O filme "Despertar da mente" brinda-nos com a melhor interpretação de Jim Carrey? Pelo menos é a primeira vez que está em "underacting", o que faz de modo brilhante mostrando que é um dos mais completos actores em actividade. E quanto ao filme?
Não posso deixar de dizer que fiquei um pouco desapontado. Este filme escrito por Kauffman é o seu argumento mais "normal" se tal se pode dizer. Acho que é demasiado colado a ideias de esquizofrenia mental que já tinham sido exploradas em "Queres Ser JM?". Com um fabuloso elenco penso que o argumento não consegue explorar todas as linhas narrativas de um modo sólido e sem pontas soltas:
ATENÇÃO - SPOILERS!!!!!!!
- Qual o papel da relação pouco ortodoxa de Elijah Wood com Clementine?
- Não foi um pouco rápida a conclusão por parte da secretária ao enviar as cassetes ao pessoal?
- E a personagem de Mark Ruffalo tem uma existência um pouco estranha na história, um pouco como a personagem de Dunst que só serve para o desenlace correr.
FIM DOS SPOILERS!!!!!!!
Não quero dizer que o filme não é bom, apenas quero dizer que está uns furos abaixo dos anteriores filmes de Kauffman, não causa a mesma sensação de confusão e de loucura quando se acaba de ver.
3,5 rm 5
sábado, maio 22, 2004
sexta-feira, maio 21, 2004
Gloriosa RTP
É frequente que as informações fornecidas pela imprensa acerca da programação dos canais televisivos não correspondam exactamente à realidade, devido a modificações de última hora. O cinema não escapa a esta descoordenação, mas o que aconteceu na última quarta-feira, 19 de Maio, não deixa de ser curioso. O “Público” (não sei se o mesmo aconteceu noutros jornais) destacou como “Escolha do Dia” entre as longas-metragens exibidas na TV nesse dia “Glória” (1999), de Manuela Viegas (com Jean-Christophe Bouvet e Francisco Relvas), a ser transmitida pela RTP1 às 22.30. Uma sinopse e uma imagem esclareciam (?) o leitor sobre que filme se tratava.
A informação obtida pela redacção do diário estava correcta quanto ao título da obra. O primeiro canal público mostrou (e anunciou) uma fita designada por “Glória”. Mas tratava-se de um filme de Sidney Lumet com Sharon Stone no papel principal.
O “Público”, mal informado, terá confundido os seus desejos com a realidade? Ou a RTP descobriu tarde demais para avisar a imprensa que Stone talvez rendesse mais “share” que Viegas? A estação pública veiculou, pelo menos, um título mais próximo da realidade que “Fogo Cerrado”, indicado na “Visão” de 13 de Maio como o filme a emitir na quarta-feira seguinte, à hora citada.
A informação obtida pela redacção do diário estava correcta quanto ao título da obra. O primeiro canal público mostrou (e anunciou) uma fita designada por “Glória”. Mas tratava-se de um filme de Sidney Lumet com Sharon Stone no papel principal.
O “Público”, mal informado, terá confundido os seus desejos com a realidade? Ou a RTP descobriu tarde demais para avisar a imprensa que Stone talvez rendesse mais “share” que Viegas? A estação pública veiculou, pelo menos, um título mais próximo da realidade que “Fogo Cerrado”, indicado na “Visão” de 13 de Maio como o filme a emitir na quarta-feira seguinte, à hora citada.
quinta-feira, maio 20, 2004
A essência humana
Comprei já há algum tempo esta pequena maravilha escrita por Charlie Kauffman, "Human Nature". Lembrei-me que ainda é inédito entre nós e agora por altura de estreia de "Despertar da Mente" seria uma justa altura para falar desta preciosidade.
Dos três filmes que já vi saídos da cabeça de Kauffman e com produção de Jonze (Beeing JM, Adaptation e Human Nature) este é o que penso mais próximo do visual de Terry Gilliam nas suas paranóias cinematográficas dos anos 80 e que marcaram um estilo único.
Os filmes de Kauffman consegue trazer a louca cinematográfica a um ponto onde a surpresa e a riqueza narrativa coexistem um modo incrível.
Resumindo, este filme começa com uma bela jovem da cidade a viajar para a floresta, uma vez que por causa de um problema de excesso de pêlos, não ser bem aceite na sociedade. Nesse habitat encontra um homem ainda puro, na mais pura da natureza humana. Afastando-se desse trilho conhece um cientista maluco com a qual casa mas que esconde o seu terrivel segredo capilar. Estranho? Não, Kauffman!
Este triângulo constroí uma magnífica comédia com um final explendoroso e com momentos visuais magníficos (os ratos, a terapia). Se me perguntarem que filme me lembra mais eu diria a Laranja Mecânica cómica, uma vez que nesta história tudo se passava também atraves de alterações do comportamento habitual de uma pessoa no seu respectivo efeito.
Michael Gondry não é em nada inferior a Jonze e o que lhe deve faltar para ser tão popular deverá ser a família Coppola. Gondry também saiu do Mundo dos video-clips e conduz o filme com uma capacidade de intercalar imagens fantásticas com efeitos sonoros hipnóticos.
Enviem, cinco preciosas estrelinnhas.
Dos três filmes que já vi saídos da cabeça de Kauffman e com produção de Jonze (Beeing JM, Adaptation e Human Nature) este é o que penso mais próximo do visual de Terry Gilliam nas suas paranóias cinematográficas dos anos 80 e que marcaram um estilo único.
Os filmes de Kauffman consegue trazer a louca cinematográfica a um ponto onde a surpresa e a riqueza narrativa coexistem um modo incrível.
Resumindo, este filme começa com uma bela jovem da cidade a viajar para a floresta, uma vez que por causa de um problema de excesso de pêlos, não ser bem aceite na sociedade. Nesse habitat encontra um homem ainda puro, na mais pura da natureza humana. Afastando-se desse trilho conhece um cientista maluco com a qual casa mas que esconde o seu terrivel segredo capilar. Estranho? Não, Kauffman!
Este triângulo constroí uma magnífica comédia com um final explendoroso e com momentos visuais magníficos (os ratos, a terapia). Se me perguntarem que filme me lembra mais eu diria a Laranja Mecânica cómica, uma vez que nesta história tudo se passava também atraves de alterações do comportamento habitual de uma pessoa no seu respectivo efeito.
