segunda-feira, setembro 06, 2004

No "país real"

“A Passagem da Noite”, de Luís Filipe Rocha

Como se coloca esta produção no panorama do cinema português, dividido entre filmes “de autor” (destinados apenas à auto-satisfação desses autores, segundo os seus detractores) e filmes “comerciais” (cópias caras e sem rentabilidade de americanices, para o outro campo)? Talvez numa posição intermédia. Luís Filipe Rocha (“Adeus, Pai”, “Camarate”) mostrou ser hábil na criação de boas propostas que são ainda difíceis de engolir pelo público em geral.
“A Passagem da Noite” é interessante, embora sem grandes momentos. O trabalho de Rocha na realização é eficaz, sobretudo na caracterização de ambientes (sabe filmar os prédios suburbanos, como se vê no genérico). A mais forte marca visual do filme (os túneis e corredores, como aquele em que tudo começa) é uma boa ideia, embora repetida demasiadas vezes.
O grande trunfo da obra é Leonor Seixas, não só pelo mediatismo (aquando da estreia do filme, a novela “Saber Amar” já a tornara alvo de todas as atenções) mas pela força e empenho da sua interpretação, prometendo um grande futuro. À volta dela, também há gente de qualidade (como Maria Rueff, tão bem no drama como na comédia), embora o trabalho de João Ricardo seja algo falhado, tal como a sua personagem.
A voz “off” desta tem alguma utilidade na ligação entre as cenas, mas alonga-se em considerações supérfluas. Outro defeito é o retrato dos pais de Mariana, que nunca passa da caricatura, numa fita onde se nota a preocupação em mostrar aspectos verídicos da sociedade portuguesa (televisão pimba, toxicodependência, marginalidade, aborto clandestino) nos cenários do dia-a-dia (embora as cenas na sala de aulas pouco acrescentem).
Na secção “trivia”, podemos referir os “cameos” de actores de relevo do cinema nacional (Ana Bustorff, Virgílio Castelo, Rogério Samora), os programas da RTP incluídos (“O Preço Certo em Euros”, “Jornal da Tarde”, “Garfield e Amigos”) e o nome da rua de Mariana (Adelino Amaro da Costa é um dos personagens assassinados no filme anterior de Rocha).
Este “drama realista” é um bom filme português (sim, estas palavras combinam), que, como outros, não consegue ultrapassar o maldito patamar do “podia ser melhor”. Ficam dois nomes (Leonor Seixas e Luís Filipe Rocha) a ter em atenção.

Nota: 6/10.

domingo, setembro 05, 2004

I, Cifrões $$$

No final do Verão, um filme de Verão. Nada mais... Não esperem uma nova abordagem filosófica a uma questão pertinente. Não pensem em filmes como Blade Runner, Minority Report, 2001 ou AI. Este filme é um blockbuster de Verão bem esgalhado e uns furos acima daquilo que é habitual, mas nada mais.

O filme fala de Robôs e a sua inteligência dominada e sobre um polícia que não gosta deles. E explora essa linha ao máximo. Como um blockbuster típico, não se explora a potencialidade da story line porque o público poderia não comparecer.

Will Smith é competente. Embora não goste do seu estilo, por estranho que pareça não desgostei na totalidade. É um actor para levar diversos tipos de público ao cinema mas para afugentar aqueles que querem seriedade.

O melhor do filme quanto a mim, acaba mesmo por ser a realização e efeitos especiais.
Alex Proyas é um realizador que gosto desde "O Corvo" e "Dark City". No entanto foi absorvido pela máquina da Fox. Ficam bons planos, cenários urbanos como ele sabe fazer e detalhes visuais esmagadores.

Como fã de ficção científica (P. K. Dick, Asinov e Aldiss fundamentalmente) acho que pegar em histórias destes escritores e tratá-las deste modo é um desrespeito. Nunca li I, Robot, mas pelo que sei é um daqueles livros que marcaram o modo como se passou a ver a SCI-FI no Mundo. Torna-se um desrespeito para a essência da obra tratá-la deste modo tornando-a numa fábrica de gerar dinheiro.

Se quiserem passar um bom tempo no cinema vejam e não sejam muito exigentes...

Classificação: 2,5 (0-5) (seria mais alta se o nome do filme não fosse I, Robot)

terça-feira, agosto 31, 2004

Domingos de sol

Comentários breves a algumas das comédias com que a TVI tem preenchido ultimamente as suas alegres tardes dominicais:

“Aonde é que Pára a Polícia 2 ½” (1991): Uma boa sequela (talvez até superior) do primeiro filme da série, difundindo agora uma mensagem ambientalista e incluindo até piadas políticas divertidas. Uma autêntica avalanche de “gags” percorre a fita, a um ritmo tal que cerca de 30% saem ao lado. O restante é “nonsense” de qualidade sem pretensões.

Nota: 6/10.

“Aonde é que Pára a Polícia 33 ?: O Insulto Final” (1994): Mantém-se a subversão da realidade (a cerimónia dos Óscares é, desta vez, a vítima) e dos clichés cinematográficos (sobretudo dos filmes “de prisão”), mas o tom do humor modifica-se, tornando-se mais escatológico e concentrando-se nas piadas sexuais, com fracos resultados. As personagens parecem subaproveitadas e desenhadas sem grande inspiração. Acho que, depois desta série, os ZAZ (aqui ainda envolvidos no argumento e na produção) e Leslie Nielsen nunca mais se meteram em nada de especial.

Nota: 5/10.

“Comando” (1985): A verdade é que tem muito material cómico para explorar (além das habituais tiradas de Schwarzenegger), mas infelizmente leva-se a sério. Hoje parece totalmente absurdo, mas em meados dos anos 80 estavam na moda os filmes de “super-heróis” de acção nos quais os musculosos Arnie, Norris ou Stallone arrasavam dezenas e dezenas de adversários com a maior facilidade. Apesar das suas ineficazes realização e montagem, “Comando” acaba por ser divertido pelo humor involuntário que apresenta.

Nota: 4/10.

“Miss Detective” (2000): Um filme de Sandra Bullock, acima de tudo. A estrela convence tanto como os seus parceiros de elenco (à excepção de Michael Caine), ou seja, quase nada, e o seu par romântico com o irritante Benjamin Bratt é bem fraquinho. “Miss Detective” é uma obra politicamente correcta (as piadas sobre lésbicas/homossexuais não podem faltar nas comédias banais) que se desenrola sem rasgos de imaginação ou eficácia narrativa. O final é tão “bonzinho” que até faz impressão. Pelo menos, há o elogio ao 25 de Abril… Escusado será dizer que a sequela estreia em Março do próximo ano.

Nota: 4/10.

O Nosso Sundance

Queria aqui chamar a atenção para o festival de cinema Indie que vai ocorrer no cinema São Jorge entre os dias 24 de Setembro e 4 de Outubro.
Serão vistos filmes pouco conhecidos no circuito comercial e muitas curtas, muitas de realizadores Portugueses.

Chamo a atenção para a sessão de abertura com o filme Before Sunset e a sessão de encerramento com o documentário Super Size Me (que me parece genial).

Enfim. Bom cinema finalmente a justificar o investimento no cinema São Jorge e resta-me uma pergunta:

- Para quando o FantasLX?

quinta-feira, agosto 26, 2004

Onde o arranjei????

O filme está editado em Portugal pela New Age.
Se forem ao Corte Inglês encontram uns quantos. No filme não está assim muito barato (25euros) mas eu arrisquei por sabia o que me esperava.

Para aqueles que não sabem bem se vão gostar poderá ser arriscado ainda mais sendo um filme de 1968 ao qual os aninhos ja começam a pesar.

Penso que no site da newage se consegue um pouco mais barato.

terça-feira, agosto 24, 2004

Hols, o princípie de uma geração

É isto que a sétima arte tem de interessante, a capacidade de se descobrir um filme por descobrir. No sábado passado encontrei um filme que nem sabia que existia, "Hols o príncipe do Sol" de Isao Takahata. Para os mais distraídos este realizador de animação criou com Hayao Miyazaki os lendários estúdios Ghibli e é um dos maiores realizadores de animação japonesa de todos os tempos (Heidi, Marco, etc)

Este filme tem o contributo de Miyazaki, que é o responsável pela animação. E o que dizer deste tesouro de 1968?

É o pai de todos os filmes anime. É a previsão do que estaria para vir. Existem neste filme diversas semelhanças com "Conan, o rapaz do futuro" quer a nível de animação quer a nível de construção da história e personagens. Hols e Conan têm muitos traços comuns e conseguem dar uma mesma sensação de força inexplicável da natureza. No entanto em Conan a personagem é beneficiada para maior perfeição da animação, sobretudo dos secundários.

E o filme propriamente dito? Os dez primeiros minutos conseguiram deixar-me de boca aberta. Não estava preparado para o que vi. A animação ousada (mas não perfeita) do gigante de pedra é incrível. O grafismo dos cenários é notório. O realizador consegue já neste filme o que separa o anime da restante animação (sobretudo a industrial americana) o mise-en-scéne.

Quem goste destes animadores percebe em poucos segundos que o filme só pode ser deles. Os planos, os movimentos de câmara e os temas estão lá.

No entanto o filme perde um pouco o fulgor da primeira meia-hora. A sensação com que fico é falta de capacidade técnica para responder ao que a história exigia. No entanto o filme perde a vertente para crianças neste mesmo período, o que dá a sensação que também se estavam a explorar terrenos que não eram muito habituais na animação.

Seja como for a primeira impressão foi a necessidade de rever o filme. Um pouco como a ideia de que não consegui captar todo o filme. Isso mesmo é a diferença entre a animação Japonesa e a tradicional, as entre-linhas, o que fica gravado pela beleza das imagens.

Enfim, um clássico.

Classificação: 4,5 (0-5)

quinta-feira, agosto 19, 2004

Chatice

Realmente o trabalho pode ser uma verdadeira chatice. Não percebo o que é pior, ver um filme da "Velocidade Furiosa" ou estar um dia inteiro no trabalho sem ter motivação para mover uma palha.

Os filmes de carros pelo menos fazem barulho e uma pessoa vai ficando acordada.
No entanto, pelo contrário, uma empresa no mês de Agosto provoca uma sonolência brutal. Por vezes tenho de meter os dedos na tomada para ver se me acordo.

Outra coisa que me lembro é dos desenhos animados do Charlie Brown e os professores. O som dos patrões quando o pessoal vegeta frente ao monitor é semelhante ao som dos professores da série de animação. Dizem muito sem dizer a mais infima coisa.

Pessoal, neste país realmente é melhor uma pessoa ir para o cinema e não pensar na nossa realidade por muito tempo. Pelo menos o cinema é escuro porque tem as luzes desligadas. Portugal é escuro de ideias e gasta milhares em energia.

domingo, agosto 15, 2004

Raptos e conspirações

Bom filme este Spartan. Realmente Mamet sabe jogar com este estilo de argumento. Mamet consegue destapar uma intriga que parece começar a meio de uma forma genial.

Quando comecei a ver este filme lembrei-me de Básico pela vertente de filme militar. Por um lado Básico é uma manta de retalhos e twists enquanto este Spartan é simplesmente uma intriga vista de dentro, onde as personagens sabem o que se passa mas o espectador não. Mamet joga com o nosso desconhecimento uma vez que conhece bastante bem a história (o que falha em Básico) e nos intriga inteligentemente.

Spartan é um bom filme militar, acho que a direcção de actores de Mamet já foi melhor e todo o jogo de conspiração é bastante contemporâneo.

Classificação 4 (0-5)

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ADENDA (Terça-Feira 17 de Agosto de 2004
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Como disse em cima o melhor do filme é o argumento. O actor principal
está mal, demasiado distante da trama o que me parece não ter sido a melhor
opção de cast (vejamos por exemplo Travolta no Básico)

sábado, agosto 14, 2004

Mais do mesmo

Na passada quinta-feira comprei como habitualmente o jornal DN. Foi então que me deparei com a secção Artes onde João Lopes escrevia um artigo sobre Spartan, o novo filme de David Mamet. De acordo com o que já tinha lido sobre o mesmo, nada me surpreendeu o facto de João Lopes lhe ter dado a classificação máxima (spartan - cinema 2000).

Na página do lado estava um breve resumo de Eurico de Barros com uma crítica onde dizia que o filme era mais do mesmo, o habitual de Mamet, etc, etc.

