As estatísticas do ICAM indicam que, entre 1 de Janeiro e 7 de Dezembro de 2005 (falta só avaliar o efeito King Kong para chegar à lista final), as vinte longas-metragens mais vistas nos cinemas portugueses foram:
1. “Madagáscar”
2. “Guerra dos Mundos”
3. “Mr. e Mrs. Smith”
4. “Uns Compadres do Pior”
5. “Ocean’s Twelve”
6. “Star Wars – Episódio III: A Vingança dos Sith”
7. “Harry Potter e o Cálice de Fogo”
8. “Million Dollar Baby – Sonhos Vencidos”
9. “A Ilha”
10. “O Crime do Padre Amaro”
11. “Constantine”
12. “Hitch – A Cura para o Homem Comum”
13. “A Intérprete”
14. “Quarteto Fantástico”
15. “Uma Sogra de Fugir”
16. “Batman – O Início”
17. “Flightplan – Pânico a Bordo”
18. “Reino dos Céus”
19. “Vamos Dançar?”
20. “O Aviador”
O que se pode dizer? O sucesso de mais um Harry Potter não tem nada de estranho, ao contrário da presença de um filme produzido em Portugal nos dez primeiros (o impossível acontece). O poder de atracção das estrelas de Hollywood (Jodie Foster, Will Smith, Angelina Jolie, Keanu Reeves, Tom Cruise, Jennifer Lopez, etc.) revela-se irresistível, aproximando-se os gostos do público português dos de outros países (com a excepção de alguns êxitos meio inesperados como “Constantine” ou “Reino dos Céus”).
sexta-feira, dezembro 16, 2005
quarta-feira, dezembro 14, 2005
Tópicos
Meia dúzia de frases (hoje estou preguiçoso) sobre “O Fiel Jardineiro”:
1. Não conheço a realidade africana., mas o filme permite-me ter uma ideia. Ao menos isso.
2. O trabalho de Fernando Meirelles é politicamente certeiro e corajoso (parece surgir no momento certo), apostando no realismo sem deixar de lado a caracterização emocional das personagens e o seguimento de uma linha narrativa eficaz, que combina habilmente o drama e o “thriller”.
3. Sobre Rachel Weisz, é possível dizer que nasceu definitivamente uma actriz. Ralph Fiennes está irrepreensível. Os secundários cumprem com desembaraço a sua missão.
4. Ainda que não alcançando o nível de “Cidade de Deus” (a adaptação da obra de John Le Carré é talvez um filme mais convencional), Meirelles mostra todas as capacidades do seu estilo “câmara ao ombro” (apesar de alguns exageros).
5. De forma improvável, as paisagens (e as pessoas) do Quénia surgem no grande ecrã enquadradas num dos grandes filmes deste ano.
Nota: 9/10.
1. Não conheço a realidade africana., mas o filme permite-me ter uma ideia. Ao menos isso.
2. O trabalho de Fernando Meirelles é politicamente certeiro e corajoso (parece surgir no momento certo), apostando no realismo sem deixar de lado a caracterização emocional das personagens e o seguimento de uma linha narrativa eficaz, que combina habilmente o drama e o “thriller”.
3. Sobre Rachel Weisz, é possível dizer que nasceu definitivamente uma actriz. Ralph Fiennes está irrepreensível. Os secundários cumprem com desembaraço a sua missão.
4. Ainda que não alcançando o nível de “Cidade de Deus” (a adaptação da obra de John Le Carré é talvez um filme mais convencional), Meirelles mostra todas as capacidades do seu estilo “câmara ao ombro” (apesar de alguns exageros).
5. De forma improvável, as paisagens (e as pessoas) do Quénia surgem no grande ecrã enquadradas num dos grandes filmes deste ano.
Nota: 9/10.
quarta-feira, dezembro 07, 2005
Mais guerra
Para completar um artigo sobre a abordagem da Guerra Colonial no cinema português que publiquei em 30 de Abril deste ano, falta-me falar de:
“A Costa dos Murmúrios” (2004), de Margarida Cardoso: Depois de “Natal 71”, a realizadora volta a debruçar-se sobre a acção militar portuguesa em Moçambique, adaptando um romance (que não conheço) de Lídia Jorge. A perspectiva do filme dirige-se para os efeitos psicológicos causados pelo conflito não só nos combatentes como nas mulheres que esperam o seu regresso. Ao mesmo tempo, denuncia-se o absurdo do discurso colonialista, ultrapassado pela realidade. Para além das paisagens naturais que Cardoso capta com tanta perícia, a primeira longa-metragem da cineasta baseia-se no trabalho de Beatriz Batarda (aqui em todo o seu esplendor) e Bernardo Sassetti (autor da cativante banda sonora). O ritmo narrativo algo vagaroso (talvez sejam em número exagerado as cenas introspectivas com Batarda a olhar para um sítio qualquer) constitui uma limitação, mas o trabalho de Cardoso consegue ser suficientemente profundo para passar a mensagem e dar espessura às personagens. Não se trata do “clássico” sobre a guerra de África (que ainda não surgiu), mas obtém uma visão bem conseguida da época analisada.
“A Costa dos Murmúrios” (2004), de Margarida Cardoso: Depois de “Natal 71”, a realizadora volta a debruçar-se sobre a acção militar portuguesa em Moçambique, adaptando um romance (que não conheço) de Lídia Jorge. A perspectiva do filme dirige-se para os efeitos psicológicos causados pelo conflito não só nos combatentes como nas mulheres que esperam o seu regresso. Ao mesmo tempo, denuncia-se o absurdo do discurso colonialista, ultrapassado pela realidade. Para além das paisagens naturais que Cardoso capta com tanta perícia, a primeira longa-metragem da cineasta baseia-se no trabalho de Beatriz Batarda (aqui em todo o seu esplendor) e Bernardo Sassetti (autor da cativante banda sonora). O ritmo narrativo algo vagaroso (talvez sejam em número exagerado as cenas introspectivas com Batarda a olhar para um sítio qualquer) constitui uma limitação, mas o trabalho de Cardoso consegue ser suficientemente profundo para passar a mensagem e dar espessura às personagens. Não se trata do “clássico” sobre a guerra de África (que ainda não surgiu), mas obtém uma visão bem conseguida da época analisada.
domingo, dezembro 04, 2005
Soraia
“O Crime do Padre Amaro”, de Carlos Coelho da Silva
É preciso esquecer desde logo que uma das quatro longas-metragens portuguesas mais vistas de sempre possui um título idêntico ao de um (grande) romance de Eça de Queirós. Na verdade, as situações ou personagens do filme claramente inspiradas no livro só dão vontade de rir pela deturpação que praticam.
Concebida originalmente como uma série televisiva (que será exibida na SIC, quando a carreira comercial do filme terminar), a obra de Coelho da Silva é sempre marcada por esse aspecto e nunca se adequa ao grande ecrã, não tendo sequer um genérico inicial digno desse nome. A montagem (de má qualidade) une cenas muitas vezes tão curtas que nada acrescentam à história, formando um conjunto sem grande nexo. O próprio ritmo da acção é mais adequado ao formato de série. Em resultado disso (mas não só), as personagens são deficientemente desenvolvidas, tornando o espectador indiferente às suas acções (nem sequer se consegue desprezar o padre Amaro, que nunca sabemos bem quem é).
O maior problema do argumento filmado sem grande talento por Coelho da Silva é o facto de tudo nele ser demasiado óbvio. A subtileza e a sensibilidade não são o forte de uma obra que berra tudo ao ouvido do espectador (como acontece com a juventude de Amaro), perdendo credibilidade e não tendo qualquer profundidade na sua “crítica social”. Quanto aos actores, Ana Bustorff e Nicolau Breyner estão ao seu nível habitual (apesar da debilidade das personagens), enquanto os outros nem isso. Jorge Corrula e Soraia Chaves são um autêntico desastre como protagonistas.
