quinta-feira, fevereiro 26, 2004

Fitas na TV

“Sexo, Mentiras e Vídeo”, de Steven Soderbergh (Hollywood)

Ao ganhar a Palma de Ouro de Cannes e sendo nomeado para o Óscar de Melhor Argumento Original, Soderbergh irrompeu em 1989 como um dos mais promissores cineastas americanos. A sua primeira longa-metragem tornou-se um clássico do cinema “indie” (e inspirou numerosos títulos jornalísticos), embora o realizador tenha entrado nos anos seguintes numa fase “obscura”, não conseguindo impor o seu nome até finais da década de 90, quando, como se sabe, assinou vários êxitos críticos e comerciais, vindo a receber uma estatueta.
Ainda hoje, “Sexo, Mentiras e Vídeo” constitui um objecto singular. O célebre título indica os ingredientes da história, limitada quase exclusivamente a quatro personagens, que ao longo de hora e meia falam sobre sexualidade, sem quaisquer tabus. Além de falar, fazem (pelo menos duas delas), mas Soderbergh nunca nos mostra órgãos genitais ou outras partes íntimas, limitando-se a sugerir e conseguindo precisamente assim um forte erotismo.
As bizarrias (ou nem tanto) dos protagonistas e a evolução das relações entre eles conferem dinamismo a um argumento simples (e filmado sem grandes recursos), marcado pelos diálogos de elevada qualidade, que nunca caem no mau gosto. A realização de Soderbergh ainda não possui grande arrojo e traços típicos do cinema independente retardam um pouco o ritmo, mas o interesse do espectador nunca se perde. A banda sonora é bastante cuidada e liga-se na perfeição às imagens.
Dos quatro actores principais, destacam-se James Spader (calmo e contido, como em “A Secretária”) e Andie McDowell (anúncios televisivos à parte, o que é feito dela?), os quais constituem a imagem mais forte de uma obra feita a pensar sobretudo na crítica, mas transmitindo uma impressão de talento e qualidade ainda hoje presente no trabalho de Soderbergh.
A melhor cena: Ann beija Graham.
A pior cena: John e Cynthia falam pela última vez.

Nota: 7/10.

“A Fúria do Herói”, de Ted Kotcheff (TVI)

Seja ou não porque “Rocky” é já demasiado antigo (e as últimas sequelas não tiveram grande impacto), Sylvester Stallone ainda hoje “é” Rambo, mesmo para aqueles que não conhecem os filmes nos quais participou. Um dos maiores ícones do cinema americano surgiu na tela pela primeira vez em “A Fúria do Herói” (“First Blood”), um filme de 1982 que apresenta o veterano do Vietname como um símbolo da inadaptação dos ex-combatentes à vida civil e da hostilidade que lhes é dirigida. Divergindo em relação ao romance que serviu de base à fita, o argumento disponibiliza o herói para aventuras futuras. Por enquanto, Rambo combate a polícia de uma pequena cidade, que embirra com ele e lhe resolve dar caça.
É ao fazer a ligação entre o presente e os traumas do passado do guerreiro, nomeadamente através da intervenção do personagem de Richard Crenna, que a obra de Kotcheff ganha maior valor. A ira e o desespero do protagonista são expressos por Stallone da melhor maneira que consegue (o que não é grande coisa), nas escassas frases que profere. De resto, temos uma fita de acção típica dos anos 80, com abundantes tiros e explosões (embora pouco sangue) à medida que decorre a luta entre Rambo e os personagens secundários estereotipados. A realização e a montagem limitam-se a seguir, sem darem grande sinal de si, as peripécias mais ou menos interessantes que ocorrem.
Dizer que “A Fúria do Herói” é um bom filme é algo exagerado, mas a verdade é que entretém e tem pés e cabeça, satisfazendo as expectativas dos fãs do género. Será que hoje em dia alguém faria uma obra de acção “um-contra-todos” tão “clássica”?
A melhor cena: Trautman apresenta-se ao xerife Teasle.
A pior cena: Rambo é lavado.

Nota: 5/10.

quarta-feira, fevereiro 25, 2004

A Bíblia no multiplex

O início da Quaresma foi a época do ano escolhida para dar a conhecer ao mundo “The Passion of the Christ”, o (hiper) polémico filme bíblico de Mel Gibson que há quase um ano provoca as mais variadas reacções nos EUA, como se pode ler no "Público" de hoje. As acusações de parcialidade e potencial anti-semitismo da visão da crucificação de Cristo proposta por Gibson, lançadas por associações judaicas e até por alguns clérigos cristãos (embora, de um modo geral, tanto católicos como protestantes que já viram o filme tenham emitido juízos positivos), criaram um ruído tal à volta da película que o interesse e a expectativa dos espectadores americanos são quase comparáveis ao que acontece com as obras de George Lucas (algumas das 4000 salas onde “The Passion” será exibido realizarão sessões às 6:30 da manhã, de modo a satisfazer a procura). As previsões dos grandes estúdios (que rejeitaram apoiar o projecto de Gibson, pouco confiantes na comercialidade de uma longa-metragem com legendas e um tema distante da linha habitual dos “blockbusters”) parecem prestes a ser desmentidas.
Não teremos de esperar muito para ver como é afinal esse regresso do Novo Testamento ao cinema, uma vez que a obra estreará nas salas da Lusomundo em 11 de Março. A intenção dos distribuidores é aproveitar ao máximo a eventual compra maciça de bilhetes, até por parte de gente que não costuma ir muito ao cinema.
Até lá, resta-nos observar a reacção da crítica (supostamente para lá das questões religiosas), avaliando “The Passion” como objecto artístico.

domingo, fevereiro 22, 2004

Imprensa

Enquanto o “Público” vai concluindo a Série Y, o “Diário de Notícias” lança uma nova colecção de DVDs (Cine Clube DNA), com títulos seleccionados (entre as obras do catálogo da Lusomundo?) pelo conceituado João Lopes. As duas primeiras fitas a serem postas a venda (“Apocalypse Now Redux” e “Vigaristas de Bairro”) mostram que acabou de vez a colecção possidónia de 2003. Agora o nível é mais elevado, tanto quanto ao rol de longas-metragens quanto à publicidade (bem melhor que os trocadilhos do “Público”, diga-se).

O regresso de Ron Howard à realização, com “Desaparecidas”, despertou forte interesse por parte do painel de críticos do diário dirigido por José Manuel Fernandes. Todos os quatro especialistas visionaram a nova obra de Howard. Para além da relativa raridade de um filme americano ser comentado por todos os membros do painel, é de destacar a igual classificação por eles atribuída: bola preta, foi a decisão unânime (dois críticos do DN, mais generosos, concedem a “Desaparecidas” uma modesta estrelinha). Normalmente, apenas um ou dois membros do grupo sacrificam-se e visionam obras comerciais que cheiram de longe a mediocridade, mas desta vez o desanque foi total e impiedoso (o painel do “Público” já se tinha unido antes, mas para elogiar, como aconteceu com “Lost in Translation”). Não sei ainda o que se passou noutras publicações (nomeadamente o “Expresso”), mas não se pode dizer que a última produção do cineasta oscarizado de “Uma Mente Brilhante” tenha sido recebida de braços abertos pela crítica portuguesa.

sábado, fevereiro 21, 2004

Humor cinéfilo

Algures nas profundezas da Net portuguesa existe uma página na qual se encontram alguns textos humorísticos parodiando os clichés do cinema americano (todo o tipo de situações que provocam o comentário "isto só nos filmes"). As recolhas de situações absurdas das longas-metragens de Hollywood são já um pouco antigas ("Independence Day" é um dos principais alvos) e as anedotas do último texto nem sempre são hilariantes, mas ainda é interessante ler enumerações de tudo aquilo que nunca acontece na vida real mas faz parte do dia-a-dia dos heróis e vilões de além-Atlântico. As cenas mais dramáticas das fitas têm quase sempre um lado ridículo.

Qual o valor de 21 gramas?

Sem me alongar demais posso afirmar que este será um dos melhores filmes estreados em 2004. Realmente um magnífico filme em que o efeito especial são os actores. O argumento é simples mas permite aos actores a criação de personagens reais que vivem numa teia de angústia criada pela vida.

Del Toro é um actor do outro Mundo. Cria uma personagem de conflito, de redenção e de dúvida de um modo brilhante, desde a actuação ao seu trabalho físico e mesmo no seu aspecto físico. Penn surge novamente a um nível alto, tal como em Mystic River e a sua personagem tem o peso do fim da vida. Watts é uma guerreira nata, nunca caí no lugar comum de coitadinha e assume sempre o lugar de lutadora.

O realizador mexicano constroi a narrativa de maneira certa, uma vez que o argumento é muito simples e mesmo linear. A montagem e a realização é que o torna intenso, único e fazem com que o filme tenha duas horas sempre a um nível intenso, alto e colocando o espectador na dúvida do que virá a seguir ou como é que se chegou a este ponto?

Resumidamente 21 gramas valem 5 lindas estrelas.

A Cidade de Deus: discriminação

Sinceramente mais uma vez os editores de dvd em Portugal esquecem-se de fazer uma versão dos filmes com legendas em Português. Será que não conseguem perceber que a vantagem deste formato é poder facilmente ser alterado consoante o espectador que está a ver o filme? Uma coisa é ter legendas no cinema outra é ter legendas num formato em que facilmente se tiram.
Podem pensar que é caro fazer a legendagem. Se se pensar um pouco, estando já em Region 2 há algum tempo existem versões em inglês. Então é somente o trabalho de ver o filme e guardar as "falas" pois o estudo da altura em que elas entram está já feito para outras línguas. E como é traduzir de português para português é um trabalho rápido.

Um público que não oiça que filme poderá ver?
E ainda melhor. Eu compro filmes americanos e gosto mais quando os vejo com legendas para "apanhar" mesmo tudo. Os filmes de Region 1/2 têm quase sempre legendas. Visão comercial? Sim e também visão social.

Portugal tão pequenino nós somos

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

As piores pipocas

E já foram divulgadas as escolhas do site The Stinkers quanto ao pior que o cinema americano ofereceu em 2003. O filme mais premiado foi esse mesmo que imaginam, com Affleck e Lopez a verem a qualidade dos seus desempenhos reconhecida. Nem todas as decisões da lista são incontestáveis (não me parece que os efeitos de "Hulk" sejam assim tão maus), até porque, na categoria "Filme Mais Sobrestimado", seria impossível não ofender ninguém. Enfim, sempre é uma alternativa à avalanche de comentários acerca das estatuetas (os prémios de The Stinkers são simbolizados por sanitas, se não me engano).

terça-feira, fevereiro 17, 2004

Ainda não

Examinando o cartaz desta semana dos cinemas da região de Lisboa, verifica-se que "Portugal SA", de Ruy Guerra, nunca ocupa todas as sessões diárias das várias salas nas quais é exibido (sendo limitado frequentemente a uma ou duas projecções). A fita, produzida por Tino Navarro, vai apenas na sua terceira semana no circuito comercial. Parece que ainda não é desta que Navarro volta aos grandes êxitos dos anos 90.
Não vi ainda "Portugal SA" (nestas condições, vai ser difícil), por isso não posso julgar a sua qualidade, mas é curioso notar o aparente insucesso da película, tendo em conta que, ao contrário do que é habitual com o cinema português, a obra foi amplamente publicitada antes da sua estreia, nas salas, na imprensa (a Lusomundo, distribuidora do filme, possui várias publicações), na televisão ("teasers" exibidos na RTP) e até nas ruas e subterrâneos de Lisboa. O conteúdo da obra é claramente comercial e legível pelo grande público.
No entanto, os artigos acerca do último trabalho de Guerra foram poucos e a crítica esteve longe de o receber com carinho e compreensão. Nos "sites" especializados (7ª Arte, Cinema2000, C7nema), os comentários são escassos ou geralmente negativos (mesmo muito negativos, em alguns casos). Não existem, por enquanto, estatísticas, mas certamente que "Portugal SA" será um dos filmes portugueses mais vistos em 2004. O que não é nada de fantástico.
Com publicidade, distribuição e actores conhecidos (nomeadamente Diogo Infante), o que falhou? Em 2003, "A Mulher que Acreditava...", de João Botelho (esse inimigo férreo do actual cinema anglo-saxónico), esteve envolvido em circunstâncias semelhantes (incluindo os cartazes no Metro, com a fotografia da protagonista) e acabou por não gerar barulho ou simpatias. Que força invisível impossibilita o aparecimento de "blockbusters" portugueses? Mistério...

