A primeira longa-metragem (e não a primeira curta, como Tiago R. Santos escreve por lapso na “Atlântico” de 29 de Setembro) de Marco Martins, “Alice”, está a receber um “hype” positivo muito raro no que se refere ao cinema português. Tudo se conjuga para isso: a recepção do filme em Cannes, os elogios de críticos estrangeiros, o prestígio dos actores Nuno Lopes e Beatriz Batarda, a atenção concedida pela imprensa e blogosfera e até uma campanha publicitária surpreendentemente interessante (os anúncios de página inteira publicados nos jornais são “teasers” eficazes). “Alice” não deverá ser um grande êxito de bilheteira (falta saber quantas salas exibirão a produção da Madragoa Filmes a partir da próxima quinta-feira e o tema pesado da obra pode afastar espectadores), mas, se corresponder às expectativas geradas, o filme de Marco Martins ficará na memória dos cinéfilos lusos. Quantas longas-metragens portuguesas conseguiram isso nos últimos anos?
Entretanto, o blogue do momento é o Noite Americana, redigido por Luís Filipe Borges, Paulo Narigão Reis e outros antigos colaboradores do extinto diário “A Capital”. A atenção recebida deve-se não só à “celebridade” dos autores, mas também ao bom humor, informalidade e criatividade do espaço (que caracteriza como poucos a experiência individual de ir ao cinema). Quando for crescido, quero ter um blogue assim.
sábado, outubro 01, 2005
Ganza
Enfim, mais uma ganza de Spike Lee. (a Spike Lee joint para os que não conhecem o realizador)
Desta vez fico com a sensação de Lee estraga dois belos argumentos de uma vez. Por um lado um filme mais clássico de luta sobre ética na sociedade actual e uma comédia sobre um "engravidador" de lésbicas.
Não resulta esta junção de dois filmes tão dispares. Lee parece que foi pressionado para criar um filme mais leve e com verdadeira piada... e ela existe. O filme tem momentos de comédia e de drama fabulosos mas juntos não resultam. Parece que estamos na presença de um drama existencial de um realizador que não sabe qual a direcção que pretende tomar.
Os momentos de NY são mágicos, os actores são muito bons, principalmente o protagonista que nunca cede a sua credibilidade perante algo tão estapafurdio.
Para os verdadeiros fãs de Spike Lee é de visão obrigatória para os restantes é um divertimento interssante...
Desta vez fico com a sensação de Lee estraga dois belos argumentos de uma vez. Por um lado um filme mais clássico de luta sobre ética na sociedade actual e uma comédia sobre um "engravidador" de lésbicas.
Não resulta esta junção de dois filmes tão dispares. Lee parece que foi pressionado para criar um filme mais leve e com verdadeira piada... e ela existe. O filme tem momentos de comédia e de drama fabulosos mas juntos não resultam. Parece que estamos na presença de um drama existencial de um realizador que não sabe qual a direcção que pretende tomar.
Os momentos de NY são mágicos, os actores são muito bons, principalmente o protagonista que nunca cede a sua credibilidade perante algo tão estapafurdio.
Para os verdadeiros fãs de Spike Lee é de visão obrigatória para os restantes é um divertimento interssante...
terça-feira, setembro 27, 2005
Núpcias
“Os Fura-Casamentos”, de David Dobkin
A minha expectativa natural antes do visionamento de um dos maiores sucessos dos últimos tempos nas bilheteiras americanas era encontrar uma fórmula típica dos filmes com Owen Wilson e Ben Stiller (“Um Sogro do Pior”, “Zoolander”, “Starsky & Hutch”, entre outros): premissa interessante, combinação eficaz de actores, empatia do espectador com as personagens, muitos “gags” com piada e outros lá perto, história previsível q.b., despretensiosismo, etc. Enfim, a habitual fita bem-disposta e ideal para levar o pessoal todo ao cinema. E a verdade é que “Os Fura-Casamentos” segue à risca esse modelo.
