Sinceramente o filme de aventura anda nas ruas da amargura.
Desde que Spielberg pôs o chapéu e o chicote de lado nunca mais se tinha visto um bom filme de aventuras.
E foi quando Depp fez o seu primeiro Blockbuster. Criou uma personagem magistral que transborda cinema de aventuras por todo o lado. A maior dúvida para ver este filme era o modelo de produção (o tio Jerry nunca tinha produzido um filme bom até à data). Possivelmente o facto de ser um filme histórico q.b. torna o modelo de produção um pouco diferente dos Perl Harbours e Armaggedons. Felizmente...
O realizador Gore Verbinski faz um bom trabalho e mostra que poderá não se um mero tarefeiro. O filme tem uma realização inteligente, com planos conseguidos. A inteligência maior foi a caracterização dada a todas as personagens secundárias e figurantes elevando-os a icones da pirataria. Não esquecendo o bom argumento.
Sendo eu alérgico ao Jerry Bruckheimer gostar tanto deste filme foi algo que me apanhou de surpresa.
Recomendo este filme a quem goste de filme de aventuras e sobretudo a todos os que adoraram (como eu) os jogos de computador "Secret of the Monkey Island". Este filme é o jogo tornado realidade.
4,5 em 5 ----------- o 5 virá com o tempo :-)
terça-feira, abril 27, 2004
Documentos
A propósito das (escassas) abordagens das vicissitudes do século XX português (dos outros séculos, geralmente nem se fala) realizadas pelo cinema nacional, merecem destaque, pelo seu interesse documental, dois filmes incluídos no DVD vendido pelo "Público" anteontem.
O primeiro, "Natal 71" (1999), de Margarida Cardoso, debruça-se sobre a guerra colonial. O documentário parte do depoimento do pai da cineasta, completado com outras declarações e muitos sons e imagens de arquivo relativos à época analisada. Ainda que os testemunhos recolhidos sejam algo escassos, revelam aspectos menos conhecidos da vivência do conflito e o ponto de vista de quem serviu de mero peão nos acontecimentos do final do Estado Novo. Mas são as imagens, seja da declaração piedosa de Cecília Supico Pinto, do jogo de basquetebol dos fuzileiros da Guiné (pérolas de humor involuntário) ou da acção militar propriamente dita, que esclarecem melhor o espectador acerca do "Vietname à nossa escala".
Quanto ao drama "Brandos Costumes" (estreado em 1975), de Alberto Seixas Santos, vale sobretudo pelas imagens de aparições públicas de Salazar e das manifestações em seu louvor (incluindo o velório). Nos períodos entre as imagens recolhidas na Cinemateca, há longos planos fixos de gente a dizer clichés em verso (o cinema português dos anos 70 não seria propriamente melhor que o de hoje...).
As duas obras permitem obter informações sobre as mentalidades vigentes antes do 25 de Abril (sobre o pós-revolução, além de documentários televisivos, existem obras como "Bom Povo Português", de Rui Simões), veiculadas pelo regime através do cinema (era o tempo das "actualidades") e da televisão.
O primeiro, "Natal 71" (1999), de Margarida Cardoso, debruça-se sobre a guerra colonial. O documentário parte do depoimento do pai da cineasta, completado com outras declarações e muitos sons e imagens de arquivo relativos à época analisada. Ainda que os testemunhos recolhidos sejam algo escassos, revelam aspectos menos conhecidos da vivência do conflito e o ponto de vista de quem serviu de mero peão nos acontecimentos do final do Estado Novo. Mas são as imagens, seja da declaração piedosa de Cecília Supico Pinto, do jogo de basquetebol dos fuzileiros da Guiné (pérolas de humor involuntário) ou da acção militar propriamente dita, que esclarecem melhor o espectador acerca do "Vietname à nossa escala".
Quanto ao drama "Brandos Costumes" (estreado em 1975), de Alberto Seixas Santos, vale sobretudo pelas imagens de aparições públicas de Salazar e das manifestações em seu louvor (incluindo o velório). Nos períodos entre as imagens recolhidas na Cinemateca, há longos planos fixos de gente a dizer clichés em verso (o cinema português dos anos 70 não seria propriamente melhor que o de hoje...).
As duas obras permitem obter informações sobre as mentalidades vigentes antes do 25 de Abril (sobre o pós-revolução, além de documentários televisivos, existem obras como "Bom Povo Português", de Rui Simões), veiculadas pelo regime através do cinema (era o tempo das "actualidades") e da televisão.
segunda-feira, abril 26, 2004
O ataque dos Cartoons
Desta vez George Lucas acertou inteiramente.
Primeiro, devo confessar que sou um fã Star Wars da velha guarda. Quero com isto dizer que gostei muito mais da série antiga que da actual (duvido que alguém pense o contrário). Mas agora foi a surpresa total...
Perguntam-me que surpresa foi esta? Foi a série do Cartoon Networks Star Wars: Clone Wars.
Os episódios dividem em 20 pedaços um filme que poderia ter 80 (20 * 4 = 80 minutos) e que revela pormenores muito interessantes para o episódio três. Lucas entregou os desenhos animados ao criador do "Laboratório do Dexter" e de "Samurai Jack" e o resultado espanta.
O virtuosismo da realização só pode ser comparado com o Episódio 5, onde não existe tempo para respirar dada a sequência de acontecimentos. A minha opinião deve-se ao facto de ter visto os 20 episódio todos de seguida conseguindo perceber mais atentamente os detalhes dos diversos fragmentos da história. De qualquer modo, o estilo de cartoon escolhido realça os propositos de Lucas no estilo desta segunda triologia: deixar a imaginação vencer.
Nos desenhos animados todos os exageros dos dois últimos filmes resultam perfeitamente levando a perceber que o Mundo que Lucas imaginou à trinta anos não era mais que uma prancha de um livro de BD misturada com imagens reais.
Espero que o dvd seja para breve. Se der na televisão Tuga, espero que não seja dobrado, uma vez que as vozes dos desenhos conseguem imitar quase na perfeição as vozes dos actores de carne e osso.