Spielberg tricampeão

Finalmente foram divulgados os resultados da votação na qual os visitantes do Cinema2000 puderam selecccionar os melhores filmes estreados em Portugal no ano de 2003. E o vencedor é, tal como em 2001 ("AI - Inteligência Artificial") e 2002 ("Relatório Minoritário"), Steven Spielberg, com "Apanha-me se Puderes" (em 2000, ao não estrear qualquer filme, Spielberg deixou o caminho livre para "Magnólia", o vencedor desse ano).
O povo português (mais exactamente, 122 dos seus membros) decidiu. A sua escolha revela poucas surpresas (Eastwood, Lee, Von Trier, Van Sant, Tarantino entre os primeiros), não havendo grandes concessões ao cinema "comercial" nem à produção lusitana. Será esta amostra representativa do que se passa nas bilheteiras (sobretudo nas bilheteiras de cinemas fora de Lisboa e não pertencentes ao grupo Medeia), ainda para mais quando o número de votantes diminuiu em relação ao ano anterior? Ou sou só eu que estou chateado porque os filmes que prefiro nunca ganham? Certo é que os detractores incondicionais do realizador de "Tubarão" parecem constituir um grupúsculo minoritário incapaz de lutar contra a tirania da maioria. Spielberg não só é o realizador americano mais famoso como é aquele cuja obra alcança um público maior e mais heterogéneo.
A nível dos piores filmes (desta vez também contemplados pelo Cinema2000) do ano passado, o mais mencionado nas escassas listas foi "Matrix Revolutions" ("Matrix Reloaded" não ficou entre os 20 mais), provavelmente por ter sido aquele que muitos foram "forçados" a ver e que defraudou profundamente as expectativas do público. Quem imaginaria esse fracasso há um ano?

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

Tóquio

“Lost in Translation – O Amor é um Lugar Estranho”

O que há de errado, mal feito, tremendamente ofensivo no segundo filme de Sofia Coppola? Ao contrário do que muita gente pensa, não é a sua falta de “verbalidade racional intrínseca”. É… bem… nada de importante (o ritmo da fita é por vezes lento, mas não é propriamente o tipo de história que envolva sexo, tiros e explosões). Acima de tudo, é uma obra de imenso bom gosto e por isso conquistou a admiração da crítica e do público. A nível de Óscares, não seria disparatado se ganhasse as estatuetas de Melhor Actor e Melhor Realizador.
“O Amor é um Lugar Estranho” (que poético) conta com uma banda sonora espantosamente envolvente combinada de forma bastante hábil com as imagens. As cenas de humor fogem ao exagero (nada de gritar aos espectadores: “Agora riam-se às gargalhadas”) e ao despropósito (não me parece que exista a intenção de caricaturar a cultura japonesa, mas apenas de destacar a inadaptação dos dois americanos ao ambiente local), com Anna Faris, agora sim, a divertir com a sua personagem. Bill Murray e Scarlett Johansson são inesquecíveis, tal como numerosos planos de Tóquio, captados com mão de mestre por Coppola. E o final, claro, só podia ser aquele. Nada a acrescentar.
Eis um filme que pode agradar quer aos fãs do cinema “intelectual” e inteligente quer a qualquer um que não se importe de assistir a uma história romântica (?) sem clichés. “O Amor é um Lugar Estranho” tornou Sofia Coppola uma cineasta de culto.
A melhor cena: Um táxi transporta Bob para o aeroporto.
A pior cena: Bob faz a barba.

Nota: 8/10.

P.S. Foi difícil, mas atingimos as 5000 visitas. Àqueles que (ainda) não nos abandonaram para sempre durante este difícil período de crise, o nosso muito obrigado.

sábado, fevereiro 14, 2004

Urina

“Scary Movie 3 – Outro Susto de Filme”

Se bem se lembram, em 2000 os irmãos Wayans, um grupo de actores e cineastas praticamente desconhecidos até então, fizeram sensação nas bilheteiras americanas com o seu “Scary Movie – Um Susto de Filme” (realizado por Keenan Ivory), uma comédia parodiando os filmes de terror adolescente (com “Gritos” como principal fonte de inspiração) e muitos outros, recorrendo a um humor nada subtil que fez os Farrelly parecer uns caretas. Em Portugal, o filme teve boa recepção, a avaliar pelas reacções do público que assistiu à sessão a que eu fui (uma cena envolvendo imenso esperma gerou uma manifestação única de histeria colectiva). Os Wayans lançaram-se imediatamente na produção de uma sequela, mas em 2001 o êxito não os bafejou da mesma forma. A direcção do projecto “Scary Movie 3” foi por isso entregue a novos argumentistas e ao realizador David Zucker, que não era propriamente um estreante na comédia. Com o irmão Jerry e Jim Abrahams, tinha formado o trio ZAZ, criador de “Aeroplano” (1980) e “Aonde é que Pára a Polícia” (1988), clássicos do género “comédia “nonsense” a gozar com os clichés de outros filmes a um ritmo de trinta “gags” por segundo”. Seria de esperar, portanto, uma renovação da série e uma abordagem divertida das produções recentes de Hollywood.
A verdade é que o terceiro “Scary Movie” deixa saudades do esperma dos Wayans (aqui substituído pela urina). A ligação com os outros filmes da série é feita pela protagonista, Anna Faris, e pelo tipo de humor predominante (piadas sobre órgãos sexuais masculinos e femininos, flatulência, negros, homossexuais, etc.). As obras que servem de referência ao filme de Zucker incluem, entre outras, “The Ring – O Aviso”, “Sinais”, “8 Mile” e os dois primeiros capítulos da saga “Matrix” (tendo em conta que “Matrix Reloaded” estreou em Maio e “Scary Movie 3” em Outubro do ano passado, é de destacar a actualidade do argumento), cujas cenas mais marcantes os actores recriam. É divertido? Nem por isso. Contam-se pelos dedos de uma mão as gargalhadas que a obra proporciona. A fita acaba por ser vítima da quantidade tremenda de piadas que apresenta sem um fio condutor decente que as ligue.
Leslie Nielsen procura remeter para o passado de Zucker e existem algumas ideias interessantes (as cenas com chamadas telefónicas, o padre pedófilo, Michael Jackson, etc.), mas são escassas num conjunto que simplesmente não funciona e é frequentemente previsível. O filme vê-se num abrir e fechar de olhos, mas não é por falta de tempo que não agarra o espectador. O primeiro “Scary Movie” ao menos ficou na história recente do cinema graças ao esperma. O terceiro tem pouco ou nada que o salve do esquecimento. Ah, sim, esperem, há a madre Teresa (numa cena mais absurda que provocadora), mas não é a mesma coisa.
A melhor cena: Michael Jackson é atacado por Tom Logan.
A pior cena: A tentativa de ressurreição.

Nota: 4/10.

P.S. A avaliar pela publicidade que antecedeu a projecção, o futuro próximo das salas da Lusomundo não é muito risonho. Os “trailers” de “A Filha do Meu Patrão”, “Pago para Esquecer” e “Desaparecidas” são de fugir.

quinta-feira, fevereiro 12, 2004

Pipocas rascas

Enquanto as nomeações para os Óscares causam forte debate, decorre nos EUA uma análise ligeiramente diferente da produção cinematográfica de 2003. Assim, vários filmes condenados ao esquecimento perpétuo recebem a oportunidade de um instante de glória através da nomeação para listas das piores "coisas" projectadas nas salas americanas no ano passado.
Além dos Razzies, existe The Stinkers, uma iniciativa promovida por um grupo de cinéfilos sempre atentos ao pior que Hollywood tem para oferecer. Os prémios por eles atribuídos incluem, além das categorias habituais (Pior Filme, Pior Actor Principal, etc.), inovações como Pior Falso Sotaque, Personagem Não-Humano Mais Irritante ou o polémico Filme Mais Sobrestimado. Além do rol de nomeados relativo a 2003, o site inclui as escolhas dos últimos 25 anos e as últimas novidades no que toca a longas-metragens de qualidade duvidosa.
As opiniões do grupo são sempre contestáveis, mas, avaliando pelas descrições dos filmes seleccionados, sente-se alívio por muitas fitas americanas não chegarem a Portugal ou ficarem confinadas aos videoclubes.

terça-feira, fevereiro 10, 2004

Palmadas

“A Secretária”, de Steven Shainberg

É isto o cinema "indie"? Poucos cenários e personagens, ritmo sem pressas, diálogos acompanhados por silêncio, temas politicamente incorrectos, nus (femininos) integrais... Não é melhor ou pior que o convencional, é sobretudo diferente. Com estes elementos, é possível produzir um disparate completo, mas não é esse o caso de "A Secretária".
Contado depressa, o argumento da fita não parece excessivamente original: trata-se da história da relação entre um advogado (James Spader) e a sua secretária (Maggie Gyllenhaal) e os avanços e retrocessos que conhece até ao final feliz. Enfim, uma comédia romântica. Visto de perto, é no mínimo curioso, não só por causa da abundância de cenas de sexo (não pensem, no entanto, que a obra se aproxima do porno), mas acima de tudo pelo seu conteúdo sado-masoquista (uma palavra que chama a atenção). Pronto, foi isso que retirou o filme do anonimato. Mas o realizador nunca nos mostra a acção de forma obscena ou desastrada (o erotismo é aqui, geralmente, mais subtil que explícito), construindo uma verdadeira história de amor, para lá da sua bizarria.
Maggie Gyllenhaal (fixem o nome) tem um desempenho fabuloso, quanto mais não seja pela maneira como se expõe. Spader também merece elogios (a serenidade aparente é a imagem de marca da sua personagem).
Apesar da sua evolução por vezes vagarosa e de personagens secundárias mal exploradas, temos aqui uma história com pés e cabeça. "A Secretária" (dificilmente exibível nas tardes televisivas de domingo) constitui uma alternativa credível aos "blockbusters".
A melhor cena: Várias pessoas visitam Lee durante a sua "greve".
A pior cena: Mulheres conversam à beira da piscina.

Nota: 7/10.



sexta-feira, janeiro 30, 2004

Autoria e comércio

Sem receio da polémica, Anabela Mota Ribeiro, depois de experiências traumáticas passadas num centro comercial, defende a distinção clara entre as salas que exibem cinema de autor, independente, ou simplesmente de qualidade e aquelas que divulgam obras comerciais e banais, normalmente americanas.
Os ambientes vividos nestes dois tipos de cinemas são muito diferentes, sobretudo quanto ao comportamento do público. O alvo de Ribeiro são, assim, os espaços que procuram combinar obras puramente artísticas com "blockbusters". Em Lisboa, que eu conheça, podem ser citados os exemplos dos multiplexes Alvaláxia, Monumental e Mundial, que misturam na sua programação longas-metragens dos dois géneros.
Parece-me exagerada a separação radical entre "bom" cinema, proveniente de todo o mundo, e "mau" cinema, produzido em Hollywood. É possível gostar tanto de um como de outro, até porque o cinema-pipoca, procurando sobretudo falar ao público e distraí-lo, pode também deter qualidade técnica e narrativa aceitável. Nem sempre nos apetece ver uma história profunda. É verdade que é muito positiva a diversificação da oferta cinéfila, mas não faz sentido pôr de lado o cinema "dependente" da terra dos Bush. Quanto ao espírito "futebolístico" de certos espectadores, não tem muito a ver com o cartaz das salas, mas sobretudo com hábitos culturais. Há cromos por toda a parte.
Não faz sentido barricarmo-nos no King ou no Nimas. Um multiplex como o Monumental oferece tanto do melhor (ou perto disso) que chega de terras europeias ou asiáticas como do hediondo cinema comercial americano (no qual Ribeiro parece incluir cineastas de talento como Spielberg ou Soderbergh). Quanto à barbárie das multidões pipoqueiras, o melhor é afastarem-se das salas da Lusomundo (excepto no caso de uma fita interessante que só esteja lá, é claro).

domingo, janeiro 25, 2004

O que ficou perdido em traduções?

O último filme de Sofia Coppola é algo que tem de ser descoberto. Um filme com um sentido de humor tão minimalista quanto genial. O argumento assenta sobre os pequenos elementos, sobre os pequenos detalhes dos rostos, dos corpos e sobretudo de Tokyo, aqui possivelmente retratada com há muito não se via uma metrópole num filme.
Os actores são a força do filme. Bill Murray é genial, minimalista e oferece uma força dramática ao que não diz, fazendo a sua interpretação dos olhares e à sua linguagem corporal.
Scarlett Johansson é tal como Murray soberba, tanto mais quando se pensa que ela tem dezanove anos. Consegue dar à sua personagem uma maturidade invulgar e ao mesmo tempo uma fragilidade que possibilita que as duas personagens combinem.
Sofia Coppola é talentosa, filma tudo com planos belissímos, é vai do mais arrojado ao mais minimalista com a segurança dos grandes mestres.
O primeiro clássico do ano que poderia naturalmente concorrer aos prémios principais como Filme, Realizador, Actor e Actriz Principal e argumento, mas o seu cariz independente feito em 27 dias não o vai permitir.

