“Fahrenheit 9/11” parece estar prestes a ser uma espécie de “A Paixão de Cristo” do documentário. Rodeado de intensa polémica desde a pré-produção e aparentemente destinado a um grupo reduzido de cinéfilos pelo seu carácter alternativo e pouco comercial (que fez grandes estúdios e distribuidores afastarem-se receosos), o novo filme de Michael Moore prepara-se para encher muitas salas de multiplexes pipoqueiros com gente de toda a espécie (embora com um público-alvo menos alargado que a obra cristã de Gibson) ao apelar a valores essenciais da cultura americana (neste caso, a liberdade). As primeiras reacções, motivadas por vezes por questões extra-cinema, incluem quer elogios arrebatados (a Palma de Ouro) quer o repúdio indignado da obra do “documentarista mais estúpido do mundo” (Tiago Pimentel). Desta vez, a acusação lançada ao cineasta (conhecido pelo radicalismo das suas crenças) não é de anti-semitismo (pelo contrário), mas de “anti-bushismo” primário. De repente, a polémica tornou a fita um dos filmes mais aguardados do ano, com ampla cobertura mediática e especulações sobre os efeitos psicológicos que poderá ter no público. Para já, sabe-se que a longa-metragem inclui muitas imagens de violência chocantes passadas no Médio Oriente, vilões bem identificados, momentos de tristeza mas uma dose de esperança no final. Quanto à qualidade do produto como mero objecto cinematográfico, parece não se tratar de nada de genial, sem deixar, no entanto, de ser interessante. O perigo é que talvez apenas os correligionários do realizador e argumentista se possam identificar com a mensagem da sua obra. Seja como for, a Lusomundo assegurará a distribuição da fita em Portugal.
Descubram as diferenças…
Pessoalmente, estou ansioso pela oportunidade de ver o novo manifesto de Moore. Não é que concorde com a pose de “estrela” que o realizador assume ou com o lado mais demagógico (do estilo “a culpa é toda dos ricos”) da sua ideologia, mas “Bowling for Columbine” deu para perceber que a câmara do activista pode mostrar, mesmo com humor, aspectos inquietantes e pertinentes da realidade. Claro que o cinema de Moore é 100% político, mas isso não é necessariamente negativo (tal como o risco de “Fahrenheit 9/11” se desactualizar caso o resultado das presidenciais americanas seja o que a esquerda pretende). A 7ª Arte não pode estar fechada às questões da actualidade e qualquer fita sofre desgaste com o passar do tempo sem por isso perder (ou ganhar) valor.
sexta-feira, junho 04, 2004
quarta-feira, junho 02, 2004
Surpresa?
“Identidade Misteriosa”, de James Mangold
Várias pessoas reúnem-se por acaso num motel durante um dilúvio (não sei porquê, mas a chuva nos filmes parece-me muitas vezes exagerada) e em breve começam a ser assassinadas sem qualquer explicação plausível. Numa história paralela, é reavaliada a pena de um assassino prestes a ser executado (pelos crimes do motel?). É o ponto de partida do “thriller” “Identidade Misteriosa”, que procura assustar e surpreender o público ao longo de hora e meia.
Mas o mistério acaba por nunca ser muito convincente. Mangold filma sem grande arrojo ou talento para o “suspense” (embora as cenas iniciais, mostrando a origem da reunião das vítimas, sejam prometedoras). Os actores secundários, mesmo não brilhando, acabam por ser mais interessantes que John Cusack e Amanda Peet (apagados) ou Ray Liotta (em “overacting”). As personagens são débeis e as tentativas de as aprofundar quase risíveis. Embora se aposte continuamente no efeito surpresa, ele raramente funciona.
Perante a falta de sentido dos crimes, fica-se à espera do “twist” que explique tudo, e ele aparece. Não é mal imaginado, mas até isso acaba por provocar uma certa indiferença. Com ou sem laranjas no final, o filme parece inconsequente. “Identidade Misteriosa” tem momentos interessantes, mas duvido que contribua para a felicidade de qualquer espectador.
A melhor cena: Paris deixa cair um sapato na estrada.
A pior cena: Ed revela o seu trauma.
Nota: 5/10.
P.S. Desculpem a longa ausência...
Várias pessoas reúnem-se por acaso num motel durante um dilúvio (não sei porquê, mas a chuva nos filmes parece-me muitas vezes exagerada) e em breve começam a ser assassinadas sem qualquer explicação plausível. Numa história paralela, é reavaliada a pena de um assassino prestes a ser executado (pelos crimes do motel?). É o ponto de partida do “thriller” “Identidade Misteriosa”, que procura assustar e surpreender o público ao longo de hora e meia.
Mas o mistério acaba por nunca ser muito convincente. Mangold filma sem grande arrojo ou talento para o “suspense” (embora as cenas iniciais, mostrando a origem da reunião das vítimas, sejam prometedoras). Os actores secundários, mesmo não brilhando, acabam por ser mais interessantes que John Cusack e Amanda Peet (apagados) ou Ray Liotta (em “overacting”). As personagens são débeis e as tentativas de as aprofundar quase risíveis. Embora se aposte continuamente no efeito surpresa, ele raramente funciona.
Perante a falta de sentido dos crimes, fica-se à espera do “twist” que explique tudo, e ele aparece. Não é mal imaginado, mas até isso acaba por provocar uma certa indiferença. Com ou sem laranjas no final, o filme parece inconsequente. “Identidade Misteriosa” tem momentos interessantes, mas duvido que contribua para a felicidade de qualquer espectador.
A melhor cena: Paris deixa cair um sapato na estrada.
A pior cena: Ed revela o seu trauma.
Nota: 5/10.
P.S. Desculpem a longa ausência...
sábado, maio 22, 2004
Uma mente imaculada
O filme "Despertar da mente" brinda-nos com a melhor interpretação de Jim Carrey? Pelo menos é a primeira vez que está em "underacting", o que faz de modo brilhante mostrando que é um dos mais completos actores em actividade. E quanto ao filme?
Não posso deixar de dizer que fiquei um pouco desapontado. Este filme escrito por Kauffman é o seu argumento mais "normal" se tal se pode dizer. Acho que é demasiado colado a ideias de esquizofrenia mental que já tinham sido exploradas em "Queres Ser JM?". Com um fabuloso elenco penso que o argumento não consegue explorar todas as linhas narrativas de um modo sólido e sem pontas soltas:
ATENÇÃO - SPOILERS!!!!!!!
- Qual o papel da relação pouco ortodoxa de Elijah Wood com Clementine?
- Não foi um pouco rápida a conclusão por parte da secretária ao enviar as cassetes ao pessoal?
- E a personagem de Mark Ruffalo tem uma existência um pouco estranha na história, um pouco como a personagem de Dunst que só serve para o desenlace correr.
FIM DOS SPOILERS!!!!!!!
Não quero dizer que o filme não é bom, apenas quero dizer que está uns furos abaixo dos anteriores filmes de Kauffman, não causa a mesma sensação de confusão e de loucura quando se acaba de ver.
3,5 rm 5
Não posso deixar de dizer que fiquei um pouco desapontado. Este filme escrito por Kauffman é o seu argumento mais "normal" se tal se pode dizer. Acho que é demasiado colado a ideias de esquizofrenia mental que já tinham sido exploradas em "Queres Ser JM?". Com um fabuloso elenco penso que o argumento não consegue explorar todas as linhas narrativas de um modo sólido e sem pontas soltas:
ATENÇÃO - SPOILERS!!!!!!!
- Qual o papel da relação pouco ortodoxa de Elijah Wood com Clementine?
- Não foi um pouco rápida a conclusão por parte da secretária ao enviar as cassetes ao pessoal?
- E a personagem de Mark Ruffalo tem uma existência um pouco estranha na história, um pouco como a personagem de Dunst que só serve para o desenlace correr.
FIM DOS SPOILERS!!!!!!!
Não quero dizer que o filme não é bom, apenas quero dizer que está uns furos abaixo dos anteriores filmes de Kauffman, não causa a mesma sensação de confusão e de loucura quando se acaba de ver.
3,5 rm 5
sexta-feira, maio 21, 2004
Gloriosa RTP
É frequente que as informações fornecidas pela imprensa acerca da programação dos canais televisivos não correspondam exactamente à realidade, devido a modificações de última hora. O cinema não escapa a esta descoordenação, mas o que aconteceu na última quarta-feira, 19 de Maio, não deixa de ser curioso. O “Público” (não sei se o mesmo aconteceu noutros jornais) destacou como “Escolha do Dia” entre as longas-metragens exibidas na TV nesse dia “Glória” (1999), de Manuela Viegas (com Jean-Christophe Bouvet e Francisco Relvas), a ser transmitida pela RTP1 às 22.30. Uma sinopse e uma imagem esclareciam (?) o leitor sobre que filme se tratava.
A informação obtida pela redacção do diário estava correcta quanto ao título da obra. O primeiro canal público mostrou (e anunciou) uma fita designada por “Glória”. Mas tratava-se de um filme de Sidney Lumet com Sharon Stone no papel principal.
O “Público”, mal informado, terá confundido os seus desejos com a realidade? Ou a RTP descobriu tarde demais para avisar a imprensa que Stone talvez rendesse mais “share” que Viegas? A estação pública veiculou, pelo menos, um título mais próximo da realidade que “Fogo Cerrado”, indicado na “Visão” de 13 de Maio como o filme a emitir na quarta-feira seguinte, à hora citada.
A informação obtida pela redacção do diário estava correcta quanto ao título da obra. O primeiro canal público mostrou (e anunciou) uma fita designada por “Glória”. Mas tratava-se de um filme de Sidney Lumet com Sharon Stone no papel principal.
O “Público”, mal informado, terá confundido os seus desejos com a realidade? Ou a RTP descobriu tarde demais para avisar a imprensa que Stone talvez rendesse mais “share” que Viegas? A estação pública veiculou, pelo menos, um título mais próximo da realidade que “Fogo Cerrado”, indicado na “Visão” de 13 de Maio como o filme a emitir na quarta-feira seguinte, à hora citada.
quinta-feira, maio 20, 2004
A essência humana
Comprei já há algum tempo esta pequena maravilha escrita por Charlie Kauffman, "Human Nature". Lembrei-me que ainda é inédito entre nós e agora por altura de estreia de "Despertar da Mente" seria uma justa altura para falar desta preciosidade.
Dos três filmes que já vi saídos da cabeça de Kauffman e com produção de Jonze (Beeing JM, Adaptation e Human Nature) este é o que penso mais próximo do visual de Terry Gilliam nas suas paranóias cinematográficas dos anos 80 e que marcaram um estilo único.
Os filmes de Kauffman consegue trazer a louca cinematográfica a um ponto onde a surpresa e a riqueza narrativa coexistem um modo incrível.
Resumindo, este filme começa com uma bela jovem da cidade a viajar para a floresta, uma vez que por causa de um problema de excesso de pêlos, não ser bem aceite na sociedade. Nesse habitat encontra um homem ainda puro, na mais pura da natureza humana. Afastando-se desse trilho conhece um cientista maluco com a qual casa mas que esconde o seu terrivel segredo capilar. Estranho? Não, Kauffman!
Este triângulo constroí uma magnífica comédia com um final explendoroso e com momentos visuais magníficos (os ratos, a terapia). Se me perguntarem que filme me lembra mais eu diria a Laranja Mecânica cómica, uma vez que nesta história tudo se passava também atraves de alterações do comportamento habitual de uma pessoa no seu respectivo efeito.
Michael Gondry não é em nada inferior a Jonze e o que lhe deve faltar para ser tão popular deverá ser a família Coppola. Gondry também saiu do Mundo dos video-clips e conduz o filme com uma capacidade de intercalar imagens fantásticas com efeitos sonoros hipnóticos.
Enviem, cinco preciosas estrelinnhas.
Dos três filmes que já vi saídos da cabeça de Kauffman e com produção de Jonze (Beeing JM, Adaptation e Human Nature) este é o que penso mais próximo do visual de Terry Gilliam nas suas paranóias cinematográficas dos anos 80 e que marcaram um estilo único.
Os filmes de Kauffman consegue trazer a louca cinematográfica a um ponto onde a surpresa e a riqueza narrativa coexistem um modo incrível.
Resumindo, este filme começa com uma bela jovem da cidade a viajar para a floresta, uma vez que por causa de um problema de excesso de pêlos, não ser bem aceite na sociedade. Nesse habitat encontra um homem ainda puro, na mais pura da natureza humana. Afastando-se desse trilho conhece um cientista maluco com a qual casa mas que esconde o seu terrivel segredo capilar. Estranho? Não, Kauffman!
Este triângulo constroí uma magnífica comédia com um final explendoroso e com momentos visuais magníficos (os ratos, a terapia). Se me perguntarem que filme me lembra mais eu diria a Laranja Mecânica cómica, uma vez que nesta história tudo se passava também atraves de alterações do comportamento habitual de uma pessoa no seu respectivo efeito.
Michael Gondry não é em nada inferior a Jonze e o que lhe deve faltar para ser tão popular deverá ser a família Coppola. Gondry também saiu do Mundo dos video-clips e conduz o filme com uma capacidade de intercalar imagens fantásticas com efeitos sonoros hipnóticos.
Enviem, cinco preciosas estrelinnhas.
domingo, maio 16, 2004
O cinema que veio do mar
Desafio o pessoal cinéfilo a uma pequena reflexão...
No ano passado surgiram dois bons filmes vindos do mar:
Os piratas das Caraíbas e o Master And Commander.
Sendo duas visões totalmente distintas estes dois filmes conseguem criar duas obras de grande qualidade num território que outrora trouxe muitos desalentos aos estúdios.
Por um lado temos duas personagens principais interpretadas por dois carismáticos actores, Depp e Crowe que cada a seu estilo nos dão bons desempenhos.
Qual dos dois é melhor? Possivelmente o filme de Peter Weir ganhe alguma vantagem mas sendo estilos dão diferentes (um rigoroso e histórico, outro despretencioso e cómico).
--------------------------
Este passado fim-de-semana vi o "Master and Commander" e mais uma vez fica comprovado perante os meus olhos que Peter Weir é mesmo um excelente realizador. Penso mesmo que poucos se aventuraram em tantos géneros diferentes com um sucesso sempre garantido (pelo menos de crítica). Weir é um mestre na maneira como filma, a fotografia é impressionante e a banda sonora consegue agarrar nos momentos chave do filme.
Sendo este um drama de sobrevivência no alto-mar, o psicológico das personagens está tratado com muita subtileza que nem a brutalidade de algumas cenas consegue retirar.
Mas o melhor é mesmo o argumento. Baseado numa obra extensa, o argumento consegue diálogos notáveis, situações surpreendentes e um final real.
Nota: 4,5 (0-5)
-------------------------
No ano passado surgiram dois bons filmes vindos do mar:
Os piratas das Caraíbas e o Master And Commander.
Sendo duas visões totalmente distintas estes dois filmes conseguem criar duas obras de grande qualidade num território que outrora trouxe muitos desalentos aos estúdios.
Por um lado temos duas personagens principais interpretadas por dois carismáticos actores, Depp e Crowe que cada a seu estilo nos dão bons desempenhos.
Qual dos dois é melhor? Possivelmente o filme de Peter Weir ganhe alguma vantagem mas sendo estilos dão diferentes (um rigoroso e histórico, outro despretencioso e cómico).
--------------------------
Este passado fim-de-semana vi o "Master and Commander" e mais uma vez fica comprovado perante os meus olhos que Peter Weir é mesmo um excelente realizador. Penso mesmo que poucos se aventuraram em tantos géneros diferentes com um sucesso sempre garantido (pelo menos de crítica). Weir é um mestre na maneira como filma, a fotografia é impressionante e a banda sonora consegue agarrar nos momentos chave do filme.
Sendo este um drama de sobrevivência no alto-mar, o psicológico das personagens está tratado com muita subtileza que nem a brutalidade de algumas cenas consegue retirar.
Mas o melhor é mesmo o argumento. Baseado numa obra extensa, o argumento consegue diálogos notáveis, situações surpreendentes e um final real.
Nota: 4,5 (0-5)
-------------------------
sexta-feira, maio 14, 2004
O homem não se cala
A recusa da Disney em permitir à Miramax a distribuição de “Fahrenheit 911”, de Michael Moore, revelou-se tão inútil (depois de o cineasta se manifestar ligeiramente incomodado com o facto, a Miramax conseguiu obter os direitos da obra, que será distribuída por uma terceira empresa) como desastrada. Era certo que, de uma maneira ou outra, o documentário de Moore (a exibir na segunda-feira em Cannes) seria disponibilizado aos espectadores americanos (e não só). Ao procurar censurar as acusações do realizador do Michigan à família Bush, a Disney só contribuiu para aumentar o mediatismo da obra. Não só se adaptou ao modelo corporativista que o cineasta tanto critica, como serviu os interesses de Moore na perfeição.
De facto, ao apresentar-se como vítima da censura promovida pelas grandes empresas, o activista de esquerda reforça a sua imagem de justiceiro e “voz do povo”. A publicidade conferida pela polémica contribui para aumentar os seus lucros e permitir-lhe realizar novos projectos. Basta recordar o que aconteceu com o livro “Brancos Estúpidos…” (a propósito, quando chegará “Dude, Where´s my Country?”, o livro anti-Bush mais recente de Moore, a Portugal?), cuja publicação pareceu impossível após os atentados de 11 de Setembro e se transformou num “best-seller”.
Seria muito mais conveniente para os opositores irredutíveis de Moore deixá-lo mostrar livremente “Fahrenheit 911” e depois desmentir os eventuais equívocos e incorrecções do documentário. Quem já se queimou foi o Rato Mickey.
De facto, ao apresentar-se como vítima da censura promovida pelas grandes empresas, o activista de esquerda reforça a sua imagem de justiceiro e “voz do povo”. A publicidade conferida pela polémica contribui para aumentar os seus lucros e permitir-lhe realizar novos projectos. Basta recordar o que aconteceu com o livro “Brancos Estúpidos…” (a propósito, quando chegará “Dude, Where´s my Country?”, o livro anti-Bush mais recente de Moore, a Portugal?), cuja publicação pareceu impossível após os atentados de 11 de Setembro e se transformou num “best-seller”.
Seria muito mais conveniente para os opositores irredutíveis de Moore deixá-lo mostrar livremente “Fahrenheit 911” e depois desmentir os eventuais equívocos e incorrecções do documentário. Quem já se queimou foi o Rato Mickey.
quarta-feira, maio 12, 2004
Comprimidos
“Prozac”, de Erik Skjoldberg
Com uma passagem bastante discreta pelas salas (estreou em Portugal em Junho do ano passado), “Prozac” é a adaptação de “Prozac Nation”, o livro autobiográfico de Elizabeth Wurtzel acerca da depressão e do recurso ao medicamento do título para a vencer. Christina Ricci é o centro do filme, ao interpretar Elizabeth, uma estudante de Harvard afectada pelo divórcio dos pais que a dada altura torna a vida dos amigos e da família insuportável.
Com um formato de filme independente (nem sequer falta a rapariga nua), “Prozac” é dominado pelas pretensões artísticas da montagem e da realização, que resultam quase sempre banais e forçadas. Apoiada na boa prestação de Ricci (mal acompanhada por Jason Biggs), a longa-metragem mostra, no entanto, ter uma história para contar e um tema a abordar seriamente. No entanto, a duração da fita (cerca de hora e meia) dificulta uma visão aprofundada da problemática da medicação e a tentativa final de alargar a perspectiva da personagem principal a todo o país acaba por ser artificial.
“Prozac” é por vezes interessante (embora não agradável, devido à violência psicológica de algumas cenas) de seguir, mas deixa a sensação de não ter explorado devidamente determinadas pistas para que aponta. Seja como for, é desconcertante.
Para terminar, algumas palavras de Eurico de Barros, com a sua habitual delicadeza de membro de júri de concurso da SIC: “Alturas há em “Prozac” onde a personagem está a pedir não psiquiatra nem medicação, mas sim um valente par de tabefes ou uns quantos açoites no rabo”.
Com uma passagem bastante discreta pelas salas (estreou em Portugal em Junho do ano passado), “Prozac” é a adaptação de “Prozac Nation”, o livro autobiográfico de Elizabeth Wurtzel acerca da depressão e do recurso ao medicamento do título para a vencer. Christina Ricci é o centro do filme, ao interpretar Elizabeth, uma estudante de Harvard afectada pelo divórcio dos pais que a dada altura torna a vida dos amigos e da família insuportável.
Com um formato de filme independente (nem sequer falta a rapariga nua), “Prozac” é dominado pelas pretensões artísticas da montagem e da realização, que resultam quase sempre banais e forçadas. Apoiada na boa prestação de Ricci (mal acompanhada por Jason Biggs), a longa-metragem mostra, no entanto, ter uma história para contar e um tema a abordar seriamente. No entanto, a duração da fita (cerca de hora e meia) dificulta uma visão aprofundada da problemática da medicação e a tentativa final de alargar a perspectiva da personagem principal a todo o país acaba por ser artificial.
“Prozac” é por vezes interessante (embora não agradável, devido à violência psicológica de algumas cenas) de seguir, mas deixa a sensação de não ter explorado devidamente determinadas pistas para que aponta. Seja como for, é desconcertante.