Fico contente por a SIC ter conseguido interessar novamente o público português pelo seu cinema, mas seria necessário descer o nível a este ponto? “O Crime do Padre Amaro” é um projecto falhado que parece existir apenas para mostrar (na íntegra) Soraia Chaves ao país.
A melhor cena: Os padres no cemitério.
A pior cena: Amélia “desaparece”.
Nota: 3/10.
É preciso esquecer desde logo que uma das quatro longas-metragens portuguesas mais vistas de sempre possui um título idêntico ao de um (grande) romance de Eça de Queirós. Na verdade, as situações ou personagens do filme claramente inspiradas no livro só dão vontade de rir pela deturpação que praticam.
Concebida originalmente como uma série televisiva (que será exibida na SIC, quando a carreira comercial do filme terminar), a obra de Coelho da Silva é sempre marcada por esse aspecto e nunca se adequa ao grande ecrã, não tendo sequer um genérico inicial digno desse nome. A montagem (de má qualidade) une cenas muitas vezes tão curtas que nada acrescentam à história, formando um conjunto sem grande nexo. O próprio ritmo da acção é mais adequado ao formato de série. Em resultado disso (mas não só), as personagens são deficientemente desenvolvidas, tornando o espectador indiferente às suas acções (nem sequer se consegue desprezar o padre Amaro, que nunca sabemos bem quem é).
O maior problema do argumento filmado sem grande talento por Coelho da Silva é o facto de tudo nele ser demasiado óbvio. A subtileza e a sensibilidade não são o forte de uma obra que berra tudo ao ouvido do espectador (como acontece com a juventude de Amaro), perdendo credibilidade e não tendo qualquer profundidade na sua “crítica social”. Quanto aos actores, Ana Bustorff e Nicolau Breyner estão ao seu nível habitual (apesar da debilidade das personagens), enquanto os outros nem isso. Jorge Corrula e Soraia Chaves são um autêntico desastre como protagonistas.
Fico contente por a SIC ter conseguido interessar novamente o público português pelo seu cinema, mas seria necessário descer o nível a este ponto? “O Crime do Padre Amaro” é um projecto falhado que parece existir apenas para mostrar (na íntegra) Soraia Chaves ao país.
A melhor cena: Os padres no cemitério.
A pior cena: Amélia “desaparece”.
Nota: 3/10.
domingo, novembro 27, 2005
Ao lado
“Um Tiro no Escuro”, de Leonel Vieira
O produtor Tino Navarro e o realizador Leonel Vieira voltaram a unir esforços, criando um filme vocacionado para obter o título de “blockbuster” português, devendo supostamente atingir os níveis de sucesso que viriam a ser alcançados por “O Crime do Padre Amaro”. Na verdade, ao contrário de outras obras que abordam o desaparecimento de uma criança cuja busca passa pelo aeroporto da Portela, “Um Tiro no Escuro” não convenceu muito nem a crítica nem o público.
Recorrendo à sua prática na realização de cenas de acção e ao gosto pelo movimento, Vieira procurou criar um “thriller” eficaz (como se faz lá fora), combinando-o com elementos dramáticos e profundidade psicológica. O fracasso do filme reside na sua incapacidade de atingir esse objectivo ambicioso. As cenas dramáticas resultam quase sempre bastante forçadas, com a banda sonora a atrapalhar mais que ajudar. O realizador não consegue retirar dos actores (a bom nível, com a excepção da inexperiente Vanessa Machado) verdadeiras emoções e conferir espessura às personagens. O impacte do final é em muito prejudicado por isto.
A história possui um bom ritmo, mas acaba por oferecer menos que o prometido (os “trailers” contam-na praticamente na totalidade). Os assaltos a bancos e outros episódios mais movimentados estão bem concebidos, mas não se distinguem do já visto em muitas outras longas-metragens. Apesar de dispor de bons meios e inegáveis qualidades de concepção, “Um Tiro no Escuro” não passa a fronteira entre o mediano e o bom. O recurso a um “product placement” demasiado óbvio (embora até seja agradável ver os actores a ler jornais a sério em vez dos habituais periódicos com títulos como “O Liberal”), marcando o rótulo “comercial” da obra, torna-se irritante.
Ainda não foi desta que Leonel Vieira conseguiu o grande filme “pipoqueiro” que parece ser capaz de realizar. Quantas vezes mais veremos António Melo no ecrã antes de isso acontecer?
A melhor cena: As duas perseguições simultâneas.
A pior cena: O último assalto.
Nota: 5/10.
O produtor Tino Navarro e o realizador Leonel Vieira voltaram a unir esforços, criando um filme vocacionado para obter o título de “blockbuster” português, devendo supostamente atingir os níveis de sucesso que viriam a ser alcançados por “O Crime do Padre Amaro”. Na verdade, ao contrário de outras obras que abordam o desaparecimento de uma criança cuja busca passa pelo aeroporto da Portela, “Um Tiro no Escuro” não convenceu muito nem a crítica nem o público.
Recorrendo à sua prática na realização de cenas de acção e ao gosto pelo movimento, Vieira procurou criar um “thriller” eficaz (como se faz lá fora), combinando-o com elementos dramáticos e profundidade psicológica. O fracasso do filme reside na sua incapacidade de atingir esse objectivo ambicioso. As cenas dramáticas resultam quase sempre bastante forçadas, com a banda sonora a atrapalhar mais que ajudar. O realizador não consegue retirar dos actores (a bom nível, com a excepção da inexperiente Vanessa Machado) verdadeiras emoções e conferir espessura às personagens. O impacte do final é em muito prejudicado por isto.
A história possui um bom ritmo, mas acaba por oferecer menos que o prometido (os “trailers” contam-na praticamente na totalidade). Os assaltos a bancos e outros episódios mais movimentados estão bem concebidos, mas não se distinguem do já visto em muitas outras longas-metragens. Apesar de dispor de bons meios e inegáveis qualidades de concepção, “Um Tiro no Escuro” não passa a fronteira entre o mediano e o bom. O recurso a um “product placement” demasiado óbvio (embora até seja agradável ver os actores a ler jornais a sério em vez dos habituais periódicos com títulos como “O Liberal”), marcando o rótulo “comercial” da obra, torna-se irritante.
Ainda não foi desta que Leonel Vieira conseguiu o grande filme “pipoqueiro” que parece ser capaz de realizar. Quantas vezes mais veremos António Melo no ecrã antes de isso acontecer?
A melhor cena: As duas perseguições simultâneas.
A pior cena: O último assalto.
Nota: 5/10.
sexta-feira, novembro 18, 2005
Fraco
Segundo o ICAM, os vinte filmes mais vistos nos cinemas portugueses entre Janeiro e Outubro foram:
1. “Madagáscar”
2. “Guerra dos Mundos”
3. “Mr. e Mrs. Smith”
4. “Uns Compadres do Pior”
5. “Ocean’s Twelve”
6. “Star Wars – Episódio III: A Vingança dos Sith”
7. “Million Dollar Baby – Sonhos Vencidos”
8. “A Ilha”
9. “Constantine”
10. “Hitch – A Cura para o Homem Comum”
11. “A Intérprete”
12. “Quarteto Fantástico”
13. “Uma Sogra de Fugir”
14. “Batman – O Início”
15. “Reino dos Céus”
16. “Vamos Dançar?”