5- (0-5)

Resposta:
Possivelmente foi o amor

sexta-feira, janeiro 23, 2004

Estrelas

Ao que parece, Scarlett Johansson, a jovem actriz de "Lost in Translation" e "A Rapariga do Brinco de Pérola", está a causar forte sensação em Hollywood. E isso quer dizer chuva de projectos, cobertura mediática, etc. Parece ter sido criada uma nova estrela.
O que é uma estrela de cinema? Dispensando interpretações sociológicas, trata-se de um homem ou uma mulher, com beleza e talento para representar (consensual ou não) que dá nas vistas através de um trabalho esforçado numa ou mais fitas de média dimensão que se tornam êxitos surpreendentes. Despertada a atenção do público e da crítica, o indivíduo passa a obter papéis de peso crescente, até se tornar o centro gravitacional das fitas em que participa, ocupando o seu rosto não menos de 87% do espaço do cartaz publicitário. Conhecida por todos através da reprodução do seu nome e da sua imagem em revistas especializadas e, depois, em todo o tipo de publicações, que seguem a sua vida privada, a criatura torna-se uma fonte tremenda de receitas para os estúdios, confiantes na multidão de fãs, que podem mesmo salvar do fracasso projectos medíocres nos quais se enfie o ídolo.
Este modelo, do qual são Tom Cruise e Julia Roberts são os máximos representantes nos EUA, acaba por não ser reproduzido com excessiva frequência. Nos últimos quatro anos, ao lote de actores "pesados" da indústria americana acrescentaram-se, em ritmo moderado, nomes como Halle Berry, Vin Diesel, Kirsten Dunst ou Reese Witherspoon. Talvez uns dois actores por ano entrem para a nossa memória comum. A renovação não é, assim, demasiado visível nos "blockbusters".
Em Portugal, um país pequenino e sem indústria cinematográfica, as caras que surgem no grande ecrã não são, geralmente, diferentes das que aparecem no pequeno. No que ao cinema diz respeito, nesse período de quatro anos, irrompeu, talvez, Beatriz Batarda (acarinhada por alguma imprensa), mas o tipo de filmes em que entra por cá leva a que ainda esteja longe de se ver numa fotografia de corpo inteiro com o seu nome por cima da cabeça e o título colorido de uma fita à frente.

quinta-feira, janeiro 22, 2004

Novidades, nem só no Continente

Depois de muito tempo sem postar, aproveito para chamar a atenção para dois novos (ou, pelo menos, infelizmente só agora os descobri) blogues portugueses sobre cinema (com espaço para comentários) que prometem dar que falar, pela informação contida nos textos e pelo recurso frequente a imagens e meios audiovisuais.
O Divã do Cinéfilo, filial de um blogue generalista, apresenta-nos alguns "posts" do misterioso PM (que teve a gentileza de se lembrar de nós), abordando quer apreciações críticas de longas-metragens (neste caso, "O Último Samurai", alvo de fortes elogios) quer notícias (e conjecturas) sobre os "blockbusters" aracnídeos que aí vêm.
Depois da obscuridade do seu anterior espaço, Tiago Costa ressurge em força através de About Movies, com um visual e conteúdos mais atractivos e completos, sendo de destacar não só o "top 2003" ilustrado como as novidades sobre "The Passion of Christ". Todos ficaremos a ganhar com uma participação mais frequente do bloguista.


quinta-feira, janeiro 15, 2004

Censura: sim ou não?

É uma boa notícia que a obra integral de Tex Avery seja editada em DVD. Eu vi (quando a RTP2 as exibia) algumas das curtas-metragens de animação produzidas nos anos 40 e 50 por esse realizador e posso garantir que se tratam das comédias mais originais e divertidas já produzidas em cinema, bem melhores que as dos Looney Tunes (em cuja criação Avery colaborou). O ritmo alucinante, o humor "nonsense" e o conteúdo politicamente incorrecto dos argumentos, em que os próprios heróis nem sempre são impolutos, resultam numa obra de génio (muito apreciada pela crítica). O problema é que a Warner recorreu à censura para impedir que as fitas mais marcadas pelo "espírito do tempo" surgissem na colectânea. Para além de os delírios de Avery não serem 100% destinados às crianças, não seria melhor integrar as situações mais polémicas no seu contexto histórico e mostrar não só as qualidades mas também os defeitos do cineasta, de forma a que possa ser plenamente compreendido?

P.S. A revista C de Crítica, de que já aqui falei, regressou finalmente.

terça-feira, janeiro 13, 2004

Toneladas de pipocas vendidas

A Lusomundo revelou a lista das dez longas-metragens mais vistas nas suas salas (grande parte da oferta em Portugal) no passado ano de 2003. Que dizer? É certo que a Lusomundo não exibe todos os filmes que chegam a Portugal (evitando o mais possível aqueles que poderão ser elogiados pela crítica), mas este rol não deixa de constituir uma amostra importante. O êxito de "À Procura de Nemo" está longe de surpreender, o mesmo já não acontecendo com "Johnny English" (Portugal ama Rowan "Bean" Atkinson) ou com obras que foram fuziladas nos poucos artigos sobre elas escritas, como "Velocidade Mais Furiosa" e "Lara Croft: O Berço da Vida".
Sequelas de grandes sucessos costumam ser grandes sucessos também. O público é menos exigente que os críticos que o "representam". A publicidade é mais importante que as referências na imprensa (especializada ou não). Uma boa distribuição é decisiva para que uma fita chegue a muita gente. Os jovens são reis e senhores nas bilheteiras. Há mais conclusões óbvias e simples que se possam tirar?

P.S. Não sei como, mas ontem ultrapassámos as 4000 visitas. Obrigado a quem costuma parar por cá uns segundos.

O início da 2:

Na sua primeira semana de emissão, a 2: exibiu dois filmes portugueses, um na rubrica "Grande Ecrã" e outro no já clássico "Onda Curta". Essas obras foram, respectivamente...

"A Falha", de João Mário Grilo

Adaptando um romance (a estrutura cheia de analepses e prolepses do filme é mais comum na literatura que no cinema) de Luís Carmelo, o crítico e cineasta João Mário Grilo recrutou um grupo de actores de primeira (Alexandra Lencastre, Rogério Samora, Rita Blanco, Adriano Luz, João Lagarto, etc.), entregou-lhes as personagens de um grupo de antigos colegas de liceu que se reúnem após um longo período de afastamento e procurou que exprimissem as marcas e desilusões do pós-25 de Abril através das reacções das criaturas após um acidente numa pedreira (filmado com os efeitos especiais possíveis...) que praticamente as isola do mundo.
Mas, tal como o título indica, a ideia falhou. Não se pode dizer que a narrativa evolua mal até à tragédia (à excepção dos "flashbacks" supérfluos), mas a partir daí tudo o que vemos são os actores a debitar diálogos terríveis e a comportar-se de forma incompreensível. O conteúdo político-social da obra é difícil de descortinar (há uma referência forçada e despropositada à guerra colonial) e o desfecho insólito só confirma a impressáo de que estiveram a gozar connosco durante quase hora e meia.
A melhor cena: O depoimento de Elsa.
A pior cena: Um crime horrendo é cometido.

Nota: 4/10.

"Crónica Feminina", de Gonçalo Luz

Protagonizada pelas magníficas Ana Bustorff e Maria João Luís, esta curta-metragem (26 minutos) chegou ao circuito comercial graças à Zero em Comportamento, que a exibiu sem o complemento de qualquer "longa" (uma ideia rara mas adequada à qualidade do objecto).
Vagamente inspirado em duas crónicas de António Lobo Antunes, "Crónica Feminina" é uma história de mulheres urbanas (a bela fotografia reforça o ambiente citadino) com sérios problemas sentimentais, apresentados geralmente em tom de comédia. A obra é prejudicada pela sua duração (havia material para mais tempo), sucedendo-se as peripécias de forma algo apressada. No entanto, a dinâmica e comicidade do argumento, a repulsa de Gonçalo Luz pelos planos fixos e o aspecto "moderno" da fita resultam numa obra bem interessante.
A melhor cena: Branca e Sónia confessam amargamente os seus males.
A pior cena: O "monologo romântico" no restaurante.

Nota: 7/10.

domingo, janeiro 11, 2004

Darkman - O Homem das Trevas

Realmente após um grande zapping Sábado encontrei uma preciosidade no Canal Hollywood, Darkman de Sam Raimi. Este filme de 1990 é prodígio do cinema de entertenimento, com uma realização inspirada, personagens bem desenvolvidas e uma banda sonora muito interessante de Danny Elfman que Raimi posteriormente repescou para o seu "Homem-Aranha".
Sendo eu um grande fã de comics, este filme que foi realizado porque Sam Raimi gostava de realizar "The Shadow" mas não conseguiu os direitos dos Comics. Assim fez o que ninguém faz actualmente, imaginou um novo (anti)herói assustador e cujo poder é somente substituir a cara com proteses que duram 99 minutos e a ausencia de dores nos seus braços provocada por grandes queimaduras.
A quem procura boas adaptações de comics digo para darem uma vista de olhos a este filme cujo maior problema é estar editado numa edição de Dvd antiga, muito cara e pobrezinha.

Ao lado de Unbreakable como o melhor filme de comics.

sexta-feira, janeiro 09, 2004

Coisas

a) De acordo com o 7ª Arte, "Lost in Translation" será exibido em Portugal com o subtítulo "O Amor é um Lugar Estranho". De facto, fica muito mais no ouvido que o título original do filme de Sofia Coppola... A febre dos subtítulos continua a afectar Portugal, onde, pelos vistos, a imaginação (e a sensibilidade poética) é muito maior que nos EUA.

b) A estreia de "Kill Bill 2" foi adiada para Abril ou Maio. Nessa altura, já estará no mercado o DVD do volume I. Faria muito mais sentido vender os dois filmes em conjunto, mas não seria tão rentável.

c) Um pouco tardiamente, destaco a intenção altruísta de Tino Navarro: com obras como "Portugal S.A." (que está a ser bem publicitado), não pretende apenas enriquecer mas também alertar o público para o que se passa no seu país (crise de valores, excessivo poder da Igreja, etc.) e motivá-lo a mudar a situação. Nada má ideia, essa de fazer cinema de intervenção, mas, pelo que aparece nos "teasers", a longa-metragem de Ruy Guerra parece ter sobretudo muito sexo (bom para estimular a revolta popular) e alguns estereótipos.

d) A propósito da estreia de "O Fascínio", Mário Jorge Torres escreveu no "Público" que não vale a pena os cineastas lusitanos tentarem adequar os seus filmes ao gosto do público (fazendo "Preto e Branco", por exemplo) porque este rejeita-os imediatamente, motivado pelo preconceito. Ou seja, é como dar pérolas a porcos. É verdade que essas ideias preconcebidas sobre as longas-metragens nacionais existem (e eu também sou influenciado por elas, admito-o), mas dizer que assim não vale a pena é um exagero simplista. Alguns projectos "comerciais" como "Os Imortais" possuem de facto algum impacto.

quinta-feira, janeiro 08, 2004

Larry Clark e mundo adolescente

Nestes tempos difíceis para a sociedade Portuguesa estrea o segundo filme em menos de seis meses de Larry Clark, Bully (já tinha estreado em Agosto Ken Park).
Sei que vou tocar num assunto delicado mas não quero fugir a uma dúvida que me perturba e que me ocorre de cada vez que um filme deste realizador estreia e é aclamado por generalidade da crítica. Passo a perguntar:
- Que devo pensar de um cineasta que em entrevista diz que os actores de Ken Park nunca tinham tido experiências sexuais e que a primeira vez que tiveram foi no filme e pelo que me parece em manage e sexo oral? Pior que isso ,disse que os actores se apaixonaram pela rapariga. Será que os actores foram alertados que a vida real poderá ser diferem que aquela situação aberrante vinda da mente do Clark? Questiono-me que sociedade temos nós que consegue idolatrar este realizador e que "alimenta" o público cinéfilo com estreias dos seus filmes mesmo repescando aqueles mais esquecidos? Não estaremos já fartos de ver pessoas com realidades sexuais bastante más nos telejornais para alimentar o ego de um cineasta que disse ainda que ficou contente por ter conseguido o plano da ejaculação do jovem? Será que eu é que só um retrogado e que vale tudo para se criar arte?

segunda-feira, janeiro 05, 2004

Mais uma lista...

OK. Chegou a minha vez. Mas o problema é que (oh, vergonha!) ainda não vi alguns dos filmes mais elogiados de 2003 ("O Regresso do Rei", "Cidade de Deus", "Mystic River", etc.). Portanto, a lista apresentada será necessariamente provisória. Com as minhas mais sinceras desculpas, aqui vai:

1 - "Embriagado de Amor", de Paul Thomas Anderson
2 - "À Procura de Nemo", de Andrew Stanton
3 - "A Última Hora", de Spike Lee
4 - "Kill Bill" (vol. I), de Quentin Tarantino
5 - "Apanha-me se Puderes", de Steven Spielberg
6 - "Bowling for Columbine", de Michael Moore
7 - "Adeus Lenine", de Wolfgang Becker
8 - "Longe do Paraíso", de Todd Haynes
9 - "Solaris", de Steven Soderbergh
10 - "As Confissões de Schmidt", de Alexander Payne

Merecem também menção títulos como "Matrix Reloaded", de Andy e Larry Wachowski, "Inadaptado", de Spike Jonze, "As Horas", de Stephen Daldry, "Cabine Telefónica", de Joel Schumacher, e outros não tão bons mas que valeu a pena terem sido feitos, como "Os Imortais", de António-Pedro Vasconcelos.
Sim, foi bom ir ao cinema em 2003. Para dizer a verdade, não me lembro de nenhuma obra que tenha realmente odiado (não vejo tantos filmes como o Duarte Oliveira...), pelo menos vista numa sala escura.
2003 acabou e 2004 será o grande ano do cinema português, que atrairá centenas de milhares de cidadãos ansiosos pela reconciliação definitiva com o que se faz no seu país... ou não? Bem, dêem uma última hipótese às fitas lusas...

domingo, janeiro 04, 2004

De onde és? De Grandola terra da liberdade

Não sei se viram a versão portuguesa da Fuga das Galinhas? O Galo nesta versão tinha vindo de Grandola e não da América mas uma coisa tinha em comum, vinha da terra da liberdade...
Este é o ponto de partida para "Na´América" apontado como um dos candidatos aos óscares, o que me parece pouco provável dado o tom do filme. Parece demasiado independente para que a Academia o possa premiar. Não é impossível mas espero para ver...

