terça-feira, outubro 26, 2004

Prazo de validade prestes a expirar?

No próximo sábado, é vendido com o "Expresso" o DVD de "Fahrenheit 9/11", de Michael Moore. Apenas três meses depois da estreia nos cinemas (estando ainda em exibição em algumas salas), o documentário chega ao formato caseiro. Parece-me que, por vezes, as distribuidoras não esperam seis meses para lançar a versão em DVD das fitas já exibidas ("Starsky & Hutch" estreou em Abril e chegou ao mercado de aluguer em Setembro). No caso do filme de Moore, é óbvio o motivo de tanta pressa e da iniciativa do "Expresso": daqui a uma semana se saberá se o realizador de Flint contribuiu para retirar do poder o seu arqui-inimigo ou esse objectivo foi dolorosamente frustrado (falharam, ao que parece, os esforços de Moore para exibir "Fahrenheit 9/11" na televisão antes das eleições).

Para provar que não se trata de um documentário qualquer, mas sim de "um dos filmes políticos mais polémicos de sempre", a última edição do semanário inclui, no suplemento "Actual", artigos de opinião divergentes sobre a obra, não só de críticos de cinema da publicação mas também de bloguistas (Daniel Oliveira e João Pereira Coutinho) que consideram as teorias de Moore válidas e indesmentidas ou, no caso do segundo, uma ridícula propaganda da pior espécie.

quarta-feira, outubro 20, 2004

Stiller & Wilson

“Starsky & Hutch”, de Todd Phillips

Acima de tudo, a versão cinematográfica de “Starsky & Hutch” (não posso compará-la com a série televisiva dos anos 70, porque não a conheço) é mais um filme da dupla Ben Stiller-Owen Wilson. São dois actores que funcionam muito bem juntos e protagonizam alguns dos melhores momentos da comédia americana dos últimos anos. Aqui quase todo o filme passa por eles e a aposta resulta, apoiada em algumas ideias de comédia inegavelmente eficazes (incluindo até as cenas à volta da homossexualidade, normalmente infelizes neste tipo de filmes), num cenário deliciosamente revivalista, com música, penteados e vestuário dos “setentas” (o Ford Torino também é fantástico).

A parte policial do enredo não funciona tão bem, recorrendo-se a clichés para o fazer avançar e sendo escassamente explorado o contraste entre as personalidades dos agentes (que depressa ficam amigos e, depois de uma breve e dolorosa zanga, reconciliam-se emocionados...). O trabalho de Philips não é nada de especial, limitando-se a acompanhar as exibições de Wilson e Stiller.

“Starsky & Hutch”, que atraiu, de acordo com o ICAM, 88.044 espectadores em Portugal (um êxito relativo), é uma obra leve que, sem nunca ser hilariante ou acrescentar muito ao género humorístico, constitui uma divertida “reconstrução histórica” e mais uma prova do talento dos dois protagonistas.
A melhor cena: Big Earl “vende” informações aos dois polícias.
A pior cena: Starsky e Hutch são suspensos.

Nota: 6/10.

P.S. O fim anunciado do Kamikaze, de David Ferreira, é uma perda importante para a blogosfera cinéfila. Como pode desistir ao fim de pouco tempo um bloguista cujo espaço revela qualidade (de escrita e conteúdo) e verdadeiro interesse pelo cinema? As razões apresentadas merecem plena discordância...

segunda-feira, outubro 18, 2004

News

Eis aqui a lista dos dez filmes mais vistos nos cinemas portugueses entre 1 de Janeiro e 30 de Setembro:

“Shrek 2”
“A Paixão de Cristo”
“Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”
“O Dia Depois de Amanhã”
“O Último Samurai”
“Homem-Aranha 2”
“Tróia”
“Alguém Tem que Ceder”
“Rei Artur”
“O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei”

A única novidade em relação ao “top” de um mês antes é a entrada de “Rei Artur” (o qual, juntamente com “Garfield”, em 11º lugar, prova que as opiniões da crítica nem sempre combinam com os números das bilheteiras). Tendo em conta os filmes da lista dos 50 mais que ainda “mexem”, é provável que “Terminal de Aeroporto” (já com mais de 200 mil espectadores em 6 de Outubro) entre em breve para a “elite”. Quanto a “A Vila”, ainda em 47º lugar no final de Setembro, pode subir dezenas de posições. No entanto, acho que o topo do rol do ICAM não deve sofrer grandes alterações até ao final do ano, a não ser que “The Incredibles” repita o sucesso do seu predecessor na carreira da Pixar.

Já estreou nos EUA (em terceiro lugar nas bilheteiras, uma boa prestação na altura em que “O Gang dos Tubarões” obtém grande sucesso) o novo filme de Trey Parker e Matt Stone, "Team America: World Police". As marionetas que protagonizam a nova aventura dos criadores de “South Park” caricaturam quer a desordem mundial (enfrentando o terrorismo e as armas de destruição maciça) quer os filmes de acção feitos actualmente em Hollywood (um “remake” de “O Dia Depois de Amanhã” era uma das primeiras ideias da dupla), numa crítica político-cinéfila que cumpre o objectivo de irritar vastos sectores da população. A direita não aprecia o sentido de humor do filme (com a guerra ao terrorismo não se brinca) e a esquerda também não fica contente ao ver as peripécias das marionetas que representam activistas anti-guerra como Sean Penn (que protestou numa carta aberta), Susan Sarandon e Michael Moore. Recordando a forma carinhosa e respeitosa como Parker e Stone tratam as celebridades americanas, não é difícil imaginar a razão de tanta hostilidade. Quando chegará a Portugal (oxalá estreie no circuito comercial, ao contrário de “South Park: O Filme”) esse novo marco do ofensivo e do politicamente incorrecto?

domingo, outubro 17, 2004

Os Planetas dos Macacos

Como grande fã de livros e filmes de ficção, não sei explicar porquê, mas o Planeta dos Macacos nunca me despertou grande curiosidade.
Vi a versão de Burton e gostei embora ache que vi como fã do realizador e não como fã da obra de sci-fi.

Para os que não sabem, Pierre Boulé escreveu o Planeta dos Macacos como uma espécie de homenagem ao livro "As viagens de Gulliver" e ao seu autor. Para quem conhece as duas obras facilmente se percebe que são sátiras bem fundadas à natureza humana.
Boulé com este tipo de escrita passou anos complicados (era designado comunista e foi perseguido) e nem sequer pode receber um merecido óscar pelo magnífico Ponto sobre o Rio Kwai (outra metáfora sobre a natureza humana).

Quanto aos filmes do Planeta dos Macacos agora que vi ambos (os mais dignos), não encontrei assim uma diferença tão grande entre os dois como tantas vezes se disse quando a versão mais recente saiu.

Embora um tenha o peso dos anos (que até é bem suportado) a história e os locais narrativos até são bastante semelhantes. Penso que Burton construiu um filme substancialmente diferente mas num aspecto mais global.

Na versão clássica, o Homem destruiu o planeta e os macacos seguiram a evolução tal como o Homem o havia feito. Na versão Burtoniana, o macaco e o humano são duais, ao dominio de um será a subjugação do outro, são dependentes um do outro na escalada pela evolução.
O filme de Burton explica-se bem melhor quando pensamos no Universo do realidador uma vez que Leo Anderson e Thade personificam magistralmente o herói e o vilão do cinema de Burton.


Quanto a finais clássicos e surpresas, a versão clássica apresenta um final graficamente muito interessante mas demasiado americano onde Heston força um over-acting com a clássica deixa: "Danm You".
Burton cria um final onde a referência americana é ridicularizada pela figura do general Thade. Sinceramente gostei mais do final de Burton que é menos prevível e requer um maior esforço mental e de critica para não dizermos: "Que porcaria!! Qual é a lógica disto?!"

sexta-feira, outubro 15, 2004

Opinar...

Quando afirmo que o filme do quarto Indiana Jones poderá ser uma realidade
falo baseado em dados concretos, falados por Spielberg, Ford e Lucas.

Não sou um expert em cinema mas quanto ao meu lado de fã de Indiana Jones poucos me batem...

João André pode não gostar dos filmes que eu gosto e ter gostos diferentes e tal é bom para a discussão.
O que não é bom é tecer comentários sem certezas (às vezes parece que é só para contrariar...)

Quanto aos seus filmes de aventuras nada a dizer. Gostos e cores não se comparam.

Mas disse ainda:
"Quanto ao Indiana Jones, desengana-te. O projecto anda anunciado
desde há uns 10 anos e nunca mais andou.
Uma vez que o Harrison fFord não está propriamente a ficar mais novo,
é duvidoso que venhamos a ver este 4o capítulo. "

A saber: existe um argumento finalizado para o quarto Indiana Jones feito por Frank Darabont
e aprovado por Spielberg e Ford já comunicado por todos.
No entanto Lucas não gostou totalmente dele e como os três têm um acordo,
só irá para a frente com o pleno gosto de todos.

Actualmente Lucas e Stuart Beattle estão a rescrever partes do argumento. Como Lucas está no Episódio 3 do Star Wars o projecto atrasou-se. Spielberg diz que possivelmente o projecto será para depois da Guerra dos Mundos em 2006.

Quanto à idade de Ford, parece que o argumento aproveita isso mesmo.
Parece que o herói é obrigado a volta à acção...
Spielberg diz mesmo que nos Salteadores Indy dizia: "Honey, is not the age, is the mileage".
Neste argumento o fundamental é "Honey is the age not the mileage"

E para confirmarem o que digo aqui vai o link.

segunda-feira, outubro 11, 2004

O regresso à grande aventura

Quando será o regresso à grande aventura? Esta pergunta percorre o meu pensamento desde que saiu o último filme da saga Indiana Jones. No entanto sabendo que possivelmente vão fazer um quarto a dúvida parece desaparecer...

Mas que filme de aventura dignos de relevo surgiram desde 89?Qual o melhor filme de aventuras que surgiu neste período?

Joe Johnston parece ser o realizador que vai na frente com dois filmes de aventuras dignos de referência: Hidalgo e Rocketeer. Sinceramente são dois filmes bastante interessantes e parecem feitos na antiga máquina dourada de Hollywood, fundamentalmente Rocketeer.Hidalgo é um filme de aventuras muito competente, com um elenco forte e uma realização correcta. Possivelmente fraqueja a nível da montagem com cenas demasiado longas e não conseguindo ser frenético como os serials de Spielberg.

Rocketeer é um sonho feito realidade. Consegue de maneira fantástica transmitir aquela loucura do sonho do homem voador misturado com sci-fi dos anos cinquenta (que voltará em Sky Captain and the World of Tomorrow).

Pegando em filme baseados em serials lembro-me da Máscara de Zorro produzido na memória dos filmes de Sábado à tarde das aventuras de Zorro. Actualmente estão a filmar uma sequela que promete trazer toda a equipa de volta tirando Hopkins que era o coração do filme.

Mas torna-se um grande exercício de memória recordar bons filmes que mereçam ser mencionados. Indo ao imdb lembro-me de uma película de Johnston (afinal era três) que é um filme de aventuras muito divertido: Jumangi. O filme é uma loucura frenética do início ao fim, com efeitos especiais irrealistas mas totalmente enquadrados com o humor negro do filme.

Para finalizar lembro-me da montanha russa do ano passado, Piratas das Caraíbas com a melhor personagem de aventuras desde o Indiana Jones: Jack Sparow. Tendo o produtor que tem, resisti muito a ver este filme. Mas quando saiu em dvd tive a coragem necessária para finalmente o ver e adorei. Simples, eficiente e muito divertido. Depp é Deus!


Em resumo:Rocketeer - 17 (0-20)
Hidalgo - 14 (0-20)
Jumangi - 15 (0-20)
Piratas da Caraíbas - 17 (0-20)
Máscara de Zorro - 16 (0-20)

A grande estreia no campo da aventura é Sky Captain que parece ser um bom filme ao estilo de ficção dos anos cinquenta.

domingo, outubro 10, 2004

Dois (ou mais) lados

“Os Friedman”, de Andrew Jarecki

E a verdade é que o documentário cinematográfico existe. Existe e recomenda-se. Este ano, as estreias de “Os Friedman”, “Fahrenheit 9/11” e “Super Size Me – 30 Dias de Fast Food” chamam mais do que nunca a atenção sobre o género e as suas possibilidades, tanto artísticas como comerciais. No caso do filme (nomeado para o Óscar de Melhor Documentário) de Jarecki, mostra-se que, embora fugindo à lógica de intervenção e “entertainment” de Moore e Spurlock, é possível fazer um trabalho interessante de seguir e que não abdica do rigor e de uma abordagem sem simplismos de problemas sensíveis.

