terça-feira, julho 27, 2004

Calor verde

Realmente nestes dias de calor nada é melhor que uma sala de cinema com um filmezito bem giro, muito escuro e muito ar condicionado.

Depois deste desabafo vou falar dos desenhos animados que este ano conquistaram milhões, Shrek 2. Gostei do primeiro mas não achei aquilo que ouvi por aí. Acho sinceramente que qualquer filme da Pixar o supera. O prineiro Shrek tem personagens realmente muito boas mas o argumento acaba por ser o lugar comum das historias de fábulas "avacalhadas".

Shrek 2 é ainda mais "avacalhado". Parece um Shrek meats ZAZ!
O non-sense e as citações a filmes bombardeam o espectador violentamente e originam boas gargalhadas sem qualquer sombra de dúvida.

Mas o que fica deste filme? Sinceramente acho que a história pouco ou nada avança e no final foi um divertimento giro mas um pouco de usar e deitar fora. É um verdade blockbuster de Verão!

As personagens tal como tinha dito são o melhor. No entanto a personagem do Gato das Botas está sub-aproveitada. Não existe  o conflito entre o gato e shrek ou melhor este existe e é logo resolvido muito depressa. O gato passa de um assassino frio a um amigalhaço em segundos.
~
Um bom divertimento mas cá espero pelos Incríveis que pelos trailers parece muito interessante.

Classificação: 3 (0-5)

sábado, julho 24, 2004

Fomos escritos pela pena de Tarantino

Vi recentemente dois filmes escritos há já alguns anos por Quentin Tarantino. Aliás os argumentos foram vendidos para que ele arranjasse dinheiro para fazer a sua primeira realização. É curioso que na altura em que vi os filmes pela primeira vez não percebi o que havia ali diferente...

True Romance

Tony Scott cria um filme bastante conseguido mas que nunca me tirou aquela sensação de: "Por*a se isto fosse realizado pelo QT!!!". Esse é mesmo o maior problema do filme.

Ao longo do filme notam-se os diálogos de QT, as personagens de QT mas falta o tom burlesco e natural de QT. Outro aspecto é o tipo de banda sonora. Tony Scott tenta a meu ver normalizar um argumento que tem tudo de anormal. Slater é magnífico e é o elemento que realmente entrou no estilo habitual de QT.

O resultado é bom mas...

É giro ver o Sopreno Gandolfini há dez anos a fazer de ... gangter!

Classificação: 3,5 (0-5)

Assassinos Natos
 
Oliver Stone pega na premissa do génio e procura dar-lhe o seu toque. Fica algo estranho e perde completamente o burlesco para a violência. Stone não consegue dar ao filme a visão atenuante que QT dá às cenas brutais dos seus filmes.

Este filme acaba por se tornar demasiado pesado e visualmente um pouco saturante. Oliver Stone pretende que a crítica social passe, pretende atingir os media e os seus realitty-shows mas é cru demais na abordagem o que acaba por não atrair o espectador para o filme e a mensagem.

Classificação. 3 (0-6)

quinta-feira, julho 22, 2004

Conan um rapaz para o futuro

Realmente se existem obras que ficam para o sempre, Conan - o rapaz do futuro é uma delas. O meu irmão falava bastante desta série quando estava para sair em dvd e eu fiquei sempre na expectativa. Nunca pensei que uma pessoa que não tivesse laços com a série a pudesse amar como aconteceu comigo. É incrível ver que a criança que está dentro de mim se emociou, roeu as unhas e foi ao rubro com as aventuras deste bravo herói.

Falar sobre esta série não consegue explicar o que se sente quando se assiste.

Perfeição é possível? Ainda por mais num formato televisivo?

Após ver os primeiros 13 episódios de Conan fico com a sensação que é a melhor série alguma vez feita para televisão (mesmo comparando com imagem real).
Algumas coisas jogam a seu favot:

- Story Boards
- Argumento coeso dividido em episódios
- Mise-en-scene faboluso
- Banda sonora marcante e enquadrada como se fosse um filme
- Personagens que evoluiem ao longo da história naturalmente como pessoas que aprendem com a dureza da vida
- Por vezes provoca o choro, por vezes o riso mas nunca por ser para crianças perde a capacidade de provocar medo ou suspense. Possivelmente não é só para crianças.
- Tem um princípio e um fim.

E isto tudo é fabuloso e mostra o génio de Hayao Miyazaki.

quarta-feira, julho 21, 2004

O que vem por aí

Terminal - Estive a ler críticas ao novo filme do mago Spielberg e espera-se algo muito bom. Parece que a onda mais clássica do realizador o volta a percorrer e cria uma obra que na Europa é amada e nos EUA não causou grandes ondas.

FAHRENHEIT 9/11 -  é outro dos filmes que vão estrear. A crítica pela crítica é o que se espera deste novo filme de Moore. Se quiserem ver um bom documentário garantidamente não vejam este filme. Se não gostarem de Bush é obrigatório :-)

Harry Potter e o prisioneiro OldMan - segundo o que se diz OldMan rouba todas as cenas onde entra. Pessoalmente este universo não me diz nada mas que é aguardado não se têm dúvidas.

Homem em Fúria - pessoalmente este é o filme que mais espero. Tony Scott junta-se a Denzel para criarem um filme de acção passado na cidade do México. Além disso o argumentista de serviço escreveu Mystic River...

Super Size Me - o documentário surpresa em Sundance. O realizador engordou 13 quilos quando tenta mostrar o que provoca uma dieta de McDonalds. Espero que este filme estreie no nosso páis.

Eu, Robot - o realizador do Corvo e Dark City volta passados 7 anos. Desta feita cria um blockbuster com Will Smith. A ver pelos trailers parece divertido se bem que foge ao visual mais dark do realizador.

terça-feira, julho 20, 2004

Adaptações de BD

Muito se pode dizer sobre adaptações de filmes de BD.
Aceito o desafio de João André e classifico as adaptações de BD que mais gostei (e detestei).
 
Cinematograficamente
 
American Splendor 5 (0-5)
Batman 5 (0-5)
Batman Regressa 4,5 (0-5)
Superhomem 4,5 (0-5)
 
 
Acho que sem qualquer dúvida que os Batmans de Burton são as melhores adaptações de BD não underground de sempre. É um lugar comum dizer estes dois filmes e não sou excepção. Quando estrearam vi ambos no cinema com cerca de 10/12 anos. Já na altura o que me fascinava era a maneira como Burton tornava um universo tão "bdesco" num universo tão cinematográfico e credível.
 
Se pensarmos em BD undergound penso que nada supera o cinematograficamente genial American Splendor. Os actores, o argumento, Pekar e o documentário que não é documentário mas que não é ficção é genial.
 
O filme de Donner consegue ser uma adaptação com uma qualidade muito boa. É cinema de primeira qualidade e Reeve é e sempre será o verdadeiro SuperHomem.
 
 
Melhores adaptações por serem parecidas com o original
 
Hellboy 5 (0-5)
O Corvo 4,5 (0-5)
 
Leiam os livros e vejam o filme. Aí percebem...
 
O filme de Alex Proyas é tal como os Batmans de Burton, negro, pessimista. No entanto a semelhança com o comic é assustadora.
 
Os melhores filmes que não são adaptações de BD mas que podiam ser
 
Darkman 5 (0-5)
Unbreakable 5 (0-5)
Matrix 5 (0-5)
 
Darkman é a verdadeira obra-prima de Raimi. Se ele gosta de fazer mal a Peter Parker vejam o que faz a Liam Nieson neste filme. Cinematograficamente genial.
 
Unbreakable poderia ser uma graphic novel. Este filme é magnifico e é um tributo genial à banda desenhada.
 
Para final Matrix é uma homenagem do cinema ocidental à Banda desenhada feita no oriente. Palavras para què.
 
 
Menções honrosas
 
X-Men 1 4 (0-5) 
X-Men 2 4,5 (0-5)
Homem-Aranha 3 (0-5)
Homem-Aranha 2 4 (0-5)
Blade 4 (0-5)
Blade 2 4 (0-5)
 
 
Pior adaptação de sempre (ainda por cima tendo em conta o material de origem)
 
O Demolidor (Daredevil) 1 (0-5)
 
Mau realizador, mau actor, maus enquadramentos. O argumento parece um prolongamento da frase: "não batam mais no ceguinho". Sentimentalão!

segunda-feira, julho 19, 2004

Aracnideo Chick Flick

SE ÉS AMERICANO NÃO LEIAS ESTE POST!!!
SPIDER MAN 2 Não É O MELHOR FILME BASEADO EM BD!!!
 
Homem-Aranha = H.A.
 
Depois de ter lido diversos sites de cinema americanos achei por bem avisar os mais americanos que não achei este filme a adaptação que todos dizem. É bom, diverte e tem um grande realizador mas o estilo de produção não chega tão longe como se fez outrora.
A primeira impressão é que este filme será como o primeiro um reflexo da cultura pop americana do principio dos anos 200o. A geração MTv aparece bem retratada nos jovens que a Marvel criou com base na juventude dos anos 60.
 
O que gostei
 
Visualmente Raimi é muito fiel ao material de base. O visual do Homem-Aranha por entre os prédios e o visual de Molina merecem ser mencionados. Raimi não é um tarefeiro mas sabe muito bem que público é o seu alvo. A camara move-se magnificamente em NYork e justifica em expectacularidade o orçamento do filme. Maguire é magnífico com Parker
 
O que não gostei
 
O argumento tem falhas um pouco estúpidas.
 
Spoilers
 
Se o Dr.Ock vai apanha Parker para chegar ao H.A. não sabe que Parker é o H.A. por que raio manda um carro para cima deste quando ele fala com MJ? Supostamente se ele fosse um humano vulgar teria morrido e nunca lhe mostrava como encontrar o H.A.
 
O vilão não é explorado devidamente. Tendo potencial resume-se a um tipo que tem desejo de grandeza. Tenta matar o H.A. para obter o que quer de Harry. Não é isto demasiado simplista?
 
Fim dos spoilers
 
 
Resumidamente
 
É um grande BlockBuster de Verão, no entanto para mim é demasiado meloso, é muito orientado para um público teenager. Seja como for tem momento geniais, como o elevador ou a perseguição no metro.
 
Classificação: 4 (0-5)

sexta-feira, julho 16, 2004

Que escrever

Sinto uma grande vontade de colocar aqui qualquer coisa nova mas não sei o quê. Para variar vou voltar a falar de televisão. Conhecem aquela série (se é que se pode chamar assim) portuguesa chamada Gato Fedorento?

Posso-vos assegurar que o Herman José está extinto! O problema do Gato Fedorento, a falta de meios, é resolvido com textos magníficos, dois grandes monstros da comédia e muito ousadia.

O nível do programa está sempre alto. As piadas por vezes são totalmente geniais e desconstroem muitos dos lugares comuns das nossas vidas. Por vezes são de um mau gosto tremendo mas isso é a ousadia que outros foram perdendo com o Status.

Que cheirem mal durante muito tempo!!!!!!!!

Volto já

Vou passear um bocado, prometendo voltar no fim do mês. Mas não se livram de nós facilmente porque o Fernando continuará por aqui a encher-vos de pipocas bem rascas.
Vejam bons filmes nesta quinzena!

quinta-feira, julho 15, 2004

24 horas de bom divertimento

Por vezes surgem na televisão americana séries que se tornam culto. Lembro-me de X-Files e de Buffy (não percebo). A última a entrar para esta galeria é 24 agora trasmitida na 2 nas quartas à noite. Sinceramente penso que é um bom produto televisivo e a sua concepção está muito bem pensada, de modo a conseguir levar o espectador a não poder perder um episódio. Esta é mesmo a força de 24.

Facilmente se encontram coisas que não funcionam como o lado muito americano, o sentimentalismo da vida familiar, os amores, as reviravoltas e mais algumas charopadas. De qualquer modo a parte em que Jack Bauer aparece é do melhor visto em televisão e a tensão da intriga está bem planeada.

Kiefer Sutherland leva a série às costas. Realmente consegue criar uma personagem extremamente interessante e carismática. Não consigo perceber o que um actor deste nível está a fazer na televisão em vez de se encontrar no cinema a construir heróis carismáticos que tanta falta fazem ao cinema comercial actualmente.

E para terminar raramente se vê em televisão uma série que puxe tanto pela acção. pelo suspense que esta. Se pensarmos que são produções de 24 episódios é realmente de louvar.

terça-feira, julho 13, 2004

Recém-chegados

E, de facto, há vida neste pequeno mundo, mesmo que fora da ABCine… Coloquem os vossos olhos em novidades como:

Cinéfilos Offline: Blogue brasuca, da autoria de um trio do qual faz parte o nosso velho amigo Christopher Faust Pereira (do moribundo Bons Companheiros). As primeiras críticas definem o estilo adoptado no “site”: não se esperem ensaios profundos e recheados de referências a clássicos, mas sim filmes “porcamente comentados” (ainda nos cinemas ou já mais idosos) numa linguagem informal e coloquial. Dentro deste género irreverente, os autores parecem ter muito a dar à blogosfera cinéfila.