Bem o filme é baseado na vida complicada do realizador do filme e da sua família, os actores são notáveis no seu todo, a realização penso que é calorosa sendo por vezes demasiado melósa o que se compreenda dada a proximidade da história e do cineasta.

Numa primeira leitura um filme humano, com desempenhos notáveis e uma realização calorosa.

Classificação 4 (0-5)

sexta-feira, janeiro 02, 2004

Pessoal, tenham medo muito MEDO

Vai estrear o novo filme de Tom Cruise, O Último Samurai.
Tenho amigos que estão cheios de pica para ver o filme mas eu estou com medo de ir para uma sala escura e estar durante 2h e meia com o tio Tom. Sinceramente um filme 100 % centrado no actor assusta um pouco. E pensar que é do mesmo realizador de "Lendas de Paixão" faz-me pensar em fugir.
Parece-me um daqueles "Chick-Flick Movie" que por vezes se produzem e que surgem como um "One Men Show" dirigido para os adolescentes e sobretudo para as adolescentes.
Vendo o trailer parece que tudo acontece ao pobre Tom: as velhas questões de herói honrado, herói apaixonado, herói lutador, herói herói e blá, blá, blá e fico com a sensação do trailer deixar pouca mais história para o próprio filme contar.

Além do mais, nada vai tirar o Óscar ao tio Tom mas por muito bom que seja o seu papel nada será como o seu brilhantismo no "Magnolia". E acho que se é para dar um prémio a um épico coisa que a Acamedia gosta, onde está o justo prémio para o "Senhor dos Anéis" e para Peter Jackson?

segunda-feira, dezembro 29, 2003

O futuro próximo

O que irá estrear em Portugal nas quintas-feiras de 2004?
Não é difícil responder a esta pergunta (o 7ª Arte já tem uma longa lista), mas alguns títulos merecem particular atenção por uma razão ou outra. No campo do cinema português, iremos ter (se tudo correr bem, porque com os nossos filmes nunca se sabe: vejam-se os casos de "Xavier" ou "A Mulher Polícia") duas produções de Tino Navarro, "Portugal S.A.", de Ruy Guerra, e "Um Tiro no Escuro", o regresso de Leonel Vieira (esperemos que mostre a sua melhor forma no género de acção), além de "Lá Fora", de Fernando Lopes, que filma novamente Rogério Samora e Alexandra Lencastre. Alem destes produtos virados para o grande público, devem também aparecer as obras de autor do costume.
Examinando o ficheiro "Sequelas", temos um Cody Banks 2 (o primeiro filme não é já de 2003? A isto chama-se não perder tempo), mais um Harry Potter (iupiii... confesso que tenho passado ao lado deste fenómeno) e, claro, o segundo Homem-Aranha (uma oportunidade para Raimi corrigir os clichés que apareciam aqui e além na fita de 2002). Numa quinta-feira qualquer, deve aparecer "Scary Movie 3" (com David Zucker, será desta?). O volume II de "Kill Bill" não é bem uma sequela, mas parece ser a proposta mais interessante deste Inverno.
Outras novidades são a tão anunciada viagem de Tom Cruise ao Japão ("O Último Samurai"), a adaptação da "Ilíada" com Brad Pitt ("Troy") e a voz de Bill Murray em "Garfield". Mas talvez o melhor de tudo seja... aquilo que ainda ninguém fala. As surpresas vindas de onde menos se espera (como "Adeus Lenine" ou "Cidade de Deus") costumam incluir-se entre as obras mais marcantes...

domingo, dezembro 28, 2003

Factos de 2003 - Parte 1

Tal como outros anos, 2003 tem motivos de orgulho cinematográfico e também de decepção. Em termos de cinema americano 2003 foi sem qualquer dúvida o ano das sequelas na altura do Verão fundamentalmente. Então vejamos:

- Jeepers Creepers 2
- Terminator 3
- Bad Boys 2
- Tomb Raider 2
- American Wedding AKA American Pie 3
- X-Men 2
- Legally Blonde 2
- Final Destination 2
- Livro da Selva 2
- 2 Fast 2 Furious
- Charlie's Angels: Full Throttle
- Matrix Revolutions
- Matrix Reloaded
- Spy Kid 3d
- Freddy vs. Jason
- Era uma vez no Mexico (Desesperado 2)
- Scary Movie 3

E foi também o ano dos heróis de BD aprovarem que estão de pedra e cal nas bilheteiras:

Hulk
X-Men 2
Demolidor
LOXG

E os produtos que mais sucesso deram nas bilheteiras não são sequelas tal como os Piratas das Caraíbas e Finding Nemo.
Além do mais, nos meses de Verão os Norte-Americano não tiveram aquele filme, foram tantos os blockbusters que se dispersou o mal pelas aldeias e muitos acabaram por ser flop.
Será este um ano para as produtoras pensarem?

quinta-feira, dezembro 25, 2003

Os meus Melhores de 2003

É hora para os habituais balanços do ano. Depois de consultar uma enorme lista com os filmes estreados entre nós, aqui está o meu top 10:

Top 10
Posso dizer que um ano em que todos os filmes do top 10 tem classificação (*****) foi um ano de grandes produções cinematográficas.


1 - A Última Hora
1 - Embriagado de Amor
1 - Mystic River
4 - Herói
5 - Kill Bill
6 - A Cidade de Deus
7 - Longe do Paraíso
8 - Apanha-me se Puderes
9 - Elefante
10 - Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei

Como podem ver não consigo dizer qual gostei mais...

Top Maiores Decepções

1 - Extreminador Implacável 3 - Ascenção das Máquinas (0)
2 - Matrix Revolutions (**)
3 - Cubo 2 - HyperCube (*)


Prémio "Perdeu-se a oportunidade de fazer algo muito bom"
O Amor Acontece (**) - menos mel, sem Natal e Richard Curtis tinha feito uma comédia 100%

Prémio "Pior Filme de 2003"
Extreminador Implacável 3 - A Ascenção da Máquinas

Prémio "Maior Surpresa"
Herói - realmente estreou sem se falar e é um dos mais belos filmes estreados

Melhor filme "Fora do Top 10"
Dogville (*****) - será o 11 mas só podem ser 10 :-(

Melhor BlockBuster de Verão
Hulk (****,5) - demasiado incompreendida a visão de Ang Lee que a meu ver é a melhor adaptação
de bd desde os Batmans de Tim Burton

Melhor Sequela
Não considerando o Senhor dos Anéis visto ser uma obra única com três volumes
X-Men 2 (****)

terça-feira, dezembro 23, 2003

O que fica de 2003?

O que irá permanecer a longo prazo deste ano cinéfilo prestes a terminar na cabeça dos espectadores lusitanos? Daqui a dez anos, provavelmente (nisto da futurologia há que ser cauteloso) até os mais jovens e desatentos associarão 2003 a "O Regresso do Rei", "À Procura de Nemo" e às sequelas de "Matrix". Mas haverão decerto grupos minoritários que se lembrarão de obras de peso financeiro menos colossal. Um eventual inquérito realizado em 2013 poderá recolher respostas como estas:
"2003? Ah, sim, foi quando chegou cá o "Bowling for Columbine", do Michael Moore, o grande herói da luta contra o tenebroso imperialismo americano."
"Lembro-me da primeira parte do "Kill Bill"... ou isso foi já em 2004?"
"Foi o ano entre os dois primeiros Homens-Aranhas".
"Nesse ano fui ver "Adeus Lenine". Os sacanas dos comunas devem ter odiado essa fita, eh, eh."
"Chegou a Portugal uma das minhas obras preferidas do venerando Mestre Spielberg, "Catch Me if You Can"."
"Nesse tempo ainda estreavam filmes portugueses, veja lá como o tempo passa... Se bem me lembro, houve um, "Os Imortais" ou lá o que era."
"Os Óscares desse ano foram para... "Chicago", "As Horas", "O Pianista" e "Mystic River", acho eu. Não, espera, o do Eastwood só ganhou no ano seguinte."
"O ano de "Legalmente Loura 2", claro! Fartei-me de rir quando vi isso. Foi sem dúvida a grande comédia da década."
"Em termos de cinema, o acontecimento mais importante foi o aparecimento do Pipoca Rasca. Eh pá, ninguém imaginava o fenómeno que aquilo ia ser..."

Feliz Natal e, já agora, bom 2004 para os nossos amados leitores.

segunda-feira, dezembro 22, 2003

Nostalgia dos anos 90

Na década passada (quando éramos jovens e ingénuos), algumas mentes brilhantes, apoiadas paternalmente por Pinto Balsemão, procuraram popularizar o cinema português. Esse objectivo implicava não só histórias com acção e palavrões mas também canções pop/rock de artistas na berra que ficassem no ouvido e servissem para a promoção dos filmes. Assim, Pedro Abrunhosa ("Adão e Eva"), Delfins ("Adeus Pai" e "Zona J"), Xutos e Pontapés ("Tentação" e "Inferno"), Rui Veloso ("Jaime") ou GNR ("Amo-te Teresa") criaram temas a acompanhar as cenas do novo e arrojado cinema luso.
No século XXI, isso acabou. Para já, porque a intenção de fazer os portugueses verem cinema na sua língua acabou por chocar com a realidade. A SIC ficou em dificuldades e abandonou, por muito tempo, os cineastas à sua sorte. A RTP apoia sobretudo os "velhos" realizadores. Os Delfins passaram de moda. Actualmente, recorre-se a reportório mais "clássico" ou a canções giras mas de grupos desconhecidos (como acontece com "Esquece Tudo o que Te Disse"). Isso é bom ou mau? Bem, não deixa de ser pena que o interesse dos produtores e o esforço dos músicos na década anterior tenha sido apenas passageiro... Cinema e rádio constituem mundos praticamente à parte no nosso país.

Um 007 desastrado

"Johnny English", o último veículo para Rowan Atkinson (que apareceu, mais recentemente, em "O Amor Acontece"), é claramente direccionado aos fãs do actor britânico. Em Portugal, tornou-se um sucesso de bilheteira, ou não fosse a popularidade de Rowan preservada ano após ano pela série "Mr. Bean", que a RTP agora exibe pela enésima vez.
Na verdade, "Johnny English" não é (felizmente) uma cópia da adaptação do mais famoso personagem da TV britânica à 7ª Arte, mas, embora Rowan fale frequentemente, continua a ser nele que praticamente tudo assenta. Os seus esgares e expressões agradam ao espectador mais exigente. Contracenando com o mestre, passam pela tela John Malkovich (interpretando o vilão, com um sotaque francês ultra-irritante), a estreante Natalie Imbruglia (que parece sempre uma cantora a tentar ser actriz) e o interessante Ben Miller.
Parodiando a série James Bond, não possui a imaginação e o estilo próprio de "Austin Powers", o que é compreensível, tendo em conta que dois dos argumentistas escreveram antes "O Mundo não Chega" e "Morre Noutro Dia". É apenas uma comédia simples de hora e meia (alguém conhece uma comédia pura que dure mais de duas horas?), que procura distrair o público com uns quantos "gags" (alguns previsíveis), e de facto consegue-o. A história tem ritmo e hilaridade de qualidade aceitável (é um dos primeiros filmes, pelo menos de que eu me lembre, a referir-se abundantemente à tecnologia do DVD).
Vale, pelo menos, o dinheiro do aluguer (o mais interessante dos extras são as cenas cortadas, visíveis após a realização de um pequeno teste). Quem não gostou de "Bean" pode ver aqui que Rowan pode ser grande também em cinema.
A melhor cena: Johnny revela o seu plano para capturar Sauvage.
A pior cena: Johnny no hospital.

Nota: 6/10.

domingo, dezembro 21, 2003

LOTR: The end

Mais um Natal e a trilogia do Senhor dos Anéis chegou ao fim.
E ao contrário de outras trilogias o final é um ponto alto ao contrário do habitual, uma perda de força.
Peter Jackson consegue arrebatar-nos mais uma vez do ponto de vista visual, consegue com a preciosa ajuda de Alan Lee e Jonh Howe (muito esquecidos) fazer uma obra visualmente esmagadora. Alan Lee, Jonh Howe estudaram durante anos a obra de Tolkien e trouxeram-na para o mundo das imagens. Peter Jackson tem mérito na realização, no suberbo trabalho de casting mas os dois artistas fizeram o mais importante, a credibilidade da Terra Média baseada nas descrições de Tolkien.