Que a Força esteja para ficar.
Primeiro, devo confessar que sou um fã Star Wars da velha guarda. Quero com isto dizer que gostei muito mais da série antiga que da actual (duvido que alguém pense o contrário). Mas agora foi a surpresa total...
Perguntam-me que surpresa foi esta? Foi a série do Cartoon Networks Star Wars: Clone Wars.
Os episódios dividem em 20 pedaços um filme que poderia ter 80 (20 * 4 = 80 minutos) e que revela pormenores muito interessantes para o episódio três. Lucas entregou os desenhos animados ao criador do "Laboratório do Dexter" e de "Samurai Jack" e o resultado espanta.
O virtuosismo da realização só pode ser comparado com o Episódio 5, onde não existe tempo para respirar dada a sequência de acontecimentos. A minha opinião deve-se ao facto de ter visto os 20 episódio todos de seguida conseguindo perceber mais atentamente os detalhes dos diversos fragmentos da história. De qualquer modo, o estilo de cartoon escolhido realça os propositos de Lucas no estilo desta segunda triologia: deixar a imaginação vencer.
Nos desenhos animados todos os exageros dos dois últimos filmes resultam perfeitamente levando a perceber que o Mundo que Lucas imaginou à trinta anos não era mais que uma prancha de um livro de BD misturada com imagens reais.
Espero que o dvd seja para breve. Se der na televisão Tuga, espero que não seja dobrado, uma vez que as vozes dos desenhos conseguem imitar quase na perfeição as vozes dos actores de carne e osso.
Que a Força esteja para ficar.
Novos links
Tanto quanto o tempo nos permite, o Pipoca Rasca finalmente viu os seus links actualizados.
Pretendemos deste modo agradecer aos outros blogs que nos deram a conhecer a tantas pessoas
desta cada vez mais acolhedora Blogsfera.
Pretendemos deste modo agradecer aos outros blogs que nos deram a conhecer a tantas pessoas
desta cada vez mais acolhedora Blogsfera.
sábado, abril 24, 2004
Evolução?
Está previsto que a RTP exiba amanhã o filme "Capitães de Abril", de Maria de Medeiros, de forma a assinalar a efeméride. O problema é que a estação já faz isso desde 2001...
De facto, não gosto por aí além da obra de Medeiros. O que está em causa não são as dobragens ou um actor estrangeiro a interpretar Salgueiro Maia. Em termos de banda sonora e reconstituição dos anos 70, esta óptimo, mas a credibilidade do enredo é muito reduzida. Muitas vezes Medeiros foi demasiado original em relação ao "guião" escrito pelo MFA e criou uma ficção bastante fraca para servir de base à narração dos eventos históricos. E quando o filme envereda pelo drama ou pelo humor, torna-se exagerado.
Mas enfim, mais vale "Capitães de Abril" que nada, em termos de produção cinematográfica sobre a Revolução (na verdade, a SIC produziu em 1999 um telefilme, "A Hora da Liberdade", bem mais fiel, convincente e interessante, mas esse a RTP não pode exibir). Repetindo o que já se tornou um cliché, a nossa História Contemporânea não tem servido de inspiração para muitas fitas. Porque será?
De facto, não gosto por aí além da obra de Medeiros. O que está em causa não são as dobragens ou um actor estrangeiro a interpretar Salgueiro Maia. Em termos de banda sonora e reconstituição dos anos 70, esta óptimo, mas a credibilidade do enredo é muito reduzida. Muitas vezes Medeiros foi demasiado original em relação ao "guião" escrito pelo MFA e criou uma ficção bastante fraca para servir de base à narração dos eventos históricos. E quando o filme envereda pelo drama ou pelo humor, torna-se exagerado.
Mas enfim, mais vale "Capitães de Abril" que nada, em termos de produção cinematográfica sobre a Revolução (na verdade, a SIC produziu em 1999 um telefilme, "A Hora da Liberdade", bem mais fiel, convincente e interessante, mas esse a RTP não pode exibir). Repetindo o que já se tornou um cliché, a nossa História Contemporânea não tem servido de inspiração para muitas fitas. Porque será?
terça-feira, abril 20, 2004
Lusices
Algo de errado se passa no cinema português. Alguns cineastas produzem bons filmes, mas, geralmente, até mesmo esses têm algum problema, ainda que difícil de identificar, a impedí-los de ser muito bons. É realmente difícil estabelecer empatia com o espectador.
Escolher uns quantos filmes de qualidade portugueses dos últimos anos (custa a acreditar, mas eles existem) é difícil tendo em conta que desconheço o trabalho dos "grandes mestres" (Manoel de Oliveira, João César Monteiro, Paulo Rocha, etc.) e só de quando em quando vejo uma fita de origem lusitana no cinema ou na televisão. Seja como for, a verdade é que na última década surgiram, entre outras, curtas e longas-metragens como:
5 - "Os Imortais" (2002), de António-Pedro Vasconcelos
A parte boa: Nicolau Breyner, Rui Unas, Joaquim de Almeida; a reconstituição de época; uma abordagem da guerra colonial que foge aos clichés.
O problema: Emmanuelle Seigner; as cenas mais lentas.
4 - "Zona J" (1998), de Leonel Vieira
A parte boa: O eficaz "realismo urbano"; o ritmo do filme; a realização de Leonel Vieira; os actores estreantes.
O problema: Um argumento algo limitado.
3 - "Crónica Feminina" (2002), de Gonçalo Luz
A parte boa: Ana Bustorff e Maria João Luís; o ambiente; a fotografia.
O problema: Alguma dificuldade em combinar drama e comédia.
2 - "Respirar (Debaixo d'Água) (1999), de António Ferreira
A parte boa: A revelação de António Ferreira; uma história passada, para variar, fora de Lisboa; os jovens; Vítor Norte, um dos melhores actores do cinema (não da televisão) em Portugal.
O problema: A dada altura, os desastres na vida do protagonista tornam-se cansativos.
1 - "A Suspeita" (2000), de José Miguel Ribeiro
A parte boa: Humor, "suspense", surpresa, animação excelente, personagens divertidas.