Aqui, Vince Vaughn substitui Stiller, mas forma na perfeição a dupla com Wilson. Aliás, Vaughn é um actor de comédia exímio a nível físico e verbal que merece ser seguido com atenção. Will Ferrell, num pequeno mas hilariante papel, é outra grande revelação dos últimos anos. Já Christopher Walken, num registo pouco habitual, limita-se a não desiludir, sem momentos de grande valor.
A longa-metragem começa com um ritmo frenético, incluindo uma longa sequência que mostra como os dois “penetras” fazem a festa (oxalá os casamentos portugueses fossem assim tão divertidos…) sem pensar no amanhã. Os primeiros “gags” agarram desde logo o público ao filme. Mais tarde, é introduzido o elemento romântico, com momentos altos e baixos. A dada altura, vemos “Os Fura-Casamentos” a tropeçar em sucessivos clichés do género (o vilão, o homossexual, a discussão dos amigos, o período em que toda a gente anda chateada, o desenlace no casamento…) e a perder ritmo. Mas que fazer? O saldo global é mais positivo que negativo, nunca caindo a obra no disparate.
“Os Fura-Casamentos” não é Monty Python (nem procura inovar em excesso). É apenas uma comédia com o mínimo necessário de inteligência e doses ligeiras de loucura que acaba por ser agradável de consumir.
A melhor cena: Chazz no funeral.
A pior cena: John e Claire na praia.
Nota: 6/10.
A minha expectativa natural antes do visionamento de um dos maiores sucessos dos últimos tempos nas bilheteiras americanas era encontrar uma fórmula típica dos filmes com Owen Wilson e Ben Stiller (“Um Sogro do Pior”, “Zoolander”, “Starsky & Hutch”, entre outros): premissa interessante, combinação eficaz de actores, empatia do espectador com as personagens, muitos “gags” com piada e outros lá perto, história previsível q.b., despretensiosismo, etc. Enfim, a habitual fita bem-disposta e ideal para levar o pessoal todo ao cinema. E a verdade é que “Os Fura-Casamentos” segue à risca esse modelo.
Aqui, Vince Vaughn substitui Stiller, mas forma na perfeição a dupla com Wilson. Aliás, Vaughn é um actor de comédia exímio a nível físico e verbal que merece ser seguido com atenção. Will Ferrell, num pequeno mas hilariante papel, é outra grande revelação dos últimos anos. Já Christopher Walken, num registo pouco habitual, limita-se a não desiludir, sem momentos de grande valor.
A longa-metragem começa com um ritmo frenético, incluindo uma longa sequência que mostra como os dois “penetras” fazem a festa (oxalá os casamentos portugueses fossem assim tão divertidos…) sem pensar no amanhã. Os primeiros “gags” agarram desde logo o público ao filme. Mais tarde, é introduzido o elemento romântico, com momentos altos e baixos. A dada altura, vemos “Os Fura-Casamentos” a tropeçar em sucessivos clichés do género (o vilão, o homossexual, a discussão dos amigos, o período em que toda a gente anda chateada, o desenlace no casamento…) e a perder ritmo. Mas que fazer? O saldo global é mais positivo que negativo, nunca caindo a obra no disparate.
“Os Fura-Casamentos” não é Monty Python (nem procura inovar em excesso). É apenas uma comédia com o mínimo necessário de inteligência e doses ligeiras de loucura que acaba por ser agradável de consumir.
A melhor cena: Chazz no funeral.
A pior cena: John e Claire na praia.
Nota: 6/10.
sábado, setembro 24, 2005
Sonhos falhados
“O Assassínio de Richard Nixon”, de Niels Mueller
É já consensual que Sean Penn é um dos melhores actores com que o cinema americano conta actualmente. Colocá-lo à frente de uma câmara é meio caminho andado para o sucesso do filme em que participa, mesmo quando divide o protagonismo (como em “Mystic River” ou “A Intérprete”). No caso da primeira longa-metragem de Niels Mueller, Penn praticamente executa um “one-man-show”. Sem ele, a fita não existe, um facto acentuado na capa do DVD (que, ao contrário do cartaz de cinema, destaca o nome do actor ainda mais que o da película).