Para terminar, algumas palavras de Eurico de Barros, com a sua habitual delicadeza de membro de júri de concurso da SIC: “Alturas há em “Prozac” onde a personagem está a pedir não psiquiatra nem medicação, mas sim um valente par de tabefes ou uns quantos açoites no rabo”.
segunda-feira, maio 10, 2004
Por aí II
No número deste mês da revista do Inatel, “Tempo Livre”, Joaquim Diabinho publica, como é hábito, pequenos comentários acerca de filmes prestes a estrear. No parágrafo sobre “Tróia”, descreve a reconstituição de época, ou seja, do século XII (o texto não especifica que se trata do XII a.C.), como “sumptuosa nuns casos e obsessiva noutros”. Sobre a interpretação de Brad Pitt, Diabinho afirma que é “quase convincente” (não percebo é se isso é um elogio ou uma crítica), tal como o trabalho do restante elenco. Alguns erros de revisão (a data da obra é 2003, o rei de Esparta chama-se Menelao, o nome de um dos actores é Peter O’ Tolle) não contribuem para a credibilidade da apreciação. Veremos. Por seu lado, Tiago Pimentel já redigiu uma crítica pouco agradável sobre o “blockbuster” homérico.
Não se pode confiar em ninguém. O último folheto distribuído pela ACAPOR (Associação de Comércio Audiovisual de Portugal) nos clubes de vídeo não apresenta um aspecto que mostrava anteriormente a consideração da associação pelo público: os quadros com os dados relativos aos custos e receitas de bilheteira das longas-metragens publicitadas (que revelavam por vezes tratarem-se de verdadeiros “flops”). Sobram apenas os “slogans” (como “Veja cinema em família”) e sinopses das últimas novidades (sendo “Um Golpe em Itália” identificado como “Confissões de uma Mente Perigosa”). Os três filmes que recebem maior destaque são “Kill Bill -Vol. I”, “Nascido para Ganhar” e, claro, “Terrorismo a Alta Velocidade” (com Jean-Claude Van Damme).
Não se pode confiar em ninguém. O último folheto distribuído pela ACAPOR (Associação de Comércio Audiovisual de Portugal) nos clubes de vídeo não apresenta um aspecto que mostrava anteriormente a consideração da associação pelo público: os quadros com os dados relativos aos custos e receitas de bilheteira das longas-metragens publicitadas (que revelavam por vezes tratarem-se de verdadeiros “flops”). Sobram apenas os “slogans” (como “Veja cinema em família”) e sinopses das últimas novidades (sendo “Um Golpe em Itália” identificado como “Confissões de uma Mente Perigosa”). Os três filmes que recebem maior destaque são “Kill Bill -Vol. I”, “Nascido para Ganhar” e, claro, “Terrorismo a Alta Velocidade” (com Jean-Claude Van Damme).
sábado, maio 08, 2004
Hora de balanço
O ICAM disponibilizou o “ranking” dos 50 filmes mais vistos nos cinemas portugueses entre 1 de Janeiro e 30 de Abril de 2004 (para além de dados mostrando como o número de bilhetes vendidos desceu todos os meses). Que aspectos merecem maior destaque?
Para já, o “top 5”: “A Paixão de Cristo” (479 157 espectadores e ainda em exibição), “O Último Samurai” (402 328 bilhetes vendidos), “Alguém Tem que Ceder”, “O Regresso do Rei” (estreado ainda em 2003) e “Scary Movie 3”. Entre os dez mais vistos, existe uma surpresa: “Lost in Translation”, na oitava posição (127 133). O mais curioso é que o filme de Sofia Coppola foi exibido em apenas 59 salas controladas pelo ICAM. Os outros 10 primeiros títulos da lista passaram em mais de 100 écrans.
A marca dos 100 mil espectadores, que parece indicar o verdadeiro êxito de um filme (em condições normais de distribuição) em Portugal, é ultrapassada apenas por 12 filmes. O sucesso (pelo menos a longo prazo) de outros títulos entre os 25 mais parece-me discutível (“A Casa de Campo” e “Gothika”, por exemplo). Abaixo dos 50 mil, é ainda mais duvidoso que alguém se lembre (como uma recordação agradável, pelo menos) daqui a dois anos de obras das quais se fala durante uma ou duas semanas e depois caem no limbo como “O Guarda-Fraldas” ou “Escolha Perigosa”. Existem, é claro, excepções de culto como “Belleville Rendez-Vous” (46º lugar).
O 50º classificado (“Looney Tunes: De Novo em Acção”) foi alvo de visionamento por parte de 19 628 seres humanos. Acontece que em toda a lista não há qualquer longa-metragem de origem portuguesa, num quadrimestre relativamente rico em estreias de fitas nacionais. O ICAM cumpre, assim, o seu dever de informar regularmente os portugueses acerca da irrelevância comercial do seu cinema.
Para já, o “top 5”: “A Paixão de Cristo” (479 157 espectadores e ainda em exibição), “O Último Samurai” (402 328 bilhetes vendidos), “Alguém Tem que Ceder”, “O Regresso do Rei” (estreado ainda em 2003) e “Scary Movie 3”. Entre os dez mais vistos, existe uma surpresa: “Lost in Translation”, na oitava posição (127 133). O mais curioso é que o filme de Sofia Coppola foi exibido em apenas 59 salas controladas pelo ICAM. Os outros 10 primeiros títulos da lista passaram em mais de 100 écrans.
A marca dos 100 mil espectadores, que parece indicar o verdadeiro êxito de um filme (em condições normais de distribuição) em Portugal, é ultrapassada apenas por 12 filmes. O sucesso (pelo menos a longo prazo) de outros títulos entre os 25 mais parece-me discutível (“A Casa de Campo” e “Gothika”, por exemplo). Abaixo dos 50 mil, é ainda mais duvidoso que alguém se lembre (como uma recordação agradável, pelo menos) daqui a dois anos de obras das quais se fala durante uma ou duas semanas e depois caem no limbo como “O Guarda-Fraldas” ou “Escolha Perigosa”. Existem, é claro, excepções de culto como “Belleville Rendez-Vous” (46º lugar).
O 50º classificado (“Looney Tunes: De Novo em Acção”) foi alvo de visionamento por parte de 19 628 seres humanos. Acontece que em toda a lista não há qualquer longa-metragem de origem portuguesa, num quadrimestre relativamente rico em estreias de fitas nacionais. O ICAM cumpre, assim, o seu dever de informar regularmente os portugueses acerca da irrelevância comercial do seu cinema.
quinta-feira, maio 06, 2004
Porrada
A impressão de existência de um confronto aberto entre realizadores portugueses com diferentes pontos de vista acerca do que deve ser o cinema nacional confirmou-se com a polémica entre João Mário Grilo e António-Pedro Vasconcelos. Tudo começou quando o cineasta de “A Falha” utilizou a sua coluna na “Visão” para atacar a nova Lei do Cinema, mãe do FIFACA (Fundo para o Investimento e Fomento das Artes Cinematográficas e do Audiovisual). O objectivo anunciado do Ministério da Cultura (criar condições para o aparecimento de uma indústria cinematográfica em Portugal) parece completamente insano a Grilo, que aponta a inexistência de um mercado para isso necessário e prova as suas dúvidas com o exemplo do “comercial” “Os Imortais”, de António-Pedro Vasconcelos (“cineasta de exemplar subserviência para com o poder político”, segundo Grilo), com um prejuízo de cerca de 2,8 milhões de euros.
Vasconcelos leu o artigo e sentiu-se ligeiramente incomodado com estas afirmações. Em artigo publicado na edição de hoje da mesma revista, dirige a Grilo simpáticos elogios como “criatura”, “ordinário” e “pantomineiro”. Apresenta custos ligeiramente inferiores do orçamento e um maior impacto público de “Os Imortais” (menos de um milhão de euros e não três milhões de custos, estreia com 30 cópias e não 40, 55 mil espectadores e não 40 mil) e acusa o seu colega de, basicamente, ser um parasita do Estado que produz fitas destinadas apenas a “minorias “cultas””, temendo o escrutínio popular.
No meio desta gritaria, quem devemos apoiar? Comparando “Os Imortais” e “A Falha”, a escolha é óbvia: António-Pedro é fixe. É certo que acaba por revelar que a sua última longa-metragem ficou, em termos de sucesso comercial, bastante aquém da anterior (“Jaime” teve, segundo o seu realizador, 220 925 espectadores). Não parecem haver, de momento, grandes candidatos a “blockbusters” lusitanos (filmes que parecem ser feitos para o grande público, como “Tudo Isto é Fado” e “Maria e as Outras”, passam bastante despercebidos). Mas porque não apostar numa “Revolução Industrial” no cinema português? É difícil ficar pior do que está.
Vasconcelos leu o artigo e sentiu-se ligeiramente incomodado com estas afirmações. Em artigo publicado na edição de hoje da mesma revista, dirige a Grilo simpáticos elogios como “criatura”, “ordinário” e “pantomineiro”. Apresenta custos ligeiramente inferiores do orçamento e um maior impacto público de “Os Imortais” (menos de um milhão de euros e não três milhões de custos, estreia com 30 cópias e não 40, 55 mil espectadores e não 40 mil) e acusa o seu colega de, basicamente, ser um parasita do Estado que produz fitas destinadas apenas a “minorias “cultas””, temendo o escrutínio popular.
No meio desta gritaria, quem devemos apoiar? Comparando “Os Imortais” e “A Falha”, a escolha é óbvia: António-Pedro é fixe. É certo que acaba por revelar que a sua última longa-metragem ficou, em termos de sucesso comercial, bastante aquém da anterior (“Jaime” teve, segundo o seu realizador, 220 925 espectadores). Não parecem haver, de momento, grandes candidatos a “blockbusters” lusitanos (filmes que parecem ser feitos para o grande público, como “Tudo Isto é Fado” e “Maria e as Outras”, passam bastante despercebidos). Mas porque não apostar numa “Revolução Industrial” no cinema português? É difícil ficar pior do que está.
terça-feira, maio 04, 2004
Real e com queijo
Queremos assinalar aparecimento do link do Royal with Cheese.
Pedimos desculpa ao autor (que ja tinha justamente reclamado)
mas houve um lapso a quando a publicação da última fornada de links.
Não somos maus colegas bloggers... somos despistados :)
Pedimos desculpa ao autor (que ja tinha justamente reclamado)
mas houve um lapso a quando a publicação da última fornada de links.
Não somos maus colegas bloggers... somos despistados :)
domingo, maio 02, 2004
Mató Bill Vol. 2
Mais uma vez Tarantino surpreende tudo e todos. Depois do filme anterior ter Manga e lutas com mais sangue que uma matança do porco, Tarantino pisa o travão e dá aos personagem tridimensionalidade. Se pensarmos bem só a personagem de Lucy Lu é que é bem desenvolvida no primeiro filme. Neste todos os restantes recebem de Tarantino um tratamento igual.
Os diálogos são excepcionais com destaque para a conversa sobre os super-heróis, que mostratino na mesma forma de Pulp Fiction. O que dizer mais? Os dois filmes são apenas um com 4 horas, que separadamente são dois filmes com muito desequilibrio.
E para finalizar, estes filmes são o "Ninja das Caldas" com orçamento, realizador e actores de primeira linha. Pei Mei parece o mestre do "Ninja das Caldas", de um mau gosto genial.
E nota-se que houve um gozo do caraças a fazer este filme.
Culto instantaneo...
5 (0- 5)
Os diálogos são excepcionais com destaque para a conversa sobre os super-heróis, que mostratino na mesma forma de Pulp Fiction. O que dizer mais? Os dois filmes são apenas um com 4 horas, que separadamente são dois filmes com muito desequilibrio.
E para finalizar, estes filmes são o "Ninja das Caldas" com orçamento, realizador e actores de primeira linha. Pei Mei parece o mestre do "Ninja das Caldas", de um mau gosto genial.
E nota-se que houve um gozo do caraças a fazer este filme.
Culto instantaneo...
5 (0- 5)
sábado, maio 01, 2004
Menos ais
"Kill Bill - Vol. 2", de Quentin Tarantino
Depois da sangreira de Outubro (na minha opinião, sendo impossível levar tanto vermelho a sério, as cenas de acção do primeiro volume acabam por entreter imenso), é com alguma surpresa que se vê uma série de cenas lentas, com diálogos calmos e pausados (até demais) e tudo a acontecer sem grandes sobressaltos, ao longo de incontáveis citações cinéfilas. Mas, no final, o que apetece dizer, não só deste segundo volume, mas da obra completa, é que graças a ela se passaram horas bem agradáveis no cinema. Superficial e profundo, violento e tocante, "Kill Bill", não sendo perfeito, é realmente muito divertido (um filme não precisa de ser uma comédia para divertir, acho eu).
Uma Thurman, David Carradine e Daryl Hannah compõem figuras emblemáticas, guiados pela mão de mestre de Tarantino, que atrai franjas bastante diversas de público (desde fãs de artes marciais e apreciadores de cenas sem imagem a especialistas em BD americana, que têm aqui uma tese polémica para discutir), ou não fosse ele o realizador do momento. Qualquer notícia sobre ideias para o seu próximo projecto só nos pode deixar a salivar...
A melhor cena: Kiddo toca na mão de Bill.
A pior cena: Budd é dispensado por Larry.
Nota: 9/10.
Nota global: 9/10.
Depois da sangreira de Outubro (na minha opinião, sendo impossível levar tanto vermelho a sério, as cenas de acção do primeiro volume acabam por entreter imenso), é com alguma surpresa que se vê uma série de cenas lentas, com diálogos calmos e pausados (até demais) e tudo a acontecer sem grandes sobressaltos, ao longo de incontáveis citações cinéfilas. Mas, no final, o que apetece dizer, não só deste segundo volume, mas da obra completa, é que graças a ela se passaram horas bem agradáveis no cinema. Superficial e profundo, violento e tocante, "Kill Bill", não sendo perfeito, é realmente muito divertido (um filme não precisa de ser uma comédia para divertir, acho eu).
Uma Thurman, David Carradine e Daryl Hannah compõem figuras emblemáticas, guiados pela mão de mestre de Tarantino, que atrai franjas bastante diversas de público (desde fãs de artes marciais e apreciadores de cenas sem imagem a especialistas em BD americana, que têm aqui uma tese polémica para discutir), ou não fosse ele o realizador do momento. Qualquer notícia sobre ideias para o seu próximo projecto só nos pode deixar a salivar...
A melhor cena: Kiddo toca na mão de Bill.
A pior cena: Budd é dispensado por Larry.
Nota: 9/10.
Nota global: 9/10.
Media
É intrigante o facto, de, após tanto tempo a trabalhar em Hollywood e entrevistar tudo quanto é estrela (fazendo perguntas sempre iguais, o que é um mal habitual das entrevistas a actores), Mário Augusto (SIC Notícias) falar inglês com um sotaque português tão carregado. O seu programa, “35mm”, sofre também pela tradução fraquinha das falas dos excertos de filmes exibidos (“I’m the man”/“Sou homem”, por exemplo).
A “Premiere” opta, ultimamente, por inserir legendas curiosas nas imagens dos filmes criticados. Os pequenos textos satíricos oscilam entre o engraçado e o engraçadinho. Saúda-se a irreverência, mas às vezes o autor desconhecido das larachas erra por pouco o alvo.
Na “Grande Reportagem” de hoje, existe um erro cinéfilo, da responsabilidade de Ana Gomes ou de quem registou as suas respostas ao inquérito. Gomes refere-se ao trabalho de Peter Sellers no filme “Good Bye Mr.Chance”. Provavelmente, fala de “Being There” (1979), conhecido em Portugal por “Bem-Vindo, Mr.Chance”.
A “Premiere” opta, ultimamente, por inserir legendas curiosas nas imagens dos filmes criticados. Os pequenos textos satíricos oscilam entre o engraçado e o engraçadinho. Saúda-se a irreverência, mas às vezes o autor desconhecido das larachas erra por pouco o alvo.
Na “Grande Reportagem” de hoje, existe um erro cinéfilo, da responsabilidade de Ana Gomes ou de quem registou as suas respostas ao inquérito. Gomes refere-se ao trabalho de Peter Sellers no filme “Good Bye Mr.Chance”. Provavelmente, fala de “Being There” (1979), conhecido em Portugal por “Bem-Vindo, Mr.Chance”.
terça-feira, abril 27, 2004
Os piratas da Caraíbas
Sinceramente o filme de aventura anda nas ruas da amargura.
Desde que Spielberg pôs o chapéu e o chicote de lado nunca mais se tinha visto um bom filme de aventuras.
E foi quando Depp fez o seu primeiro Blockbuster. Criou uma personagem magistral que transborda cinema de aventuras por todo o lado. A maior dúvida para ver este filme era o modelo de produção (o tio Jerry nunca tinha produzido um filme bom até à data). Possivelmente o facto de ser um filme histórico q.b. torna o modelo de produção um pouco diferente dos Perl Harbours e Armaggedons. Felizmente...
O realizador Gore Verbinski faz um bom trabalho e mostra que poderá não se um mero tarefeiro. O filme tem uma realização inteligente, com planos conseguidos. A inteligência maior foi a caracterização dada a todas as personagens secundárias e figurantes elevando-os a icones da pirataria. Não esquecendo o bom argumento.
Sendo eu alérgico ao Jerry Bruckheimer gostar tanto deste filme foi algo que me apanhou de surpresa.
Recomendo este filme a quem goste de filme de aventuras e sobretudo a todos os que adoraram (como eu) os jogos de computador "Secret of the Monkey Island". Este filme é o jogo tornado realidade.
4,5 em 5 ----------- o 5 virá com o tempo :-)
Desde que Spielberg pôs o chapéu e o chicote de lado nunca mais se tinha visto um bom filme de aventuras.
E foi quando Depp fez o seu primeiro Blockbuster. Criou uma personagem magistral que transborda cinema de aventuras por todo o lado. A maior dúvida para ver este filme era o modelo de produção (o tio Jerry nunca tinha produzido um filme bom até à data). Possivelmente o facto de ser um filme histórico q.b. torna o modelo de produção um pouco diferente dos Perl Harbours e Armaggedons. Felizmente...
O realizador Gore Verbinski faz um bom trabalho e mostra que poderá não se um mero tarefeiro. O filme tem uma realização inteligente, com planos conseguidos. A inteligência maior foi a caracterização dada a todas as personagens secundárias e figurantes elevando-os a icones da pirataria. Não esquecendo o bom argumento.
Sendo eu alérgico ao Jerry Bruckheimer gostar tanto deste filme foi algo que me apanhou de surpresa.
Recomendo este filme a quem goste de filme de aventuras e sobretudo a todos os que adoraram (como eu) os jogos de computador "Secret of the Monkey Island". Este filme é o jogo tornado realidade.
4,5 em 5 ----------- o 5 virá com o tempo :-)
Documentos
A propósito das (escassas) abordagens das vicissitudes do século XX português (dos outros séculos, geralmente nem se fala) realizadas pelo cinema nacional, merecem destaque, pelo seu interesse documental, dois filmes incluídos no DVD vendido pelo "Público" anteontem.
O primeiro, "Natal 71" (1999), de Margarida Cardoso, debruça-se sobre a guerra colonial. O documentário parte do depoimento do pai da cineasta, completado com outras declarações e muitos sons e imagens de arquivo relativos à época analisada. Ainda que os testemunhos recolhidos sejam algo escassos, revelam aspectos menos conhecidos da vivência do conflito e o ponto de vista de quem serviu de mero peão nos acontecimentos do final do Estado Novo. Mas são as imagens, seja da declaração piedosa de Cecília Supico Pinto, do jogo de basquetebol dos fuzileiros da Guiné (pérolas de humor involuntário) ou da acção militar propriamente dita, que esclarecem melhor o espectador acerca do "Vietname à nossa escala".
Quanto ao drama "Brandos Costumes" (estreado em 1975), de Alberto Seixas Santos, vale sobretudo pelas imagens de aparições públicas de Salazar e das manifestações em seu louvor (incluindo o velório). Nos períodos entre as imagens recolhidas na Cinemateca, há longos planos fixos de gente a dizer clichés em verso (o cinema português dos anos 70 não seria propriamente melhor que o de hoje...).
As duas obras permitem obter informações sobre as mentalidades vigentes antes do 25 de Abril (sobre o pós-revolução, além de documentários televisivos, existem obras como "Bom Povo Português", de Rui Simões), veiculadas pelo regime através do cinema (era o tempo das "actualidades") e da televisão.
O primeiro, "Natal 71" (1999), de Margarida Cardoso, debruça-se sobre a guerra colonial. O documentário parte do depoimento do pai da cineasta, completado com outras declarações e muitos sons e imagens de arquivo relativos à época analisada. Ainda que os testemunhos recolhidos sejam algo escassos, revelam aspectos menos conhecidos da vivência do conflito e o ponto de vista de quem serviu de mero peão nos acontecimentos do final do Estado Novo. Mas são as imagens, seja da declaração piedosa de Cecília Supico Pinto, do jogo de basquetebol dos fuzileiros da Guiné (pérolas de humor involuntário) ou da acção militar propriamente dita, que esclarecem melhor o espectador acerca do "Vietname à nossa escala".
Quanto ao drama "Brandos Costumes" (estreado em 1975), de Alberto Seixas Santos, vale sobretudo pelas imagens de aparições públicas de Salazar e das manifestações em seu louvor (incluindo o velório). Nos períodos entre as imagens recolhidas na Cinemateca, há longos planos fixos de gente a dizer clichés em verso (o cinema português dos anos 70 não seria propriamente melhor que o de hoje...).
As duas obras permitem obter informações sobre as mentalidades vigentes antes do 25 de Abril (sobre o pós-revolução, além de documentários televisivos, existem obras como "Bom Povo Português", de Rui Simões), veiculadas pelo regime através do cinema (era o tempo das "actualidades") e da televisão.
segunda-feira, abril 26, 2004
O ataque dos Cartoons
Desta vez George Lucas acertou inteiramente.