Sou um assumido leitor e fã das críticas destes dois críticos do DN e sei que Eurico de Barros gosta de filmes mais terra-a-terra que João Lopes. Eurico de Barros gosta de um bom blockbuster (mais para o Série B) enquanto João Lopes raramente gosta de qualquer Blockbuster. Além do mais Eurico de Barros não dá grandes hipóteses a Spielberg e ao contrário João Lopes é um seguidor atento do mago americano.

Seguindo o post, questiono a irracionalidade dos gostos. Será que só por não termos gostado de um determinado filme de um realizador todos têm de ser maus? Será que esse espírito não condiciona imediatamente a opinião que vamos ter da obra após a sua visão?

E a reviravoltas que por vezes surgem? As surpresas que o cinema nos dá? Os blockbusters que surgem e nos surpreendem?

Sabendo daquilo que disse no início do post, foi com surpresa que vi na capa do Dvd do filme Ronin, com Robert de Niro (aliás um magnífico filme) uma citação de Eurico de Barros:

"Um dos melhores filmes de acção do ano, de barba rija, dedo colado no gatilho e poucas falas" (a frase é mais ou menos assim)

Quando vi o filme desconfiei que era escrito por Mamet, pela maneira como as personagens interagiam, os diálogos e as surpresas inesperadas. Mas nos créditos nada.

Se formos ao imdb ver a ficha de Mamet encontramos Ronin na sua filmografia tendo co-escrito o filme com o pseudónimo de Robert Weiz.

Sabendo isto teria Eurico de Barros proferido a mesma afirmação?



Crunch, crunch

O ICAM continua a registar as estatísticas do mercado cinematográfico português, elaborando um “top 20” semanal relativo às fitas mais vistas nas salas nacionais. O entusiasmo por esta iniciativa inovadora tem sido escasso, não recebendo grandes referências nos “media” (há já algum tempo que o Cinema 2000 tornou esporádica a sua análise dos dados oficiais), o que se explica pela monotonia geralmente verificada na evolução da tabela. A distribuição das receitas de bilheteira é desigual, com meia dúzia de longas-metragens a concentrar a atenção dos espectadores e a permanecer semanas a fio entre os primeiros lugares. Restam muitas outras com números bem mais escassos que se espalham até à vigésima posição, resistindo pouco tempo na lista (existem, claro, excepções que constituem êxitos “médios”, como “Giras e Terríveis”, “O Quinteto da Morte” ou, numa escala mais reduzida, “Má Educação”).

Foi disponibilizada recentemente a tabela dos 50 filmes mais vistos em Portugal (nenhum dos quais é português) nos sete primeiros meses do ano. Tendo ainda em conta a informação relativa ao total da semana de 29 de Julho a 4 de Agosto, durante a qual se registaram factos importantes (a estreia arrasadora do terceiro Harry Potter e o estabelecimento de um novo “record” de espectadores por “Shrek 2”), chega-se ao grupo dos “dez mais” do período entre 1 de Janeiro e 4 de Agosto. Os senhores dos multiplexes lusitanos são:

1. “Shrek 2”
A produção da Dreamworks consegue ir além do rótulo de “cinema infantil” associado à animação. Mesmo os pais que vão ver as aventuras de Shrek apenas devido à pressão dos filhos tornam-se fãs do ogre verde. Trata-se de uma fita realmente para todos (independentemente da idade ou estado civil), apoiada num “marketing” forte e bem planeado. Uma receita que obtém sucesso por todo o mundo.

2. “A Paixão de Cristo”
A génese do último filme de Mel Gibson foi bem diferente da dos outros membros da lista. O conteúdo violento e religioso da sua adaptação dos Evangelhos dificilmente daria origem a um “blockbuster”, mas Gibson contou com a ajuda dos grupos judaicos (o seu auxílio foi inestimável)e da Igreja (o clero católico nada disse de mal acerca da obra). A polémica deu origem a meses de expectativa e curiosidade e conduziu a uma publicidade que atraiu um público tanto cinéfilo como geralmente afastado das salas.

3. “O Último Samurai”
Tom Cruise. Cultura japonesa. Tom Cruise. Cenas de combate. Tom Cruise.

4. “O Dia Depois de Amanhã”
Roland Emmerich mostrou já o seu talento para a “confecção” de filmes-pipoca para os quais o público é irresistivelmente atraído. A isto somou-se a temática ambiental introduzida na história, aproveitando a atenção da comunicação social à denúncia e previsão das alterações climáticas.

5. “Tróia”
Os cartazes com Brad Pitt e as batalhas mostradas nas imagens publicitárias garantiram o interesse dos espectadores, para além da curiosidade em ver como tinha sido feita a adaptação da “Ilíada”. A Antiguidade Clássica voltou a ser um vasto filão para Hollywood, que não deixará de o continuar a aproveitar (“Alexandre”).

6. “Homem-Aranha 2”
É fácil explicar porque é que a sequela da bem-sucedida passagem para a tela da mais célebre personagem da Marvel chegou até aqui. Este filme-acontecimento promete continuar a subir na tabela.

7. “Alguém Tem que Ceder”
Uma comédia romântica destinada (também) a um público mais maduro, atraído pelo carisma de actores como Jack Nicholson e Diane Keaton e pelo fim do monopólio juvenil deste tipo de histórias.

8. “O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei”
O “Senhor dos Óscares” estreou já na época do Natal de 2003, dirigindo-se por isso muitos dos curiosos pela trilogia (sobretudo os leigos não pertencentes ao grupo de “tolkenianos” ferrenhos) aos cinemas já depois da passagem de ano. A longa persistência da obra nos multiplexes e as nomeações para as estatuetas da Academia também terão contribuído para a duração do sucesso daquele que foi certamente um dos filmes mais vistos em Portugal nos últimos dez anos.

9. “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”
Um fenómeno mundial. Tendo em conta os mais de 196 500 espectadores da primeira semana de exibição, muito em breve chegará ao topo.

10. “Scary Movie 3 – Outro Susto de Filme”
O humor simples e absurdo dos Wayans (do qual David Zucker pouco se afasta), provocando gargalhadas fáceis a propósito de sucessos de bilheteira dos últimos anos (ou mesmo meses), levou ao êxito português dos dois primeiros episódios. “Scary Movie 3” limita-se a prolongar essa tendência de “só rir”.

segunda-feira, agosto 09, 2004

09-11-01 - The one man show

Realmente este é o verdadeiro espírito do novo filme de Moore. Polémico? Sim, mas também não havia necessidade de tanto. A meu ver o filme não é tão mau enquanto filme como alguns fazem crer. O problema é que Moore confontra-nos com convicções, ideologias e pontos de vista.
Pontos de vista são o que mais move Moore e penso que nunca pretende que outra coisa passe para cá e não procura fazer um documentário sério (com Bush também seria impossivel) e não pretende mais que tu agitar as águas.

O mais importante a meu ver, que se deve retirar deste filme é que quando um país entra em guerra, os motivos devem ser transparentes para a opinião pública. Moore representa todos aqueles que especulam sobre o que realmente aconteceu e o que realmente motiva a máquina de guerra norte-americana. Moore é um americano típico mas muito engenhoso. Moore é um criador de panfletos que mostram as suas ideias e convicções.

Com isto não quero dizer que o filme é todo bonzinho. Moore exagera no drama da mãe do soldado mas esse mesmo drama mostra a diferença de prisma que as ideias tomam antes e depois da guerra. Sinceramente esta parte foi vergonhosa.

Como filme, não é mau, é competente nos seus objectivos e não se espere nada de diferente n0 próximo filme de Moore. Esta é a sua linguagem, o seu estilo.

No entanto Tarantino exagerou a dar a este filme a palma de Cannes. Não conheço os filmes a concurso (acho que os Diarios de Motocicleta era o mais aclamado) mas de qualquer modo deveria haver algum melhor.

Classificação: 3 panfletos de 0 a 5 panfletos

domingo, agosto 08, 2004

Imperfeições

“Mulheres Perfeitas”, de Frank Oz

Começando pelo início, esta comédia negra (“remake” de um filme de 1975) parodia o tipo da dona de casa dos anos 50, ilustrado com publicidade da época no longo genérico inicial. Após uma rápida introdução (é raro uma comédia ir directa ao assunto tão depressa), Joanna (Nicole Kidman) e Walter (Matthew Broderick) chegam a Stepford, o subúrbio das mulheres robotizadas. Seguem-se o choque de Joanna e outros nova-iorquinos com a realidade local e a luta pela libertação.

Partindo de uma boa premissa e com um aspecto visual impressionante (as casas aterradoramente perfeitas), “Mulheres Perfeitas” acaba por não ir longe. O problema mais grave é que esta comédia não tem piada. O registo de “thriller cómico” em que cai não convence, tal como os personagens secundários (desenhados de forma básica), que contribuem para a falta de inteligência que a fita nunca supera, ao tentar, sem grande eficácia, divertir com a comparação entre os dois estilos de vida das mulheres (ambos com defeitos). A própria superficialidade da mensagem (“a perfeição não é tudo”) assenta na banalidade da abordagem.

Kidman e Broderick tentam, mas não encaixam neste tipo de filme. Surpreende que o realizador tenha prolongado a rodagem devido ao seu perfeccionismo, porque o resultado não é nada de especial. Vale a pena ver por alguns pormenores (como Glenn Close), se não se tiverem grandes expectativas antes de entrar na sala.

A melhor cena: Joanna é despedida.
A pior cena: Roger e Joanna na casa de Bobbie.

Nota: 5/10.

P.S. Também deixam a desejar os “trailers” de “A Volta ao Mundo em 80 Dias” (uma produção que parece orientada pela fórmula “a história de Júlio Verne é muito chata, por isso vamos meter-lhe coisas engraçadas, como o Jackie e o Arnie”) e “Rei Artur” (uma série de clichés e heróicas cenas de batalha). Mais interessante, por motivos óbvios, é “Terminal de Aeroporto”, embora a publicidade não esclareça bem qual é o tom do filme.

quinta-feira, agosto 05, 2004

Outono

Dez comentários rápidos e nada profundos que podem ser feitos após o visionamento do DVD de “Elephant”, de Gus Van Sant:

1. Seja por que motivo for, deixa todos de boca aberta.
2. Graças à fotografia e à realização, o filme é belo, realmente belo, do início ao fim (incluindo as cenas de violência). O genérico de abertura, na sua enorme simplicidade, é dos melhores dos últimos tempos.
3. Como pode Van Sant ter feito apenas três anos antes algo tão “simpático” e convencional como “Descobrir Forrester”?
4. O recurso a jovens sem qualquer experiência no cinema mas correspondentes aos modelos das personagens (assumidamente tipos) imaginadas por Van Sant revela-se extremamente eficaz. Os actores “escreveram” grande parte do argumento (um pouco como em “Cidade de Deus”), dando-lhe realismo.
5. As ligeiras indicações dadas acerca da maioria das personagens dificultam a identificação com elas e acabam por empobrecer o conteúdo da obra em relação à forma.
6. “Elephant” pode ser classificado como um “teen movie” (só raramente vemos o rosto de adultos, como o de Timothy “Bush” Bottoms), designação enganadora pois é difícil imaginar uma longa-metragem mais “anti-pipoca”. O ritmo lento e a “falta de história” que se registam, sobretudo no início, podem dificultar a absorção, mas dão grande consistência à fita, com um carácter pseudo-documental.
7. Não faz sentido afirmar que esta é a “boa” interpretação de Columbine (por não explicar nada) e a de Michael Moore é a “má” e “demagógica”. Os dois cineastas viram o acontecimento de diferentes perspectivas, mas ambos recusaram considerações simplistas acerca das motivações dos assassinos.
8. A banda sonora de “Elephant” prova que a música clássica pode aliar-se na perfeição ao espírito de um filme.
9. O DVD elaborado pela Atalanta (com menus apenas em português e textos da imprensa nacional citados no DVD-ROM) inclui a curta-metragem inglesa com o mesmo nome que inspirou algumas das opções de Van Sant, o comentário de um crítico francês, uma entrevista ao realizador e outros extras tradicionais.
10. Quem me dera que as escolas secundárias portuguesas tivessem tantos espaços verdes como o liceu aqui filmado.

Nota: 8/10.

terça-feira, agosto 03, 2004

Rainbow Six

Sei perfeitamente que se trata de um livro de Tom Clancy. No entanto é muito mais conhecido como um videojogo que lá vai no terceiro capítulo com milhares de exemplares vendidos.