O problema: Sei lá...
Escolher uns quantos filmes de qualidade portugueses dos últimos anos (custa a acreditar, mas eles existem) é difícil tendo em conta que desconheço o trabalho dos "grandes mestres" (Manoel de Oliveira, João César Monteiro, Paulo Rocha, etc.) e só de quando em quando vejo uma fita de origem lusitana no cinema ou na televisão. Seja como for, a verdade é que na última década surgiram, entre outras, curtas e longas-metragens como:
5 - "Os Imortais" (2002), de António-Pedro Vasconcelos
A parte boa: Nicolau Breyner, Rui Unas, Joaquim de Almeida; a reconstituição de época; uma abordagem da guerra colonial que foge aos clichés.
O problema: Emmanuelle Seigner; as cenas mais lentas.
4 - "Zona J" (1998), de Leonel Vieira
A parte boa: O eficaz "realismo urbano"; o ritmo do filme; a realização de Leonel Vieira; os actores estreantes.
O problema: Um argumento algo limitado.
3 - "Crónica Feminina" (2002), de Gonçalo Luz
A parte boa: Ana Bustorff e Maria João Luís; o ambiente; a fotografia.
O problema: Alguma dificuldade em combinar drama e comédia.
2 - "Respirar (Debaixo d'Água) (1999), de António Ferreira
A parte boa: A revelação de António Ferreira; uma história passada, para variar, fora de Lisboa; os jovens; Vítor Norte, um dos melhores actores do cinema (não da televisão) em Portugal.
O problema: A dada altura, os desastres na vida do protagonista tornam-se cansativos.
1 - "A Suspeita" (2000), de José Miguel Ribeiro
A parte boa: Humor, "suspense", surpresa, animação excelente, personagens divertidas.
O problema: Sei lá...
domingo, abril 18, 2004
Por aí
Depois de um período de “hibernação”, o Cinema2000 (prestes a efectuar uma renovação gráfica e de conteúdos) ganha cada vez mais interesse (o “sangue novo” de Nuno Antunes e Tiago Pimentel não deixará de ser útil). Os artigos de autor desconhecido acerca da evolução dos dados das bilheteiras portuguesas (a tabela do ICAM começa a tornar-se monótona) e das reacções que “A Paixão de Cristo” tem gerado um pouco por todo o mundo (inclusive nos países islâmicos, onde ocorrem tomadas de posição não propriamente inocentes) merecem destaque.
Na sexta-feira, foram discutidos na Assembleia da República os projectos do Governo e do PS relativos à Lei do Cinema. Prefiro não discutir, por falta de informação, as características específicas das duas propostas, mas parece-me positivo o objectivo de libertar a produção cinematográfica nacional da dependência do Estado e tentar criar uma indústria. Seja como for, a discussão pública provou que os realizadores portugueses não são todos iguais. De um lado, está a ARCA (Associação de Realizadores de Cinema e Audiovisual), presidida por António-Pedro Vasconcelos (“Os Imortais”) e, do outro, a APR (Associação Portuguesa de Realizadores), sob a liderança de João Mário Grilo (“A Falha”). Enquanto a ARCA parece achar que José Amaral Lopes (secretário de Estado da Cultura) é, apesar de tudo, um tipo porreiro (esteve presente na conferência de imprensa da organização), a APR não o pode ver à frente. A ARCA receia que o apoio a obras designadas oficialmente como “de atractividade comercial” reforce excessivamente a oposição desse tipo de fitas ao “cinema de autor” habitual em Portugal. A APR considera que o cinema “comercial” só deu no nosso país “prejuízo cultural e financeiro” e o Governo quer, perfidamente, transformar artesãos em “medíocres cineastas do entretenimento” (“Público”, 16 de Abril). Perspectivas semelhantes, sem dúvida. Parece haver uma verdadeira “guerra civil” no mundo audiovisual português. Para já, o público não sai vencedor.
Depois de semanas de falatório à volta do corpo ensanguentado do Cristo de Mel Gibson, o debate cinéfilo mediático caiu quase no marasmo. As distribuidoras descarregam nas salas dezenas de longas-metragens tão diferentes como “O Gato” e “Daqui p’rá Alegria” e o entusiasmo crítico em relação a elas é, geralmente, bastante moderado. Nenhum filme parece ganhar destaque entre a multidão de produções que aterra discretamente nos cinemas. Talvez a estreia de “Kill Bill 2”, no final do mês, vá mudar tudo isto.
Na sexta-feira, foram discutidos na Assembleia da República os projectos do Governo e do PS relativos à Lei do Cinema. Prefiro não discutir, por falta de informação, as características específicas das duas propostas, mas parece-me positivo o objectivo de libertar a produção cinematográfica nacional da dependência do Estado e tentar criar uma indústria. Seja como for, a discussão pública provou que os realizadores portugueses não são todos iguais. De um lado, está a ARCA (Associação de Realizadores de Cinema e Audiovisual), presidida por António-Pedro Vasconcelos (“Os Imortais”) e, do outro, a APR (Associação Portuguesa de Realizadores), sob a liderança de João Mário Grilo (“A Falha”). Enquanto a ARCA parece achar que José Amaral Lopes (secretário de Estado da Cultura) é, apesar de tudo, um tipo porreiro (esteve presente na conferência de imprensa da organização), a APR não o pode ver à frente. A ARCA receia que o apoio a obras designadas oficialmente como “de atractividade comercial” reforce excessivamente a oposição desse tipo de fitas ao “cinema de autor” habitual em Portugal. A APR considera que o cinema “comercial” só deu no nosso país “prejuízo cultural e financeiro” e o Governo quer, perfidamente, transformar artesãos em “medíocres cineastas do entretenimento” (“Público”, 16 de Abril). Perspectivas semelhantes, sem dúvida. Parece haver uma verdadeira “guerra civil” no mundo audiovisual português. Para já, o público não sai vencedor.