Críticas de um Cinéfilo: Agora num novo (e melhor) visual, temos aqui mais um espaço de crítica a longas-metragens, sobretudo em DVD. O cinéfilo destaca-se pelas notas acrescentadas aos textos, identificando com clareza os melhores e piores aspectos das fitas e indicando curiosidades. Além da recusa do cinema puramente rasca, encontra-se neste blogue uma das raras críticas “moderadas” (sem amor nem ódio arrebatados) a “Magnólia”, o que é suficiente para nos manter atentos.

segunda-feira, julho 12, 2004

A Génese - um ano depois

Faz agora um ano que estava desempregado mas feliz (não gostava do local onde trabalhava) e surgiu o mito do blog.
Um dia estava a andar na rua e um estranho perguntou-me se eu tinha um blog ao que respondi corado:
- Um blocke? QUÊÊÊÊ???????
Foi nesse momento que o tipo gritou para todos ouvirem que eu não tinha um blog. Corri, corri até chegar a casa ao colo da minha mamã. E ela nas suas palavras sábias disse:
- Querido, se o Nando ao não vai ao blog, o blog vai ao Nando!
Nesse mesmo dia comecei a ler 5 livros para me preparar para este tenebroso Evareste:

1- Internet for dummies
2- HTML in 21 days
3- Javascript crash course
4- Faça a sua própria plantação de café
5- Como dormir 3 horas por noite e aproveitar para ler
por Marcelo Rebelo de Sousa

Felizmente estava desempregado. Os dias começaram a precisar de parecer mais longos. O blog finalmente viu a luz do dia nesse 12 de Julho quando já injectava o café para permanecer acordado. Tinham sido cinco dias duros.

Faltava a tarefa mais difícil: dar o nome ao blog!!!!
(ouvem-se agora relâmpagos)

Depois de passar uma tarde a ler críticas do público tive dois pensamentos. ou matava a K. Gomes ou então promovia a tarefa de falar sobre os filmes de pipocas, rascas... E ALELUIA!! Surgiu então o Pipoca Rasca.

E como a renda da casa estava alta encontrei um moço de boas famílias para partilhar aqui a cabana. Felizmente o rapaz trouxe um valor acrescentado e alguma seriedade.

Passado um ano agradeço aos críticos do público pela inspiração divina, agradeço pelas três estrelas ao AI e ao Minority Report. Agradeço ainda à K. Gomes pelas suas palavras snobs que me fizeram passar a ver todos os filmes com o mesmo respeito.

E como é natural, a única coisa que é verdade nesta mentira que para aqui escrevi, é a minha gratidão e o meu grande obrigado a todos nos visitam diariamente.

E continuem a aparecer aqui na loja...

Um ano

Faz hoje um ano que escrevi o meu primeiro “post” neste blogue. Por isso, obrigado:

– Ao Eng. Fernando Campos, criador e director do Pipoca Rasca (e autor da recente remodelação gráfica), por me ter dado (correndo graves riscos) a oportunidade de escrever o que me apetecesse e ver os textos publicados. Glória e honra a ti, Engenheiro!
– À Dra. Sara Serra, pelo apoio que deu ao projecto desde a primeira hora e pelas sugestões que fez. Sem o seu incentivo, não seria a mesma coisa.
– Aos membros da ABCine e restantes bloguistas cinéfilos, por tornarem o debate de ideias tão interessante e contribuírem para a criação de muitos “posts” com as novas informações e perspectivas que fornecem. E, claro, pelos elogios que aqui deixaram e “links” que criaram.
– A todos os cibernautas que passaram por aqui, ainda que só uma ou duas vezes, pela atenção concedida e pela certeza de não estar a falar sozinho.
Bom cinema para todos!

domingo, julho 11, 2004

Divórcio

“Crueldade Intolerável”, de Joel Coen

Só vi dois (bons) filmes da dupla (“Fargo” e “O Barbeiro”), mas este parece muitas vezes ser um filme demasiado convencional para os irmãos Coen. Joel e Ethan parecem ter acrescentado ao argumento de comédia romântica escrito por mãos alheias alguns elementos dispersos que mostram o brilho do seu humor negro (o “suicídio” do assassino asmático) e das personagens secundárias hilariantes (o detective “realizador”, o advogado comovido, o idoso monstruoso, etc.).
Tirando isso, o filme não vai muito longe. George Clooney e Catherine Zeta-Jones fazem o seu trabalho sem momentos de destaque, actuando mais como estrelas (importantes para a publicidade da obra) do que como grandes actores.
“Crueldade Intolerável” funciona, apesar disso, no modo como conta a sua história e acaba por ser um bom filme de hora e meia para as tardes de fim-de-semana, sem pretender grandes inovações artísticas.
A melhor cena: Herb congratula Miles.
A pior cena: Miles discursa no congresso da NOMAN.

Nota: 6/10.

quarta-feira, julho 07, 2004

Em resposta ao João André

Estou perfeitamente de acordo com o que dizes. Os realizadores que falei são mais comerciais do que aqueles que disseste em falta no teu comentário. Eu sou um fã completo de Paul Thomas Anderson desde que vi o Magnolia. Tenho todos os seus filmes em DVD e posso-te dizer que o Magnolia é o filme completo que alguma vez vi. No entanto acho que este realizador é mais um realizador independente do que dirigido a todo o público (pelo menos muita gente chama-se maluco por gostar deste génio). Enfim... não sabem o que dizem.

Futebol na televisão

“O Nosso Futebol”, de Ricardo Costa

Neste documentário de 1985 (recentemente transmitido na 2:), Ricardo Costa expõe, recorrendo a fontes como fotografias, artigos de imprensa e extractos de filmes, a história do futebol português (na altura quase centenário) e a evolução político-social do país desde 1888. Como material original, surgem imagens de António Victorino d’Almeida a percorrer locais ligados ao desporto-rei e a falar com gente do meio que relembra os bons velhos tempos.
A sequência de factos narrados possui um bom ritmo, embora existam algumas falhas na ligação entre as imagens e aquilo que é referido pela locução. A nível do rigor histórico, não há muito a apontar (embora se fale da morte de Guerra Junqueiro como se tivesse ocorrido antes do 5 de Outubro), até porque a “pré-história” do FCP só seria estudada após a realização do filme. Ainda que por vezes demasiado longas, as imagens de arquivo são o mais interessante da obra.
É pena que os depoimentos recolhidos pelo maestro sejam supérfluos e sem grande relevância para a história da fita, que destaca sobretudo as relações entre o poder político-económico e o futebol. No final (o pós-25 de Abril), as imagens e o discurso perdem nexo e clareza, sendo por isso agradáveis as filmagens de estádio não comentadas que encerram o documentário.
“O Nosso Futebol” (com uma perspectiva positiva sobre o fenómeno) acaba por ser, apesar dos seus defeitos, um estudo muitas vezes interessante de cem anos de história portuguesa.
A melhor cena: Espanha-Portugal de 1939.
A pior cena: Futebol na praia.

Nota: 5/10.


sábado, julho 03, 2004

Cypher de P.K. Dick???

Cypher poderá ser um filme de ficção daqueles magníficos que passam ao lado de todo o público. Felizmente o Fantas está sempre de atenção e apanha esta pérola e dá-lhe a atençaõ merecida.

Este filme a meu ver vai para a galeria de Minority Report e Blade Runner pelo tipo de abordagem a um universo de ficção futurista. A realização é notável, muito minimalista, fotografia fria e actor principal magnifico. A sua personagem é muito trabalhada e leva o filme quase todo às costas, mas no bom sentido. As oscilações de personalidade, os seus pequenos pormenores e a sua insegurança é deliciosa.

Álem disso, a montagem é perfeita, não existe um segundo perdido no argumento e a composição dos cenários é muito inventiva tal como o tinha sido em Cubo. O que toma um destaque opressivo é a banda sonora e efeitos sonoros. Estes são os verdadeiros responsáveis pelo clima que se instala no filme, o clima de tensão e de espionagem.
Esta espionagem é recente. Quero com isto dizer que é espionagem industrial, entre empresas que usam e abusam das pessoas para obter os seus onjectivos.

Realmente o melhor filme de ficção estreado depois de Minority Report.

Classificação: 5 (0-5)

sexta-feira, julho 02, 2004

Tão queridos

“Shrek 2”, de Andrew Adamson, Kelly Asbury e Conrad Vernon

Gostei mais do primeiro. Não só pelo efeito surpresa do filme de 2001 como pelo destaque que é dado em “Shrek 2” ao lado romântico da história, acabando por prejudicar um pouco a comédia. Mas quando esta surge em pleno, o génio é evidente. Os espantosos resultados de bilheteira (trata-se já de um dos filmes mais vistos de sempre) adequam-se a uma óptima longa-metragem de animação.
As piadas são um pouco mais atrevidas, não só a nível escatológico (mas, de facto, não há flatulência como a de Shrek e Fiona) como na temática “para adultos”, por exemplo com as referências à homossexualidade (sim, o personagem interpretado por Rui Unas na versão portuguesa é um travesti). Mas os diálogos desse tipo são sempre divertidos e não básicos. Outra evolução interessante é a explosão do “humor cinéfilo”. Além das mais óbvias (“O Senhor dos Anéis”, “Os Caça-Fantasmas”, “Missão Impossível”, “Um Sonho de Mulher”, etc.), existem dezenas e dezenas de referências (enumeradas no Imdb) a fitas e programas de televisão anglo-saxónicos que resultam muito bem.
Mike Meyers, Eddie Murphy e Cameron Diaz continuam excelentes. Quanto aos novos personagens, se o Gato das Botas (Antonio Banderas) não é o prodígio que se dizia, o certo é que quase eclipsa o Burro depois de aparecer. Particularmente interessante é a visão da Fada Madrinha (Jennifer Saunders) como uma capitalista sem escrúpulos.
Mesmo sem atingir o nível do primeiro episódio, “Shrek 2” estabelece as bases para um prolongamento indefinido da série. O carisma dos personagens e a mistura de doçura e incorrecção política dos argumentos auguram que não é tão cedo que deixaremos de ouvir falar de ogres.
A melhor cena: A "fiesta" final.
A pior cena: Shrek bebe a poção.

Nota: 8/10.

quinta-feira, julho 01, 2004

Por incrível que pareça...

Uma notícia escaldante... Vai estrear um filme de BD nos EUA!!!!

Não estão espantados? Estão fartos destes filmes? Pois nos EUA parece que a loucura do Homem-Aranha vai recomeçar. Os sites de cinema dão (como fizeram ao capítulo anterior) pontuação máxima e a loucura está para durar.
Entretanto a Marvel já disse que vão sair mais uns quantos heróis que ainda não foram adaptados (Ghost Rider, Electra, Fantastic Fout, etc).

Isto começa a enjoar. Todos os anos os blockbusters são ideias de outrora com pouco ou nada de cinema. Nos anos 80 foram criados filmes de massas muito giros e que conseguiam ter uma criatividade e qualidade muito acima da média. Lembro-me dos filmes de Eddie Murphy (48h 1 e 2, caça-Policias por ex), Caça Fantasmas, Regresso ao Futuro, Gremlins e tantos outros que fizeran as delicias de tantos Verões e agora eu considero que com o tempo continuam a ser boas obras de cinema de entertenimento.

Sinceramente gosto de BD como podem ter visto noutros posts mas isto é demais. O Homem-Aranha em termos de adaptação até é giro, Sam Raimi é um bom realizador mas a Marvel quer fazer 6 filmes!!! Sim, 6 filmes!!! Questiono-me sobre o papel dos realizadores que cada vez mais são fantoches da indústria. Lembrar-me que Lucas e Spielberg nos seus filmes dos anos 70/80 lutaram muito para que o realizador fosse o centro da indústria, fizeram contratos que revolucionaram por completo o cinema de então. Lembro-me de "Raiders of the Lost Ark" em que os dois tendo um script brutal, demoraram muito para que um estúdio ´quisesse ir para a frente com um contrato em que uma parte dos lucros fosse para os criadores/autores da obra de arte. E agora? Hollywood está a voltar ao mesmo. O cinema de massas não tem criadores, possivelmente sobra Peter Jackson, M. Night Shyamalan, Lucas e de vez em quando Spielberg mas faltam ainda mais nomes com ideias próprias.