O grande trunfo da obra é a confiança que o realizador consegue obter por parte dos seus múltiplos entrevistados (nomeadamente os próprios Friedman, cuja colaboração era essencial para o projecto), que fornecem depoimentos impressionantes. As imagens televisivas, fotográficas e de vídeo amador completam e contextualizam as informações, acentuando o carácter verídico da narração. Mais do que os planos captados por Jarecki (sem grande valor estético), são os de David Friedman e outros “cineastas” que mostram o que esteve por trás do caso.

É possível dizer que se trata de um filme cheio de reviravoltas, uma vez que são revelados pouco a pouco os detalhes sobre a vida das personagens, obrigando a novas perspectivas destas. À medida que se multiplicam os indícios, apontando para todos os sentidos (vários testemunhos são completamente opostos), mais dúvidas são criadas no espectador, que acaba por não tomar partido, tal como o próprio realizador pretendia. Como seria de adivinhar pelo tema (pedofilia), os documentos revelam pormenores escabrosos e difíceis de absorver. No entanto, vale a pena conhecê-los para tentar compreender (e não só julgar) o fenómeno.

Claro que este caso particular faz pensar noutras situações do género, as quais deveriam ser tratadas com a serenidade e a ausência de aproveitamento emocional aqui presentes, num bom filme incluído num DVD sem extras (à excepção dos “trailers” de três futuros lançamentos da LNK).

Nota: 7/10.

P.S. Um abraço para Correia Ribeiro, Sara David Lopes e todos os outros tradutores que produzem as legendas dos filmes que vemos por cá. Apesar dos erros que por vezes cometem, é bem melhor ler o trabalho deles que ouvir dobragens (desnecessárias em filmes de imagem real).

sábado, outubro 09, 2004

Cinema X

Na altura do concerto comemorativo dos 25 anos, é interessante relembrar a ainda breve ligação dos Xutos & Pontapés ao cinema. Nesse campo, os trabalhos mais visíveis do grupo fizeram parte da banda sonora dos filmes “Tentação” (1997) e “Inferno” (1999), de Joaquim Leitão.
Para o primeiro (ainda o maior sucesso de bilheteira feito em Portugal), os Xutos criaram o tema “Para Sempre”, ao qual foram acrescentadas mais sete canções reunidas em “Tentação” (para além deste álbum de 1998, só “Esquece Tudo o que Te Disse”, dos Azembla’s Quartet, teve origem na BSO de uma longa-metragem portuguesa). “Inferno” deu origem a duas canções com o mesmo título incluídas em “XIII” (2001), surgindo a “Parte II” no genérico final do filme (é, aliás, um dos escassos pontos positivos dessa obra de Leitão).
Pelo meio, registou-se uma breve participação de Tim e Zé Pedro na curta-metragem “Alta Saciedade” (1997), de Carlos Assis. Mas não foi a última aparição de um membro dos Xutos à frente das câmaras. Zé Pedro faz parte do elenco de “Sorte Nula”, a nova obra de Fernando Fragata (“Pesadelo Cor-de-Rosa”), a estrear em Dezembro. Na banda sonora dessa comédia (?), encontra-se, é claro, um tema dos Xutos (“O Mundo ao Contrário”, do trabalho homónimo).
Integrar nos filmes “comerciais” nacionais composições “rock” ou “pop” de músicos que toda a gente conhece (como aconteceu também com os Delfins, Rui Veloso ou Pedro Abrunhosa) parece-me uma boa estratégia. Não é que isso traga por si mesmo multidões às salas, mas, com bandas como os Xutos & Pontapés, é garantia de uma banda sonora de qualidade (que sempre ajuda a apreciar a fita na qual se inclui).

domingo, outubro 03, 2004

Surpresa!!!

Sinceramente o realizador M. Night deveria começar a ter cuidado com a insistência na marca autoral do twist. A sua vulgarização é algo que cada vez mais parece patente nos seus filmes.

A Vila é um grande filme. Sim, mesmo possivelmente o melhor do autor, até ao twist que o vulgariza e que me deixou sem saber o que pensar. Tudo é bom no filme até esse momento: actores, fotografia, direcção e montagem mas o argumento fraqueja em nã oprocurar caminhos mais inovadores ou arriscar em não satisfazer os que vão ao cinema ter um "orgasmo" por conseguirem adivinhar o final antes de tempo.

Sem me alongar demasiado (acho que não se deve falar demasiado neste filme por causa das suas surpresas) o realizador desta vez mostra que procura filmar personagens e sentimentos humanos, simples e desconcertantes. Esse aspecto do filme é magnífico e consegue ter a poesia dos filmes dos anos 50/60 onde a inocência do ser humano passa para o lado de cá.

Não sabendo bem o que pensar do filme dou 4 (0-5) mas mais tarde voltarei a este filme uma vez que aqui está escondido um objecto de diversos olhares e análises. Quem sabe numa segunda visão aumente a pontuação?

sexta-feira, outubro 01, 2004

Apontamentos

Agora que já passou 75% do ano, posso fazer o ponto da situação quanto aos melhores de 2004 (ainda apenas os seis primeiros):

1. "Terminal de Aeroporto"
2. "Kill Bill -Vol. 2"
3. "Na América"
4. "Shrek 2"
5. "Lost in Translation - O Amor é um Lugar Estranho"
6. "A Vila"

Quanto às estrelas que surgiram (ou se destacaram definitivamente) desde 1 de Janeiro, é possível apontar, por ordem aleatória, os nomes de:

Jim Caviezel, Scarlett Johansson, Keira Knightley, Michael Moore, Morgan Spurlock, Bryce Dallas Howard, Jamie Foxx

Sobre o cinema português, bem gostava de anotar qualquer coisa, mas não vi nada até agora... No entanto, neste trimestre vão aparecer nas salas pelo menos quatro longas-metragens nacionais: "Kiss Me" (António da Cunha Telles), "A Costa dos Murmúrios" (Margarida Cardoso), "Sorte Nula" (Fernando Fragata) e "Tiro no Escuro" (Leonel Vieira).

segunda-feira, setembro 27, 2004

A fronteira

“A Vila”, de M. Night Shyamalan

O nome Shyamalan possui já um significado inconfundível no mundo do cinema. Os quatro filmes “oficiais” do realizador definiram um estilo próprio, gerando reacções diversas mas conquistando, de uma forma geral, os aplausos do público (“O Sexto Sentido” e “Sinais” foram grandes sucessos) e da crítica. As semelhanças entre as obras do cineasta de Filadélfia (que, mantendo a fórmula, nunca faz uma fotocópia da longa-metragem anterior) favorecem as comparações e colocam à partida determinadas expectativas.

Quanto à avaliação comparativa, posso dizer que “A Vila” não alcança a qualidade de “Sinais” (a melhor obra, até agora, de Shyamalan), mas é um bom filme, tal como os dois primeiros. Já as expectativas de muito “suspense” e medo do desconhecido, tal como de um argumento recheado de surpresas e reviravoltas, concretizam-se plenamente, embora sejam insuficientes para descrever toda a fita, que é, afinal, uma dramática história de amor.

Os desempenhos de Joaquin Phoenix e Bryce Dallas Howard (uma das revelações do ano) aguentam a narrativa, por vezes algo lenta ou com um ar demasiado “artificial” nos diálogos (os detractores do filme podem satirizar a teatralidade oitocentista da vila ou o aspecto das criaturas do bosque, mas, curiosamente, tudo isso acaba por fazer sentido). Shyamalan nunca deixa, no entanto, que “A Vila” aborreça e apresenta boas personagens (incluindo os secundários de Adrien Brody e William Hurt) filmadas com uma acentuada sensibilidade, além da habitual capacidade de mexer o espectador através dos planos imprevistos.

A reviravolta final (não vale a pena escrever SPOILERS e depois comentá-la em pormenor, porque a curiosidade é sempre mais forte) é tão marcante e bem concebida como a de “O Sexto Sentido”, concluindo brilhantemente um filme competente sobre o medo (sim, já sei, os ares do tempo…) e o amor. Ainda não foi desta que o “novo Spielberg” desiludiu.

A melhor cena: Shyamalan lê o jornal.
A pior cena: Ivy revela a Lucius o noivado de Kitty.

Nota: 7/10.

P.S. Não gostei muito de nenhum dos “trailers” que vi, mas uma das próximas estreias que pode ter interesse é “Rrrrrr!”, a comédia paleolítica de Alain Chabat, com um humor simples e criativo idêntico ao de “Astérix e Obélix: Missão Cleópatra”. No campo das “americanices”, temos os pouco prometedores “Catwoman” (a publicidade permite compreender o linchamento público do filme) e “Ladder 49” (para saber que a vida de bombeiro é dura, basta ver no telejornal, não é preciso ir ao cinema e assistir a clichés).

domingo, setembro 26, 2004

Inspiração Burtoniana

Ontem tive o previlégio de ver a peça "The Scum Show" levemente baseada no livro "O Rapaz Ostra e Outras Estórias" de Tim Burton. Embora esteja fora do tema principal do blogue não énada demais publicitar a qualidade da peça.

Tudo começou porque sou um grande fã dos "The Gift" e um colega mandou-me uma notícia do Diário Digital onde se fazia referência a essa peça que tinha banda sonora do grupo de Alcobaça. Fui ao site e deparei-me com algo diferente. Quando li sobre a peça a já grande curiosidade de fã dos "The Gift" aumentou sabendo que era inspirada nos textos de Burton.

Marcámos para sábado e esperei desesperadamente...

Ontem vi então a peça e comprei a banda sonora. Fantástico, simplesmente fantástico
a todos os níveis: actores, texto, tratamento visual e banda sonora.

No entanto é incrível como se deixa esquecido nos media algo como esta peça. Quantas coisas sinceramente más nos colocam diante dos olhos e acabamos por pensar ver devido à curiosidade criada. Será que consideram estas peças pouco comerciais? E Tim Burton é pouco comercial?

Tim Burton não é comercial mas é muito apreciado e somente isso poderia ser um tónico mais que suficiente para promover uma peça que é original e extremante bem "realizada".

Para os fãs de Burton, as referências são evidentes. Trata-se de uma história de amor entre dois excluídos da sociedade num lugar de criaturas estranhas como por exemplo´o Homem Cinzento, o Homem de Veludo, a Mulher Verde, a Parteira de Ferro e as Crianças Mutantes.

Se eu me lembrar que estavam na primeira fila umas cinco crianças a delirar com a peça poucos argumentos deixo para quem pensa que só se devem apoiar sempre as mesmas entidades e receitas na cultura portuguesa.

Este cantinho à beira mar plantado sinceramente não tem cura...

Vingança Furiosa

Se quiserem uma obra-prima sobre vingança vejam Kill Bill.
Se quiserem mais um filme sobre vingança, veja Man on fire.

O novo filme de Tony Soctt não é mau mas sinceramente poderia ser bem melhor. Denzel Washington até tem o desempenho adequado e os secundários são competentes, mas a realização do filme por vezes é demasiado melosa.

As ideias da realização no México poderia ter dado ao filme um aspecto visual diferente e ao mesmo tempo a hipótese da fuga ao lugar comum do filme americano. Tal não aconteceu e Tony Scott empresta ao filme uma realização à lá Michael Bay misturada com as bandas sonoras à lá Quentin Tarantino.

Scott já realizou filmes potáveis e este também o é mas por pouco. Se Denzel não tivesse um desempenho tão bom o filme era mesmo penoso de assistir.

Mas o que faz o filme falhar? O filme leva-se demasiado a sério. O argumento está bom e o que me parece é que o material de origem não era bom à partida. "Salganhada" cinematográfica somente resulta pela mão de Tarantino! Esqueçam a imitação porque se dão sempre mal.

O filme tem um final falhado que daria uma conclusão muito mais interessante e o filme terminaria de uma maneira muito mais realista. Mas não, correu para o caminho mais sentimentalão dando quase mais meia-hora ao filme.

Classificação 10 (0-20)

quarta-feira, setembro 22, 2004

Hornby

Os irmãos Farrelly já filmam a sua nova comédia romântica, “Fever Pitch”, com Jimmy Fallon e Drew Barrymore nos papéis, respectivamente, de um adepto fanático da equipa de basebol dos Boston Red Sox e da sua namorada. Desta vez, não se trata de um argumento original dos manos escandalosos, mas de uma adaptação para a “realidade americana” do livro homónimo do escritor inglês Nick Hornby. “Febre no Estádio”, como é conhecido em Portugal, já foi levado ao cinema em 1997, numa produção britânica com Colin Firth como protagonista, interpretando a personagem criada pelo argumentista (Hornby) a partir do relato da sua própria vida de adepto do Arsenal.