Michael Gondry não é em nada inferior a Jonze e o que lhe deve faltar para ser tão popular deverá ser a família Coppola. Gondry também saiu do Mundo dos video-clips e conduz o filme com uma capacidade de intercalar imagens fantásticas com efeitos sonoros hipnóticos.
Enviem, cinco preciosas estrelinnhas.
domingo, maio 16, 2004
O cinema que veio do mar
Desafio o pessoal cinéfilo a uma pequena reflexão...
No ano passado surgiram dois bons filmes vindos do mar:
Os piratas das Caraíbas e o Master And Commander.
Sendo duas visões totalmente distintas estes dois filmes conseguem criar duas obras de grande qualidade num território que outrora trouxe muitos desalentos aos estúdios.
Por um lado temos duas personagens principais interpretadas por dois carismáticos actores, Depp e Crowe que cada a seu estilo nos dão bons desempenhos.
Qual dos dois é melhor? Possivelmente o filme de Peter Weir ganhe alguma vantagem mas sendo estilos dão diferentes (um rigoroso e histórico, outro despretencioso e cómico).
--------------------------
Este passado fim-de-semana vi o "Master and Commander" e mais uma vez fica comprovado perante os meus olhos que Peter Weir é mesmo um excelente realizador. Penso mesmo que poucos se aventuraram em tantos géneros diferentes com um sucesso sempre garantido (pelo menos de crítica). Weir é um mestre na maneira como filma, a fotografia é impressionante e a banda sonora consegue agarrar nos momentos chave do filme.
Sendo este um drama de sobrevivência no alto-mar, o psicológico das personagens está tratado com muita subtileza que nem a brutalidade de algumas cenas consegue retirar.
Mas o melhor é mesmo o argumento. Baseado numa obra extensa, o argumento consegue diálogos notáveis, situações surpreendentes e um final real.
Nota: 4,5 (0-5)
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No ano passado surgiram dois bons filmes vindos do mar:
Os piratas das Caraíbas e o Master And Commander.
Sendo duas visões totalmente distintas estes dois filmes conseguem criar duas obras de grande qualidade num território que outrora trouxe muitos desalentos aos estúdios.
Por um lado temos duas personagens principais interpretadas por dois carismáticos actores, Depp e Crowe que cada a seu estilo nos dão bons desempenhos.
Qual dos dois é melhor? Possivelmente o filme de Peter Weir ganhe alguma vantagem mas sendo estilos dão diferentes (um rigoroso e histórico, outro despretencioso e cómico).
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Este passado fim-de-semana vi o "Master and Commander" e mais uma vez fica comprovado perante os meus olhos que Peter Weir é mesmo um excelente realizador. Penso mesmo que poucos se aventuraram em tantos géneros diferentes com um sucesso sempre garantido (pelo menos de crítica). Weir é um mestre na maneira como filma, a fotografia é impressionante e a banda sonora consegue agarrar nos momentos chave do filme.
Sendo este um drama de sobrevivência no alto-mar, o psicológico das personagens está tratado com muita subtileza que nem a brutalidade de algumas cenas consegue retirar.
Mas o melhor é mesmo o argumento. Baseado numa obra extensa, o argumento consegue diálogos notáveis, situações surpreendentes e um final real.
Nota: 4,5 (0-5)
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sexta-feira, maio 14, 2004
O homem não se cala
A recusa da Disney em permitir à Miramax a distribuição de “Fahrenheit 911”, de Michael Moore, revelou-se tão inútil (depois de o cineasta se manifestar ligeiramente incomodado com o facto, a Miramax conseguiu obter os direitos da obra, que será distribuída por uma terceira empresa) como desastrada. Era certo que, de uma maneira ou outra, o documentário de Moore (a exibir na segunda-feira em Cannes) seria disponibilizado aos espectadores americanos (e não só). Ao procurar censurar as acusações do realizador do Michigan à família Bush, a Disney só contribuiu para aumentar o mediatismo da obra. Não só se adaptou ao modelo corporativista que o cineasta tanto critica, como serviu os interesses de Moore na perfeição.
De facto, ao apresentar-se como vítima da censura promovida pelas grandes empresas, o activista de esquerda reforça a sua imagem de justiceiro e “voz do povo”. A publicidade conferida pela polémica contribui para aumentar os seus lucros e permitir-lhe realizar novos projectos. Basta recordar o que aconteceu com o livro “Brancos Estúpidos…” (a propósito, quando chegará “Dude, Where´s my Country?”, o livro anti-Bush mais recente de Moore, a Portugal?), cuja publicação pareceu impossível após os atentados de 11 de Setembro e se transformou num “best-seller”.
Seria muito mais conveniente para os opositores irredutíveis de Moore deixá-lo mostrar livremente “Fahrenheit 911” e depois desmentir os eventuais equívocos e incorrecções do documentário. Quem já se queimou foi o Rato Mickey.
De facto, ao apresentar-se como vítima da censura promovida pelas grandes empresas, o activista de esquerda reforça a sua imagem de justiceiro e “voz do povo”. A publicidade conferida pela polémica contribui para aumentar os seus lucros e permitir-lhe realizar novos projectos. Basta recordar o que aconteceu com o livro “Brancos Estúpidos…” (a propósito, quando chegará “Dude, Where´s my Country?”, o livro anti-Bush mais recente de Moore, a Portugal?), cuja publicação pareceu impossível após os atentados de 11 de Setembro e se transformou num “best-seller”.
Seria muito mais conveniente para os opositores irredutíveis de Moore deixá-lo mostrar livremente “Fahrenheit 911” e depois desmentir os eventuais equívocos e incorrecções do documentário. Quem já se queimou foi o Rato Mickey.
quarta-feira, maio 12, 2004
Comprimidos
“Prozac”, de Erik Skjoldberg
Com uma passagem bastante discreta pelas salas (estreou em Portugal em Junho do ano passado), “Prozac” é a adaptação de “Prozac Nation”, o livro autobiográfico de Elizabeth Wurtzel acerca da depressão e do recurso ao medicamento do título para a vencer. Christina Ricci é o centro do filme, ao interpretar Elizabeth, uma estudante de Harvard afectada pelo divórcio dos pais que a dada altura torna a vida dos amigos e da família insuportável.