É interessante ver tempos em que a qualidade do cinema independente americano aumenta tanto ano ápós ano e o cinema de massas piora tanto.

Questiono-me estão os americanos a ficar mais inteligentes em termos de gosto? Ou nem todos os jovens realizadores estão para ser aspirados por uma indústria que não tem lugar para ideias inovadores e/ou arriscadas?

quarta-feira, junho 30, 2004

Num novo visual

Pessoal NÃO se vão embora, estão no blog certo!!! Este é mesmo o PIPOCA RASCA. Andei nos últimos tempos a aprender umas coisinhas de internet e resolvi dar um visual mais atractivo ao blog (pelo menos penso eu).

Se quiserem colocar a vossa opinião ela é bem vinda...

Na faixa lateral vão ficando os melhores filmes na nossa humilde opinião, que vamos vendo nos cinemas ao longo deste ano. Mas abaixo surge o nosso top (agora somente o meu mas ainda estará o do meu colega bloguista Pedro), o que é uma maneira de interpretarem os nossos gostos cinematográficos.

No meio disto tudo não se esqueçam de ir conhecer o ABCine...

segunda-feira, junho 28, 2004

Críticas impiedosas

No primeiro fim-de-semana de exibição nos EUA, “Fahrenheit 9/11” atingiu o topo da tabela dos filmes mais vistos. Tendo em conta que estreou em 848 salas, bem menos que o segundo e o terceiro classificado, trata-se de um grande sucesso. Os pequenos cinemas que exibem a polémica obra de Moore ficaram a abarrotar. O número médio de espectadores por sala do documentário (ou ficção, para a Administração Bush) atinge níveis só ultrapassados pelos fenómenos “A Paixão de Cristo” e “Shrek 2”. Nada a fazer: Moore dá nas vistas e está para ficar.
Como o próprio cineasta reconhece, a polémica gerada em torno do filme contribuiu para torná-lo um acontecimento e o carácter politicamente incorrecto reforçou o seu potencial comercial. Os grupos radicais de direita deram a Moore uma ajuda preciosa.
Um “filme” muito semelhante, de facto, ao que aconteceu com Mel Gibson (neste caso, foram organizações judaicas a fazer barulho). A fé naquilo que se faz e mostra ao público (com vista a convertê-lo) parece superar as acusações de violência e sectarismo excessivos.

A propósito de “O Dia Depois de Amanhã”, lembrei-me de uma crítica já antiga acerca de um dos filmes anteriores de Roland Emmerich. Luís Canau, do Cinedie, escreveu um dos mais divertidos textos sobre cinema que já li.

Se os tiveres abre-os...

Jeepers Creepers

Vi recentemente o segundo filme deste franchise e achei uma certa piada a fazer uma análise conjunta.
Em termos de sequelas este filme segue o percurso habitual mas a sequela não é aquilo que muitos dizem. o filme visto com atenção mostra muitas das qualidades do anterior e outras novas.

Jeepers Creepers - é um filme de terror inteligente. Antes de se dizer que é bom ou mau deve-se dizer que é bem pensado. É um filme que tem público, joga com o orçamento, é estilizado e cumpre. Em termos do género é muito melhor que qualquer Scream ou coisa que o valha.
Salva é mais semelhante a Spielberg do que a Craven ou Carpenter. O seu estilo lembra o Spielberg de "Duel: Assassino pelas Costas" e de "Tubarão".
A vitória maior é a ambiente do interior desértico dos EUA, com longas autoestradas e o aspecto bastante orgânico e não CG do monstro. 4,5 de 0 a 5

Jeepers Creepers 2 - um bom filme de suspense e terror como fica numa sequela? Habitualmente um filme de acção com momentos de terror e suspense. Mas neste caso é um mau filme? Definitivamente não.
Penso que o trunfo de Salva é não se deixar ir na conversa de sequela de sucesso tem de cair no exagero brutal de recursos e efeitos especiais. O filme tem a melhor cena de abertura dos últimos anos e possivelmente também a cena do final é magnigica. E o interior do filme?
Salva cria um filme que visivelmente tem mais efeitos mas não em excesso. A personagem do Creepers é enriquecida mas não vulgarizada com Cameron faz no Aliens. Salva somente não consegue mantar durante todo o filme a genialidade... 3,5 de 0 a 5

Pelo menos aqui existe entretenimento que não chama idiota a ninguém, o que não é habitual nas produções americanas que somente visam o público.

domingo, junho 27, 2004

Portugal no Natal

“O Amor Acontece”, de Richard Curtis

Actores: Nenhum se destaca especialmente. Hugh Grant torna-se o actor menos surpreendente do cinema. Lúcia Moniz, designada por “Lucia Muniz” (!) nas caixas e nos “posters” publicitários do DVD, não borra a pintura, tal como os outros. A participação de Rowan Atkinson é quase um “cameo”, mas consegue ter graça.
Banda sonora: Tal como toda a obra, tem os seus momentos de inspiração (“Christmas is all around” é um achado) mas por vezes cai no exagero e na pieguice.
Histórias: Demasiadas. Richard Curtis afirmou que o material filmado tinha três horas e meia de duração. Os cortes devem ter prejudicado o desenvolvimento das narrativas, com um espaço bastante desigual (algumas das cenas cortadas são bem mais divertidas que outras mantidas na versão final). As relações estabelecidas entre as personagens dos vários contos românticos parecem forçadas e supérfluas.
Natal: Curtis mostra-o como a festa do amor, sem grande conotação exclusivamente cristã ou “familiar”. Acaba por exagerar ao concentrar a resolução de tudo na noite da véspera de Natal.
Piada: “O Amor Acontece” consegue tê-la várias vezes, sobretudo quando é mais politicamente incorrecto. Boas ideias passeiam pelo ecrã, mas a doçura do “feel-good movie” acaba por prendê-lo às convenções da comédia romântica.
Política: Motivado pelo amor, o primeiro-ministro de Hugh Grant anuncia uma ruptura com os EUA e o seu presidente, inspirando o orgulho nacional. Em resultado dessa atitude, recebe o amor do povo. Esta alusão pouco subtil à política de Tony Blair (o antecessor de Grant no cargo?) enquadra-se numa atitude contestatária expressa também num anúncio da Oxfam presente entre os extras do DVD.
Portugal: É realmente agradável ouvir a nossa língua (“Lisboa”?) num filme anglo-saxónico (pura na voz de Lúcia Moniz e arranhada por Colin Firth), mas talvez fosse melhor terem gozado com outra nação europeia, tendo em conta a beleza dos figurantes na cena da “Tasca do Miguel”. O estudo prévio da cultura lusitana não parece ter sido muito profundo (algum português não conhece Eusébio?).
Trailers: A versão de aluguer inclui o “trailer” de “Thunderbirds”, um filme ainda não estreado a que o Fernando já fez referência. O que mostra é uma mistura bizarra de brinquedos (nos cenários) e cenas de imagem real com actores de carne e osso. É difícil saber o que esperar…

Nota: 5/10.

P.S. A melhor comédia romântica de sempre? "Embriagado de Amor". No entanto, se tivermos em conta apenas filmes "normais", "Quatro Casamentos e um Funeral" e "Um Sonho de Mulher" continuam a ser referências.

segunda-feira, junho 21, 2004

Os dois Mikes

Graças a Tiago Pimentel, ficámos a saber que já tem estreia marcada (31 de Agosto) nos EUA o documentário "Michael Moore Hates America", que, tal como o título indica, pretende desmentir as teses do autor de "Fahrenheit 911" e mostrar uma outra visão da América. Parece-me bastante interessante que o público (sobretudo o americano) possa ver duas opiniões contrastantes sobre o estado do mundo e optar por aquela que considerarem mais correcta (a de Moore, suponho). Até mesmo os fãs mais radicais do vencedor da Palma de Ouro devem alegrar-se, imaginando a hipótese de ver os seus adversários políticos denunciarem o seu prórpio ridículo. Quanto à direita, obviamente tem o direito de evitar que o realizador de Flint monopolize a atenção mediática, como pretende. Vamos ver no que resultará o debate (que por vezes parece uma guerra).
Quanto aos cartazes de "Fahrenheit 911" (para quando, Lusomundo, a exibição em Portugal?), têm sido marcados quer pelo sensacionalismo ("Confidential") quer pelo divertido sentido de humor (Bush e Moore felizes e de mãos dadas).

sexta-feira, junho 18, 2004

Recordar é viver

E de repente lembrei-me de duas comédias de finais dos anos 90 (1999) que vi em vídeo já há algum tempo e nem sei se têm edições portuguesas em DVD. Talvez não, pois a primeira nem passou pelos cinemas e a segunda esteve pouco tempo em poucas salas. De resto, não são obras geniais, mas, num género em que por vezes parece difícil inovar, chamam a atenção pelos momentos de inteligência e sentido de humor ácido que possuem. Também mostram os (quase) primeiros passos de valores que se desenvolveriam nos anos seguintes, a nível da realização (Alexander Payne) ou da representação (Reese Witherspoon, Kirsten Dunst).

“Eleições”, de Alexander Payne

O ponto de partida: É a história da campanha das eleições para a liderança da associação de estudantes de um liceu do Omaha. No papel da sua vida (até agora), Reese Witherspoon encarna uma candidata egoísta e mimada com grandes ambições políticas. Matthew Broderick é o professor que faz de tudo (legal ou não) para evitar a sua subida ao poder.
O que tem de especial: Antes de obter a consagração com “As Confissões de Schmidt”, Alexander Payne prova o seu talento de realizador (e argumentista) com uma história simples que é contada de forma bastante divertida e inteligente, com um ou outro deslize (na história do professor, por exemplo). Reese é fantástica e os restantes actores funcionam bem. “Eleições” (“Election”) acaba por ser uma alegoria bem conseguida da política e dos processos eleitorais. Sem ser muito profundo, deixa uma impressão de bom gosto que inspira simpatia.

Nota: 6/10.

“Linda de Morrer”, de Michael Patrick Jann

O ponto de partida: Trata-se de um “documentário” que, em 1995, cobre o tradicional concurso de misses de uma cidadezinha rural dos EUA. A luta pela vitória é dura e a mãe e a filha da família mais “bem” do sítio não poupam meios para eliminar (literalmente) a concorrência.
O que tem de especial: Muito humor negro. Ao nível de um episódio de “South Park”. Pode-se ver esta fita politicamente incorrecta apenas pela beleza das actrizes (Kirsten Dunst, Kirstie Alley, Denise Richards, Britanny Murphy…), mas é sobretudo o espírito polémico e independente que capta a atenção. O “documentário” triunfa no seu lado mais paródico (o juiz tarado, a “miss” anoréctica), embora use por vezes um humor simplista (o bronco, as cenas de porrada). No entanto, “Linda de Morrer” (“Drop Dead Gorgeous”) é divertido (se não se levar nada a sério, claro) e diferente de quase tudo o que vem dos States.

Nota: 6/10.

quarta-feira, junho 16, 2004

Teoria da blogosfera

Porquê escrever sobre cinema?
1 – Escrever sobre as grandes questões políticas e sociais do nosso tempo não significa que o autor seja propriamente um “intelectual”.
2 – Por vezes a cinefilia é um escape aos apelos imediatos da actualidade, sejam tragédias, polémicas ou “fait-divers”.
3 – Ao mesmo tempo, o cinema está longe de ser completamente estanque em relação ao contexto histórico em que surge (pode até ser um retrato fiel da sua época), indo além do entretenimento superficial.
4 – Não devem ser apenas os “especialistas” a escrever acerca das fitas que estreiam em Portugal.
5 – O “feedback” e intercâmbio de ideias na blogosfera cinéfila são muito interessantes e dão uma impressão de diálogo difícil de estabelecer na vida real.
6 – A importância cultural e económica do fenómeno cinematográfico em Portugal não é tão grande como a do futebol, admito, mas não deixa de ser significativa.
7 – O cinema está normalmente associado a recordações pessoais relativas ao período em que se viu este ou aquele filme.
8 – Não me aborreço a ler artigos e notícias sobre filmes feitos ou a fazer (o mesmo não se passa com as entrevistas de actores, frequentemente entediantes).
9 – É relativamente fácil formar uma opinião sobre uma fita e expressá-la em meia dúzia de palavras (qualidade do texto à parte), até porque normalmente um filme é mais rápido de absorver que um livro.
10 – Gosto de ver cinema. Gosto de escrever. Gosto de escrever sobre cinema.

quinta-feira, junho 10, 2004

Bloguistas unidos...