Depois de semanas de falatório à volta do corpo ensanguentado do Cristo de Mel Gibson, o debate cinéfilo mediático caiu quase no marasmo. As distribuidoras descarregam nas salas dezenas de longas-metragens tão diferentes como “O Gato” e “Daqui p’rá Alegria” e o entusiasmo crítico em relação a elas é, geralmente, bastante moderado. Nenhum filme parece ganhar destaque entre a multidão de produções que aterra discretamente nos cinemas. Talvez a estreia de “Kill Bill 2”, no final do mês, vá mudar tudo isto.
terça-feira, abril 13, 2004
Comédia involuntária
Inspirado pela lista (relativa à ficção científica) do Royale With Cheese, resolvi enumerar alguns pedaços de fitas que proporcionam ao espectador boas gargalhadas, embora essa não fosse de modo nenhum (acho eu) a intenção. A comédia involuntária atingiu níveis elevados em obras como:
5 - "Comando" (1985): Arnold chega ao covil dos vilões e limita-se a matar toda a (muita) gente que lhe aparece à frente e dispara sobre ele sem lhe provocar a mínima beliscadura. Trata-se de uma cena filmada de forma hilariante, mas o confronto com o principal "mauzão" também é uma verdadeira pérola.
4 - "A Falha" (2002): João Lagarto grita e tem recordações horríveis da guerra colonial enquanto... bem, só visto.
3 - "Desaparecido em Combate 3" (1988): Chuck Norris entra por uma janela (fechada) e metralha dois soldados vietnamitas e um retrato de Ho Chi Minh.
2 - "Bride of the Monster" (1955): Bela Lugosi esperneia aterrorizado em cima de um polvo totalmente imóvel.
1 - "Plan 9 From Outer Space" (1959): O "disco voador" a arder.
5 - "Comando" (1985): Arnold chega ao covil dos vilões e limita-se a matar toda a (muita) gente que lhe aparece à frente e dispara sobre ele sem lhe provocar a mínima beliscadura. Trata-se de uma cena filmada de forma hilariante, mas o confronto com o principal "mauzão" também é uma verdadeira pérola.
4 - "A Falha" (2002): João Lagarto grita e tem recordações horríveis da guerra colonial enquanto... bem, só visto.
3 - "Desaparecido em Combate 3" (1988): Chuck Norris entra por uma janela (fechada) e metralha dois soldados vietnamitas e um retrato de Ho Chi Minh.
2 - "Bride of the Monster" (1955): Bela Lugosi esperneia aterrorizado em cima de um polvo totalmente imóvel.
1 - "Plan 9 From Outer Space" (1959): O "disco voador" a arder.
sábado, abril 10, 2004
Anonimato
No Cinema2000, um misterioso anónimo (“quem escreve estas linhas”) comentou os números relativos à última semana cinéfila de Março das bilheteiras controladas pelo ICAM. Contrariando as expectativas do escriba, Mel Gibson mostrou à Disney quem é que manda aqui e “A Paixão de Cristo” resistiu facilmente ao assalto de “Kenai e Koda”, atingindo pela terceira vez consecutiva (até agora, um recorde) o primeiro lugar da tabela dos filmes mais vistos, ultrapassando a marca de “Alguém Tem que Ceder” (com uma resistência impressionante). Numa época de imensas estreias em cada quinta e fraco entusiasmo crítico em relação às novidades (com a excepção de “Belleville Rendez-Vous”, com receitas interessantes e candidato a filme de culto), obras como “Tempo Limite” e “Massacre no Texas”alcançaram o top 10. Alguém se lembrará delas daqui a um mês?
O que é certo é que “Agarrado a Ti”, dos irmãos Farrelly, é um fracasso em Portugal (não sei como foi nos EUA). È certo que a promoção da obra foi surpreendentemente discreta, mas o filme anterior da dupla, “O Amor é Cego” (uma boa história), já tinha dado pouco que falar (e “Osmosis Jones” nem chegou às salas portuguesas). Os homens que inspiraram a hilaridade histérica geral com “Doidos por Mary” estão a desaparecer do mapa?
O que é certo é que “Agarrado a Ti”, dos irmãos Farrelly, é um fracasso em Portugal (não sei como foi nos EUA). È certo que a promoção da obra foi surpreendentemente discreta, mas o filme anterior da dupla, “O Amor é Cego” (uma boa história), já tinha dado pouco que falar (e “Osmosis Jones” nem chegou às salas portuguesas). Os homens que inspiraram a hilaridade histérica geral com “Doidos por Mary” estão a desaparecer do mapa?
sexta-feira, abril 09, 2004
Pipoca cristã
De acordo com a “Visão” de ontem, “A Paixão de Cristo” foi visto por 427 mil portugueses apenas no mês de Março. Número impressionante, sem dúvida. A obra de Gibson tornou-se o filme da moda em Portugal (e não só) durante a Quaresma deste ano. Além de atrair multidões às salas e ser citada em tudo o que é meio de comunicação social, a fita gera um debate à sua volta como é raro ver. A verdade é que há muito não se falava tanto (bem ou mal) de um filme em cartaz.
A temática de “A Paixão de Cristo” beneficiou fortemente a sua divulgação, ao tornar o visionamento do filme “obrigatório” para os crentes cristãos. Exemplo disso é a edição deste mês da revista católica “Família Cristã”, na qual a obra de Gibson é publicitada e elogiada, nomeadamente na secção de crítica cinematográfica (assinada por Francisco Perestrello), onde se fala de “um filme de alta qualidade capaz de transmitir com muito rigor e elevação a mensagem do Evangelho”, sendo louvada a sua “fidelidade total à realidade”.
Agora que a RTP recorre, para assinalar a quadra pascal, às obras intermináveis do costume (“Ben-Hur”, “Jesus de Nazaré”, “Os Dez Mandamentos”), não deixa de ser curioso pensar que “A Paixão” poderia ser o filme bíblico ideal para a Páscoa televisiva. No entanto, em vez de preencher o horário da tarde, o projecto da Icon teria de ser exibido já bem depois do pôr-do-sol e com uma esclarecedora bola vermelha no canto superior direito do ecrã.
Páscoa Feliz para todos.