17. “O Aviador”
18. “Charlie e a Fábrica de Chocolate”
19. “O Chupeta”
20. “Os Fura-Casamentos”
O topo da lista permanece igual em relação ao mês anterior e dificilmente poderá sofrer modificações até 31 de Dezembro (embora não se deva subestimar a força de Peter Jackson…). Na verdade, um sintoma da crise que se parece instalar nas bilheteiras em 2005 são os números relativamente modestos de entradas vendidas pelos títulos presentes na tabela dos 50 mais (o ultimo a ser mencionado, “O Amigo Oculto”, atraiu apenas 60.589 espectadores).
A propósito, destaque-se que “O Crime do Padre Amaro” ultrapassou os 95 mil espectadores nas duas primeiras semanas de exibição, o que lhe dá boas hipóteses de ir além da barreira psicológica dos 100 mil e colocar-se entre os trinta filmes mais vistos do ano. Para o cinema português, isto é inédito (desde que existe a contabilidade do ICAM) e digno de aplauso.
1. “Madagáscar”
2. “Guerra dos Mundos”
3. “Mr. e Mrs. Smith”
4. “Uns Compadres do Pior”
5. “Ocean’s Twelve”
6. “Star Wars – Episódio III: A Vingança dos Sith”
7. “Million Dollar Baby – Sonhos Vencidos”
8. “A Ilha”
9. “Constantine”
10. “Hitch – A Cura para o Homem Comum”
11. “A Intérprete”
12. “Quarteto Fantástico”
13. “Uma Sogra de Fugir”
14. “Batman – O Início”
15. “Reino dos Céus”
16. “Vamos Dançar?”
17. “O Aviador”
18. “Charlie e a Fábrica de Chocolate”
19. “O Chupeta”
20. “Os Fura-Casamentos”
O topo da lista permanece igual em relação ao mês anterior e dificilmente poderá sofrer modificações até 31 de Dezembro (embora não se deva subestimar a força de Peter Jackson…). Na verdade, um sintoma da crise que se parece instalar nas bilheteiras em 2005 são os números relativamente modestos de entradas vendidas pelos títulos presentes na tabela dos 50 mais (o ultimo a ser mencionado, “O Amigo Oculto”, atraiu apenas 60.589 espectadores).
A propósito, destaque-se que “O Crime do Padre Amaro” ultrapassou os 95 mil espectadores nas duas primeiras semanas de exibição, o que lhe dá boas hipóteses de ir além da barreira psicológica dos 100 mil e colocar-se entre os trinta filmes mais vistos do ano. Para o cinema português, isto é inédito (desde que existe a contabilidade do ICAM) e digno de aplauso.
domingo, novembro 13, 2005
Evangelização
Não é todas as semanas que um filme português alcança o segundo lugar da tabela das longas-metragens mais vistas nos cinemas nacionais. “O Crime do Padre Amaro”, de Carlos Coelho da Silva, conseguiu-o, sendo apenas ultrapassado, entre 27 de Outubro e 2 de Novembro, por “A Lenda de Zorro” (e fazendo melhor que “Wallace & Gromit: A Maldição do Coelhomem”, este com uma menor média de espectadores por sala). Os 53.470 bilhetes vendidos na primeira semana de exibição fazem, desde já, da obra produzida pela SIC o filme português mais visto de 2005. O carácter invulgar das receitas de “O Crime…” é comprovado pelos números do maior sucesso de 2004, “Balas e Bolinhos: O Regresso”, que se ficou pelas 52.448 entradas vendidas.
É verdade que preferia que fosse “Alice” a bater recordes. Mesmo assim, a carreira do filme de Marco Martins (presente em menos multiplexes que “O Crime…”) tem sido bastante interessante, avançando a imprensa a marca dos 30 mil espectadores. No entanto, o número vasto de centros comerciais em que o visionamento da obra de Coelho da Silva (que se trata, afinal, de um compacto da série a exibir pela SIC no próximo ano) é possibilitado, na sua terceira semana de exibição, aponta para a continuação e solidificação do sucesso. Depois das muitas tentativas falhadas ocorridas nos últimos anos, o cinema português consegue produzir um “blockbuster”.
Neste caso, o êxito de público é obtido contra a vontade da crítica, que trata a longa-metragem em questão com uma acentuada indiferença ou, mais raramente, com ásperas condenações (como a de Eurico de Barros, na sua crónica publicada no “DN” de ontem). A escassa fidelidade do argumento à narrativa imaginada por Eça de Queirós não faz igualmente esperar uma defesa da obra como objecto pedagógico. Assim, o que tem “O Crime…” que é diferente dos outros? O apoio e “marketing” da SIC, tal como a distribuição da fita pela Lusomundo, ajudam a explicar a atracção do público. O poderoso binómio sexo-acção, aproveitado na publicidade, contribui para diferenciar o filme do estereótipo desse cinema português que deixa perfeitamente indiferente a maioria do público. A aposta na criação de uma nova celebridade, a actriz-modelo Soraia Chaves, constitui outro elemento atractivo. É ainda possível referir a presença na obra de actores consagrados (Nicolau Breyner, Ruy de Carvalho) e até o título da produção, que sempre chama a atenção dos queirosianos.
Com uma estratégia comercial eficaz, “O Crime do Padre Amaro” acaba por diminuir a fronteira entre cinema e televisão, fazendo novamente discutir sobre se dar ao público o que ele quer é a melhor opção.
É verdade que preferia que fosse “Alice” a bater recordes. Mesmo assim, a carreira do filme de Marco Martins (presente em menos multiplexes que “O Crime…”) tem sido bastante interessante, avançando a imprensa a marca dos 30 mil espectadores. No entanto, o número vasto de centros comerciais em que o visionamento da obra de Coelho da Silva (que se trata, afinal, de um compacto da série a exibir pela SIC no próximo ano) é possibilitado, na sua terceira semana de exibição, aponta para a continuação e solidificação do sucesso. Depois das muitas tentativas falhadas ocorridas nos últimos anos, o cinema português consegue produzir um “blockbuster”.
Neste caso, o êxito de público é obtido contra a vontade da crítica, que trata a longa-metragem em questão com uma acentuada indiferença ou, mais raramente, com ásperas condenações (como a de Eurico de Barros, na sua crónica publicada no “DN” de ontem). A escassa fidelidade do argumento à narrativa imaginada por Eça de Queirós não faz igualmente esperar uma defesa da obra como objecto pedagógico. Assim, o que tem “O Crime…” que é diferente dos outros? O apoio e “marketing” da SIC, tal como a distribuição da fita pela Lusomundo, ajudam a explicar a atracção do público. O poderoso binómio sexo-acção, aproveitado na publicidade, contribui para diferenciar o filme do estereótipo desse cinema português que deixa perfeitamente indiferente a maioria do público. A aposta na criação de uma nova celebridade, a actriz-modelo Soraia Chaves, constitui outro elemento atractivo. É ainda possível referir a presença na obra de actores consagrados (Nicolau Breyner, Ruy de Carvalho) e até o título da produção, que sempre chama a atenção dos queirosianos.
Com uma estratégia comercial eficaz, “O Crime do Padre Amaro” acaba por diminuir a fronteira entre cinema e televisão, fazendo novamente discutir sobre se dar ao público o que ele quer é a melhor opção.
terça-feira, novembro 08, 2005
Cidade
“André Valente” (2004), de Catarina Ruivo
A primeira longa-metragem (não tão longa como isso, durando apenas 71 minutos) de Catarina Ruivo (responsável pelo argumento, montagem e realização) apresenta a perspectiva de um rapaz (Leonardo Viveiros) sobre as mudanças na sua vida provocadas pela partida do pai, nomeadamente as relações que estabelece com a mãe (Rita Durão) e um vizinho russo, Mikolai (Dmitry Bogomolov).