Suponho que é esta vertente mais comercial que atraí os produtores. Já agora o realizador vai ser o outrora bom realizador Jonh Woo.

segunda-feira, agosto 02, 2004

Pipoca boa

“Homem-Aranha 2”, de Sam Raimi

Devo desde já esclarecer que sou completamente leigo no que se refere à BD americana. O pouco que sei sobre os super-heróis deve-se às adaptações para cinema e televisão, por isso não posso julgar a fidelidade da obra de Raimi aos álbuns da Marvel (a qual tem sido, geralmente, elogiada pelos especialistas). Mesmo assim, considero a série cinematográfica desenvolvida pela Columbia bastante apelativa. Apesar dos seus defeitos, as aventuras do aracnídeo são, de facto, do melhor que há na área dos “blockbusters” (para além de terem um “marketing” avassalador que atrai todos às salas).

O trabalho de Raimi é em boa parte responsável pelo sucesso e qualidade do projecto. O melhor que se pode dizer é que consegue realizar filmes-pipoca que agradam a toda a gente, pela sua leveza sem estupidez. A sua aptidão para os vários géneros presentes nesta sequela (a experiência falhada de Otto Octavius aproxima-se do terror, mas também há muita comédia, sobretudo auto-paródica) junta-se às capacidades dos actuais efeitos especiais, criando cenas de acção inesquecíveis. Os diálogos (por vezes fracos) são igualmente bem filmados e interpretados por um grupo de actores de qualidade (Tobey Maguire, Kirsten Dunst e Alfred Molina merecem o destaque mediático). O ritmo do filme decorre de uma forma geralmente bem conseguida, encaixando numerosas peripécias num espaço de tempo reduzido.

O argumento beneficia muito com o aparecimento do Dr. Octopus, um vilão de alta categoria que proporciona confrontos mais interessantes que os do primeiro filme (chega a ser decepcionante antever o regresso do Duende Verde em 2007). Infelizmente, volta a não fugir a numerosos clichés, por exemplo na relação entre Parker e MJ. Também não compreendo a utilidade das cenas “populistas” que mostram o apoio dos cidadãos ao herói e chegam a ser melosas. O final é aceitável, mas conduzido sem grande imaginação.
“Homem-Aranha 2” acaba por não ser nem melhor nem pior que o seu antecessor, seguindo o caminho traçado sem inovar muito, mas também sem perder o interesse. Corresponde ao que o espectador espera dele à partida, impedindo o bom gosto que a produção revela qualquer crítica grave. No entanto, a série deve ficar-se pela trilogia, caso contrário a fórmula corre o risco de se esgotar.

A melhor cena: Peter detém o comboio.
A pior cena: May apela ao regresso do Homem-Aranha.

Nota: 6/10.

P.S. Agradecimentos aos cinemas da Lusomundo pelo novo grafismo dos bilhetes que vendem. A clareza da informação e as dimensões do papel favorecem o trabalho dos coleccionadores e são mais agradáveis visualmente.

Videojogos

Está a tornar-se moda criar filmes baseados em videojogos. Já vi alguns e ao contrário de adaptações de BD das quais por vezes surgem adaptações interessantes, os videojogos são mais underground e dirigidos a um público muito especifico.

Deixo aqui alguns que vi e respectiva classificação.

Super Mario Bros - como filme é mau. A história do jogo foi totalmente alterada e originou algo muit diferente. Mesmo assim tem dos melhores actores do seu tempo. Classificação 2 (0-5)

Tomb Raider - francamente mau. Vi o filme com muito esforço tendo a sensação de estar sempre a passar de nível. (não tive coragem de ver o segundo) Classificação 1 (0-5)

Resident Evil - para meu espanto é bastante interessante. Dentro do filme de série B de baixo orçamento ficou muito interessante, com bom trabalho de realização, suspense, tensão e gore. Pensava que ia ser muito mau e acabou por ser muito competente. Classificação 3 (0-5)

Mortal Kombat - que coisa má! O jogo já não era grande espingarda e o filme consegue ser completamente colado ao jogo. Deste modo é um filme de combates, com efeitos especiais tipo Power Rangers. Classificação 1 (0-5)

Street Fighter, O Filme - o pior dos piores. Um dos piores filmes de sempre. Horrivel. Classificação 0 (0-5)

Street Fighter (anime) - realmente só os japoneses para conseguerem fazer alguma coisa de jeito com os seus universos de jogos de computador. Street Fighter graficamente é anime, então foi feito um filme de anime... Simples e eficaz, muito bem tecnicamente, a história é boa, tem bons momentos e sobretudo tem uma magnífica banda-sonora. Classificação 4 (0-5)

Tekken (anime) . seguindo a linha do anterior já não consegue ser tão interessante. Antes de mais o SF consegue ter uma maior divulgação no ocidente. Tekken é um filme de anime mais banal, uma história de vingança simples centrada numa personagem (enquanto que em SF segue Ryu mas tem inúmeras pequenas histórias paralelas). Classificação 2,5 (0-5)

Filmes na Calha

Driver, Resident Evil 2, Spy Hunter e Rainbox Six.

Realmente por estes não vale a pena esperar...


domingo, agosto 01, 2004

Ataque devastador

“Fahrenheit 9/11”, de Michael Moore

1. Sou um apreciador do trabalho recente (nunca vi “Roger and Me”) de Michael Moore, cujas ideias são expressas, nomeadamente, no documentário “Bowling for Columbine” e nos livros “Stupid White Men” (“Brancos Estúpidos”, na edição portuguesa) e “Dude, Where’s My Country?”. Alguns temas abordados em “Fahrenheit 9/11”, como a “eleição” de Bush, as suas ligações à Arábia Saudita ou a guerra no Iraque, surgem já nos “best-sellers” de Moore, que ataca eficazmente (mesmo que aos gritos) a política da Administração americana e reflecte sobre os problemas sociais dos EUA. No entanto, se a mensagem é boa, o mensageiro provoca alguma inquietação, não só pelo simplismo e demagogia em que por vezes cai como pelo seu gosto pelo “heroísmo” e pelo estrelato.

2. A estreia do mais recente filme de Moore recebeu atenção significativa dos “media” portugueses, atentos às implicações políticas da obra (que não deve converter muitos fãs de Bush, uma vez que, tal como “A Paixão de Cristo”, torna-se fechada aos que não partilham a fé do realizador). A RTP cobriu uma ante-estreia da fita, registando o ruído de palmas no final da sessão e entrevistando alguns dos espectadores. Entre eles havia quem concordasse plenamente com a moral da história e condenasse a estupidez do presidente americano, mas também quem considerasse o documentário uma série de distorções e manipulações de factos. Tudo normal, portanto. Na Antena 1, o general Loureiro dos Santos confessou ter gostado “tecnicamente” do filme, mas apontou incorrecções na contextualização dos dados apresentados, também registadas pela imprensa. Quanto às primeiras críticas, houve a acusação de falta de originalidade feita por Eurico de Barros (feliz pelo rosto do cineasta aparecer menos desta vez) e o repúdio total e absoluto expresso por Tiago Pimentel (que entretanto mudou de opinião e atribuiu quatro estrelas ao filme, de acordo com a tabela da “Premiere”…).

3. Trata-se de um filme de propaganda? Claro, e assumidamente. É dada voz aos membros da Administração e a alguns dos seus apoiantes, mas sempre num contexto em que as suas palavras soam a falso. Moore nunca dá o benefício da dúvida ao seu arqui-inimigo (uma grande fonte de comédia, reconheça-se) e tudo o que mostra tem o objectivo de impelir os eleitores americanos à expulsão definitiva da família Bush da Casa Branca. Critica-se frequentemente o facto de isso tornar a obra excessivamente datada, mas isso não é necessariamente negativo. Será, no futuro, um precioso documento acerca dos últimos quatro anos, ou, pelo menos, da visão que a esquerda teve deles.

4. O genérico (em especial a música que o acompanha) avisa que este documentário será mais sério que o anterior. De resto, segue-se uma das cenas mais violentas já vistas (ou melhor, ouvidas) em cinema. Moore analisa a atitude do Presidente Bush perante os ataques de 11 de Setembro e lança várias questões interessantes sobre o que aconteceu nos meses a seguir. Apesar disso, acaba por transformar insinuações em certezas e lançar acusações mal fundamentadas.

5. O filme torna-se mais equilibrado quando Moore faz aquilo em que é melhor: mostrar o que é inacreditavelmente real. Os exemplos que dá do clima de medo e paranóia reinante nos EUA (cuja origem atribui aos esforços dos governantes) são impressionantes pelo seu ridículo. Segue-se o assunto essencial da obra: a decisão de Bush de invadir o Iraque. Além de satirizar (com uma montagem habilidosa muito bem combinada com a banda sonora) de forma divertida os argumentos justificativos do conflito, o documentário procura encontrar o “homem comum” num cenário em que parece ser um mero peão. As imagens e depoimentos recolhidos entre as tropas americanas são valiosos pelo seu carácter inédito e pelo retrato da evolução do estado de espírito dos soldados (cujas atrocidades são denunciadas), vistos não como monstros mas sobretudo como vítimas. A viagem a Flint também revela perspectivas interessantes e uma hipótese (sem tempo para ser melhor desenvolvida) de análise social. O problema é que Moore borra a pintura ao expor o caso da mãe do soldado morto no Iraque. A exposição do seu sofrimento é demasiado longa e excessiva, visando a manipulação emocional dos espectadores (curiosamente, a Halliburton faz o mesmo no anúncio apresentado). Se exceptuarmos essas cenas, é na sua fase final que “Fahrenheit 9/11” cumpre melhor os seus objectivos, revelando as injustiças da guerra.
6. O “clássico” de Moore continua a ser “Bowling for Columbine”, mas, apesar dos seus defeitos, “Fahrenheit 9/11” merece ser visto, pelos seus aspectos técnicos (sobretudo a montagem) e por ser tão actual, “subversivo” e provocante. Mesmo que não se concorde com a visão da história recente apresentada nas duas horas de filme, trata-se (repetindo o cliché) de uma obra que não deixa ninguém indiferente. Pelo menos, é melhor que o último tempo de antena do PSD.
A melhor cena: Bush concorda com Moore.
A pior cena: Lila chora nos jardins da Casa Branca.

Nota: 6/10.

P.S. Agora que o documentarismo português procura ganhar dinamismo e aumentar a sua visibilidade, o que aconteceria se um cineasta nacional se inspirasse no estilo “incendiário” de Moore para tentar evitar, em 2006, a reeleição da maioria governamental, criando um filme (“PSL”?) que reunisse os eventuais erros e “gaffes” dos actuais dirigentes?

terça-feira, julho 27, 2004

Calor verde

Realmente nestes dias de calor nada é melhor que uma sala de cinema com um filmezito bem giro, muito escuro e muito ar condicionado.

Depois deste desabafo vou falar dos desenhos animados que este ano conquistaram milhões, Shrek 2. Gostei do primeiro mas não achei aquilo que ouvi por aí. Acho sinceramente que qualquer filme da Pixar o supera. O prineiro Shrek tem personagens realmente muito boas mas o argumento acaba por ser o lugar comum das historias de fábulas "avacalhadas".

Shrek 2 é ainda mais "avacalhado". Parece um Shrek meats ZAZ!
O non-sense e as citações a filmes bombardeam o espectador violentamente e originam boas gargalhadas sem qualquer sombra de dúvida.

Mas o que fica deste filme? Sinceramente acho que a história pouco ou nada avança e no final foi um divertimento giro mas um pouco de usar e deitar fora. É um verdade blockbuster de Verão!

As personagens tal como tinha dito são o melhor. No entanto a personagem do Gato das Botas está sub-aproveitada. Não existe  o conflito entre o gato e shrek ou melhor este existe e é logo resolvido muito depressa. O gato passa de um assassino frio a um amigalhaço em segundos.
~
Um bom divertimento mas cá espero pelos Incríveis que pelos trailers parece muito interessante.

Classificação: 3 (0-5)

sábado, julho 24, 2004

Fomos escritos pela pena de Tarantino

Vi recentemente dois filmes escritos há já alguns anos por Quentin Tarantino. Aliás os argumentos foram vendidos para que ele arranjasse dinheiro para fazer a sua primeira realização. É curioso que na altura em que vi os filmes pela primeira vez não percebi o que havia ali diferente...

True Romance

Tony Scott cria um filme bastante conseguido mas que nunca me tirou aquela sensação de: "Por*a se isto fosse realizado pelo QT!!!". Esse é mesmo o maior problema do filme.

Ao longo do filme notam-se os diálogos de QT, as personagens de QT mas falta o tom burlesco e natural de QT. Outro aspecto é o tipo de banda sonora. Tony Scott tenta a meu ver normalizar um argumento que tem tudo de anormal. Slater é magnífico e é o elemento que realmente entrou no estilo habitual de QT.