A temática de “A Paixão de Cristo” beneficiou fortemente a sua divulgação, ao tornar o visionamento do filme “obrigatório” para os crentes cristãos. Exemplo disso é a edição deste mês da revista católica “Família Cristã”, na qual a obra de Gibson é publicitada e elogiada, nomeadamente na secção de crítica cinematográfica (assinada por Francisco Perestrello), onde se fala de “um filme de alta qualidade capaz de transmitir com muito rigor e elevação a mensagem do Evangelho”, sendo louvada a sua “fidelidade total à realidade”.
Agora que a RTP recorre, para assinalar a quadra pascal, às obras intermináveis do costume (“Ben-Hur”, “Jesus de Nazaré”, “Os Dez Mandamentos”), não deixa de ser curioso pensar que “A Paixão” poderia ser o filme bíblico ideal para a Páscoa televisiva. No entanto, em vez de preencher o horário da tarde, o projecto da Icon teria de ser exibido já bem depois do pôr-do-sol e com uma esclarecedora bola vermelha no canto superior direito do ecrã.
Páscoa Feliz para todos.
terça-feira, abril 06, 2004
Cidade maravilhosa
1. "Cidade de Deus" tornou-se, em Portugal, um exemplo clássico do filme "de culto". Depois das sessões esgotadas no Cine-Estúdio 222 (na época da Zero em Comportamento) aquando da ante-estreia, a obra de Fernando Meirelles, distribuída pela New Age Entertainment, foi exibida em apenas três ou quatro salas de Lisboa. No entanto, permaneceu no UCI-El Corte Inglés durante semanas a fio, recebendo a atenção e o carinho da crítica. Agora em DVD (com uma edição de coleccionador), continua a destacar-se (de acordo com a "Premiere", lidera a tabela de vendas da Fnac). Uma excepção à regra (o cinema brasileiro não tem tido muita visibilidade em Portugal) ou o início de uma tendência que "Carandiru" prolongará?
2. A versão de aluguer tem legendas em português (que, embora não transcrevam rigorosamente todas as frases, são muito úteis para a compreensão do filme, como já disse aqui o Fernando), além de um comentário áudio.
3. Sendo o personagem principal colectivo (a Cidade de Deus e o seu povo), as características individuais das figuras que mais se destacam perdem-se um pouco. À excepção disso, Meirelles apresenta uma autêntica bomba. A montagem, fotografia e realização criam um ambiente inesquecível. O mecanismo através do qual o argumento abandona uma cena ou personagem para a retomar de outra perspectiva mais adiante é brilhante.
4. O problema é que a violência (em grandes doses, mas nunca excessivamente dramatizada) nunca parece exagerada, ou seja, irrealista. O próprio final aberto da história aponta quer para o optimismo (o triunfo de Buscapé) quer para o pessimismo (as crianças assassinas), deixando a escolha ao espectador.
2. A versão de aluguer tem legendas em português (que, embora não transcrevam rigorosamente todas as frases, são muito úteis para a compreensão do filme, como já disse aqui o Fernando), além de um comentário áudio.
3. Sendo o personagem principal colectivo (a Cidade de Deus e o seu povo), as características individuais das figuras que mais se destacam perdem-se um pouco. À excepção disso, Meirelles apresenta uma autêntica bomba. A montagem, fotografia e realização criam um ambiente inesquecível. O mecanismo através do qual o argumento abandona uma cena ou personagem para a retomar de outra perspectiva mais adiante é brilhante.
4. O problema é que a violência (em grandes doses, mas nunca excessivamente dramatizada) nunca parece exagerada, ou seja, irrealista. O próprio final aberto da história aponta quer para o optimismo (o triunfo de Buscapé) quer para o pessimismo (as crianças assassinas), deixando a escolha ao espectador.
segunda-feira, abril 05, 2004
Belleville
Pois estamos perante o melhor filme de animação dos últimos anos. Possivelmente o toque Europeu faz a diferença isto porque a última vez que fiquei assim foi quando vi as curtas do Wallace and Gromit.
Sem me alongar muito, o filme é um prodigio da animação, um prodigio sonoro e musical e um prodigio daquela força da Natureza que são as velhotas de buço deste Portugal.
Classificação 5 (0 - 5)
Sem me alongar muito, o filme é um prodigio da animação, um prodigio sonoro e musical e um prodigio daquela força da Natureza que são as velhotas de buço deste Portugal.
Classificação 5 (0 - 5)
quinta-feira, abril 01, 2004
Mais três
Três distintas personalidades da blogosfera portuguesa, João Vaz, João Sousa André e Jorge Vaz Nande, uniram-se no projecto inovador de um blogue sobre cinema. A parte da inovação está sobretudo na maneira como funciona o Série B, baseado no diálogo entre os três autores através dos posts, abordando temas cinéfilos bastante diferenciados. Notícias, textos intimistas, efemérides (como o aniversário de Quentin Tarantino) reúnem-se no espaço. São apenas três tipos que desatam a conversar sobre cinema "clássico e moderno" e o fazem de forma bastante interessante.
Agora já com um visual definitivo e um sempre prático serviço de comentários, o Série B é, ao contrário do que o nome indica, a nova estrela da blogosfera cinéfila lusa.
Agora já com um visual definitivo e um sempre prático serviço de comentários, o Série B é, ao contrário do que o nome indica, a nova estrela da blogosfera cinéfila lusa.
terça-feira, março 30, 2004
Sangue
"A Paixão de Cristo", de Mel Gibson
Avaliando a fita como obra artística, "A Paixão de Cristo" é um bom filme? Sim. O realizador Mel Gibson mostra talento (exceptuando o uso por vezes excessivo da câmara lenta), a fotografia e a banda sonora constroem na perfeição o ambiente dramático, o uso do latim e do aramaico, que de início parecia uma excentricidade, revela-se um verdadeiro achado (seria terrível para a credibilidade da produção ouvir actores falar inglês com sotaque italiano) e as interpretações de Jim Caviezel (uma nova estrela?) e Maia Morgenstern são incrivelmente poderosas, dominando a obra do início ao fim (as personagens secundárias são geralmente limitadas). Seguindo à risca as Escrituras (embora ficcionando aqui e ali), Gibson cria um "blockbuster religioso" (Fernando Campos) convincente, embora algo fechado aos não-cristãos.