Com uma vertente “realista” expressa nas cenas filmadas nas ruas da Ameixoeira (Lisboa) ou na abordagem da imigração de Leste, a obra de Catarina Ruivo aposta igualmente num lado intimista concentrado nas personagens principais, acabando por não ser plenamente conseguida nas duas áreas. As boas interpretações, sobretudo a de Rita Durão, contribuem para ultrapassar essa fragilidade, tal como alguns pormenores que dão indicações interessantes sobre a capacidade de Ruivo para contar uma história.
A fraqueza técnica do filme, com uma montagem e uma fotografia ineficientes e a ausência de música, dificulta voos altos. A construção do argumento baseia-se numa sucessão de cenas curtas, algumas delas dispensáveis ou apresentando soluções pouco criativas. Na verdade, apesar de partir de uma perspectiva interessante, a história de André termina de forma repentina e deixando uma certa sensação de vazio.
Se compararmos “André Valente” com outro filme português do ano passado, “Sorte Nula”, verifica-se que, apesar das múltiplas diferenças, em ambos os casos ideias com algum valor e capacidade de conseguir a atenção do espectador acabam por ser limitadas pelas características dos projectos, que pouco trazem de novo ao cinema nacional. No entanto, Catarina Ruivo ainda tem muito tempo para aperfeiçoar as suas capacidades e afirmar-se como uma cineasta de relevo.
A melhor cena: A mãe de André cai no desespero.
A pior cena: André e Susana na casa assombrada.
Nota: 5/10.
A primeira longa-metragem (não tão longa como isso, durando apenas 71 minutos) de Catarina Ruivo (responsável pelo argumento, montagem e realização) apresenta a perspectiva de um rapaz (Leonardo Viveiros) sobre as mudanças na sua vida provocadas pela partida do pai, nomeadamente as relações que estabelece com a mãe (Rita Durão) e um vizinho russo, Mikolai (Dmitry Bogomolov).
Com uma vertente “realista” expressa nas cenas filmadas nas ruas da Ameixoeira (Lisboa) ou na abordagem da imigração de Leste, a obra de Catarina Ruivo aposta igualmente num lado intimista concentrado nas personagens principais, acabando por não ser plenamente conseguida nas duas áreas. As boas interpretações, sobretudo a de Rita Durão, contribuem para ultrapassar essa fragilidade, tal como alguns pormenores que dão indicações interessantes sobre a capacidade de Ruivo para contar uma história.
A fraqueza técnica do filme, com uma montagem e uma fotografia ineficientes e a ausência de música, dificulta voos altos. A construção do argumento baseia-se numa sucessão de cenas curtas, algumas delas dispensáveis ou apresentando soluções pouco criativas. Na verdade, apesar de partir de uma perspectiva interessante, a história de André termina de forma repentina e deixando uma certa sensação de vazio.
Se compararmos “André Valente” com outro filme português do ano passado, “Sorte Nula”, verifica-se que, apesar das múltiplas diferenças, em ambos os casos ideias com algum valor e capacidade de conseguir a atenção do espectador acabam por ser limitadas pelas características dos projectos, que pouco trazem de novo ao cinema nacional. No entanto, Catarina Ruivo ainda tem muito tempo para aperfeiçoar as suas capacidades e afirmar-se como uma cineasta de relevo.
A melhor cena: A mãe de André cai no desespero.
A pior cena: André e Susana na casa assombrada.
Nota: 5/10.
terça-feira, novembro 01, 2005
Opiniões
De modo que a minha lista dos melhores de 2005 por enquanto está assim:
1. “Million Dollar Baby”, de Clint Eastwood
2. “Charlie e a Fábrica de Chocolate”, de Tim Burton
3. “Wallace & Gromit: A Maldição do Coelhomem”, de Nick Park e Steve Box
4. “Sideways”, de Alexander Payne
5. “Alice”, de Marco Martins
6. “A Queda”, de Oliver Hirschbiegel
7. “Colisão”, de Paul Haggis
8. “Vera Drake”, de Mike Leigh
9. “Perto Demais”, de Mike Nichols
10. “Guerra dos Mundos”, de Steven Spielberg
Um grupo de autores de blogues especializados em cinema reuniu-se para criar o Claquete, um espaço onde são publicadas as críticas dos membros do vasto painel aos filmes actualmente em cartaz no país. As opiniões dos vários críticos são fáceis de acompanhar e comparar devido à existência de uma tabela de classificações. A abundância e qualidade do material publicado prometem tornar este blogue colectivo uma referência. As fortes divergências ideológicas que por vezes se verificam entre o Claquete e o Pipoca (vários colaboradores do primeiro "ousaram" desancar a nossa querida "Alice") podem, aliás, dar origem a discussões interessantes.
Há ainda a "polémica" lançada pela acusação de plágio feita ao Miguel Lourenço Pereira, mas não vale a pena dizer muito sobre algo tão absurdo e sem fundamento.
1. “Million Dollar Baby”, de Clint Eastwood
2. “Charlie e a Fábrica de Chocolate”, de Tim Burton
3. “Wallace & Gromit: A Maldição do Coelhomem”, de Nick Park e Steve Box
4. “Sideways”, de Alexander Payne
5. “Alice”, de Marco Martins
6. “A Queda”, de Oliver Hirschbiegel
7. “Colisão”, de Paul Haggis
8. “Vera Drake”, de Mike Leigh
9. “Perto Demais”, de Mike Nichols
10. “Guerra dos Mundos”, de Steven Spielberg
Um grupo de autores de blogues especializados em cinema reuniu-se para criar o Claquete, um espaço onde são publicadas as críticas dos membros do vasto painel aos filmes actualmente em cartaz no país. As opiniões dos vários críticos são fáceis de acompanhar e comparar devido à existência de uma tabela de classificações. A abundância e qualidade do material publicado prometem tornar este blogue colectivo uma referência. As fortes divergências ideológicas que por vezes se verificam entre o Claquete e o Pipoca (vários colaboradores do primeiro "ousaram" desancar a nossa querida "Alice") podem, aliás, dar origem a discussões interessantes.
Há ainda a "polémica" lançada pela acusação de plágio feita ao Miguel Lourenço Pereira, mas não vale a pena dizer muito sobre algo tão absurdo e sem fundamento.
segunda-feira, outubro 31, 2005
Queijo
“Wallace & Gromit: A Maldição do Coelhomem”, de Nick Park e Steve Box
A passagem para a longa-metragem vem transformar Wallace e Gromit, as figuras “very british” de plasticina criadas por Nick Park, em personagens de culto com as quais se podem fazer dezenas de filmes sem nunca perderem a graça. Não há qualquer problema na transição entre a meia hora e os 85 minutos, com a maior duração a estimular o dinamismo e a comicidade do argumento.
A realização de Park e Box é bastante inteligente, encontrando sempre um plano ou uma perspectiva inovadores (ou deliciosamente “reciclados”, como as cenas inspiradas em “King Kong”) e mantendo o ritmo sem falhas da história, contando ainda com a capacidade (já demonstrada nas curtas) de criar acção e “suspense” empolgantes. Sem nunca cair no tédio, “A Maldição do Coelhomem” também nunca deixa de ser engraçado. Os “gags” e trocadilhos são muito criativos e bem conseguidos, havendo a preocupação de não nivelar por baixo, ou seja, não fazer uma animação para putos que os pais se limitam a aturar nem exagerar nos contornos “adultos” da comédia.