E o que dizer deste último filme que ainda não tenha sido dito? Gostei mais deste episódio que do anterior "As Duas Torres" e penso que Peter Jackson fundou um reino semelhante ao que George Lucas alcançou com o Star Wars. Criou uma empresa de efeitos visual, transformou em filme o impossível e conquistou críticos e fãs três vezes seguidas.

Não me quero alongar mais. Posso mesmo dizer que em relação a estes filmes a velha frase:

- Uma imagem vale por mil palavras!

Irmandade do Anel: 5 (0-5)
As Duas Torres 4(0-5) (versão extendida) 5 (0-5)
O Regresso do Rei 5(0-5)

sexta-feira, dezembro 19, 2003

Miramax

Pelas nomeações de ontem para os Globos de Ouro parece que o factor Miramax voltou a atacar. Oito nomeações para um filme da editora, outrora independente.
Nos últimos anos viram-se fenómenos muito estranhoas. O número de vezes que um filme não ganhou óscar de melhor filme e de melhor realizador foi maior nos úlrimos dez anos que no resto da História dos Óscares da Academia. Parece que este ano nhão foge à regra.
No ano passado dos nomeados para melhor filme quatro tinham o envolvimento dos patrões da Miramax e dos quais acho que verdadeiramente bom só o Senhor dos Anéis. Depois de estarem bem nas bilheteiras a Academia lá dá um óscar de melhor filme para não assustar nínguem, distribuindo os restantes prémios.

Por estas e outras o desacreditar dos prémios Made in America
Espero que "Cold Mountain" seja verdadeiramente bom

quinta-feira, dezembro 18, 2003

Roma diz "OK"

Segundo o Imdb, o Vaticano (diz-se que até o próprio João Paulo II) já pôde ver o novo filme de Mel Gibson, "The Passion of Christ". O veredicto é positivo: a fita não possui qualquer elemento anti-semita. Será mesmo assim? A avaliação da poderosa comunidade judaica de Hollywood não parece ser a mesma... De qualquer maneira, virão as eventuais reacções do público a este filme tão polémico (esperemos que a sua qualidade mereça tanto barulho...) e anti-comercial (agora nem tanto, graças à curiosidade provocada pela "guerra religiosa" que o rodeia) a ser influenciadas sobretudo pelas suas opiniões religiosas? Os espectadores que duvidarem da verosimilhança do argumento acharão tudo ridiculamente exagerado? Os crentes arrebatados ficarão maravilhados com a visão de Gibson? Seja como for, o melhor será evitar reacções exageradas. É só um filme, não é para ser levado a sério...

quarta-feira, dezembro 17, 2003

Alguém deu por eles?

A febre da listagem começa a instalar-se. A selecção furiosa e incontrolável dos melhores filmes, actores, realizadores ou cenas de 2003 iniciou-se e, mesmo antes da cerimónia dos Óscares, dominará a Internet cinéfila. Mas nem todas as longas-metragens que estreiam em Portugal recebem a mesma atenção. Algumas não são capa de jornal, vêem a sua publicidade na imprensa reduzida a um espacinho na edição de sexta-feira (ou quinta-feira, como parece que acontecerá em 2004), recebem atenção escassa ou nula da crítica e, geralmente, ficam em exibição num número reduzido de salas durante duas ou, com sorte, três semanas. Em resumo, quase ninguém dá por elas. A recolha de alguns destes casos é fortemente subjectiva (na Europa, não existem ainda dados sobre receitas de bilheteira a oeste de Badajoz), mas não me parece que (seja isso justo ou injusto), excepto em caso de sucesso no circuito vídeo/DVD (cada vez mais só DVD), muita gente se lembre de incluir estes títulos no seu "top" mais das fitas estreadas em Portugal em 2003:

"Altar", de Rita Azevedo Gomes
"Altos Voos", de Bruno Barreto
"Amores de Verão", de Jim Fall
"Bela Marta", de Sandra Nettelbeck
"Below-Maldição Submersa", de David Twohy
"Blanche", de Bernie Bonvoisin
"Blue Car", de Karen Moncrieff
"O Clube do Imperador", de Michael Hoffman
"Duro Amor", de Martin Brest
"Encontros Fatídicos", de Brian Gilbert
"Encurralada", de Luis Mandoki
"A Filha", de Solveig Nordlund
"A Flor do Mal", de Peter Kosminsky
"Gente Conhecida", de Dan Algrant
"Kangaroo Jack", de David McNally
"Matar o Rei", de Mike Barker
"Os Náufragos da D17", de Luc Moulet
"O Que Uma Rapariga Quer", de Dennie Gordon
"O Rapaz do Trapézio Voador", de Fernando Matos Silva
"Regressão", de Stephen Gaghan
"Relações Imprevistas", de Lisa Cholodenko
"The Touch - O Talismã", de Peter Pau
"Tudo a Roubar!", de Gavin Grazer

terça-feira, dezembro 16, 2003

Piada fácil do dia

A operação militar americana que capturou Saddam Hussein recebeu o nome de código de "Red Dawn". Tal como o "Público" de ontem lembrava, trata-se do mesmo nome de um filme rasca (realizado por John Milius) de 1984, no qual um grupo de jovens americanos (os "Wolverines", termo também utilizado na operação) enfrentam uma invasão cubano-soviética. "Red Dawn" ("Amanhecer Violento" em português, talvez por receio dos tradutores de parecerem anticomunistas) é muito mau, mas teve algum sucesso e talvez tenha agradado vivamente a algum oficial que planeou a acção. Só espero que a moda das fitas de baixa qualidade dos anos 80 não pegue e não surja nenhuma Operação "Missing in Action".

P.S. Infelizmente, ainda tenho de recorrer a computadores públicos...

domingo, dezembro 14, 2003

Cegos e Samurais

O novo filme de Kitano apresenta-se como um filme de época muito interessante. Não se pense que Kitano leva esta coisa de época muito a sério, o filme é um entreternimento muito interessante, melhor que muita coisa que vem dos lados americanos.
Sendo um filme baseado numa personagem que teve direito a 27 filmes e que o último apareceu em 1989, Kitano soube dar a uma obra que não lhe dizia nada em especial, um cunho pessoal muito interessante, capaz de lhe dar um interesse adicional.
A nível técnico o realizador soube utilizar a violência brutal muito bem, completamente diluida na acção e na história, esta sim surpreendeu-me pois esperava algo muito mais linear o que não é o caso.
Kitano sabe dosear o humor muito bem, com sequências que mostram um à vontade a toda a prova fazendo com que o filme nunca se leve muito a sério.
Sem me alongar muito mais recomendo vivamente para que quiser um bom entreternimento.

Classificação: 4 (0-5)

sábado, dezembro 13, 2003

Vida Díficil esta de "Bloguista"

O meu colega do blogue sofreu um pequeno problema com o seu computador e nos próximos tempos serei eu a colocar todas as novidades no blogue. Os computadores quando pifam, pifam mesmo.

quinta-feira, dezembro 11, 2003

Notas

Na última edição, "O Independente" mostrava serem verdadeiros os boatos que recentemente corriam à boca pequena em alguns círculos restritos: o Estado português gasta fortunas a apoiar filmes que ninguém vê. Entre 1997 e 2002, longas-metragens de realizadores como João César Monteiro ou Rita Azevedo Gomes tiveram um custo de mais de 200 euros por cada espectador. Só cineastas chamados Leonel Vieira, Joaquim Leitão ou Maria de Medeiros obtém lucros de bilheteira que reduzem esse valor a menos de quatro euros.
É certo que o ICAM deveria aperfeiçoar os seus critérios de atribuição dos preciosos subsídios e a indústria cinematográfica portuguesa (caso existisse) deveria possuir muito maiores apoios privados, mas, como escreve Inês Serra Lopes, a culpa também é dos nossos realizadores, que tomam sempre precauções para que o número de espectadores das suas obras seja bastante reduzido. Apoiado pelos fundos públicos, o pérfido e tenebroso Paulo Branco (que "O Independente" reconhece como o produtor de maior estatuto internacional com que Portugal conta) lança películas de autor que pouco ou nada contribuem para a evolução do nosso cinema. Cinema-espectáculo ou cinema de autor: o grande drama português. Até agora, tem prevalecido o segundo, com os resultados que se conhecem.

Devido a um problema do servidor, não têm aparecido abaixo dos textos deste blogue referências à existência de postas de pescada. Cliquem no local indicado na mesma, pois há muito que ler.

Sim, ultrapassámos na segunda-feira as 3000 visitas. Obrigado Sara, Tiago, Frederico, Anónimo, José, Duarte, fatchary, Cristina, Nuno, Christopher e todos os leitores cujo nome não sabemos.

terça-feira, dezembro 09, 2003

O melhor crítico Português: Eurico Lopes

Perguntam-me vocês quem é Eurico Lopes?
Muitos são os sites de cinema onde vezes sem conta os fóruns são bombardeados com comentários de mau nível sobre cinema. E a discussão é sempre sobre o valor do crítico que proferiu tal sentença.
Sou um leitor frequente das críticas de João Lopes e de Eurico de Barros e acho que sendo João Lopes um crírico que gosta de Spielberg, Lynch e a linha mais clássica Eurico de Barros gosta de uma boa sessão de Carpenter, com sangue, balas e ferro torcido.
Sinceramente acho que o leitor deve antes de criticar um crítico (passo a redundãncia) ler frequentemente as suas opiniões e percebê-lo. Perceber um crítico é perceber as suas sensibilidades e aí poderemos pensar: O Eurico de Barros deu 5 estrelas ao Lord of the Rings: FOTR e o João Lopes deu 2 estrelas... hummm acho que EU vou gostar. Agora aquele BLOG do boi... NÃO HAVIA NECESSIDADE

segunda-feira, dezembro 08, 2003

Os críticos são nossos amigos

Não direi que a Kathleen Gomes (ou qualquer outro crítico alérgico a Spielberg) é um boi, até porque costumo registar sobretudo as impressões gerais dos especialistas na 7ª Arte que publicam recensões na imprensa ou na Internet sobre determinado filme. Normalmente, estão de acordo quanto ao elevado mérito ou à monstruosidade de uma longa-metragem. Mesmo quando as opiniões se dividem (como aconteceu com “Kill Bill”), costuma haver uma tendência dominante. Mesmo que não me guie estritamente pelas estrelinhas atribuídas pelos críticos, eles acabam por criar, pelo seu aplauso ou repulsa (ou ainda pior, indiferença), uma ideia prévia sobre as fitas que pode ser prejudicial.
É difícil (felizmente) ler tudo o que se publica em Portugal sobre o cinema em exibição. Ainda assim, nos espaços que consulto mais frequentemente, costumam-se destacar alguns nomes cujos textos possuem determinadas características especiais. Quem pode passar ao lado das reflexões elaboradas e intelectuais de João Lopes, da brutalidade (ou polémica) de Eurico de Barros, da snobice q.b. do painel do “Público”, dos intermináveis (mas claros e directos) ensaios de Nuno Antunes (Cinema2000), da paixão pela comédia romântica inglesa de Rui Pedro Tendinha, da tendência para dizer bem de João Antunes, da tendência para desancar de Francisco Ferreira, da atracção pela Ásia de Luís Canau (CineDie), da abundância da produção de Jorge Pereira (C7nema), do sarcasmo e das piadas extra-cinema de John Snow (“O Inimigo Público”), da capacidade de síntese de JP Machado (7ª Arte), etc.?
De uma forma geral, acho que em Portugal se escreve bem sobre cinema em folhas de papel e no ciberespaço. De resto, os articulistas especializados não são muitos (se excluirmos a “democratização” da função crítica proporcionada por fóruns e blogues), são quase todos homens (sabe-se lá porquê) e renovam-se apenas de vez em quando (foi bom terem surgido “novos valores” na Net, como Joaquim Lucas e Tiago Pimentel, ou mesmo na imprensa, como Vasco Menezes). Os críticos portugueses são inofensivos para a saúde ou gente muito perigosa? O certo é que não podemos passar sem eles.

sexta-feira, dezembro 05, 2003

Um actor fascinante

É bom saber que estreará ná última sexta-feira de 2003 "O Fascínio" (de José Fonseca e Costa) uma longa-metragem protagonizada por Vítor Norte e Sylvie Rocha. Embora a sinopse disponibilizada contenha alguns pontos suspeitos (uma herdade alentejana? Uma metáfora de Portugal?), pode tratar-se de uma boa aposta, ainda que as suas receitas de bilheteira devam ficar bastante aquém das de "Os Imortais". Sobretudo, é positivo que volte às salas Vítor Norte, um dos melhores actores do cinema nacional. Ultimamente (como já lembrou a "Visão"), Norte anda perdido em produções de qualidade duvidosa da TVI.
Nos últimos anos da década passada, Norte brilhou em sucessivas experiências na 7ª Arte. Quer como protagonista como secundário, deu outra dimensão a obras como "Sapatos Pretos", "A Sombra dos Abutres", "Jaime", "Tarde Demais", "Respirar (Debaixo d'Água)" ou os telefilmes "Monsanto" e "Mustang" (neste caso, sem salvar o filme). O sucesso destes últimos (sim, e aquilo em que se meteu depois) garantiu-lhe popularidade suficiente para ganhar um Globo de Ouro pela sua participação numa fita que ninguém viu ("O Gotejar da Luz"). É certo que costuma interpretar personagens com características semelhantes (uma imagem de duro ou mesmo rude), mas fá-lo com uma força que agarra o espectador. Quando está em cena, o ecrã é dele.
Esperemos assim que nos próximos anos Norte faça mais filmes, voltando a atingir o nível que possuiu no seu auge (a "Premiere" portuguesa considerou-o uma das figuras de 2000). Nas telenovelas, não só recebe papéis mais fracos como passa quase despercebido.

quarta-feira, dezembro 03, 2003

Mistérios

As minhas piores suspeitas parecem concretizar-se. Lembram-se de quando, no passado mês de Setembro, elogiei a mudança de visual da revista "Primeiras Imagens" (PI) e reflecti seriamente sobre a existência ou não de Nuno Ferreira, o director da publicação? Não? Bem, o certo é que desta vez interrogo-me sobre a existência ou não da própria PI, que parece ter desaparecido sem deixar rasto. Nunca mais apareceu nas bancas, sem qualquer aviso ou explicação dada aos leitores. Durante quase um ano de actividade, a PI queixou-se continuamente da falta de meios, apoios e tempo para realizar os seus projectos. Por vezes demorou imenso tempo a sair, mas mais de dois meses é demais.
Filipe Lopes, que prometia nos editoriais da revista amanhãs que cantavam, contra ventos e marés, ainda anda por aí (faz parte de júris de festivais de animação). Poderá ele contar a história do fim da PI?
É pena que desapareça uma alternativa à poderosa "Premiere". Enfim, guardei quase todos os números. Na próxima década, quando a memória da PI se desvanecer de vez, podem vir a ter algum valor histórico e monetário...