O resultado é bom mas...

É giro ver o Sopreno Gandolfini há dez anos a fazer de ... gangter!

Classificação: 3,5 (0-5)

Assassinos Natos
 
Oliver Stone pega na premissa do génio e procura dar-lhe o seu toque. Fica algo estranho e perde completamente o burlesco para a violência. Stone não consegue dar ao filme a visão atenuante que QT dá às cenas brutais dos seus filmes.

Este filme acaba por se tornar demasiado pesado e visualmente um pouco saturante. Oliver Stone pretende que a crítica social passe, pretende atingir os media e os seus realitty-shows mas é cru demais na abordagem o que acaba por não atrair o espectador para o filme e a mensagem.

Classificação. 3 (0-6)

quinta-feira, julho 22, 2004

Conan um rapaz para o futuro

Realmente se existem obras que ficam para o sempre, Conan - o rapaz do futuro é uma delas. O meu irmão falava bastante desta série quando estava para sair em dvd e eu fiquei sempre na expectativa. Nunca pensei que uma pessoa que não tivesse laços com a série a pudesse amar como aconteceu comigo. É incrível ver que a criança que está dentro de mim se emociou, roeu as unhas e foi ao rubro com as aventuras deste bravo herói.

Falar sobre esta série não consegue explicar o que se sente quando se assiste.

Perfeição é possível? Ainda por mais num formato televisivo?

Após ver os primeiros 13 episódios de Conan fico com a sensação que é a melhor série alguma vez feita para televisão (mesmo comparando com imagem real).
Algumas coisas jogam a seu favot:

- Story Boards
- Argumento coeso dividido em episódios
- Mise-en-scene faboluso
- Banda sonora marcante e enquadrada como se fosse um filme
- Personagens que evoluiem ao longo da história naturalmente como pessoas que aprendem com a dureza da vida
- Por vezes provoca o choro, por vezes o riso mas nunca por ser para crianças perde a capacidade de provocar medo ou suspense. Possivelmente não é só para crianças.
- Tem um princípio e um fim.

E isto tudo é fabuloso e mostra o génio de Hayao Miyazaki.

quarta-feira, julho 21, 2004

O que vem por aí

Terminal - Estive a ler críticas ao novo filme do mago Spielberg e espera-se algo muito bom. Parece que a onda mais clássica do realizador o volta a percorrer e cria uma obra que na Europa é amada e nos EUA não causou grandes ondas.

FAHRENHEIT 9/11 -  é outro dos filmes que vão estrear. A crítica pela crítica é o que se espera deste novo filme de Moore. Se quiserem ver um bom documentário garantidamente não vejam este filme. Se não gostarem de Bush é obrigatório :-)

Harry Potter e o prisioneiro OldMan - segundo o que se diz OldMan rouba todas as cenas onde entra. Pessoalmente este universo não me diz nada mas que é aguardado não se têm dúvidas.

Homem em Fúria - pessoalmente este é o filme que mais espero. Tony Scott junta-se a Denzel para criarem um filme de acção passado na cidade do México. Além disso o argumentista de serviço escreveu Mystic River...

Super Size Me - o documentário surpresa em Sundance. O realizador engordou 13 quilos quando tenta mostrar o que provoca uma dieta de McDonalds. Espero que este filme estreie no nosso páis.

Eu, Robot - o realizador do Corvo e Dark City volta passados 7 anos. Desta feita cria um blockbuster com Will Smith. A ver pelos trailers parece divertido se bem que foge ao visual mais dark do realizador.

terça-feira, julho 20, 2004

Adaptações de BD

Muito se pode dizer sobre adaptações de filmes de BD.
Aceito o desafio de João André e classifico as adaptações de BD que mais gostei (e detestei).
 
Cinematograficamente
 
American Splendor 5 (0-5)
Batman 5 (0-5)
Batman Regressa 4,5 (0-5)
Superhomem 4,5 (0-5)
 
 
Acho que sem qualquer dúvida que os Batmans de Burton são as melhores adaptações de BD não underground de sempre. É um lugar comum dizer estes dois filmes e não sou excepção. Quando estrearam vi ambos no cinema com cerca de 10/12 anos. Já na altura o que me fascinava era a maneira como Burton tornava um universo tão "bdesco" num universo tão cinematográfico e credível.
 
Se pensarmos em BD undergound penso que nada supera o cinematograficamente genial American Splendor. Os actores, o argumento, Pekar e o documentário que não é documentário mas que não é ficção é genial.
 
O filme de Donner consegue ser uma adaptação com uma qualidade muito boa. É cinema de primeira qualidade e Reeve é e sempre será o verdadeiro SuperHomem.
 
 
Melhores adaptações por serem parecidas com o original
 
Hellboy 5 (0-5)
O Corvo 4,5 (0-5)
 
Leiam os livros e vejam o filme. Aí percebem...
 
O filme de Alex Proyas é tal como os Batmans de Burton, negro, pessimista. No entanto a semelhança com o comic é assustadora.
 
Os melhores filmes que não são adaptações de BD mas que podiam ser
 
Darkman 5 (0-5)
Unbreakable 5 (0-5)
Matrix 5 (0-5)
 
Darkman é a verdadeira obra-prima de Raimi. Se ele gosta de fazer mal a Peter Parker vejam o que faz a Liam Nieson neste filme. Cinematograficamente genial.
 
Unbreakable poderia ser uma graphic novel. Este filme é magnifico e é um tributo genial à banda desenhada.
 
Para final Matrix é uma homenagem do cinema ocidental à Banda desenhada feita no oriente. Palavras para què.
 
 
Menções honrosas
 
X-Men 1 4 (0-5) 
X-Men 2 4,5 (0-5)
Homem-Aranha 3 (0-5)
Homem-Aranha 2 4 (0-5)
Blade 4 (0-5)
Blade 2 4 (0-5)
 
 
Pior adaptação de sempre (ainda por cima tendo em conta o material de origem)
 
O Demolidor (Daredevil) 1 (0-5)
 
Mau realizador, mau actor, maus enquadramentos. O argumento parece um prolongamento da frase: "não batam mais no ceguinho". Sentimentalão!

segunda-feira, julho 19, 2004

Aracnideo Chick Flick

SE ÉS AMERICANO NÃO LEIAS ESTE POST!!!
SPIDER MAN 2 Não É O MELHOR FILME BASEADO EM BD!!!
 
Homem-Aranha = H.A.
 
Depois de ter lido diversos sites de cinema americanos achei por bem avisar os mais americanos que não achei este filme a adaptação que todos dizem. É bom, diverte e tem um grande realizador mas o estilo de produção não chega tão longe como se fez outrora.
A primeira impressão é que este filme será como o primeiro um reflexo da cultura pop americana do principio dos anos 200o. A geração MTv aparece bem retratada nos jovens que a Marvel criou com base na juventude dos anos 60.
 
O que gostei
 
Visualmente Raimi é muito fiel ao material de base. O visual do Homem-Aranha por entre os prédios e o visual de Molina merecem ser mencionados. Raimi não é um tarefeiro mas sabe muito bem que público é o seu alvo. A camara move-se magnificamente em NYork e justifica em expectacularidade o orçamento do filme. Maguire é magnífico com Parker
 
O que não gostei
 
O argumento tem falhas um pouco estúpidas.
 
Spoilers
 
Se o Dr.Ock vai apanha Parker para chegar ao H.A. não sabe que Parker é o H.A. por que raio manda um carro para cima deste quando ele fala com MJ? Supostamente se ele fosse um humano vulgar teria morrido e nunca lhe mostrava como encontrar o H.A.
 
O vilão não é explorado devidamente. Tendo potencial resume-se a um tipo que tem desejo de grandeza. Tenta matar o H.A. para obter o que quer de Harry. Não é isto demasiado simplista?
 
Fim dos spoilers
 
 
Resumidamente
 
É um grande BlockBuster de Verão, no entanto para mim é demasiado meloso, é muito orientado para um público teenager. Seja como for tem momento geniais, como o elevador ou a perseguição no metro.
 
Classificação: 4 (0-5)

sexta-feira, julho 16, 2004

Que escrever

Sinto uma grande vontade de colocar aqui qualquer coisa nova mas não sei o quê. Para variar vou voltar a falar de televisão. Conhecem aquela série (se é que se pode chamar assim) portuguesa chamada Gato Fedorento?

Posso-vos assegurar que o Herman José está extinto! O problema do Gato Fedorento, a falta de meios, é resolvido com textos magníficos, dois grandes monstros da comédia e muito ousadia.

O nível do programa está sempre alto. As piadas por vezes são totalmente geniais e desconstroem muitos dos lugares comuns das nossas vidas. Por vezes são de um mau gosto tremendo mas isso é a ousadia que outros foram perdendo com o Status.

Que cheirem mal durante muito tempo!!!!!!!!

Volto já

Vou passear um bocado, prometendo voltar no fim do mês. Mas não se livram de nós facilmente porque o Fernando continuará por aqui a encher-vos de pipocas bem rascas.
Vejam bons filmes nesta quinzena!

quinta-feira, julho 15, 2004

24 horas de bom divertimento

Por vezes surgem na televisão americana séries que se tornam culto. Lembro-me de X-Files e de Buffy (não percebo). A última a entrar para esta galeria é 24 agora trasmitida na 2 nas quartas à noite. Sinceramente penso que é um bom produto televisivo e a sua concepção está muito bem pensada, de modo a conseguir levar o espectador a não poder perder um episódio. Esta é mesmo a força de 24.

Facilmente se encontram coisas que não funcionam como o lado muito americano, o sentimentalismo da vida familiar, os amores, as reviravoltas e mais algumas charopadas. De qualquer modo a parte em que Jack Bauer aparece é do melhor visto em televisão e a tensão da intriga está bem planeada.

Kiefer Sutherland leva a série às costas. Realmente consegue criar uma personagem extremamente interessante e carismática. Não consigo perceber o que um actor deste nível está a fazer na televisão em vez de se encontrar no cinema a construir heróis carismáticos que tanta falta fazem ao cinema comercial actualmente.

E para terminar raramente se vê em televisão uma série que puxe tanto pela acção. pelo suspense que esta. Se pensarmos que são produções de 24 episódios é realmente de louvar.

terça-feira, julho 13, 2004

Recém-chegados

E, de facto, há vida neste pequeno mundo, mesmo que fora da ABCine… Coloquem os vossos olhos em novidades como:

Cinéfilos Offline: Blogue brasuca, da autoria de um trio do qual faz parte o nosso velho amigo Christopher Faust Pereira (do moribundo Bons Companheiros). As primeiras críticas definem o estilo adoptado no “site”: não se esperem ensaios profundos e recheados de referências a clássicos, mas sim filmes “porcamente comentados” (ainda nos cinemas ou já mais idosos) numa linguagem informal e coloquial. Dentro deste género irreverente, os autores parecem ter muito a dar à blogosfera cinéfila.



Críticas de um Cinéfilo: Agora num novo (e melhor) visual, temos aqui mais um espaço de crítica a longas-metragens, sobretudo em DVD. O cinéfilo destaca-se pelas notas acrescentadas aos textos, identificando com clareza os melhores e piores aspectos das fitas e indicando curiosidades. Além da recusa do cinema puramente rasca, encontra-se neste blogue uma das raras críticas “moderadas” (sem amor nem ódio arrebatados) a “Magnólia”, o que é suficiente para nos manter atentos.

segunda-feira, julho 12, 2004

A Génese - um ano depois

Faz agora um ano que estava desempregado mas feliz (não gostava do local onde trabalhava) e surgiu o mito do blog.
Um dia estava a andar na rua e um estranho perguntou-me se eu tinha um blog ao que respondi corado:
- Um blocke? QUÊÊÊÊ???????
Foi nesse momento que o tipo gritou para todos ouvirem que eu não tinha um blog. Corri, corri até chegar a casa ao colo da minha mamã. E ela nas suas palavras sábias disse:
- Querido, se o Nando ao não vai ao blog, o blog vai ao Nando!
Nesse mesmo dia comecei a ler 5 livros para me preparar para este tenebroso Evareste:

1- Internet for dummies
2- HTML in 21 days
3- Javascript crash course
4- Faça a sua própria plantação de café
5- Como dormir 3 horas por noite e aproveitar para ler
por Marcelo Rebelo de Sousa

Felizmente estava desempregado. Os dias começaram a precisar de parecer mais longos. O blog finalmente viu a luz do dia nesse 12 de Julho quando já injectava o café para permanecer acordado. Tinham sido cinco dias duros.