O filme é particularmente eficaz na criação do mundo próprio que rodeia Wallace e Gromit, combinando, a nível visual, elementos antigos e modernos (apesar de toda a “tecnologia” permanentemente utilizada pelos heróis, não há rádio, televisão ou computadores nos cenários). Surge também uma galeria de personagens secundárias (de cromos, tendo em conta um dos produtos do “merchandising”) com características individuais e um papel na narrativa bem definidos, sem ocuparem tempo a mais ou a menos.
Mesmo que lhe falte qualquer coisa (sei lá o quê, mas falta) para atingir a perfeição, a longa-metragem de Park e Box prova como a paciência dá bons frutos e o cinema de animação em “stop-motion” ainda tem muito para dar. Resta-nos esperar pelas próximas aventuras da carismática dupla britânica.
A melhor cena: A luta de Gromit e Phillip.
A pior cena: A tradução de “launch” para “almoço”.
Nota: 9/10.
A passagem para a longa-metragem vem transformar Wallace e Gromit, as figuras “very british” de plasticina criadas por Nick Park, em personagens de culto com as quais se podem fazer dezenas de filmes sem nunca perderem a graça. Não há qualquer problema na transição entre a meia hora e os 85 minutos, com a maior duração a estimular o dinamismo e a comicidade do argumento.
A realização de Park e Box é bastante inteligente, encontrando sempre um plano ou uma perspectiva inovadores (ou deliciosamente “reciclados”, como as cenas inspiradas em “King Kong”) e mantendo o ritmo sem falhas da história, contando ainda com a capacidade (já demonstrada nas curtas) de criar acção e “suspense” empolgantes. Sem nunca cair no tédio, “A Maldição do Coelhomem” também nunca deixa de ser engraçado. Os “gags” e trocadilhos são muito criativos e bem conseguidos, havendo a preocupação de não nivelar por baixo, ou seja, não fazer uma animação para putos que os pais se limitam a aturar nem exagerar nos contornos “adultos” da comédia.
O filme é particularmente eficaz na criação do mundo próprio que rodeia Wallace e Gromit, combinando, a nível visual, elementos antigos e modernos (apesar de toda a “tecnologia” permanentemente utilizada pelos heróis, não há rádio, televisão ou computadores nos cenários). Surge também uma galeria de personagens secundárias (de cromos, tendo em conta um dos produtos do “merchandising”) com características individuais e um papel na narrativa bem definidos, sem ocuparem tempo a mais ou a menos.
Mesmo que lhe falte qualquer coisa (sei lá o quê, mas falta) para atingir a perfeição, a longa-metragem de Park e Box prova como a paciência dá bons frutos e o cinema de animação em “stop-motion” ainda tem muito para dar. Resta-nos esperar pelas próximas aventuras da carismática dupla britânica.
A melhor cena: A luta de Gromit e Phillip.
A pior cena: A tradução de “launch” para “almoço”.
Nota: 9/10.
terça-feira, outubro 25, 2005
25
Ultrapassámos no último fim-de-semana as 25 mil visitas. Demorou tempo (27 meses), mas chegámos lá.
Um pretexto como qualquer outro para agradecer e mandar um abraço a todos aqueles que, sei lá eu porquê, insistem em abrir esta página e ler um blogue modesto mas honrado...
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quarta-feira, outubro 19, 2005
Inverno
“Alice”, de Marco Martins
O que tem “Alice” que justifique tanto falatório?
1. Nunca perdi a esperança no cinema português. Entre muitos fracassos e algumas propostas interessantes, surgiam boas ideias que tornavam a nossa actual cinematografia, à sua (pequena) escala, digna de registo. Havia, no entanto, um problema: os cineastas lusos conseguiam fazer longas-metragens boas, mas nunca óptimas. Parecia existir sempre um obstáculo (talvez fossem vários) a impedir resultados verdadeiramente memoráveis. Marco Martins ultrapassou essa barreira. Esperemos que outros consigam triunfar.
2. A campanha publicitária mostrou-se mais ambiciosa que o costume, não se limitando aos anúncios e páginas oficiais da Atalanta. O “teaser poster” foi colocado em vários pontos de Lisboa e publicado na imprensa, chamando a atenção para o projecto. Depois vieram a imprensa e a blogosfera atrás do filme, sem qualquer ar de frete. E o público foi.
3. Nuno Lopes, claro. Um daqueles papéis que marcam para sempre um actor (embora ainda tenhamos muito a esperar de um intérprete tão versátil). Beatriz Batarda, com menos tempo no ecrã, é sempre uma mais-valia para o cinema. Os secundários (dos quais se destacam Miguel Guilherme e Gonçalo Waddington) são igualmente eficazes.
4. A banda sonora de Bernardo Sassetti combina de tal forma com as imagens que a certa altura já nem damos por ela. Um trabalho de mestre.
5. Sem o saberem, os transeuntes e utentes dos transportes públicos filmados por Martins foram figurantes perfeitos. Dando a “Alice” um lado “realista” (como retrato da sua época) e documental, as imagens de multidões evidenciam o cansaço e o anonimato que dominam as áreas urbanas.
6. Martins prova deter ideias originais de realização e leva a cabo um trabalho dinâmico que combina vários registos sem nunca aborrecer.
7. Uma história triste, muito triste, por vezes limitada na sua premissa mas bem contada e (com a ajuda preciosa de Lopes) eficaz na relação filme-espectador. Quanto ao final, obviamente não é aquele que nós queríamos ver… mas acaba por ser o mais adequado, mantendo a coesão interna.
8. O melhor filme português de sempre? Se não existisse “A Suspeita” (a curta de animação multipremiada de José Miguel Ribeiro), não seria difícil dar-lhe esse título. Assim, é difícil decidir (são obras em tudo diferentes), mas “Alice” é realmente uma lufada de ar fresco no panorama cinematográfico nacional. Finalmente, uma longa-metragem portuguesa que pode ser considerada boa em qualquer parte do mundo.
A melhor cena: Mário percorre o comboio.
A pior cena: Mário na festa.
Nota: 9/10.
P.S. Parecem vir maus ventos da SIC, que financia o filme “O Crime do Padre Amaro”, em breve nos cinemas. Adaptações da obra de Eça de Queirós para a actualidade com cenas de acção pelo meio são no mínimo perigosas. Não parece conseguir ir além do nível (modesto) do filme mexicano.
O que tem “Alice” que justifique tanto falatório?
1. Nunca perdi a esperança no cinema português. Entre muitos fracassos e algumas propostas interessantes, surgiam boas ideias que tornavam a nossa actual cinematografia, à sua (pequena) escala, digna de registo. Havia, no entanto, um problema: os cineastas lusos conseguiam fazer longas-metragens boas, mas nunca óptimas. Parecia existir sempre um obstáculo (talvez fossem vários) a impedir resultados verdadeiramente memoráveis. Marco Martins ultrapassou essa barreira. Esperemos que outros consigam triunfar.
2. A campanha publicitária mostrou-se mais ambiciosa que o costume, não se limitando aos anúncios e páginas oficiais da Atalanta. O “teaser poster” foi colocado em vários pontos de Lisboa e publicado na imprensa, chamando a atenção para o projecto. Depois vieram a imprensa e a blogosfera atrás do filme, sem qualquer ar de frete. E o público foi.
3. Nuno Lopes, claro. Um daqueles papéis que marcam para sempre um actor (embora ainda tenhamos muito a esperar de um intérprete tão versátil). Beatriz Batarda, com menos tempo no ecrã, é sempre uma mais-valia para o cinema. Os secundários (dos quais se destacam Miguel Guilherme e Gonçalo Waddington) são igualmente eficazes.
4. A banda sonora de Bernardo Sassetti combina de tal forma com as imagens que a certa altura já nem damos por ela. Um trabalho de mestre.