Já depois dessa adaptação, por duas vezes Hollywood pegou em romances de Hornby (“Alta Fidelidade” e “Era uma Vez um Rapaz”) e transformou-os em longas-metragens que, sem obterem receitas de vulto, tiveram alguma visibilidade. As características dos trabalhos do romancista, recheados de diálogos e referências à cultura “pop” (as personagens de Hornby vêem e comentam filmes como “Cães Danados”, “O Império Contra-Ataca”, “O Feitiço do Tempo” ou “Erin Brockovich”) tornam-nos especialmente propícios a filmagens.

O filme de Stephen Frears (2000) é particularmente bem concebido, com John Cusack e o hilariante Jack Black bastante adequados às figuras imaginadas pelo autor e uma transposição da acção de Londres para Chicago sem grandes prejuízos (a música “rock” que se ouve dos dois lados do Atlântico não é assim tão diferente). Uma história romântica sem grandes peripécias mas bem contada, superando a qualidade da obra literária (eu li-a antes de ver a fita). Já a experiência dos irmãos Weitz (2002) de adaptação de “About a Boy” não resulta tão bem (a passagem da narrativa de 1993-94 para os nossos dias levou a algumas mudanças no final, que se tornou previsível), embora seja um filme divertido e bem interpretado.

Quanto ao projecto dos Farrelly, certos aspectos motivam desconfianças. Basebol e futebol não parecem (não podem?) ser a mesma coisa, enquanto o estilo dos realizadores parece ainda ter pouco a ver com histórias mais subtis e “sensíveis” (embora tenham evoluído com “O Amor é Cego”). No entanto, “Febre no Estádio” (estreia em Outubro de 2005) pode até ser mais fiel ao espírito de Hornby que aquilo que parece à primeira vista. Um resultado mediano ou uma proposta surpreendente?

terça-feira, setembro 21, 2004

A trilogia das três cores: Azul

Krzysztof Kieslowski começou em 1993 com este magnífico filme a trilogia das 3 cores. A minha namorada desde que nos conhecemos fala muito destes três filmes e fundamentalmente do Azuk Neste ponto de vista a minha expectativa era realmente elevada.

O filme consegue superar as minhas mais altas expectativas e é possivelmente o melhor drama francês que tive a oportunidade de ver. O filme tem uma fotografia notável e Binoche tem o desempenho da sua carreira.

O que é incrível é o minimalismo do argumento a nível de personagens e dos seus diálogos. Tudo se passa para o lado de cá subtilmente, não por se ter dito mas sim pela sensibilidade da realização e dos actores. E o simbolismo da cor?

Reparei num detalhe muito giro. O Azul é retirado das cenas da nova casa de Julie. Quase que nos dá a sensação que a cor representa o passado que quer esquecer. Na nova casa de azul só existe o candeeiro da filha, a melhor recordação que lhe ficou da anterior fase da sua vida.

Outro pormenor interessante é que a partidura está sempre numa pasta azul. Será mais uma referência a esse passado que se quer esquecer?

Para terminar (acho que vou voltar a este filme ainda outra vez) a banda sonora é absolutamente fabulosa. A integração da banda sonora no filme e fundamentalmente nas cenas de composição da partidura e no final é perfeita.

Em conclusão: embora não seja um apreciador do cinema dramático francês, este filme faz-me ver eese Mundo cinematográfico com outros olhos. Os lugares comuns habituais do cinema francês em nada surgem neste filme, tendo ele contornos muito próprios.

Enfim, uma referência e um dos melhores filmes que já vi.
Este sim merece que actualize brevemente as imagens dos meus filmes preferidos mas ainda vou ver os outros dois da trilogia...

Classificação: 19 (0-20)

sábado, setembro 18, 2004

Lançamentos esquecidos nos Media

Agora só se fala do lançamento da Trilogia Star Wars. Será esse o grande lançamento do ano em DVD? Provavelmente é tal como foi o pacote do Indiana Jones no ano passado. Mas e edição em DVD por terras lusas de Blue, Blanc, Rouge?

Não é esta uma das mais importantes trilogias dos anos 90 e sobretudo do cinema Europeu?
O peso dos media consegue a meu ver realçar sobretudo o que já não precisa de ser realçado* e esquece o que realmente deve ser apoiado e sublinhado.

(eu vou comprar no dia 23 garantidamente a trlogia Star Wars mas não preciso de estar constantemente a ser bombardeado pela publicidade. Conheço os filmes, adoro os filmes e estou curioso com algumas cenas e com os extras mas não preciso que a publicidade crie a minha decisão tal como a milhares de compradores garantidos)

sexta-feira, setembro 17, 2004

Classificação - comentando o blogue Série B

A classificação para mim não passa de um mero indicador das sensibilidades do "crítico". Quando se lê um "crítico" durante um bom período de tempo, as classificações dão ao leitor a referência que ele necessita para criar a sua própria opinião e/ou decisão (se por exemplo pretende ver o filme).

Quanto a se pensar numa métrica exacta utilizada com todo o rigor penso que não é sequer praticável. Por exemplo, se eu pensar no drama que mais gostei (de sempre), Magnolia dou-lhe naturalmente a escala máxima de 5 em 5. No entanto pensar no filme Elephant (que adorei mas não tanto como Magnolia) e escrever uma crítica onde coloque 4 em 5 iria provocar um motim bloguista e estaria a ser incoerente com a minha sensibilidade.

Quanto a "The Terminal" penso ser mesmo um dos melhores filmes do realizador.

quinta-feira, setembro 16, 2004

Esperança

“Terminal de Aeroporto”, de Steven Spielberg

Sim, mais uma grande obra de Spielberg. Mais um sucesso de crítica (com algumas excepções) e de bilheteira. Mais uma fita doce, comovente e politicamente correcta. Mais um filme para toda a família. Mais um triunfo na votação dos melhores filmes do ano promovida pelo Cinema 2000 (e, talvez, o grande vencedor dos primeiros prémios da ABCine). È obrigatório ver “Terminal de Aeroporto”, pelo menos para saber que coisa é essa de que toda a gente fala.

Como pontos fracos do filme, é possível apontar a transformação forçada de Viktor Navorski num assunto pessoal para a personagem de Stanley Tucci (sem perfil para vilão) e uma certa debilidade de Amelia Warren (Catherine Zeta-Jones), presente em alguns momentos dispensáveis. Quanto aos “gags” mais básicos, não são muito frequentes, evitando-se assim que constituam um obstáculo à evolução narrativa.

Tom Hanks é, obviamente, o grande trunfo desta longa-metragem. Soberbo, magnífico… nenhum adjectivo serve para qualificar o seu trabalho. A demora na atribuição do terceiro Óscar começa a ser um escândalo (será desta?). Os secundários cumprem eficazmente o seu papel, enquanto Spielberg não desilude e mostra como se conta uma boa história.

Acima de tudo, “Terminal de Aeroporto” cumpre os seus objectivos: distrair e descontrair um público habituado a notícias tristes. Numa América desconfiada e anormalmente fechada sobre si própria (o filme contém algumas referências a esse clima), Spielberg procura manter a crença no triunfo da bondade humana, do amor familiar, da convivência de culturas e da revolta contra o poder e a burocracia. É preciso crescer e enfrentar a realidade? Talvez, mas só depois de sair da sala de projecção.

A melhor cena: Viktor revela o conteúdo da lata.
A pior cena: Dixon manifesta a Navorski a sua aversão.

Nota: 9/10.

P.S. Entre mulheres que se fazem passar por travestis (“Connie e Carla”), negros que se fazem passar por loiras (“Loiras à Força”) e algo que não se percebe bem o que é (“Catwoman”), surge o “trailer” de “A Vila”, que aposta sobretudo no nome do realizador (com apenas três filmes conhecidos de todos, dos quais são apresentados excertos) e na sua fórmula “medo do que não se vê”. Shyamalan estabeleceu em pouco tempo um estilo próprio e facilmente reconhecível (inclusive pela qualidade).

Problemas da NETCABO

Devido a problemas na NetCabo onde estão alojados os ficheiros da interface gráfica do Blog Pipoca Rasca, o aspecto do Blog encontra-se comprometido.

Farei os possíveis para resolver o problema e o mais rápido possível.

Fernando

(serei mais um na lista dos que odeiam a PT e a sua incompetente NetCabo)

segunda-feira, setembro 13, 2004

O Terminal

Realmente fico sem palavras quando vejo um filme como este. Outrora aconteceu-me o mesmo quando tive a oportunidade de rever ET no cinema. Só passados 3 dias após a visão do filme me arrisco a escrever sobre ele.

Como disse Tiago Pimentel na sua magnífica crítica no seu blog e na Premiere, este filme faz-nos sentir o que é vulgarizado e impedido pela sociedade que nos rodeia. Spielberg consegue de uma maneira genial nunca ser lamechas mas toca-nos bem fundo com a personagem de Hanks e todos os secundários que o rodeiam.

Gostei muito do filme anterior do realizador mas acho que este consegue ir ainda mais longe na visão Humana que põe na personagem principal. O Mundo nunca mais será o mesmo depois da passagem de Viktor. Uns estão preparados para tal, outros não.

E o mesmo acontece a quem vê este filme...

Voltando à premissa do filme Spielberg consegue tirar da cartola um Tom Hanks de comédia absolutamente delicioso. Questiono-me se a comédia é um género inferior? Porquê?

Onde tem andado o Tom Hanks que conhecemos em Big, capaz de uma comédia fisíca e burlesca só ao alcance de Chaplin ou Keaton? Um grande actor só vive de papéis de perturbado e coitadinho?

A comédia clássica dos anos 50 é revitalizada neste filme e Spielberg acrescenta ao seu Universo um pai que é adorado por um filho. Pela primeira vez um filho é capaz de sacrifícios pelo pai e capaz mesmo da mais longa das esperas.

Questiono-me se Viktor representa aquilo que Spielberg pensa que os filhos possam sentir por ele? Será que esta é a transformação do cinema de Spielberg para um olhar de Pai?

Naturalmente, 5 preciosas estrelinhas

sábado, setembro 11, 2004

Ligeiras alterações

Actualização do "top" dos filmes mais vistos em Portugal (de acordo com os dados do ICAM) desde 1 de Janeiro, tendo em conta os números de Agosto:

1. "Shrek 2"
2. "A Paixão de Cristo"
3. "O Dia Depois de Amanhã"
4. "O Último Samurai"
5. "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban"
6. "Tróia"
7. "Homem-Aranha 2"
8. "Alguém Tem que Ceder"
9. "O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei"
10. "Scary Movie 3 - Outro Susto de Filme"

Quanto à evolução da tabela a curto prazo, é provável que "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban" alcance o terceiro lugar, "Homem-Aranha 2" suba uma posição e "Rei Artur" (actualmente em 12º lugar) entre para a lista.

Já agora, refira-se a posição de "Fahrenheit 9/11" (76 625 espectadores) no rol dos 50 mais vistos (37º lugar). Apesar do seu mediatismo, o impacte da obra de Michael Moore (exibida num número reduzido de salas) em Portugal é bem menor que o de outros filmes que caem mais facilmente no esquecimento (incluindo "Garfield").

terça-feira, setembro 07, 2004

Aquele dia

“11’09’’01 – 11 Perspectivas”

Para quem não sabe (o filme, presente no Festival de Veneza de 2002, chegou tarde a Portugal e teve uma distribuição reduzida), trata-se de um conjunto de onze curtas-metragens de diferentes origens e realizadores com o 11 de Setembro como tema comum, tendo sido dada plena liberdade aos cineastas para apresentarem a sua visão do evento e das suas consequências.

A duração obrigatória (11 minutos, 9 segundos e uma “frame”) dos filmes não é demasiado limitativa, permitindo aos criadores transmitir o que têm para dizer. As abordagens, tal como se pretendia, são diversificadas. Vários realizadores procuram mostrar como foram as notícias dos atentados recebidas nos seus países (Irão, Bósnia-Herzegovina, Burkina Faso, Israel), cada um deles com os seus próprios problemas, enquanto outros apresentam visões intimistas das suas personagens (França, EUA, Japão) ou comentam à sua maneira os factos (Egipto, Reino Unido, México, Índia).