Primeiro, devo confessar que sou um fã Star Wars da velha guarda. Quero com isto dizer que gostei muito mais da série antiga que da actual (duvido que alguém pense o contrário). Mas agora foi a surpresa total...
Perguntam-me que surpresa foi esta? Foi a série do Cartoon Networks Star Wars: Clone Wars.
Os episódios dividem em 20 pedaços um filme que poderia ter 80 (20 * 4 = 80 minutos) e que revela pormenores muito interessantes para o episódio três. Lucas entregou os desenhos animados ao criador do "Laboratório do Dexter" e de "Samurai Jack" e o resultado espanta.
O virtuosismo da realização só pode ser comparado com o Episódio 5, onde não existe tempo para respirar dada a sequência de acontecimentos. A minha opinião deve-se ao facto de ter visto os 20 episódio todos de seguida conseguindo perceber mais atentamente os detalhes dos diversos fragmentos da história. De qualquer modo, o estilo de cartoon escolhido realça os propositos de Lucas no estilo desta segunda triologia: deixar a imaginação vencer.
Nos desenhos animados todos os exageros dos dois últimos filmes resultam perfeitamente levando a perceber que o Mundo que Lucas imaginou à trinta anos não era mais que uma prancha de um livro de BD misturada com imagens reais.
Espero que o dvd seja para breve. Se der na televisão Tuga, espero que não seja dobrado, uma vez que as vozes dos desenhos conseguem imitar quase na perfeição as vozes dos actores de carne e osso.
Que a Força esteja para ficar.
Primeiro, devo confessar que sou um fã Star Wars da velha guarda. Quero com isto dizer que gostei muito mais da série antiga que da actual (duvido que alguém pense o contrário). Mas agora foi a surpresa total...
Perguntam-me que surpresa foi esta? Foi a série do Cartoon Networks Star Wars: Clone Wars.
Os episódios dividem em 20 pedaços um filme que poderia ter 80 (20 * 4 = 80 minutos) e que revela pormenores muito interessantes para o episódio três. Lucas entregou os desenhos animados ao criador do "Laboratório do Dexter" e de "Samurai Jack" e o resultado espanta.
O virtuosismo da realização só pode ser comparado com o Episódio 5, onde não existe tempo para respirar dada a sequência de acontecimentos. A minha opinião deve-se ao facto de ter visto os 20 episódio todos de seguida conseguindo perceber mais atentamente os detalhes dos diversos fragmentos da história. De qualquer modo, o estilo de cartoon escolhido realça os propositos de Lucas no estilo desta segunda triologia: deixar a imaginação vencer.
Nos desenhos animados todos os exageros dos dois últimos filmes resultam perfeitamente levando a perceber que o Mundo que Lucas imaginou à trinta anos não era mais que uma prancha de um livro de BD misturada com imagens reais.
Espero que o dvd seja para breve. Se der na televisão Tuga, espero que não seja dobrado, uma vez que as vozes dos desenhos conseguem imitar quase na perfeição as vozes dos actores de carne e osso.
Que a Força esteja para ficar.
Novos links
Tanto quanto o tempo nos permite, o Pipoca Rasca finalmente viu os seus links actualizados.
Pretendemos deste modo agradecer aos outros blogs que nos deram a conhecer a tantas pessoas
desta cada vez mais acolhedora Blogsfera.
Pretendemos deste modo agradecer aos outros blogs que nos deram a conhecer a tantas pessoas
desta cada vez mais acolhedora Blogsfera.
sábado, abril 24, 2004
Evolução?
Está previsto que a RTP exiba amanhã o filme "Capitães de Abril", de Maria de Medeiros, de forma a assinalar a efeméride. O problema é que a estação já faz isso desde 2001...
De facto, não gosto por aí além da obra de Medeiros. O que está em causa não são as dobragens ou um actor estrangeiro a interpretar Salgueiro Maia. Em termos de banda sonora e reconstituição dos anos 70, esta óptimo, mas a credibilidade do enredo é muito reduzida. Muitas vezes Medeiros foi demasiado original em relação ao "guião" escrito pelo MFA e criou uma ficção bastante fraca para servir de base à narração dos eventos históricos. E quando o filme envereda pelo drama ou pelo humor, torna-se exagerado.
Mas enfim, mais vale "Capitães de Abril" que nada, em termos de produção cinematográfica sobre a Revolução (na verdade, a SIC produziu em 1999 um telefilme, "A Hora da Liberdade", bem mais fiel, convincente e interessante, mas esse a RTP não pode exibir). Repetindo o que já se tornou um cliché, a nossa História Contemporânea não tem servido de inspiração para muitas fitas. Porque será?
De facto, não gosto por aí além da obra de Medeiros. O que está em causa não são as dobragens ou um actor estrangeiro a interpretar Salgueiro Maia. Em termos de banda sonora e reconstituição dos anos 70, esta óptimo, mas a credibilidade do enredo é muito reduzida. Muitas vezes Medeiros foi demasiado original em relação ao "guião" escrito pelo MFA e criou uma ficção bastante fraca para servir de base à narração dos eventos históricos. E quando o filme envereda pelo drama ou pelo humor, torna-se exagerado.
Mas enfim, mais vale "Capitães de Abril" que nada, em termos de produção cinematográfica sobre a Revolução (na verdade, a SIC produziu em 1999 um telefilme, "A Hora da Liberdade", bem mais fiel, convincente e interessante, mas esse a RTP não pode exibir). Repetindo o que já se tornou um cliché, a nossa História Contemporânea não tem servido de inspiração para muitas fitas. Porque será?
terça-feira, abril 20, 2004
Lusices
Algo de errado se passa no cinema português. Alguns cineastas produzem bons filmes, mas, geralmente, até mesmo esses têm algum problema, ainda que difícil de identificar, a impedí-los de ser muito bons. É realmente difícil estabelecer empatia com o espectador.
Escolher uns quantos filmes de qualidade portugueses dos últimos anos (custa a acreditar, mas eles existem) é difícil tendo em conta que desconheço o trabalho dos "grandes mestres" (Manoel de Oliveira, João César Monteiro, Paulo Rocha, etc.) e só de quando em quando vejo uma fita de origem lusitana no cinema ou na televisão. Seja como for, a verdade é que na última década surgiram, entre outras, curtas e longas-metragens como:
5 - "Os Imortais" (2002), de António-Pedro Vasconcelos
A parte boa: Nicolau Breyner, Rui Unas, Joaquim de Almeida; a reconstituição de época; uma abordagem da guerra colonial que foge aos clichés.
O problema: Emmanuelle Seigner; as cenas mais lentas.
4 - "Zona J" (1998), de Leonel Vieira
A parte boa: O eficaz "realismo urbano"; o ritmo do filme; a realização de Leonel Vieira; os actores estreantes.
O problema: Um argumento algo limitado.
3 - "Crónica Feminina" (2002), de Gonçalo Luz
A parte boa: Ana Bustorff e Maria João Luís; o ambiente; a fotografia.
O problema: Alguma dificuldade em combinar drama e comédia.
2 - "Respirar (Debaixo d'Água) (1999), de António Ferreira
A parte boa: A revelação de António Ferreira; uma história passada, para variar, fora de Lisboa; os jovens; Vítor Norte, um dos melhores actores do cinema (não da televisão) em Portugal.
O problema: A dada altura, os desastres na vida do protagonista tornam-se cansativos.
1 - "A Suspeita" (2000), de José Miguel Ribeiro
A parte boa: Humor, "suspense", surpresa, animação excelente, personagens divertidas.
O problema: Sei lá...
Escolher uns quantos filmes de qualidade portugueses dos últimos anos (custa a acreditar, mas eles existem) é difícil tendo em conta que desconheço o trabalho dos "grandes mestres" (Manoel de Oliveira, João César Monteiro, Paulo Rocha, etc.) e só de quando em quando vejo uma fita de origem lusitana no cinema ou na televisão. Seja como for, a verdade é que na última década surgiram, entre outras, curtas e longas-metragens como:
5 - "Os Imortais" (2002), de António-Pedro Vasconcelos
A parte boa: Nicolau Breyner, Rui Unas, Joaquim de Almeida; a reconstituição de época; uma abordagem da guerra colonial que foge aos clichés.
O problema: Emmanuelle Seigner; as cenas mais lentas.
4 - "Zona J" (1998), de Leonel Vieira
A parte boa: O eficaz "realismo urbano"; o ritmo do filme; a realização de Leonel Vieira; os actores estreantes.
O problema: Um argumento algo limitado.
3 - "Crónica Feminina" (2002), de Gonçalo Luz
A parte boa: Ana Bustorff e Maria João Luís; o ambiente; a fotografia.
O problema: Alguma dificuldade em combinar drama e comédia.
2 - "Respirar (Debaixo d'Água) (1999), de António Ferreira
A parte boa: A revelação de António Ferreira; uma história passada, para variar, fora de Lisboa; os jovens; Vítor Norte, um dos melhores actores do cinema (não da televisão) em Portugal.
O problema: A dada altura, os desastres na vida do protagonista tornam-se cansativos.
1 - "A Suspeita" (2000), de José Miguel Ribeiro
A parte boa: Humor, "suspense", surpresa, animação excelente, personagens divertidas.
O problema: Sei lá...
domingo, abril 18, 2004
Por aí
Depois de um período de “hibernação”, o Cinema2000 (prestes a efectuar uma renovação gráfica e de conteúdos) ganha cada vez mais interesse (o “sangue novo” de Nuno Antunes e Tiago Pimentel não deixará de ser útil). Os artigos de autor desconhecido acerca da evolução dos dados das bilheteiras portuguesas (a tabela do ICAM começa a tornar-se monótona) e das reacções que “A Paixão de Cristo” tem gerado um pouco por todo o mundo (inclusive nos países islâmicos, onde ocorrem tomadas de posição não propriamente inocentes) merecem destaque.
Na sexta-feira, foram discutidos na Assembleia da República os projectos do Governo e do PS relativos à Lei do Cinema. Prefiro não discutir, por falta de informação, as características específicas das duas propostas, mas parece-me positivo o objectivo de libertar a produção cinematográfica nacional da dependência do Estado e tentar criar uma indústria. Seja como for, a discussão pública provou que os realizadores portugueses não são todos iguais. De um lado, está a ARCA (Associação de Realizadores de Cinema e Audiovisual), presidida por António-Pedro Vasconcelos (“Os Imortais”) e, do outro, a APR (Associação Portuguesa de Realizadores), sob a liderança de João Mário Grilo (“A Falha”). Enquanto a ARCA parece achar que José Amaral Lopes (secretário de Estado da Cultura) é, apesar de tudo, um tipo porreiro (esteve presente na conferência de imprensa da organização), a APR não o pode ver à frente. A ARCA receia que o apoio a obras designadas oficialmente como “de atractividade comercial” reforce excessivamente a oposição desse tipo de fitas ao “cinema de autor” habitual em Portugal. A APR considera que o cinema “comercial” só deu no nosso país “prejuízo cultural e financeiro” e o Governo quer, perfidamente, transformar artesãos em “medíocres cineastas do entretenimento” (“Público”, 16 de Abril). Perspectivas semelhantes, sem dúvida. Parece haver uma verdadeira “guerra civil” no mundo audiovisual português. Para já, o público não sai vencedor.
Depois de semanas de falatório à volta do corpo ensanguentado do Cristo de Mel Gibson, o debate cinéfilo mediático caiu quase no marasmo. As distribuidoras descarregam nas salas dezenas de longas-metragens tão diferentes como “O Gato” e “Daqui p’rá Alegria” e o entusiasmo crítico em relação a elas é, geralmente, bastante moderado. Nenhum filme parece ganhar destaque entre a multidão de produções que aterra discretamente nos cinemas. Talvez a estreia de “Kill Bill 2”, no final do mês, vá mudar tudo isto.
Na sexta-feira, foram discutidos na Assembleia da República os projectos do Governo e do PS relativos à Lei do Cinema. Prefiro não discutir, por falta de informação, as características específicas das duas propostas, mas parece-me positivo o objectivo de libertar a produção cinematográfica nacional da dependência do Estado e tentar criar uma indústria. Seja como for, a discussão pública provou que os realizadores portugueses não são todos iguais. De um lado, está a ARCA (Associação de Realizadores de Cinema e Audiovisual), presidida por António-Pedro Vasconcelos (“Os Imortais”) e, do outro, a APR (Associação Portuguesa de Realizadores), sob a liderança de João Mário Grilo (“A Falha”). Enquanto a ARCA parece achar que José Amaral Lopes (secretário de Estado da Cultura) é, apesar de tudo, um tipo porreiro (esteve presente na conferência de imprensa da organização), a APR não o pode ver à frente. A ARCA receia que o apoio a obras designadas oficialmente como “de atractividade comercial” reforce excessivamente a oposição desse tipo de fitas ao “cinema de autor” habitual em Portugal. A APR considera que o cinema “comercial” só deu no nosso país “prejuízo cultural e financeiro” e o Governo quer, perfidamente, transformar artesãos em “medíocres cineastas do entretenimento” (“Público”, 16 de Abril). Perspectivas semelhantes, sem dúvida. Parece haver uma verdadeira “guerra civil” no mundo audiovisual português. Para já, o público não sai vencedor.
Depois de semanas de falatório à volta do corpo ensanguentado do Cristo de Mel Gibson, o debate cinéfilo mediático caiu quase no marasmo. As distribuidoras descarregam nas salas dezenas de longas-metragens tão diferentes como “O Gato” e “Daqui p’rá Alegria” e o entusiasmo crítico em relação a elas é, geralmente, bastante moderado. Nenhum filme parece ganhar destaque entre a multidão de produções que aterra discretamente nos cinemas. Talvez a estreia de “Kill Bill 2”, no final do mês, vá mudar tudo isto.
terça-feira, abril 13, 2004
Comédia involuntária
Inspirado pela lista (relativa à ficção científica) do Royale With Cheese, resolvi enumerar alguns pedaços de fitas que proporcionam ao espectador boas gargalhadas, embora essa não fosse de modo nenhum (acho eu) a intenção. A comédia involuntária atingiu níveis elevados em obras como:
5 - "Comando" (1985): Arnold chega ao covil dos vilões e limita-se a matar toda a (muita) gente que lhe aparece à frente e dispara sobre ele sem lhe provocar a mínima beliscadura. Trata-se de uma cena filmada de forma hilariante, mas o confronto com o principal "mauzão" também é uma verdadeira pérola.
4 - "A Falha" (2002): João Lagarto grita e tem recordações horríveis da guerra colonial enquanto... bem, só visto.
3 - "Desaparecido em Combate 3" (1988): Chuck Norris entra por uma janela (fechada) e metralha dois soldados vietnamitas e um retrato de Ho Chi Minh.
2 - "Bride of the Monster" (1955): Bela Lugosi esperneia aterrorizado em cima de um polvo totalmente imóvel.
1 - "Plan 9 From Outer Space" (1959): O "disco voador" a arder.
5 - "Comando" (1985): Arnold chega ao covil dos vilões e limita-se a matar toda a (muita) gente que lhe aparece à frente e dispara sobre ele sem lhe provocar a mínima beliscadura. Trata-se de uma cena filmada de forma hilariante, mas o confronto com o principal "mauzão" também é uma verdadeira pérola.
4 - "A Falha" (2002): João Lagarto grita e tem recordações horríveis da guerra colonial enquanto... bem, só visto.
3 - "Desaparecido em Combate 3" (1988): Chuck Norris entra por uma janela (fechada) e metralha dois soldados vietnamitas e um retrato de Ho Chi Minh.
2 - "Bride of the Monster" (1955): Bela Lugosi esperneia aterrorizado em cima de um polvo totalmente imóvel.
1 - "Plan 9 From Outer Space" (1959): O "disco voador" a arder.
sábado, abril 10, 2004
Anonimato
No Cinema2000, um misterioso anónimo (“quem escreve estas linhas”) comentou os números relativos à última semana cinéfila de Março das bilheteiras controladas pelo ICAM. Contrariando as expectativas do escriba, Mel Gibson mostrou à Disney quem é que manda aqui e “A Paixão de Cristo” resistiu facilmente ao assalto de “Kenai e Koda”, atingindo pela terceira vez consecutiva (até agora, um recorde) o primeiro lugar da tabela dos filmes mais vistos, ultrapassando a marca de “Alguém Tem que Ceder” (com uma resistência impressionante). Numa época de imensas estreias em cada quinta e fraco entusiasmo crítico em relação às novidades (com a excepção de “Belleville Rendez-Vous”, com receitas interessantes e candidato a filme de culto), obras como “Tempo Limite” e “Massacre no Texas”alcançaram o top 10. Alguém se lembrará delas daqui a um mês?
O que é certo é que “Agarrado a Ti”, dos irmãos Farrelly, é um fracasso em Portugal (não sei como foi nos EUA). È certo que a promoção da obra foi surpreendentemente discreta, mas o filme anterior da dupla, “O Amor é Cego” (uma boa história), já tinha dado pouco que falar (e “Osmosis Jones” nem chegou às salas portuguesas). Os homens que inspiraram a hilaridade histérica geral com “Doidos por Mary” estão a desaparecer do mapa?
O que é certo é que “Agarrado a Ti”, dos irmãos Farrelly, é um fracasso em Portugal (não sei como foi nos EUA). È certo que a promoção da obra foi surpreendentemente discreta, mas o filme anterior da dupla, “O Amor é Cego” (uma boa história), já tinha dado pouco que falar (e “Osmosis Jones” nem chegou às salas portuguesas). Os homens que inspiraram a hilaridade histérica geral com “Doidos por Mary” estão a desaparecer do mapa?
sexta-feira, abril 09, 2004
Pipoca cristã
De acordo com a “Visão” de ontem, “A Paixão de Cristo” foi visto por 427 mil portugueses apenas no mês de Março. Número impressionante, sem dúvida. A obra de Gibson tornou-se o filme da moda em Portugal (e não só) durante a Quaresma deste ano. Além de atrair multidões às salas e ser citada em tudo o que é meio de comunicação social, a fita gera um debate à sua volta como é raro ver. A verdade é que há muito não se falava tanto (bem ou mal) de um filme em cartaz.
A temática de “A Paixão de Cristo” beneficiou fortemente a sua divulgação, ao tornar o visionamento do filme “obrigatório” para os crentes cristãos. Exemplo disso é a edição deste mês da revista católica “Família Cristã”, na qual a obra de Gibson é publicitada e elogiada, nomeadamente na secção de crítica cinematográfica (assinada por Francisco Perestrello), onde se fala de “um filme de alta qualidade capaz de transmitir com muito rigor e elevação a mensagem do Evangelho”, sendo louvada a sua “fidelidade total à realidade”.
Agora que a RTP recorre, para assinalar a quadra pascal, às obras intermináveis do costume (“Ben-Hur”, “Jesus de Nazaré”, “Os Dez Mandamentos”), não deixa de ser curioso pensar que “A Paixão” poderia ser o filme bíblico ideal para a Páscoa televisiva. No entanto, em vez de preencher o horário da tarde, o projecto da Icon teria de ser exibido já bem depois do pôr-do-sol e com uma esclarecedora bola vermelha no canto superior direito do ecrã.
Páscoa Feliz para todos.
A temática de “A Paixão de Cristo” beneficiou fortemente a sua divulgação, ao tornar o visionamento do filme “obrigatório” para os crentes cristãos. Exemplo disso é a edição deste mês da revista católica “Família Cristã”, na qual a obra de Gibson é publicitada e elogiada, nomeadamente na secção de crítica cinematográfica (assinada por Francisco Perestrello), onde se fala de “um filme de alta qualidade capaz de transmitir com muito rigor e elevação a mensagem do Evangelho”, sendo louvada a sua “fidelidade total à realidade”.
Agora que a RTP recorre, para assinalar a quadra pascal, às obras intermináveis do costume (“Ben-Hur”, “Jesus de Nazaré”, “Os Dez Mandamentos”), não deixa de ser curioso pensar que “A Paixão” poderia ser o filme bíblico ideal para a Páscoa televisiva. No entanto, em vez de preencher o horário da tarde, o projecto da Icon teria de ser exibido já bem depois do pôr-do-sol e com uma esclarecedora bola vermelha no canto superior direito do ecrã.
Páscoa Feliz para todos.
terça-feira, abril 06, 2004
Cidade maravilhosa
1. "Cidade de Deus" tornou-se, em Portugal, um exemplo clássico do filme "de culto". Depois das sessões esgotadas no Cine-Estúdio 222 (na época da Zero em Comportamento) aquando da ante-estreia, a obra de Fernando Meirelles, distribuída pela New Age Entertainment, foi exibida em apenas três ou quatro salas de Lisboa. No entanto, permaneceu no UCI-El Corte Inglés durante semanas a fio, recebendo a atenção e o carinho da crítica. Agora em DVD (com uma edição de coleccionador), continua a destacar-se (de acordo com a "Premiere", lidera a tabela de vendas da Fnac). Uma excepção à regra (o cinema brasileiro não tem tido muita visibilidade em Portugal) ou o início de uma tendência que "Carandiru" prolongará?
2. A versão de aluguer tem legendas em português (que, embora não transcrevam rigorosamente todas as frases, são muito úteis para a compreensão do filme, como já disse aqui o Fernando), além de um comentário áudio.
3. Sendo o personagem principal colectivo (a Cidade de Deus e o seu povo), as características individuais das figuras que mais se destacam perdem-se um pouco. À excepção disso, Meirelles apresenta uma autêntica bomba. A montagem, fotografia e realização criam um ambiente inesquecível. O mecanismo através do qual o argumento abandona uma cena ou personagem para a retomar de outra perspectiva mais adiante é brilhante.