Com um formato de filme independente (nem sequer falta a rapariga nua), “Prozac” é dominado pelas pretensões artísticas da montagem e da realização, que resultam quase sempre banais e forçadas. Apoiada na boa prestação de Ricci (mal acompanhada por Jason Biggs), a longa-metragem mostra, no entanto, ter uma história para contar e um tema a abordar seriamente. No entanto, a duração da fita (cerca de hora e meia) dificulta uma visão aprofundada da problemática da medicação e a tentativa final de alargar a perspectiva da personagem principal a todo o país acaba por ser artificial.
“Prozac” é por vezes interessante (embora não agradável, devido à violência psicológica de algumas cenas) de seguir, mas deixa a sensação de não ter explorado devidamente determinadas pistas para que aponta. Seja como for, é desconcertante.
Para terminar, algumas palavras de Eurico de Barros, com a sua habitual delicadeza de membro de júri de concurso da SIC: “Alturas há em “Prozac” onde a personagem está a pedir não psiquiatra nem medicação, mas sim um valente par de tabefes ou uns quantos açoites no rabo”.
Com uma passagem bastante discreta pelas salas (estreou em Portugal em Junho do ano passado), “Prozac” é a adaptação de “Prozac Nation”, o livro autobiográfico de Elizabeth Wurtzel acerca da depressão e do recurso ao medicamento do título para a vencer. Christina Ricci é o centro do filme, ao interpretar Elizabeth, uma estudante de Harvard afectada pelo divórcio dos pais que a dada altura torna a vida dos amigos e da família insuportável.
Com um formato de filme independente (nem sequer falta a rapariga nua), “Prozac” é dominado pelas pretensões artísticas da montagem e da realização, que resultam quase sempre banais e forçadas. Apoiada na boa prestação de Ricci (mal acompanhada por Jason Biggs), a longa-metragem mostra, no entanto, ter uma história para contar e um tema a abordar seriamente. No entanto, a duração da fita (cerca de hora e meia) dificulta uma visão aprofundada da problemática da medicação e a tentativa final de alargar a perspectiva da personagem principal a todo o país acaba por ser artificial.
“Prozac” é por vezes interessante (embora não agradável, devido à violência psicológica de algumas cenas) de seguir, mas deixa a sensação de não ter explorado devidamente determinadas pistas para que aponta. Seja como for, é desconcertante.
Para terminar, algumas palavras de Eurico de Barros, com a sua habitual delicadeza de membro de júri de concurso da SIC: “Alturas há em “Prozac” onde a personagem está a pedir não psiquiatra nem medicação, mas sim um valente par de tabefes ou uns quantos açoites no rabo”.
segunda-feira, maio 10, 2004
Por aí II
No número deste mês da revista do Inatel, “Tempo Livre”, Joaquim Diabinho publica, como é hábito, pequenos comentários acerca de filmes prestes a estrear. No parágrafo sobre “Tróia”, descreve a reconstituição de época, ou seja, do século XII (o texto não especifica que se trata do XII a.C.), como “sumptuosa nuns casos e obsessiva noutros”. Sobre a interpretação de Brad Pitt, Diabinho afirma que é “quase convincente” (não percebo é se isso é um elogio ou uma crítica), tal como o trabalho do restante elenco. Alguns erros de revisão (a data da obra é 2003, o rei de Esparta chama-se Menelao, o nome de um dos actores é Peter O’ Tolle) não contribuem para a credibilidade da apreciação. Veremos. Por seu lado, Tiago Pimentel já redigiu uma crítica pouco agradável sobre o “blockbuster” homérico.
Não se pode confiar em ninguém. O último folheto distribuído pela ACAPOR (Associação de Comércio Audiovisual de Portugal) nos clubes de vídeo não apresenta um aspecto que mostrava anteriormente a consideração da associação pelo público: os quadros com os dados relativos aos custos e receitas de bilheteira das longas-metragens publicitadas (que revelavam por vezes tratarem-se de verdadeiros “flops”). Sobram apenas os “slogans” (como “Veja cinema em família”) e sinopses das últimas novidades (sendo “Um Golpe em Itália” identificado como “Confissões de uma Mente Perigosa”). Os três filmes que recebem maior destaque são “Kill Bill -Vol. I”, “Nascido para Ganhar” e, claro, “Terrorismo a Alta Velocidade” (com Jean-Claude Van Damme).
Não se pode confiar em ninguém. O último folheto distribuído pela ACAPOR (Associação de Comércio Audiovisual de Portugal) nos clubes de vídeo não apresenta um aspecto que mostrava anteriormente a consideração da associação pelo público: os quadros com os dados relativos aos custos e receitas de bilheteira das longas-metragens publicitadas (que revelavam por vezes tratarem-se de verdadeiros “flops”). Sobram apenas os “slogans” (como “Veja cinema em família”) e sinopses das últimas novidades (sendo “Um Golpe em Itália” identificado como “Confissões de uma Mente Perigosa”). Os três filmes que recebem maior destaque são “Kill Bill -Vol. I”, “Nascido para Ganhar” e, claro, “Terrorismo a Alta Velocidade” (com Jean-Claude Van Damme).
sábado, maio 08, 2004
Hora de balanço
O ICAM disponibilizou o “ranking” dos 50 filmes mais vistos nos cinemas portugueses entre 1 de Janeiro e 30 de Abril de 2004 (para além de dados mostrando como o número de bilhetes vendidos desceu todos os meses). Que aspectos merecem maior destaque?
Para já, o “top 5”: “A Paixão de Cristo” (479 157 espectadores e ainda em exibição), “O Último Samurai” (402 328 bilhetes vendidos), “Alguém Tem que Ceder”, “O Regresso do Rei” (estreado ainda em 2003) e “Scary Movie 3”. Entre os dez mais vistos, existe uma surpresa: “Lost in Translation”, na oitava posição (127 133). O mais curioso é que o filme de Sofia Coppola foi exibido em apenas 59 salas controladas pelo ICAM. Os outros 10 primeiros títulos da lista passaram em mais de 100 écrans.
A marca dos 100 mil espectadores, que parece indicar o verdadeiro êxito de um filme (em condições normais de distribuição) em Portugal, é ultrapassada apenas por 12 filmes. O sucesso (pelo menos a longo prazo) de outros títulos entre os 25 mais parece-me discutível (“A Casa de Campo” e “Gothika”, por exemplo). Abaixo dos 50 mil, é ainda mais duvidoso que alguém se lembre (como uma recordação agradável, pelo menos) daqui a dois anos de obras das quais se fala durante uma ou duas semanas e depois caem no limbo como “O Guarda-Fraldas” ou “Escolha Perigosa”. Existem, é claro, excepções de culto como “Belleville Rendez-Vous” (46º lugar).