5. Sem o saberem, os transeuntes e utentes dos transportes públicos filmados por Martins foram figurantes perfeitos. Dando a “Alice” um lado “realista” (como retrato da sua época) e documental, as imagens de multidões evidenciam o cansaço e o anonimato que dominam as áreas urbanas.
6. Martins prova deter ideias originais de realização e leva a cabo um trabalho dinâmico que combina vários registos sem nunca aborrecer.
7. Uma história triste, muito triste, por vezes limitada na sua premissa mas bem contada e (com a ajuda preciosa de Lopes) eficaz na relação filme-espectador. Quanto ao final, obviamente não é aquele que nós queríamos ver… mas acaba por ser o mais adequado, mantendo a coesão interna.
8. O melhor filme português de sempre? Se não existisse “A Suspeita” (a curta de animação multipremiada de José Miguel Ribeiro), não seria difícil dar-lhe esse título. Assim, é difícil decidir (são obras em tudo diferentes), mas “Alice” é realmente uma lufada de ar fresco no panorama cinematográfico nacional. Finalmente, uma longa-metragem portuguesa que pode ser considerada boa em qualquer parte do mundo.
A melhor cena: Mário percorre o comboio.
A pior cena: Mário na festa.
Nota: 9/10.
P.S. Parecem vir maus ventos da SIC, que financia o filme “O Crime do Padre Amaro”, em breve nos cinemas. Adaptações da obra de Eça de Queirós para a actualidade com cenas de acção pelo meio são no mínimo perigosas. Não parece conseguir ir além do nível (modesto) do filme mexicano.
terça-feira, outubro 18, 2005
Gritos
Só para preencher o vazio, críticas em três frases a três filmes de Alfred Hitchcock:
“O Homem que Sabia Demais” (1955): Não é dos melhores filmes de Hitch (falta-lhe génio), dando a sensação de uma certa artificialidade e de uma Doris Day pouco à vontade. No entanto, merece bem o visionamento. Destaque para as sequências do assassinato em Marraquexe e dos címbalos no Royal Albert Hall.
Nota: 7/10.
“Psico” (1960): Se não é perfeito, anda muito lá perto. Nunca mais se fez nada assim (incluindo a engenhosa campanha publicitária que acompanhou a estreia). Mesmo quem já conhece as reviravoltas surpreende-se com a qualidade da construção do argumento e a habilidade do realizador em chocar.
Nota: 10/10.
“Os Pássaros” (1963): Começa por parecer um filme mediano mas novamente ocorre uma cambalhota que orienta a história numa direcção inesperada (para o público e as personagens). É habilíssimo sobretudo nas cenas de permanente “suspense”. Os planos das aves agora donas e senhoras do território são inesquecíveis.
Nota: 9/10.
“O Homem que Sabia Demais” (1955): Não é dos melhores filmes de Hitch (falta-lhe génio), dando a sensação de uma certa artificialidade e de uma Doris Day pouco à vontade. No entanto, merece bem o visionamento. Destaque para as sequências do assassinato em Marraquexe e dos címbalos no Royal Albert Hall.
Nota: 7/10.
“Psico” (1960): Se não é perfeito, anda muito lá perto. Nunca mais se fez nada assim (incluindo a engenhosa campanha publicitária que acompanhou a estreia). Mesmo quem já conhece as reviravoltas surpreende-se com a qualidade da construção do argumento e a habilidade do realizador em chocar.
Nota: 10/10.
“Os Pássaros” (1963): Começa por parecer um filme mediano mas novamente ocorre uma cambalhota que orienta a história numa direcção inesperada (para o público e as personagens). É habilíssimo sobretudo nas cenas de permanente “suspense”. Os planos das aves agora donas e senhoras do território são inesquecíveis.
Nota: 9/10.
segunda-feira, outubro 10, 2005
Alice
- Não costumo ter esperança no cinema feito em Portugal.
- Não morro de amores pelo produtor Paulo Branco a quem se podem apontar muitas culpas pela sonolência da máquina cinematográfica lusa.
- Nunca vi um filme português que tecnicamente não me fizesse sentir embaraçado e com vontade de ter os meus cinco euros de volta.
- Raramente vi um filme luso com banda sonora lusa e feita para o filme
E assim vi Alice. Posso afirmar que é falta de respeito dizer que é o melhor filme Português que já vi. Alice é a meu ver bom em qualquer contexto cinematográfico.
As ideias narrativas são fortes e bem desenvolvidas quer narrativamente quer tecnicamente, os actores estão bem, estando Nuno Lopes um assombro.
E que dizer da realização? Fantástica! O rigor e as ideias de Marco Martins trazem ao cinema português uma sensação de saber e quer fazer algo diferente e com qualidade.
O filme consegue ter uma lógica interna que nunca se quebra e que deixa no final um desconcerto muito grande ao espectador.
Haja esperança!!
- Não morro de amores pelo produtor Paulo Branco a quem se podem apontar muitas culpas pela sonolência da máquina cinematográfica lusa.
- Nunca vi um filme português que tecnicamente não me fizesse sentir embaraçado e com vontade de ter os meus cinco euros de volta.
- Raramente vi um filme luso com banda sonora lusa e feita para o filme
E assim vi Alice. Posso afirmar que é falta de respeito dizer que é o melhor filme Português que já vi. Alice é a meu ver bom em qualquer contexto cinematográfico.
As ideias narrativas são fortes e bem desenvolvidas quer narrativamente quer tecnicamente, os actores estão bem, estando Nuno Lopes um assombro.
E que dizer da realização? Fantástica! O rigor e as ideias de Marco Martins trazem ao cinema português uma sensação de saber e quer fazer algo diferente e com qualidade.
O filme consegue ter uma lógica interna que nunca se quebra e que deixa no final um desconcerto muito grande ao espectador.
Haja esperança!!
sábado, outubro 08, 2005
Campeões
De acordo com os dados fornecidos pelo ICAM, os dez filmes mais vistos nos cinemas portugueses entre 1 de Janeiro e 28 de Setembro de 2005 foram:
1. “Madagáscar”
2. “Guerra dos Mundos”
3. “Mr. e Mrs. Smith”
4. “Uns Compadres do Pior”
5. “Ocean’s Twelve”
6. “Star Wars – Episódio III: A Vingança dos Sith”
7. “Million Dollar Baby – Sonhos Vencidos”
8. “A Ilha”
9. “Constantine”
10. “Hitch – A Cura para o Homem Comum”
Uma vez que já passou a época dos grandes “blockbusters”, esta lista não deverá sofrer alterações de vulto até ao final do ano. Sobre a tabela relativa à semana de 22 a 28 de Setembro, é possível apontar alguns factos curiosos. Assim, “A Ilha” foge ao estigma do insucesso com que veio dos Estados Unidos (provavelmente em resultado da forte campanha publicitária e da predilecção do público nacional por explosões e louras vistosas), “À Boleia pela Galáxia” obtém fracos resultados (menos de 35 mil espectadores em cinco semanas de exibição) e “Colisão” constitui um fenómeno a assinalar: permanece no rol dos vinte mais vistos (quando “Madagáscar” e “Guerra dos Mundos” já o abandonaram) ao fim de 98 dias de projecções. No entanto, essa durabilidade traduz-se em 69.570 bilhetes vendidos, um número que está longe de impressionar (qualquer comédia americana de nível médio-baixo consegue fazer melhor). O filme de Haggis parece viver muito do boca-a-boca existente dentro de uma “elite” de frequentadores de cinemas, devido à falta do “marketing” e das promoções com que Michael Bay e outros cineastas invadem os multiplexes.