4. O problema é que a violência (em grandes doses, mas nunca excessivamente dramatizada) nunca parece exagerada, ou seja, irrealista. O próprio final aberto da história aponta quer para o optimismo (o triunfo de Buscapé) quer para o pessimismo (as crianças assassinas), deixando a escolha ao espectador.
2. A versão de aluguer tem legendas em português (que, embora não transcrevam rigorosamente todas as frases, são muito úteis para a compreensão do filme, como já disse aqui o Fernando), além de um comentário áudio.
3. Sendo o personagem principal colectivo (a Cidade de Deus e o seu povo), as características individuais das figuras que mais se destacam perdem-se um pouco. À excepção disso, Meirelles apresenta uma autêntica bomba. A montagem, fotografia e realização criam um ambiente inesquecível. O mecanismo através do qual o argumento abandona uma cena ou personagem para a retomar de outra perspectiva mais adiante é brilhante.
4. O problema é que a violência (em grandes doses, mas nunca excessivamente dramatizada) nunca parece exagerada, ou seja, irrealista. O próprio final aberto da história aponta quer para o optimismo (o triunfo de Buscapé) quer para o pessimismo (as crianças assassinas), deixando a escolha ao espectador.
segunda-feira, abril 05, 2004
Belleville
Pois estamos perante o melhor filme de animação dos últimos anos. Possivelmente o toque Europeu faz a diferença isto porque a última vez que fiquei assim foi quando vi as curtas do Wallace and Gromit.
Sem me alongar muito, o filme é um prodigio da animação, um prodigio sonoro e musical e um prodigio daquela força da Natureza que são as velhotas de buço deste Portugal.
Classificação 5 (0 - 5)
Sem me alongar muito, o filme é um prodigio da animação, um prodigio sonoro e musical e um prodigio daquela força da Natureza que são as velhotas de buço deste Portugal.
Classificação 5 (0 - 5)
quinta-feira, abril 01, 2004
Mais três
Três distintas personalidades da blogosfera portuguesa, João Vaz, João Sousa André e Jorge Vaz Nande, uniram-se no projecto inovador de um blogue sobre cinema. A parte da inovação está sobretudo na maneira como funciona o Série B, baseado no diálogo entre os três autores através dos posts, abordando temas cinéfilos bastante diferenciados. Notícias, textos intimistas, efemérides (como o aniversário de Quentin Tarantino) reúnem-se no espaço. São apenas três tipos que desatam a conversar sobre cinema "clássico e moderno" e o fazem de forma bastante interessante.
Agora já com um visual definitivo e um sempre prático serviço de comentários, o Série B é, ao contrário do que o nome indica, a nova estrela da blogosfera cinéfila lusa.
Agora já com um visual definitivo e um sempre prático serviço de comentários, o Série B é, ao contrário do que o nome indica, a nova estrela da blogosfera cinéfila lusa.
terça-feira, março 30, 2004
Sangue
"A Paixão de Cristo", de Mel Gibson
Avaliando a fita como obra artística, "A Paixão de Cristo" é um bom filme? Sim. O realizador Mel Gibson mostra talento (exceptuando o uso por vezes excessivo da câmara lenta), a fotografia e a banda sonora constroem na perfeição o ambiente dramático, o uso do latim e do aramaico, que de início parecia uma excentricidade, revela-se um verdadeiro achado (seria terrível para a credibilidade da produção ouvir actores falar inglês com sotaque italiano) e as interpretações de Jim Caviezel (uma nova estrela?) e Maia Morgenstern são incrivelmente poderosas, dominando a obra do início ao fim (as personagens secundárias são geralmente limitadas). Seguindo à risca as Escrituras (embora ficcionando aqui e ali), Gibson cria um "blockbuster religioso" (Fernando Campos) convincente, embora algo fechado aos não-cristãos.
Outra pergunta corrente é: o filme é anti-semita? Não. Limita-se a seguir os Evangelhos e não distingue claramente os judeus como grupo a acusar e desprezar, mas essa suspeita pode ter sido incentivada pela facilidade irritante com que Gibson identifica os maus da fita (Caifás, Barrabás, os soldados romanos que flagelam Jesus, um dos dois outros crucificados, o próprio Diabo, etc.), desenhados de forma superficial.
O filme é demasiado violento? Sim. É certo que a intenção era mostrar tudo o que Jesus sofreu para remir os pecados humanos, mas durante longos períodos é só isso que "A Paixão..." tem para mostrar: o sofrimento de Cristo, sem nada que o enquadre. As cenas mais chocantes tornam-se aborrecidas. Quanto à função evangelizadora, a verdade é que os "flash-backs" nos quais se recriam as citações mais famosas de Cristo são bem mais comoventes que o corpo do protagonista a escorrer sangue.
Valeu a pena fazer esta nova adaptação dos Evangelhos? Em termos financeiros, claro que valeu. Quanto ao lado artístico, reconheça-se que se produziu uma obra de grande impacto visual e intensidade emocional que é necessário ver, apesar dos seus exageros.
A melhor cena: Maria aproxima-se de Jesus quando este cai ao transportar a cruz.
A pior cena: O "mau ladrão" é bicado por um corvo.
Nota: 6/10.
Avaliando a fita como obra artística, "A Paixão de Cristo" é um bom filme? Sim. O realizador Mel Gibson mostra talento (exceptuando o uso por vezes excessivo da câmara lenta), a fotografia e a banda sonora constroem na perfeição o ambiente dramático, o uso do latim e do aramaico, que de início parecia uma excentricidade, revela-se um verdadeiro achado (seria terrível para a credibilidade da produção ouvir actores falar inglês com sotaque italiano) e as interpretações de Jim Caviezel (uma nova estrela?) e Maia Morgenstern são incrivelmente poderosas, dominando a obra do início ao fim (as personagens secundárias são geralmente limitadas). Seguindo à risca as Escrituras (embora ficcionando aqui e ali), Gibson cria um "blockbuster religioso" (Fernando Campos) convincente, embora algo fechado aos não-cristãos.
Outra pergunta corrente é: o filme é anti-semita? Não. Limita-se a seguir os Evangelhos e não distingue claramente os judeus como grupo a acusar e desprezar, mas essa suspeita pode ter sido incentivada pela facilidade irritante com que Gibson identifica os maus da fita (Caifás, Barrabás, os soldados romanos que flagelam Jesus, um dos dois outros crucificados, o próprio Diabo, etc.), desenhados de forma superficial.
O filme é demasiado violento? Sim. É certo que a intenção era mostrar tudo o que Jesus sofreu para remir os pecados humanos, mas durante longos períodos é só isso que "A Paixão..." tem para mostrar: o sofrimento de Cristo, sem nada que o enquadre. As cenas mais chocantes tornam-se aborrecidas. Quanto à função evangelizadora, a verdade é que os "flash-backs" nos quais se recriam as citações mais famosas de Cristo são bem mais comoventes que o corpo do protagonista a escorrer sangue.
Valeu a pena fazer esta nova adaptação dos Evangelhos? Em termos financeiros, claro que valeu. Quanto ao lado artístico, reconheça-se que se produziu uma obra de grande impacto visual e intensidade emocional que é necessário ver, apesar dos seus exageros.
A melhor cena: Maria aproxima-se de Jesus quando este cai ao transportar a cruz.
A pior cena: O "mau ladrão" é bicado por um corvo.
Nota: 6/10.
sexta-feira, março 26, 2004
A Paixão segundo o ICAM
O ICAM divulgou a lista dos 20 filmes mais vistos nos cinemas portugueses entre 11 e 17 de Março de 2004, indicando, como é hábito, a receita e o número de espectadores das produções (não deixando de apontar em quantas salas foram exibidas durante a semana). Este período assume particular interesse por ser a primeira semana de “A Paixão de Cristo”, o filme-fenómeno de Mel Gibson, no circuito comercial português. A imprensa já tinha noticiado uma forte afluência de espectadores desejosos de ver se a obra era mesmo muito, muito violenta ou simplesmente muito violenta. O “Diário de Notícias” de 16 de Março anunciava que “O filme de Mel Gibson ‘A Paixão de Cristo’ fez mais de 100 mil espectadores nos primeiros 4 dias de exibição em Portugal”. A 23 de Março, o “Público” afirmava que “Logo na primeira semana, 105 mil espectadores viram o filme”.
Assim, os dados do pdf apresentado pelo ICAM revelam que “A Paixão de Cristo”, exibido em 22 salas, teve nessa semana 84.501 espectadores. Obteve o primeiro lugar da tabela, claro, mas a cifra não é tão esmagadora quanto os jornais citados fazem crer (é verdade que ainda nem todas as salas de cinema portuguesas fornecem as suas estatísticas ao ICAM, mas como se explica que a imprensa tenha dados diferentes?). Quanto ao resto da tabela, destaque para o segundo e terceiro classificado, respectivamente “Alguém Tem que Ceder” (presente em mais salas que a obra de Gibson), líder das duas semanas anteriores, com 36.568 bilhetes vendidos, e esse produto alvo de tanta atenção da crítica, “Torque – A Lei do Mais Rápido” (21.418). A partir daí, os números são modestos (a grande estreia pode ter obscurecido as outras fitas em cartaz). Curioso é o regresso de “Matrix Revolutions” (14º lugar), projectado em duas salas e visto por 3.414 almas (339.158 desde a estreia, já agora). Assim vão as bilheteiras da nossa nação.
Assim, os dados do pdf apresentado pelo ICAM revelam que “A Paixão de Cristo”, exibido em 22 salas, teve nessa semana 84.501 espectadores. Obteve o primeiro lugar da tabela, claro, mas a cifra não é tão esmagadora quanto os jornais citados fazem crer (é verdade que ainda nem todas as salas de cinema portuguesas fornecem as suas estatísticas ao ICAM, mas como se explica que a imprensa tenha dados diferentes?). Quanto ao resto da tabela, destaque para o segundo e terceiro classificado, respectivamente “Alguém Tem que Ceder” (presente em mais salas que a obra de Gibson), líder das duas semanas anteriores, com 36.568 bilhetes vendidos, e esse produto alvo de tanta atenção da crítica, “Torque – A Lei do Mais Rápido” (21.418). A partir daí, os números são modestos (a grande estreia pode ter obscurecido as outras fitas em cartaz). Curioso é o regresso de “Matrix Revolutions” (14º lugar), projectado em duas salas e visto por 3.414 almas (339.158 desde a estreia, já agora). Assim vão as bilheteiras da nossa nação.
segunda-feira, março 22, 2004
E saí um dvd!
Realmente isto dos dvd está a deixar tudo doido. Agora um quiosque tem mais dvds que jornais sendo que em qualquer lugaraparece uma pequena fnac.
Posso afirmar que sou um comprador de dvds bastante regular e tendo em conta o mercado que a internet cada vez mais possibilita asseguro que comprar logo assim que se vê em Portugal é um tremendo erro. Os preços praticados pelas lojas em Portugal (exceptuando as cada vez mais frequentes promoções) são cerca de 1/3 mais caras que no estranjeiro já contando com os portes de correio. E isto assegura qualidade? Pois esse é o grande problema... Dividindo o problema temos:
1) Erros nas capas
2) Pessimos desenhos e montagens para as mesmas
3) Legendagem em Português quase brasileiro (ver por ex. a Alien Quadiology)
4) Extras sem legendas
5) Filmes em Português sem legendas para deficientes auditivos
Para não falar de outros erros pontuais, a diferença de preços não compensa minimante.
Posso afirmar que sou um comprador de dvds bastante regular e tendo em conta o mercado que a internet cada vez mais possibilita asseguro que comprar logo assim que se vê em Portugal é um tremendo erro. Os preços praticados pelas lojas em Portugal (exceptuando as cada vez mais frequentes promoções) são cerca de 1/3 mais caras que no estranjeiro já contando com os portes de correio. E isto assegura qualidade? Pois esse é o grande problema... Dividindo o problema temos:
1) Erros nas capas
2) Pessimos desenhos e montagens para as mesmas
3) Legendagem em Português quase brasileiro (ver por ex. a Alien Quadiology)
4) Extras sem legendas
5) Filmes em Português sem legendas para deficientes auditivos
Para não falar de outros erros pontuais, a diferença de preços não compensa minimante.
domingo, março 21, 2004
Não ver este filme é Pekar!!!!!!!!!!
O filme American Splendor é desde já a maior surpresa do Ano.
Este filme que é um filme de ficção e documentário da mesma "estranha" maneira que a BD, é único, pessimista e obrigatório. Possivelmente a melhor e mais original (possivelmente complexa) adaptação de um comic ao cinema.
O argumento pecou por existir um Senhor dos Aneís em ano de supremacia forçada, uma vez que este é a meu ver o melhor argumento adaptado do ano de 2003.
Tudo é perfeito, desde o magnífico trabalho dos actores ao estranho e genial trabalho de realização.
Nada como ver este filme para respirar um pouco de ar puro e deixar de lado o tradicional blockbuster com a pipoca regada a coca-cola.
Classificação: 5 (0-5)
Este filme que é um filme de ficção e documentário da mesma "estranha" maneira que a BD, é único, pessimista e obrigatório. Possivelmente a melhor e mais original (possivelmente complexa) adaptação de um comic ao cinema.
O argumento pecou por existir um Senhor dos Aneís em ano de supremacia forçada, uma vez que este é a meu ver o melhor argumento adaptado do ano de 2003.
Tudo é perfeito, desde o magnífico trabalho dos actores ao estranho e genial trabalho de realização.
Nada como ver este filme para respirar um pouco de ar puro e deixar de lado o tradicional blockbuster com a pipoca regada a coca-cola.
Classificação: 5 (0-5)
sexta-feira, março 19, 2004
Alternativas
Estreou ontem em Espanha o novo filme de Pedro Almodóvar, "La Mala Educación". O aparecimento de uma obra de um cineasta de culto é sempre de realçar, até porque, politicamente correcto como sempre, Almodóvar aborda desta vez temas como a Igreja Católica e a pedofilia. Em Maio, "La Mala Educación" chega a Portugal. Voltarão os aplausos gerais que acolheram as anteriores duas longas-metragens deste realizador? A propósito de Almodóvar, chegou recentemente ao mercado de vídeo/DVD um dos seus dramas (só são classificados como comédias devido à "anormalidade" das personagens criadas por Almodóvar) mais bizarros, "Kika" (1993). A extravagância da narrativa e da realização é por vezes exagerada (a sequência da violação... só vista) e alguns diálogos arrastam-se um pouco, mas trata-se de uma daquelas obras que, com um ou outro defeito, divertem imenso, precisamente por serem tão diferentes e "alternativas". Há só um momento que, actualmente, não é muito agradável por motivos exteriores ao filme: uma cena filmada na estação de Atocha (um pouco como todas as fitas, sobretudo as mais recentes, que mostram o WTC de pé)...
O cinema Mundial fechou as portas por falta de segurança das salas e, sobretudo, pelas escassas receitas da bilheteira. A diversidade do mercado lisboeta sofreu um golpe e a Lusomundo eliminou a anomalia na sua máquina de venda de pipocas (a qualidade do espaço não era, de facto, impressionante, mas a programação detinha originalidade, obrigando os críticos a suportar o cheiro do milho).
O cinema Mundial fechou as portas por falta de segurança das salas e, sobretudo, pelas escassas receitas da bilheteira. A diversidade do mercado lisboeta sofreu um golpe e a Lusomundo eliminou a anomalia na sua máquina de venda de pipocas (a qualidade do espaço não era, de facto, impressionante, mas a programação detinha originalidade, obrigando os críticos a suportar o cheiro do milho).
quarta-feira, março 17, 2004
Factos e palpites
No meio da blogosfera cinéfila, há espaços que adoptam um conteúdo sobretudo informativo, divulgando as notícias/rumores mais recentes sobre o mundo da 7ª Arte (filmes que irão ser feitos, filmes que talvez venham a ser feitos, filmes que afinal não vão ser feitos, festivais de cinema, Óscares e derivados, etc.), e outros que apostam quase exclusivamente em textos opinativos, dando os seus autores a conhecer o prazer ou a repulsa que determinada obra cinematográfica por eles visionada lhes provocou. O melhor será combinar essas duas tendências, exercendo a doce função da crítica mas mantendo alguma atenção à actualidade da produção de fitas, sempre com uma visão pessoal.
Alguns sites interessantes seguem habilmente essa orientação, como o Cineblog, de JB Martins (actualizado diariamente e com uma pesquisa bastante completa dos últimos "trailers" e novidades disponibilizados ao público, mas também com boas críticas a filmes no cinema ou em vídeo/DVD, além de uma lista útil de "links" para outros blogues da mesma área temática) ou o Cinemaonline, de Tiago Teixeira (aqui valorizando sobretudo a informação, transmitida em artigos extensos, e por isso publicados de forma mais ou menos irregular, mas detendo uma perspectiva crítica acerca de factos como a entrega dos Óscares ou a introdução do "ranking" das bilheteiras portuguesas).
No nosso caso, vamos fazendo alguns comentários supostamente divertidos acerca do contexto que envolve os últimos filmes (como passar ao lado, por exemplo, da expectativa em torno de "A Paixão de Cristo", que já conta com mais de 100 mil espectadores em Portugal?), mas um pouco ao acaso, reconheço, sendo por isso aconselhável visitar os "links" à direita e blogues como os atrás referidos para ter uma panorâmica actualizada do cinema tal como é visto no nosso país.
Alguns sites interessantes seguem habilmente essa orientação, como o Cineblog, de JB Martins (actualizado diariamente e com uma pesquisa bastante completa dos últimos "trailers" e novidades disponibilizados ao público, mas também com boas críticas a filmes no cinema ou em vídeo/DVD, além de uma lista útil de "links" para outros blogues da mesma área temática) ou o Cinemaonline, de Tiago Teixeira (aqui valorizando sobretudo a informação, transmitida em artigos extensos, e por isso publicados de forma mais ou menos irregular, mas detendo uma perspectiva crítica acerca de factos como a entrega dos Óscares ou a introdução do "ranking" das bilheteiras portuguesas).
No nosso caso, vamos fazendo alguns comentários supostamente divertidos acerca do contexto que envolve os últimos filmes (como passar ao lado, por exemplo, da expectativa em torno de "A Paixão de Cristo", que já conta com mais de 100 mil espectadores em Portugal?), mas um pouco ao acaso, reconheço, sendo por isso aconselhável visitar os "links" à direita e blogues como os atrás referidos para ter uma panorâmica actualizada do cinema tal como é visto no nosso país.
sexta-feira, março 12, 2004
Os dez magníficos
Merece aplausos a iniciativa (que só peca por tardia) do ICAM de, através de um acordo estabelecido com as distribuidoras, calcular e divulgar ao público (todas as sextas-feiras, no "site" do ICAM e, espero, na imprensa) as receitas dos filmes mais vistos em Portugal na semana anterior, tal como se faz nos restantes países da UE. O “Público” de hoje apresenta um primeiro exemplo, consistindo no “top 10” do período entre 26 de Fevereiro e 3 de Março deste ano.
Assim, na antepenúltima semana cinéfila, só “Alguém Tem que Ceder” obteve resultados impressionantes (54.748 espectadores e 228.391,45 milhares de euros de receita), ficando bem longe do segundo classificado, “Scary Movie 3 – Outro Susto de Filme”, com apenas 25.148 bilhetes vendidos (embora se deva ter em conta que a obra de David Zucker se encontrava já na sua terceira semana de exibição). A seguir na lista encontram-se, sem grandes surpresas, as fitas estreadas ultimamente nos multiplexes, com “Pago para Esquecer”, projectado em mais salas (39) que qualquer outro dos membros do “top”, na terceira posição e “Cold Mountain” em quarto lugar. Já no final, temos dois casos de cinema americano mais “minoritário”, com “O Amor é um Lugar Estranho” e “Monstro” (exibidos, respectivamente, em 7 e 8 salas). A obra de Sofia Coppola, provavelmente beneficiada pelos Óscares, parece deter uma longevidade nos cinemas digna de registo.
Isto é óptimo. Vamos a ver as semanas seguintes. Só há o problema de passarem a haver provas de que raramente uma longa-metragem portuguesa sai do quase anonimato.
Assim, na antepenúltima semana cinéfila, só “Alguém Tem que Ceder” obteve resultados impressionantes (54.748 espectadores e 228.391,45 milhares de euros de receita), ficando bem longe do segundo classificado, “Scary Movie 3 – Outro Susto de Filme”, com apenas 25.148 bilhetes vendidos (embora se deva ter em conta que a obra de David Zucker se encontrava já na sua terceira semana de exibição). A seguir na lista encontram-se, sem grandes surpresas, as fitas estreadas ultimamente nos multiplexes, com “Pago para Esquecer”, projectado em mais salas (39) que qualquer outro dos membros do “top”, na terceira posição e “Cold Mountain” em quarto lugar. Já no final, temos dois casos de cinema americano mais “minoritário”, com “O Amor é um Lugar Estranho” e “Monstro” (exibidos, respectivamente, em 7 e 8 salas). A obra de Sofia Coppola, provavelmente beneficiada pelos Óscares, parece deter uma longevidade nos cinemas digna de registo.
Isto é óptimo. Vamos a ver as semanas seguintes. Só há o problema de passarem a haver provas de que raramente uma longa-metragem portuguesa sai do quase anonimato.
Blockbuster Religioso
Tenho visto com curiosidade os números do filme de Gibson nas bilheteiras americanas e vejo um novo género surgir no cinema Mundial: Blockbuster Religioso.