Faltava a tarefa mais difícil: dar o nome ao blog!!!!
(ouvem-se agora relâmpagos)

Depois de passar uma tarde a ler críticas do público tive dois pensamentos. ou matava a K. Gomes ou então promovia a tarefa de falar sobre os filmes de pipocas, rascas... E ALELUIA!! Surgiu então o Pipoca Rasca.

E como a renda da casa estava alta encontrei um moço de boas famílias para partilhar aqui a cabana. Felizmente o rapaz trouxe um valor acrescentado e alguma seriedade.

Passado um ano agradeço aos críticos do público pela inspiração divina, agradeço pelas três estrelas ao AI e ao Minority Report. Agradeço ainda à K. Gomes pelas suas palavras snobs que me fizeram passar a ver todos os filmes com o mesmo respeito.

E como é natural, a única coisa que é verdade nesta mentira que para aqui escrevi, é a minha gratidão e o meu grande obrigado a todos nos visitam diariamente.

E continuem a aparecer aqui na loja...

Um ano

Faz hoje um ano que escrevi o meu primeiro “post” neste blogue. Por isso, obrigado:

– Ao Eng. Fernando Campos, criador e director do Pipoca Rasca (e autor da recente remodelação gráfica), por me ter dado (correndo graves riscos) a oportunidade de escrever o que me apetecesse e ver os textos publicados. Glória e honra a ti, Engenheiro!
– À Dra. Sara Serra, pelo apoio que deu ao projecto desde a primeira hora e pelas sugestões que fez. Sem o seu incentivo, não seria a mesma coisa.
– Aos membros da ABCine e restantes bloguistas cinéfilos, por tornarem o debate de ideias tão interessante e contribuírem para a criação de muitos “posts” com as novas informações e perspectivas que fornecem. E, claro, pelos elogios que aqui deixaram e “links” que criaram.
– A todos os cibernautas que passaram por aqui, ainda que só uma ou duas vezes, pela atenção concedida e pela certeza de não estar a falar sozinho.
Bom cinema para todos!

domingo, julho 11, 2004

Divórcio

“Crueldade Intolerável”, de Joel Coen

Só vi dois (bons) filmes da dupla (“Fargo” e “O Barbeiro”), mas este parece muitas vezes ser um filme demasiado convencional para os irmãos Coen. Joel e Ethan parecem ter acrescentado ao argumento de comédia romântica escrito por mãos alheias alguns elementos dispersos que mostram o brilho do seu humor negro (o “suicídio” do assassino asmático) e das personagens secundárias hilariantes (o detective “realizador”, o advogado comovido, o idoso monstruoso, etc.).
Tirando isso, o filme não vai muito longe. George Clooney e Catherine Zeta-Jones fazem o seu trabalho sem momentos de destaque, actuando mais como estrelas (importantes para a publicidade da obra) do que como grandes actores.
“Crueldade Intolerável” funciona, apesar disso, no modo como conta a sua história e acaba por ser um bom filme de hora e meia para as tardes de fim-de-semana, sem pretender grandes inovações artísticas.
A melhor cena: Herb congratula Miles.
A pior cena: Miles discursa no congresso da NOMAN.

Nota: 6/10.

quarta-feira, julho 07, 2004

Em resposta ao João André

Estou perfeitamente de acordo com o que dizes. Os realizadores que falei são mais comerciais do que aqueles que disseste em falta no teu comentário. Eu sou um fã completo de Paul Thomas Anderson desde que vi o Magnolia. Tenho todos os seus filmes em DVD e posso-te dizer que o Magnolia é o filme completo que alguma vez vi. No entanto acho que este realizador é mais um realizador independente do que dirigido a todo o público (pelo menos muita gente chama-se maluco por gostar deste génio). Enfim... não sabem o que dizem.

Futebol na televisão

“O Nosso Futebol”, de Ricardo Costa

Neste documentário de 1985 (recentemente transmitido na 2:), Ricardo Costa expõe, recorrendo a fontes como fotografias, artigos de imprensa e extractos de filmes, a história do futebol português (na altura quase centenário) e a evolução político-social do país desde 1888. Como material original, surgem imagens de António Victorino d’Almeida a percorrer locais ligados ao desporto-rei e a falar com gente do meio que relembra os bons velhos tempos.
A sequência de factos narrados possui um bom ritmo, embora existam algumas falhas na ligação entre as imagens e aquilo que é referido pela locução. A nível do rigor histórico, não há muito a apontar (embora se fale da morte de Guerra Junqueiro como se tivesse ocorrido antes do 5 de Outubro), até porque a “pré-história” do FCP só seria estudada após a realização do filme. Ainda que por vezes demasiado longas, as imagens de arquivo são o mais interessante da obra.
É pena que os depoimentos recolhidos pelo maestro sejam supérfluos e sem grande relevância para a história da fita, que destaca sobretudo as relações entre o poder político-económico e o futebol. No final (o pós-25 de Abril), as imagens e o discurso perdem nexo e clareza, sendo por isso agradáveis as filmagens de estádio não comentadas que encerram o documentário.
“O Nosso Futebol” (com uma perspectiva positiva sobre o fenómeno) acaba por ser, apesar dos seus defeitos, um estudo muitas vezes interessante de cem anos de história portuguesa.
A melhor cena: Espanha-Portugal de 1939.
A pior cena: Futebol na praia.

Nota: 5/10.


sábado, julho 03, 2004

Cypher de P.K. Dick???

Cypher poderá ser um filme de ficção daqueles magníficos que passam ao lado de todo o público. Felizmente o Fantas está sempre de atenção e apanha esta pérola e dá-lhe a atençaõ merecida.

Este filme a meu ver vai para a galeria de Minority Report e Blade Runner pelo tipo de abordagem a um universo de ficção futurista. A realização é notável, muito minimalista, fotografia fria e actor principal magnifico. A sua personagem é muito trabalhada e leva o filme quase todo às costas, mas no bom sentido. As oscilações de personalidade, os seus pequenos pormenores e a sua insegurança é deliciosa.

Álem disso, a montagem é perfeita, não existe um segundo perdido no argumento e a composição dos cenários é muito inventiva tal como o tinha sido em Cubo. O que toma um destaque opressivo é a banda sonora e efeitos sonoros. Estes são os verdadeiros responsáveis pelo clima que se instala no filme, o clima de tensão e de espionagem.
Esta espionagem é recente. Quero com isto dizer que é espionagem industrial, entre empresas que usam e abusam das pessoas para obter os seus onjectivos.

Realmente o melhor filme de ficção estreado depois de Minority Report.

Classificação: 5 (0-5)

sexta-feira, julho 02, 2004

Tão queridos

“Shrek 2”, de Andrew Adamson, Kelly Asbury e Conrad Vernon

Gostei mais do primeiro. Não só pelo efeito surpresa do filme de 2001 como pelo destaque que é dado em “Shrek 2” ao lado romântico da história, acabando por prejudicar um pouco a comédia. Mas quando esta surge em pleno, o génio é evidente. Os espantosos resultados de bilheteira (trata-se já de um dos filmes mais vistos de sempre) adequam-se a uma óptima longa-metragem de animação.
As piadas são um pouco mais atrevidas, não só a nível escatológico (mas, de facto, não há flatulência como a de Shrek e Fiona) como na temática “para adultos”, por exemplo com as referências à homossexualidade (sim, o personagem interpretado por Rui Unas na versão portuguesa é um travesti). Mas os diálogos desse tipo são sempre divertidos e não básicos. Outra evolução interessante é a explosão do “humor cinéfilo”. Além das mais óbvias (“O Senhor dos Anéis”, “Os Caça-Fantasmas”, “Missão Impossível”, “Um Sonho de Mulher”, etc.), existem dezenas e dezenas de referências (enumeradas no Imdb) a fitas e programas de televisão anglo-saxónicos que resultam muito bem.
Mike Meyers, Eddie Murphy e Cameron Diaz continuam excelentes. Quanto aos novos personagens, se o Gato das Botas (Antonio Banderas) não é o prodígio que se dizia, o certo é que quase eclipsa o Burro depois de aparecer. Particularmente interessante é a visão da Fada Madrinha (Jennifer Saunders) como uma capitalista sem escrúpulos.
Mesmo sem atingir o nível do primeiro episódio, “Shrek 2” estabelece as bases para um prolongamento indefinido da série. O carisma dos personagens e a mistura de doçura e incorrecção política dos argumentos auguram que não é tão cedo que deixaremos de ouvir falar de ogres.
A melhor cena: A "fiesta" final.
A pior cena: Shrek bebe a poção.

Nota: 8/10.

quinta-feira, julho 01, 2004

Por incrível que pareça...

Uma notícia escaldante... Vai estrear um filme de BD nos EUA!!!!

Não estão espantados? Estão fartos destes filmes? Pois nos EUA parece que a loucura do Homem-Aranha vai recomeçar. Os sites de cinema dão (como fizeram ao capítulo anterior) pontuação máxima e a loucura está para durar.
Entretanto a Marvel já disse que vão sair mais uns quantos heróis que ainda não foram adaptados (Ghost Rider, Electra, Fantastic Fout, etc).

Isto começa a enjoar. Todos os anos os blockbusters são ideias de outrora com pouco ou nada de cinema. Nos anos 80 foram criados filmes de massas muito giros e que conseguiam ter uma criatividade e qualidade muito acima da média. Lembro-me dos filmes de Eddie Murphy (48h 1 e 2, caça-Policias por ex), Caça Fantasmas, Regresso ao Futuro, Gremlins e tantos outros que fizeran as delicias de tantos Verões e agora eu considero que com o tempo continuam a ser boas obras de cinema de entertenimento.

Sinceramente gosto de BD como podem ter visto noutros posts mas isto é demais. O Homem-Aranha em termos de adaptação até é giro, Sam Raimi é um bom realizador mas a Marvel quer fazer 6 filmes!!! Sim, 6 filmes!!! Questiono-me sobre o papel dos realizadores que cada vez mais são fantoches da indústria. Lembrar-me que Lucas e Spielberg nos seus filmes dos anos 70/80 lutaram muito para que o realizador fosse o centro da indústria, fizeram contratos que revolucionaram por completo o cinema de então. Lembro-me de "Raiders of the Lost Ark" em que os dois tendo um script brutal, demoraram muito para que um estúdio ´quisesse ir para a frente com um contrato em que uma parte dos lucros fosse para os criadores/autores da obra de arte. E agora? Hollywood está a voltar ao mesmo. O cinema de massas não tem criadores, possivelmente sobra Peter Jackson, M. Night Shyamalan, Lucas e de vez em quando Spielberg mas faltam ainda mais nomes com ideias próprias.

É interessante ver tempos em que a qualidade do cinema independente americano aumenta tanto ano ápós ano e o cinema de massas piora tanto.

Questiono-me estão os americanos a ficar mais inteligentes em termos de gosto? Ou nem todos os jovens realizadores estão para ser aspirados por uma indústria que não tem lugar para ideias inovadores e/ou arriscadas?

quarta-feira, junho 30, 2004

Num novo visual

Pessoal NÃO se vão embora, estão no blog certo!!! Este é mesmo o PIPOCA RASCA. Andei nos últimos tempos a aprender umas coisinhas de internet e resolvi dar um visual mais atractivo ao blog (pelo menos penso eu).

Se quiserem colocar a vossa opinião ela é bem vinda...

Na faixa lateral vão ficando os melhores filmes na nossa humilde opinião, que vamos vendo nos cinemas ao longo deste ano. Mas abaixo surge o nosso top (agora somente o meu mas ainda estará o do meu colega bloguista Pedro), o que é uma maneira de interpretarem os nossos gostos cinematográficos.

No meio disto tudo não se esqueçam de ir conhecer o ABCine...

segunda-feira, junho 28, 2004

Críticas impiedosas

No primeiro fim-de-semana de exibição nos EUA, “Fahrenheit 9/11” atingiu o topo da tabela dos filmes mais vistos. Tendo em conta que estreou em 848 salas, bem menos que o segundo e o terceiro classificado, trata-se de um grande sucesso. Os pequenos cinemas que exibem a polémica obra de Moore ficaram a abarrotar. O número médio de espectadores por sala do documentário (ou ficção, para a Administração Bush) atinge níveis só ultrapassados pelos fenómenos “A Paixão de Cristo” e “Shrek 2”. Nada a fazer: Moore dá nas vistas e está para ficar.
Como o próprio cineasta reconhece, a polémica gerada em torno do filme contribuiu para torná-lo um acontecimento e o carácter politicamente incorrecto reforçou o seu potencial comercial. Os grupos radicais de direita deram a Moore uma ajuda preciosa.
Um “filme” muito semelhante, de facto, ao que aconteceu com Mel Gibson (neste caso, foram organizações judaicas a fazer barulho). A fé naquilo que se faz e mostra ao público (com vista a convertê-lo) parece superar as acusações de violência e sectarismo excessivos.