Entre as curtas mais fracas, é possível apontar aquelas com um conteúdo politizado. O egípcio Youssef Chahine filma-se a discutir de forma algo infeliz as culpas que a América e Israel também detêm (“Indonesia” e “East Timor” estão mal escritos no site que consulta) e o britânico Ken Loach ataca os EUA pelas suas responsabilidades no 11 de Setembro chileno (a intenção é justa, mas a concretização simplista e desajeitada). Noutra esfera, o segmento de Alejandro González Iñarritu é o mais provocador, mas não vai muito além do efeito-choque dos sons e imagens. Sean Penn tem um bom actor e uma história de qualidade, embora as técnicas de realização a que recorre se tornem por vezes excessivas.

Entre os melhores resultados, encontram-se os filmes de Mira Nair (em pouco tempo, num registo semi-documental, muito fica dito sobre os primeiros dias depois) e de Idrissa Ouedraogo (uma tragicomédia divertida e esclarecedora). Os restantes, de maneira mais ou menos eficaz, expressam convincentemente outros pontos de vista.

Apesar da falta de coesão resultante das suas características, o conjunto das onze perspectivas aqui apresentadas acaba por ser positivo. A maioria dos participantes na iniciativa teve boas ideias e talento para as ilustrar, embora nunca roçando a genialidade. O projecto, com algo de idealismo, resulta num documento precioso e até comovedor acerca das reacções que a tragédia de dimensões globais de Nova Iorque e Washington provocou (com Loach e Chanine a poderem ser arrumados na prateleira dos “antiamericanos”, por exemplo).
A melhor cena: A manifestação em Srebrenica.
A pior cena: Pablo canta os compatriotas desaparecidos.

Nota: 6/10.

segunda-feira, setembro 06, 2004

No "país real"

“A Passagem da Noite”, de Luís Filipe Rocha

Como se coloca esta produção no panorama do cinema português, dividido entre filmes “de autor” (destinados apenas à auto-satisfação desses autores, segundo os seus detractores) e filmes “comerciais” (cópias caras e sem rentabilidade de americanices, para o outro campo)? Talvez numa posição intermédia. Luís Filipe Rocha (“Adeus, Pai”, “Camarate”) mostrou ser hábil na criação de boas propostas que são ainda difíceis de engolir pelo público em geral.
“A Passagem da Noite” é interessante, embora sem grandes momentos. O trabalho de Rocha na realização é eficaz, sobretudo na caracterização de ambientes (sabe filmar os prédios suburbanos, como se vê no genérico). A mais forte marca visual do filme (os túneis e corredores, como aquele em que tudo começa) é uma boa ideia, embora repetida demasiadas vezes.
O grande trunfo da obra é Leonor Seixas, não só pelo mediatismo (aquando da estreia do filme, a novela “Saber Amar” já a tornara alvo de todas as atenções) mas pela força e empenho da sua interpretação, prometendo um grande futuro. À volta dela, também há gente de qualidade (como Maria Rueff, tão bem no drama como na comédia), embora o trabalho de João Ricardo seja algo falhado, tal como a sua personagem.
A voz “off” desta tem alguma utilidade na ligação entre as cenas, mas alonga-se em considerações supérfluas. Outro defeito é o retrato dos pais de Mariana, que nunca passa da caricatura, numa fita onde se nota a preocupação em mostrar aspectos verídicos da sociedade portuguesa (televisão pimba, toxicodependência, marginalidade, aborto clandestino) nos cenários do dia-a-dia (embora as cenas na sala de aulas pouco acrescentem).
Na secção “trivia”, podemos referir os “cameos” de actores de relevo do cinema nacional (Ana Bustorff, Virgílio Castelo, Rogério Samora), os programas da RTP incluídos (“O Preço Certo em Euros”, “Jornal da Tarde”, “Garfield e Amigos”) e o nome da rua de Mariana (Adelino Amaro da Costa é um dos personagens assassinados no filme anterior de Rocha).
Este “drama realista” é um bom filme português (sim, estas palavras combinam), que, como outros, não consegue ultrapassar o maldito patamar do “podia ser melhor”. Ficam dois nomes (Leonor Seixas e Luís Filipe Rocha) a ter em atenção.

Nota: 6/10.

domingo, setembro 05, 2004

I, Cifrões $$$

No final do Verão, um filme de Verão. Nada mais... Não esperem uma nova abordagem filosófica a uma questão pertinente. Não pensem em filmes como Blade Runner, Minority Report, 2001 ou AI. Este filme é um blockbuster de Verão bem esgalhado e uns furos acima daquilo que é habitual, mas nada mais.

O filme fala de Robôs e a sua inteligência dominada e sobre um polícia que não gosta deles. E explora essa linha ao máximo. Como um blockbuster típico, não se explora a potencialidade da story line porque o público poderia não comparecer.

Will Smith é competente. Embora não goste do seu estilo, por estranho que pareça não desgostei na totalidade. É um actor para levar diversos tipos de público ao cinema mas para afugentar aqueles que querem seriedade.

O melhor do filme quanto a mim, acaba mesmo por ser a realização e efeitos especiais.
Alex Proyas é um realizador que gosto desde "O Corvo" e "Dark City". No entanto foi absorvido pela máquina da Fox. Ficam bons planos, cenários urbanos como ele sabe fazer e detalhes visuais esmagadores.

Como fã de ficção científica (P. K. Dick, Asinov e Aldiss fundamentalmente) acho que pegar em histórias destes escritores e tratá-las deste modo é um desrespeito. Nunca li I, Robot, mas pelo que sei é um daqueles livros que marcaram o modo como se passou a ver a SCI-FI no Mundo. Torna-se um desrespeito para a essência da obra tratá-la deste modo tornando-a numa fábrica de gerar dinheiro.

Se quiserem passar um bom tempo no cinema vejam e não sejam muito exigentes...

Classificação: 2,5 (0-5) (seria mais alta se o nome do filme não fosse I, Robot)

terça-feira, agosto 31, 2004

Domingos de sol

Comentários breves a algumas das comédias com que a TVI tem preenchido ultimamente as suas alegres tardes dominicais:

“Aonde é que Pára a Polícia 2 ½” (1991): Uma boa sequela (talvez até superior) do primeiro filme da série, difundindo agora uma mensagem ambientalista e incluindo até piadas políticas divertidas. Uma autêntica avalanche de “gags” percorre a fita, a um ritmo tal que cerca de 30% saem ao lado. O restante é “nonsense” de qualidade sem pretensões.

Nota: 6/10.

“Aonde é que Pára a Polícia 33 ?: O Insulto Final” (1994): Mantém-se a subversão da realidade (a cerimónia dos Óscares é, desta vez, a vítima) e dos clichés cinematográficos (sobretudo dos filmes “de prisão”), mas o tom do humor modifica-se, tornando-se mais escatológico e concentrando-se nas piadas sexuais, com fracos resultados. As personagens parecem subaproveitadas e desenhadas sem grande inspiração. Acho que, depois desta série, os ZAZ (aqui ainda envolvidos no argumento e na produção) e Leslie Nielsen nunca mais se meteram em nada de especial.

Nota: 5/10.

“Comando” (1985): A verdade é que tem muito material cómico para explorar (além das habituais tiradas de Schwarzenegger), mas infelizmente leva-se a sério. Hoje parece totalmente absurdo, mas em meados dos anos 80 estavam na moda os filmes de “super-heróis” de acção nos quais os musculosos Arnie, Norris ou Stallone arrasavam dezenas e dezenas de adversários com a maior facilidade. Apesar das suas ineficazes realização e montagem, “Comando” acaba por ser divertido pelo humor involuntário que apresenta.

Nota: 4/10.

“Miss Detective” (2000): Um filme de Sandra Bullock, acima de tudo. A estrela convence tanto como os seus parceiros de elenco (à excepção de Michael Caine), ou seja, quase nada, e o seu par romântico com o irritante Benjamin Bratt é bem fraquinho. “Miss Detective” é uma obra politicamente correcta (as piadas sobre lésbicas/homossexuais não podem faltar nas comédias banais) que se desenrola sem rasgos de imaginação ou eficácia narrativa. O final é tão “bonzinho” que até faz impressão. Pelo menos, há o elogio ao 25 de Abril… Escusado será dizer que a sequela estreia em Março do próximo ano.

Nota: 4/10.

O Nosso Sundance

Queria aqui chamar a atenção para o festival de cinema Indie que vai ocorrer no cinema São Jorge entre os dias 24 de Setembro e 4 de Outubro.
Serão vistos filmes pouco conhecidos no circuito comercial e muitas curtas, muitas de realizadores Portugueses.

Chamo a atenção para a sessão de abertura com o filme Before Sunset e a sessão de encerramento com o documentário Super Size Me (que me parece genial).

Enfim. Bom cinema finalmente a justificar o investimento no cinema São Jorge e resta-me uma pergunta:

- Para quando o FantasLX?

quinta-feira, agosto 26, 2004

Onde o arranjei????

O filme está editado em Portugal pela New Age.
Se forem ao Corte Inglês encontram uns quantos. No filme não está assim muito barato (25euros) mas eu arrisquei por sabia o que me esperava.

Para aqueles que não sabem bem se vão gostar poderá ser arriscado ainda mais sendo um filme de 1968 ao qual os aninhos ja começam a pesar.

Penso que no site da newage se consegue um pouco mais barato.

terça-feira, agosto 24, 2004

Hols, o princípie de uma geração

É isto que a sétima arte tem de interessante, a capacidade de se descobrir um filme por descobrir. No sábado passado encontrei um filme que nem sabia que existia, "Hols o príncipe do Sol" de Isao Takahata. Para os mais distraídos este realizador de animação criou com Hayao Miyazaki os lendários estúdios Ghibli e é um dos maiores realizadores de animação japonesa de todos os tempos (Heidi, Marco, etc)

Este filme tem o contributo de Miyazaki, que é o responsável pela animação. E o que dizer deste tesouro de 1968?

É o pai de todos os filmes anime. É a previsão do que estaria para vir. Existem neste filme diversas semelhanças com "Conan, o rapaz do futuro" quer a nível de animação quer a nível de construção da história e personagens. Hols e Conan têm muitos traços comuns e conseguem dar uma mesma sensação de força inexplicável da natureza. No entanto em Conan a personagem é beneficiada para maior perfeição da animação, sobretudo dos secundários.

E o filme propriamente dito? Os dez primeiros minutos conseguiram deixar-me de boca aberta. Não estava preparado para o que vi. A animação ousada (mas não perfeita) do gigante de pedra é incrível. O grafismo dos cenários é notório. O realizador consegue já neste filme o que separa o anime da restante animação (sobretudo a industrial americana) o mise-en-scéne.

Quem goste destes animadores percebe em poucos segundos que o filme só pode ser deles. Os planos, os movimentos de câmara e os temas estão lá.

No entanto o filme perde um pouco o fulgor da primeira meia-hora. A sensação com que fico é falta de capacidade técnica para responder ao que a história exigia. No entanto o filme perde a vertente para crianças neste mesmo período, o que dá a sensação que também se estavam a explorar terrenos que não eram muito habituais na animação.

Seja como for a primeira impressão foi a necessidade de rever o filme. Um pouco como a ideia de que não consegui captar todo o filme. Isso mesmo é a diferença entre a animação Japonesa e a tradicional, as entre-linhas, o que fica gravado pela beleza das imagens.

Enfim, um clássico.

Classificação: 4,5 (0-5)

quinta-feira, agosto 19, 2004

Chatice

Realmente o trabalho pode ser uma verdadeira chatice. Não percebo o que é pior, ver um filme da "Velocidade Furiosa" ou estar um dia inteiro no trabalho sem ter motivação para mover uma palha.

Os filmes de carros pelo menos fazem barulho e uma pessoa vai ficando acordada.
No entanto, pelo contrário, uma empresa no mês de Agosto provoca uma sonolência brutal. Por vezes tenho de meter os dedos na tomada para ver se me acordo.

Outra coisa que me lembro é dos desenhos animados do Charlie Brown e os professores. O som dos patrões quando o pessoal vegeta frente ao monitor é semelhante ao som dos professores da série de animação. Dizem muito sem dizer a mais infima coisa.

Pessoal, neste país realmente é melhor uma pessoa ir para o cinema e não pensar na nossa realidade por muito tempo. Pelo menos o cinema é escuro porque tem as luzes desligadas. Portugal é escuro de ideias e gasta milhares em energia.

domingo, agosto 15, 2004

Raptos e conspirações

Bom filme este Spartan. Realmente Mamet sabe jogar com este estilo de argumento. Mamet consegue destapar uma intriga que parece começar a meio de uma forma genial.