Depois deste Paixão de Cristo, teremos de esperar para ver o que se seguirá nesta façanha de criar filmes religiosos que ganham 200 milhões de dólares em quinze dias.
Possivelmente uma produção chinesa "A Levitação de Buda" por Jonh Woo e a produção Israelo-Americana "A Montanha de Mahommed" por M. Night Shyamalan.
Depois deste Paixão de Cristo, teremos de esperar para ver o que se seguirá nesta façanha de criar filmes religiosos que ganham 200 milhões de dólares em quinze dias.
Possivelmente uma produção chinesa "A Levitação de Buda" por Jonh Woo e a produção Israelo-Americana "A Montanha de Mahommed" por M. Night Shyamalan.
quarta-feira, março 10, 2004
Opiniões convergentes
Sem nada para criticar de momento, deixo-vos com duas das recensões já publicadas acerca do fenómeno que estreia amanhã. Nuno Centeio e Tiago Pimentel dedicam algumas linhas à obra de Gibson, embora não pareçam falar do mesmo filme. Ao entusiasmo católico de Centeio, provocado pela fidelidade do argumento aos Evangelhos ("Assim diz a Bíblia"), Pimentel responde expressando como se sentiu enojado e insultado pelo simplismo e exagero da longa-metragem protagonizada por Jim Caviezel.
domingo, março 07, 2004
Cotas
“Alguém Tem que Ceder”, de Nancy Meyers
O objectivo de Meyers (também argumentista) é interessante: fazer uma comédia romântica na qual o par protagonista não seja formado por adolescentes ou “jovens adultos” (como a personagem de Amanda Peet neste filme) em plena fase de descoberta dos dramas e alegrias da vida, mas sim por um homem e uma mulher já com idade para ter juízo. A narrativa provaria que as rugas não impedem o estabelecimento de novos e profundos relacionamentos amorosos.
Dificilmente poderiam ter sido escolhidos melhores actores para concretizar esse projecto: Diane Keaton e Jack Nicholson, figuras carregadas de prestígio, actuam bem e possuem química entre si, encarnando personagens divertidas e bem construídas. No elenco restante, destaca-se o subaproveitamento de Frances McDormand e o escasso poder expressivo de Keanu Reeves.
Embora o ponto de partida seja bom e alguns momentos (a cena de sexo, os seios de Keaton e o rabo de Nicholson, por exemplo) provoquem verdadeiras gargalhadas, a evolução da história não é a melhor. O filme torna-se demasiado longo e convencional, deixando o espectador (pelo menos eu, já que esta comédia tem os seus fãs) a esperar ansiosamente o final. Certos mecanismos narrativos parecem forçados e pouco inspirados (como a ida de Erica para Nova Iorque), sendo cansativos os diálogos acerca do amor. Meyers acaba por não surpreender ninguém e repetir-se ao longo da fita.
O visionamento de "Alguém Tem que Ceder" em vídeo/DVD é mais adequado que a ida ao cinema, não só por causa do preço mas por permitir a concentração nas melhores cenas de Keaton e Nicholson e o abreviar das partes mais aborrecidas.
A melhor cena: Erica chora dias a fio.
A pior cena: Harry consulta Julian antes de voltar para Nova Iorque.
Nota: 5/10.
P.S. Vi os “trailers” de “A Paixão de Cristo” e “Shrek 2”. O primeiro permite compreender as “acusações” de influências de Tarantino na obra de Gibson, devido ao sangue um pouco por toda a parte (se a publicidade impressiona, imagine-se o filme). O segundo é realmente prometedor (“Já não falta muito, muito tempo”).
O objectivo de Meyers (também argumentista) é interessante: fazer uma comédia romântica na qual o par protagonista não seja formado por adolescentes ou “jovens adultos” (como a personagem de Amanda Peet neste filme) em plena fase de descoberta dos dramas e alegrias da vida, mas sim por um homem e uma mulher já com idade para ter juízo. A narrativa provaria que as rugas não impedem o estabelecimento de novos e profundos relacionamentos amorosos.
Dificilmente poderiam ter sido escolhidos melhores actores para concretizar esse projecto: Diane Keaton e Jack Nicholson, figuras carregadas de prestígio, actuam bem e possuem química entre si, encarnando personagens divertidas e bem construídas. No elenco restante, destaca-se o subaproveitamento de Frances McDormand e o escasso poder expressivo de Keanu Reeves.
Embora o ponto de partida seja bom e alguns momentos (a cena de sexo, os seios de Keaton e o rabo de Nicholson, por exemplo) provoquem verdadeiras gargalhadas, a evolução da história não é a melhor. O filme torna-se demasiado longo e convencional, deixando o espectador (pelo menos eu, já que esta comédia tem os seus fãs) a esperar ansiosamente o final. Certos mecanismos narrativos parecem forçados e pouco inspirados (como a ida de Erica para Nova Iorque), sendo cansativos os diálogos acerca do amor. Meyers acaba por não surpreender ninguém e repetir-se ao longo da fita.
O visionamento de "Alguém Tem que Ceder" em vídeo/DVD é mais adequado que a ida ao cinema, não só por causa do preço mas por permitir a concentração nas melhores cenas de Keaton e Nicholson e o abreviar das partes mais aborrecidas.
A melhor cena: Erica chora dias a fio.
A pior cena: Harry consulta Julian antes de voltar para Nova Iorque.
Nota: 5/10.
P.S. Vi os “trailers” de “A Paixão de Cristo” e “Shrek 2”. O primeiro permite compreender as “acusações” de influências de Tarantino na obra de Gibson, devido ao sangue um pouco por toda a parte (se a publicidade impressiona, imagine-se o filme). O segundo é realmente prometedor (“Já não falta muito, muito tempo”).
sábado, março 06, 2004
A Fnac viu e errou
Juntamente com a "Premiere" de Março, é distribuída uma publicação ("Filmes de Culto") da Fnac, com o objectivo de promover alguns dos títulos do "stock" de DVDs desta. As obras referidas encontram-se agrupadas por géneros, sendo apresentadas a capa e a sinopse de seis ou doze filmes de cada um. Tudo estaria quase perfeito (uma ou outra imprecisão nos textos) se não existissem no cabeçalho de cada género referências (limitadas ao título) a fitas que, por falta de espaço ou outro motivo qualquer, não merecem um destaque mais aprofundado.
Assim, em "Blockbuster", ficamos a saber que "A Fnac viu e gostou" de "Missão Impossível 3" (algo muito difícil, uma vez que, por enquanto, a série só conta com dois capítulos) e "Rambo" (é necessário perguntar qual deles, uma vez que o primeiro filme da personagem chama-se simplesmente "A Fúria do Herói"). Mais à frente, não deixa de ser polémica a inclusão de "Aonde é que Pára a Polícia?" em "Polícias" (afinal, trata-se de uma paródia a esse género) e de "Febre de Sábado à Noite" em "X-Rated" (?).
Não é tão grave como a contracapa da edição da Lusomundo de "Apocalypse Now Redux" (ver comentários mais abaixo), mas prova que nem a Fnac está imune a deslizes.
Assim, em "Blockbuster", ficamos a saber que "A Fnac viu e gostou" de "Missão Impossível 3" (algo muito difícil, uma vez que, por enquanto, a série só conta com dois capítulos) e "Rambo" (é necessário perguntar qual deles, uma vez que o primeiro filme da personagem chama-se simplesmente "A Fúria do Herói"). Mais à frente, não deixa de ser polémica a inclusão de "Aonde é que Pára a Polícia?" em "Polícias" (afinal, trata-se de uma paródia a esse género) e de "Febre de Sábado à Noite" em "X-Rated" (?).
Não é tão grave como a contracapa da edição da Lusomundo de "Apocalypse Now Redux" (ver comentários mais abaixo), mas prova que nem a Fnac está imune a deslizes.
terça-feira, março 02, 2004
Sono
No rescaldo dos Óscares, repetem-se as manifestações de tédio causado pela monotonia e previsibilidade da cerimónia, descrita por espectadores sonolentos como Nuno Centeio, observador atento do vestuário das actrizes presentes, ou Eurico de Barros, desiludido apenas por Michael Moore não ter sido esmagado na vida real (simpático como sempre...). Sem doses significativas de política ou "gaffes" e dominada pela glória da Nova Zelândia, a cerimónia não motivou mais que meia dúzia de frases. Como será para o ano?
Entretanto, "A Paixão de Cristo" converteu-se num enorme sucesso. Neste momento, a concorrência nas salas americanas não parece ser grande coisa, mas as receitas do filme de Gibson não deixam de causar sensação.
Entretanto, "A Paixão de Cristo" converteu-se num enorme sucesso. Neste momento, a concorrência nas salas americanas não parece ser grande coisa, mas as receitas do filme de Gibson não deixam de causar sensação.
segunda-feira, março 01, 2004
A festa de Hallywood
A comunicação social portuguesa não deixou de cobrir a expectativa que rodeou a cerimónia de entrega dos Óscares, inclusive através do trabalho de enviados especiais a Los Angeles. Foi o caso da RTP, que destacou para o local da notícia Pedro Bicudo, o seu correspondente nos EUA. No "Telejornal" de ontem, o diálogo em directo entre Bicudo e a pivô Judite de Sousa permitiu obter informações preciosas (nomeadamente acerca da dificuldade de fugir aos lugares-comuns nestas reportagens rotineiras e "divertidas"). Este ano, a presença da lusofonia entre as nomeações (Eduardo Serra e "Cidade de Deus") mereceu particular destaque. Na sua curiosa pronúncia (referiu-se frequentemente a "Hallywood"), Bicudo relembrou que Serra estava nomeado pelo seu trabalho em "Rapariga do Anel de Pérola" e contradisse Sousa (crente na nomeação do filme de Fernando Meirelles para a categoria de Melhor Filme Estrangeiro) ao enumerar os quatro prémios que "Cidade de Deus" poderia ganhar, entre eles "Melhor Adaptação". Deslizes...
Quanto às estatuetas em si, vale a pena dizer que se obteve a lista de premiados mais previsível dos últimos anos. O triunfo absoluto da trilogia "O Senhor dos Anéis" acaba por ser justo, tendo em conta a dimensão e a qualidade do projecto coordenado por Peter Jackson. Alguns filmes de menor dimensão poderão, infelizmente, ter sido esquecidos imerecidamente devido ao poder do Anel. Destaque ainda para o prémio de Melhor Argumento Original atribuído a Sofia Coppola, realçando a qualidade de uma nova e brilhante cineasta, autora de uma longa-metragem de sucesso (que, segundo João Lopes assinalou na Antena 1, custou menos que algumas fitas portuguesas). Quanto a Eduardo Serra, fica para uma próxima oportunidade...
Quanto às estatuetas em si, vale a pena dizer que se obteve a lista de premiados mais previsível dos últimos anos. O triunfo absoluto da trilogia "O Senhor dos Anéis" acaba por ser justo, tendo em conta a dimensão e a qualidade do projecto coordenado por Peter Jackson. Alguns filmes de menor dimensão poderão, infelizmente, ter sido esquecidos imerecidamente devido ao poder do Anel. Destaque ainda para o prémio de Melhor Argumento Original atribuído a Sofia Coppola, realçando a qualidade de uma nova e brilhante cineasta, autora de uma longa-metragem de sucesso (que, segundo João Lopes assinalou na Antena 1, custou menos que algumas fitas portuguesas). Quanto a Eduardo Serra, fica para uma próxima oportunidade...
sábado, fevereiro 28, 2004
Vómito
Um DVD actualmente no mercado de aluguer que merece atenção é o de “O Sentido da Vida”, uma comédia de 1983 que aborda (supostamente) as diferentes fases da vida humana, de acordo com a visão dos Monty Python. Os seis cómicos que revolucionaram o humor televisivo e cinematográfico (constituindo uma referência para as Produções Fictícias, a poderosa empresa que praticamente monopoliza a risota nacional) apresentam uma série de “sketches” em torno da busca do sentido da vida, o que explica a presença de peixes, (muito) vómito, seios nus, extracções de fígado, aulas (enfadonhas) de educação sexual, etc.
“O Sentido da Vida”, realizado por Terry Jones (à excepção da curta-metragem que o precede e das sequências de animação, realizadas por Terry Gilliam), acaba por não ser uma obra genial, devido à sua estrutura algo desconexa e a algumas piadas que passam ao lado. Mas quando os Python (que só redescobri agora, depois de ter visto um pouco do trabalho do grupo já há alguns anos) acertam, acertam em cheio. As canções delirantes e o humor mais violento e “chocante” (trata-se de um filme classificado como para maiores de 18) ficam na memória, distinguindo-se fortemente da comédia feita hoje em dia (pelo menos, fazem rir).
Uma dose de “nonsense” puro que é acompanhada por numerosos extras (o DVD possui dois discos), incluindo cenas cortadas, material publicitário, novas “curtas” humorísticas (sobretudo de auto-sátira, como o prólogo acrescentado ao filme e o novo “trailer”), um documentário nada aborrecido sobre o projecto e outras tralhas (todas legendadas em português) que valem pelo menos o dinheiro do aluguer.
A melhor canção: “Every Sperm is Sacred”.
A pior canção: “The Penis Song”.
Nota: 7/10.
“O Sentido da Vida”, realizado por Terry Jones (à excepção da curta-metragem que o precede e das sequências de animação, realizadas por Terry Gilliam), acaba por não ser uma obra genial, devido à sua estrutura algo desconexa e a algumas piadas que passam ao lado. Mas quando os Python (que só redescobri agora, depois de ter visto um pouco do trabalho do grupo já há alguns anos) acertam, acertam em cheio. As canções delirantes e o humor mais violento e “chocante” (trata-se de um filme classificado como para maiores de 18) ficam na memória, distinguindo-se fortemente da comédia feita hoje em dia (pelo menos, fazem rir).
Uma dose de “nonsense” puro que é acompanhada por numerosos extras (o DVD possui dois discos), incluindo cenas cortadas, material publicitário, novas “curtas” humorísticas (sobretudo de auto-sátira, como o prólogo acrescentado ao filme e o novo “trailer”), um documentário nada aborrecido sobre o projecto e outras tralhas (todas legendadas em português) que valem pelo menos o dinheiro do aluguer.
A melhor canção: “Every Sperm is Sacred”.
A pior canção: “The Penis Song”.
Nota: 7/10.
quinta-feira, fevereiro 26, 2004
Fitas na TV
“Sexo, Mentiras e Vídeo”, de Steven Soderbergh (Hollywood)
Ao ganhar a Palma de Ouro de Cannes e sendo nomeado para o Óscar de Melhor Argumento Original, Soderbergh irrompeu em 1989 como um dos mais promissores cineastas americanos. A sua primeira longa-metragem tornou-se um clássico do cinema “indie” (e inspirou numerosos títulos jornalísticos), embora o realizador tenha entrado nos anos seguintes numa fase “obscura”, não conseguindo impor o seu nome até finais da década de 90, quando, como se sabe, assinou vários êxitos críticos e comerciais, vindo a receber uma estatueta.
Ainda hoje, “Sexo, Mentiras e Vídeo” constitui um objecto singular. O célebre título indica os ingredientes da história, limitada quase exclusivamente a quatro personagens, que ao longo de hora e meia falam sobre sexualidade, sem quaisquer tabus. Além de falar, fazem (pelo menos duas delas), mas Soderbergh nunca nos mostra órgãos genitais ou outras partes íntimas, limitando-se a sugerir e conseguindo precisamente assim um forte erotismo.
As bizarrias (ou nem tanto) dos protagonistas e a evolução das relações entre eles conferem dinamismo a um argumento simples (e filmado sem grandes recursos), marcado pelos diálogos de elevada qualidade, que nunca caem no mau gosto. A realização de Soderbergh ainda não possui grande arrojo e traços típicos do cinema independente retardam um pouco o ritmo, mas o interesse do espectador nunca se perde. A banda sonora é bastante cuidada e liga-se na perfeição às imagens.
Dos quatro actores principais, destacam-se James Spader (calmo e contido, como em “A Secretária”) e Andie McDowell (anúncios televisivos à parte, o que é feito dela?), os quais constituem a imagem mais forte de uma obra feita a pensar sobretudo na crítica, mas transmitindo uma impressão de talento e qualidade ainda hoje presente no trabalho de Soderbergh.
A melhor cena: Ann beija Graham.
A pior cena: John e Cynthia falam pela última vez.
Nota: 7/10.
“A Fúria do Herói”, de Ted Kotcheff (TVI)
Seja ou não porque “Rocky” é já demasiado antigo (e as últimas sequelas não tiveram grande impacto), Sylvester Stallone ainda hoje “é” Rambo, mesmo para aqueles que não conhecem os filmes nos quais participou. Um dos maiores ícones do cinema americano surgiu na tela pela primeira vez em “A Fúria do Herói” (“First Blood”), um filme de 1982 que apresenta o veterano do Vietname como um símbolo da inadaptação dos ex-combatentes à vida civil e da hostilidade que lhes é dirigida. Divergindo em relação ao romance que serviu de base à fita, o argumento disponibiliza o herói para aventuras futuras. Por enquanto, Rambo combate a polícia de uma pequena cidade, que embirra com ele e lhe resolve dar caça.
É ao fazer a ligação entre o presente e os traumas do passado do guerreiro, nomeadamente através da intervenção do personagem de Richard Crenna, que a obra de Kotcheff ganha maior valor. A ira e o desespero do protagonista são expressos por Stallone da melhor maneira que consegue (o que não é grande coisa), nas escassas frases que profere. De resto, temos uma fita de acção típica dos anos 80, com abundantes tiros e explosões (embora pouco sangue) à medida que decorre a luta entre Rambo e os personagens secundários estereotipados. A realização e a montagem limitam-se a seguir, sem darem grande sinal de si, as peripécias mais ou menos interessantes que ocorrem.
Dizer que “A Fúria do Herói” é um bom filme é algo exagerado, mas a verdade é que entretém e tem pés e cabeça, satisfazendo as expectativas dos fãs do género. Será que hoje em dia alguém faria uma obra de acção “um-contra-todos” tão “clássica”?
A melhor cena: Trautman apresenta-se ao xerife Teasle.
A pior cena: Rambo é lavado.
Nota: 5/10.
Ao ganhar a Palma de Ouro de Cannes e sendo nomeado para o Óscar de Melhor Argumento Original, Soderbergh irrompeu em 1989 como um dos mais promissores cineastas americanos. A sua primeira longa-metragem tornou-se um clássico do cinema “indie” (e inspirou numerosos títulos jornalísticos), embora o realizador tenha entrado nos anos seguintes numa fase “obscura”, não conseguindo impor o seu nome até finais da década de 90, quando, como se sabe, assinou vários êxitos críticos e comerciais, vindo a receber uma estatueta.
Ainda hoje, “Sexo, Mentiras e Vídeo” constitui um objecto singular. O célebre título indica os ingredientes da história, limitada quase exclusivamente a quatro personagens, que ao longo de hora e meia falam sobre sexualidade, sem quaisquer tabus. Além de falar, fazem (pelo menos duas delas), mas Soderbergh nunca nos mostra órgãos genitais ou outras partes íntimas, limitando-se a sugerir e conseguindo precisamente assim um forte erotismo.
As bizarrias (ou nem tanto) dos protagonistas e a evolução das relações entre eles conferem dinamismo a um argumento simples (e filmado sem grandes recursos), marcado pelos diálogos de elevada qualidade, que nunca caem no mau gosto. A realização de Soderbergh ainda não possui grande arrojo e traços típicos do cinema independente retardam um pouco o ritmo, mas o interesse do espectador nunca se perde. A banda sonora é bastante cuidada e liga-se na perfeição às imagens.
Dos quatro actores principais, destacam-se James Spader (calmo e contido, como em “A Secretária”) e Andie McDowell (anúncios televisivos à parte, o que é feito dela?), os quais constituem a imagem mais forte de uma obra feita a pensar sobretudo na crítica, mas transmitindo uma impressão de talento e qualidade ainda hoje presente no trabalho de Soderbergh.
A melhor cena: Ann beija Graham.
A pior cena: John e Cynthia falam pela última vez.
Nota: 7/10.
“A Fúria do Herói”, de Ted Kotcheff (TVI)
Seja ou não porque “Rocky” é já demasiado antigo (e as últimas sequelas não tiveram grande impacto), Sylvester Stallone ainda hoje “é” Rambo, mesmo para aqueles que não conhecem os filmes nos quais participou. Um dos maiores ícones do cinema americano surgiu na tela pela primeira vez em “A Fúria do Herói” (“First Blood”), um filme de 1982 que apresenta o veterano do Vietname como um símbolo da inadaptação dos ex-combatentes à vida civil e da hostilidade que lhes é dirigida. Divergindo em relação ao romance que serviu de base à fita, o argumento disponibiliza o herói para aventuras futuras. Por enquanto, Rambo combate a polícia de uma pequena cidade, que embirra com ele e lhe resolve dar caça.
É ao fazer a ligação entre o presente e os traumas do passado do guerreiro, nomeadamente através da intervenção do personagem de Richard Crenna, que a obra de Kotcheff ganha maior valor. A ira e o desespero do protagonista são expressos por Stallone da melhor maneira que consegue (o que não é grande coisa), nas escassas frases que profere. De resto, temos uma fita de acção típica dos anos 80, com abundantes tiros e explosões (embora pouco sangue) à medida que decorre a luta entre Rambo e os personagens secundários estereotipados. A realização e a montagem limitam-se a seguir, sem darem grande sinal de si, as peripécias mais ou menos interessantes que ocorrem.