Combinando vários registos, Penn mostra-nos a transformação de um homem calmo e honesto num lunático desesperado, após sucessivos reveses que expõem de forma impressionante a fragilidade de todos nós (afinal, Sam Bicke é o protótipo do homem comum e bem-intencionado) e o eterno conflito entre o “zé-ninguém” e um sistema esmagador. A contextualização do percurso de Bicke, efectuada sobretudo através de sucessivas imagens televisivas de Nixon e dos eventos de 1973, encontra-se bem conseguida. Mueller estreia-se em boa forma (curiosamente, alguns dos melhores planos ocorrem na loja de móveis), embora com arestas por limar. A nível técnico, a obra cumpre os requisitos essenciais, acentuando a montagem a sensação de desastre inevitável que acompanha as peripécias do protagonista.
Só é pena que actores como Don Cheadle e Naomi Watts sejam subaproveitados, faltando tempo para compreender melhor as relações das suas personagens com o “herói”. De resto, o filme acaba deixando a sensação de que faltou alguma coisa para o tornar verdadeiramente especial.
Colocar todo o peso da história nos ombros do actor principal pode ser perigoso, mas Penn supera o desafio com toda a segurança. O que fica para recordar de “O Assassínio de Richard Nixon” é, acima de tudo, um dos melhores desempenhos vistos este ano.
A melhor cena: Sam fala pela última vez com Marie.
A pior cena: Sam furioso no restaurante.
Nota: 7/10.
É já consensual que Sean Penn é um dos melhores actores com que o cinema americano conta actualmente. Colocá-lo à frente de uma câmara é meio caminho andado para o sucesso do filme em que participa, mesmo quando divide o protagonismo (como em “Mystic River” ou “A Intérprete”). No caso da primeira longa-metragem de Niels Mueller, Penn praticamente executa um “one-man-show”. Sem ele, a fita não existe, um facto acentuado na capa do DVD (que, ao contrário do cartaz de cinema, destaca o nome do actor ainda mais que o da película).
Combinando vários registos, Penn mostra-nos a transformação de um homem calmo e honesto num lunático desesperado, após sucessivos reveses que expõem de forma impressionante a fragilidade de todos nós (afinal, Sam Bicke é o protótipo do homem comum e bem-intencionado) e o eterno conflito entre o “zé-ninguém” e um sistema esmagador. A contextualização do percurso de Bicke, efectuada sobretudo através de sucessivas imagens televisivas de Nixon e dos eventos de 1973, encontra-se bem conseguida. Mueller estreia-se em boa forma (curiosamente, alguns dos melhores planos ocorrem na loja de móveis), embora com arestas por limar. A nível técnico, a obra cumpre os requisitos essenciais, acentuando a montagem a sensação de desastre inevitável que acompanha as peripécias do protagonista.
Só é pena que actores como Don Cheadle e Naomi Watts sejam subaproveitados, faltando tempo para compreender melhor as relações das suas personagens com o “herói”. De resto, o filme acaba deixando a sensação de que faltou alguma coisa para o tornar verdadeiramente especial.
Colocar todo o peso da história nos ombros do actor principal pode ser perigoso, mas Penn supera o desafio com toda a segurança. O que fica para recordar de “O Assassínio de Richard Nixon” é, acima de tudo, um dos melhores desempenhos vistos este ano.
A melhor cena: Sam fala pela última vez com Marie.
A pior cena: Sam furioso no restaurante.
Nota: 7/10.
quarta-feira, setembro 14, 2005
42
“À Boleia pela Galáxia”, de Garth Jennings
Um efeito positivo da estreia da adaptação cinematográfica de “The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy” foi a publicação de uma nova edição portuguesa do livro de Douglas Adams. Li-o e gostei muito. Trata-se de uma obra que combina uma imaginação delirante com humor exemplarmente bem escrito. Percebe-se facilmente como se transformou num fenómeno de culto, até porque o final remete para inúmeras sequelas futuras.