É hoje o dia de Portugal, de Camões, das Comunidades, do Corpo de Deus e do Nascimento Oficial da ABCine. A Academia de Blogs de Cinema passa a divulgar a todos os cinéfilos as suas actividades (começando, modestamente, pela selecção dos melhores filmes de sempre) e o instrutivo debate realizado pelos bloguistas num fórum próprio. São para já apenas vinte os sites membros da inovadora associação (parabéns a Miguel Lourenço Pereira e JB Martins pela ideia e desenvolvimento do projecto) mas, estando a ABCine sempre aberta a novas propostas, em breve serão com certeza muitos mais.
O bloguismo cinéfilo lusófono (ninguém disse que apenas sites portugueses poderiam aderir ao projecto) conheceu nos últimos meses uma contínua expansão e a Academia vem responder a esse movimento de opinião que "democratiza" ao máximo a crítica e o comentário, dando voz a todos os autores de textos de qualidade (a nível quer da forma quer do conteúdo) sobre a 7ª Arte (ah, e também aos tipos do Pipoca Rasca...). A iniciativa e criatividade que muitos bloguistas mostram torna extremamente valioso este espaço da Internet, quanto mais não seja como complemento à crítica "especializada" publicada na imprensa.
Muitos desejos de boa sorte para a ABCine (em breve, um link permanente aqui à direita...) e que todas as potencialidades deste projecto se concretizem.

terça-feira, junho 08, 2004

HellToro

Mais uma adaptação duma bd... Desta feita uma BD que poucos conhecerão. Felizmente tive a oportunidade de conhecer o Mundo deste herói logo em BD e asseguro que o filme não consegue ser melhor que a BD mas nunca se esteve tão perto.

O fã dos Comics que gosta de 7 arte:

A minha visão como fã está agradada.

Del Toro respeita a estrutura tipíca dos livros e constroi um argumento que além de respeitar a estrutura narrativa, condimenta a história com um triângulo amoroso. Ron Perlman é excelente!!! Ele é o Hellboy em toda a sua glória, humor de adolescente em ressaca constante e falta de maturidade.

Visualmente Del Toro respeita totalmente as tiras de BD, a banda sonora cola bem com a acção que se torna por vezes mesmo Série B. Por falar nisso as cenas com o carro, a lingua do bicho no metro são um primor técnico e de respeito pelo Comic original.

A dimensão humana de HellBoy é reforça na presença do pai e na presença de Liz. Este é um bom golpe de Del Toro, uma vez que a BD neste lado torna-se um pouco mais distante.

O fã da 7arte:

Este filme deverá ser encarado como um Série B, divertido e despretencioso. O argumento é um tanto à Série B e nada diferente se esperava. É um bom blockbuster de Verão, tem bons efeitos visuais mas com uma estrutura de argumento que poderá deixar alguns cepticos bem irados. A nível de actores, Ron Perlman cria uma personagem única com o melhor sentido de humor visto nos últimos tempos.


Classificação: 5 (0-5) a mais respeitadora e fiel adaptação de BD

domingo, junho 06, 2004

A céu aberto

Costner supreendeu a crítica e público quando fez Danças com Lobos. Este filme prova que embora seja um bom realizador para westerns é mau para tudo o resto. "A céu aberto" é o melhor western feito depois da obra-prima de Clint EastWood "Imperdoável".

A substancial diferença entre os dois filmes é que Eastwood se preocupa mais em retratar a situação das personagens enquanto seres de um Mundo de homens. Costner faz uma análise sobre a honra e os bons sentimentos que se estão a perder. Pessoalmente acho que o argumento está um pouco imperfeito no que diz respeito à personagem de Dexter. Enquanto a personagem de Gene Hackman é um "mau" que nos é apresentado e retrado de forma magistral, no filme de Costner, é mau e mais nada. É o vilão que deveria existir e o mal existe...

Depois disto o uqe penso do filme? Acho que é um filme com a melhor fotografia em muito tempo, a realização é magistral, existem planos que são lindissimos e fora os problemas de argumento, o actores principais são notáveis. Sobretudo Duvall.

Para todos os que gostam de um bom western, um bom filme e uma "onda" bem clássica.

Classificação (4 de o a 5)

sexta-feira, junho 04, 2004

Blockbuster político

“Fahrenheit 9/11” parece estar prestes a ser uma espécie de “A Paixão de Cristo” do documentário. Rodeado de intensa polémica desde a pré-produção e aparentemente destinado a um grupo reduzido de cinéfilos pelo seu carácter alternativo e pouco comercial (que fez grandes estúdios e distribuidores afastarem-se receosos), o novo filme de Michael Moore prepara-se para encher muitas salas de multiplexes pipoqueiros com gente de toda a espécie (embora com um público-alvo menos alargado que a obra cristã de Gibson) ao apelar a valores essenciais da cultura americana (neste caso, a liberdade). As primeiras reacções, motivadas por vezes por questões extra-cinema, incluem quer elogios arrebatados (a Palma de Ouro) quer o repúdio indignado da obra do “documentarista mais estúpido do mundo” (Tiago Pimentel). Desta vez, a acusação lançada ao cineasta (conhecido pelo radicalismo das suas crenças) não é de anti-semitismo (pelo contrário), mas de “anti-bushismo” primário. De repente, a polémica tornou a fita um dos filmes mais aguardados do ano, com ampla cobertura mediática e especulações sobre os efeitos psicológicos que poderá ter no público. Para já, sabe-se que a longa-metragem inclui muitas imagens de violência chocantes passadas no Médio Oriente, vilões bem identificados, momentos de tristeza mas uma dose de esperança no final. Quanto à qualidade do produto como mero objecto cinematográfico, parece não se tratar de nada de genial, sem deixar, no entanto, de ser interessante. O perigo é que talvez apenas os correligionários do realizador e argumentista se possam identificar com a mensagem da sua obra. Seja como for, a Lusomundo assegurará a distribuição da fita em Portugal.
Descubram as diferenças…
Pessoalmente, estou ansioso pela oportunidade de ver o novo manifesto de Moore. Não é que concorde com a pose de “estrela” que o realizador assume ou com o lado mais demagógico (do estilo “a culpa é toda dos ricos”) da sua ideologia, mas “Bowling for Columbine” deu para perceber que a câmara do activista pode mostrar, mesmo com humor, aspectos inquietantes e pertinentes da realidade. Claro que o cinema de Moore é 100% político, mas isso não é necessariamente negativo (tal como o risco de “Fahrenheit 9/11” se desactualizar caso o resultado das presidenciais americanas seja o que a esquerda pretende). A 7ª Arte não pode estar fechada às questões da actualidade e qualquer fita sofre desgaste com o passar do tempo sem por isso perder (ou ganhar) valor.

quarta-feira, junho 02, 2004

Surpresa?

“Identidade Misteriosa”, de James Mangold

Várias pessoas reúnem-se por acaso num motel durante um dilúvio (não sei porquê, mas a chuva nos filmes parece-me muitas vezes exagerada) e em breve começam a ser assassinadas sem qualquer explicação plausível. Numa história paralela, é reavaliada a pena de um assassino prestes a ser executado (pelos crimes do motel?). É o ponto de partida do “thriller” “Identidade Misteriosa”, que procura assustar e surpreender o público ao longo de hora e meia.
Mas o mistério acaba por nunca ser muito convincente. Mangold filma sem grande arrojo ou talento para o “suspense” (embora as cenas iniciais, mostrando a origem da reunião das vítimas, sejam prometedoras). Os actores secundários, mesmo não brilhando, acabam por ser mais interessantes que John Cusack e Amanda Peet (apagados) ou Ray Liotta (em “overacting”). As personagens são débeis e as tentativas de as aprofundar quase risíveis. Embora se aposte continuamente no efeito surpresa, ele raramente funciona.
Perante a falta de sentido dos crimes, fica-se à espera do “twist” que explique tudo, e ele aparece. Não é mal imaginado, mas até isso acaba por provocar uma certa indiferença. Com ou sem laranjas no final, o filme parece inconsequente. “Identidade Misteriosa” tem momentos interessantes, mas duvido que contribua para a felicidade de qualquer espectador.
A melhor cena: Paris deixa cair um sapato na estrada.
A pior cena: Ed revela o seu trauma.

Nota: 5/10.

P.S. Desculpem a longa ausência...

sábado, maio 22, 2004

Uma mente imaculada

O filme "Despertar da mente" brinda-nos com a melhor interpretação de Jim Carrey? Pelo menos é a primeira vez que está em "underacting", o que faz de modo brilhante mostrando que é um dos mais completos actores em actividade. E quanto ao filme?

Não posso deixar de dizer que fiquei um pouco desapontado. Este filme escrito por Kauffman é o seu argumento mais "normal" se tal se pode dizer. Acho que é demasiado colado a ideias de esquizofrenia mental que já tinham sido exploradas em "Queres Ser JM?". Com um fabuloso elenco penso que o argumento não consegue explorar todas as linhas narrativas de um modo sólido e sem pontas soltas:

ATENÇÃO - SPOILERS!!!!!!!

- Qual o papel da relação pouco ortodoxa de Elijah Wood com Clementine?
- Não foi um pouco rápida a conclusão por parte da secretária ao enviar as cassetes ao pessoal?
- E a personagem de Mark Ruffalo tem uma existência um pouco estranha na história, um pouco como a personagem de Dunst que só serve para o desenlace correr.

FIM DOS SPOILERS!!!!!!!

Não quero dizer que o filme não é bom, apenas quero dizer que está uns furos abaixo dos anteriores filmes de Kauffman, não causa a mesma sensação de confusão e de loucura quando se acaba de ver.

3,5 rm 5

sexta-feira, maio 21, 2004

Gloriosa RTP

É frequente que as informações fornecidas pela imprensa acerca da programação dos canais televisivos não correspondam exactamente à realidade, devido a modificações de última hora. O cinema não escapa a esta descoordenação, mas o que aconteceu na última quarta-feira, 19 de Maio, não deixa de ser curioso. O “Público” (não sei se o mesmo aconteceu noutros jornais) destacou como “Escolha do Dia” entre as longas-metragens exibidas na TV nesse dia “Glória” (1999), de Manuela Viegas (com Jean-Christophe Bouvet e Francisco Relvas), a ser transmitida pela RTP1 às 22.30. Uma sinopse e uma imagem esclareciam (?) o leitor sobre que filme se tratava.
A informação obtida pela redacção do diário estava correcta quanto ao título da obra. O primeiro canal público mostrou (e anunciou) uma fita designada por “Glória”. Mas tratava-se de um filme de Sidney Lumet com Sharon Stone no papel principal.
O “Público”, mal informado, terá confundido os seus desejos com a realidade? Ou a RTP descobriu tarde demais para avisar a imprensa que Stone talvez rendesse mais “share” que Viegas? A estação pública veiculou, pelo menos, um título mais próximo da realidade que “Fogo Cerrado”, indicado na “Visão” de 13 de Maio como o filme a emitir na quarta-feira seguinte, à hora citada.

quinta-feira, maio 20, 2004

A essência humana

Comprei já há algum tempo esta pequena maravilha escrita por Charlie Kauffman, "Human Nature". Lembrei-me que ainda é inédito entre nós e agora por altura de estreia de "Despertar da Mente" seria uma justa altura para falar desta preciosidade.

Dos três filmes que já vi saídos da cabeça de Kauffman e com produção de Jonze (Beeing JM, Adaptation e Human Nature) este é o que penso mais próximo do visual de Terry Gilliam nas suas paranóias cinematográficas dos anos 80 e que marcaram um estilo único.
Os filmes de Kauffman consegue trazer a louca cinematográfica a um ponto onde a surpresa e a riqueza narrativa coexistem um modo incrível.

Resumindo, este filme começa com uma bela jovem da cidade a viajar para a floresta, uma vez que por causa de um problema de excesso de pêlos, não ser bem aceite na sociedade. Nesse habitat encontra um homem ainda puro, na mais pura da natureza humana. Afastando-se desse trilho conhece um cientista maluco com a qual casa mas que esconde o seu terrivel segredo capilar. Estranho? Não, Kauffman!

Este triângulo constroí uma magnífica comédia com um final explendoroso e com momentos visuais magníficos (os ratos, a terapia). Se me perguntarem que filme me lembra mais eu diria a Laranja Mecânica cómica, uma vez que nesta história tudo se passava também atraves de alterações do comportamento habitual de uma pessoa no seu respectivo efeito.

Michael Gondry não é em nada inferior a Jonze e o que lhe deve faltar para ser tão popular deverá ser a família Coppola. Gondry também saiu do Mundo dos video-clips e conduz o filme com uma capacidade de intercalar imagens fantásticas com efeitos sonoros hipnóticos.


Enviem, cinco preciosas estrelinnhas.

domingo, maio 16, 2004

O cinema que veio do mar

Desafio o pessoal cinéfilo a uma pequena reflexão...