"Camarate", de Luís Filipe Rocha, é exibido hoje (mais uma vez) na RTP1 e vendido amanhã com o "Público", assinalando o 23º aniversário do desastre. O filme não é mau e serve para esclarecer rapidamente o espectador sobre aquele que era o processo mais polémico da justiça portuguesa até Novembro de 2002. O início (a reconstituição dos últimos momentos dos ocupantes do Cessna) e o fim (a defesa da tese de atentado) são o mais interessante. O resto, nomeadamente a ficção amorosa que envolve a personagem de Maria João Luís, chega, infelizmente, a aborrecer imenso.
Lembro-me que, quando vi a fita no cinema, a esmagadora maioria da plateia era constituída por gente que já devia ser bem crescida em 1980. Os eventos que dão origem à história serão demasiado distantes para os jovens ou semi-jovens (este não é, de resto, um filme português que os vá atrair)?

segunda-feira, dezembro 01, 2003

007 em Portugal?

"007 - Ao Serviço de Sua Majestade" (1969) é uma espécie de "filme maldito" da série já quarentona (outro capítulo geralmente ostracizado é "Vive e Deixa Morrer", o primeiro com Roger Moore, que eu ainda não vi). George Lazenby foi James Bond por uma única vez (achou que o papel não tinha grande futuro) e, embora os resultados de bilheteira não tenham sido tão maus quanto isso, a popularidade de Connery e Moore tornou o actor australiano irrelevante. A verdade é que o sexto filme de Bond é tão diferente de todos os outros que só pode despertar reacções radicais. Eu não gostei (prefiro o estilo Connery, que o inexpressivo Lazenby tenta por vezes imitar sem qualquer sucesso, e a realização e montagem não convencem, além da história ser algo ridícula demais, para não falar dos diálogos), mas outros afirmam que se trata da melhor adaptação da obra de Fleming e dá ao personagem um lado sentimental que só lhe fica bem. O certo é que ficou como um OVNI na lista das aventuras do espião.
É habitual lembrar-se que parte de "007 - Ao Serviço de Sua Majestade" foi filmada em Portugal. Na verdade, a acção centra-se na Suíça e são poucas as cenas que mostram o nosso país (com imagens de Estoril, Sintra e Lisboa, creio), que curiosamente nunca é identificado. Pelo sotaque dos personagens que Bond encontra por cá, parece mais Espanha. No entanto, é possível ver, no casamento do herói, crianças a executar uma suposta dança tradicional lusitana e, a seguir, 007 a conduzir nas imediações da então Ponte Salazar. Parece que a representação deficiente de Portugal e do seu povo no cinema anglo-saxónico não é de hoje.

Realizadores de 007

Não posso estar totalmente de acordo com o Pedro no que diz respeito ao que ele disse sobre os realizadores dos filmes do 007. Existe um que é para mim o responsável pelo sucesso dos 007 dos anos 80/90 e sobretudo dos de Roger Moore. Acho que o único dos realizadores que deixou um cunho foi John Glen. Possivelmente foi mais pela insistência, afinal fez 5 filmes e posso dizer que muito mais giros do que os actuais.
O hábito de colocar sequências de engenhocas de 4 rodas começou com este realizador que coloca sempre sequências frenéticas de caça ao agente por paisagens europeias. E culmina com o melhor 007 que me lembro "007 - Operação Tentáculo".

domingo, novembro 30, 2003

Eles existem?

A propósito da exibição pela SIC (o canal oficial português de James Bond e “Star Wars”) de mais alguns filmes do agente 007, incluindo “Só se Vive Duas Vezes” (7/10), diga-se que só o desejo de divertimento pode explicar o sonho de cineastas de culto como Steven Spielberg e Quentin Tarantino em realizar um capítulo da série. Manter protagonismo ou dar um cunho pessoal à saga não devem ser os objectivos, devido às características das aventuras da personagem mais famosa da 7ª Arte.
Na verdade, quando estreia um novo filme de 007, todos falam do actor principal, das “Bond girls”, das cenas “impossíveis”, dos vilões megalómanos, das engenhocas, dos efeitos visuais, do contexto geopolítico, do “product placement”, dos locais das filmagens... de tudo menos do realizador, cujo nome não gera normalmente mais que um “ah, sim?”. Não só o formato não permite grandes experimentalismos técnicos como são escolhidos cineastas sem demasiado peso comercial (provavelmente de modo a serem mais facilmente controlados pelos produtores) para dirigir a sucessão de sexo, tiros e explosões. O facto dos realizadores recentemente mudarem de episódio para episódio torna-os ainda mais facilmente olvidáveis que as actrizes que contracenam com o protagonista (à excepção de Halle Berry, claro).
Duvido que algum espectador pense ao ver um Bond: “isto é mesmo Apted”, “o Campbell filma cada vez melhor”, “esta foi a fase mais interessante do Gilbert” ou “como é que se chama aquele que o génio do Spotiswoode realizou?” Enfim, apesar de tudo um Bond acaba por ser a coisa mais vistosa feita por esses cineastas médios, por isso há sempre gente interessada em pegar no projecto.

sábado, novembro 29, 2003

O Admirador e os Admiradores

Desde já quero mandar cumprimentos ao nosso 'admirador' José pelos seus comentários que me têm feito dar umas boas gargalhadas. Realmente quando deixei o espaço para comentários queria interactividade com o pessoal leitor. E leitores bem dispostos são bem vindos.

Quero agradecer ao Tiago Pimentel pelo post que deixou no seu blog que li com muito agrado e que me fez perceber o seu ponto de vista. Ainda queria dar uma palavra de incentivo ao pessoal do site Cinema 2000 que tem andado um pouco parado. Suponho que o tempo seja pouco para as actualizações mas se por outro lado estiverem a pensar que elas são desnecessárias enganem-se pois eu e um grupo de pessoas somos fieis cibernautas leitores. O vosso espaço conquistou a nossa atenção e aguardamos que tudo volte ao normal. Se por outro lado necessitarem de apoio para a dinâmica do site podem contar comigo para o que necessitarem e que esteja dentro do meu alcance.

sexta-feira, novembro 28, 2003

222: zero em qualidade?

Espero que o "adeus" da Zero em Comportamento seja na verdade um "até já". Decerto que a Câmara Municipal de Lisboa (ou outra entidade qualquer) disponibilizará em breve um espaço onde a Zero possa viver com dignidade.
Para quem não sabe, a Zero é uma espécie de cineclube lisboeta que se dedicou nos últimos anos à exibição não só de reposições como de filmes inéditos em Portugal organizados em ciclos inovadores. Curtas-metragens nacionais e estrangeiras e longas de origens variadas (incluindo países escandinavos) puderam assim ser vistas (a preços reduzidos), muitas vezes em primeira mão, pelos cinéfilos da capital. Apesar de enormes dificuldades, a Zero fidelizou um público e obteve vários sucessos de bilheteira dignos de registo (o ciclo Ed Wood e a ante-estreia de "Cidade de Deus", por exemplo). A comunicação social prestou-lhe uma certa atenção e, como afirma a declaração de despedida, gerou-se uma corrente de amor (a que nos juntámos) em torno do projecto.
O problema é que alguns espectadores queixaram-se das más condições das cadeiras e de toda a sala alugada pela associação no Cine-Estúdio 222 (um centro comercial de fraquíssima qualidade situado no Saldanha), marcada pela exiguidade, humildade e mau cheiro. As condições do espaço irritavam o cinéfilo mais paciente (ou com maior capacidade de concentração nos filmes). Fartos de reclamações (os donos do 222 não realizaram até hoje quaisquer obras e o projecto de gestão do São Jorge apresentado à CML não teve seguimento), os dinamizadores da Zero resolveram fechar a loja.
Não para sempre, é claro. Lisboa não ficará sem cinema alternativo que escape ao controlo das grandes distribuidoras. As obras dos melhores cineastas não permanecerão "presas" na televisão. A qualidade cultural vencerá. Acho eu...

terça-feira, novembro 25, 2003

Trilogias caras

As trilogias estão na moda. Curiosamente, nunca me tornei verdadeiramente fã de nenhuma, pelo menos ao nível do culto quase religioso que alguns cinéfilos praticam. Não nego, é claro, os momentos excelentes de cinema que séries como (os episódios IV-VI de) "Star Wars", "Indiana Jones", "O Senhor dos Anéis" (partindo do princípio que "O Regresso do Rei" voltará a deixar-nos boquiabertos) ou mesmo "Matrix" apresentam e perpetuam. Mas é difícil ter o mesmo entusiasmo de quem compra logo que pode os DVDs com a trilogia que adora mais.
Esta notícia faz-me sentir feliz por isso. Os preços do mercado português são, de facto, justos...

segunda-feira, novembro 24, 2003

Beba Sagres

Ao contrário do que acontece na ficção televisiva nacional, é rara a presença de "product placement" no cinema português (exceptuando as antigas e já esquecidas produções da SICFilmes). Não podemos saber que marcas é que, no intervalo das suas aventuras ou dramas existenciais, os personagens comem, bebem, fumam ou conduzem (diga-se que em princípio, não tenho nada contra a publicidade nos filmes, embora seja por vezes insultuoso que determinados planos ou cenas sirvam apenas para esse fim). Que fizemos para merecer isto? Como é possível?
Para começar, alguns cineastas do género José Álvaro Morais produzem fitas demasiado "artísticas" e independentes para aceitar apelos básicos ao consumo que possam conceder um aspecto sórdido de realismo às criaturas dos enredos. Além disso, os anunciantes sabem que o público a que chegariam com esse tipo de publicidade seria reduzido e constituído por gente muito esquisita (espectadores do cinema lusitano) afastada do padrão do consumidor comum.
Neste cenário, "Os Imortais", de António-Pedro Vasconcelos, representa sem dúvida um passo em frente na comercialização das longas-metragens lusas. Afinal, a breve referência à cerveja Sagres (consumida pelo personagem de Nicolau Breyner) e a presença de outras bebidas verdadeiras como "JB" indicam o início do investimento nesse sentido. O eventual (não tenho dados) sucesso da fita servirá decerto de incentivo a esse esforço patriótico. O nosso cinema jamais se aproximará do prestígio das produções americanas se os argumentos não previrem de antemão numerosas cenas com publicidade regiamente paga.

