comunicação social descobriram que, além de "Quaresma", outro filme português estreou ontem nas nossas salas (ou, em Lisboa, apenas numa sala, nas Twin Towers). Trata-se de "Altar", de Rita Azevedo Gomes, que, como todos sabem, foi a realizadora do grande êxito do Verão de 2001, "Frágil como o Mundo" (será que António Guterres teve oportunidade de ver esse filme, como afirmou pretender fazer numa entrevista concedida na altura?). A longa-metragem, de carácter experimental (feita originalmente em vídeo, é, ao que parece, uma mistura de vários elementos poéticos e visuais), é distribuída pela FBF Filmes.
Só na quinta-feira passada Portugal tomou conhecimento da existência desta obra, através da "Visão" (a "Premiere" deste mês não lhe faz referência). Na sexta, surgiram anúncios em alguns jornais (ver pág. 20 do "Público" de ontem) e até uma ou outra crítica destacando a originalidade (ou bizarria) da obra. Às 20.15, o 7ª Arte não sabia nada sobre "Altar". Um pouco mais tarde, já admitia o regresso de Rita Azevedo Gomes, com uma ficha sem grandes informações, mas não indicava as salas de exibição.
O prestígio da cineasta, o carácter comercial da fita (com actores estrangeiros), o enorme número de salas nas quais estreou (o anúncio fala de uma em Lisboa, outra no Porto e, de forma específica, de "Outras Cidades"), a atenção da crítica e o arrojado "marketing" da FBF (que apostou numa estratégia de secretismo, evitando assim a divulgação de demasiados pormenores por parte dos "media", ávidos por satisfazer os fãs de Azevedo Gomes) só podem resultar num histórico êxito de bilheteira que revigorará o cinema nacional. Tudo para Campolide, pessoal!
Só na quinta-feira passada Portugal tomou conhecimento da existência desta obra, através da "Visão" (a "Premiere" deste mês não lhe faz referência). Na sexta, surgiram anúncios em alguns jornais (ver pág. 20 do "Público" de ontem) e até uma ou outra crítica destacando a originalidade (ou bizarria) da obra. Às 20.15, o 7ª Arte não sabia nada sobre "Altar". Um pouco mais tarde, já admitia o regresso de Rita Azevedo Gomes, com uma ficha sem grandes informações, mas não indicava as salas de exibição.
O prestígio da cineasta, o carácter comercial da fita (com actores estrangeiros), o enorme número de salas nas quais estreou (o anúncio fala de uma em Lisboa, outra no Porto e, de forma específica, de "Outras Cidades"), a atenção da crítica e o arrojado "marketing" da FBF (que apostou numa estratégia de secretismo, evitando assim a divulgação de demasiados pormenores por parte dos "media", ávidos por satisfazer os fãs de Azevedo Gomes) só podem resultar num histórico êxito de bilheteira que revigorará o cinema nacional. Tudo para Campolide, pessoal!
Qual é o mentiroso?
Estava só a brincar quando pedi o “link”, mas o Tiago Pimentel realmente leu o meu “post” e deu-nos a honra de sermos dados a conhecer aos visitantes do seu blogue. Obrigado, Tiago, pelos desejos de boa sorte. O teu espaço tem-se revelado bastante interessante.
Agora podemos praticar a tradição essencial da blogosfera: comentar o que os outros “postam”. Assim, Michael Moore é alvo de um texto bastante crítico do Tiago, que o acusa de ser um mentiroso, com base em artigos publicados na imprensa americana (o movimento para retirar o Oscar ao polémico activista de esquerda já existe há vários meses). Para já, leiam a resposta de Moore aos ataques de que é alvo. Será que tudo o que se publica sobre ele é exacto? Na verdade, só os opositores do documentarista apontam numerosos erros, exageros, inexactidões e falsificações a “Bowling for Columbine”. Assim como Moore destaca algumas críticas infundadas à sua obra, que pormenores exactos do filme denuncia a comunicação social como falsos?