A propósito de “O Dia Depois de Amanhã”, lembrei-me de uma crítica já antiga acerca de um dos filmes anteriores de Roland Emmerich. Luís Canau, do Cinedie, escreveu um dos mais divertidos textos sobre cinema que já li.

Se os tiveres abre-os...

Jeepers Creepers

Vi recentemente o segundo filme deste franchise e achei uma certa piada a fazer uma análise conjunta.
Em termos de sequelas este filme segue o percurso habitual mas a sequela não é aquilo que muitos dizem. o filme visto com atenção mostra muitas das qualidades do anterior e outras novas.

Jeepers Creepers - é um filme de terror inteligente. Antes de se dizer que é bom ou mau deve-se dizer que é bem pensado. É um filme que tem público, joga com o orçamento, é estilizado e cumpre. Em termos do género é muito melhor que qualquer Scream ou coisa que o valha.
Salva é mais semelhante a Spielberg do que a Craven ou Carpenter. O seu estilo lembra o Spielberg de "Duel: Assassino pelas Costas" e de "Tubarão".
A vitória maior é a ambiente do interior desértico dos EUA, com longas autoestradas e o aspecto bastante orgânico e não CG do monstro. 4,5 de 0 a 5

Jeepers Creepers 2 - um bom filme de suspense e terror como fica numa sequela? Habitualmente um filme de acção com momentos de terror e suspense. Mas neste caso é um mau filme? Definitivamente não.
Penso que o trunfo de Salva é não se deixar ir na conversa de sequela de sucesso tem de cair no exagero brutal de recursos e efeitos especiais. O filme tem a melhor cena de abertura dos últimos anos e possivelmente também a cena do final é magnigica. E o interior do filme?
Salva cria um filme que visivelmente tem mais efeitos mas não em excesso. A personagem do Creepers é enriquecida mas não vulgarizada com Cameron faz no Aliens. Salva somente não consegue mantar durante todo o filme a genialidade... 3,5 de 0 a 5

Pelo menos aqui existe entretenimento que não chama idiota a ninguém, o que não é habitual nas produções americanas que somente visam o público.

domingo, junho 27, 2004

Portugal no Natal

“O Amor Acontece”, de Richard Curtis

Actores: Nenhum se destaca especialmente. Hugh Grant torna-se o actor menos surpreendente do cinema. Lúcia Moniz, designada por “Lucia Muniz” (!) nas caixas e nos “posters” publicitários do DVD, não borra a pintura, tal como os outros. A participação de Rowan Atkinson é quase um “cameo”, mas consegue ter graça.
Banda sonora: Tal como toda a obra, tem os seus momentos de inspiração (“Christmas is all around” é um achado) mas por vezes cai no exagero e na pieguice.
Histórias: Demasiadas. Richard Curtis afirmou que o material filmado tinha três horas e meia de duração. Os cortes devem ter prejudicado o desenvolvimento das narrativas, com um espaço bastante desigual (algumas das cenas cortadas são bem mais divertidas que outras mantidas na versão final). As relações estabelecidas entre as personagens dos vários contos românticos parecem forçadas e supérfluas.
Natal: Curtis mostra-o como a festa do amor, sem grande conotação exclusivamente cristã ou “familiar”. Acaba por exagerar ao concentrar a resolução de tudo na noite da véspera de Natal.
Piada: “O Amor Acontece” consegue tê-la várias vezes, sobretudo quando é mais politicamente incorrecto. Boas ideias passeiam pelo ecrã, mas a doçura do “feel-good movie” acaba por prendê-lo às convenções da comédia romântica.
Política: Motivado pelo amor, o primeiro-ministro de Hugh Grant anuncia uma ruptura com os EUA e o seu presidente, inspirando o orgulho nacional. Em resultado dessa atitude, recebe o amor do povo. Esta alusão pouco subtil à política de Tony Blair (o antecessor de Grant no cargo?) enquadra-se numa atitude contestatária expressa também num anúncio da Oxfam presente entre os extras do DVD.
Portugal: É realmente agradável ouvir a nossa língua (“Lisboa”?) num filme anglo-saxónico (pura na voz de Lúcia Moniz e arranhada por Colin Firth), mas talvez fosse melhor terem gozado com outra nação europeia, tendo em conta a beleza dos figurantes na cena da “Tasca do Miguel”. O estudo prévio da cultura lusitana não parece ter sido muito profundo (algum português não conhece Eusébio?).
Trailers: A versão de aluguer inclui o “trailer” de “Thunderbirds”, um filme ainda não estreado a que o Fernando já fez referência. O que mostra é uma mistura bizarra de brinquedos (nos cenários) e cenas de imagem real com actores de carne e osso. É difícil saber o que esperar…

Nota: 5/10.

P.S. A melhor comédia romântica de sempre? "Embriagado de Amor". No entanto, se tivermos em conta apenas filmes "normais", "Quatro Casamentos e um Funeral" e "Um Sonho de Mulher" continuam a ser referências.

segunda-feira, junho 21, 2004

Os dois Mikes

Graças a Tiago Pimentel, ficámos a saber que já tem estreia marcada (31 de Agosto) nos EUA o documentário "Michael Moore Hates America", que, tal como o título indica, pretende desmentir as teses do autor de "Fahrenheit 911" e mostrar uma outra visão da América. Parece-me bastante interessante que o público (sobretudo o americano) possa ver duas opiniões contrastantes sobre o estado do mundo e optar por aquela que considerarem mais correcta (a de Moore, suponho). Até mesmo os fãs mais radicais do vencedor da Palma de Ouro devem alegrar-se, imaginando a hipótese de ver os seus adversários políticos denunciarem o seu prórpio ridículo. Quanto à direita, obviamente tem o direito de evitar que o realizador de Flint monopolize a atenção mediática, como pretende. Vamos ver no que resultará o debate (que por vezes parece uma guerra).
Quanto aos cartazes de "Fahrenheit 911" (para quando, Lusomundo, a exibição em Portugal?), têm sido marcados quer pelo sensacionalismo ("Confidential") quer pelo divertido sentido de humor (Bush e Moore felizes e de mãos dadas).

sexta-feira, junho 18, 2004

Recordar é viver

E de repente lembrei-me de duas comédias de finais dos anos 90 (1999) que vi em vídeo já há algum tempo e nem sei se têm edições portuguesas em DVD. Talvez não, pois a primeira nem passou pelos cinemas e a segunda esteve pouco tempo em poucas salas. De resto, não são obras geniais, mas, num género em que por vezes parece difícil inovar, chamam a atenção pelos momentos de inteligência e sentido de humor ácido que possuem. Também mostram os (quase) primeiros passos de valores que se desenvolveriam nos anos seguintes, a nível da realização (Alexander Payne) ou da representação (Reese Witherspoon, Kirsten Dunst).

“Eleições”, de Alexander Payne

O ponto de partida: É a história da campanha das eleições para a liderança da associação de estudantes de um liceu do Omaha. No papel da sua vida (até agora), Reese Witherspoon encarna uma candidata egoísta e mimada com grandes ambições políticas. Matthew Broderick é o professor que faz de tudo (legal ou não) para evitar a sua subida ao poder.
O que tem de especial: Antes de obter a consagração com “As Confissões de Schmidt”, Alexander Payne prova o seu talento de realizador (e argumentista) com uma história simples que é contada de forma bastante divertida e inteligente, com um ou outro deslize (na história do professor, por exemplo). Reese é fantástica e os restantes actores funcionam bem. “Eleições” (“Election”) acaba por ser uma alegoria bem conseguida da política e dos processos eleitorais. Sem ser muito profundo, deixa uma impressão de bom gosto que inspira simpatia.

Nota: 6/10.

“Linda de Morrer”, de Michael Patrick Jann

O ponto de partida: Trata-se de um “documentário” que, em 1995, cobre o tradicional concurso de misses de uma cidadezinha rural dos EUA. A luta pela vitória é dura e a mãe e a filha da família mais “bem” do sítio não poupam meios para eliminar (literalmente) a concorrência.
O que tem de especial: Muito humor negro. Ao nível de um episódio de “South Park”. Pode-se ver esta fita politicamente incorrecta apenas pela beleza das actrizes (Kirsten Dunst, Kirstie Alley, Denise Richards, Britanny Murphy…), mas é sobretudo o espírito polémico e independente que capta a atenção. O “documentário” triunfa no seu lado mais paródico (o juiz tarado, a “miss” anoréctica), embora use por vezes um humor simplista (o bronco, as cenas de porrada). No entanto, “Linda de Morrer” (“Drop Dead Gorgeous”) é divertido (se não se levar nada a sério, claro) e diferente de quase tudo o que vem dos States.

Nota: 6/10.

quarta-feira, junho 16, 2004

Teoria da blogosfera

Porquê escrever sobre cinema?
1 – Escrever sobre as grandes questões políticas e sociais do nosso tempo não significa que o autor seja propriamente um “intelectual”.
2 – Por vezes a cinefilia é um escape aos apelos imediatos da actualidade, sejam tragédias, polémicas ou “fait-divers”.
3 – Ao mesmo tempo, o cinema está longe de ser completamente estanque em relação ao contexto histórico em que surge (pode até ser um retrato fiel da sua época), indo além do entretenimento superficial.
4 – Não devem ser apenas os “especialistas” a escrever acerca das fitas que estreiam em Portugal.
5 – O “feedback” e intercâmbio de ideias na blogosfera cinéfila são muito interessantes e dão uma impressão de diálogo difícil de estabelecer na vida real.
6 – A importância cultural e económica do fenómeno cinematográfico em Portugal não é tão grande como a do futebol, admito, mas não deixa de ser significativa.
7 – O cinema está normalmente associado a recordações pessoais relativas ao período em que se viu este ou aquele filme.
8 – Não me aborreço a ler artigos e notícias sobre filmes feitos ou a fazer (o mesmo não se passa com as entrevistas de actores, frequentemente entediantes).
9 – É relativamente fácil formar uma opinião sobre uma fita e expressá-la em meia dúzia de palavras (qualidade do texto à parte), até porque normalmente um filme é mais rápido de absorver que um livro.
10 – Gosto de ver cinema. Gosto de escrever. Gosto de escrever sobre cinema.

quinta-feira, junho 10, 2004

Bloguistas unidos...

É hoje o dia de Portugal, de Camões, das Comunidades, do Corpo de Deus e do Nascimento Oficial da ABCine. A Academia de Blogs de Cinema passa a divulgar a todos os cinéfilos as suas actividades (começando, modestamente, pela selecção dos melhores filmes de sempre) e o instrutivo debate realizado pelos bloguistas num fórum próprio. São para já apenas vinte os sites membros da inovadora associação (parabéns a Miguel Lourenço Pereira e JB Martins pela ideia e desenvolvimento do projecto) mas, estando a ABCine sempre aberta a novas propostas, em breve serão com certeza muitos mais.
O bloguismo cinéfilo lusófono (ninguém disse que apenas sites portugueses poderiam aderir ao projecto) conheceu nos últimos meses uma contínua expansão e a Academia vem responder a esse movimento de opinião que "democratiza" ao máximo a crítica e o comentário, dando voz a todos os autores de textos de qualidade (a nível quer da forma quer do conteúdo) sobre a 7ª Arte (ah, e também aos tipos do Pipoca Rasca...). A iniciativa e criatividade que muitos bloguistas mostram torna extremamente valioso este espaço da Internet, quanto mais não seja como complemento à crítica "especializada" publicada na imprensa.
Muitos desejos de boa sorte para a ABCine (em breve, um link permanente aqui à direita...) e que todas as potencialidades deste projecto se concretizem.

terça-feira, junho 08, 2004

HellToro

Mais uma adaptação duma bd... Desta feita uma BD que poucos conhecerão. Felizmente tive a oportunidade de conhecer o Mundo deste herói logo em BD e asseguro que o filme não consegue ser melhor que a BD mas nunca se esteve tão perto.

O fã dos Comics que gosta de 7 arte:

A minha visão como fã está agradada.

Del Toro respeita a estrutura tipíca dos livros e constroi um argumento que além de respeitar a estrutura narrativa, condimenta a história com um triângulo amoroso. Ron Perlman é excelente!!! Ele é o Hellboy em toda a sua glória, humor de adolescente em ressaca constante e falta de maturidade.