Dizer que “A Fúria do Herói” é um bom filme é algo exagerado, mas a verdade é que entretém e tem pés e cabeça, satisfazendo as expectativas dos fãs do género. Será que hoje em dia alguém faria uma obra de acção “um-contra-todos” tão “clássica”?
A melhor cena: Trautman apresenta-se ao xerife Teasle.
A pior cena: Rambo é lavado.
Nota: 5/10.
quarta-feira, fevereiro 25, 2004
A Bíblia no multiplex
O início da Quaresma foi a época do ano escolhida para dar a conhecer ao mundo “The Passion of the Christ”, o (hiper) polémico filme bíblico de Mel Gibson que há quase um ano provoca as mais variadas reacções nos EUA, como se pode ler no "Público" de hoje. As acusações de parcialidade e potencial anti-semitismo da visão da crucificação de Cristo proposta por Gibson, lançadas por associações judaicas e até por alguns clérigos cristãos (embora, de um modo geral, tanto católicos como protestantes que já viram o filme tenham emitido juízos positivos), criaram um ruído tal à volta da película que o interesse e a expectativa dos espectadores americanos são quase comparáveis ao que acontece com as obras de George Lucas (algumas das 4000 salas onde “The Passion” será exibido realizarão sessões às 6:30 da manhã, de modo a satisfazer a procura). As previsões dos grandes estúdios (que rejeitaram apoiar o projecto de Gibson, pouco confiantes na comercialidade de uma longa-metragem com legendas e um tema distante da linha habitual dos “blockbusters”) parecem prestes a ser desmentidas.
Não teremos de esperar muito para ver como é afinal esse regresso do Novo Testamento ao cinema, uma vez que a obra estreará nas salas da Lusomundo em 11 de Março. A intenção dos distribuidores é aproveitar ao máximo a eventual compra maciça de bilhetes, até por parte de gente que não costuma ir muito ao cinema.
Até lá, resta-nos observar a reacção da crítica (supostamente para lá das questões religiosas), avaliando “The Passion” como objecto artístico.
Não teremos de esperar muito para ver como é afinal esse regresso do Novo Testamento ao cinema, uma vez que a obra estreará nas salas da Lusomundo em 11 de Março. A intenção dos distribuidores é aproveitar ao máximo a eventual compra maciça de bilhetes, até por parte de gente que não costuma ir muito ao cinema.
Até lá, resta-nos observar a reacção da crítica (supostamente para lá das questões religiosas), avaliando “The Passion” como objecto artístico.
domingo, fevereiro 22, 2004
Imprensa
Enquanto o “Público” vai concluindo a Série Y, o “Diário de Notícias” lança uma nova colecção de DVDs (Cine Clube DNA), com títulos seleccionados (entre as obras do catálogo da Lusomundo?) pelo conceituado João Lopes. As duas primeiras fitas a serem postas a venda (“Apocalypse Now Redux” e “Vigaristas de Bairro”) mostram que acabou de vez a colecção possidónia de 2003. Agora o nível é mais elevado, tanto quanto ao rol de longas-metragens quanto à publicidade (bem melhor que os trocadilhos do “Público”, diga-se).
O regresso de Ron Howard à realização, com “Desaparecidas”, despertou forte interesse por parte do painel de críticos do diário dirigido por José Manuel Fernandes. Todos os quatro especialistas visionaram a nova obra de Howard. Para além da relativa raridade de um filme americano ser comentado por todos os membros do painel, é de destacar a igual classificação por eles atribuída: bola preta, foi a decisão unânime (dois críticos do DN, mais generosos, concedem a “Desaparecidas” uma modesta estrelinha). Normalmente, apenas um ou dois membros do grupo sacrificam-se e visionam obras comerciais que cheiram de longe a mediocridade, mas desta vez o desanque foi total e impiedoso (o painel do “Público” já se tinha unido antes, mas para elogiar, como aconteceu com “Lost in Translation”). Não sei ainda o que se passou noutras publicações (nomeadamente o “Expresso”), mas não se pode dizer que a última produção do cineasta oscarizado de “Uma Mente Brilhante” tenha sido recebida de braços abertos pela crítica portuguesa.
O regresso de Ron Howard à realização, com “Desaparecidas”, despertou forte interesse por parte do painel de críticos do diário dirigido por José Manuel Fernandes. Todos os quatro especialistas visionaram a nova obra de Howard. Para além da relativa raridade de um filme americano ser comentado por todos os membros do painel, é de destacar a igual classificação por eles atribuída: bola preta, foi a decisão unânime (dois críticos do DN, mais generosos, concedem a “Desaparecidas” uma modesta estrelinha). Normalmente, apenas um ou dois membros do grupo sacrificam-se e visionam obras comerciais que cheiram de longe a mediocridade, mas desta vez o desanque foi total e impiedoso (o painel do “Público” já se tinha unido antes, mas para elogiar, como aconteceu com “Lost in Translation”). Não sei ainda o que se passou noutras publicações (nomeadamente o “Expresso”), mas não se pode dizer que a última produção do cineasta oscarizado de “Uma Mente Brilhante” tenha sido recebida de braços abertos pela crítica portuguesa.
sábado, fevereiro 21, 2004
Humor cinéfilo
Algures nas profundezas da Net portuguesa existe uma página na qual se encontram alguns textos humorísticos parodiando os clichés do cinema americano (todo o tipo de situações que provocam o comentário "isto só nos filmes"). As recolhas de situações absurdas das longas-metragens de Hollywood são já um pouco antigas ("Independence Day" é um dos principais alvos) e as anedotas do último texto nem sempre são hilariantes, mas ainda é interessante ler enumerações de tudo aquilo que nunca acontece na vida real mas faz parte do dia-a-dia dos heróis e vilões de além-Atlântico. As cenas mais dramáticas das fitas têm quase sempre um lado ridículo.
Qual o valor de 21 gramas?
Sem me alongar demais posso afirmar que este será um dos melhores filmes estreados em 2004. Realmente um magnífico filme em que o efeito especial são os actores. O argumento é simples mas permite aos actores a criação de personagens reais que vivem numa teia de angústia criada pela vida.
Del Toro é um actor do outro Mundo. Cria uma personagem de conflito, de redenção e de dúvida de um modo brilhante, desde a actuação ao seu trabalho físico e mesmo no seu aspecto físico. Penn surge novamente a um nível alto, tal como em Mystic River e a sua personagem tem o peso do fim da vida. Watts é uma guerreira nata, nunca caí no lugar comum de coitadinha e assume sempre o lugar de lutadora.
O realizador mexicano constroi a narrativa de maneira certa, uma vez que o argumento é muito simples e mesmo linear. A montagem e a realização é que o torna intenso, único e fazem com que o filme tenha duas horas sempre a um nível intenso, alto e colocando o espectador na dúvida do que virá a seguir ou como é que se chegou a este ponto?
Resumidamente 21 gramas valem 5 lindas estrelas.
Del Toro é um actor do outro Mundo. Cria uma personagem de conflito, de redenção e de dúvida de um modo brilhante, desde a actuação ao seu trabalho físico e mesmo no seu aspecto físico. Penn surge novamente a um nível alto, tal como em Mystic River e a sua personagem tem o peso do fim da vida. Watts é uma guerreira nata, nunca caí no lugar comum de coitadinha e assume sempre o lugar de lutadora.
O realizador mexicano constroi a narrativa de maneira certa, uma vez que o argumento é muito simples e mesmo linear. A montagem e a realização é que o torna intenso, único e fazem com que o filme tenha duas horas sempre a um nível intenso, alto e colocando o espectador na dúvida do que virá a seguir ou como é que se chegou a este ponto?
Resumidamente 21 gramas valem 5 lindas estrelas.
A Cidade de Deus: discriminação
Sinceramente mais uma vez os editores de dvd em Portugal esquecem-se de fazer uma versão dos filmes com legendas em Português. Será que não conseguem perceber que a vantagem deste formato é poder facilmente ser alterado consoante o espectador que está a ver o filme? Uma coisa é ter legendas no cinema outra é ter legendas num formato em que facilmente se tiram.
Podem pensar que é caro fazer a legendagem. Se se pensar um pouco, estando já em Region 2 há algum tempo existem versões em inglês. Então é somente o trabalho de ver o filme e guardar as "falas" pois o estudo da altura em que elas entram está já feito para outras línguas. E como é traduzir de português para português é um trabalho rápido.
Um público que não oiça que filme poderá ver?
E ainda melhor. Eu compro filmes americanos e gosto mais quando os vejo com legendas para "apanhar" mesmo tudo. Os filmes de Region 1/2 têm quase sempre legendas. Visão comercial? Sim e também visão social.
Portugal tão pequenino nós somos
Podem pensar que é caro fazer a legendagem. Se se pensar um pouco, estando já em Region 2 há algum tempo existem versões em inglês. Então é somente o trabalho de ver o filme e guardar as "falas" pois o estudo da altura em que elas entram está já feito para outras línguas. E como é traduzir de português para português é um trabalho rápido.
Um público que não oiça que filme poderá ver?
E ainda melhor. Eu compro filmes americanos e gosto mais quando os vejo com legendas para "apanhar" mesmo tudo. Os filmes de Region 1/2 têm quase sempre legendas. Visão comercial? Sim e também visão social.
Portugal tão pequenino nós somos
sexta-feira, fevereiro 20, 2004
As piores pipocas
E já foram divulgadas as escolhas do site The Stinkers quanto ao pior que o cinema americano ofereceu em 2003. O filme mais premiado foi esse mesmo que imaginam, com Affleck e Lopez a verem a qualidade dos seus desempenhos reconhecida. Nem todas as decisões da lista são incontestáveis (não me parece que os efeitos de "Hulk" sejam assim tão maus), até porque, na categoria "Filme Mais Sobrestimado", seria impossível não ofender ninguém. Enfim, sempre é uma alternativa à avalanche de comentários acerca das estatuetas (os prémios de The Stinkers são simbolizados por sanitas, se não me engano).
terça-feira, fevereiro 17, 2004
Ainda não
Examinando o cartaz desta semana dos cinemas da região de Lisboa, verifica-se que "Portugal SA", de Ruy Guerra, nunca ocupa todas as sessões diárias das várias salas nas quais é exibido (sendo limitado frequentemente a uma ou duas projecções). A fita, produzida por Tino Navarro, vai apenas na sua terceira semana no circuito comercial. Parece que ainda não é desta que Navarro volta aos grandes êxitos dos anos 90.
Não vi ainda "Portugal SA" (nestas condições, vai ser difícil), por isso não posso julgar a sua qualidade, mas é curioso notar o aparente insucesso da película, tendo em conta que, ao contrário do que é habitual com o cinema português, a obra foi amplamente publicitada antes da sua estreia, nas salas, na imprensa (a Lusomundo, distribuidora do filme, possui várias publicações), na televisão ("teasers" exibidos na RTP) e até nas ruas e subterrâneos de Lisboa. O conteúdo da obra é claramente comercial e legível pelo grande público.
No entanto, os artigos acerca do último trabalho de Guerra foram poucos e a crítica esteve longe de o receber com carinho e compreensão. Nos "sites" especializados (7ª Arte, Cinema2000, C7nema), os comentários são escassos ou geralmente negativos (mesmo muito negativos, em alguns casos). Não existem, por enquanto, estatísticas, mas certamente que "Portugal SA" será um dos filmes portugueses mais vistos em 2004. O que não é nada de fantástico.
Com publicidade, distribuição e actores conhecidos (nomeadamente Diogo Infante), o que falhou? Em 2003, "A Mulher que Acreditava...", de João Botelho (esse inimigo férreo do actual cinema anglo-saxónico), esteve envolvido em circunstâncias semelhantes (incluindo os cartazes no Metro, com a fotografia da protagonista) e acabou por não gerar barulho ou simpatias. Que força invisível impossibilita o aparecimento de "blockbusters" portugueses? Mistério...
Não vi ainda "Portugal SA" (nestas condições, vai ser difícil), por isso não posso julgar a sua qualidade, mas é curioso notar o aparente insucesso da película, tendo em conta que, ao contrário do que é habitual com o cinema português, a obra foi amplamente publicitada antes da sua estreia, nas salas, na imprensa (a Lusomundo, distribuidora do filme, possui várias publicações), na televisão ("teasers" exibidos na RTP) e até nas ruas e subterrâneos de Lisboa. O conteúdo da obra é claramente comercial e legível pelo grande público.
No entanto, os artigos acerca do último trabalho de Guerra foram poucos e a crítica esteve longe de o receber com carinho e compreensão. Nos "sites" especializados (7ª Arte, Cinema2000, C7nema), os comentários são escassos ou geralmente negativos (mesmo muito negativos, em alguns casos). Não existem, por enquanto, estatísticas, mas certamente que "Portugal SA" será um dos filmes portugueses mais vistos em 2004. O que não é nada de fantástico.
Com publicidade, distribuição e actores conhecidos (nomeadamente Diogo Infante), o que falhou? Em 2003, "A Mulher que Acreditava...", de João Botelho (esse inimigo férreo do actual cinema anglo-saxónico), esteve envolvido em circunstâncias semelhantes (incluindo os cartazes no Metro, com a fotografia da protagonista) e acabou por não gerar barulho ou simpatias. Que força invisível impossibilita o aparecimento de "blockbusters" portugueses? Mistério...
Spielberg tricampeão
Finalmente foram divulgados os resultados da votação na qual os visitantes do Cinema2000 puderam selecccionar os melhores filmes estreados em Portugal no ano de 2003. E o vencedor é, tal como em 2001 ("AI - Inteligência Artificial") e 2002 ("Relatório Minoritário"), Steven Spielberg, com "Apanha-me se Puderes" (em 2000, ao não estrear qualquer filme, Spielberg deixou o caminho livre para "Magnólia", o vencedor desse ano).
O povo português (mais exactamente, 122 dos seus membros) decidiu. A sua escolha revela poucas surpresas (Eastwood, Lee, Von Trier, Van Sant, Tarantino entre os primeiros), não havendo grandes concessões ao cinema "comercial" nem à produção lusitana. Será esta amostra representativa do que se passa nas bilheteiras (sobretudo nas bilheteiras de cinemas fora de Lisboa e não pertencentes ao grupo Medeia), ainda para mais quando o número de votantes diminuiu em relação ao ano anterior? Ou sou só eu que estou chateado porque os filmes que prefiro nunca ganham? Certo é que os detractores incondicionais do realizador de "Tubarão" parecem constituir um grupúsculo minoritário incapaz de lutar contra a tirania da maioria. Spielberg não só é o realizador americano mais famoso como é aquele cuja obra alcança um público maior e mais heterogéneo.
A nível dos piores filmes (desta vez também contemplados pelo Cinema2000) do ano passado, o mais mencionado nas escassas listas foi "Matrix Revolutions" ("Matrix Reloaded" não ficou entre os 20 mais), provavelmente por ter sido aquele que muitos foram "forçados" a ver e que defraudou profundamente as expectativas do público. Quem imaginaria esse fracasso há um ano?
O povo português (mais exactamente, 122 dos seus membros) decidiu. A sua escolha revela poucas surpresas (Eastwood, Lee, Von Trier, Van Sant, Tarantino entre os primeiros), não havendo grandes concessões ao cinema "comercial" nem à produção lusitana. Será esta amostra representativa do que se passa nas bilheteiras (sobretudo nas bilheteiras de cinemas fora de Lisboa e não pertencentes ao grupo Medeia), ainda para mais quando o número de votantes diminuiu em relação ao ano anterior? Ou sou só eu que estou chateado porque os filmes que prefiro nunca ganham? Certo é que os detractores incondicionais do realizador de "Tubarão" parecem constituir um grupúsculo minoritário incapaz de lutar contra a tirania da maioria. Spielberg não só é o realizador americano mais famoso como é aquele cuja obra alcança um público maior e mais heterogéneo.
A nível dos piores filmes (desta vez também contemplados pelo Cinema2000) do ano passado, o mais mencionado nas escassas listas foi "Matrix Revolutions" ("Matrix Reloaded" não ficou entre os 20 mais), provavelmente por ter sido aquele que muitos foram "forçados" a ver e que defraudou profundamente as expectativas do público. Quem imaginaria esse fracasso há um ano?
segunda-feira, fevereiro 16, 2004
Tóquio
“Lost in Translation – O Amor é um Lugar Estranho”
O que há de errado, mal feito, tremendamente ofensivo no segundo filme de Sofia Coppola? Ao contrário do que muita gente pensa, não é a sua falta de “verbalidade racional intrínseca”. É… bem… nada de importante (o ritmo da fita é por vezes lento, mas não é propriamente o tipo de história que envolva sexo, tiros e explosões). Acima de tudo, é uma obra de imenso bom gosto e por isso conquistou a admiração da crítica e do público. A nível de Óscares, não seria disparatado se ganhasse as estatuetas de Melhor Actor e Melhor Realizador.
“O Amor é um Lugar Estranho” (que poético) conta com uma banda sonora espantosamente envolvente combinada de forma bastante hábil com as imagens. As cenas de humor fogem ao exagero (nada de gritar aos espectadores: “Agora riam-se às gargalhadas”) e ao despropósito (não me parece que exista a intenção de caricaturar a cultura japonesa, mas apenas de destacar a inadaptação dos dois americanos ao ambiente local), com Anna Faris, agora sim, a divertir com a sua personagem. Bill Murray e Scarlett Johansson são inesquecíveis, tal como numerosos planos de Tóquio, captados com mão de mestre por Coppola. E o final, claro, só podia ser aquele. Nada a acrescentar.
Eis um filme que pode agradar quer aos fãs do cinema “intelectual” e inteligente quer a qualquer um que não se importe de assistir a uma história romântica (?) sem clichés. “O Amor é um Lugar Estranho” tornou Sofia Coppola uma cineasta de culto.
A melhor cena: Um táxi transporta Bob para o aeroporto.
A pior cena: Bob faz a barba.
Nota: 8/10.
P.S. Foi difícil, mas atingimos as 5000 visitas. Àqueles que (ainda) não nos abandonaram para sempre durante este difícil período de crise, o nosso muito obrigado.
O que há de errado, mal feito, tremendamente ofensivo no segundo filme de Sofia Coppola? Ao contrário do que muita gente pensa, não é a sua falta de “verbalidade racional intrínseca”. É… bem… nada de importante (o ritmo da fita é por vezes lento, mas não é propriamente o tipo de história que envolva sexo, tiros e explosões). Acima de tudo, é uma obra de imenso bom gosto e por isso conquistou a admiração da crítica e do público. A nível de Óscares, não seria disparatado se ganhasse as estatuetas de Melhor Actor e Melhor Realizador.
“O Amor é um Lugar Estranho” (que poético) conta com uma banda sonora espantosamente envolvente combinada de forma bastante hábil com as imagens. As cenas de humor fogem ao exagero (nada de gritar aos espectadores: “Agora riam-se às gargalhadas”) e ao despropósito (não me parece que exista a intenção de caricaturar a cultura japonesa, mas apenas de destacar a inadaptação dos dois americanos ao ambiente local), com Anna Faris, agora sim, a divertir com a sua personagem. Bill Murray e Scarlett Johansson são inesquecíveis, tal como numerosos planos de Tóquio, captados com mão de mestre por Coppola. E o final, claro, só podia ser aquele. Nada a acrescentar.
Eis um filme que pode agradar quer aos fãs do cinema “intelectual” e inteligente quer a qualquer um que não se importe de assistir a uma história romântica (?) sem clichés. “O Amor é um Lugar Estranho” tornou Sofia Coppola uma cineasta de culto.
A melhor cena: Um táxi transporta Bob para o aeroporto.
A pior cena: Bob faz a barba.
Nota: 8/10.
P.S. Foi difícil, mas atingimos as 5000 visitas. Àqueles que (ainda) não nos abandonaram para sempre durante este difícil período de crise, o nosso muito obrigado.
sábado, fevereiro 14, 2004
Urina
“Scary Movie 3 – Outro Susto de Filme”
Se bem se lembram, em 2000 os irmãos Wayans, um grupo de actores e cineastas praticamente desconhecidos até então, fizeram sensação nas bilheteiras americanas com o seu “Scary Movie – Um Susto de Filme” (realizado por Keenan Ivory), uma comédia parodiando os filmes de terror adolescente (com “Gritos” como principal fonte de inspiração) e muitos outros, recorrendo a um humor nada subtil que fez os Farrelly parecer uns caretas. Em Portugal, o filme teve boa recepção, a avaliar pelas reacções do público que assistiu à sessão a que eu fui (uma cena envolvendo imenso esperma gerou uma manifestação única de histeria colectiva). Os Wayans lançaram-se imediatamente na produção de uma sequela, mas em 2001 o êxito não os bafejou da mesma forma. A direcção do projecto “Scary Movie 3” foi por isso entregue a novos argumentistas e ao realizador David Zucker, que não era propriamente um estreante na comédia. Com o irmão Jerry e Jim Abrahams, tinha formado o trio ZAZ, criador de “Aeroplano” (1980) e “Aonde é que Pára a Polícia” (1988), clássicos do género “comédia “nonsense” a gozar com os clichés de outros filmes a um ritmo de trinta “gags” por segundo”. Seria de esperar, portanto, uma renovação da série e uma abordagem divertida das produções recentes de Hollywood.