No fundo, o que está em causa é que o Tiago odiou “Bowling for Columbine” e eu não (em primeiro lugar, porque acho que as questões levantadas por Moore vão muito além da sua visão parcial da política internacional na qual o Tiago concentra o ataque; e as razões da paranóia das armas que percorre os EUA, a qual o filme procura explicar afastando as teorias tradicionais)? É certo que, como escrevi num “post” em Julho (nos heróicos primeiros tempos deste blogue, que já parecem tão distantes; estamos a ficar velhos), Moore não é nenhum génio ou santo. Mesmo os maiores defensores do documentário-bomba reconhecem que se denotam sinais evidentes de narcisismo e demagogia no discurso do seu autor. Mas esse aspecto não põe em causa todos os factos e conclusões apresentados ao longo de quase duas horas. A luta conta o “fenómeno Moore” baseia-se acima de tudo em factores políticos. Inserindo-se abertamente no campo da esquerda radical, esse inimigo feroz de Bush não podia ficar imune aos reparos de quem discorda violentamente das suas opiniões e vê, por exemplo, a questão iraquiana de forma mais complexa (mas nem por isso mais correcta). Mas isso é outra história.
Seja como for, o texto do Tiago é, apesar de tudo, mais moderado que a crítica de Eurico de Barros a “Bowling for Columbine” (na qual Barros afirmou que correria Moore a tiro se estivesse no lugar de Charlton Heston).
Agora podemos praticar a tradição essencial da blogosfera: comentar o que os outros “postam”. Assim, Michael Moore é alvo de um texto bastante crítico do Tiago, que o acusa de ser um mentiroso, com base em artigos publicados na imprensa americana (o movimento para retirar o Oscar ao polémico activista de esquerda já existe há vários meses). Para já, leiam a resposta de Moore aos ataques de que é alvo. Será que tudo o que se publica sobre ele é exacto? Na verdade, só os opositores do documentarista apontam numerosos erros, exageros, inexactidões e falsificações a “Bowling for Columbine”. Assim como Moore destaca algumas críticas infundadas à sua obra, que pormenores exactos do filme denuncia a comunicação social como falsos?
No fundo, o que está em causa é que o Tiago odiou “Bowling for Columbine” e eu não (em primeiro lugar, porque acho que as questões levantadas por Moore vão muito além da sua visão parcial da política internacional na qual o Tiago concentra o ataque; e as razões da paranóia das armas que percorre os EUA, a qual o filme procura explicar afastando as teorias tradicionais)? É certo que, como escrevi num “post” em Julho (nos heróicos primeiros tempos deste blogue, que já parecem tão distantes; estamos a ficar velhos), Moore não é nenhum génio ou santo. Mesmo os maiores defensores do documentário-bomba reconhecem que se denotam sinais evidentes de narcisismo e demagogia no discurso do seu autor. Mas esse aspecto não põe em causa todos os factos e conclusões apresentados ao longo de quase duas horas. A luta conta o “fenómeno Moore” baseia-se acima de tudo em factores políticos. Inserindo-se abertamente no campo da esquerda radical, esse inimigo feroz de Bush não podia ficar imune aos reparos de quem discorda violentamente das suas opiniões e vê, por exemplo, a questão iraquiana de forma mais complexa (mas nem por isso mais correcta). Mas isso é outra história.
Seja como for, o texto do Tiago é, apesar de tudo, mais moderado que a crítica de Eurico de Barros a “Bowling for Columbine” (na qual Barros afirmou que correria Moore a tiro se estivesse no lugar de Charlton Heston).
quinta-feira, outubro 02, 2003
Um filme nomeado?
Em nome do ICAM, Beatriz Pacheco Pereira, Bárbara Guimarães e João Lopes escolheram "Um Filme Falado", de Manoel de Oliveira, como o candidato português à nomeação para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro do próximo ano (a aposta para a competição anterior foi "O Delfim").
Bem... Antes de mais nada, digo que não vi o filme (só chega ao circuito comercial no próximo dia 17, embora tenha sido realizada uma estreia em Aveiro na semana passada, de modo a que a obra pudesse candidatar-se à nomeação) e a verdade é que nos últimos tempos não parece ter surgido nenhuma longa-metragem lusitana de grande valor.
Mas, enquanto Oliveira acumula aplausos e prémios por todo o mundo, será que alguém lhe liga em Portugal (até mesmo críticos nacionais enviados a Veneza não deliraram com a obra escolhida pelo júri do ICAM)? Se "Um Filme Falado" (e porque não outro filme qualquer do realizador veterano?) não conseguir ser nomeado, a única maneira de o cineasta (apoiado pelo produtor Paulo Branco) dar nas vistas é declarar à comunicação social que deseja que o público nacional vá àquela parte.