O 50º classificado (“Looney Tunes: De Novo em Acção”) foi alvo de visionamento por parte de 19 628 seres humanos. Acontece que em toda a lista não há qualquer longa-metragem de origem portuguesa, num quadrimestre relativamente rico em estreias de fitas nacionais. O ICAM cumpre, assim, o seu dever de informar regularmente os portugueses acerca da irrelevância comercial do seu cinema.
Para já, o “top 5”: “A Paixão de Cristo” (479 157 espectadores e ainda em exibição), “O Último Samurai” (402 328 bilhetes vendidos), “Alguém Tem que Ceder”, “O Regresso do Rei” (estreado ainda em 2003) e “Scary Movie 3”. Entre os dez mais vistos, existe uma surpresa: “Lost in Translation”, na oitava posição (127 133). O mais curioso é que o filme de Sofia Coppola foi exibido em apenas 59 salas controladas pelo ICAM. Os outros 10 primeiros títulos da lista passaram em mais de 100 écrans.
A marca dos 100 mil espectadores, que parece indicar o verdadeiro êxito de um filme (em condições normais de distribuição) em Portugal, é ultrapassada apenas por 12 filmes. O sucesso (pelo menos a longo prazo) de outros títulos entre os 25 mais parece-me discutível (“A Casa de Campo” e “Gothika”, por exemplo). Abaixo dos 50 mil, é ainda mais duvidoso que alguém se lembre (como uma recordação agradável, pelo menos) daqui a dois anos de obras das quais se fala durante uma ou duas semanas e depois caem no limbo como “O Guarda-Fraldas” ou “Escolha Perigosa”. Existem, é claro, excepções de culto como “Belleville Rendez-Vous” (46º lugar).
O 50º classificado (“Looney Tunes: De Novo em Acção”) foi alvo de visionamento por parte de 19 628 seres humanos. Acontece que em toda a lista não há qualquer longa-metragem de origem portuguesa, num quadrimestre relativamente rico em estreias de fitas nacionais. O ICAM cumpre, assim, o seu dever de informar regularmente os portugueses acerca da irrelevância comercial do seu cinema.
quinta-feira, maio 06, 2004
Porrada
A impressão de existência de um confronto aberto entre realizadores portugueses com diferentes pontos de vista acerca do que deve ser o cinema nacional confirmou-se com a polémica entre João Mário Grilo e António-Pedro Vasconcelos. Tudo começou quando o cineasta de “A Falha” utilizou a sua coluna na “Visão” para atacar a nova Lei do Cinema, mãe do FIFACA (Fundo para o Investimento e Fomento das Artes Cinematográficas e do Audiovisual). O objectivo anunciado do Ministério da Cultura (criar condições para o aparecimento de uma indústria cinematográfica em Portugal) parece completamente insano a Grilo, que aponta a inexistência de um mercado para isso necessário e prova as suas dúvidas com o exemplo do “comercial” “Os Imortais”, de António-Pedro Vasconcelos (“cineasta de exemplar subserviência para com o poder político”, segundo Grilo), com um prejuízo de cerca de 2,8 milhões de euros.
Vasconcelos leu o artigo e sentiu-se ligeiramente incomodado com estas afirmações. Em artigo publicado na edição de hoje da mesma revista, dirige a Grilo simpáticos elogios como “criatura”, “ordinário” e “pantomineiro”. Apresenta custos ligeiramente inferiores do orçamento e um maior impacto público de “Os Imortais” (menos de um milhão de euros e não três milhões de custos, estreia com 30 cópias e não 40, 55 mil espectadores e não 40 mil) e acusa o seu colega de, basicamente, ser um parasita do Estado que produz fitas destinadas apenas a “minorias “cultas””, temendo o escrutínio popular.
No meio desta gritaria, quem devemos apoiar? Comparando “Os Imortais” e “A Falha”, a escolha é óbvia: António-Pedro é fixe. É certo que acaba por revelar que a sua última longa-metragem ficou, em termos de sucesso comercial, bastante aquém da anterior (“Jaime” teve, segundo o seu realizador, 220 925 espectadores). Não parecem haver, de momento, grandes candidatos a “blockbusters” lusitanos (filmes que parecem ser feitos para o grande público, como “Tudo Isto é Fado” e “Maria e as Outras”, passam bastante despercebidos). Mas porque não apostar numa “Revolução Industrial” no cinema português? É difícil ficar pior do que está.
Vasconcelos leu o artigo e sentiu-se ligeiramente incomodado com estas afirmações. Em artigo publicado na edição de hoje da mesma revista, dirige a Grilo simpáticos elogios como “criatura”, “ordinário” e “pantomineiro”. Apresenta custos ligeiramente inferiores do orçamento e um maior impacto público de “Os Imortais” (menos de um milhão de euros e não três milhões de custos, estreia com 30 cópias e não 40, 55 mil espectadores e não 40 mil) e acusa o seu colega de, basicamente, ser um parasita do Estado que produz fitas destinadas apenas a “minorias “cultas””, temendo o escrutínio popular.
No meio desta gritaria, quem devemos apoiar? Comparando “Os Imortais” e “A Falha”, a escolha é óbvia: António-Pedro é fixe. É certo que acaba por revelar que a sua última longa-metragem ficou, em termos de sucesso comercial, bastante aquém da anterior (“Jaime” teve, segundo o seu realizador, 220 925 espectadores). Não parecem haver, de momento, grandes candidatos a “blockbusters” lusitanos (filmes que parecem ser feitos para o grande público, como “Tudo Isto é Fado” e “Maria e as Outras”, passam bastante despercebidos). Mas porque não apostar numa “Revolução Industrial” no cinema português? É difícil ficar pior do que está.
terça-feira, maio 04, 2004
Real e com queijo
Queremos assinalar aparecimento do link do Royal with Cheese.
Pedimos desculpa ao autor (que ja tinha justamente reclamado)
mas houve um lapso a quando a publicação da última fornada de links.
Não somos maus colegas bloggers... somos despistados :)
Pedimos desculpa ao autor (que ja tinha justamente reclamado)
mas houve um lapso a quando a publicação da última fornada de links.