No ano passado surgiram dois bons filmes vindos do mar:

Os piratas das Caraíbas e o Master And Commander.

Sendo duas visões totalmente distintas estes dois filmes conseguem criar duas obras de grande qualidade num território que outrora trouxe muitos desalentos aos estúdios.
Por um lado temos duas personagens principais interpretadas por dois carismáticos actores, Depp e Crowe que cada a seu estilo nos dão bons desempenhos.
Qual dos dois é melhor? Possivelmente o filme de Peter Weir ganhe alguma vantagem mas sendo estilos dão diferentes (um rigoroso e histórico, outro despretencioso e cómico).

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Este passado fim-de-semana vi o "Master and Commander" e mais uma vez fica comprovado perante os meus olhos que Peter Weir é mesmo um excelente realizador. Penso mesmo que poucos se aventuraram em tantos géneros diferentes com um sucesso sempre garantido (pelo menos de crítica). Weir é um mestre na maneira como filma, a fotografia é impressionante e a banda sonora consegue agarrar nos momentos chave do filme.
Sendo este um drama de sobrevivência no alto-mar, o psicológico das personagens está tratado com muita subtileza que nem a brutalidade de algumas cenas consegue retirar.
Mas o melhor é mesmo o argumento. Baseado numa obra extensa, o argumento consegue diálogos notáveis, situações surpreendentes e um final real.

Nota: 4,5 (0-5)

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sexta-feira, maio 14, 2004

O homem não se cala

A recusa da Disney em permitir à Miramax a distribuição de “Fahrenheit 911”, de Michael Moore, revelou-se tão inútil (depois de o cineasta se manifestar ligeiramente incomodado com o facto, a Miramax conseguiu obter os direitos da obra, que será distribuída por uma terceira empresa) como desastrada. Era certo que, de uma maneira ou outra, o documentário de Moore (a exibir na segunda-feira em Cannes) seria disponibilizado aos espectadores americanos (e não só). Ao procurar censurar as acusações do realizador do Michigan à família Bush, a Disney só contribuiu para aumentar o mediatismo da obra. Não só se adaptou ao modelo corporativista que o cineasta tanto critica, como serviu os interesses de Moore na perfeição.
De facto, ao apresentar-se como vítima da censura promovida pelas grandes empresas, o activista de esquerda reforça a sua imagem de justiceiro e “voz do povo”. A publicidade conferida pela polémica contribui para aumentar os seus lucros e permitir-lhe realizar novos projectos. Basta recordar o que aconteceu com o livro “Brancos Estúpidos…” (a propósito, quando chegará “Dude, Where´s my Country?”, o livro anti-Bush mais recente de Moore, a Portugal?), cuja publicação pareceu impossível após os atentados de 11 de Setembro e se transformou num “best-seller”.
Seria muito mais conveniente para os opositores irredutíveis de Moore deixá-lo mostrar livremente “Fahrenheit 911” e depois desmentir os eventuais equívocos e incorrecções do documentário. Quem já se queimou foi o Rato Mickey.

quarta-feira, maio 12, 2004

Comprimidos

“Prozac”, de Erik Skjoldberg

Com uma passagem bastante discreta pelas salas (estreou em Portugal em Junho do ano passado), “Prozac” é a adaptação de “Prozac Nation”, o livro autobiográfico de Elizabeth Wurtzel acerca da depressão e do recurso ao medicamento do título para a vencer. Christina Ricci é o centro do filme, ao interpretar Elizabeth, uma estudante de Harvard afectada pelo divórcio dos pais que a dada altura torna a vida dos amigos e da família insuportável.
Com um formato de filme independente (nem sequer falta a rapariga nua), “Prozac” é dominado pelas pretensões artísticas da montagem e da realização, que resultam quase sempre banais e forçadas. Apoiada na boa prestação de Ricci (mal acompanhada por Jason Biggs), a longa-metragem mostra, no entanto, ter uma história para contar e um tema a abordar seriamente. No entanto, a duração da fita (cerca de hora e meia) dificulta uma visão aprofundada da problemática da medicação e a tentativa final de alargar a perspectiva da personagem principal a todo o país acaba por ser artificial.
“Prozac” é por vezes interessante (embora não agradável, devido à violência psicológica de algumas cenas) de seguir, mas deixa a sensação de não ter explorado devidamente determinadas pistas para que aponta. Seja como for, é desconcertante.
Para terminar, algumas palavras de Eurico de Barros, com a sua habitual delicadeza de membro de júri de concurso da SIC: “Alturas há em “Prozac” onde a personagem está a pedir não psiquiatra nem medicação, mas sim um valente par de tabefes ou uns quantos açoites no rabo”.

segunda-feira, maio 10, 2004

Por aí II

No número deste mês da revista do Inatel, “Tempo Livre”, Joaquim Diabinho publica, como é hábito, pequenos comentários acerca de filmes prestes a estrear. No parágrafo sobre “Tróia”, descreve a reconstituição de época, ou seja, do século XII (o texto não especifica que se trata do XII a.C.), como “sumptuosa nuns casos e obsessiva noutros”. Sobre a interpretação de Brad Pitt, Diabinho afirma que é “quase convincente” (não percebo é se isso é um elogio ou uma crítica), tal como o trabalho do restante elenco. Alguns erros de revisão (a data da obra é 2003, o rei de Esparta chama-se Menelao, o nome de um dos actores é Peter O’ Tolle) não contribuem para a credibilidade da apreciação. Veremos. Por seu lado, Tiago Pimentel já redigiu uma crítica pouco agradável sobre o “blockbuster” homérico.

Não se pode confiar em ninguém. O último folheto distribuído pela ACAPOR (Associação de Comércio Audiovisual de Portugal) nos clubes de vídeo não apresenta um aspecto que mostrava anteriormente a consideração da associação pelo público: os quadros com os dados relativos aos custos e receitas de bilheteira das longas-metragens publicitadas (que revelavam por vezes tratarem-se de verdadeiros “flops”). Sobram apenas os “slogans” (como “Veja cinema em família”) e sinopses das últimas novidades (sendo “Um Golpe em Itália” identificado como “Confissões de uma Mente Perigosa”). Os três filmes que recebem maior destaque são “Kill Bill -Vol. I”, “Nascido para Ganhar” e, claro, “Terrorismo a Alta Velocidade” (com Jean-Claude Van Damme).

sábado, maio 08, 2004

Hora de balanço

O ICAM disponibilizou o “ranking” dos 50 filmes mais vistos nos cinemas portugueses entre 1 de Janeiro e 30 de Abril de 2004 (para além de dados mostrando como o número de bilhetes vendidos desceu todos os meses). Que aspectos merecem maior destaque?
Para já, o “top 5”: “A Paixão de Cristo” (479 157 espectadores e ainda em exibição), “O Último Samurai” (402 328 bilhetes vendidos), “Alguém Tem que Ceder”, “O Regresso do Rei” (estreado ainda em 2003) e “Scary Movie 3”. Entre os dez mais vistos, existe uma surpresa: “Lost in Translation”, na oitava posição (127 133). O mais curioso é que o filme de Sofia Coppola foi exibido em apenas 59 salas controladas pelo ICAM. Os outros 10 primeiros títulos da lista passaram em mais de 100 écrans.
A marca dos 100 mil espectadores, que parece indicar o verdadeiro êxito de um filme (em condições normais de distribuição) em Portugal, é ultrapassada apenas por 12 filmes. O sucesso (pelo menos a longo prazo) de outros títulos entre os 25 mais parece-me discutível (“A Casa de Campo” e “Gothika”, por exemplo). Abaixo dos 50 mil, é ainda mais duvidoso que alguém se lembre (como uma recordação agradável, pelo menos) daqui a dois anos de obras das quais se fala durante uma ou duas semanas e depois caem no limbo como “O Guarda-Fraldas” ou “Escolha Perigosa”. Existem, é claro, excepções de culto como “Belleville Rendez-Vous” (46º lugar).
O 50º classificado (“Looney Tunes: De Novo em Acção”) foi alvo de visionamento por parte de 19 628 seres humanos. Acontece que em toda a lista não há qualquer longa-metragem de origem portuguesa, num quadrimestre relativamente rico em estreias de fitas nacionais. O ICAM cumpre, assim, o seu dever de informar regularmente os portugueses acerca da irrelevância comercial do seu cinema.

quinta-feira, maio 06, 2004

Porrada

A impressão de existência de um confronto aberto entre realizadores portugueses com diferentes pontos de vista acerca do que deve ser o cinema nacional confirmou-se com a polémica entre João Mário Grilo e António-Pedro Vasconcelos. Tudo começou quando o cineasta de “A Falha” utilizou a sua coluna na “Visão” para atacar a nova Lei do Cinema, mãe do FIFACA (Fundo para o Investimento e Fomento das Artes Cinematográficas e do Audiovisual). O objectivo anunciado do Ministério da Cultura (criar condições para o aparecimento de uma indústria cinematográfica em Portugal) parece completamente insano a Grilo, que aponta a inexistência de um mercado para isso necessário e prova as suas dúvidas com o exemplo do “comercial” “Os Imortais”, de António-Pedro Vasconcelos (“cineasta de exemplar subserviência para com o poder político”, segundo Grilo), com um prejuízo de cerca de 2,8 milhões de euros.
Vasconcelos leu o artigo e sentiu-se ligeiramente incomodado com estas afirmações. Em artigo publicado na edição de hoje da mesma revista, dirige a Grilo simpáticos elogios como “criatura”, “ordinário” e “pantomineiro”. Apresenta custos ligeiramente inferiores do orçamento e um maior impacto público de “Os Imortais” (menos de um milhão de euros e não três milhões de custos, estreia com 30 cópias e não 40, 55 mil espectadores e não 40 mil) e acusa o seu colega de, basicamente, ser um parasita do Estado que produz fitas destinadas apenas a “minorias “cultas””, temendo o escrutínio popular.
No meio desta gritaria, quem devemos apoiar? Comparando “Os Imortais” e “A Falha”, a escolha é óbvia: António-Pedro é fixe. É certo que acaba por revelar que a sua última longa-metragem ficou, em termos de sucesso comercial, bastante aquém da anterior (“Jaime” teve, segundo o seu realizador, 220 925 espectadores). Não parecem haver, de momento, grandes candidatos a “blockbusters” lusitanos (filmes que parecem ser feitos para o grande público, como “Tudo Isto é Fado” e “Maria e as Outras”, passam bastante despercebidos). Mas porque não apostar numa “Revolução Industrial” no cinema português? É difícil ficar pior do que está.

terça-feira, maio 04, 2004

Real e com queijo

Queremos assinalar aparecimento do link do Royal with Cheese.
Pedimos desculpa ao autor (que ja tinha justamente reclamado)
mas houve um lapso a quando a publicação da última fornada de links.

Não somos maus colegas bloggers... somos despistados :)

domingo, maio 02, 2004

Mató Bill Vol. 2

Mais uma vez Tarantino surpreende tudo e todos. Depois do filme anterior ter Manga e lutas com mais sangue que uma matança do porco, Tarantino pisa o travão e dá aos personagem tridimensionalidade. Se pensarmos bem só a personagem de Lucy Lu é que é bem desenvolvida no primeiro filme. Neste todos os restantes recebem de Tarantino um tratamento igual.

Os diálogos são excepcionais com destaque para a conversa sobre os super-heróis, que mostratino na mesma forma de Pulp Fiction. O que dizer mais? Os dois filmes são apenas um com 4 horas, que separadamente são dois filmes com muito desequilibrio.

E para finalizar, estes filmes são o "Ninja das Caldas" com orçamento, realizador e actores de primeira linha. Pei Mei parece o mestre do "Ninja das Caldas", de um mau gosto genial.

E nota-se que houve um gozo do caraças a fazer este filme.

Culto instantaneo...

5 (0- 5)

sábado, maio 01, 2004

Menos ais

"Kill Bill - Vol. 2", de Quentin Tarantino

Depois da sangreira de Outubro (na minha opinião, sendo impossível levar tanto vermelho a sério, as cenas de acção do primeiro volume acabam por entreter imenso), é com alguma surpresa que se vê uma série de cenas lentas, com diálogos calmos e pausados (até demais) e tudo a acontecer sem grandes sobressaltos, ao longo de incontáveis citações cinéfilas. Mas, no final, o que apetece dizer, não só deste segundo volume, mas da obra completa, é que graças a ela se passaram horas bem agradáveis no cinema. Superficial e profundo, violento e tocante, "Kill Bill", não sendo perfeito, é realmente muito divertido (um filme não precisa de ser uma comédia para divertir, acho eu).
Uma Thurman, David Carradine e Daryl Hannah compõem figuras emblemáticas, guiados pela mão de mestre de Tarantino, que atrai franjas bastante diversas de público (desde fãs de artes marciais e apreciadores de cenas sem imagem a especialistas em BD americana, que têm aqui uma tese polémica para discutir), ou não fosse ele o realizador do momento. Qualquer notícia sobre ideias para o seu próximo projecto só nos pode deixar a salivar...
A melhor cena: Kiddo toca na mão de Bill.
A pior cena: Budd é dispensado por Larry.