1. “Madagáscar”
2. “Guerra dos Mundos”
3. “Mr. e Mrs. Smith”
4. “Uns Compadres do Pior”
5. “Ocean’s Twelve”
6. “Star Wars – Episódio III: A Vingança dos Sith”
7. “Million Dollar Baby – Sonhos Vencidos”
8. “A Ilha”
9. “Constantine”
10. “Hitch – A Cura para o Homem Comum”
Uma vez que já passou a época dos grandes “blockbusters”, esta lista não deverá sofrer alterações de vulto até ao final do ano. Sobre a tabela relativa à semana de 22 a 28 de Setembro, é possível apontar alguns factos curiosos. Assim, “A Ilha” foge ao estigma do insucesso com que veio dos Estados Unidos (provavelmente em resultado da forte campanha publicitária e da predilecção do público nacional por explosões e louras vistosas), “À Boleia pela Galáxia” obtém fracos resultados (menos de 35 mil espectadores em cinco semanas de exibição) e “Colisão” constitui um fenómeno a assinalar: permanece no rol dos vinte mais vistos (quando “Madagáscar” e “Guerra dos Mundos” já o abandonaram) ao fim de 98 dias de projecções. No entanto, essa durabilidade traduz-se em 69.570 bilhetes vendidos, um número que está longe de impressionar (qualquer comédia americana de nível médio-baixo consegue fazer melhor). O filme de Haggis parece viver muito do boca-a-boca existente dentro de uma “elite” de frequentadores de cinemas, devido à falta do “marketing” e das promoções com que Michael Bay e outros cineastas invadem os multiplexes.
quarta-feira, outubro 05, 2005
Qualidade
Bem, não vi tantos filmes como seria desejável, mas para mim as longas-metragens de maior valor estreadas em Portugal nos primeiros três trimestres de 2005 foram:
1. “Million Dollar Baby”, de Clint Eastwood
2. “Charlie e a Fábrica de Chocolate”, de Tim Burton
3. “Sideways”, de Alexander Payne
4. “A Queda”, de Oliver Hirschbiegel
5. “Colisão”, de Paul Haggis
6. “Vera Drake”, de Mike Leigh
7. “Perto Demais”, de Mike Nichols
8. “Guerra dos Mundos”, de Steven Spielberg
9. “O Assassínio de Richard Nixon”, de Niels Mueller
10. “Team America: Polícia Mundial”, de Trey Parker
Resta saber que títulos dignos do "top" surgirão no Outono...
1. “Million Dollar Baby”, de Clint Eastwood
2. “Charlie e a Fábrica de Chocolate”, de Tim Burton
3. “Sideways”, de Alexander Payne
4. “A Queda”, de Oliver Hirschbiegel
5. “Colisão”, de Paul Haggis
6. “Vera Drake”, de Mike Leigh
7. “Perto Demais”, de Mike Nichols
8. “Guerra dos Mundos”, de Steven Spielberg
9. “O Assassínio de Richard Nixon”, de Niels Mueller
10. “Team America: Polícia Mundial”, de Trey Parker
Resta saber que títulos dignos do "top" surgirão no Outono...
segunda-feira, outubro 03, 2005
Vespa
“Querido Diário” (1994), de Nanni Moretti
É difícil falar da “história” deste filme de um dos cineastas mais populares em Cannes. Num misto de comédia, documentário e “reality-show”, surge uma compilação de três curtas narradas e protagonizadas por Moretti, que, tal como o título indica, revela ao espectador os seus pensamentos e experiências, oscilando entre a realidade e a ficção. Um exercício narcisista? Nem por isso (há realizadores bem mais concentrados em si próprios, como Michael Moore). Moretti limita-se a apresentar a realidade que o rodeia, a partir de um ponto de vista com o qual depressa nos identificamos. Apesar das limitações do formato, “Querido Diário” acaba por fascinar na sua simplicidade.
Na primeira parte do filme, acompanhamos o realizador nas suas viagens de Vespa pela cidade de Roma. Em muitas cenas, bastam um homem, uma paisagem urbana e uma banda sonora cuidadosamente seleccionada para criar grandes momentos de cinema (sobre o qual Moretti reflecte, como espectador).
Uma vez que é (infelizmente) difícil construir uma longa-metragem inteira com fachadas de prédios, o realizador muda de cenário no segundo capítulo, viajando por várias ilhas italianas e utilizando um “efeito especial” idêntico, agora no meio da Natureza. Aqui existe uma vertente mais cómica, com diferentes comportamentos sociais em cada ponto de passagem e um intelectual que percebe repentinamente como a televisão é indispensável à vida.
Por fim, Moretti recorre a uma dramatização dos seus problemas de saúde e dos tratamentos por que passou, lançando sérias dúvidas sobre a competência dos profissionais da medicina e expondo um relato entre o trágico e o hilariante.
Muito diferente do clássico “O Quarto do Filho” (2001), “Querido Diário” é, apesar disso, uma experiência bem sucedida, cheia de sentido de humor e plenamente conseguida no que toca ao aproveitamento visual dos cenários em que decorre. Só é pena que o DVD da Atalanta seja pobre em extras, limitando-se a apresentar os “trailers” dos últimos três filmes do cineasta.
A melhor cena: Nanni fala com os turistas americanos no vulcão de Stromboli.
A pior cena: Nanni dorme no barco.
Nota: 8/10.
É difícil falar da “história” deste filme de um dos cineastas mais populares em Cannes. Num misto de comédia, documentário e “reality-show”, surge uma compilação de três curtas narradas e protagonizadas por Moretti, que, tal como o título indica, revela ao espectador os seus pensamentos e experiências, oscilando entre a realidade e a ficção. Um exercício narcisista? Nem por isso (há realizadores bem mais concentrados em si próprios, como Michael Moore). Moretti limita-se a apresentar a realidade que o rodeia, a partir de um ponto de vista com o qual depressa nos identificamos. Apesar das limitações do formato, “Querido Diário” acaba por fascinar na sua simplicidade.
Na primeira parte do filme, acompanhamos o realizador nas suas viagens de Vespa pela cidade de Roma. Em muitas cenas, bastam um homem, uma paisagem urbana e uma banda sonora cuidadosamente seleccionada para criar grandes momentos de cinema (sobre o qual Moretti reflecte, como espectador).
Uma vez que é (infelizmente) difícil construir uma longa-metragem inteira com fachadas de prédios, o realizador muda de cenário no segundo capítulo, viajando por várias ilhas italianas e utilizando um “efeito especial” idêntico, agora no meio da Natureza. Aqui existe uma vertente mais cómica, com diferentes comportamentos sociais em cada ponto de passagem e um intelectual que percebe repentinamente como a televisão é indispensável à vida.
Por fim, Moretti recorre a uma dramatização dos seus problemas de saúde e dos tratamentos por que passou, lançando sérias dúvidas sobre a competência dos profissionais da medicina e expondo um relato entre o trágico e o hilariante.
Muito diferente do clássico “O Quarto do Filho” (2001), “Querido Diário” é, apesar disso, uma experiência bem sucedida, cheia de sentido de humor e plenamente conseguida no que toca ao aproveitamento visual dos cenários em que decorre. Só é pena que o DVD da Atalanta seja pobre em extras, limitando-se a apresentar os “trailers” dos últimos três filmes do cineasta.
A melhor cena: Nanni fala com os turistas americanos no vulcão de Stromboli.
A pior cena: Nanni dorme no barco.