Quando comecei a ver este filme lembrei-me de Básico pela vertente de filme militar. Por um lado Básico é uma manta de retalhos e twists enquanto este Spartan é simplesmente uma intriga vista de dentro, onde as personagens sabem o que se passa mas o espectador não. Mamet joga com o nosso desconhecimento uma vez que conhece bastante bem a história (o que falha em Básico) e nos intriga inteligentemente.

Spartan é um bom filme militar, acho que a direcção de actores de Mamet já foi melhor e todo o jogo de conspiração é bastante contemporâneo.

Classificação 4 (0-5)

------------------------------------------------------
ADENDA (Terça-Feira 17 de Agosto de 2004
------------------------------------------------------

Como disse em cima o melhor do filme é o argumento. O actor principal
está mal, demasiado distante da trama o que me parece não ter sido a melhor
opção de cast (vejamos por exemplo Travolta no Básico)

sábado, agosto 14, 2004

Mais do mesmo

Na passada quinta-feira comprei como habitualmente o jornal DN. Foi então que me deparei com a secção Artes onde João Lopes escrevia um artigo sobre Spartan, o novo filme de David Mamet. De acordo com o que já tinha lido sobre o mesmo, nada me surpreendeu o facto de João Lopes lhe ter dado a classificação máxima (spartan - cinema 2000).

Na página do lado estava um breve resumo de Eurico de Barros com uma crítica onde dizia que o filme era mais do mesmo, o habitual de Mamet, etc, etc.

Sou um assumido leitor e fã das críticas destes dois críticos do DN e sei que Eurico de Barros gosta de filmes mais terra-a-terra que João Lopes. Eurico de Barros gosta de um bom blockbuster (mais para o Série B) enquanto João Lopes raramente gosta de qualquer Blockbuster. Além do mais Eurico de Barros não dá grandes hipóteses a Spielberg e ao contrário João Lopes é um seguidor atento do mago americano.

Seguindo o post, questiono a irracionalidade dos gostos. Será que só por não termos gostado de um determinado filme de um realizador todos têm de ser maus? Será que esse espírito não condiciona imediatamente a opinião que vamos ter da obra após a sua visão?

E a reviravoltas que por vezes surgem? As surpresas que o cinema nos dá? Os blockbusters que surgem e nos surpreendem?

Sabendo daquilo que disse no início do post, foi com surpresa que vi na capa do Dvd do filme Ronin, com Robert de Niro (aliás um magnífico filme) uma citação de Eurico de Barros:

"Um dos melhores filmes de acção do ano, de barba rija, dedo colado no gatilho e poucas falas" (a frase é mais ou menos assim)

Quando vi o filme desconfiei que era escrito por Mamet, pela maneira como as personagens interagiam, os diálogos e as surpresas inesperadas. Mas nos créditos nada.

Se formos ao imdb ver a ficha de Mamet encontramos Ronin na sua filmografia tendo co-escrito o filme com o pseudónimo de Robert Weiz.

Sabendo isto teria Eurico de Barros proferido a mesma afirmação?



Crunch, crunch

O ICAM continua a registar as estatísticas do mercado cinematográfico português, elaborando um “top 20” semanal relativo às fitas mais vistas nas salas nacionais. O entusiasmo por esta iniciativa inovadora tem sido escasso, não recebendo grandes referências nos “media” (há já algum tempo que o Cinema 2000 tornou esporádica a sua análise dos dados oficiais), o que se explica pela monotonia geralmente verificada na evolução da tabela. A distribuição das receitas de bilheteira é desigual, com meia dúzia de longas-metragens a concentrar a atenção dos espectadores e a permanecer semanas a fio entre os primeiros lugares. Restam muitas outras com números bem mais escassos que se espalham até à vigésima posição, resistindo pouco tempo na lista (existem, claro, excepções que constituem êxitos “médios”, como “Giras e Terríveis”, “O Quinteto da Morte” ou, numa escala mais reduzida, “Má Educação”).

Foi disponibilizada recentemente a tabela dos 50 filmes mais vistos em Portugal (nenhum dos quais é português) nos sete primeiros meses do ano. Tendo ainda em conta a informação relativa ao total da semana de 29 de Julho a 4 de Agosto, durante a qual se registaram factos importantes (a estreia arrasadora do terceiro Harry Potter e o estabelecimento de um novo “record” de espectadores por “Shrek 2”), chega-se ao grupo dos “dez mais” do período entre 1 de Janeiro e 4 de Agosto. Os senhores dos multiplexes lusitanos são:

1. “Shrek 2”
A produção da Dreamworks consegue ir além do rótulo de “cinema infantil” associado à animação. Mesmo os pais que vão ver as aventuras de Shrek apenas devido à pressão dos filhos tornam-se fãs do ogre verde. Trata-se de uma fita realmente para todos (independentemente da idade ou estado civil), apoiada num “marketing” forte e bem planeado. Uma receita que obtém sucesso por todo o mundo.

2. “A Paixão de Cristo”
A génese do último filme de Mel Gibson foi bem diferente da dos outros membros da lista. O conteúdo violento e religioso da sua adaptação dos Evangelhos dificilmente daria origem a um “blockbuster”, mas Gibson contou com a ajuda dos grupos judaicos (o seu auxílio foi inestimável)e da Igreja (o clero católico nada disse de mal acerca da obra). A polémica deu origem a meses de expectativa e curiosidade e conduziu a uma publicidade que atraiu um público tanto cinéfilo como geralmente afastado das salas.

3. “O Último Samurai”
Tom Cruise. Cultura japonesa. Tom Cruise. Cenas de combate. Tom Cruise.

4. “O Dia Depois de Amanhã”
Roland Emmerich mostrou já o seu talento para a “confecção” de filmes-pipoca para os quais o público é irresistivelmente atraído. A isto somou-se a temática ambiental introduzida na história, aproveitando a atenção da comunicação social à denúncia e previsão das alterações climáticas.

5. “Tróia”
Os cartazes com Brad Pitt e as batalhas mostradas nas imagens publicitárias garantiram o interesse dos espectadores, para além da curiosidade em ver como tinha sido feita a adaptação da “Ilíada”. A Antiguidade Clássica voltou a ser um vasto filão para Hollywood, que não deixará de o continuar a aproveitar (“Alexandre”).

6. “Homem-Aranha 2”
É fácil explicar porque é que a sequela da bem-sucedida passagem para a tela da mais célebre personagem da Marvel chegou até aqui. Este filme-acontecimento promete continuar a subir na tabela.

7. “Alguém Tem que Ceder”
Uma comédia romântica destinada (também) a um público mais maduro, atraído pelo carisma de actores como Jack Nicholson e Diane Keaton e pelo fim do monopólio juvenil deste tipo de histórias.

8. “O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei”
O “Senhor dos Óscares” estreou já na época do Natal de 2003, dirigindo-se por isso muitos dos curiosos pela trilogia (sobretudo os leigos não pertencentes ao grupo de “tolkenianos” ferrenhos) aos cinemas já depois da passagem de ano. A longa persistência da obra nos multiplexes e as nomeações para as estatuetas da Academia também terão contribuído para a duração do sucesso daquele que foi certamente um dos filmes mais vistos em Portugal nos últimos dez anos.

9. “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”
Um fenómeno mundial. Tendo em conta os mais de 196 500 espectadores da primeira semana de exibição, muito em breve chegará ao topo.

10. “Scary Movie 3 – Outro Susto de Filme”
O humor simples e absurdo dos Wayans (do qual David Zucker pouco se afasta), provocando gargalhadas fáceis a propósito de sucessos de bilheteira dos últimos anos (ou mesmo meses), levou ao êxito português dos dois primeiros episódios. “Scary Movie 3” limita-se a prolongar essa tendência de “só rir”.

segunda-feira, agosto 09, 2004

09-11-01 - The one man show

Realmente este é o verdadeiro espírito do novo filme de Moore. Polémico? Sim, mas também não havia necessidade de tanto. A meu ver o filme não é tão mau enquanto filme como alguns fazem crer. O problema é que Moore confontra-nos com convicções, ideologias e pontos de vista.
Pontos de vista são o que mais move Moore e penso que nunca pretende que outra coisa passe para cá e não procura fazer um documentário sério (com Bush também seria impossivel) e não pretende mais que tu agitar as águas.

O mais importante a meu ver, que se deve retirar deste filme é que quando um país entra em guerra, os motivos devem ser transparentes para a opinião pública. Moore representa todos aqueles que especulam sobre o que realmente aconteceu e o que realmente motiva a máquina de guerra norte-americana. Moore é um americano típico mas muito engenhoso. Moore é um criador de panfletos que mostram as suas ideias e convicções.

Com isto não quero dizer que o filme é todo bonzinho. Moore exagera no drama da mãe do soldado mas esse mesmo drama mostra a diferença de prisma que as ideias tomam antes e depois da guerra. Sinceramente esta parte foi vergonhosa.

Como filme, não é mau, é competente nos seus objectivos e não se espere nada de diferente n0 próximo filme de Moore. Esta é a sua linguagem, o seu estilo.

No entanto Tarantino exagerou a dar a este filme a palma de Cannes. Não conheço os filmes a concurso (acho que os Diarios de Motocicleta era o mais aclamado) mas de qualquer modo deveria haver algum melhor.

Classificação: 3 panfletos de 0 a 5 panfletos

domingo, agosto 08, 2004

Imperfeições

“Mulheres Perfeitas”, de Frank Oz

Começando pelo início, esta comédia negra (“remake” de um filme de 1975) parodia o tipo da dona de casa dos anos 50, ilustrado com publicidade da época no longo genérico inicial. Após uma rápida introdução (é raro uma comédia ir directa ao assunto tão depressa), Joanna (Nicole Kidman) e Walter (Matthew Broderick) chegam a Stepford, o subúrbio das mulheres robotizadas. Seguem-se o choque de Joanna e outros nova-iorquinos com a realidade local e a luta pela libertação.

Partindo de uma boa premissa e com um aspecto visual impressionante (as casas aterradoramente perfeitas), “Mulheres Perfeitas” acaba por não ir longe. O problema mais grave é que esta comédia não tem piada. O registo de “thriller cómico” em que cai não convence, tal como os personagens secundários (desenhados de forma básica), que contribuem para a falta de inteligência que a fita nunca supera, ao tentar, sem grande eficácia, divertir com a comparação entre os dois estilos de vida das mulheres (ambos com defeitos). A própria superficialidade da mensagem (“a perfeição não é tudo”) assenta na banalidade da abordagem.

Kidman e Broderick tentam, mas não encaixam neste tipo de filme. Surpreende que o realizador tenha prolongado a rodagem devido ao seu perfeccionismo, porque o resultado não é nada de especial. Vale a pena ver por alguns pormenores (como Glenn Close), se não se tiverem grandes expectativas antes de entrar na sala.

A melhor cena: Joanna é despedida.
A pior cena: Roger e Joanna na casa de Bobbie.

Nota: 5/10.

P.S. Também deixam a desejar os “trailers” de “A Volta ao Mundo em 80 Dias” (uma produção que parece orientada pela fórmula “a história de Júlio Verne é muito chata, por isso vamos meter-lhe coisas engraçadas, como o Jackie e o Arnie”) e “Rei Artur” (uma série de clichés e heróicas cenas de batalha). Mais interessante, por motivos óbvios, é “Terminal de Aeroporto”, embora a publicidade não esclareça bem qual é o tom do filme.

quinta-feira, agosto 05, 2004

Outono

Dez comentários rápidos e nada profundos que podem ser feitos após o visionamento do DVD de “Elephant”, de Gus Van Sant:

1. Seja por que motivo for, deixa todos de boca aberta.
2. Graças à fotografia e à realização, o filme é belo, realmente belo, do início ao fim (incluindo as cenas de violência). O genérico de abertura, na sua enorme simplicidade, é dos melhores dos últimos tempos.
3. Como pode Van Sant ter feito apenas três anos antes algo tão “simpático” e convencional como “Descobrir Forrester”?
4. O recurso a jovens sem qualquer experiência no cinema mas correspondentes aos modelos das personagens (assumidamente tipos) imaginadas por Van Sant revela-se extremamente eficaz. Os actores “escreveram” grande parte do argumento (um pouco como em “Cidade de Deus”), dando-lhe realismo.
5. As ligeiras indicações dadas acerca da maioria das personagens dificultam a identificação com elas e acabam por empobrecer o conteúdo da obra em relação à forma.
6. “Elephant” pode ser classificado como um “teen movie” (só raramente vemos o rosto de adultos, como o de Timothy “Bush” Bottoms), designação enganadora pois é difícil imaginar uma longa-metragem mais “anti-pipoca”. O ritmo lento e a “falta de história” que se registam, sobretudo no início, podem dificultar a absorção, mas dão grande consistência à fita, com um carácter pseudo-documental.
7. Não faz sentido afirmar que esta é a “boa” interpretação de Columbine (por não explicar nada) e a de Michael Moore é a “má” e “demagógica”. Os dois cineastas viram o acontecimento de diferentes perspectivas, mas ambos recusaram considerações simplistas acerca das motivações dos assassinos.
8. A banda sonora de “Elephant” prova que a música clássica pode aliar-se na perfeição ao espírito de um filme.
9. O DVD elaborado pela Atalanta (com menus apenas em português e textos da imprensa nacional citados no DVD-ROM) inclui a curta-metragem inglesa com o mesmo nome que inspirou algumas das opções de Van Sant, o comentário de um crítico francês, uma entrevista ao realizador e outros extras tradicionais.
10. Quem me dera que as escolas secundárias portuguesas tivessem tantos espaços verdes como o liceu aqui filmado.