Não somos maus colegas bloggers... somos despistados :)
domingo, maio 02, 2004
Mató Bill Vol. 2
Mais uma vez Tarantino surpreende tudo e todos. Depois do filme anterior ter Manga e lutas com mais sangue que uma matança do porco, Tarantino pisa o travão e dá aos personagem tridimensionalidade. Se pensarmos bem só a personagem de Lucy Lu é que é bem desenvolvida no primeiro filme. Neste todos os restantes recebem de Tarantino um tratamento igual.
Os diálogos são excepcionais com destaque para a conversa sobre os super-heróis, que mostratino na mesma forma de Pulp Fiction. O que dizer mais? Os dois filmes são apenas um com 4 horas, que separadamente são dois filmes com muito desequilibrio.
E para finalizar, estes filmes são o "Ninja das Caldas" com orçamento, realizador e actores de primeira linha. Pei Mei parece o mestre do "Ninja das Caldas", de um mau gosto genial.
E nota-se que houve um gozo do caraças a fazer este filme.
Culto instantaneo...
5 (0- 5)
Os diálogos são excepcionais com destaque para a conversa sobre os super-heróis, que mostratino na mesma forma de Pulp Fiction. O que dizer mais? Os dois filmes são apenas um com 4 horas, que separadamente são dois filmes com muito desequilibrio.
E para finalizar, estes filmes são o "Ninja das Caldas" com orçamento, realizador e actores de primeira linha. Pei Mei parece o mestre do "Ninja das Caldas", de um mau gosto genial.
E nota-se que houve um gozo do caraças a fazer este filme.
Culto instantaneo...
5 (0- 5)
sábado, maio 01, 2004
Menos ais
"Kill Bill - Vol. 2", de Quentin Tarantino
Depois da sangreira de Outubro (na minha opinião, sendo impossível levar tanto vermelho a sério, as cenas de acção do primeiro volume acabam por entreter imenso), é com alguma surpresa que se vê uma série de cenas lentas, com diálogos calmos e pausados (até demais) e tudo a acontecer sem grandes sobressaltos, ao longo de incontáveis citações cinéfilas. Mas, no final, o que apetece dizer, não só deste segundo volume, mas da obra completa, é que graças a ela se passaram horas bem agradáveis no cinema. Superficial e profundo, violento e tocante, "Kill Bill", não sendo perfeito, é realmente muito divertido (um filme não precisa de ser uma comédia para divertir, acho eu).
Uma Thurman, David Carradine e Daryl Hannah compõem figuras emblemáticas, guiados pela mão de mestre de Tarantino, que atrai franjas bastante diversas de público (desde fãs de artes marciais e apreciadores de cenas sem imagem a especialistas em BD americana, que têm aqui uma tese polémica para discutir), ou não fosse ele o realizador do momento. Qualquer notícia sobre ideias para o seu próximo projecto só nos pode deixar a salivar...
A melhor cena: Kiddo toca na mão de Bill.
A pior cena: Budd é dispensado por Larry.
Nota: 9/10.
Nota global: 9/10.
Depois da sangreira de Outubro (na minha opinião, sendo impossível levar tanto vermelho a sério, as cenas de acção do primeiro volume acabam por entreter imenso), é com alguma surpresa que se vê uma série de cenas lentas, com diálogos calmos e pausados (até demais) e tudo a acontecer sem grandes sobressaltos, ao longo de incontáveis citações cinéfilas. Mas, no final, o que apetece dizer, não só deste segundo volume, mas da obra completa, é que graças a ela se passaram horas bem agradáveis no cinema. Superficial e profundo, violento e tocante, "Kill Bill", não sendo perfeito, é realmente muito divertido (um filme não precisa de ser uma comédia para divertir, acho eu).
Uma Thurman, David Carradine e Daryl Hannah compõem figuras emblemáticas, guiados pela mão de mestre de Tarantino, que atrai franjas bastante diversas de público (desde fãs de artes marciais e apreciadores de cenas sem imagem a especialistas em BD americana, que têm aqui uma tese polémica para discutir), ou não fosse ele o realizador do momento. Qualquer notícia sobre ideias para o seu próximo projecto só nos pode deixar a salivar...
A melhor cena: Kiddo toca na mão de Bill.
A pior cena: Budd é dispensado por Larry.
Nota: 9/10.
Nota global: 9/10.
Media
É intrigante o facto, de, após tanto tempo a trabalhar em Hollywood e entrevistar tudo quanto é estrela (fazendo perguntas sempre iguais, o que é um mal habitual das entrevistas a actores), Mário Augusto (SIC Notícias) falar inglês com um sotaque português tão carregado. O seu programa, “35mm”, sofre também pela tradução fraquinha das falas dos excertos de filmes exibidos (“I’m the man”/“Sou homem”, por exemplo).
A “Premiere” opta, ultimamente, por inserir legendas curiosas nas imagens dos filmes criticados. Os pequenos textos satíricos oscilam entre o engraçado e o engraçadinho. Saúda-se a irreverência, mas às vezes o autor desconhecido das larachas erra por pouco o alvo.
Na “Grande Reportagem” de hoje, existe um erro cinéfilo, da responsabilidade de Ana Gomes ou de quem registou as suas respostas ao inquérito. Gomes refere-se ao trabalho de Peter Sellers no filme “Good Bye Mr.Chance”. Provavelmente, fala de “Being There” (1979), conhecido em Portugal por “Bem-Vindo, Mr.Chance”.
A “Premiere” opta, ultimamente, por inserir legendas curiosas nas imagens dos filmes criticados. Os pequenos textos satíricos oscilam entre o engraçado e o engraçadinho. Saúda-se a irreverência, mas às vezes o autor desconhecido das larachas erra por pouco o alvo.
Na “Grande Reportagem” de hoje, existe um erro cinéfilo, da responsabilidade de Ana Gomes ou de quem registou as suas respostas ao inquérito. Gomes refere-se ao trabalho de Peter Sellers no filme “Good Bye Mr.Chance”. Provavelmente, fala de “Being There” (1979), conhecido em Portugal por “Bem-Vindo, Mr.Chance”.
terça-feira, abril 27, 2004
Os piratas da Caraíbas
Sinceramente o filme de aventura anda nas ruas da amargura.
Desde que Spielberg pôs o chapéu e o chicote de lado nunca mais se tinha visto um bom filme de aventuras.
E foi quando Depp fez o seu primeiro Blockbuster. Criou uma personagem magistral que transborda cinema de aventuras por todo o lado. A maior dúvida para ver este filme era o modelo de produção (o tio Jerry nunca tinha produzido um filme bom até à data). Possivelmente o facto de ser um filme histórico q.b. torna o modelo de produção um pouco diferente dos Perl Harbours e Armaggedons. Felizmente...