Bem... Antes de mais nada, digo que não vi o filme (só chega ao circuito comercial no próximo dia 17, embora tenha sido realizada uma estreia em Aveiro na semana passada, de modo a que a obra pudesse candidatar-se à nomeação) e a verdade é que nos últimos tempos não parece ter surgido nenhuma longa-metragem lusitana de grande valor.
Mas, enquanto Oliveira acumula aplausos e prémios por todo o mundo, será que alguém lhe liga em Portugal (até mesmo críticos nacionais enviados a Veneza não deliraram com a obra escolhida pelo júri do ICAM)? Se "Um Filme Falado" (e porque não outro filme qualquer do realizador veterano?) não conseguir ser nomeado, a única maneira de o cineasta (apoiado pelo produtor Paulo Branco) dar nas vistas é declarar à comunicação social que deseja que o público nacional vá àquela parte.
Uma fita muito estranha
Se está farto dos "blockbusters" que enchem os multiplexes e atraem as atenções de todos, existe em Lisboa um cinema onde são exibidos filmes de que certamente os seus amigos nunca ouviram falar: o Cine-Estúdio 222, gerido pela Zero em Comportamento, que aí projecta, nos dias úteis, as obras raras que obtém sabe-se lá onde. Na programação de Outubro, destaque-se "Pi", a primeira longa-metragem de Darren Aronofsky. Descoberto o DVD importado desta obra pelo Fernando Campos, logo se verificou a divulgação da fita em círculos mais ou menos restritos. Deste modo, posso afirmar que "Pi" é, com certeza, um dos objectos artísticos mais bizarros dos últimos anos. Chamam desde logo a atenção o facto de ser pequeno (85 minutos) e a preto e branco e o orçamento insignificante com que Aronofsky (co-autor da história) contou. A importância da Matemática na narrativa também não é comum. Já a violência visual que por vezes se regista tem paralelo com "A Vida Não é um Sonho", a outra longa da autoria do realizador. As imagens tornam-se socos dirigidos ao estômago do espectador. O visionamento de "Pi" não é muito agradável devido a esse aspecto, mas talvez por isso mesmo (além de todo o talento de Aronofsky e do actor principal, Sean Guilette) trata-se de uma autêntica pérola.
Num dos cinco dias de exibição de "Pi", venha vomitar no Cine-Estúdio 222. Aviso: a cópia projectada tem legendas em castelhano.
Num dos cinco dias de exibição de "Pi", venha vomitar no Cine-Estúdio 222. Aviso: a cópia projectada tem legendas em castelhano.
quarta-feira, outubro 01, 2003
Herói não é rasca
Parece que o cinema oriental ganha uma dimensão única por terras ocidentais. Herói é disso mesmo um exemplo como o tinha sido o Tigre e o Dragão.
Ambos são a meu ver complementares e extremamente diferentes.
Um é um romance em tempos da China antiga, outro é um épico de guerra no mais amplo sentido da palavra. Ang Lee dá ao filme uma sensibilidade mais humana enquanto Heroi apósta numa sensiblilidade visual esmagadora enquanto o cerne da história é a intriga de assassinato do rei Quin.
O filme tecnicamente é avassalador quer a nível de imagem e de som e realmente o elemento mais comercial é a presença de Jet li, que a meu ver não acrescenta nada de mais ao filme.
Realmente para se saber se se gosta ou não, basta ver qual a sensação que fica no final.
Eu gostaria de ver o filme de novo. Isso foi a minha sensação. Definitivamente gostei
Herói Classificação 5 (0-5)
Ambos são a meu ver complementares e extremamente diferentes.
Um é um romance em tempos da China antiga, outro é um épico de guerra no mais amplo sentido da palavra. Ang Lee dá ao filme uma sensibilidade mais humana enquanto Heroi apósta numa sensiblilidade visual esmagadora enquanto o cerne da história é a intriga de assassinato do rei Quin.
O filme tecnicamente é avassalador quer a nível de imagem e de som e realmente o elemento mais comercial é a presença de Jet li, que a meu ver não acrescenta nada de mais ao filme.
Realmente para se saber se se gosta ou não, basta ver qual a sensação que fica no final.
Eu gostaria de ver o filme de novo. Isso foi a minha sensação. Definitivamente gostei
Herói Classificação 5 (0-5)
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