Nota: 9/10.
Nota global: 9/10.

Media

É intrigante o facto, de, após tanto tempo a trabalhar em Hollywood e entrevistar tudo quanto é estrela (fazendo perguntas sempre iguais, o que é um mal habitual das entrevistas a actores), Mário Augusto (SIC Notícias) falar inglês com um sotaque português tão carregado. O seu programa, “35mm”, sofre também pela tradução fraquinha das falas dos excertos de filmes exibidos (“I’m the man”/“Sou homem”, por exemplo).
A “Premiere” opta, ultimamente, por inserir legendas curiosas nas imagens dos filmes criticados. Os pequenos textos satíricos oscilam entre o engraçado e o engraçadinho. Saúda-se a irreverência, mas às vezes o autor desconhecido das larachas erra por pouco o alvo.
Na “Grande Reportagem” de hoje, existe um erro cinéfilo, da responsabilidade de Ana Gomes ou de quem registou as suas respostas ao inquérito. Gomes refere-se ao trabalho de Peter Sellers no filme “Good Bye Mr.Chance”. Provavelmente, fala de “Being There” (1979), conhecido em Portugal por “Bem-Vindo, Mr.Chance”.

terça-feira, abril 27, 2004

Os piratas da Caraíbas

Sinceramente o filme de aventura anda nas ruas da amargura.
Desde que Spielberg pôs o chapéu e o chicote de lado nunca mais se tinha visto um bom filme de aventuras.

E foi quando Depp fez o seu primeiro Blockbuster. Criou uma personagem magistral que transborda cinema de aventuras por todo o lado. A maior dúvida para ver este filme era o modelo de produção (o tio Jerry nunca tinha produzido um filme bom até à data). Possivelmente o facto de ser um filme histórico q.b. torna o modelo de produção um pouco diferente dos Perl Harbours e Armaggedons. Felizmente...

O realizador Gore Verbinski faz um bom trabalho e mostra que poderá não se um mero tarefeiro. O filme tem uma realização inteligente, com planos conseguidos. A inteligência maior foi a caracterização dada a todas as personagens secundárias e figurantes elevando-os a icones da pirataria. Não esquecendo o bom argumento.

Sendo eu alérgico ao Jerry Bruckheimer gostar tanto deste filme foi algo que me apanhou de surpresa.

Recomendo este filme a quem goste de filme de aventuras e sobretudo a todos os que adoraram (como eu) os jogos de computador "Secret of the Monkey Island". Este filme é o jogo tornado realidade.

4,5 em 5 ----------- o 5 virá com o tempo :-)

Documentos

A propósito das (escassas) abordagens das vicissitudes do século XX português (dos outros séculos, geralmente nem se fala) realizadas pelo cinema nacional, merecem destaque, pelo seu interesse documental, dois filmes incluídos no DVD vendido pelo "Público" anteontem.
O primeiro, "Natal 71" (1999), de Margarida Cardoso, debruça-se sobre a guerra colonial. O documentário parte do depoimento do pai da cineasta, completado com outras declarações e muitos sons e imagens de arquivo relativos à época analisada. Ainda que os testemunhos recolhidos sejam algo escassos, revelam aspectos menos conhecidos da vivência do conflito e o ponto de vista de quem serviu de mero peão nos acontecimentos do final do Estado Novo. Mas são as imagens, seja da declaração piedosa de Cecília Supico Pinto, do jogo de basquetebol dos fuzileiros da Guiné (pérolas de humor involuntário) ou da acção militar propriamente dita, que esclarecem melhor o espectador acerca do "Vietname à nossa escala".
Quanto ao drama "Brandos Costumes" (estreado em 1975), de Alberto Seixas Santos, vale sobretudo pelas imagens de aparições públicas de Salazar e das manifestações em seu louvor (incluindo o velório). Nos períodos entre as imagens recolhidas na Cinemateca, há longos planos fixos de gente a dizer clichés em verso (o cinema português dos anos 70 não seria propriamente melhor que o de hoje...).
As duas obras permitem obter informações sobre as mentalidades vigentes antes do 25 de Abril (sobre o pós-revolução, além de documentários televisivos, existem obras como "Bom Povo Português", de Rui Simões), veiculadas pelo regime através do cinema (era o tempo das "actualidades") e da televisão.

segunda-feira, abril 26, 2004

O ataque dos Cartoons

Desta vez George Lucas acertou inteiramente.

Primeiro, devo confessar que sou um fã Star Wars da velha guarda. Quero com isto dizer que gostei muito mais da série antiga que da actual (duvido que alguém pense o contrário). Mas agora foi a surpresa total...

Perguntam-me que surpresa foi esta? Foi a série do Cartoon Networks Star Wars: Clone Wars.

Os episódios dividem em 20 pedaços um filme que poderia ter 80 (20 * 4 = 80 minutos) e que revela pormenores muito interessantes para o episódio três. Lucas entregou os desenhos animados ao criador do "Laboratório do Dexter" e de "Samurai Jack" e o resultado espanta.

O virtuosismo da realização só pode ser comparado com o Episódio 5, onde não existe tempo para respirar dada a sequência de acontecimentos. A minha opinião deve-se ao facto de ter visto os 20 episódio todos de seguida conseguindo perceber mais atentamente os detalhes dos diversos fragmentos da história. De qualquer modo, o estilo de cartoon escolhido realça os propositos de Lucas no estilo desta segunda triologia: deixar a imaginação vencer.
Nos desenhos animados todos os exageros dos dois últimos filmes resultam perfeitamente levando a perceber que o Mundo que Lucas imaginou à trinta anos não era mais que uma prancha de um livro de BD misturada com imagens reais.


Espero que o dvd seja para breve. Se der na televisão Tuga, espero que não seja dobrado, uma vez que as vozes dos desenhos conseguem imitar quase na perfeição as vozes dos actores de carne e osso.

Que a Força esteja para ficar.

Novos links

Tanto quanto o tempo nos permite, o Pipoca Rasca finalmente viu os seus links actualizados.
Pretendemos deste modo agradecer aos outros blogs que nos deram a conhecer a tantas pessoas
desta cada vez mais acolhedora Blogsfera.

sábado, abril 24, 2004

Evolução?

Está previsto que a RTP exiba amanhã o filme "Capitães de Abril", de Maria de Medeiros, de forma a assinalar a efeméride. O problema é que a estação já faz isso desde 2001...
De facto, não gosto por aí além da obra de Medeiros. O que está em causa não são as dobragens ou um actor estrangeiro a interpretar Salgueiro Maia. Em termos de banda sonora e reconstituição dos anos 70, esta óptimo, mas a credibilidade do enredo é muito reduzida. Muitas vezes Medeiros foi demasiado original em relação ao "guião" escrito pelo MFA e criou uma ficção bastante fraca para servir de base à narração dos eventos históricos. E quando o filme envereda pelo drama ou pelo humor, torna-se exagerado.
Mas enfim, mais vale "Capitães de Abril" que nada, em termos de produção cinematográfica sobre a Revolução (na verdade, a SIC produziu em 1999 um telefilme, "A Hora da Liberdade", bem mais fiel, convincente e interessante, mas esse a RTP não pode exibir). Repetindo o que já se tornou um cliché, a nossa História Contemporânea não tem servido de inspiração para muitas fitas. Porque será?

terça-feira, abril 20, 2004

Lusices

Algo de errado se passa no cinema português. Alguns cineastas produzem bons filmes, mas, geralmente, até mesmo esses têm algum problema, ainda que difícil de identificar, a impedí-los de ser muito bons. É realmente difícil estabelecer empatia com o espectador.
Escolher uns quantos filmes de qualidade portugueses dos últimos anos (custa a acreditar, mas eles existem) é difícil tendo em conta que desconheço o trabalho dos "grandes mestres" (Manoel de Oliveira, João César Monteiro, Paulo Rocha, etc.) e só de quando em quando vejo uma fita de origem lusitana no cinema ou na televisão. Seja como for, a verdade é que na última década surgiram, entre outras, curtas e longas-metragens como:

5 - "Os Imortais" (2002), de António-Pedro Vasconcelos
A parte boa: Nicolau Breyner, Rui Unas, Joaquim de Almeida; a reconstituição de época; uma abordagem da guerra colonial que foge aos clichés.
O problema: Emmanuelle Seigner; as cenas mais lentas.

4 - "Zona J" (1998), de Leonel Vieira
A parte boa: O eficaz "realismo urbano"; o ritmo do filme; a realização de Leonel Vieira; os actores estreantes.
O problema: Um argumento algo limitado.

3 - "Crónica Feminina" (2002), de Gonçalo Luz
A parte boa: Ana Bustorff e Maria João Luís; o ambiente; a fotografia.
O problema: Alguma dificuldade em combinar drama e comédia.

2 - "Respirar (Debaixo d'Água) (1999), de António Ferreira
A parte boa: A revelação de António Ferreira; uma história passada, para variar, fora de Lisboa; os jovens; Vítor Norte, um dos melhores actores do cinema (não da televisão) em Portugal.
O problema: A dada altura, os desastres na vida do protagonista tornam-se cansativos.

1 - "A Suspeita" (2000), de José Miguel Ribeiro
A parte boa: Humor, "suspense", surpresa, animação excelente, personagens divertidas.
O problema: Sei lá...

domingo, abril 18, 2004

Por aí

Depois de um período de “hibernação”, o Cinema2000 (prestes a efectuar uma renovação gráfica e de conteúdos) ganha cada vez mais interesse (o “sangue novo” de Nuno Antunes e Tiago Pimentel não deixará de ser útil). Os artigos de autor desconhecido acerca da evolução dos dados das bilheteiras portuguesas (a tabela do ICAM começa a tornar-se monótona) e das reacções que “A Paixão de Cristo” tem gerado um pouco por todo o mundo (inclusive nos países islâmicos, onde ocorrem tomadas de posição não propriamente inocentes) merecem destaque.

Na sexta-feira, foram discutidos na Assembleia da República os projectos do Governo e do PS relativos à Lei do Cinema. Prefiro não discutir, por falta de informação, as características específicas das duas propostas, mas parece-me positivo o objectivo de libertar a produção cinematográfica nacional da dependência do Estado e tentar criar uma indústria. Seja como for, a discussão pública provou que os realizadores portugueses não são todos iguais. De um lado, está a ARCA (Associação de Realizadores de Cinema e Audiovisual), presidida por António-Pedro Vasconcelos (“Os Imortais”) e, do outro, a APR (Associação Portuguesa de Realizadores), sob a liderança de João Mário Grilo (“A Falha”). Enquanto a ARCA parece achar que José Amaral Lopes (secretário de Estado da Cultura) é, apesar de tudo, um tipo porreiro (esteve presente na conferência de imprensa da organização), a APR não o pode ver à frente. A ARCA receia que o apoio a obras designadas oficialmente como “de atractividade comercial” reforce excessivamente a oposição desse tipo de fitas ao “cinema de autor” habitual em Portugal. A APR considera que o cinema “comercial” só deu no nosso país “prejuízo cultural e financeiro” e o Governo quer, perfidamente, transformar artesãos em “medíocres cineastas do entretenimento” (“Público”, 16 de Abril). Perspectivas semelhantes, sem dúvida. Parece haver uma verdadeira “guerra civil” no mundo audiovisual português. Para já, o público não sai vencedor.