Visualmente Del Toro respeita totalmente as tiras de BD, a banda sonora cola bem com a acção que se torna por vezes mesmo Série B. Por falar nisso as cenas com o carro, a lingua do bicho no metro são um primor técnico e de respeito pelo Comic original.

A dimensão humana de HellBoy é reforça na presença do pai e na presença de Liz. Este é um bom golpe de Del Toro, uma vez que a BD neste lado torna-se um pouco mais distante.

O fã da 7arte:

Este filme deverá ser encarado como um Série B, divertido e despretencioso. O argumento é um tanto à Série B e nada diferente se esperava. É um bom blockbuster de Verão, tem bons efeitos visuais mas com uma estrutura de argumento que poderá deixar alguns cepticos bem irados. A nível de actores, Ron Perlman cria uma personagem única com o melhor sentido de humor visto nos últimos tempos.


Classificação: 5 (0-5) a mais respeitadora e fiel adaptação de BD

domingo, junho 06, 2004

A céu aberto

Costner supreendeu a crítica e público quando fez Danças com Lobos. Este filme prova que embora seja um bom realizador para westerns é mau para tudo o resto. "A céu aberto" é o melhor western feito depois da obra-prima de Clint EastWood "Imperdoável".

A substancial diferença entre os dois filmes é que Eastwood se preocupa mais em retratar a situação das personagens enquanto seres de um Mundo de homens. Costner faz uma análise sobre a honra e os bons sentimentos que se estão a perder. Pessoalmente acho que o argumento está um pouco imperfeito no que diz respeito à personagem de Dexter. Enquanto a personagem de Gene Hackman é um "mau" que nos é apresentado e retrado de forma magistral, no filme de Costner, é mau e mais nada. É o vilão que deveria existir e o mal existe...

Depois disto o uqe penso do filme? Acho que é um filme com a melhor fotografia em muito tempo, a realização é magistral, existem planos que são lindissimos e fora os problemas de argumento, o actores principais são notáveis. Sobretudo Duvall.

Para todos os que gostam de um bom western, um bom filme e uma "onda" bem clássica.

Classificação (4 de o a 5)

sexta-feira, junho 04, 2004

Blockbuster político

“Fahrenheit 9/11” parece estar prestes a ser uma espécie de “A Paixão de Cristo” do documentário. Rodeado de intensa polémica desde a pré-produção e aparentemente destinado a um grupo reduzido de cinéfilos pelo seu carácter alternativo e pouco comercial (que fez grandes estúdios e distribuidores afastarem-se receosos), o novo filme de Michael Moore prepara-se para encher muitas salas de multiplexes pipoqueiros com gente de toda a espécie (embora com um público-alvo menos alargado que a obra cristã de Gibson) ao apelar a valores essenciais da cultura americana (neste caso, a liberdade). As primeiras reacções, motivadas por vezes por questões extra-cinema, incluem quer elogios arrebatados (a Palma de Ouro) quer o repúdio indignado da obra do “documentarista mais estúpido do mundo” (Tiago Pimentel). Desta vez, a acusação lançada ao cineasta (conhecido pelo radicalismo das suas crenças) não é de anti-semitismo (pelo contrário), mas de “anti-bushismo” primário. De repente, a polémica tornou a fita um dos filmes mais aguardados do ano, com ampla cobertura mediática e especulações sobre os efeitos psicológicos que poderá ter no público. Para já, sabe-se que a longa-metragem inclui muitas imagens de violência chocantes passadas no Médio Oriente, vilões bem identificados, momentos de tristeza mas uma dose de esperança no final. Quanto à qualidade do produto como mero objecto cinematográfico, parece não se tratar de nada de genial, sem deixar, no entanto, de ser interessante. O perigo é que talvez apenas os correligionários do realizador e argumentista se possam identificar com a mensagem da sua obra. Seja como for, a Lusomundo assegurará a distribuição da fita em Portugal.
Descubram as diferenças…
Pessoalmente, estou ansioso pela oportunidade de ver o novo manifesto de Moore. Não é que concorde com a pose de “estrela” que o realizador assume ou com o lado mais demagógico (do estilo “a culpa é toda dos ricos”) da sua ideologia, mas “Bowling for Columbine” deu para perceber que a câmara do activista pode mostrar, mesmo com humor, aspectos inquietantes e pertinentes da realidade. Claro que o cinema de Moore é 100% político, mas isso não é necessariamente negativo (tal como o risco de “Fahrenheit 9/11” se desactualizar caso o resultado das presidenciais americanas seja o que a esquerda pretende). A 7ª Arte não pode estar fechada às questões da actualidade e qualquer fita sofre desgaste com o passar do tempo sem por isso perder (ou ganhar) valor.

quarta-feira, junho 02, 2004

Surpresa?

“Identidade Misteriosa”, de James Mangold

Várias pessoas reúnem-se por acaso num motel durante um dilúvio (não sei porquê, mas a chuva nos filmes parece-me muitas vezes exagerada) e em breve começam a ser assassinadas sem qualquer explicação plausível. Numa história paralela, é reavaliada a pena de um assassino prestes a ser executado (pelos crimes do motel?). É o ponto de partida do “thriller” “Identidade Misteriosa”, que procura assustar e surpreender o público ao longo de hora e meia.
Mas o mistério acaba por nunca ser muito convincente. Mangold filma sem grande arrojo ou talento para o “suspense” (embora as cenas iniciais, mostrando a origem da reunião das vítimas, sejam prometedoras). Os actores secundários, mesmo não brilhando, acabam por ser mais interessantes que John Cusack e Amanda Peet (apagados) ou Ray Liotta (em “overacting”). As personagens são débeis e as tentativas de as aprofundar quase risíveis. Embora se aposte continuamente no efeito surpresa, ele raramente funciona.
Perante a falta de sentido dos crimes, fica-se à espera do “twist” que explique tudo, e ele aparece. Não é mal imaginado, mas até isso acaba por provocar uma certa indiferença. Com ou sem laranjas no final, o filme parece inconsequente. “Identidade Misteriosa” tem momentos interessantes, mas duvido que contribua para a felicidade de qualquer espectador.
A melhor cena: Paris deixa cair um sapato na estrada.
A pior cena: Ed revela o seu trauma.

Nota: 5/10.

P.S. Desculpem a longa ausência...

sábado, maio 22, 2004

Uma mente imaculada

O filme "Despertar da mente" brinda-nos com a melhor interpretação de Jim Carrey? Pelo menos é a primeira vez que está em "underacting", o que faz de modo brilhante mostrando que é um dos mais completos actores em actividade. E quanto ao filme?

Não posso deixar de dizer que fiquei um pouco desapontado. Este filme escrito por Kauffman é o seu argumento mais "normal" se tal se pode dizer. Acho que é demasiado colado a ideias de esquizofrenia mental que já tinham sido exploradas em "Queres Ser JM?". Com um fabuloso elenco penso que o argumento não consegue explorar todas as linhas narrativas de um modo sólido e sem pontas soltas:

ATENÇÃO - SPOILERS!!!!!!!

- Qual o papel da relação pouco ortodoxa de Elijah Wood com Clementine?
- Não foi um pouco rápida a conclusão por parte da secretária ao enviar as cassetes ao pessoal?
- E a personagem de Mark Ruffalo tem uma existência um pouco estranha na história, um pouco como a personagem de Dunst que só serve para o desenlace correr.

FIM DOS SPOILERS!!!!!!!

Não quero dizer que o filme não é bom, apenas quero dizer que está uns furos abaixo dos anteriores filmes de Kauffman, não causa a mesma sensação de confusão e de loucura quando se acaba de ver.

3,5 rm 5

sexta-feira, maio 21, 2004

Gloriosa RTP

É frequente que as informações fornecidas pela imprensa acerca da programação dos canais televisivos não correspondam exactamente à realidade, devido a modificações de última hora. O cinema não escapa a esta descoordenação, mas o que aconteceu na última quarta-feira, 19 de Maio, não deixa de ser curioso. O “Público” (não sei se o mesmo aconteceu noutros jornais) destacou como “Escolha do Dia” entre as longas-metragens exibidas na TV nesse dia “Glória” (1999), de Manuela Viegas (com Jean-Christophe Bouvet e Francisco Relvas), a ser transmitida pela RTP1 às 22.30. Uma sinopse e uma imagem esclareciam (?) o leitor sobre que filme se tratava.
A informação obtida pela redacção do diário estava correcta quanto ao título da obra. O primeiro canal público mostrou (e anunciou) uma fita designada por “Glória”. Mas tratava-se de um filme de Sidney Lumet com Sharon Stone no papel principal.
O “Público”, mal informado, terá confundido os seus desejos com a realidade? Ou a RTP descobriu tarde demais para avisar a imprensa que Stone talvez rendesse mais “share” que Viegas? A estação pública veiculou, pelo menos, um título mais próximo da realidade que “Fogo Cerrado”, indicado na “Visão” de 13 de Maio como o filme a emitir na quarta-feira seguinte, à hora citada.

quinta-feira, maio 20, 2004

A essência humana

Comprei já há algum tempo esta pequena maravilha escrita por Charlie Kauffman, "Human Nature". Lembrei-me que ainda é inédito entre nós e agora por altura de estreia de "Despertar da Mente" seria uma justa altura para falar desta preciosidade.

Dos três filmes que já vi saídos da cabeça de Kauffman e com produção de Jonze (Beeing JM, Adaptation e Human Nature) este é o que penso mais próximo do visual de Terry Gilliam nas suas paranóias cinematográficas dos anos 80 e que marcaram um estilo único.
Os filmes de Kauffman consegue trazer a louca cinematográfica a um ponto onde a surpresa e a riqueza narrativa coexistem um modo incrível.

Resumindo, este filme começa com uma bela jovem da cidade a viajar para a floresta, uma vez que por causa de um problema de excesso de pêlos, não ser bem aceite na sociedade. Nesse habitat encontra um homem ainda puro, na mais pura da natureza humana. Afastando-se desse trilho conhece um cientista maluco com a qual casa mas que esconde o seu terrivel segredo capilar. Estranho? Não, Kauffman!

Este triângulo constroí uma magnífica comédia com um final explendoroso e com momentos visuais magníficos (os ratos, a terapia). Se me perguntarem que filme me lembra mais eu diria a Laranja Mecânica cómica, uma vez que nesta história tudo se passava também atraves de alterações do comportamento habitual de uma pessoa no seu respectivo efeito.

Michael Gondry não é em nada inferior a Jonze e o que lhe deve faltar para ser tão popular deverá ser a família Coppola. Gondry também saiu do Mundo dos video-clips e conduz o filme com uma capacidade de intercalar imagens fantásticas com efeitos sonoros hipnóticos.


Enviem, cinco preciosas estrelinnhas.

domingo, maio 16, 2004

O cinema que veio do mar

Desafio o pessoal cinéfilo a uma pequena reflexão...

No ano passado surgiram dois bons filmes vindos do mar:

Os piratas das Caraíbas e o Master And Commander.

Sendo duas visões totalmente distintas estes dois filmes conseguem criar duas obras de grande qualidade num território que outrora trouxe muitos desalentos aos estúdios.
Por um lado temos duas personagens principais interpretadas por dois carismáticos actores, Depp e Crowe que cada a seu estilo nos dão bons desempenhos.
Qual dos dois é melhor? Possivelmente o filme de Peter Weir ganhe alguma vantagem mas sendo estilos dão diferentes (um rigoroso e histórico, outro despretencioso e cómico).

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Este passado fim-de-semana vi o "Master and Commander" e mais uma vez fica comprovado perante os meus olhos que Peter Weir é mesmo um excelente realizador. Penso mesmo que poucos se aventuraram em tantos géneros diferentes com um sucesso sempre garantido (pelo menos de crítica). Weir é um mestre na maneira como filma, a fotografia é impressionante e a banda sonora consegue agarrar nos momentos chave do filme.
Sendo este um drama de sobrevivência no alto-mar, o psicológico das personagens está tratado com muita subtileza que nem a brutalidade de algumas cenas consegue retirar.
Mas o melhor é mesmo o argumento. Baseado numa obra extensa, o argumento consegue diálogos notáveis, situações surpreendentes e um final real.