O realizador Gore Verbinski faz um bom trabalho e mostra que poderá não se um mero tarefeiro. O filme tem uma realização inteligente, com planos conseguidos. A inteligência maior foi a caracterização dada a todas as personagens secundárias e figurantes elevando-os a icones da pirataria. Não esquecendo o bom argumento.
Sendo eu alérgico ao Jerry Bruckheimer gostar tanto deste filme foi algo que me apanhou de surpresa.
Recomendo este filme a quem goste de filme de aventuras e sobretudo a todos os que adoraram (como eu) os jogos de computador "Secret of the Monkey Island". Este filme é o jogo tornado realidade.
4,5 em 5 ----------- o 5 virá com o tempo :-)
Desde que Spielberg pôs o chapéu e o chicote de lado nunca mais se tinha visto um bom filme de aventuras.
E foi quando Depp fez o seu primeiro Blockbuster. Criou uma personagem magistral que transborda cinema de aventuras por todo o lado. A maior dúvida para ver este filme era o modelo de produção (o tio Jerry nunca tinha produzido um filme bom até à data). Possivelmente o facto de ser um filme histórico q.b. torna o modelo de produção um pouco diferente dos Perl Harbours e Armaggedons. Felizmente...
O realizador Gore Verbinski faz um bom trabalho e mostra que poderá não se um mero tarefeiro. O filme tem uma realização inteligente, com planos conseguidos. A inteligência maior foi a caracterização dada a todas as personagens secundárias e figurantes elevando-os a icones da pirataria. Não esquecendo o bom argumento.
Sendo eu alérgico ao Jerry Bruckheimer gostar tanto deste filme foi algo que me apanhou de surpresa.
Recomendo este filme a quem goste de filme de aventuras e sobretudo a todos os que adoraram (como eu) os jogos de computador "Secret of the Monkey Island". Este filme é o jogo tornado realidade.
4,5 em 5 ----------- o 5 virá com o tempo :-)
Documentos
A propósito das (escassas) abordagens das vicissitudes do século XX português (dos outros séculos, geralmente nem se fala) realizadas pelo cinema nacional, merecem destaque, pelo seu interesse documental, dois filmes incluídos no DVD vendido pelo "Público" anteontem.
O primeiro, "Natal 71" (1999), de Margarida Cardoso, debruça-se sobre a guerra colonial. O documentário parte do depoimento do pai da cineasta, completado com outras declarações e muitos sons e imagens de arquivo relativos à época analisada. Ainda que os testemunhos recolhidos sejam algo escassos, revelam aspectos menos conhecidos da vivência do conflito e o ponto de vista de quem serviu de mero peão nos acontecimentos do final do Estado Novo. Mas são as imagens, seja da declaração piedosa de Cecília Supico Pinto, do jogo de basquetebol dos fuzileiros da Guiné (pérolas de humor involuntário) ou da acção militar propriamente dita, que esclarecem melhor o espectador acerca do "Vietname à nossa escala".
Quanto ao drama "Brandos Costumes" (estreado em 1975), de Alberto Seixas Santos, vale sobretudo pelas imagens de aparições públicas de Salazar e das manifestações em seu louvor (incluindo o velório). Nos períodos entre as imagens recolhidas na Cinemateca, há longos planos fixos de gente a dizer clichés em verso (o cinema português dos anos 70 não seria propriamente melhor que o de hoje...).
As duas obras permitem obter informações sobre as mentalidades vigentes antes do 25 de Abril (sobre o pós-revolução, além de documentários televisivos, existem obras como "Bom Povo Português", de Rui Simões), veiculadas pelo regime através do cinema (era o tempo das "actualidades") e da televisão.
O primeiro, "Natal 71" (1999), de Margarida Cardoso, debruça-se sobre a guerra colonial. O documentário parte do depoimento do pai da cineasta, completado com outras declarações e muitos sons e imagens de arquivo relativos à época analisada. Ainda que os testemunhos recolhidos sejam algo escassos, revelam aspectos menos conhecidos da vivência do conflito e o ponto de vista de quem serviu de mero peão nos acontecimentos do final do Estado Novo. Mas são as imagens, seja da declaração piedosa de Cecília Supico Pinto, do jogo de basquetebol dos fuzileiros da Guiné (pérolas de humor involuntário) ou da acção militar propriamente dita, que esclarecem melhor o espectador acerca do "Vietname à nossa escala".
Quanto ao drama "Brandos Costumes" (estreado em 1975), de Alberto Seixas Santos, vale sobretudo pelas imagens de aparições públicas de Salazar e das manifestações em seu louvor (incluindo o velório). Nos períodos entre as imagens recolhidas na Cinemateca, há longos planos fixos de gente a dizer clichés em verso (o cinema português dos anos 70 não seria propriamente melhor que o de hoje...).
As duas obras permitem obter informações sobre as mentalidades vigentes antes do 25 de Abril (sobre o pós-revolução, além de documentários televisivos, existem obras como "Bom Povo Português", de Rui Simões), veiculadas pelo regime através do cinema (era o tempo das "actualidades") e da televisão.
segunda-feira, abril 26, 2004
O ataque dos Cartoons
Desta vez George Lucas acertou inteiramente.
Primeiro, devo confessar que sou um fã Star Wars da velha guarda. Quero com isto dizer que gostei muito mais da série antiga que da actual (duvido que alguém pense o contrário). Mas agora foi a surpresa total...
Perguntam-me que surpresa foi esta? Foi a série do Cartoon Networks Star Wars: Clone Wars.
Os episódios dividem em 20 pedaços um filme que poderia ter 80 (20 * 4 = 80 minutos) e que revela pormenores muito interessantes para o episódio três. Lucas entregou os desenhos animados ao criador do "Laboratório do Dexter" e de "Samurai Jack" e o resultado espanta.
O virtuosismo da realização só pode ser comparado com o Episódio 5, onde não existe tempo para respirar dada a sequência de acontecimentos. A minha opinião deve-se ao facto de ter visto os 20 episódio todos de seguida conseguindo perceber mais atentamente os detalhes dos diversos fragmentos da história. De qualquer modo, o estilo de cartoon escolhido realça os propositos de Lucas no estilo desta segunda triologia: deixar a imaginação vencer.