Depois de semanas de falatório à volta do corpo ensanguentado do Cristo de Mel Gibson, o debate cinéfilo mediático caiu quase no marasmo. As distribuidoras descarregam nas salas dezenas de longas-metragens tão diferentes como “O Gato” e “Daqui p’rá Alegria” e o entusiasmo crítico em relação a elas é, geralmente, bastante moderado. Nenhum filme parece ganhar destaque entre a multidão de produções que aterra discretamente nos cinemas. Talvez a estreia de “Kill Bill 2”, no final do mês, vá mudar tudo isto.

terça-feira, abril 13, 2004

Comédia involuntária

Inspirado pela lista (relativa à ficção científica) do Royale With Cheese, resolvi enumerar alguns pedaços de fitas que proporcionam ao espectador boas gargalhadas, embora essa não fosse de modo nenhum (acho eu) a intenção. A comédia involuntária atingiu níveis elevados em obras como:

5 - "Comando" (1985): Arnold chega ao covil dos vilões e limita-se a matar toda a (muita) gente que lhe aparece à frente e dispara sobre ele sem lhe provocar a mínima beliscadura. Trata-se de uma cena filmada de forma hilariante, mas o confronto com o principal "mauzão" também é uma verdadeira pérola.
4 - "A Falha" (2002): João Lagarto grita e tem recordações horríveis da guerra colonial enquanto... bem, só visto.
3 - "Desaparecido em Combate 3" (1988): Chuck Norris entra por uma janela (fechada) e metralha dois soldados vietnamitas e um retrato de Ho Chi Minh.
2 - "Bride of the Monster" (1955): Bela Lugosi esperneia aterrorizado em cima de um polvo totalmente imóvel.
1 - "Plan 9 From Outer Space" (1959): O "disco voador" a arder.

sábado, abril 10, 2004

Anonimato

No Cinema2000, um misterioso anónimo (“quem escreve estas linhas”) comentou os números relativos à última semana cinéfila de Março das bilheteiras controladas pelo ICAM. Contrariando as expectativas do escriba, Mel Gibson mostrou à Disney quem é que manda aqui e “A Paixão de Cristo” resistiu facilmente ao assalto de “Kenai e Koda”, atingindo pela terceira vez consecutiva (até agora, um recorde) o primeiro lugar da tabela dos filmes mais vistos, ultrapassando a marca de “Alguém Tem que Ceder” (com uma resistência impressionante). Numa época de imensas estreias em cada quinta e fraco entusiasmo crítico em relação às novidades (com a excepção de “Belleville Rendez-Vous”, com receitas interessantes e candidato a filme de culto), obras como “Tempo Limite” e “Massacre no Texas”alcançaram o top 10. Alguém se lembrará delas daqui a um mês?
O que é certo é que “Agarrado a Ti”, dos irmãos Farrelly, é um fracasso em Portugal (não sei como foi nos EUA). È certo que a promoção da obra foi surpreendentemente discreta, mas o filme anterior da dupla, “O Amor é Cego” (uma boa história), já tinha dado pouco que falar (e “Osmosis Jones” nem chegou às salas portuguesas). Os homens que inspiraram a hilaridade histérica geral com “Doidos por Mary” estão a desaparecer do mapa?

sexta-feira, abril 09, 2004

Pipoca cristã

De acordo com a “Visão” de ontem, “A Paixão de Cristo” foi visto por 427 mil portugueses apenas no mês de Março. Número impressionante, sem dúvida. A obra de Gibson tornou-se o filme da moda em Portugal (e não só) durante a Quaresma deste ano. Além de atrair multidões às salas e ser citada em tudo o que é meio de comunicação social, a fita gera um debate à sua volta como é raro ver. A verdade é que há muito não se falava tanto (bem ou mal) de um filme em cartaz.
A temática de “A Paixão de Cristo” beneficiou fortemente a sua divulgação, ao tornar o visionamento do filme “obrigatório” para os crentes cristãos. Exemplo disso é a edição deste mês da revista católica “Família Cristã”, na qual a obra de Gibson é publicitada e elogiada, nomeadamente na secção de crítica cinematográfica (assinada por Francisco Perestrello), onde se fala de “um filme de alta qualidade capaz de transmitir com muito rigor e elevação a mensagem do Evangelho”, sendo louvada a sua “fidelidade total à realidade”.
Agora que a RTP recorre, para assinalar a quadra pascal, às obras intermináveis do costume (“Ben-Hur”, “Jesus de Nazaré”, “Os Dez Mandamentos”), não deixa de ser curioso pensar que “A Paixão” poderia ser o filme bíblico ideal para a Páscoa televisiva. No entanto, em vez de preencher o horário da tarde, o projecto da Icon teria de ser exibido já bem depois do pôr-do-sol e com uma esclarecedora bola vermelha no canto superior direito do ecrã.
Páscoa Feliz para todos.

terça-feira, abril 06, 2004

Cidade maravilhosa

1. "Cidade de Deus" tornou-se, em Portugal, um exemplo clássico do filme "de culto". Depois das sessões esgotadas no Cine-Estúdio 222 (na época da Zero em Comportamento) aquando da ante-estreia, a obra de Fernando Meirelles, distribuída pela New Age Entertainment, foi exibida em apenas três ou quatro salas de Lisboa. No entanto, permaneceu no UCI-El Corte Inglés durante semanas a fio, recebendo a atenção e o carinho da crítica. Agora em DVD (com uma edição de coleccionador), continua a destacar-se (de acordo com a "Premiere", lidera a tabela de vendas da Fnac). Uma excepção à regra (o cinema brasileiro não tem tido muita visibilidade em Portugal) ou o início de uma tendência que "Carandiru" prolongará?
2. A versão de aluguer tem legendas em português (que, embora não transcrevam rigorosamente todas as frases, são muito úteis para a compreensão do filme, como já disse aqui o Fernando), além de um comentário áudio.
3. Sendo o personagem principal colectivo (a Cidade de Deus e o seu povo), as características individuais das figuras que mais se destacam perdem-se um pouco. À excepção disso, Meirelles apresenta uma autêntica bomba. A montagem, fotografia e realização criam um ambiente inesquecível. O mecanismo através do qual o argumento abandona uma cena ou personagem para a retomar de outra perspectiva mais adiante é brilhante.
4. O problema é que a violência (em grandes doses, mas nunca excessivamente dramatizada) nunca parece exagerada, ou seja, irrealista. O próprio final aberto da história aponta quer para o optimismo (o triunfo de Buscapé) quer para o pessimismo (as crianças assassinas), deixando a escolha ao espectador.

segunda-feira, abril 05, 2004

Belleville

Pois estamos perante o melhor filme de animação dos últimos anos. Possivelmente o toque Europeu faz a diferença isto porque a última vez que fiquei assim foi quando vi as curtas do Wallace and Gromit.
Sem me alongar muito, o filme é um prodigio da animação, um prodigio sonoro e musical e um prodigio daquela força da Natureza que são as velhotas de buço deste Portugal.


Classificação 5 (0 - 5)

quinta-feira, abril 01, 2004

Mais três

Três distintas personalidades da blogosfera portuguesa, João Vaz, João Sousa André e Jorge Vaz Nande, uniram-se no projecto inovador de um blogue sobre cinema. A parte da inovação está sobretudo na maneira como funciona o Série B, baseado no diálogo entre os três autores através dos posts, abordando temas cinéfilos bastante diferenciados. Notícias, textos intimistas, efemérides (como o aniversário de Quentin Tarantino) reúnem-se no espaço. São apenas três tipos que desatam a conversar sobre cinema "clássico e moderno" e o fazem de forma bastante interessante.
Agora já com um visual definitivo e um sempre prático serviço de comentários, o Série B é, ao contrário do que o nome indica, a nova estrela da blogosfera cinéfila lusa.

terça-feira, março 30, 2004

Sangue

"A Paixão de Cristo", de Mel Gibson

Avaliando a fita como obra artística, "A Paixão de Cristo" é um bom filme? Sim. O realizador Mel Gibson mostra talento (exceptuando o uso por vezes excessivo da câmara lenta), a fotografia e a banda sonora constroem na perfeição o ambiente dramático, o uso do latim e do aramaico, que de início parecia uma excentricidade, revela-se um verdadeiro achado (seria terrível para a credibilidade da produção ouvir actores falar inglês com sotaque italiano) e as interpretações de Jim Caviezel (uma nova estrela?) e Maia Morgenstern são incrivelmente poderosas, dominando a obra do início ao fim (as personagens secundárias são geralmente limitadas). Seguindo à risca as Escrituras (embora ficcionando aqui e ali), Gibson cria um "blockbuster religioso" (Fernando Campos) convincente, embora algo fechado aos não-cristãos.
Outra pergunta corrente é: o filme é anti-semita? Não. Limita-se a seguir os Evangelhos e não distingue claramente os judeus como grupo a acusar e desprezar, mas essa suspeita pode ter sido incentivada pela facilidade irritante com que Gibson identifica os maus da fita (Caifás, Barrabás, os soldados romanos que flagelam Jesus, um dos dois outros crucificados, o próprio Diabo, etc.), desenhados de forma superficial.
O filme é demasiado violento? Sim. É certo que a intenção era mostrar tudo o que Jesus sofreu para remir os pecados humanos, mas durante longos períodos é só isso que "A Paixão..." tem para mostrar: o sofrimento de Cristo, sem nada que o enquadre. As cenas mais chocantes tornam-se aborrecidas. Quanto à função evangelizadora, a verdade é que os "flash-backs" nos quais se recriam as citações mais famosas de Cristo são bem mais comoventes que o corpo do protagonista a escorrer sangue.
Valeu a pena fazer esta nova adaptação dos Evangelhos? Em termos financeiros, claro que valeu. Quanto ao lado artístico, reconheça-se que se produziu uma obra de grande impacto visual e intensidade emocional que é necessário ver, apesar dos seus exageros.
A melhor cena: Maria aproxima-se de Jesus quando este cai ao transportar a cruz.
A pior cena: O "mau ladrão" é bicado por um corvo.

Nota: 6/10.

sexta-feira, março 26, 2004

A Paixão segundo o ICAM

O ICAM divulgou a lista dos 20 filmes mais vistos nos cinemas portugueses entre 11 e 17 de Março de 2004, indicando, como é hábito, a receita e o número de espectadores das produções (não deixando de apontar em quantas salas foram exibidas durante a semana). Este período assume particular interesse por ser a primeira semana de “A Paixão de Cristo”, o filme-fenómeno de Mel Gibson, no circuito comercial português. A imprensa já tinha noticiado uma forte afluência de espectadores desejosos de ver se a obra era mesmo muito, muito violenta ou simplesmente muito violenta. O “Diário de Notícias” de 16 de Março anunciava que “O filme de Mel Gibson ‘A Paixão de Cristo’ fez mais de 100 mil espectadores nos primeiros 4 dias de exibição em Portugal”. A 23 de Março, o “Público” afirmava que “Logo na primeira semana, 105 mil espectadores viram o filme”.
Assim, os dados do pdf apresentado pelo ICAM revelam que “A Paixão de Cristo”, exibido em 22 salas, teve nessa semana 84.501 espectadores. Obteve o primeiro lugar da tabela, claro, mas a cifra não é tão esmagadora quanto os jornais citados fazem crer (é verdade que ainda nem todas as salas de cinema portuguesas fornecem as suas estatísticas ao ICAM, mas como se explica que a imprensa tenha dados diferentes?). Quanto ao resto da tabela, destaque para o segundo e terceiro classificado, respectivamente “Alguém Tem que Ceder” (presente em mais salas que a obra de Gibson), líder das duas semanas anteriores, com 36.568 bilhetes vendidos, e esse produto alvo de tanta atenção da crítica, “Torque – A Lei do Mais Rápido” (21.418). A partir daí, os números são modestos (a grande estreia pode ter obscurecido as outras fitas em cartaz). Curioso é o regresso de “Matrix Revolutions” (14º lugar), projectado em duas salas e visto por 3.414 almas (339.158 desde a estreia, já agora). Assim vão as bilheteiras da nossa nação.

segunda-feira, março 22, 2004

E saí um dvd!

Realmente isto dos dvd está a deixar tudo doido. Agora um quiosque tem mais dvds que jornais sendo que em qualquer lugaraparece uma pequena fnac.
Posso afirmar que sou um comprador de dvds bastante regular e tendo em conta o mercado que a internet cada vez mais possibilita asseguro que comprar logo assim que se vê em Portugal é um tremendo erro. Os preços praticados pelas lojas em Portugal (exceptuando as cada vez mais frequentes promoções) são cerca de 1/3 mais caras que no estranjeiro já contando com os portes de correio. E isto assegura qualidade? Pois esse é o grande problema... Dividindo o problema temos:

1) Erros nas capas
2) Pessimos desenhos e montagens para as mesmas
3) Legendagem em Português quase brasileiro (ver por ex. a Alien Quadiology)
4) Extras sem legendas
5) Filmes em Português sem legendas para deficientes auditivos

Para não falar de outros erros pontuais, a diferença de preços não compensa minimante.

domingo, março 21, 2004

Não ver este filme é Pekar!!!!!!!!!!

O filme American Splendor é desde já a maior surpresa do Ano.
Este filme que é um filme de ficção e documentário da mesma "estranha" maneira que a BD, é único, pessimista e obrigatório. Possivelmente a melhor e mais original (possivelmente complexa) adaptação de um comic ao cinema.

O argumento pecou por existir um Senhor dos Aneís em ano de supremacia forçada, uma vez que este é a meu ver o melhor argumento adaptado do ano de 2003.
Tudo é perfeito, desde o magnífico trabalho dos actores ao estranho e genial trabalho de realização.