Talvez a maior falha na longa-metragem de Jennings seja não conseguir criar a expectativa de acompanhar mais aventuras de Arthur Dent e dos seus companheiros. É verdade, o filme não transmite tudo o que o livro oferece. Poder-se-à dizer que isso acontece com qualquer adaptação de um romance famoso (embora conheça um caso, o de “Alta Fidelidade”, em que a longa-metragem é melhor que a narrativa), mas aqui as expectativas eram elevadas. Quanto ao material novo que surge no ecrã, possui ideias de qualidade (como a arma encontrada em Magrathea), mas a maior parte dele não funciona bem, nomeadamente o algo forçado conteúdo amoroso. Os desempenhos dos actores também não são de grande relevo (com a excepção de Alan Rickman, na voz do fantástico Marvin).
Apesar dessas limitações, “À Boleia pela Galáxia” possui mais ideias e potencial humorístico que a maioria das comédias que aparecem nos nossos cinemas (até porque poucas se aventuram pelo caminho do “nonsense”). A premissa é bem apresentada e acompanhada por uma reprodução visual muito interessante, quer na imagem real quer nas animações que fazem o papel de narração. Apesar de alguns altos e baixos, o filme nunca se torna aborrecido e Jennings faz o seu trabalho com competência.
Esta comédia de ficção científica está longe de ser um “blockbuster” irrelevante. No entanto, com um pouco mais de perícia poderia ser algo de único. Paciência. Pelo menos agora conhecemos a bizarra galáxia de Adams.
A melhor cena: Marvin salva o dia.
A pior cena: Arthur e Trillian na casa de banho.
Nota: 6/10.
Um efeito positivo da estreia da adaptação cinematográfica de “The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy” foi a publicação de uma nova edição portuguesa do livro de Douglas Adams. Li-o e gostei muito. Trata-se de uma obra que combina uma imaginação delirante com humor exemplarmente bem escrito. Percebe-se facilmente como se transformou num fenómeno de culto, até porque o final remete para inúmeras sequelas futuras.
Talvez a maior falha na longa-metragem de Jennings seja não conseguir criar a expectativa de acompanhar mais aventuras de Arthur Dent e dos seus companheiros. É verdade, o filme não transmite tudo o que o livro oferece. Poder-se-à dizer que isso acontece com qualquer adaptação de um romance famoso (embora conheça um caso, o de “Alta Fidelidade”, em que a longa-metragem é melhor que a narrativa), mas aqui as expectativas eram elevadas. Quanto ao material novo que surge no ecrã, possui ideias de qualidade (como a arma encontrada em Magrathea), mas a maior parte dele não funciona bem, nomeadamente o algo forçado conteúdo amoroso. Os desempenhos dos actores também não são de grande relevo (com a excepção de Alan Rickman, na voz do fantástico Marvin).
Apesar dessas limitações, “À Boleia pela Galáxia” possui mais ideias e potencial humorístico que a maioria das comédias que aparecem nos nossos cinemas (até porque poucas se aventuram pelo caminho do “nonsense”). A premissa é bem apresentada e acompanhada por uma reprodução visual muito interessante, quer na imagem real quer nas animações que fazem o papel de narração. Apesar de alguns altos e baixos, o filme nunca se torna aborrecido e Jennings faz o seu trabalho com competência.
Esta comédia de ficção científica está longe de ser um “blockbuster” irrelevante. No entanto, com um pouco mais de perícia poderia ser algo de único. Paciência. Pelo menos agora conhecemos a bizarra galáxia de Adams.
A melhor cena: Marvin salva o dia.
A pior cena: Arthur e Trillian na casa de banho.
Nota: 6/10.
sábado, setembro 10, 2005
Estrelas
“A Mais Louca Odisseia no Espaço” (1987), de Mel Brooks
Já com larga experiência em “spoofs” e comédias disparatadas, Mel Brooks atirou-se ao universo “Star Wars” criando uma história de ficção científica passada numa galáxia distante e protagonizada por personagens que fazem lembrar as de George Lucas, introduzindo ainda referências a filmes como “Alien, o 8º Passageiro”(com John Hurt a interpretar-se a si próprio) e “Planeta dos Macacos”.