P.S. Não recebi (por enquanto) nenhum pagamento da Sagres por ter escrito isto. Juro.

domingo, novembro 23, 2003

Regresso ao Cruel Mundo dos Homens

Li a crítica do Tiago Pimentel sobre o filme "Mystic River" e poderei dizer que não estou de acordo com aquilo que ele diz ser a temática do filme: a Morte. Não acho que esse seja a principal marca e obcessão de Clint EastWood.
Possivelmente nos últimos filmes sejam a "Morte" e a "Velhice" os temas principais mas aquilo que me parecer ser a sua imagem de marca são "Histórias sobre o Cruel Mundo dos Homens".
Muitas vezes Homens com a conotação de espécie Humana e outras com a conotação Machista da palavra. Vejam por exemplo o "Mundo Perfeito" em que os causadores de todos os problemas são homens. O bandido é mau pois teve problemas na adolescência com o pai, o rapaz quer fugir por não ter pai e a personagem de Laura Dern personifica o contraste com a visão feminina desse Mundo machista em que os Rangers e a personagem de Clint se move na caça ao homem. Posteriormente essa visão do Mundo continuou no filme "Imperdoável" e em todos os seus filmes de forma mais ou menos evidente (Space Cowboy é aquele que ligeiramente goza com todos os clichés sobre os durões da corrida ao espaço vista no cinema sempre de uma forma manifestamente machista).
Agora em "Mystic River" volta a ser evidente essa marca de Clint Eastwood.
Aquilo que o ser Humano pode fazer em muitas vertentes. Desde a pedófia, à perda da amizade, à desconfiança e traição e a grande diferença é que nesta história as mulheres ganham a mesma dimensão que os homens e Clint Eastwood realça bastante isso quer durante o filme quer no final com um sucessivo jogo de olhares (também presente no livro).
Eu desde que vi o "Mundo Perfeito" sou um fervoroso fã dos filmes de Eastwood e conheço todos desde 92 e posso sem qualquer dúvida dizer que este é o tal momento alto que gostaria de voltar a sentir.
Gostava ainda de salientar que quer em "Um Mundo Perfeito" e "Mystic River" estamos na presença de estranhas personagem crucificadas pelo seu semelhante. No primeiro a personagem de Kevin Costner e no segundo caso Dave que bem no fundo é a constante vitima do Mundo dos Homens (traído até pela sua mulher).

Sem qualquer dúvida o melhor filme do ano e ficará para muito meditar.

***** (0-5)

BD em imagem real

Não é propriamente novidade, mas vem aí (em Junho de 2004, e não em Dezembro deste ano como foi anunciado de início) a adaptação da série de BD "Garfield" para o cinema de imagem real. O gato criado por Jim Davis em 1978 e as outras personagens "não-humanas" serão introduzidos digitalmente de modo a contracenarem com os actores, à imagem do que aconteceu em "Scooby-Doo". Peter Hewitt realiza, Bill Murray (boa escolha) faz a voz do protagonista (Lorenzo Music, que desempenhava essa função na televisão, já faleceu), enquanto Breckin Meyer (uma estrela qualquer do cinema adolescente) encarna Jon Arbuckle e Jennifer Love Hewitt a paixão deste.
Numa época marcada por uma série ininterrupta de transposições das histórias de super-heróis para as telas das salas escuras, é curioso que se pegue numa personagem dos tradicionais "comics" diários humorísticos (por acaso, quanto a Garfield, gosto mais da série televisiva de animação que das tiras propriamente ditas). Irá resultar? Talvez não. O universo de Garfield é tão simples que no cinema pode tornar-se demasiado óbvio e "cartoonesco".
É pena que a melhor série de BD humorística vinda dos EUA nos últimos anos ("Calvin e Hobbes") seja aquela que menos hipóteses tem de ser alvo de uma adaptação para a televisão ou o cinema (o autor nunca o permitiria...).

quinta-feira, novembro 20, 2003

Ladra mas morde

Fui ver no passado fim de semana (com uma belissíma companhia) o filme que venceu o festival de Cannes.
Nunca tinha visto antes tanta conformidade no meio dos críticos de cinema sobre a pontuação a dar a este filme (5 estrelas desde o Público ao Expresso).
Realmente não poderei fugir a isso mesmo. O filme é um portento. É simples como poucos, pequeno como muitos mas incisivo à sua maneira. A realização é soberba, realmente o realizador dá-se melhor na sua veia independente do que na mais comercial mas a montagem é milimétrica. Nada está fora do sítio e o filme faz um sentido esmagador.
A história todos sabem, trata-se num filme onde nos é relatado um massacre semelhante ao de Columbine. Neste caso o que interessa não é o porquê mas sim o envolvimento social e emocional que está envolvido numa tragédia deste tipo nos momentos que o antecedem e durante a sua consomação. A força do filme é sem qualquer dúvida o facto de não entrar em demagogias e explicações pretenciosas dando-nos uma lição de poesia trágica.

O melhor filme estreado desde o final do Verão sem qualquer dúvida

5 em 5 estrelas

Há muito, muito tempo

Comprei numa feira do livro “Vídeo 93” (Projornal/Difusão Cultural, 1993), coordenado pelo jornalista Pedro Garcia Rosado. Porquê? Bem, trata-se de um catálogo de todos (ou quase todos) os filmes disponíveis em cassete no território português em Novembro de 1992. 7000 títulos indicados com os dados essenciais, uma pequena sinopse e, muitas vezes, uma classificação (de 1 a 5) e um comentário crítico de Rosado (autor de, entre outros livros, “Steven Spielberg” e “Quem é Quem no Cinema e Vídeo”, além dos “Vídeos” entre 89 e 92). As obras encontram-se agrupadas por géneros, desde o infantil-juvenil ao erótico e pornográfico. Assim, títulos como “O Dia dos Namorados com Snoopy” (duas estrelas) coexistem com outros como “O Mistério dos Traseiros” (duas estrelas) ou “Penetrações Anais III” (três estrelas, o filme da série melhor classificado). A grande virtude do livro é fazer referência a centenas de “pérolas” desconhecidas dos anos 70 e 80 que o triunfo do DVD fará desaparecer para sempre.
Seria difícil que hoje alguém se aventurasse num projecto chamado “DVD 03”, uma vez que a obrigatória análise dos extras levaria a que se necessitasse de muito mais tempo. Sem poder ser actualizada, a obra de Rosado serve no entanto para relembrar os tempos em que Joaquim Leitão era “um jovem saído da Escola de Cinema”.

terça-feira, novembro 18, 2003

A forma do blogue

Mais um otário, quero dizer, mais um bloguista com bom gosto resolveu incluir-nos na sua lista de "links". Podem encontrar-nos algures no "site" A Forma do Jazz a Vir, de Nuno Catarino.
Imprimindo ao espaço um tom pessoal e descrevendo o seu dia-a-dia, marcado por cortes de cabelo, idas à Fnac, expedições fracassadas à Cinemateca, leituras de Lobo Antunes, surpresas positivas (como ocorreu com "Crueldade Intolerável") ou negativas (no caso de "Kill Bill"), etc., Catarino dedica numerosas linhas à análise da música por ele ouvida (afinal, falamos do "Professor Marcelo dos discos"). Sem se levar muito a sério, cria um blogue interessante e divertido de seguir (que eu só descobri agora, confesso).
Fãs de Vincent Gallo e José Cid, venham todos à Forma do Jazz!

domingo, novembro 16, 2003

Unas e muito mais

Para começar, é importante destacar que "Os Imortais" demonstra um esforço meritório de atrair o público nacional, dispensando histórias demasiado lentas e complexas, criando personagens e apostando no contacto com a realidade, blá, blá... Isto já se tornou um lugar-comum.
Embora principiando com a narração de Rui Unas (nada no seu trabalho o identifica como um "novato" ou uma estrela da televisão, está tão bem como os actores mais habituados ao cinema), a obra de António-Pedro Vasconcelos concentra-se sobretudo na perspectiva do inspector Malarranha (Nicolau Breyner magnífico, melhor no drama que na comédia), que toma conhecimento de toda a história dos Imortais através de vários "flashbacks". Quanto à guerra colonial e às suas memórias, a abordagem é muito diferente, como é óbvio, da comédia que é "Preto e Branco", mas eficaz na sua brevidade (brevidade essa que não caracteriza todo o filme, que se torna demasiado longo).
O elenco é de alto calibre, excepto Emmanuelle Seigner, que serve sobretudo para introduzir a língua francesa ("Os Imortais" é co-produzido pelo Luxemburgo) e cenas de sexo. Mas neste caso a gaja não estraga tudo. É certo que não é um grande filme, mas, como já alguém disse, tem princípio, meio e fim.
Não deixa de ser curioso observar o 1985 recriado por Vasconcelos (com a campanha de Cavaco Silva, cartazes do PRD, Carlos Fino a apresentar o telejornal e toda a gente a pagar em notas de escudo) e pormenores como o "cameo" do realizador (é um pianista) e a enorme quantidade de álcool e tabaco utilizados na rodagem da fita.
A melhor cena: É revelado o destino de Abel.
A pior cena: Madeleine e Malarranha na esplanada.

Nota: 6/10.

P.S. "Portugal S.A."? O que raio vem aí (a avaliar pelo "teaser", muito, mas muito sexo)?

sábado, novembro 15, 2003

Cinema na televisão

“Fargo” (Hollywood)

Uma história simples (mas mirabolante e, incrivelmente, verídica) e uma duração curta. O filme mais célebre dos Coen apresenta uma certa falta de conteúdo, em resultado desse carácter sucinto. No entanto, se a intriga é breve (parece ser apenas mais um caso para a detective Marge), a maneira como ela nos é narrada surpreende quase sempre. Os diálogos (e os sotaques) são fabulosos e por vezes alucinantes. Frances “Oscar” McDormand e William H. Macy ajudam os realizadores compondo na perfeição os seres insólitos que lhes são atribuídos. Os dois bandidos (tão diferentes) tornam-se figuras de referência. Tudo isto junto forma uma comédia de respeito salpicada de violência deliciosamente absurda.
Se tudo o resto for esquecido, “Fargo” pode ser recordado como “o filme da neve”. O amor com que ela é filmada...

Nota: 8/10.


“Tempos Modernos” (RTP2)

Esta é a obra de Charlie Chaplin cujo visionamento é recomendado nos manuais de História do 9º e 12º anos por ser útil para o estudo da crítica ao “taylorismo” e à alienação do trabalho. Na verdade, essa sátira encontra-se presente sobretudo nos primeiros minutos do filme (que são os mais engraçados). A história é afinal a série de tentativas de Charlot e da sua companheira de aventuras e desventuras (interpretada por Paulette Goddard) para obter uma vida feliz numa América atingida pela agitação social e pelo desemprego (a obra é de 1936). Tecnicamente, “Tempos Modernos” é curioso por se tratar de um filme mudo com música e algumas falas sonorizadas.
A ingenuidade da história e dos personagens e o humor (simples mas cheio de imaginação) no qual Chaplin foi no mínimo exímio e com o qual conseguiu agradar a todos (a minha mãe gosta) foram garantia de sucesso. Por outro lado, as óbvias dúvidas sobre as virtudes do capitalismo industrial devem ter estado na origem dos problemas que o cineasta viria a ter.
“O Grande Ditador” é mais divertido, mas as peripécias do vagabundo ainda possuem potencial de riso.

Nota: 7/10.

quinta-feira, novembro 13, 2003

Torque

Quando fui ver o último Matrix assisti a uma peróla do filme chunga americano: Torque.
Imaginem o "The Fast And The Furious" mas com motas. Fácil!!! Umas motas, uns gajos com barba de 5 dias, umas gajas boas e está aí a bombar.
No trailer o tipo passa de mota em cima de um comboio em andamento e pára uma mota aí a uns 200 km/h contra uma árvore com os pés. Nunca me ri tanto!!!!
Vão ao site Coming Soon que está nos links ali ao lado e vão à sessão de trailers. Garantidamente vão passar um bom bocado.

Se gostarem vão às páginas amarelas e procurem psiquiatras.

Top 10

Quando não se sabe do que falar, nesta coisa de blogs, o pessoal começa a magicar e surge sempre a mesma ideia escrever o TOP 10. Neste caso vou colocar os dez filmes que mais gostei mas tendo em conta os géneros. Assim divido os géneros em 10 e escolho o melhor de cada género.

TOP 10

Drama: Magnólia
Aventura: Os Salteadores da Arca Perdida
Ficção Ciêntifica: Blade Runner: O perigo Iminente
Terror/Suspense: The Shinning
Thriller: Seven: Sete Pecados Mortais
Musical: Dancer In The Dark
Peplum/Histórico/Épico: Spartacus
Romance: Punch-Drunk Love
Comédia: A Vida de Brian
Guerra: A Barreira Invisível


Naturalmente há filmes que gostei muito que ficaram de fora. Não se pode ser justo nestas coisas de gostos e tops.