Nada como ver este filme para respirar um pouco de ar puro e deixar de lado o tradicional blockbuster com a pipoca regada a coca-cola.

Classificação: 5 (0-5)

sexta-feira, março 19, 2004

Alternativas

Estreou ontem em Espanha o novo filme de Pedro Almodóvar, "La Mala Educación". O aparecimento de uma obra de um cineasta de culto é sempre de realçar, até porque, politicamente correcto como sempre, Almodóvar aborda desta vez temas como a Igreja Católica e a pedofilia. Em Maio, "La Mala Educación" chega a Portugal. Voltarão os aplausos gerais que acolheram as anteriores duas longas-metragens deste realizador? A propósito de Almodóvar, chegou recentemente ao mercado de vídeo/DVD um dos seus dramas (só são classificados como comédias devido à "anormalidade" das personagens criadas por Almodóvar) mais bizarros, "Kika" (1993). A extravagância da narrativa e da realização é por vezes exagerada (a sequência da violação... só vista) e alguns diálogos arrastam-se um pouco, mas trata-se de uma daquelas obras que, com um ou outro defeito, divertem imenso, precisamente por serem tão diferentes e "alternativas". Há só um momento que, actualmente, não é muito agradável por motivos exteriores ao filme: uma cena filmada na estação de Atocha (um pouco como todas as fitas, sobretudo as mais recentes, que mostram o WTC de pé)...

O cinema Mundial fechou as portas por falta de segurança das salas e, sobretudo, pelas escassas receitas da bilheteira. A diversidade do mercado lisboeta sofreu um golpe e a Lusomundo eliminou a anomalia na sua máquina de venda de pipocas (a qualidade do espaço não era, de facto, impressionante, mas a programação detinha originalidade, obrigando os críticos a suportar o cheiro do milho).

quarta-feira, março 17, 2004

Factos e palpites

No meio da blogosfera cinéfila, há espaços que adoptam um conteúdo sobretudo informativo, divulgando as notícias/rumores mais recentes sobre o mundo da 7ª Arte (filmes que irão ser feitos, filmes que talvez venham a ser feitos, filmes que afinal não vão ser feitos, festivais de cinema, Óscares e derivados, etc.), e outros que apostam quase exclusivamente em textos opinativos, dando os seus autores a conhecer o prazer ou a repulsa que determinada obra cinematográfica por eles visionada lhes provocou. O melhor será combinar essas duas tendências, exercendo a doce função da crítica mas mantendo alguma atenção à actualidade da produção de fitas, sempre com uma visão pessoal.
Alguns sites interessantes seguem habilmente essa orientação, como o Cineblog, de JB Martins (actualizado diariamente e com uma pesquisa bastante completa dos últimos "trailers" e novidades disponibilizados ao público, mas também com boas críticas a filmes no cinema ou em vídeo/DVD, além de uma lista útil de "links" para outros blogues da mesma área temática) ou o Cinemaonline, de Tiago Teixeira (aqui valorizando sobretudo a informação, transmitida em artigos extensos, e por isso publicados de forma mais ou menos irregular, mas detendo uma perspectiva crítica acerca de factos como a entrega dos Óscares ou a introdução do "ranking" das bilheteiras portuguesas).
No nosso caso, vamos fazendo alguns comentários supostamente divertidos acerca do contexto que envolve os últimos filmes (como passar ao lado, por exemplo, da expectativa em torno de "A Paixão de Cristo", que já conta com mais de 100 mil espectadores em Portugal?), mas um pouco ao acaso, reconheço, sendo por isso aconselhável visitar os "links" à direita e blogues como os atrás referidos para ter uma panorâmica actualizada do cinema tal como é visto no nosso país.

sexta-feira, março 12, 2004

Os dez magníficos

Merece aplausos a iniciativa (que só peca por tardia) do ICAM de, através de um acordo estabelecido com as distribuidoras, calcular e divulgar ao público (todas as sextas-feiras, no "site" do ICAM e, espero, na imprensa) as receitas dos filmes mais vistos em Portugal na semana anterior, tal como se faz nos restantes países da UE. O “Público” de hoje apresenta um primeiro exemplo, consistindo no “top 10” do período entre 26 de Fevereiro e 3 de Março deste ano.
Assim, na antepenúltima semana cinéfila, só “Alguém Tem que Ceder” obteve resultados impressionantes (54.748 espectadores e 228.391,45 milhares de euros de receita), ficando bem longe do segundo classificado, “Scary Movie 3 – Outro Susto de Filme”, com apenas 25.148 bilhetes vendidos (embora se deva ter em conta que a obra de David Zucker se encontrava já na sua terceira semana de exibição). A seguir na lista encontram-se, sem grandes surpresas, as fitas estreadas ultimamente nos multiplexes, com “Pago para Esquecer”, projectado em mais salas (39) que qualquer outro dos membros do “top”, na terceira posição e “Cold Mountain” em quarto lugar. Já no final, temos dois casos de cinema americano mais “minoritário”, com “O Amor é um Lugar Estranho” e “Monstro” (exibidos, respectivamente, em 7 e 8 salas). A obra de Sofia Coppola, provavelmente beneficiada pelos Óscares, parece deter uma longevidade nos cinemas digna de registo.
Isto é óptimo. Vamos a ver as semanas seguintes. Só há o problema de passarem a haver provas de que raramente uma longa-metragem portuguesa sai do quase anonimato.

Blockbuster Religioso

Tenho visto com curiosidade os números do filme de Gibson nas bilheteiras americanas e vejo um novo género surgir no cinema Mundial: Blockbuster Religioso.
Depois deste Paixão de Cristo, teremos de esperar para ver o que se seguirá nesta façanha de criar filmes religiosos que ganham 200 milhões de dólares em quinze dias.
Possivelmente uma produção chinesa "A Levitação de Buda" por Jonh Woo e a produção Israelo-Americana "A Montanha de Mahommed" por M. Night Shyamalan.

quarta-feira, março 10, 2004

Opiniões convergentes

Sem nada para criticar de momento, deixo-vos com duas das recensões já publicadas acerca do fenómeno que estreia amanhã. Nuno Centeio e Tiago Pimentel dedicam algumas linhas à obra de Gibson, embora não pareçam falar do mesmo filme. Ao entusiasmo católico de Centeio, provocado pela fidelidade do argumento aos Evangelhos ("Assim diz a Bíblia"), Pimentel responde expressando como se sentiu enojado e insultado pelo simplismo e exagero da longa-metragem protagonizada por Jim Caviezel.

domingo, março 07, 2004

Cotas

“Alguém Tem que Ceder”, de Nancy Meyers

O objectivo de Meyers (também argumentista) é interessante: fazer uma comédia romântica na qual o par protagonista não seja formado por adolescentes ou “jovens adultos” (como a personagem de Amanda Peet neste filme) em plena fase de descoberta dos dramas e alegrias da vida, mas sim por um homem e uma mulher já com idade para ter juízo. A narrativa provaria que as rugas não impedem o estabelecimento de novos e profundos relacionamentos amorosos.
Dificilmente poderiam ter sido escolhidos melhores actores para concretizar esse projecto: Diane Keaton e Jack Nicholson, figuras carregadas de prestígio, actuam bem e possuem química entre si, encarnando personagens divertidas e bem construídas. No elenco restante, destaca-se o subaproveitamento de Frances McDormand e o escasso poder expressivo de Keanu Reeves.
Embora o ponto de partida seja bom e alguns momentos (a cena de sexo, os seios de Keaton e o rabo de Nicholson, por exemplo) provoquem verdadeiras gargalhadas, a evolução da história não é a melhor. O filme torna-se demasiado longo e convencional, deixando o espectador (pelo menos eu, já que esta comédia tem os seus fãs) a esperar ansiosamente o final. Certos mecanismos narrativos parecem forçados e pouco inspirados (como a ida de Erica para Nova Iorque), sendo cansativos os diálogos acerca do amor. Meyers acaba por não surpreender ninguém e repetir-se ao longo da fita.
O visionamento de "Alguém Tem que Ceder" em vídeo/DVD é mais adequado que a ida ao cinema, não só por causa do preço mas por permitir a concentração nas melhores cenas de Keaton e Nicholson e o abreviar das partes mais aborrecidas.
A melhor cena: Erica chora dias a fio.
A pior cena: Harry consulta Julian antes de voltar para Nova Iorque.

Nota: 5/10.

P.S. Vi os “trailers” de “A Paixão de Cristo” e “Shrek 2”. O primeiro permite compreender as “acusações” de influências de Tarantino na obra de Gibson, devido ao sangue um pouco por toda a parte (se a publicidade impressiona, imagine-se o filme). O segundo é realmente prometedor (“Já não falta muito, muito tempo”).

sábado, março 06, 2004

A Fnac viu e errou

Juntamente com a "Premiere" de Março, é distribuída uma publicação ("Filmes de Culto") da Fnac, com o objectivo de promover alguns dos títulos do "stock" de DVDs desta. As obras referidas encontram-se agrupadas por géneros, sendo apresentadas a capa e a sinopse de seis ou doze filmes de cada um. Tudo estaria quase perfeito (uma ou outra imprecisão nos textos) se não existissem no cabeçalho de cada género referências (limitadas ao título) a fitas que, por falta de espaço ou outro motivo qualquer, não merecem um destaque mais aprofundado.
Assim, em "Blockbuster", ficamos a saber que "A Fnac viu e gostou" de "Missão Impossível 3" (algo muito difícil, uma vez que, por enquanto, a série só conta com dois capítulos) e "Rambo" (é necessário perguntar qual deles, uma vez que o primeiro filme da personagem chama-se simplesmente "A Fúria do Herói"). Mais à frente, não deixa de ser polémica a inclusão de "Aonde é que Pára a Polícia?" em "Polícias" (afinal, trata-se de uma paródia a esse género) e de "Febre de Sábado à Noite" em "X-Rated" (?).
Não é tão grave como a contracapa da edição da Lusomundo de "Apocalypse Now Redux" (ver comentários mais abaixo), mas prova que nem a Fnac está imune a deslizes.

terça-feira, março 02, 2004

Sono

No rescaldo dos Óscares, repetem-se as manifestações de tédio causado pela monotonia e previsibilidade da cerimónia, descrita por espectadores sonolentos como Nuno Centeio, observador atento do vestuário das actrizes presentes, ou Eurico de Barros, desiludido apenas por Michael Moore não ter sido esmagado na vida real (simpático como sempre...). Sem doses significativas de política ou "gaffes" e dominada pela glória da Nova Zelândia, a cerimónia não motivou mais que meia dúzia de frases. Como será para o ano?
Entretanto, "A Paixão de Cristo" converteu-se num enorme sucesso. Neste momento, a concorrência nas salas americanas não parece ser grande coisa, mas as receitas do filme de Gibson não deixam de causar sensação.

segunda-feira, março 01, 2004

A festa de Hallywood

A comunicação social portuguesa não deixou de cobrir a expectativa que rodeou a cerimónia de entrega dos Óscares, inclusive através do trabalho de enviados especiais a Los Angeles. Foi o caso da RTP, que destacou para o local da notícia Pedro Bicudo, o seu correspondente nos EUA. No "Telejornal" de ontem, o diálogo em directo entre Bicudo e a pivô Judite de Sousa permitiu obter informações preciosas (nomeadamente acerca da dificuldade de fugir aos lugares-comuns nestas reportagens rotineiras e "divertidas"). Este ano, a presença da lusofonia entre as nomeações (Eduardo Serra e "Cidade de Deus") mereceu particular destaque. Na sua curiosa pronúncia (referiu-se frequentemente a "Hallywood"), Bicudo relembrou que Serra estava nomeado pelo seu trabalho em "Rapariga do Anel de Pérola" e contradisse Sousa (crente na nomeação do filme de Fernando Meirelles para a categoria de Melhor Filme Estrangeiro) ao enumerar os quatro prémios que "Cidade de Deus" poderia ganhar, entre eles "Melhor Adaptação". Deslizes...
Quanto às estatuetas em si, vale a pena dizer que se obteve a lista de premiados mais previsível dos últimos anos. O triunfo absoluto da trilogia "O Senhor dos Anéis" acaba por ser justo, tendo em conta a dimensão e a qualidade do projecto coordenado por Peter Jackson. Alguns filmes de menor dimensão poderão, infelizmente, ter sido esquecidos imerecidamente devido ao poder do Anel. Destaque ainda para o prémio de Melhor Argumento Original atribuído a Sofia Coppola, realçando a qualidade de uma nova e brilhante cineasta, autora de uma longa-metragem de sucesso (que, segundo João Lopes assinalou na Antena 1, custou menos que algumas fitas portuguesas). Quanto a Eduardo Serra, fica para uma próxima oportunidade...