Nota: 8/10.
sábado, outubro 01, 2005
Novas
A primeira longa-metragem (e não a primeira curta, como Tiago R. Santos escreve por lapso na “Atlântico” de 29 de Setembro) de Marco Martins, “Alice”, está a receber um “hype” positivo muito raro no que se refere ao cinema português. Tudo se conjuga para isso: a recepção do filme em Cannes, os elogios de críticos estrangeiros, o prestígio dos actores Nuno Lopes e Beatriz Batarda, a atenção concedida pela imprensa e blogosfera e até uma campanha publicitária surpreendentemente interessante (os anúncios de página inteira publicados nos jornais são “teasers” eficazes). “Alice” não deverá ser um grande êxito de bilheteira (falta saber quantas salas exibirão a produção da Madragoa Filmes a partir da próxima quinta-feira e o tema pesado da obra pode afastar espectadores), mas, se corresponder às expectativas geradas, o filme de Marco Martins ficará na memória dos cinéfilos lusos. Quantas longas-metragens portuguesas conseguiram isso nos últimos anos?
Entretanto, o blogue do momento é o Noite Americana, redigido por Luís Filipe Borges, Paulo Narigão Reis e outros antigos colaboradores do extinto diário “A Capital”. A atenção recebida deve-se não só à “celebridade” dos autores, mas também ao bom humor, informalidade e criatividade do espaço (que caracteriza como poucos a experiência individual de ir ao cinema). Quando for crescido, quero ter um blogue assim.
Entretanto, o blogue do momento é o Noite Americana, redigido por Luís Filipe Borges, Paulo Narigão Reis e outros antigos colaboradores do extinto diário “A Capital”. A atenção recebida deve-se não só à “celebridade” dos autores, mas também ao bom humor, informalidade e criatividade do espaço (que caracteriza como poucos a experiência individual de ir ao cinema). Quando for crescido, quero ter um blogue assim.
Ganza
Enfim, mais uma ganza de Spike Lee. (a Spike Lee joint para os que não conhecem o realizador)
Desta vez fico com a sensação de Lee estraga dois belos argumentos de uma vez. Por um lado um filme mais clássico de luta sobre ética na sociedade actual e uma comédia sobre um "engravidador" de lésbicas.
Não resulta esta junção de dois filmes tão dispares. Lee parece que foi pressionado para criar um filme mais leve e com verdadeira piada... e ela existe. O filme tem momentos de comédia e de drama fabulosos mas juntos não resultam. Parece que estamos na presença de um drama existencial de um realizador que não sabe qual a direcção que pretende tomar.
Os momentos de NY são mágicos, os actores são muito bons, principalmente o protagonista que nunca cede a sua credibilidade perante algo tão estapafurdio.
Para os verdadeiros fãs de Spike Lee é de visão obrigatória para os restantes é um divertimento interssante...
Desta vez fico com a sensação de Lee estraga dois belos argumentos de uma vez. Por um lado um filme mais clássico de luta sobre ética na sociedade actual e uma comédia sobre um "engravidador" de lésbicas.
Não resulta esta junção de dois filmes tão dispares. Lee parece que foi pressionado para criar um filme mais leve e com verdadeira piada... e ela existe. O filme tem momentos de comédia e de drama fabulosos mas juntos não resultam. Parece que estamos na presença de um drama existencial de um realizador que não sabe qual a direcção que pretende tomar.
Os momentos de NY são mágicos, os actores são muito bons, principalmente o protagonista que nunca cede a sua credibilidade perante algo tão estapafurdio.
Para os verdadeiros fãs de Spike Lee é de visão obrigatória para os restantes é um divertimento interssante...
terça-feira, setembro 27, 2005
Núpcias
“Os Fura-Casamentos”, de David Dobkin
A minha expectativa natural antes do visionamento de um dos maiores sucessos dos últimos tempos nas bilheteiras americanas era encontrar uma fórmula típica dos filmes com Owen Wilson e Ben Stiller (“Um Sogro do Pior”, “Zoolander”, “Starsky & Hutch”, entre outros): premissa interessante, combinação eficaz de actores, empatia do espectador com as personagens, muitos “gags” com piada e outros lá perto, história previsível q.b., despretensiosismo, etc. Enfim, a habitual fita bem-disposta e ideal para levar o pessoal todo ao cinema. E a verdade é que “Os Fura-Casamentos” segue à risca esse modelo.
Aqui, Vince Vaughn substitui Stiller, mas forma na perfeição a dupla com Wilson. Aliás, Vaughn é um actor de comédia exímio a nível físico e verbal que merece ser seguido com atenção. Will Ferrell, num pequeno mas hilariante papel, é outra grande revelação dos últimos anos. Já Christopher Walken, num registo pouco habitual, limita-se a não desiludir, sem momentos de grande valor.
A longa-metragem começa com um ritmo frenético, incluindo uma longa sequência que mostra como os dois “penetras” fazem a festa (oxalá os casamentos portugueses fossem assim tão divertidos…) sem pensar no amanhã. Os primeiros “gags” agarram desde logo o público ao filme. Mais tarde, é introduzido o elemento romântico, com momentos altos e baixos. A dada altura, vemos “Os Fura-Casamentos” a tropeçar em sucessivos clichés do género (o vilão, o homossexual, a discussão dos amigos, o período em que toda a gente anda chateada, o desenlace no casamento…) e a perder ritmo. Mas que fazer? O saldo global é mais positivo que negativo, nunca caindo a obra no disparate.
“Os Fura-Casamentos” não é Monty Python (nem procura inovar em excesso). É apenas uma comédia com o mínimo necessário de inteligência e doses ligeiras de loucura que acaba por ser agradável de consumir.
A melhor cena: Chazz no funeral.
A pior cena: John e Claire na praia.
Nota: 6/10.
A minha expectativa natural antes do visionamento de um dos maiores sucessos dos últimos tempos nas bilheteiras americanas era encontrar uma fórmula típica dos filmes com Owen Wilson e Ben Stiller (“Um Sogro do Pior”, “Zoolander”, “Starsky & Hutch”, entre outros): premissa interessante, combinação eficaz de actores, empatia do espectador com as personagens, muitos “gags” com piada e outros lá perto, história previsível q.b., despretensiosismo, etc. Enfim, a habitual fita bem-disposta e ideal para levar o pessoal todo ao cinema. E a verdade é que “Os Fura-Casamentos” segue à risca esse modelo.
Aqui, Vince Vaughn substitui Stiller, mas forma na perfeição a dupla com Wilson. Aliás, Vaughn é um actor de comédia exímio a nível físico e verbal que merece ser seguido com atenção. Will Ferrell, num pequeno mas hilariante papel, é outra grande revelação dos últimos anos. Já Christopher Walken, num registo pouco habitual, limita-se a não desiludir, sem momentos de grande valor.
A longa-metragem começa com um ritmo frenético, incluindo uma longa sequência que mostra como os dois “penetras” fazem a festa (oxalá os casamentos portugueses fossem assim tão divertidos…) sem pensar no amanhã. Os primeiros “gags” agarram desde logo o público ao filme. Mais tarde, é introduzido o elemento romântico, com momentos altos e baixos. A dada altura, vemos “Os Fura-Casamentos” a tropeçar em sucessivos clichés do género (o vilão, o homossexual, a discussão dos amigos, o período em que toda a gente anda chateada, o desenlace no casamento…) e a perder ritmo. Mas que fazer? O saldo global é mais positivo que negativo, nunca caindo a obra no disparate.
“Os Fura-Casamentos” não é Monty Python (nem procura inovar em excesso). É apenas uma comédia com o mínimo necessário de inteligência e doses ligeiras de loucura que acaba por ser agradável de consumir.
A melhor cena: Chazz no funeral.
A pior cena: John e Claire na praia.
Nota: 6/10.
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