Nota: 8/10.

terça-feira, agosto 03, 2004

Rainbow Six

Sei perfeitamente que se trata de um livro de Tom Clancy. No entanto é muito mais conhecido como um videojogo que lá vai no terceiro capítulo com milhares de exemplares vendidos.

Suponho que é esta vertente mais comercial que atraí os produtores. Já agora o realizador vai ser o outrora bom realizador Jonh Woo.

segunda-feira, agosto 02, 2004

Pipoca boa

“Homem-Aranha 2”, de Sam Raimi

Devo desde já esclarecer que sou completamente leigo no que se refere à BD americana. O pouco que sei sobre os super-heróis deve-se às adaptações para cinema e televisão, por isso não posso julgar a fidelidade da obra de Raimi aos álbuns da Marvel (a qual tem sido, geralmente, elogiada pelos especialistas). Mesmo assim, considero a série cinematográfica desenvolvida pela Columbia bastante apelativa. Apesar dos seus defeitos, as aventuras do aracnídeo são, de facto, do melhor que há na área dos “blockbusters” (para além de terem um “marketing” avassalador que atrai todos às salas).

O trabalho de Raimi é em boa parte responsável pelo sucesso e qualidade do projecto. O melhor que se pode dizer é que consegue realizar filmes-pipoca que agradam a toda a gente, pela sua leveza sem estupidez. A sua aptidão para os vários géneros presentes nesta sequela (a experiência falhada de Otto Octavius aproxima-se do terror, mas também há muita comédia, sobretudo auto-paródica) junta-se às capacidades dos actuais efeitos especiais, criando cenas de acção inesquecíveis. Os diálogos (por vezes fracos) são igualmente bem filmados e interpretados por um grupo de actores de qualidade (Tobey Maguire, Kirsten Dunst e Alfred Molina merecem o destaque mediático). O ritmo do filme decorre de uma forma geralmente bem conseguida, encaixando numerosas peripécias num espaço de tempo reduzido.

O argumento beneficia muito com o aparecimento do Dr. Octopus, um vilão de alta categoria que proporciona confrontos mais interessantes que os do primeiro filme (chega a ser decepcionante antever o regresso do Duende Verde em 2007). Infelizmente, volta a não fugir a numerosos clichés, por exemplo na relação entre Parker e MJ. Também não compreendo a utilidade das cenas “populistas” que mostram o apoio dos cidadãos ao herói e chegam a ser melosas. O final é aceitável, mas conduzido sem grande imaginação.
“Homem-Aranha 2” acaba por não ser nem melhor nem pior que o seu antecessor, seguindo o caminho traçado sem inovar muito, mas também sem perder o interesse. Corresponde ao que o espectador espera dele à partida, impedindo o bom gosto que a produção revela qualquer crítica grave. No entanto, a série deve ficar-se pela trilogia, caso contrário a fórmula corre o risco de se esgotar.

A melhor cena: Peter detém o comboio.
A pior cena: May apela ao regresso do Homem-Aranha.

Nota: 6/10.

P.S. Agradecimentos aos cinemas da Lusomundo pelo novo grafismo dos bilhetes que vendem. A clareza da informação e as dimensões do papel favorecem o trabalho dos coleccionadores e são mais agradáveis visualmente.

Videojogos

Está a tornar-se moda criar filmes baseados em videojogos. Já vi alguns e ao contrário de adaptações de BD das quais por vezes surgem adaptações interessantes, os videojogos são mais underground e dirigidos a um público muito especifico.

Deixo aqui alguns que vi e respectiva classificação.

Super Mario Bros - como filme é mau. A história do jogo foi totalmente alterada e originou algo muit diferente. Mesmo assim tem dos melhores actores do seu tempo. Classificação 2 (0-5)

Tomb Raider - francamente mau. Vi o filme com muito esforço tendo a sensação de estar sempre a passar de nível. (não tive coragem de ver o segundo) Classificação 1 (0-5)

Resident Evil - para meu espanto é bastante interessante. Dentro do filme de série B de baixo orçamento ficou muito interessante, com bom trabalho de realização, suspense, tensão e gore. Pensava que ia ser muito mau e acabou por ser muito competente. Classificação 3 (0-5)

Mortal Kombat - que coisa má! O jogo já não era grande espingarda e o filme consegue ser completamente colado ao jogo. Deste modo é um filme de combates, com efeitos especiais tipo Power Rangers. Classificação 1 (0-5)

Street Fighter, O Filme - o pior dos piores. Um dos piores filmes de sempre. Horrivel. Classificação 0 (0-5)

Street Fighter (anime) - realmente só os japoneses para conseguerem fazer alguma coisa de jeito com os seus universos de jogos de computador. Street Fighter graficamente é anime, então foi feito um filme de anime... Simples e eficaz, muito bem tecnicamente, a história é boa, tem bons momentos e sobretudo tem uma magnífica banda-sonora. Classificação 4 (0-5)

Tekken (anime) . seguindo a linha do anterior já não consegue ser tão interessante. Antes de mais o SF consegue ter uma maior divulgação no ocidente. Tekken é um filme de anime mais banal, uma história de vingança simples centrada numa personagem (enquanto que em SF segue Ryu mas tem inúmeras pequenas histórias paralelas). Classificação 2,5 (0-5)

Filmes na Calha

Driver, Resident Evil 2, Spy Hunter e Rainbox Six.

Realmente por estes não vale a pena esperar...


domingo, agosto 01, 2004

Ataque devastador

“Fahrenheit 9/11”, de Michael Moore

1. Sou um apreciador do trabalho recente (nunca vi “Roger and Me”) de Michael Moore, cujas ideias são expressas, nomeadamente, no documentário “Bowling for Columbine” e nos livros “Stupid White Men” (“Brancos Estúpidos”, na edição portuguesa) e “Dude, Where’s My Country?”. Alguns temas abordados em “Fahrenheit 9/11”, como a “eleição” de Bush, as suas ligações à Arábia Saudita ou a guerra no Iraque, surgem já nos “best-sellers” de Moore, que ataca eficazmente (mesmo que aos gritos) a política da Administração americana e reflecte sobre os problemas sociais dos EUA. No entanto, se a mensagem é boa, o mensageiro provoca alguma inquietação, não só pelo simplismo e demagogia em que por vezes cai como pelo seu gosto pelo “heroísmo” e pelo estrelato.

2. A estreia do mais recente filme de Moore recebeu atenção significativa dos “media” portugueses, atentos às implicações políticas da obra (que não deve converter muitos fãs de Bush, uma vez que, tal como “A Paixão de Cristo”, torna-se fechada aos que não partilham a fé do realizador). A RTP cobriu uma ante-estreia da fita, registando o ruído de palmas no final da sessão e entrevistando alguns dos espectadores. Entre eles havia quem concordasse plenamente com a moral da história e condenasse a estupidez do presidente americano, mas também quem considerasse o documentário uma série de distorções e manipulações de factos. Tudo normal, portanto. Na Antena 1, o general Loureiro dos Santos confessou ter gostado “tecnicamente” do filme, mas apontou incorrecções na contextualização dos dados apresentados, também registadas pela imprensa. Quanto às primeiras críticas, houve a acusação de falta de originalidade feita por Eurico de Barros (feliz pelo rosto do cineasta aparecer menos desta vez) e o repúdio total e absoluto expresso por Tiago Pimentel (que entretanto mudou de opinião e atribuiu quatro estrelas ao filme, de acordo com a tabela da “Premiere”…).

3. Trata-se de um filme de propaganda? Claro, e assumidamente. É dada voz aos membros da Administração e a alguns dos seus apoiantes, mas sempre num contexto em que as suas palavras soam a falso. Moore nunca dá o benefício da dúvida ao seu arqui-inimigo (uma grande fonte de comédia, reconheça-se) e tudo o que mostra tem o objectivo de impelir os eleitores americanos à expulsão definitiva da família Bush da Casa Branca. Critica-se frequentemente o facto de isso tornar a obra excessivamente datada, mas isso não é necessariamente negativo. Será, no futuro, um precioso documento acerca dos últimos quatro anos, ou, pelo menos, da visão que a esquerda teve deles.

4. O genérico (em especial a música que o acompanha) avisa que este documentário será mais sério que o anterior. De resto, segue-se uma das cenas mais violentas já vistas (ou melhor, ouvidas) em cinema. Moore analisa a atitude do Presidente Bush perante os ataques de 11 de Setembro e lança várias questões interessantes sobre o que aconteceu nos meses a seguir. Apesar disso, acaba por transformar insinuações em certezas e lançar acusações mal fundamentadas.

5. O filme torna-se mais equilibrado quando Moore faz aquilo em que é melhor: mostrar o que é inacreditavelmente real. Os exemplos que dá do clima de medo e paranóia reinante nos EUA (cuja origem atribui aos esforços dos governantes) são impressionantes pelo seu ridículo. Segue-se o assunto essencial da obra: a decisão de Bush de invadir o Iraque. Além de satirizar (com uma montagem habilidosa muito bem combinada com a banda sonora) de forma divertida os argumentos justificativos do conflito, o documentário procura encontrar o “homem comum” num cenário em que parece ser um mero peão. As imagens e depoimentos recolhidos entre as tropas americanas são valiosos pelo seu carácter inédito e pelo retrato da evolução do estado de espírito dos soldados (cujas atrocidades são denunciadas), vistos não como monstros mas sobretudo como vítimas. A viagem a Flint também revela perspectivas interessantes e uma hipótese (sem tempo para ser melhor desenvolvida) de análise social. O problema é que Moore borra a pintura ao expor o caso da mãe do soldado morto no Iraque. A exposição do seu sofrimento é demasiado longa e excessiva, visando a manipulação emocional dos espectadores (curiosamente, a Halliburton faz o mesmo no anúncio apresentado). Se exceptuarmos essas cenas, é na sua fase final que “Fahrenheit 9/11” cumpre melhor os seus objectivos, revelando as injustiças da guerra.
6. O “clássico” de Moore continua a ser “Bowling for Columbine”, mas, apesar dos seus defeitos, “Fahrenheit 9/11” merece ser visto, pelos seus aspectos técnicos (sobretudo a montagem) e por ser tão actual, “subversivo” e provocante. Mesmo que não se concorde com a visão da história recente apresentada nas duas horas de filme, trata-se (repetindo o cliché) de uma obra que não deixa ninguém indiferente. Pelo menos, é melhor que o último tempo de antena do PSD.
A melhor cena: Bush concorda com Moore.
A pior cena: Lila chora nos jardins da Casa Branca.

Nota: 6/10.

P.S. Agora que o documentarismo português procura ganhar dinamismo e aumentar a sua visibilidade, o que aconteceria se um cineasta nacional se inspirasse no estilo “incendiário” de Moore para tentar evitar, em 2006, a reeleição da maioria governamental, criando um filme (“PSL”?) que reunisse os eventuais erros e “gaffes” dos actuais dirigentes?

terça-feira, julho 27, 2004

Calor verde

Realmente nestes dias de calor nada é melhor que uma sala de cinema com um filmezito bem giro, muito escuro e muito ar condicionado.

Depois deste desabafo vou falar dos desenhos animados que este ano conquistaram milhões, Shrek 2. Gostei do primeiro mas não achei aquilo que ouvi por aí. Acho sinceramente que qualquer filme da Pixar o supera. O prineiro Shrek tem personagens realmente muito boas mas o argumento acaba por ser o lugar comum das historias de fábulas "avacalhadas".