A verdade é que o terceiro “Scary Movie” deixa saudades do esperma dos Wayans (aqui substituído pela urina). A ligação com os outros filmes da série é feita pela protagonista, Anna Faris, e pelo tipo de humor predominante (piadas sobre órgãos sexuais masculinos e femininos, flatulência, negros, homossexuais, etc.). As obras que servem de referência ao filme de Zucker incluem, entre outras, “The Ring – O Aviso”, “Sinais”, “8 Mile” e os dois primeiros capítulos da saga “Matrix” (tendo em conta que “Matrix Reloaded” estreou em Maio e “Scary Movie 3” em Outubro do ano passado, é de destacar a actualidade do argumento), cujas cenas mais marcantes os actores recriam. É divertido? Nem por isso. Contam-se pelos dedos de uma mão as gargalhadas que a obra proporciona. A fita acaba por ser vítima da quantidade tremenda de piadas que apresenta sem um fio condutor decente que as ligue.
Leslie Nielsen procura remeter para o passado de Zucker e existem algumas ideias interessantes (as cenas com chamadas telefónicas, o padre pedófilo, Michael Jackson, etc.), mas são escassas num conjunto que simplesmente não funciona e é frequentemente previsível. O filme vê-se num abrir e fechar de olhos, mas não é por falta de tempo que não agarra o espectador. O primeiro “Scary Movie” ao menos ficou na história recente do cinema graças ao esperma. O terceiro tem pouco ou nada que o salve do esquecimento. Ah, sim, esperem, há a madre Teresa (numa cena mais absurda que provocadora), mas não é a mesma coisa.
A melhor cena: Michael Jackson é atacado por Tom Logan.
A pior cena: A tentativa de ressurreição.
Nota: 4/10.
P.S. A avaliar pela publicidade que antecedeu a projecção, o futuro próximo das salas da Lusomundo não é muito risonho. Os “trailers” de “A Filha do Meu Patrão”, “Pago para Esquecer” e “Desaparecidas” são de fugir.
Se bem se lembram, em 2000 os irmãos Wayans, um grupo de actores e cineastas praticamente desconhecidos até então, fizeram sensação nas bilheteiras americanas com o seu “Scary Movie – Um Susto de Filme” (realizado por Keenan Ivory), uma comédia parodiando os filmes de terror adolescente (com “Gritos” como principal fonte de inspiração) e muitos outros, recorrendo a um humor nada subtil que fez os Farrelly parecer uns caretas. Em Portugal, o filme teve boa recepção, a avaliar pelas reacções do público que assistiu à sessão a que eu fui (uma cena envolvendo imenso esperma gerou uma manifestação única de histeria colectiva). Os Wayans lançaram-se imediatamente na produção de uma sequela, mas em 2001 o êxito não os bafejou da mesma forma. A direcção do projecto “Scary Movie 3” foi por isso entregue a novos argumentistas e ao realizador David Zucker, que não era propriamente um estreante na comédia. Com o irmão Jerry e Jim Abrahams, tinha formado o trio ZAZ, criador de “Aeroplano” (1980) e “Aonde é que Pára a Polícia” (1988), clássicos do género “comédia “nonsense” a gozar com os clichés de outros filmes a um ritmo de trinta “gags” por segundo”. Seria de esperar, portanto, uma renovação da série e uma abordagem divertida das produções recentes de Hollywood.
A verdade é que o terceiro “Scary Movie” deixa saudades do esperma dos Wayans (aqui substituído pela urina). A ligação com os outros filmes da série é feita pela protagonista, Anna Faris, e pelo tipo de humor predominante (piadas sobre órgãos sexuais masculinos e femininos, flatulência, negros, homossexuais, etc.). As obras que servem de referência ao filme de Zucker incluem, entre outras, “The Ring – O Aviso”, “Sinais”, “8 Mile” e os dois primeiros capítulos da saga “Matrix” (tendo em conta que “Matrix Reloaded” estreou em Maio e “Scary Movie 3” em Outubro do ano passado, é de destacar a actualidade do argumento), cujas cenas mais marcantes os actores recriam. É divertido? Nem por isso. Contam-se pelos dedos de uma mão as gargalhadas que a obra proporciona. A fita acaba por ser vítima da quantidade tremenda de piadas que apresenta sem um fio condutor decente que as ligue.
Leslie Nielsen procura remeter para o passado de Zucker e existem algumas ideias interessantes (as cenas com chamadas telefónicas, o padre pedófilo, Michael Jackson, etc.), mas são escassas num conjunto que simplesmente não funciona e é frequentemente previsível. O filme vê-se num abrir e fechar de olhos, mas não é por falta de tempo que não agarra o espectador. O primeiro “Scary Movie” ao menos ficou na história recente do cinema graças ao esperma. O terceiro tem pouco ou nada que o salve do esquecimento. Ah, sim, esperem, há a madre Teresa (numa cena mais absurda que provocadora), mas não é a mesma coisa.
A melhor cena: Michael Jackson é atacado por Tom Logan.
A pior cena: A tentativa de ressurreição.
Nota: 4/10.
P.S. A avaliar pela publicidade que antecedeu a projecção, o futuro próximo das salas da Lusomundo não é muito risonho. Os “trailers” de “A Filha do Meu Patrão”, “Pago para Esquecer” e “Desaparecidas” são de fugir.
quinta-feira, fevereiro 12, 2004
Pipocas rascas
Enquanto as nomeações para os Óscares causam forte debate, decorre nos EUA uma análise ligeiramente diferente da produção cinematográfica de 2003. Assim, vários filmes condenados ao esquecimento perpétuo recebem a oportunidade de um instante de glória através da nomeação para listas das piores "coisas" projectadas nas salas americanas no ano passado.
Além dos Razzies, existe The Stinkers, uma iniciativa promovida por um grupo de cinéfilos sempre atentos ao pior que Hollywood tem para oferecer. Os prémios por eles atribuídos incluem, além das categorias habituais (Pior Filme, Pior Actor Principal, etc.), inovações como Pior Falso Sotaque, Personagem Não-Humano Mais Irritante ou o polémico Filme Mais Sobrestimado. Além do rol de nomeados relativo a 2003, o site inclui as escolhas dos últimos 25 anos e as últimas novidades no que toca a longas-metragens de qualidade duvidosa.
As opiniões do grupo são sempre contestáveis, mas, avaliando pelas descrições dos filmes seleccionados, sente-se alívio por muitas fitas americanas não chegarem a Portugal ou ficarem confinadas aos videoclubes.
Além dos Razzies, existe The Stinkers, uma iniciativa promovida por um grupo de cinéfilos sempre atentos ao pior que Hollywood tem para oferecer. Os prémios por eles atribuídos incluem, além das categorias habituais (Pior Filme, Pior Actor Principal, etc.), inovações como Pior Falso Sotaque, Personagem Não-Humano Mais Irritante ou o polémico Filme Mais Sobrestimado. Além do rol de nomeados relativo a 2003, o site inclui as escolhas dos últimos 25 anos e as últimas novidades no que toca a longas-metragens de qualidade duvidosa.
As opiniões do grupo são sempre contestáveis, mas, avaliando pelas descrições dos filmes seleccionados, sente-se alívio por muitas fitas americanas não chegarem a Portugal ou ficarem confinadas aos videoclubes.
terça-feira, fevereiro 10, 2004
Palmadas
“A Secretária”, de Steven Shainberg
É isto o cinema "indie"? Poucos cenários e personagens, ritmo sem pressas, diálogos acompanhados por silêncio, temas politicamente incorrectos, nus (femininos) integrais... Não é melhor ou pior que o convencional, é sobretudo diferente. Com estes elementos, é possível produzir um disparate completo, mas não é esse o caso de "A Secretária".
Contado depressa, o argumento da fita não parece excessivamente original: trata-se da história da relação entre um advogado (James Spader) e a sua secretária (Maggie Gyllenhaal) e os avanços e retrocessos que conhece até ao final feliz. Enfim, uma comédia romântica. Visto de perto, é no mínimo curioso, não só por causa da abundância de cenas de sexo (não pensem, no entanto, que a obra se aproxima do porno), mas acima de tudo pelo seu conteúdo sado-masoquista (uma palavra que chama a atenção). Pronto, foi isso que retirou o filme do anonimato. Mas o realizador nunca nos mostra a acção de forma obscena ou desastrada (o erotismo é aqui, geralmente, mais subtil que explícito), construindo uma verdadeira história de amor, para lá da sua bizarria.
Maggie Gyllenhaal (fixem o nome) tem um desempenho fabuloso, quanto mais não seja pela maneira como se expõe. Spader também merece elogios (a serenidade aparente é a imagem de marca da sua personagem).
Apesar da sua evolução por vezes vagarosa e de personagens secundárias mal exploradas, temos aqui uma história com pés e cabeça. "A Secretária" (dificilmente exibível nas tardes televisivas de domingo) constitui uma alternativa credível aos "blockbusters".
A melhor cena: Várias pessoas visitam Lee durante a sua "greve".
A pior cena: Mulheres conversam à beira da piscina.
Nota: 7/10.
É isto o cinema "indie"? Poucos cenários e personagens, ritmo sem pressas, diálogos acompanhados por silêncio, temas politicamente incorrectos, nus (femininos) integrais... Não é melhor ou pior que o convencional, é sobretudo diferente. Com estes elementos, é possível produzir um disparate completo, mas não é esse o caso de "A Secretária".
Contado depressa, o argumento da fita não parece excessivamente original: trata-se da história da relação entre um advogado (James Spader) e a sua secretária (Maggie Gyllenhaal) e os avanços e retrocessos que conhece até ao final feliz. Enfim, uma comédia romântica. Visto de perto, é no mínimo curioso, não só por causa da abundância de cenas de sexo (não pensem, no entanto, que a obra se aproxima do porno), mas acima de tudo pelo seu conteúdo sado-masoquista (uma palavra que chama a atenção). Pronto, foi isso que retirou o filme do anonimato. Mas o realizador nunca nos mostra a acção de forma obscena ou desastrada (o erotismo é aqui, geralmente, mais subtil que explícito), construindo uma verdadeira história de amor, para lá da sua bizarria.
Maggie Gyllenhaal (fixem o nome) tem um desempenho fabuloso, quanto mais não seja pela maneira como se expõe. Spader também merece elogios (a serenidade aparente é a imagem de marca da sua personagem).
Apesar da sua evolução por vezes vagarosa e de personagens secundárias mal exploradas, temos aqui uma história com pés e cabeça. "A Secretária" (dificilmente exibível nas tardes televisivas de domingo) constitui uma alternativa credível aos "blockbusters".
A melhor cena: Várias pessoas visitam Lee durante a sua "greve".
A pior cena: Mulheres conversam à beira da piscina.
Nota: 7/10.
sexta-feira, janeiro 30, 2004
Autoria e comércio
Sem receio da polémica, Anabela Mota Ribeiro, depois de experiências traumáticas passadas num centro comercial, defende a distinção clara entre as salas que exibem cinema de autor, independente, ou simplesmente de qualidade e aquelas que divulgam obras comerciais e banais, normalmente americanas.
Os ambientes vividos nestes dois tipos de cinemas são muito diferentes, sobretudo quanto ao comportamento do público. O alvo de Ribeiro são, assim, os espaços que procuram combinar obras puramente artísticas com "blockbusters". Em Lisboa, que eu conheça, podem ser citados os exemplos dos multiplexes Alvaláxia, Monumental e Mundial, que misturam na sua programação longas-metragens dos dois géneros.
Parece-me exagerada a separação radical entre "bom" cinema, proveniente de todo o mundo, e "mau" cinema, produzido em Hollywood. É possível gostar tanto de um como de outro, até porque o cinema-pipoca, procurando sobretudo falar ao público e distraí-lo, pode também deter qualidade técnica e narrativa aceitável. Nem sempre nos apetece ver uma história profunda. É verdade que é muito positiva a diversificação da oferta cinéfila, mas não faz sentido pôr de lado o cinema "dependente" da terra dos Bush. Quanto ao espírito "futebolístico" de certos espectadores, não tem muito a ver com o cartaz das salas, mas sobretudo com hábitos culturais. Há cromos por toda a parte.
Não faz sentido barricarmo-nos no King ou no Nimas. Um multiplex como o Monumental oferece tanto do melhor (ou perto disso) que chega de terras europeias ou asiáticas como do hediondo cinema comercial americano (no qual Ribeiro parece incluir cineastas de talento como Spielberg ou Soderbergh). Quanto à barbárie das multidões pipoqueiras, o melhor é afastarem-se das salas da Lusomundo (excepto no caso de uma fita interessante que só esteja lá, é claro).
Os ambientes vividos nestes dois tipos de cinemas são muito diferentes, sobretudo quanto ao comportamento do público. O alvo de Ribeiro são, assim, os espaços que procuram combinar obras puramente artísticas com "blockbusters". Em Lisboa, que eu conheça, podem ser citados os exemplos dos multiplexes Alvaláxia, Monumental e Mundial, que misturam na sua programação longas-metragens dos dois géneros.
Parece-me exagerada a separação radical entre "bom" cinema, proveniente de todo o mundo, e "mau" cinema, produzido em Hollywood. É possível gostar tanto de um como de outro, até porque o cinema-pipoca, procurando sobretudo falar ao público e distraí-lo, pode também deter qualidade técnica e narrativa aceitável. Nem sempre nos apetece ver uma história profunda. É verdade que é muito positiva a diversificação da oferta cinéfila, mas não faz sentido pôr de lado o cinema "dependente" da terra dos Bush. Quanto ao espírito "futebolístico" de certos espectadores, não tem muito a ver com o cartaz das salas, mas sobretudo com hábitos culturais. Há cromos por toda a parte.
Não faz sentido barricarmo-nos no King ou no Nimas. Um multiplex como o Monumental oferece tanto do melhor (ou perto disso) que chega de terras europeias ou asiáticas como do hediondo cinema comercial americano (no qual Ribeiro parece incluir cineastas de talento como Spielberg ou Soderbergh). Quanto à barbárie das multidões pipoqueiras, o melhor é afastarem-se das salas da Lusomundo (excepto no caso de uma fita interessante que só esteja lá, é claro).
domingo, janeiro 25, 2004
O que ficou perdido em traduções?
O último filme de Sofia Coppola é algo que tem de ser descoberto. Um filme com um sentido de humor tão minimalista quanto genial. O argumento assenta sobre os pequenos elementos, sobre os pequenos detalhes dos rostos, dos corpos e sobretudo de Tokyo, aqui possivelmente retratada com há muito não se via uma metrópole num filme.
Os actores são a força do filme. Bill Murray é genial, minimalista e oferece uma força dramática ao que não diz, fazendo a sua interpretação dos olhares e à sua linguagem corporal.
Scarlett Johansson é tal como Murray soberba, tanto mais quando se pensa que ela tem dezanove anos. Consegue dar à sua personagem uma maturidade invulgar e ao mesmo tempo uma fragilidade que possibilita que as duas personagens combinem.
Sofia Coppola é talentosa, filma tudo com planos belissímos, é vai do mais arrojado ao mais minimalista com a segurança dos grandes mestres.
O primeiro clássico do ano que poderia naturalmente concorrer aos prémios principais como Filme, Realizador, Actor e Actriz Principal e argumento, mas o seu cariz independente feito em 27 dias não o vai permitir.
5- (0-5)
Resposta:
Possivelmente foi o amor
Os actores são a força do filme. Bill Murray é genial, minimalista e oferece uma força dramática ao que não diz, fazendo a sua interpretação dos olhares e à sua linguagem corporal.
Scarlett Johansson é tal como Murray soberba, tanto mais quando se pensa que ela tem dezanove anos. Consegue dar à sua personagem uma maturidade invulgar e ao mesmo tempo uma fragilidade que possibilita que as duas personagens combinem.
Sofia Coppola é talentosa, filma tudo com planos belissímos, é vai do mais arrojado ao mais minimalista com a segurança dos grandes mestres.
O primeiro clássico do ano que poderia naturalmente concorrer aos prémios principais como Filme, Realizador, Actor e Actriz Principal e argumento, mas o seu cariz independente feito em 27 dias não o vai permitir.
5- (0-5)
Resposta:
Possivelmente foi o amor
sexta-feira, janeiro 23, 2004
Estrelas
Ao que parece, Scarlett Johansson, a jovem actriz de "Lost in Translation" e "A Rapariga do Brinco de Pérola", está a causar forte sensação em Hollywood. E isso quer dizer chuva de projectos, cobertura mediática, etc. Parece ter sido criada uma nova estrela.
O que é uma estrela de cinema? Dispensando interpretações sociológicas, trata-se de um homem ou uma mulher, com beleza e talento para representar (consensual ou não) que dá nas vistas através de um trabalho esforçado numa ou mais fitas de média dimensão que se tornam êxitos surpreendentes. Despertada a atenção do público e da crítica, o indivíduo passa a obter papéis de peso crescente, até se tornar o centro gravitacional das fitas em que participa, ocupando o seu rosto não menos de 87% do espaço do cartaz publicitário. Conhecida por todos através da reprodução do seu nome e da sua imagem em revistas especializadas e, depois, em todo o tipo de publicações, que seguem a sua vida privada, a criatura torna-se uma fonte tremenda de receitas para os estúdios, confiantes na multidão de fãs, que podem mesmo salvar do fracasso projectos medíocres nos quais se enfie o ídolo.
Este modelo, do qual são Tom Cruise e Julia Roberts são os máximos representantes nos EUA, acaba por não ser reproduzido com excessiva frequência. Nos últimos quatro anos, ao lote de actores "pesados" da indústria americana acrescentaram-se, em ritmo moderado, nomes como Halle Berry, Vin Diesel, Kirsten Dunst ou Reese Witherspoon. Talvez uns dois actores por ano entrem para a nossa memória comum. A renovação não é, assim, demasiado visível nos "blockbusters".
Em Portugal, um país pequenino e sem indústria cinematográfica, as caras que surgem no grande ecrã não são, geralmente, diferentes das que aparecem no pequeno. No que ao cinema diz respeito, nesse período de quatro anos, irrompeu, talvez, Beatriz Batarda (acarinhada por alguma imprensa), mas o tipo de filmes em que entra por cá leva a que ainda esteja longe de se ver numa fotografia de corpo inteiro com o seu nome por cima da cabeça e o título colorido de uma fita à frente.
O que é uma estrela de cinema? Dispensando interpretações sociológicas, trata-se de um homem ou uma mulher, com beleza e talento para representar (consensual ou não) que dá nas vistas através de um trabalho esforçado numa ou mais fitas de média dimensão que se tornam êxitos surpreendentes. Despertada a atenção do público e da crítica, o indivíduo passa a obter papéis de peso crescente, até se tornar o centro gravitacional das fitas em que participa, ocupando o seu rosto não menos de 87% do espaço do cartaz publicitário. Conhecida por todos através da reprodução do seu nome e da sua imagem em revistas especializadas e, depois, em todo o tipo de publicações, que seguem a sua vida privada, a criatura torna-se uma fonte tremenda de receitas para os estúdios, confiantes na multidão de fãs, que podem mesmo salvar do fracasso projectos medíocres nos quais se enfie o ídolo.
Este modelo, do qual são Tom Cruise e Julia Roberts são os máximos representantes nos EUA, acaba por não ser reproduzido com excessiva frequência. Nos últimos quatro anos, ao lote de actores "pesados" da indústria americana acrescentaram-se, em ritmo moderado, nomes como Halle Berry, Vin Diesel, Kirsten Dunst ou Reese Witherspoon. Talvez uns dois actores por ano entrem para a nossa memória comum. A renovação não é, assim, demasiado visível nos "blockbusters".
Em Portugal, um país pequenino e sem indústria cinematográfica, as caras que surgem no grande ecrã não são, geralmente, diferentes das que aparecem no pequeno. No que ao cinema diz respeito, nesse período de quatro anos, irrompeu, talvez, Beatriz Batarda (acarinhada por alguma imprensa), mas o tipo de filmes em que entra por cá leva a que ainda esteja longe de se ver numa fotografia de corpo inteiro com o seu nome por cima da cabeça e o título colorido de uma fita à frente.
quinta-feira, janeiro 22, 2004
Novidades, nem só no Continente
Depois de muito tempo sem postar, aproveito para chamar a atenção para dois novos (ou, pelo menos, infelizmente só agora os descobri) blogues portugueses sobre cinema (com espaço para comentários) que prometem dar que falar, pela informação contida nos textos e pelo recurso frequente a imagens e meios audiovisuais.
O Divã do Cinéfilo, filial de um blogue generalista, apresenta-nos alguns "posts" do misterioso PM (que teve a gentileza de se lembrar de nós), abordando quer apreciações críticas de longas-metragens (neste caso, "O Último Samurai", alvo de fortes elogios) quer notícias (e conjecturas) sobre os "blockbusters" aracnídeos que aí vêm.
Depois da obscuridade do seu anterior espaço, Tiago Costa ressurge em força através de About Movies, com um visual e conteúdos mais atractivos e completos, sendo de destacar não só o "top 2003" ilustrado como as novidades sobre "The Passion of Christ". Todos ficaremos a ganhar com uma participação mais frequente do bloguista.
O Divã do Cinéfilo, filial de um blogue generalista, apresenta-nos alguns "posts" do misterioso PM (que teve a gentileza de se lembrar de nós), abordando quer apreciações críticas de longas-metragens (neste caso, "O Último Samurai", alvo de fortes elogios) quer notícias (e conjecturas) sobre os "blockbusters" aracnídeos que aí vêm.
Depois da obscuridade do seu anterior espaço, Tiago Costa ressurge em força através de About Movies, com um visual e conteúdos mais atractivos e completos, sendo de destacar não só o "top 2003" ilustrado como as novidades sobre "The Passion of Christ". Todos ficaremos a ganhar com uma participação mais frequente do bloguista.
quinta-feira, janeiro 15, 2004
Censura: sim ou não?