Outra pergunta corrente é: o filme é anti-semita? Não. Limita-se a seguir os Evangelhos e não distingue claramente os judeus como grupo a acusar e desprezar, mas essa suspeita pode ter sido incentivada pela facilidade irritante com que Gibson identifica os maus da fita (Caifás, Barrabás, os soldados romanos que flagelam Jesus, um dos dois outros crucificados, o próprio Diabo, etc.), desenhados de forma superficial.
O filme é demasiado violento? Sim. É certo que a intenção era mostrar tudo o que Jesus sofreu para remir os pecados humanos, mas durante longos períodos é só isso que "A Paixão..." tem para mostrar: o sofrimento de Cristo, sem nada que o enquadre. As cenas mais chocantes tornam-se aborrecidas. Quanto à função evangelizadora, a verdade é que os "flash-backs" nos quais se recriam as citações mais famosas de Cristo são bem mais comoventes que o corpo do protagonista a escorrer sangue.
Valeu a pena fazer esta nova adaptação dos Evangelhos? Em termos financeiros, claro que valeu. Quanto ao lado artístico, reconheça-se que se produziu uma obra de grande impacto visual e intensidade emocional que é necessário ver, apesar dos seus exageros.
A melhor cena: Maria aproxima-se de Jesus quando este cai ao transportar a cruz.
A pior cena: O "mau ladrão" é bicado por um corvo.
Nota: 6/10.
Avaliando a fita como obra artística, "A Paixão de Cristo" é um bom filme? Sim. O realizador Mel Gibson mostra talento (exceptuando o uso por vezes excessivo da câmara lenta), a fotografia e a banda sonora constroem na perfeição o ambiente dramático, o uso do latim e do aramaico, que de início parecia uma excentricidade, revela-se um verdadeiro achado (seria terrível para a credibilidade da produção ouvir actores falar inglês com sotaque italiano) e as interpretações de Jim Caviezel (uma nova estrela?) e Maia Morgenstern são incrivelmente poderosas, dominando a obra do início ao fim (as personagens secundárias são geralmente limitadas). Seguindo à risca as Escrituras (embora ficcionando aqui e ali), Gibson cria um "blockbuster religioso" (Fernando Campos) convincente, embora algo fechado aos não-cristãos.
Outra pergunta corrente é: o filme é anti-semita? Não. Limita-se a seguir os Evangelhos e não distingue claramente os judeus como grupo a acusar e desprezar, mas essa suspeita pode ter sido incentivada pela facilidade irritante com que Gibson identifica os maus da fita (Caifás, Barrabás, os soldados romanos que flagelam Jesus, um dos dois outros crucificados, o próprio Diabo, etc.), desenhados de forma superficial.
O filme é demasiado violento? Sim. É certo que a intenção era mostrar tudo o que Jesus sofreu para remir os pecados humanos, mas durante longos períodos é só isso que "A Paixão..." tem para mostrar: o sofrimento de Cristo, sem nada que o enquadre. As cenas mais chocantes tornam-se aborrecidas. Quanto à função evangelizadora, a verdade é que os "flash-backs" nos quais se recriam as citações mais famosas de Cristo são bem mais comoventes que o corpo do protagonista a escorrer sangue.
Valeu a pena fazer esta nova adaptação dos Evangelhos? Em termos financeiros, claro que valeu. Quanto ao lado artístico, reconheça-se que se produziu uma obra de grande impacto visual e intensidade emocional que é necessário ver, apesar dos seus exageros.
A melhor cena: Maria aproxima-se de Jesus quando este cai ao transportar a cruz.
A pior cena: O "mau ladrão" é bicado por um corvo.
Nota: 6/10.
sexta-feira, março 26, 2004
A Paixão segundo o ICAM
O ICAM divulgou a lista dos 20 filmes mais vistos nos cinemas portugueses entre 11 e 17 de Março de 2004, indicando, como é hábito, a receita e o número de espectadores das produções (não deixando de apontar em quantas salas foram exibidas durante a semana). Este período assume particular interesse por ser a primeira semana de “A Paixão de Cristo”, o filme-fenómeno de Mel Gibson, no circuito comercial português. A imprensa já tinha noticiado uma forte afluência de espectadores desejosos de ver se a obra era mesmo muito, muito violenta ou simplesmente muito violenta. O “Diário de Notícias” de 16 de Março anunciava que “O filme de Mel Gibson ‘A Paixão de Cristo’ fez mais de 100 mil espectadores nos primeiros 4 dias de exibição em Portugal”. A 23 de Março, o “Público” afirmava que “Logo na primeira semana, 105 mil espectadores viram o filme”.
Assim, os dados do pdf apresentado pelo ICAM revelam que “A Paixão de Cristo”, exibido em 22 salas, teve nessa semana 84.501 espectadores. Obteve o primeiro lugar da tabela, claro, mas a cifra não é tão esmagadora quanto os jornais citados fazem crer (é verdade que ainda nem todas as salas de cinema portuguesas fornecem as suas estatísticas ao ICAM, mas como se explica que a imprensa tenha dados diferentes?). Quanto ao resto da tabela, destaque para o segundo e terceiro classificado, respectivamente “Alguém Tem que Ceder” (presente em mais salas que a obra de Gibson), líder das duas semanas anteriores, com 36.568 bilhetes vendidos, e esse produto alvo de tanta atenção da crítica, “Torque – A Lei do Mais Rápido” (21.418). A partir daí, os números são modestos (a grande estreia pode ter obscurecido as outras fitas em cartaz). Curioso é o regresso de “Matrix Revolutions” (14º lugar), projectado em duas salas e visto por 3.414 almas (339.158 desde a estreia, já agora). Assim vão as bilheteiras da nossa nação.