Shrek 2 é ainda mais "avacalhado". Parece um Shrek meats ZAZ!
O non-sense e as citações a filmes bombardeam o espectador violentamente e originam boas gargalhadas sem qualquer sombra de dúvida.

Mas o que fica deste filme? Sinceramente acho que a história pouco ou nada avança e no final foi um divertimento giro mas um pouco de usar e deitar fora. É um verdade blockbuster de Verão!

As personagens tal como tinha dito são o melhor. No entanto a personagem do Gato das Botas está sub-aproveitada. Não existe  o conflito entre o gato e shrek ou melhor este existe e é logo resolvido muito depressa. O gato passa de um assassino frio a um amigalhaço em segundos.
~
Um bom divertimento mas cá espero pelos Incríveis que pelos trailers parece muito interessante.

Classificação: 3 (0-5)

sábado, julho 24, 2004

Fomos escritos pela pena de Tarantino

Vi recentemente dois filmes escritos há já alguns anos por Quentin Tarantino. Aliás os argumentos foram vendidos para que ele arranjasse dinheiro para fazer a sua primeira realização. É curioso que na altura em que vi os filmes pela primeira vez não percebi o que havia ali diferente...

True Romance

Tony Scott cria um filme bastante conseguido mas que nunca me tirou aquela sensação de: "Por*a se isto fosse realizado pelo QT!!!". Esse é mesmo o maior problema do filme.

Ao longo do filme notam-se os diálogos de QT, as personagens de QT mas falta o tom burlesco e natural de QT. Outro aspecto é o tipo de banda sonora. Tony Scott tenta a meu ver normalizar um argumento que tem tudo de anormal. Slater é magnífico e é o elemento que realmente entrou no estilo habitual de QT.

O resultado é bom mas...

É giro ver o Sopreno Gandolfini há dez anos a fazer de ... gangter!

Classificação: 3,5 (0-5)

Assassinos Natos
 
Oliver Stone pega na premissa do génio e procura dar-lhe o seu toque. Fica algo estranho e perde completamente o burlesco para a violência. Stone não consegue dar ao filme a visão atenuante que QT dá às cenas brutais dos seus filmes.

Este filme acaba por se tornar demasiado pesado e visualmente um pouco saturante. Oliver Stone pretende que a crítica social passe, pretende atingir os media e os seus realitty-shows mas é cru demais na abordagem o que acaba por não atrair o espectador para o filme e a mensagem.

Classificação. 3 (0-6)

quinta-feira, julho 22, 2004

Conan um rapaz para o futuro

Realmente se existem obras que ficam para o sempre, Conan - o rapaz do futuro é uma delas. O meu irmão falava bastante desta série quando estava para sair em dvd e eu fiquei sempre na expectativa. Nunca pensei que uma pessoa que não tivesse laços com a série a pudesse amar como aconteceu comigo. É incrível ver que a criança que está dentro de mim se emociou, roeu as unhas e foi ao rubro com as aventuras deste bravo herói.

Falar sobre esta série não consegue explicar o que se sente quando se assiste.

Perfeição é possível? Ainda por mais num formato televisivo?

Após ver os primeiros 13 episódios de Conan fico com a sensação que é a melhor série alguma vez feita para televisão (mesmo comparando com imagem real).
Algumas coisas jogam a seu favot:

- Story Boards
- Argumento coeso dividido em episódios
- Mise-en-scene faboluso
- Banda sonora marcante e enquadrada como se fosse um filme
- Personagens que evoluiem ao longo da história naturalmente como pessoas que aprendem com a dureza da vida
- Por vezes provoca o choro, por vezes o riso mas nunca por ser para crianças perde a capacidade de provocar medo ou suspense. Possivelmente não é só para crianças.
- Tem um princípio e um fim.

E isto tudo é fabuloso e mostra o génio de Hayao Miyazaki.

quarta-feira, julho 21, 2004

O que vem por aí

Terminal - Estive a ler críticas ao novo filme do mago Spielberg e espera-se algo muito bom. Parece que a onda mais clássica do realizador o volta a percorrer e cria uma obra que na Europa é amada e nos EUA não causou grandes ondas.

FAHRENHEIT 9/11 -  é outro dos filmes que vão estrear. A crítica pela crítica é o que se espera deste novo filme de Moore. Se quiserem ver um bom documentário garantidamente não vejam este filme. Se não gostarem de Bush é obrigatório :-)

Harry Potter e o prisioneiro OldMan - segundo o que se diz OldMan rouba todas as cenas onde entra. Pessoalmente este universo não me diz nada mas que é aguardado não se têm dúvidas.

Homem em Fúria - pessoalmente este é o filme que mais espero. Tony Scott junta-se a Denzel para criarem um filme de acção passado na cidade do México. Além disso o argumentista de serviço escreveu Mystic River...

Super Size Me - o documentário surpresa em Sundance. O realizador engordou 13 quilos quando tenta mostrar o que provoca uma dieta de McDonalds. Espero que este filme estreie no nosso páis.

Eu, Robot - o realizador do Corvo e Dark City volta passados 7 anos. Desta feita cria um blockbuster com Will Smith. A ver pelos trailers parece divertido se bem que foge ao visual mais dark do realizador.

terça-feira, julho 20, 2004

Adaptações de BD

Muito se pode dizer sobre adaptações de filmes de BD.
Aceito o desafio de João André e classifico as adaptações de BD que mais gostei (e detestei).
 
Cinematograficamente
 
American Splendor 5 (0-5)
Batman 5 (0-5)
Batman Regressa 4,5 (0-5)
Superhomem 4,5 (0-5)
 
 
Acho que sem qualquer dúvida que os Batmans de Burton são as melhores adaptações de BD não underground de sempre. É um lugar comum dizer estes dois filmes e não sou excepção. Quando estrearam vi ambos no cinema com cerca de 10/12 anos. Já na altura o que me fascinava era a maneira como Burton tornava um universo tão "bdesco" num universo tão cinematográfico e credível.
 
Se pensarmos em BD undergound penso que nada supera o cinematograficamente genial American Splendor. Os actores, o argumento, Pekar e o documentário que não é documentário mas que não é ficção é genial.
 
O filme de Donner consegue ser uma adaptação com uma qualidade muito boa. É cinema de primeira qualidade e Reeve é e sempre será o verdadeiro SuperHomem.
 
 
Melhores adaptações por serem parecidas com o original
 
Hellboy 5 (0-5)
O Corvo 4,5 (0-5)
 
Leiam os livros e vejam o filme. Aí percebem...
 
O filme de Alex Proyas é tal como os Batmans de Burton, negro, pessimista. No entanto a semelhança com o comic é assustadora.
 
Os melhores filmes que não são adaptações de BD mas que podiam ser
 
Darkman 5 (0-5)
Unbreakable 5 (0-5)
Matrix 5 (0-5)
 
Darkman é a verdadeira obra-prima de Raimi. Se ele gosta de fazer mal a Peter Parker vejam o que faz a Liam Nieson neste filme. Cinematograficamente genial.
 
Unbreakable poderia ser uma graphic novel. Este filme é magnifico e é um tributo genial à banda desenhada.
 
Para final Matrix é uma homenagem do cinema ocidental à Banda desenhada feita no oriente. Palavras para què.
 
 
Menções honrosas
 
X-Men 1 4 (0-5) 
X-Men 2 4,5 (0-5)
Homem-Aranha 3 (0-5)
Homem-Aranha 2 4 (0-5)
Blade 4 (0-5)
Blade 2 4 (0-5)
 
 
Pior adaptação de sempre (ainda por cima tendo em conta o material de origem)
 
O Demolidor (Daredevil) 1 (0-5)
 
Mau realizador, mau actor, maus enquadramentos. O argumento parece um prolongamento da frase: "não batam mais no ceguinho". Sentimentalão!

segunda-feira, julho 19, 2004

Aracnideo Chick Flick

SE ÉS AMERICANO NÃO LEIAS ESTE POST!!!
SPIDER MAN 2 Não É O MELHOR FILME BASEADO EM BD!!!
 
Homem-Aranha = H.A.
 
Depois de ter lido diversos sites de cinema americanos achei por bem avisar os mais americanos que não achei este filme a adaptação que todos dizem. É bom, diverte e tem um grande realizador mas o estilo de produção não chega tão longe como se fez outrora.
A primeira impressão é que este filme será como o primeiro um reflexo da cultura pop americana do principio dos anos 200o. A geração MTv aparece bem retratada nos jovens que a Marvel criou com base na juventude dos anos 60.
 
O que gostei
 
Visualmente Raimi é muito fiel ao material de base. O visual do Homem-Aranha por entre os prédios e o visual de Molina merecem ser mencionados. Raimi não é um tarefeiro mas sabe muito bem que público é o seu alvo. A camara move-se magnificamente em NYork e justifica em expectacularidade o orçamento do filme. Maguire é magnífico com Parker
 
O que não gostei
 
O argumento tem falhas um pouco estúpidas.
 
Spoilers
 
Se o Dr.Ock vai apanha Parker para chegar ao H.A. não sabe que Parker é o H.A. por que raio manda um carro para cima deste quando ele fala com MJ? Supostamente se ele fosse um humano vulgar teria morrido e nunca lhe mostrava como encontrar o H.A.
 
O vilão não é explorado devidamente. Tendo potencial resume-se a um tipo que tem desejo de grandeza. Tenta matar o H.A. para obter o que quer de Harry. Não é isto demasiado simplista?
 
Fim dos spoilers
 
 
Resumidamente
 
É um grande BlockBuster de Verão, no entanto para mim é demasiado meloso, é muito orientado para um público teenager. Seja como for tem momento geniais, como o elevador ou a perseguição no metro.
 
Classificação: 4 (0-5)

sexta-feira, julho 16, 2004

Que escrever

Sinto uma grande vontade de colocar aqui qualquer coisa nova mas não sei o quê. Para variar vou voltar a falar de televisão. Conhecem aquela série (se é que se pode chamar assim) portuguesa chamada Gato Fedorento?

Posso-vos assegurar que o Herman José está extinto! O problema do Gato Fedorento, a falta de meios, é resolvido com textos magníficos, dois grandes monstros da comédia e muito ousadia.

O nível do programa está sempre alto. As piadas por vezes são totalmente geniais e desconstroem muitos dos lugares comuns das nossas vidas. Por vezes são de um mau gosto tremendo mas isso é a ousadia que outros foram perdendo com o Status.

Que cheirem mal durante muito tempo!!!!!!!!

Volto já

Vou passear um bocado, prometendo voltar no fim do mês. Mas não se livram de nós facilmente porque o Fernando continuará por aqui a encher-vos de pipocas bem rascas.
Vejam bons filmes nesta quinzena!

quinta-feira, julho 15, 2004

24 horas de bom divertimento

Por vezes surgem na televisão americana séries que se tornam culto. Lembro-me de X-Files e de Buffy (não percebo). A última a entrar para esta galeria é 24 agora trasmitida na 2 nas quartas à noite. Sinceramente penso que é um bom produto televisivo e a sua concepção está muito bem pensada, de modo a conseguir levar o espectador a não poder perder um episódio. Esta é mesmo a força de 24.

Facilmente se encontram coisas que não funcionam como o lado muito americano, o sentimentalismo da vida familiar, os amores, as reviravoltas e mais algumas charopadas. De qualquer modo a parte em que Jack Bauer aparece é do melhor visto em televisão e a tensão da intriga está bem planeada.

Kiefer Sutherland leva a série às costas. Realmente consegue criar uma personagem extremamente interessante e carismática. Não consigo perceber o que um actor deste nível está a fazer na televisão em vez de se encontrar no cinema a construir heróis carismáticos que tanta falta fazem ao cinema comercial actualmente.

E para terminar raramente se vê em televisão uma série que puxe tanto pela acção. pelo suspense que esta. Se pensarmos que são produções de 24 episódios é realmente de louvar.

terça-feira, julho 13, 2004

Recém-chegados

E, de facto, há vida neste pequeno mundo, mesmo que fora da ABCine… Coloquem os vossos olhos em novidades como:

Cinéfilos Offline: Blogue brasuca, da autoria de um trio do qual faz parte o nosso velho amigo Christopher Faust Pereira (do moribundo Bons Companheiros). As primeiras críticas definem o estilo adoptado no “site”: não se esperem ensaios profundos e recheados de referências a clássicos, mas sim filmes “porcamente comentados” (ainda nos cinemas ou já mais idosos) numa linguagem informal e coloquial. Dentro deste género irreverente, os autores parecem ter muito a dar à blogosfera cinéfila.