Nota: 4,5 (0-5)

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sexta-feira, maio 14, 2004

O homem não se cala

A recusa da Disney em permitir à Miramax a distribuição de “Fahrenheit 911”, de Michael Moore, revelou-se tão inútil (depois de o cineasta se manifestar ligeiramente incomodado com o facto, a Miramax conseguiu obter os direitos da obra, que será distribuída por uma terceira empresa) como desastrada. Era certo que, de uma maneira ou outra, o documentário de Moore (a exibir na segunda-feira em Cannes) seria disponibilizado aos espectadores americanos (e não só). Ao procurar censurar as acusações do realizador do Michigan à família Bush, a Disney só contribuiu para aumentar o mediatismo da obra. Não só se adaptou ao modelo corporativista que o cineasta tanto critica, como serviu os interesses de Moore na perfeição.
De facto, ao apresentar-se como vítima da censura promovida pelas grandes empresas, o activista de esquerda reforça a sua imagem de justiceiro e “voz do povo”. A publicidade conferida pela polémica contribui para aumentar os seus lucros e permitir-lhe realizar novos projectos. Basta recordar o que aconteceu com o livro “Brancos Estúpidos…” (a propósito, quando chegará “Dude, Where´s my Country?”, o livro anti-Bush mais recente de Moore, a Portugal?), cuja publicação pareceu impossível após os atentados de 11 de Setembro e se transformou num “best-seller”.
Seria muito mais conveniente para os opositores irredutíveis de Moore deixá-lo mostrar livremente “Fahrenheit 911” e depois desmentir os eventuais equívocos e incorrecções do documentário. Quem já se queimou foi o Rato Mickey.

quarta-feira, maio 12, 2004

Comprimidos

“Prozac”, de Erik Skjoldberg

Com uma passagem bastante discreta pelas salas (estreou em Portugal em Junho do ano passado), “Prozac” é a adaptação de “Prozac Nation”, o livro autobiográfico de Elizabeth Wurtzel acerca da depressão e do recurso ao medicamento do título para a vencer. Christina Ricci é o centro do filme, ao interpretar Elizabeth, uma estudante de Harvard afectada pelo divórcio dos pais que a dada altura torna a vida dos amigos e da família insuportável.
Com um formato de filme independente (nem sequer falta a rapariga nua), “Prozac” é dominado pelas pretensões artísticas da montagem e da realização, que resultam quase sempre banais e forçadas. Apoiada na boa prestação de Ricci (mal acompanhada por Jason Biggs), a longa-metragem mostra, no entanto, ter uma história para contar e um tema a abordar seriamente. No entanto, a duração da fita (cerca de hora e meia) dificulta uma visão aprofundada da problemática da medicação e a tentativa final de alargar a perspectiva da personagem principal a todo o país acaba por ser artificial.
“Prozac” é por vezes interessante (embora não agradável, devido à violência psicológica de algumas cenas) de seguir, mas deixa a sensação de não ter explorado devidamente determinadas pistas para que aponta. Seja como for, é desconcertante.
Para terminar, algumas palavras de Eurico de Barros, com a sua habitual delicadeza de membro de júri de concurso da SIC: “Alturas há em “Prozac” onde a personagem está a pedir não psiquiatra nem medicação, mas sim um valente par de tabefes ou uns quantos açoites no rabo”.

segunda-feira, maio 10, 2004

Por aí II

No número deste mês da revista do Inatel, “Tempo Livre”, Joaquim Diabinho publica, como é hábito, pequenos comentários acerca de filmes prestes a estrear. No parágrafo sobre “Tróia”, descreve a reconstituição de época, ou seja, do século XII (o texto não especifica que se trata do XII a.C.), como “sumptuosa nuns casos e obsessiva noutros”. Sobre a interpretação de Brad Pitt, Diabinho afirma que é “quase convincente” (não percebo é se isso é um elogio ou uma crítica), tal como o trabalho do restante elenco. Alguns erros de revisão (a data da obra é 2003, o rei de Esparta chama-se Menelao, o nome de um dos actores é Peter O’ Tolle) não contribuem para a credibilidade da apreciação. Veremos. Por seu lado, Tiago Pimentel já redigiu uma crítica pouco agradável sobre o “blockbuster” homérico.

Não se pode confiar em ninguém. O último folheto distribuído pela ACAPOR (Associação de Comércio Audiovisual de Portugal) nos clubes de vídeo não apresenta um aspecto que mostrava anteriormente a consideração da associação pelo público: os quadros com os dados relativos aos custos e receitas de bilheteira das longas-metragens publicitadas (que revelavam por vezes tratarem-se de verdadeiros “flops”). Sobram apenas os “slogans” (como “Veja cinema em família”) e sinopses das últimas novidades (sendo “Um Golpe em Itália” identificado como “Confissões de uma Mente Perigosa”). Os três filmes que recebem maior destaque são “Kill Bill -Vol. I”, “Nascido para Ganhar” e, claro, “Terrorismo a Alta Velocidade” (com Jean-Claude Van Damme).

sábado, maio 08, 2004

Hora de balanço

O ICAM disponibilizou o “ranking” dos 50 filmes mais vistos nos cinemas portugueses entre 1 de Janeiro e 30 de Abril de 2004 (para além de dados mostrando como o número de bilhetes vendidos desceu todos os meses). Que aspectos merecem maior destaque?
Para já, o “top 5”: “A Paixão de Cristo” (479 157 espectadores e ainda em exibição), “O Último Samurai” (402 328 bilhetes vendidos), “Alguém Tem que Ceder”, “O Regresso do Rei” (estreado ainda em 2003) e “Scary Movie 3”. Entre os dez mais vistos, existe uma surpresa: “Lost in Translation”, na oitava posição (127 133). O mais curioso é que o filme de Sofia Coppola foi exibido em apenas 59 salas controladas pelo ICAM. Os outros 10 primeiros títulos da lista passaram em mais de 100 écrans.
A marca dos 100 mil espectadores, que parece indicar o verdadeiro êxito de um filme (em condições normais de distribuição) em Portugal, é ultrapassada apenas por 12 filmes. O sucesso (pelo menos a longo prazo) de outros títulos entre os 25 mais parece-me discutível (“A Casa de Campo” e “Gothika”, por exemplo). Abaixo dos 50 mil, é ainda mais duvidoso que alguém se lembre (como uma recordação agradável, pelo menos) daqui a dois anos de obras das quais se fala durante uma ou duas semanas e depois caem no limbo como “O Guarda-Fraldas” ou “Escolha Perigosa”. Existem, é claro, excepções de culto como “Belleville Rendez-Vous” (46º lugar).
O 50º classificado (“Looney Tunes: De Novo em Acção”) foi alvo de visionamento por parte de 19 628 seres humanos. Acontece que em toda a lista não há qualquer longa-metragem de origem portuguesa, num quadrimestre relativamente rico em estreias de fitas nacionais. O ICAM cumpre, assim, o seu dever de informar regularmente os portugueses acerca da irrelevância comercial do seu cinema.

quinta-feira, maio 06, 2004

Porrada

A impressão de existência de um confronto aberto entre realizadores portugueses com diferentes pontos de vista acerca do que deve ser o cinema nacional confirmou-se com a polémica entre João Mário Grilo e António-Pedro Vasconcelos. Tudo começou quando o cineasta de “A Falha” utilizou a sua coluna na “Visão” para atacar a nova Lei do Cinema, mãe do FIFACA (Fundo para o Investimento e Fomento das Artes Cinematográficas e do Audiovisual). O objectivo anunciado do Ministério da Cultura (criar condições para o aparecimento de uma indústria cinematográfica em Portugal) parece completamente insano a Grilo, que aponta a inexistência de um mercado para isso necessário e prova as suas dúvidas com o exemplo do “comercial” “Os Imortais”, de António-Pedro Vasconcelos (“cineasta de exemplar subserviência para com o poder político”, segundo Grilo), com um prejuízo de cerca de 2,8 milhões de euros.
Vasconcelos leu o artigo e sentiu-se ligeiramente incomodado com estas afirmações. Em artigo publicado na edição de hoje da mesma revista, dirige a Grilo simpáticos elogios como “criatura”, “ordinário” e “pantomineiro”. Apresenta custos ligeiramente inferiores do orçamento e um maior impacto público de “Os Imortais” (menos de um milhão de euros e não três milhões de custos, estreia com 30 cópias e não 40, 55 mil espectadores e não 40 mil) e acusa o seu colega de, basicamente, ser um parasita do Estado que produz fitas destinadas apenas a “minorias “cultas””, temendo o escrutínio popular.
No meio desta gritaria, quem devemos apoiar? Comparando “Os Imortais” e “A Falha”, a escolha é óbvia: António-Pedro é fixe. É certo que acaba por revelar que a sua última longa-metragem ficou, em termos de sucesso comercial, bastante aquém da anterior (“Jaime” teve, segundo o seu realizador, 220 925 espectadores). Não parecem haver, de momento, grandes candidatos a “blockbusters” lusitanos (filmes que parecem ser feitos para o grande público, como “Tudo Isto é Fado” e “Maria e as Outras”, passam bastante despercebidos). Mas porque não apostar numa “Revolução Industrial” no cinema português? É difícil ficar pior do que está.

terça-feira, maio 04, 2004

Real e com queijo

Queremos assinalar aparecimento do link do Royal with Cheese.
Pedimos desculpa ao autor (que ja tinha justamente reclamado)
mas houve um lapso a quando a publicação da última fornada de links.

Não somos maus colegas bloggers... somos despistados :)

domingo, maio 02, 2004

Mató Bill Vol. 2

Mais uma vez Tarantino surpreende tudo e todos. Depois do filme anterior ter Manga e lutas com mais sangue que uma matança do porco, Tarantino pisa o travão e dá aos personagem tridimensionalidade. Se pensarmos bem só a personagem de Lucy Lu é que é bem desenvolvida no primeiro filme. Neste todos os restantes recebem de Tarantino um tratamento igual.

Os diálogos são excepcionais com destaque para a conversa sobre os super-heróis, que mostratino na mesma forma de Pulp Fiction. O que dizer mais? Os dois filmes são apenas um com 4 horas, que separadamente são dois filmes com muito desequilibrio.

E para finalizar, estes filmes são o "Ninja das Caldas" com orçamento, realizador e actores de primeira linha. Pei Mei parece o mestre do "Ninja das Caldas", de um mau gosto genial.

E nota-se que houve um gozo do caraças a fazer este filme.

Culto instantaneo...

5 (0- 5)

sábado, maio 01, 2004

Menos ais

"Kill Bill - Vol. 2", de Quentin Tarantino

Depois da sangreira de Outubro (na minha opinião, sendo impossível levar tanto vermelho a sério, as cenas de acção do primeiro volume acabam por entreter imenso), é com alguma surpresa que se vê uma série de cenas lentas, com diálogos calmos e pausados (até demais) e tudo a acontecer sem grandes sobressaltos, ao longo de incontáveis citações cinéfilas. Mas, no final, o que apetece dizer, não só deste segundo volume, mas da obra completa, é que graças a ela se passaram horas bem agradáveis no cinema. Superficial e profundo, violento e tocante, "Kill Bill", não sendo perfeito, é realmente muito divertido (um filme não precisa de ser uma comédia para divertir, acho eu).
Uma Thurman, David Carradine e Daryl Hannah compõem figuras emblemáticas, guiados pela mão de mestre de Tarantino, que atrai franjas bastante diversas de público (desde fãs de artes marciais e apreciadores de cenas sem imagem a especialistas em BD americana, que têm aqui uma tese polémica para discutir), ou não fosse ele o realizador do momento. Qualquer notícia sobre ideias para o seu próximo projecto só nos pode deixar a salivar...
A melhor cena: Kiddo toca na mão de Bill.
A pior cena: Budd é dispensado por Larry.

Nota: 9/10.
Nota global: 9/10.

Media

É intrigante o facto, de, após tanto tempo a trabalhar em Hollywood e entrevistar tudo quanto é estrela (fazendo perguntas sempre iguais, o que é um mal habitual das entrevistas a actores), Mário Augusto (SIC Notícias) falar inglês com um sotaque português tão carregado. O seu programa, “35mm”, sofre também pela tradução fraquinha das falas dos excertos de filmes exibidos (“I’m the man”/“Sou homem”, por exemplo).
A “Premiere” opta, ultimamente, por inserir legendas curiosas nas imagens dos filmes criticados. Os pequenos textos satíricos oscilam entre o engraçado e o engraçadinho. Saúda-se a irreverência, mas às vezes o autor desconhecido das larachas erra por pouco o alvo.
Na “Grande Reportagem” de hoje, existe um erro cinéfilo, da responsabilidade de Ana Gomes ou de quem registou as suas respostas ao inquérito. Gomes refere-se ao trabalho de Peter Sellers no filme “Good Bye Mr.Chance”. Provavelmente, fala de “Being There” (1979), conhecido em Portugal por “Bem-Vindo, Mr.Chance”.