Nos desenhos animados todos os exageros dos dois últimos filmes resultam perfeitamente levando a perceber que o Mundo que Lucas imaginou à trinta anos não era mais que uma prancha de um livro de BD misturada com imagens reais.
Espero que o dvd seja para breve. Se der na televisão Tuga, espero que não seja dobrado, uma vez que as vozes dos desenhos conseguem imitar quase na perfeição as vozes dos actores de carne e osso.
Que a Força esteja para ficar.
Primeiro, devo confessar que sou um fã Star Wars da velha guarda. Quero com isto dizer que gostei muito mais da série antiga que da actual (duvido que alguém pense o contrário). Mas agora foi a surpresa total...
Perguntam-me que surpresa foi esta? Foi a série do Cartoon Networks Star Wars: Clone Wars.
Os episódios dividem em 20 pedaços um filme que poderia ter 80 (20 * 4 = 80 minutos) e que revela pormenores muito interessantes para o episódio três. Lucas entregou os desenhos animados ao criador do "Laboratório do Dexter" e de "Samurai Jack" e o resultado espanta.
O virtuosismo da realização só pode ser comparado com o Episódio 5, onde não existe tempo para respirar dada a sequência de acontecimentos. A minha opinião deve-se ao facto de ter visto os 20 episódio todos de seguida conseguindo perceber mais atentamente os detalhes dos diversos fragmentos da história. De qualquer modo, o estilo de cartoon escolhido realça os propositos de Lucas no estilo desta segunda triologia: deixar a imaginação vencer.
Nos desenhos animados todos os exageros dos dois últimos filmes resultam perfeitamente levando a perceber que o Mundo que Lucas imaginou à trinta anos não era mais que uma prancha de um livro de BD misturada com imagens reais.
Espero que o dvd seja para breve. Se der na televisão Tuga, espero que não seja dobrado, uma vez que as vozes dos desenhos conseguem imitar quase na perfeição as vozes dos actores de carne e osso.
Que a Força esteja para ficar.
Novos links
Tanto quanto o tempo nos permite, o Pipoca Rasca finalmente viu os seus links actualizados.
Pretendemos deste modo agradecer aos outros blogs que nos deram a conhecer a tantas pessoas
desta cada vez mais acolhedora Blogsfera.
Pretendemos deste modo agradecer aos outros blogs que nos deram a conhecer a tantas pessoas
desta cada vez mais acolhedora Blogsfera.
sábado, abril 24, 2004
Evolução?
Está previsto que a RTP exiba amanhã o filme "Capitães de Abril", de Maria de Medeiros, de forma a assinalar a efeméride. O problema é que a estação já faz isso desde 2001...
De facto, não gosto por aí além da obra de Medeiros. O que está em causa não são as dobragens ou um actor estrangeiro a interpretar Salgueiro Maia. Em termos de banda sonora e reconstituição dos anos 70, esta óptimo, mas a credibilidade do enredo é muito reduzida. Muitas vezes Medeiros foi demasiado original em relação ao "guião" escrito pelo MFA e criou uma ficção bastante fraca para servir de base à narração dos eventos históricos. E quando o filme envereda pelo drama ou pelo humor, torna-se exagerado.
Mas enfim, mais vale "Capitães de Abril" que nada, em termos de produção cinematográfica sobre a Revolução (na verdade, a SIC produziu em 1999 um telefilme, "A Hora da Liberdade", bem mais fiel, convincente e interessante, mas esse a RTP não pode exibir). Repetindo o que já se tornou um cliché, a nossa História Contemporânea não tem servido de inspiração para muitas fitas. Porque será?
De facto, não gosto por aí além da obra de Medeiros. O que está em causa não são as dobragens ou um actor estrangeiro a interpretar Salgueiro Maia. Em termos de banda sonora e reconstituição dos anos 70, esta óptimo, mas a credibilidade do enredo é muito reduzida. Muitas vezes Medeiros foi demasiado original em relação ao "guião" escrito pelo MFA e criou uma ficção bastante fraca para servir de base à narração dos eventos históricos. E quando o filme envereda pelo drama ou pelo humor, torna-se exagerado.
Mas enfim, mais vale "Capitães de Abril" que nada, em termos de produção cinematográfica sobre a Revolução (na verdade, a SIC produziu em 1999 um telefilme, "A Hora da Liberdade", bem mais fiel, convincente e interessante, mas esse a RTP não pode exibir). Repetindo o que já se tornou um cliché, a nossa História Contemporânea não tem servido de inspiração para muitas fitas. Porque será?
terça-feira, abril 20, 2004
Lusices
Algo de errado se passa no cinema português. Alguns cineastas produzem bons filmes, mas, geralmente, até mesmo esses têm algum problema, ainda que difícil de identificar, a impedí-los de ser muito bons. É realmente difícil estabelecer empatia com o espectador.
Escolher uns quantos filmes de qualidade portugueses dos últimos anos (custa a acreditar, mas eles existem) é difícil tendo em conta que desconheço o trabalho dos "grandes mestres" (Manoel de Oliveira, João César Monteiro, Paulo Rocha, etc.) e só de quando em quando vejo uma fita de origem lusitana no cinema ou na televisão. Seja como for, a verdade é que na última década surgiram, entre outras, curtas e longas-metragens como:
5 - "Os Imortais" (2002), de António-Pedro Vasconcelos
A parte boa: Nicolau Breyner, Rui Unas, Joaquim de Almeida; a reconstituição de época; uma abordagem da guerra colonial que foge aos clichés.
O problema: Emmanuelle Seigner; as cenas mais lentas.
4 - "Zona J" (1998), de Leonel Vieira
A parte boa: O eficaz "realismo urbano"; o ritmo do filme; a realização de Leonel Vieira; os actores estreantes.
O problema: Um argumento algo limitado.
3 - "Crónica Feminina" (2002), de Gonçalo Luz
A parte boa: Ana Bustorff e Maria João Luís; o ambiente; a fotografia.
O problema: Alguma dificuldade em combinar drama e comédia.
2 - "Respirar (Debaixo d'Água) (1999), de António Ferreira
A parte boa: A revelação de António Ferreira; uma história passada, para variar, fora de Lisboa; os jovens; Vítor Norte, um dos melhores actores do cinema (não da televisão) em Portugal.
O problema: A dada altura, os desastres na vida do protagonista tornam-se cansativos.
1 - "A Suspeita" (2000), de José Miguel Ribeiro
A parte boa: Humor, "suspense", surpresa, animação excelente, personagens divertidas.