Críticas de um Cinéfilo: Agora num novo (e melhor) visual, temos aqui mais um espaço de crítica a longas-metragens, sobretudo em DVD. O cinéfilo destaca-se pelas notas acrescentadas aos textos, identificando com clareza os melhores e piores aspectos das fitas e indicando curiosidades. Além da recusa do cinema puramente rasca, encontra-se neste blogue uma das raras críticas “moderadas” (sem amor nem ódio arrebatados) a “Magnólia”, o que é suficiente para nos manter atentos.

segunda-feira, julho 12, 2004

A Génese - um ano depois

Faz agora um ano que estava desempregado mas feliz (não gostava do local onde trabalhava) e surgiu o mito do blog.
Um dia estava a andar na rua e um estranho perguntou-me se eu tinha um blog ao que respondi corado:
- Um blocke? QUÊÊÊÊ???????
Foi nesse momento que o tipo gritou para todos ouvirem que eu não tinha um blog. Corri, corri até chegar a casa ao colo da minha mamã. E ela nas suas palavras sábias disse:
- Querido, se o Nando ao não vai ao blog, o blog vai ao Nando!
Nesse mesmo dia comecei a ler 5 livros para me preparar para este tenebroso Evareste:

1- Internet for dummies
2- HTML in 21 days
3- Javascript crash course
4- Faça a sua própria plantação de café
5- Como dormir 3 horas por noite e aproveitar para ler
por Marcelo Rebelo de Sousa

Felizmente estava desempregado. Os dias começaram a precisar de parecer mais longos. O blog finalmente viu a luz do dia nesse 12 de Julho quando já injectava o café para permanecer acordado. Tinham sido cinco dias duros.

Faltava a tarefa mais difícil: dar o nome ao blog!!!!
(ouvem-se agora relâmpagos)

Depois de passar uma tarde a ler críticas do público tive dois pensamentos. ou matava a K. Gomes ou então promovia a tarefa de falar sobre os filmes de pipocas, rascas... E ALELUIA!! Surgiu então o Pipoca Rasca.

E como a renda da casa estava alta encontrei um moço de boas famílias para partilhar aqui a cabana. Felizmente o rapaz trouxe um valor acrescentado e alguma seriedade.

Passado um ano agradeço aos críticos do público pela inspiração divina, agradeço pelas três estrelas ao AI e ao Minority Report. Agradeço ainda à K. Gomes pelas suas palavras snobs que me fizeram passar a ver todos os filmes com o mesmo respeito.

E como é natural, a única coisa que é verdade nesta mentira que para aqui escrevi, é a minha gratidão e o meu grande obrigado a todos nos visitam diariamente.

E continuem a aparecer aqui na loja...

Um ano

Faz hoje um ano que escrevi o meu primeiro “post” neste blogue. Por isso, obrigado:

– Ao Eng. Fernando Campos, criador e director do Pipoca Rasca (e autor da recente remodelação gráfica), por me ter dado (correndo graves riscos) a oportunidade de escrever o que me apetecesse e ver os textos publicados. Glória e honra a ti, Engenheiro!
– À Dra. Sara Serra, pelo apoio que deu ao projecto desde a primeira hora e pelas sugestões que fez. Sem o seu incentivo, não seria a mesma coisa.
– Aos membros da ABCine e restantes bloguistas cinéfilos, por tornarem o debate de ideias tão interessante e contribuírem para a criação de muitos “posts” com as novas informações e perspectivas que fornecem. E, claro, pelos elogios que aqui deixaram e “links” que criaram.
– A todos os cibernautas que passaram por aqui, ainda que só uma ou duas vezes, pela atenção concedida e pela certeza de não estar a falar sozinho.
Bom cinema para todos!

domingo, julho 11, 2004

Divórcio

“Crueldade Intolerável”, de Joel Coen

Só vi dois (bons) filmes da dupla (“Fargo” e “O Barbeiro”), mas este parece muitas vezes ser um filme demasiado convencional para os irmãos Coen. Joel e Ethan parecem ter acrescentado ao argumento de comédia romântica escrito por mãos alheias alguns elementos dispersos que mostram o brilho do seu humor negro (o “suicídio” do assassino asmático) e das personagens secundárias hilariantes (o detective “realizador”, o advogado comovido, o idoso monstruoso, etc.).
Tirando isso, o filme não vai muito longe. George Clooney e Catherine Zeta-Jones fazem o seu trabalho sem momentos de destaque, actuando mais como estrelas (importantes para a publicidade da obra) do que como grandes actores.
“Crueldade Intolerável” funciona, apesar disso, no modo como conta a sua história e acaba por ser um bom filme de hora e meia para as tardes de fim-de-semana, sem pretender grandes inovações artísticas.
A melhor cena: Herb congratula Miles.
A pior cena: Miles discursa no congresso da NOMAN.

Nota: 6/10.

quarta-feira, julho 07, 2004

Em resposta ao João André

Estou perfeitamente de acordo com o que dizes. Os realizadores que falei são mais comerciais do que aqueles que disseste em falta no teu comentário. Eu sou um fã completo de Paul Thomas Anderson desde que vi o Magnolia. Tenho todos os seus filmes em DVD e posso-te dizer que o Magnolia é o filme completo que alguma vez vi. No entanto acho que este realizador é mais um realizador independente do que dirigido a todo o público (pelo menos muita gente chama-se maluco por gostar deste génio). Enfim... não sabem o que dizem.

Futebol na televisão

“O Nosso Futebol”, de Ricardo Costa

Neste documentário de 1985 (recentemente transmitido na 2:), Ricardo Costa expõe, recorrendo a fontes como fotografias, artigos de imprensa e extractos de filmes, a história do futebol português (na altura quase centenário) e a evolução político-social do país desde 1888. Como material original, surgem imagens de António Victorino d’Almeida a percorrer locais ligados ao desporto-rei e a falar com gente do meio que relembra os bons velhos tempos.
A sequência de factos narrados possui um bom ritmo, embora existam algumas falhas na ligação entre as imagens e aquilo que é referido pela locução. A nível do rigor histórico, não há muito a apontar (embora se fale da morte de Guerra Junqueiro como se tivesse ocorrido antes do 5 de Outubro), até porque a “pré-história” do FCP só seria estudada após a realização do filme. Ainda que por vezes demasiado longas, as imagens de arquivo são o mais interessante da obra.
É pena que os depoimentos recolhidos pelo maestro sejam supérfluos e sem grande relevância para a história da fita, que destaca sobretudo as relações entre o poder político-económico e o futebol. No final (o pós-25 de Abril), as imagens e o discurso perdem nexo e clareza, sendo por isso agradáveis as filmagens de estádio não comentadas que encerram o documentário.
“O Nosso Futebol” (com uma perspectiva positiva sobre o fenómeno) acaba por ser, apesar dos seus defeitos, um estudo muitas vezes interessante de cem anos de história portuguesa.
A melhor cena: Espanha-Portugal de 1939.
A pior cena: Futebol na praia.

Nota: 5/10.


sábado, julho 03, 2004

Cypher de P.K. Dick???

Cypher poderá ser um filme de ficção daqueles magníficos que passam ao lado de todo o público. Felizmente o Fantas está sempre de atenção e apanha esta pérola e dá-lhe a atençaõ merecida.

Este filme a meu ver vai para a galeria de Minority Report e Blade Runner pelo tipo de abordagem a um universo de ficção futurista. A realização é notável, muito minimalista, fotografia fria e actor principal magnifico. A sua personagem é muito trabalhada e leva o filme quase todo às costas, mas no bom sentido. As oscilações de personalidade, os seus pequenos pormenores e a sua insegurança é deliciosa.

Álem disso, a montagem é perfeita, não existe um segundo perdido no argumento e a composição dos cenários é muito inventiva tal como o tinha sido em Cubo. O que toma um destaque opressivo é a banda sonora e efeitos sonoros. Estes são os verdadeiros responsáveis pelo clima que se instala no filme, o clima de tensão e de espionagem.
Esta espionagem é recente. Quero com isto dizer que é espionagem industrial, entre empresas que usam e abusam das pessoas para obter os seus onjectivos.

Realmente o melhor filme de ficção estreado depois de Minority Report.

Classificação: 5 (0-5)

sexta-feira, julho 02, 2004

Tão queridos

“Shrek 2”, de Andrew Adamson, Kelly Asbury e Conrad Vernon

Gostei mais do primeiro. Não só pelo efeito surpresa do filme de 2001 como pelo destaque que é dado em “Shrek 2” ao lado romântico da história, acabando por prejudicar um pouco a comédia. Mas quando esta surge em pleno, o génio é evidente. Os espantosos resultados de bilheteira (trata-se já de um dos filmes mais vistos de sempre) adequam-se a uma óptima longa-metragem de animação.
As piadas são um pouco mais atrevidas, não só a nível escatológico (mas, de facto, não há flatulência como a de Shrek e Fiona) como na temática “para adultos”, por exemplo com as referências à homossexualidade (sim, o personagem interpretado por Rui Unas na versão portuguesa é um travesti). Mas os diálogos desse tipo são sempre divertidos e não básicos. Outra evolução interessante é a explosão do “humor cinéfilo”. Além das mais óbvias (“O Senhor dos Anéis”, “Os Caça-Fantasmas”, “Missão Impossível”, “Um Sonho de Mulher”, etc.), existem dezenas e dezenas de referências (enumeradas no Imdb) a fitas e programas de televisão anglo-saxónicos que resultam muito bem.
Mike Meyers, Eddie Murphy e Cameron Diaz continuam excelentes. Quanto aos novos personagens, se o Gato das Botas (Antonio Banderas) não é o prodígio que se dizia, o certo é que quase eclipsa o Burro depois de aparecer. Particularmente interessante é a visão da Fada Madrinha (Jennifer Saunders) como uma capitalista sem escrúpulos.
Mesmo sem atingir o nível do primeiro episódio, “Shrek 2” estabelece as bases para um prolongamento indefinido da série. O carisma dos personagens e a mistura de doçura e incorrecção política dos argumentos auguram que não é tão cedo que deixaremos de ouvir falar de ogres.
A melhor cena: A "fiesta" final.
A pior cena: Shrek bebe a poção.

Nota: 8/10.

quinta-feira, julho 01, 2004

Por incrível que pareça...

Uma notícia escaldante... Vai estrear um filme de BD nos EUA!!!!

Não estão espantados? Estão fartos destes filmes? Pois nos EUA parece que a loucura do Homem-Aranha vai recomeçar. Os sites de cinema dão (como fizeram ao capítulo anterior) pontuação máxima e a loucura está para durar.
Entretanto a Marvel já disse que vão sair mais uns quantos heróis que ainda não foram adaptados (Ghost Rider, Electra, Fantastic Fout, etc).

Isto começa a enjoar. Todos os anos os blockbusters são ideias de outrora com pouco ou nada de cinema. Nos anos 80 foram criados filmes de massas muito giros e que conseguiam ter uma criatividade e qualidade muito acima da média. Lembro-me dos filmes de Eddie Murphy (48h 1 e 2, caça-Policias por ex), Caça Fantasmas, Regresso ao Futuro, Gremlins e tantos outros que fizeran as delicias de tantos Verões e agora eu considero que com o tempo continuam a ser boas obras de cinema de entertenimento.

Sinceramente gosto de BD como podem ter visto noutros posts mas isto é demais. O Homem-Aranha em termos de adaptação até é giro, Sam Raimi é um bom realizador mas a Marvel quer fazer 6 filmes!!! Sim, 6 filmes!!! Questiono-me sobre o papel dos realizadores que cada vez mais são fantoches da indústria. Lembrar-me que Lucas e Spielberg nos seus filmes dos anos 70/80 lutaram muito para que o realizador fosse o centro da indústria, fizeram contratos que revolucionaram por completo o cinema de então. Lembro-me de "Raiders of the Lost Ark" em que os dois tendo um script brutal, demoraram muito para que um estúdio ´quisesse ir para a frente com um contrato em que uma parte dos lucros fosse para os criadores/autores da obra de arte. E agora? Hollywood está a voltar ao mesmo. O cinema de massas não tem criadores, possivelmente sobra Peter Jackson, M. Night Shyamalan, Lucas e de vez em quando Spielberg mas faltam ainda mais nomes com ideias próprias.

É interessante ver tempos em que a qualidade do cinema independente americano aumenta tanto ano ápós ano e o cinema de massas piora tanto.

Questiono-me estão os americanos a ficar mais inteligentes em termos de gosto? Ou nem todos os jovens realizadores estão para ser aspirados por uma indústria que não tem lugar para ideias inovadores e/ou arriscadas?