Blogadas

The Temple of Doom, tal como o nome indica, é um blogue da responsabilidade de um fã de Spielberg. Tiago Costa apresenta aos Portugueses um "site" de qualidade tanto a nível do visual como dos textos, nos quais não só fala sobre o realizador de "Hook" como exprime a sua má recepção a "Hulk" e o entusiasmo moderado provocado por "Kill Bill - A Vingança", além de, como a vida não é só a 7ª Arte, registar impressões acerca de vários álbuns. É pena que as actualizações do blogue sejam tão raras.
Entretanto, o Christopher terminou a lista dos melhores filmes que já lhe passaram diante dos olhos, estabelecendo o "top 5" (sem preocupações de ordem). Não posso dar muitas opiniões, porque (oh, vergonha) só vi duas das obras escolhidas, "Magnólia" (obra-prima e o maior filme de culto dos últimos anos, mas não me apetece colocá-la nas cinco mais) e "Queres Ser John Malkovich?" (absolutamente incrível de tão original, mas não excelente). O meu género é mais "O Mundo a Seus Pés", "Beleza Americana", "A Vida é Bela", "Se7en - Sete Pecados Mortais" e "A Lista de Schindler". Uma lista tão válida como qualquer outra...

segunda-feira, novembro 10, 2003

Uma prenda barata

Questionado pela Antena1 sobre qual seria a prenda de aniversário que daria ao seu adversário político Álvaro Cunhal, Mário Soares respondeu que compraria um bilhete para uma sessão daquele que considera ser "um grande filme" em exibição: "Adeus Lenine!" Segundo o eurodeputado, a obra de Wolfgang Becker não faz rir mas sim pensar muito.
Deixando de lado o claro significado político da escolha de Soares (a verdade é que "Adeus Lenine!" não possui uma visão declaradamente anticomunista e adopta uma postura sobretudo documental, apresentando até a opinião de idosos que vêem com desagrado o fim do país que conheceram durante quase toda a vida), a sua crítica pode ser comentada como justa, uma vez que o primeiro filme alemão que vi é realmente muito bom (seria perfeito se não fosse a sua excessiva duração, com partes algo arrastadas), tanto a nível do argumento (cuja brilhante ideia central já todos conhecem) como da realização e das interpretações. Quanto à questão do riso, a verdade é que ele é por vezes inevitável (embora não se procure fazer o espectador sorrir a todo o custo, até porque se parte da história de uma família separada pelo Muro), sobretudo aquando dos noticiários inventados que "reescrevem" a História. Quanto à reflexão, a primeira coisa que me veio à cabeça foi a pena de não ter assistido à reunificação alemã (que as personagens jovens apoiam desde o início) com olhos de ver. Depois, é claro, foi a constatação de que o cinema europeu pode produzir autênticas pérolas com correspondente sucesso de público (o filme já terá chegado aos EUA? Terá agradado aos poucos espectadores?).
O tema tão real e a abordagem de uma época ainda recente contribuem, é claro, de forma decisiva para o forte impacto de "Adeus Lenine!" na Alemanha e fora dela. Quanto mais não seja por ganhar assim a promoção do "boca-a-boca" e ser referido fora dos círculos da crítica cinematográfica. Por exemplo, pelas Produções Fictícias ou por velhos políticos inesperadamente cinéfilos.

domingo, novembro 09, 2003

2000

Hoje, ultrapassámos as 2000 visitas.
É certo que demorou algum tempo. No entanto, temos orgulho em ser um blogue pequeno mas honrado.
Aos sectores da opinião pública nacional por nós influenciados, muito obrigado.
E como somos amigos dos nossos leitores ao ponto de os criticarmos, vejam lá se fazem mais comentários (eu sei que é difícil não concordar plenamente com os nossos juízos, mas esforcem-se)!

sábado, novembro 08, 2003

Ladra mas quase que não morde

Ontem vi o final da trilogia Matrix. A desilusão apoderou-se de mim. A meu ver não havia material para fazer três filmes mas sim dois com principio e fim. Isto porque não considero todo o filme mau. Acho que a batalha é francamente má, tem todos os clichés possiveis e imaginários e tem a falta de metal torcido (mas tem muito digital torcido).
Ô final é realmente muito bom o que me deixa com uma certa frustração. Neste caso o excesso de meios atropelou a história que poderia ter uma volta diferente. Seja como for vale a pena pela primeira e últimas meias horas. O resto é para encher chouriço.


Classificação:

O final da trilogia 5 (0-5)
Matrix Revolutions 3(0-5)

sexta-feira, novembro 07, 2003

E assim acontece II

Bruno Lomba concebeu e apresentou recentemente uma nova página onde publica críticas e outros artigos sobre cinema. Não foi o primeiro a pensar nisso, é verdade, mas o visual impecável do seu blogue chama a atenção. Os (muitos) textos sobre longas-metragens possuem geralmente não mais que meia dúzia de linhas nas quais são expostas de forma clara uma opinião e uma classificação. As imagens (provenientes, nomeadamente, dos filmes que o bloguista considera fazerem parte do melhor de 2003, como "Kill Bill" ou "Dogville") são uma constante neste espaço (aberto à participação dos leitores) produzido por quem sabe do assunto.

Uma sequela de "O Diário de Bridget Jones" está a ser filmada? A sério? Renée Zellweger voltou a engordar? Para quê? Sou daqueles que acham que a comédia romântica de 2001 que agora conhece uma continuação (afinal não era aquele o homem perfeito para Bridget...) não tem piada ou imaginação nas doses aconselháveis e a própria personagem principal (dos seus amigos e amores é melhor nem falar) não inspira interesse por aí além. Terá a segunda aventura de Jones maior ambição? Talvez só um argumento muito bom pudesse levar a actriz principal a aceitar voltar àquilo.

"Adeus Lenine!" já vai na oitava semana de exibição, permanecendo tranquilamente em quatro salas de Lisboa (e uma de Oeiras). Vai assim seguindo o exemplo de "O Fabuloso Destino de Amélie" (2001) e "Fala com Ela" (2002). Tratam-se de filmes europeus (inventivos e com um lado comovente) exibidos em poucos locais e à margem dos maiores multiplexes (leia-se: Warner-Lusomundo), sem campanhas publicitárias dispendiosas e esmagadoras, mas acarinhados pela crítica (aí, "Amélie" foi por vezes excepção) e que, pouco a pouco, aparecem nas conversas de toda a gente, tornando-se autênticas referências. De vez em quando, manifesta-se a costela europeísta do público cinéfilo lusitano, graças a quem aposta na divulgação (não por puro idealismo, uma vez que as três obras citadas foram êxitos de bilheteira nos seus países natais) de fitas produzidas na UE.



quarta-feira, novembro 05, 2003

E assim acontece

O cartaz de "O Amor Acontece" (filme com um enorme elenco que permite ao espectador dedicar-se ao jogo do "caça-a-estrela", perante tão grande número de actores famosos ingleses e americanos creditados) colocado nas estações de metro de Lisboa possui uma ligeira diferença em relação ao original: Martine McCutcheon é substituída por Lúcia Moniz (conhecem-na?). Ora aí estão capacidade de adaptação e uma boa estratégia comercial. Vamos todos correr a ver a Lúcia, o símbolo do crescente prestígio internacional que Portugal adquiriu nos últimos anos.
Entretanto, hoje foi, na verdade, o dia M, no qual a trilogia "Matrix" chegou ao fim. Críticos como Vasco Câmara, Nuno Antunes (em mais um dos seus textos infindáveis mas extremamente claros e divertidos) e Tiago Pimentel já revelaram ao mundo o asco que lhes provocou a conclusão da história. Nos próximos dias, irá o público adquirir a mesma opinião?

terça-feira, novembro 04, 2003

O rol continua

Para quem não leu a posta de pescada de domingo, o blogue Bons Companheiros está aqui. Na lista dos 100 mais, mais uma ousadia: a inclusão de "Todo Mundo em Pânico" (em português, "Um Susto de Filme" e, em americano, "Scary Movie"). Se me perguntarem o que penso, acho que gostos não se discutem... pouco. Por exemplo, "Embriagado de Amor" é, para mim, bem melhor que "As Horas".

segunda-feira, novembro 03, 2003

Brasil

O blogue do qual faz parte o Christopher, Os Bons Companheiros, possui abundante produção e muitas imagens. Ultimamente, ele lançou-se numa iniciativa no mínimo ambiciosa: a elaboração de um “top” com os cem melhores filmes que já viu. Algumas opções tomadas contrariam a preferência crítica habitual, como por exemplo as baixas posições de filmes de Spielberg (“ET – O Extraterrestre” e “O Resgate do Soldado Ryan”) ou a inclusão na lista de comédias com Jim Carrey. O rol ainda está nas últimas posições, por isso fiquem atentos aos próximos desenvolvimentos.
É curioso comparar as traduções dos títulos dos filmes americanos feitas no Brasil com as portuguesas. Muitas vezes, os responsáveis pelo sector do “país irmão” distanciam-se da prudência dos seus colegas lusos, que, como sabem, se preocupam acima de tudo em não inventar nomes muito diferentes dos originais. Já célebre é o facto de “O Padrinho” ser conhecido na terra de Lula como “O Poderoso Chefão”. No entanto, nem sempre é assim. Aqui estão mais alguns exemplos:

Título Original: “Tears of the Sun”
Título Português: “Operação Especial”
Título Brasileiro: “Lágrimas do Sol”

TO: “Ferris Bueller’s Day Off”
TP: “O Rei dos Gazeteiros”
TB: “Curtindo a Vida Adoidado”

TO: “Phone Booth”
TP: “Cabine Telefónica”
TB: “Por um Fio”

TO: “Annie Hall”
TP: “Annie Hall”
TB: “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”

TO: “Bowling for Columbine”
TP: “Bowling for Columbine”
TO: “Tiros em Columbine”

TO: “The Life of David Gale”
TP: “Inocente ou Culpado?”
TB: “A Vida de David Gale”

E há mais, vejam por vocês próprios...

Ladra mas morde volume 3

O primeiro volume do filme de Tarantino é deveras divertido. Após o genérico inicial fiquei com a noção das saudades que tinha dos filmes deste génio da colagem cinematografica. Tarantino vai mesmo mais longe que a colagem uma vez que a sua própria visão deteoria todos os lugares comuns e os transforma em icones da cultura pop.
João Lopes disse no DNA no Sábado imediatamente após a estreia do filme, que Tarantino é um "movie jockey" e não posso deixar de dar cinco estrelas ao filme e mais uma vez à magnífica opinião de João Lopes.

Falar de Tarantino é falar de "pure cinematic delight" e esta expressão é a única capaz de expressar o que se sente quando se vê este filme.
No entanto acho que a parte manga do filme está um pouco descontextualizada parecendo estar ali somente para ocupar tempo e puder ser criado o volume 2 com duração suficiente. Mas o restante é tão bom...

domingo, novembro 02, 2003

Breves

Três breves comentários:

a) “Cinemaamor” é uma (boa) curta-metragem de 1999 escrita e realizada por Jacinto Lucas Pires (mais conhecido como contista e dramaturgo), contando no elenco com actores dos Artistas Unidos (António Simão, Sylvie Rocha, Manuel Wiborg) e um “cameo” de João Bénard da Costa. Trata-se de uma história urbana sobre a busca do amor por um homem, contendo algumas citações cinéfilas. O guião da fita encontra-se (juntamente com o de “Almirante Reis”, do mesmo autor mas levado à tela por outro cineasta) no livro “2 Filmes e Algo de Algodão” (que até nem é dos melhores de Lucas Pires, mas os dois argumentos são interessantes), editado pela Cotovia.

b) A avaliar pelo que se publica na Internet, “Kill Bill – A Vingança” está a ter enorme sucesso em Portugal. O número de opiniões sobre a obra de Tarantino, positivas ou negativas (sobretudo as primeiras), registadas em “sites” sobre cinema ou em blogues é impressionante.

c) Espero que o filme “Os Imortais” seja melhor que o seu cartaz, que transmite uma impressão de espaço sobreaproveitado. Curiosamente, as letrinhas dos créditos encontram-se ao estilo americano.

sábado, novembro 01, 2003

Não matem Quentin

"Quentin Tarantino diz que afirmar-se que não se gosta de violência nos filmes faz tanto sentido como afirmar-se que não se gosta de sequências de dança nos filmes."

Jacinto Lucas Pires, "Cinemaamor"

As cinematografias de todos os países devem contar com uma personagem como Tarantino: um doido que aposta em projectos polémicos que só a sua imaginação delirante poderia criar e, afastando-se do politicamente correcto, acaba por ganhar o estatuto de cineasta de culto. Há quem adore e quem odeie o seu trabalho, mas é difícil ficar indiferente a quem assim provoca o sistema (em Portugal, o mais próximo disto que tivemos foi João César Monteiro).
É verdade que o argumento do primeiro volume de "Kill Bill" conta-se em meia dúzia de palavras, mas isso acaba por passar despercebido perante o carácter de divertimento frenético da longa-metragem. Todas as cenas construídas por Tarantino apresentam-se tão inovadoras e surpreendentes (aspecto para o qual muito contribui a banda sonora) que a atenção (ou a estupefacção) do espectador é atraída permanentemente. O realizador move-se com mestria nos diferentes géneros que mistura (em várias ocasiões, como a luta na penumbra ou as imagens em câmara lenta, parece aproveitar para exibir-se), resultando da sua loucura uma experiência bizarra e indefinível mas extremamente atraente. Os desempenhos das actrizes (os homens só aparecem a sério em Fevereiro) garantem o funcionamento do projecto.
Trata-se de uma obra a transbordar de sangue (o que dá origem a momentos hilariantes de humor negro), embora não seja, geralmente (a sequência em animação é de dar a volta ao estômago), chocante, uma vez que o absurdo com que a história é desenvolvida não permite levá-la muito a sério (é bom saber que a companhia de aviação japonesa não aderiu à paranóia da segurança e permite que os seus passageiros transportem calmamente as espadas junto de si). Até agora, é o filme de 2003 com a melhor situação do género "herói/heroína luta sozinho/a contra dezenas de adversários".
A melhor cena: A banda de "rock" actua.
A pior cena: The Bride observa as espadas de Hatzo.

Nota: 9/10.