É uma boa notícia que a obra integral de Tex Avery seja editada em DVD. Eu vi (quando a RTP2 as exibia) algumas das curtas-metragens de animação produzidas nos anos 40 e 50 por esse realizador e posso garantir que se tratam das comédias mais originais e divertidas já produzidas em cinema, bem melhores que as dos Looney Tunes (em cuja criação Avery colaborou). O ritmo alucinante, o humor "nonsense" e o conteúdo politicamente incorrecto dos argumentos, em que os próprios heróis nem sempre são impolutos, resultam numa obra de génio (muito apreciada pela crítica). O problema é que a Warner recorreu à censura para impedir que as fitas mais marcadas pelo "espírito do tempo" surgissem na colectânea. Para além de os delírios de Avery não serem 100% destinados às crianças, não seria melhor integrar as situações mais polémicas no seu contexto histórico e mostrar não só as qualidades mas também os defeitos do cineasta, de forma a que possa ser plenamente compreendido?
P.S. A revista C de Crítica, de que já aqui falei, regressou finalmente.
P.S. A revista C de Crítica, de que já aqui falei, regressou finalmente.
terça-feira, janeiro 13, 2004
Toneladas de pipocas vendidas
A Lusomundo revelou a lista das dez longas-metragens mais vistas nas suas salas (grande parte da oferta em Portugal) no passado ano de 2003. Que dizer? É certo que a Lusomundo não exibe todos os filmes que chegam a Portugal (evitando o mais possível aqueles que poderão ser elogiados pela crítica), mas este rol não deixa de constituir uma amostra importante. O êxito de "À Procura de Nemo" está longe de surpreender, o mesmo já não acontecendo com "Johnny English" (Portugal ama Rowan "Bean" Atkinson) ou com obras que foram fuziladas nos poucos artigos sobre elas escritas, como "Velocidade Mais Furiosa" e "Lara Croft: O Berço da Vida".
Sequelas de grandes sucessos costumam ser grandes sucessos também. O público é menos exigente que os críticos que o "representam". A publicidade é mais importante que as referências na imprensa (especializada ou não). Uma boa distribuição é decisiva para que uma fita chegue a muita gente. Os jovens são reis e senhores nas bilheteiras. Há mais conclusões óbvias e simples que se possam tirar?
P.S. Não sei como, mas ontem ultrapassámos as 4000 visitas. Obrigado a quem costuma parar por cá uns segundos.
Sequelas de grandes sucessos costumam ser grandes sucessos também. O público é menos exigente que os críticos que o "representam". A publicidade é mais importante que as referências na imprensa (especializada ou não). Uma boa distribuição é decisiva para que uma fita chegue a muita gente. Os jovens são reis e senhores nas bilheteiras. Há mais conclusões óbvias e simples que se possam tirar?
P.S. Não sei como, mas ontem ultrapassámos as 4000 visitas. Obrigado a quem costuma parar por cá uns segundos.
O início da 2:
Na sua primeira semana de emissão, a 2: exibiu dois filmes portugueses, um na rubrica "Grande Ecrã" e outro no já clássico "Onda Curta". Essas obras foram, respectivamente...
"A Falha", de João Mário Grilo
Adaptando um romance (a estrutura cheia de analepses e prolepses do filme é mais comum na literatura que no cinema) de Luís Carmelo, o crítico e cineasta João Mário Grilo recrutou um grupo de actores de primeira (Alexandra Lencastre, Rogério Samora, Rita Blanco, Adriano Luz, João Lagarto, etc.), entregou-lhes as personagens de um grupo de antigos colegas de liceu que se reúnem após um longo período de afastamento e procurou que exprimissem as marcas e desilusões do pós-25 de Abril através das reacções das criaturas após um acidente numa pedreira (filmado com os efeitos especiais possíveis...) que praticamente as isola do mundo.
Mas, tal como o título indica, a ideia falhou. Não se pode dizer que a narrativa evolua mal até à tragédia (à excepção dos "flashbacks" supérfluos), mas a partir daí tudo o que vemos são os actores a debitar diálogos terríveis e a comportar-se de forma incompreensível. O conteúdo político-social da obra é difícil de descortinar (há uma referência forçada e despropositada à guerra colonial) e o desfecho insólito só confirma a impressáo de que estiveram a gozar connosco durante quase hora e meia.
A melhor cena: O depoimento de Elsa.
A pior cena: Um crime horrendo é cometido.
Nota: 4/10.
"Crónica Feminina", de Gonçalo Luz
Protagonizada pelas magníficas Ana Bustorff e Maria João Luís, esta curta-metragem (26 minutos) chegou ao circuito comercial graças à Zero em Comportamento, que a exibiu sem o complemento de qualquer "longa" (uma ideia rara mas adequada à qualidade do objecto).
Vagamente inspirado em duas crónicas de António Lobo Antunes, "Crónica Feminina" é uma história de mulheres urbanas (a bela fotografia reforça o ambiente citadino) com sérios problemas sentimentais, apresentados geralmente em tom de comédia. A obra é prejudicada pela sua duração (havia material para mais tempo), sucedendo-se as peripécias de forma algo apressada. No entanto, a dinâmica e comicidade do argumento, a repulsa de Gonçalo Luz pelos planos fixos e o aspecto "moderno" da fita resultam numa obra bem interessante.
A melhor cena: Branca e Sónia confessam amargamente os seus males.
A pior cena: O "monologo romântico" no restaurante.
Nota: 7/10.
"A Falha", de João Mário Grilo
Adaptando um romance (a estrutura cheia de analepses e prolepses do filme é mais comum na literatura que no cinema) de Luís Carmelo, o crítico e cineasta João Mário Grilo recrutou um grupo de actores de primeira (Alexandra Lencastre, Rogério Samora, Rita Blanco, Adriano Luz, João Lagarto, etc.), entregou-lhes as personagens de um grupo de antigos colegas de liceu que se reúnem após um longo período de afastamento e procurou que exprimissem as marcas e desilusões do pós-25 de Abril através das reacções das criaturas após um acidente numa pedreira (filmado com os efeitos especiais possíveis...) que praticamente as isola do mundo.
Mas, tal como o título indica, a ideia falhou. Não se pode dizer que a narrativa evolua mal até à tragédia (à excepção dos "flashbacks" supérfluos), mas a partir daí tudo o que vemos são os actores a debitar diálogos terríveis e a comportar-se de forma incompreensível. O conteúdo político-social da obra é difícil de descortinar (há uma referência forçada e despropositada à guerra colonial) e o desfecho insólito só confirma a impressáo de que estiveram a gozar connosco durante quase hora e meia.
A melhor cena: O depoimento de Elsa.
A pior cena: Um crime horrendo é cometido.
Nota: 4/10.
"Crónica Feminina", de Gonçalo Luz
Protagonizada pelas magníficas Ana Bustorff e Maria João Luís, esta curta-metragem (26 minutos) chegou ao circuito comercial graças à Zero em Comportamento, que a exibiu sem o complemento de qualquer "longa" (uma ideia rara mas adequada à qualidade do objecto).
Vagamente inspirado em duas crónicas de António Lobo Antunes, "Crónica Feminina" é uma história de mulheres urbanas (a bela fotografia reforça o ambiente citadino) com sérios problemas sentimentais, apresentados geralmente em tom de comédia. A obra é prejudicada pela sua duração (havia material para mais tempo), sucedendo-se as peripécias de forma algo apressada. No entanto, a dinâmica e comicidade do argumento, a repulsa de Gonçalo Luz pelos planos fixos e o aspecto "moderno" da fita resultam numa obra bem interessante.
A melhor cena: Branca e Sónia confessam amargamente os seus males.
A pior cena: O "monologo romântico" no restaurante.
Nota: 7/10.
domingo, janeiro 11, 2004
Darkman - O Homem das Trevas
Realmente após um grande zapping Sábado encontrei uma preciosidade no Canal Hollywood, Darkman de Sam Raimi. Este filme de 1990 é prodígio do cinema de entertenimento, com uma realização inspirada, personagens bem desenvolvidas e uma banda sonora muito interessante de Danny Elfman que Raimi posteriormente repescou para o seu "Homem-Aranha".
Sendo eu um grande fã de comics, este filme que foi realizado porque Sam Raimi gostava de realizar "The Shadow" mas não conseguiu os direitos dos Comics. Assim fez o que ninguém faz actualmente, imaginou um novo (anti)herói assustador e cujo poder é somente substituir a cara com proteses que duram 99 minutos e a ausencia de dores nos seus braços provocada por grandes queimaduras.
A quem procura boas adaptações de comics digo para darem uma vista de olhos a este filme cujo maior problema é estar editado numa edição de Dvd antiga, muito cara e pobrezinha.
Ao lado de Unbreakable como o melhor filme de comics.
Sendo eu um grande fã de comics, este filme que foi realizado porque Sam Raimi gostava de realizar "The Shadow" mas não conseguiu os direitos dos Comics. Assim fez o que ninguém faz actualmente, imaginou um novo (anti)herói assustador e cujo poder é somente substituir a cara com proteses que duram 99 minutos e a ausencia de dores nos seus braços provocada por grandes queimaduras.
A quem procura boas adaptações de comics digo para darem uma vista de olhos a este filme cujo maior problema é estar editado numa edição de Dvd antiga, muito cara e pobrezinha.
Ao lado de Unbreakable como o melhor filme de comics.
sexta-feira, janeiro 09, 2004
Coisas
a) De acordo com o 7ª Arte, "Lost in Translation" será exibido em Portugal com o subtítulo "O Amor é um Lugar Estranho". De facto, fica muito mais no ouvido que o título original do filme de Sofia Coppola... A febre dos subtítulos continua a afectar Portugal, onde, pelos vistos, a imaginação (e a sensibilidade poética) é muito maior que nos EUA.
b) A estreia de "Kill Bill 2" foi adiada para Abril ou Maio. Nessa altura, já estará no mercado o DVD do volume I. Faria muito mais sentido vender os dois filmes em conjunto, mas não seria tão rentável.
c) Um pouco tardiamente, destaco a intenção altruísta de Tino Navarro: com obras como "Portugal S.A." (que está a ser bem publicitado), não pretende apenas enriquecer mas também alertar o público para o que se passa no seu país (crise de valores, excessivo poder da Igreja, etc.) e motivá-lo a mudar a situação. Nada má ideia, essa de fazer cinema de intervenção, mas, pelo que aparece nos "teasers", a longa-metragem de Ruy Guerra parece ter sobretudo muito sexo (bom para estimular a revolta popular) e alguns estereótipos.
d) A propósito da estreia de "O Fascínio", Mário Jorge Torres escreveu no "Público" que não vale a pena os cineastas lusitanos tentarem adequar os seus filmes ao gosto do público (fazendo "Preto e Branco", por exemplo) porque este rejeita-os imediatamente, motivado pelo preconceito. Ou seja, é como dar pérolas a porcos. É verdade que essas ideias preconcebidas sobre as longas-metragens nacionais existem (e eu também sou influenciado por elas, admito-o), mas dizer que assim não vale a pena é um exagero simplista. Alguns projectos "comerciais" como "Os Imortais" possuem de facto algum impacto.
b) A estreia de "Kill Bill 2" foi adiada para Abril ou Maio. Nessa altura, já estará no mercado o DVD do volume I. Faria muito mais sentido vender os dois filmes em conjunto, mas não seria tão rentável.
c) Um pouco tardiamente, destaco a intenção altruísta de Tino Navarro: com obras como "Portugal S.A." (que está a ser bem publicitado), não pretende apenas enriquecer mas também alertar o público para o que se passa no seu país (crise de valores, excessivo poder da Igreja, etc.) e motivá-lo a mudar a situação. Nada má ideia, essa de fazer cinema de intervenção, mas, pelo que aparece nos "teasers", a longa-metragem de Ruy Guerra parece ter sobretudo muito sexo (bom para estimular a revolta popular) e alguns estereótipos.
d) A propósito da estreia de "O Fascínio", Mário Jorge Torres escreveu no "Público" que não vale a pena os cineastas lusitanos tentarem adequar os seus filmes ao gosto do público (fazendo "Preto e Branco", por exemplo) porque este rejeita-os imediatamente, motivado pelo preconceito. Ou seja, é como dar pérolas a porcos. É verdade que essas ideias preconcebidas sobre as longas-metragens nacionais existem (e eu também sou influenciado por elas, admito-o), mas dizer que assim não vale a pena é um exagero simplista. Alguns projectos "comerciais" como "Os Imortais" possuem de facto algum impacto.
quinta-feira, janeiro 08, 2004
Larry Clark e mundo adolescente
Nestes tempos difíceis para a sociedade Portuguesa estrea o segundo filme em menos de seis meses de Larry Clark, Bully (já tinha estreado em Agosto Ken Park).
Sei que vou tocar num assunto delicado mas não quero fugir a uma dúvida que me perturba e que me ocorre de cada vez que um filme deste realizador estreia e é aclamado por generalidade da crítica. Passo a perguntar:
- Que devo pensar de um cineasta que em entrevista diz que os actores de Ken Park nunca tinham tido experiências sexuais e que a primeira vez que tiveram foi no filme e pelo que me parece em manage e sexo oral? Pior que isso ,disse que os actores se apaixonaram pela rapariga. Será que os actores foram alertados que a vida real poderá ser diferem que aquela situação aberrante vinda da mente do Clark? Questiono-me que sociedade temos nós que consegue idolatrar este realizador e que "alimenta" o público cinéfilo com estreias dos seus filmes mesmo repescando aqueles mais esquecidos? Não estaremos já fartos de ver pessoas com realidades sexuais bastante más nos telejornais para alimentar o ego de um cineasta que disse ainda que ficou contente por ter conseguido o plano da ejaculação do jovem? Será que eu é que só um retrogado e que vale tudo para se criar arte?
Sei que vou tocar num assunto delicado mas não quero fugir a uma dúvida que me perturba e que me ocorre de cada vez que um filme deste realizador estreia e é aclamado por generalidade da crítica. Passo a perguntar:
- Que devo pensar de um cineasta que em entrevista diz que os actores de Ken Park nunca tinham tido experiências sexuais e que a primeira vez que tiveram foi no filme e pelo que me parece em manage e sexo oral? Pior que isso ,disse que os actores se apaixonaram pela rapariga. Será que os actores foram alertados que a vida real poderá ser diferem que aquela situação aberrante vinda da mente do Clark? Questiono-me que sociedade temos nós que consegue idolatrar este realizador e que "alimenta" o público cinéfilo com estreias dos seus filmes mesmo repescando aqueles mais esquecidos? Não estaremos já fartos de ver pessoas com realidades sexuais bastante más nos telejornais para alimentar o ego de um cineasta que disse ainda que ficou contente por ter conseguido o plano da ejaculação do jovem? Será que eu é que só um retrogado e que vale tudo para se criar arte?
segunda-feira, janeiro 05, 2004
Mais uma lista...
OK. Chegou a minha vez. Mas o problema é que (oh, vergonha!) ainda não vi alguns dos filmes mais elogiados de 2003 ("O Regresso do Rei", "Cidade de Deus", "Mystic River", etc.). Portanto, a lista apresentada será necessariamente provisória. Com as minhas mais sinceras desculpas, aqui vai:
1 - "Embriagado de Amor", de Paul Thomas Anderson
2 - "À Procura de Nemo", de Andrew Stanton
3 - "A Última Hora", de Spike Lee
4 - "Kill Bill" (vol. I), de Quentin Tarantino
5 - "Apanha-me se Puderes", de Steven Spielberg
6 - "Bowling for Columbine", de Michael Moore
7 - "Adeus Lenine", de Wolfgang Becker
8 - "Longe do Paraíso", de Todd Haynes
9 - "Solaris", de Steven Soderbergh
10 - "As Confissões de Schmidt", de Alexander Payne
Merecem também menção títulos como "Matrix Reloaded", de Andy e Larry Wachowski, "Inadaptado", de Spike Jonze, "As Horas", de Stephen Daldry, "Cabine Telefónica", de Joel Schumacher, e outros não tão bons mas que valeu a pena terem sido feitos, como "Os Imortais", de António-Pedro Vasconcelos.
Sim, foi bom ir ao cinema em 2003. Para dizer a verdade, não me lembro de nenhuma obra que tenha realmente odiado (não vejo tantos filmes como o Duarte Oliveira...), pelo menos vista numa sala escura.
2003 acabou e 2004 será o grande ano do cinema português, que atrairá centenas de milhares de cidadãos ansiosos pela reconciliação definitiva com o que se faz no seu país... ou não? Bem, dêem uma última hipótese às fitas lusas...
1 - "Embriagado de Amor", de Paul Thomas Anderson
2 - "À Procura de Nemo", de Andrew Stanton
3 - "A Última Hora", de Spike Lee
4 - "Kill Bill" (vol. I), de Quentin Tarantino
5 - "Apanha-me se Puderes", de Steven Spielberg
6 - "Bowling for Columbine", de Michael Moore
7 - "Adeus Lenine", de Wolfgang Becker
8 - "Longe do Paraíso", de Todd Haynes
9 - "Solaris", de Steven Soderbergh
10 - "As Confissões de Schmidt", de Alexander Payne
Merecem também menção títulos como "Matrix Reloaded", de Andy e Larry Wachowski, "Inadaptado", de Spike Jonze, "As Horas", de Stephen Daldry, "Cabine Telefónica", de Joel Schumacher, e outros não tão bons mas que valeu a pena terem sido feitos, como "Os Imortais", de António-Pedro Vasconcelos.
Sim, foi bom ir ao cinema em 2003. Para dizer a verdade, não me lembro de nenhuma obra que tenha realmente odiado (não vejo tantos filmes como o Duarte Oliveira...), pelo menos vista numa sala escura.
2003 acabou e 2004 será o grande ano do cinema português, que atrairá centenas de milhares de cidadãos ansiosos pela reconciliação definitiva com o que se faz no seu país... ou não? Bem, dêem uma última hipótese às fitas lusas...
domingo, janeiro 04, 2004
De onde és? De Grandola terra da liberdade
Não sei se viram a versão portuguesa da Fuga das Galinhas? O Galo nesta versão tinha vindo de Grandola e não da América mas uma coisa tinha em comum, vinha da terra da liberdade...
Este é o ponto de partida para "Na´América" apontado como um dos candidatos aos óscares, o que me parece pouco provável dado o tom do filme. Parece demasiado independente para que a Academia o possa premiar. Não é impossível mas espero para ver...
Bem o filme é baseado na vida complicada do realizador do filme e da sua família, os actores são notáveis no seu todo, a realização penso que é calorosa sendo por vezes demasiado melósa o que se compreenda dada a proximidade da história e do cineasta.
Numa primeira leitura um filme humano, com desempenhos notáveis e uma realização calorosa.
Classificação 4 (0-5)
Este é o ponto de partida para "Na´América" apontado como um dos candidatos aos óscares, o que me parece pouco provável dado o tom do filme. Parece demasiado independente para que a Academia o possa premiar. Não é impossível mas espero para ver...
Bem o filme é baseado na vida complicada do realizador do filme e da sua família, os actores são notáveis no seu todo, a realização penso que é calorosa sendo por vezes demasiado melósa o que se compreenda dada a proximidade da história e do cineasta.
Numa primeira leitura um filme humano, com desempenhos notáveis e uma realização calorosa.
Classificação 4 (0-5)
sexta-feira, janeiro 02, 2004
Pessoal, tenham medo muito MEDO
Vai estrear o novo filme de Tom Cruise, O Último Samurai.
Tenho amigos que estão cheios de pica para ver o filme mas eu estou com medo de ir para uma sala escura e estar durante 2h e meia com o tio Tom. Sinceramente um filme 100 % centrado no actor assusta um pouco. E pensar que é do mesmo realizador de "Lendas de Paixão" faz-me pensar em fugir.
Parece-me um daqueles "Chick-Flick Movie" que por vezes se produzem e que surgem como um "One Men Show" dirigido para os adolescentes e sobretudo para as adolescentes.
Vendo o trailer parece que tudo acontece ao pobre Tom: as velhas questões de herói honrado, herói apaixonado, herói lutador, herói herói e blá, blá, blá e fico com a sensação do trailer deixar pouca mais história para o próprio filme contar.
Além do mais, nada vai tirar o Óscar ao tio Tom mas por muito bom que seja o seu papel nada será como o seu brilhantismo no "Magnolia". E acho que se é para dar um prémio a um épico coisa que a Acamedia gosta, onde está o justo prémio para o "Senhor dos Anéis" e para Peter Jackson?
Tenho amigos que estão cheios de pica para ver o filme mas eu estou com medo de ir para uma sala escura e estar durante 2h e meia com o tio Tom. Sinceramente um filme 100 % centrado no actor assusta um pouco. E pensar que é do mesmo realizador de "Lendas de Paixão" faz-me pensar em fugir.
Parece-me um daqueles "Chick-Flick Movie" que por vezes se produzem e que surgem como um "One Men Show" dirigido para os adolescentes e sobretudo para as adolescentes.
Vendo o trailer parece que tudo acontece ao pobre Tom: as velhas questões de herói honrado, herói apaixonado, herói lutador, herói herói e blá, blá, blá e fico com a sensação do trailer deixar pouca mais história para o próprio filme contar.
Além do mais, nada vai tirar o Óscar ao tio Tom mas por muito bom que seja o seu papel nada será como o seu brilhantismo no "Magnolia". E acho que se é para dar um prémio a um épico coisa que a Acamedia gosta, onde está o justo prémio para o "Senhor dos Anéis" e para Peter Jackson?
Subscrever:
Mensagens (Atom)