O problema: Sei lá...
Escolher uns quantos filmes de qualidade portugueses dos últimos anos (custa a acreditar, mas eles existem) é difícil tendo em conta que desconheço o trabalho dos "grandes mestres" (Manoel de Oliveira, João César Monteiro, Paulo Rocha, etc.) e só de quando em quando vejo uma fita de origem lusitana no cinema ou na televisão. Seja como for, a verdade é que na última década surgiram, entre outras, curtas e longas-metragens como:
5 - "Os Imortais" (2002), de António-Pedro Vasconcelos
A parte boa: Nicolau Breyner, Rui Unas, Joaquim de Almeida; a reconstituição de época; uma abordagem da guerra colonial que foge aos clichés.
O problema: Emmanuelle Seigner; as cenas mais lentas.
4 - "Zona J" (1998), de Leonel Vieira
A parte boa: O eficaz "realismo urbano"; o ritmo do filme; a realização de Leonel Vieira; os actores estreantes.
O problema: Um argumento algo limitado.
3 - "Crónica Feminina" (2002), de Gonçalo Luz
A parte boa: Ana Bustorff e Maria João Luís; o ambiente; a fotografia.
O problema: Alguma dificuldade em combinar drama e comédia.
2 - "Respirar (Debaixo d'Água) (1999), de António Ferreira
A parte boa: A revelação de António Ferreira; uma história passada, para variar, fora de Lisboa; os jovens; Vítor Norte, um dos melhores actores do cinema (não da televisão) em Portugal.
O problema: A dada altura, os desastres na vida do protagonista tornam-se cansativos.
1 - "A Suspeita" (2000), de José Miguel Ribeiro
A parte boa: Humor, "suspense", surpresa, animação excelente, personagens divertidas.
O problema: Sei lá...
domingo, abril 18, 2004
Por aí
Depois de um período de “hibernação”, o Cinema2000 (prestes a efectuar uma renovação gráfica e de conteúdos) ganha cada vez mais interesse (o “sangue novo” de Nuno Antunes e Tiago Pimentel não deixará de ser útil). Os artigos de autor desconhecido acerca da evolução dos dados das bilheteiras portuguesas (a tabela do ICAM começa a tornar-se monótona) e das reacções que “A Paixão de Cristo” tem gerado um pouco por todo o mundo (inclusive nos países islâmicos, onde ocorrem tomadas de posição não propriamente inocentes) merecem destaque.
Na sexta-feira, foram discutidos na Assembleia da República os projectos do Governo e do PS relativos à Lei do Cinema. Prefiro não discutir, por falta de informação, as características específicas das duas propostas, mas parece-me positivo o objectivo de libertar a produção cinematográfica nacional da dependência do Estado e tentar criar uma indústria. Seja como for, a discussão pública provou que os realizadores portugueses não são todos iguais. De um lado, está a ARCA (Associação de Realizadores de Cinema e Audiovisual), presidida por António-Pedro Vasconcelos (“Os Imortais”) e, do outro, a APR (Associação Portuguesa de Realizadores), sob a liderança de João Mário Grilo (“A Falha”). Enquanto a ARCA parece achar que José Amaral Lopes (secretário de Estado da Cultura) é, apesar de tudo, um tipo porreiro (esteve presente na conferência de imprensa da organização), a APR não o pode ver à frente. A ARCA receia que o apoio a obras designadas oficialmente como “de atractividade comercial” reforce excessivamente a oposição desse tipo de fitas ao “cinema de autor” habitual em Portugal. A APR considera que o cinema “comercial” só deu no nosso país “prejuízo cultural e financeiro” e o Governo quer, perfidamente, transformar artesãos em “medíocres cineastas do entretenimento” (“Público”, 16 de Abril). Perspectivas semelhantes, sem dúvida. Parece haver uma verdadeira “guerra civil” no mundo audiovisual português. Para já, o público não sai vencedor.
Depois de semanas de falatório à volta do corpo ensanguentado do Cristo de Mel Gibson, o debate cinéfilo mediático caiu quase no marasmo. As distribuidoras descarregam nas salas dezenas de longas-metragens tão diferentes como “O Gato” e “Daqui p’rá Alegria” e o entusiasmo crítico em relação a elas é, geralmente, bastante moderado. Nenhum filme parece ganhar destaque entre a multidão de produções que aterra discretamente nos cinemas. Talvez a estreia de “Kill Bill 2”, no final do mês, vá mudar tudo isto.
Na sexta-feira, foram discutidos na Assembleia da República os projectos do Governo e do PS relativos à Lei do Cinema. Prefiro não discutir, por falta de informação, as características específicas das duas propostas, mas parece-me positivo o objectivo de libertar a produção cinematográfica nacional da dependência do Estado e tentar criar uma indústria. Seja como for, a discussão pública provou que os realizadores portugueses não são todos iguais. De um lado, está a ARCA (Associação de Realizadores de Cinema e Audiovisual), presidida por António-Pedro Vasconcelos (“Os Imortais”) e, do outro, a APR (Associação Portuguesa de Realizadores), sob a liderança de João Mário Grilo (“A Falha”). Enquanto a ARCA parece achar que José Amaral Lopes (secretário de Estado da Cultura) é, apesar de tudo, um tipo porreiro (esteve presente na conferência de imprensa da organização), a APR não o pode ver à frente. A ARCA receia que o apoio a obras designadas oficialmente como “de atractividade comercial” reforce excessivamente a oposição desse tipo de fitas ao “cinema de autor” habitual em Portugal. A APR considera que o cinema “comercial” só deu no nosso país “prejuízo cultural e financeiro” e o Governo quer, perfidamente, transformar artesãos em “medíocres cineastas do entretenimento” (“Público”, 16 de Abril). Perspectivas semelhantes, sem dúvida. Parece haver uma verdadeira “guerra civil” no mundo audiovisual português. Para já, o público não sai vencedor.
Depois de semanas de falatório à volta do corpo ensanguentado do Cristo de Mel Gibson, o debate cinéfilo mediático caiu quase no marasmo. As distribuidoras descarregam nas salas dezenas de longas-metragens tão diferentes como “O Gato” e “Daqui p’rá Alegria” e o entusiasmo crítico em relação a elas é, geralmente, bastante moderado. Nenhum filme parece ganhar destaque entre a multidão de produções que aterra discretamente nos cinemas. Talvez a estreia de “Kill Bill 2”, no final do mês, vá mudar tudo isto.
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