Assim, os dados do pdf apresentado pelo ICAM revelam que “A Paixão de Cristo”, exibido em 22 salas, teve nessa semana 84.501 espectadores. Obteve o primeiro lugar da tabela, claro, mas a cifra não é tão esmagadora quanto os jornais citados fazem crer (é verdade que ainda nem todas as salas de cinema portuguesas fornecem as suas estatísticas ao ICAM, mas como se explica que a imprensa tenha dados diferentes?). Quanto ao resto da tabela, destaque para o segundo e terceiro classificado, respectivamente “Alguém Tem que Ceder” (presente em mais salas que a obra de Gibson), líder das duas semanas anteriores, com 36.568 bilhetes vendidos, e esse produto alvo de tanta atenção da crítica, “Torque – A Lei do Mais Rápido” (21.418). A partir daí, os números são modestos (a grande estreia pode ter obscurecido as outras fitas em cartaz). Curioso é o regresso de “Matrix Revolutions” (14º lugar), projectado em duas salas e visto por 3.414 almas (339.158 desde a estreia, já agora). Assim vão as bilheteiras da nossa nação.
segunda-feira, março 22, 2004
E saí um dvd!
Realmente isto dos dvd está a deixar tudo doido. Agora um quiosque tem mais dvds que jornais sendo que em qualquer lugaraparece uma pequena fnac.
Posso afirmar que sou um comprador de dvds bastante regular e tendo em conta o mercado que a internet cada vez mais possibilita asseguro que comprar logo assim que se vê em Portugal é um tremendo erro. Os preços praticados pelas lojas em Portugal (exceptuando as cada vez mais frequentes promoções) são cerca de 1/3 mais caras que no estranjeiro já contando com os portes de correio. E isto assegura qualidade? Pois esse é o grande problema... Dividindo o problema temos:
1) Erros nas capas
2) Pessimos desenhos e montagens para as mesmas
3) Legendagem em Português quase brasileiro (ver por ex. a Alien Quadiology)
4) Extras sem legendas
5) Filmes em Português sem legendas para deficientes auditivos
Para não falar de outros erros pontuais, a diferença de preços não compensa minimante.
Posso afirmar que sou um comprador de dvds bastante regular e tendo em conta o mercado que a internet cada vez mais possibilita asseguro que comprar logo assim que se vê em Portugal é um tremendo erro. Os preços praticados pelas lojas em Portugal (exceptuando as cada vez mais frequentes promoções) são cerca de 1/3 mais caras que no estranjeiro já contando com os portes de correio. E isto assegura qualidade? Pois esse é o grande problema... Dividindo o problema temos:
1) Erros nas capas
2) Pessimos desenhos e montagens para as mesmas
3) Legendagem em Português quase brasileiro (ver por ex. a Alien Quadiology)
4) Extras sem legendas
5) Filmes em Português sem legendas para deficientes auditivos
Para não falar de outros erros pontuais, a diferença de preços não compensa minimante.
domingo, março 21, 2004
Não ver este filme é Pekar!!!!!!!!!!
O filme American Splendor é desde já a maior surpresa do Ano.
Este filme que é um filme de ficção e documentário da mesma "estranha" maneira que a BD, é único, pessimista e obrigatório. Possivelmente a melhor e mais original (possivelmente complexa) adaptação de um comic ao cinema.
O argumento pecou por existir um Senhor dos Aneís em ano de supremacia forçada, uma vez que este é a meu ver o melhor argumento adaptado do ano de 2003.
Tudo é perfeito, desde o magnífico trabalho dos actores ao estranho e genial trabalho de realização.
Nada como ver este filme para respirar um pouco de ar puro e deixar de lado o tradicional blockbuster com a pipoca regada a coca-cola.
Classificação: 5 (0-5)
Este filme que é um filme de ficção e documentário da mesma "estranha" maneira que a BD, é único, pessimista e obrigatório. Possivelmente a melhor e mais original (possivelmente complexa) adaptação de um comic ao cinema.
O argumento pecou por existir um Senhor dos Aneís em ano de supremacia forçada, uma vez que este é a meu ver o melhor argumento adaptado do ano de 2003.
Tudo é perfeito, desde o magnífico trabalho dos actores ao estranho e genial trabalho de realização.
Nada como ver este filme para respirar um pouco de ar puro e deixar de lado o tradicional blockbuster com a pipoca regada a coca-cola.
Classificação: 5 (0-5)
sexta-feira, março 19, 2004
Alternativas
Estreou ontem em Espanha o novo filme de Pedro Almodóvar, "La Mala Educación". O aparecimento de uma obra de um cineasta de culto é sempre de realçar, até porque, politicamente correcto como sempre, Almodóvar aborda desta vez temas como a Igreja Católica e a pedofilia. Em Maio, "La Mala Educación" chega a Portugal. Voltarão os aplausos gerais que acolheram as anteriores duas longas-metragens deste realizador? A propósito de Almodóvar, chegou recentemente ao mercado de vídeo/DVD um dos seus dramas (só são classificados como comédias devido à "anormalidade" das personagens criadas por Almodóvar) mais bizarros, "Kika" (1993). A extravagância da narrativa e da realização é por vezes exagerada (a sequência da violação... só vista) e alguns diálogos arrastam-se um pouco, mas trata-se de uma daquelas obras que, com um ou outro defeito, divertem imenso, precisamente por serem tão diferentes e "alternativas". Há só um momento que, actualmente, não é muito agradável por motivos exteriores ao filme: uma cena filmada na estação de Atocha (um pouco como todas as fitas, sobretudo as mais recentes, que mostram o WTC de pé)...
O cinema Mundial fechou as portas por falta de segurança das salas e, sobretudo, pelas escassas receitas da bilheteira. A diversidade do mercado lisboeta sofreu um golpe e a Lusomundo eliminou a anomalia na sua máquina de venda de pipocas (a qualidade do espaço não era, de facto, impressionante, mas a programação detinha originalidade, obrigando os críticos a suportar o cheiro do milho).
O cinema Mundial fechou as portas por falta de segurança das salas e, sobretudo, pelas escassas receitas da bilheteira. A diversidade do mercado lisboeta sofreu um golpe e a Lusomundo eliminou a anomalia na sua máquina de venda de pipocas (a qualidade do espaço não era, de facto, impressionante, mas a programação detinha originalidade, obrigando os críticos a suportar o cheiro do milho).
quarta-feira, março 17, 2004
Factos e palpites
No meio da blogosfera cinéfila, há espaços que adoptam um conteúdo sobretudo informativo, divulgando as notícias/rumores mais recentes sobre o mundo da 7ª Arte (filmes que irão ser feitos, filmes que talvez venham a ser feitos, filmes que afinal não vão ser feitos, festivais de cinema, Óscares e derivados, etc.), e outros que apostam quase exclusivamente em textos opinativos, dando os seus autores a conhecer o prazer ou a repulsa que determinada obra cinematográfica por eles visionada lhes provocou. O melhor será combinar essas duas tendências, exercendo a doce função da crítica mas mantendo alguma atenção à actualidade da produção de fitas, sempre com uma visão pessoal.
Alguns sites interessantes seguem habilmente essa orientação, como o Cineblog, de JB Martins (actualizado diariamente e com uma pesquisa bastante completa dos últimos "trailers" e novidades disponibilizados ao público, mas também com boas críticas a filmes no cinema ou em vídeo/DVD, além de uma lista útil de "links" para outros blogues da mesma área temática) ou o Cinemaonline, de Tiago Teixeira (aqui valorizando sobretudo a informação, transmitida em artigos extensos, e por isso publicados de forma mais ou menos irregular, mas detendo uma perspectiva crítica acerca de factos como a entrega dos Óscares ou a introdução do "ranking" das bilheteiras portuguesas).
No nosso caso, vamos fazendo alguns comentários supostamente divertidos acerca do contexto que envolve os últimos filmes (como passar ao lado, por exemplo, da expectativa em torno de "A Paixão de Cristo", que já conta com mais de 100 mil espectadores em Portugal?), mas um pouco ao acaso, reconheço, sendo por isso aconselhável visitar os "links" à direita e blogues como os atrás referidos para ter uma panorâmica actualizada do cinema tal como é visto no nosso país.
Alguns sites interessantes seguem habilmente essa orientação, como o Cineblog, de JB Martins (actualizado diariamente e com uma pesquisa bastante completa dos últimos "trailers" e novidades disponibilizados ao público, mas também com boas críticas a filmes no cinema ou em vídeo/DVD, além de uma lista útil de "links" para outros blogues da mesma área temática) ou o Cinemaonline, de Tiago Teixeira (aqui valorizando sobretudo a informação, transmitida em artigos extensos, e por isso publicados de forma mais ou menos irregular, mas detendo uma perspectiva crítica acerca de factos como a entrega dos Óscares ou a introdução do "ranking" das bilheteiras portuguesas).
No nosso caso, vamos fazendo alguns comentários supostamente divertidos acerca do contexto que envolve os últimos filmes (como passar ao lado, por exemplo, da expectativa em torno de "A Paixão de Cristo", que já conta com mais de 100 mil espectadores em Portugal?), mas um pouco ao acaso, reconheço, sendo por isso aconselhável visitar os "links" à direita e blogues como os atrás referidos para ter uma panorâmica actualizada do cinema tal como é visto no nosso país.
sexta-feira, março 12, 2004
Os dez magníficos
Merece aplausos a iniciativa (que só peca por tardia) do ICAM de, através de um acordo estabelecido com as distribuidoras, calcular e divulgar ao público (todas as sextas-feiras, no "site" do ICAM e, espero, na imprensa) as receitas dos filmes mais vistos em Portugal na semana anterior, tal como se faz nos restantes países da UE. O “Público” de hoje apresenta um primeiro exemplo, consistindo no “top 10” do período entre 26 de Fevereiro e 3 de Março deste ano.
Assim, na antepenúltima semana cinéfila, só “Alguém Tem que Ceder” obteve resultados impressionantes (54.748 espectadores e 228.391,45 milhares de euros de receita), ficando bem longe do segundo classificado, “Scary Movie 3 – Outro Susto de Filme”, com apenas 25.148 bilhetes vendidos (embora se deva ter em conta que a obra de David Zucker se encontrava já na sua terceira semana de exibição). A seguir na lista encontram-se, sem grandes surpresas, as fitas estreadas ultimamente nos multiplexes, com “Pago para Esquecer”, projectado em mais salas (39) que qualquer outro dos membros do “top”, na terceira posição e “Cold Mountain” em quarto lugar. Já no final, temos dois casos de cinema americano mais “minoritário”, com “O Amor é um Lugar Estranho” e “Monstro” (exibidos, respectivamente, em 7 e 8 salas). A obra de Sofia Coppola, provavelmente beneficiada pelos Óscares, parece deter uma longevidade nos cinemas digna de registo.
Isto é óptimo. Vamos a ver as semanas seguintes. Só há o problema de passarem a haver provas de que raramente uma longa-metragem portuguesa sai do quase anonimato.
Assim, na antepenúltima semana cinéfila, só “Alguém Tem que Ceder” obteve resultados impressionantes (54.748 espectadores e 228.391,45 milhares de euros de receita), ficando bem longe do segundo classificado, “Scary Movie 3 – Outro Susto de Filme”, com apenas 25.148 bilhetes vendidos (embora se deva ter em conta que a obra de David Zucker se encontrava já na sua terceira semana de exibição). A seguir na lista encontram-se, sem grandes surpresas, as fitas estreadas ultimamente nos multiplexes, com “Pago para Esquecer”, projectado em mais salas (39) que qualquer outro dos membros do “top”, na terceira posição e “Cold Mountain” em quarto lugar. Já no final, temos dois casos de cinema americano mais “minoritário”, com “O Amor é um Lugar Estranho” e “Monstro” (exibidos, respectivamente, em 7 e 8 salas). A obra de Sofia Coppola, provavelmente beneficiada pelos Óscares, parece deter uma longevidade nos cinemas digna de registo.
Isto é óptimo. Vamos a ver as semanas seguintes. Só há o problema de passarem a haver provas de que raramente uma longa-metragem portuguesa sai do quase anonimato.
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