“Spaceballs” (título original) diverte desde logo com a recriação de cenas emblemáticas dos episódios IV-VI e a caricatura da exploração comercial destes (a sátira ao diversíssimo “merchandising” da saga é uma das ideias mais inspiradas do argumento), tornando-se um entretenimento agradável para os fãs. No meio da história básica que liga os numerosos “gags”, surgem ainda interpretações interessantes como a de Rick Moranis.
É necessário notar que o humor de Brooks caminha quase sempre a um passo (ou menos…) da estupidez e não faltam aqui piadas sobre órgãos genitais masculinos ou diálogos sem nada de especial. No entanto, a imaginação das situações em que a comédia acerta em cheio e a capacidade de “Spaceballs” de não se levar minimamente a sério acabam por tornar a obra não só suportável como até bastante consumível.
Brooks oferece hora e meia de pura loucura sem grande esforço intelectual. Se o próprio Lucas gostou do projecto (e colaborou nos efeitos especiais), porque não alinhar? “May the schwartz be with you!”
A melhor cena: O visionamento da cassete de “Spaceballs”.
A pior cena: Michael Winslow faz uns ruídos.
Nota: 6/10.
Já com larga experiência em “spoofs” e comédias disparatadas, Mel Brooks atirou-se ao universo “Star Wars” criando uma história de ficção científica passada numa galáxia distante e protagonizada por personagens que fazem lembrar as de George Lucas, introduzindo ainda referências a filmes como “Alien, o 8º Passageiro”(com John Hurt a interpretar-se a si próprio) e “Planeta dos Macacos”.
“Spaceballs” (título original) diverte desde logo com a recriação de cenas emblemáticas dos episódios IV-VI e a caricatura da exploração comercial destes (a sátira ao diversíssimo “merchandising” da saga é uma das ideias mais inspiradas do argumento), tornando-se um entretenimento agradável para os fãs. No meio da história básica que liga os numerosos “gags”, surgem ainda interpretações interessantes como a de Rick Moranis.
É necessário notar que o humor de Brooks caminha quase sempre a um passo (ou menos…) da estupidez e não faltam aqui piadas sobre órgãos genitais masculinos ou diálogos sem nada de especial. No entanto, a imaginação das situações em que a comédia acerta em cheio e a capacidade de “Spaceballs” de não se levar minimamente a sério acabam por tornar a obra não só suportável como até bastante consumível.
Brooks oferece hora e meia de pura loucura sem grande esforço intelectual. Se o próprio Lucas gostou do projecto (e colaborou nos efeitos especiais), porque não alinhar? “May the schwartz be with you!”
A melhor cena: O visionamento da cassete de “Spaceballs”.
A pior cena: Michael Winslow faz uns ruídos.
Nota: 6/10.
sexta-feira, setembro 09, 2005
Acções
Apenas umas breves palavras acerca das três aventuras do polícia nova-iorquino John McClane:
“Assalto ao Arranha-Céus” (1988), de John McTiernan: Continua a ser um clássico do cinema de acção, com tudo o que falta a filmes menores desse tipo: emoção, humor, suspense, imaginação, reviravoltas, violência sem exageros... em resumo, espectáculo. Bruce Willis entra aqui no grupo dos actores com o nome acima do título, adequando-se na perfeição ao papel de herói de acção vulnerável (se Arnold Schwarzenegger protagonizasse mesmo este filme, tudo seria diferente para pior) que combate um vilão exemplarmente encarnado por Alan Rickman. McTiernan prende o espectador como poucos, mostrando um McClane (uma verdadeira personagem, outra coisa rara neste género) descalço e ensanguentado a tentar sobreviver num espaço fechado e repleto de tensão.
Nota: 8/10.
“Assalto ao Aeroporto” (1990), de Renny Harlin: Mudam o cenário e o realizador, mas McClane continua a salvar o dia. Sem atingir o fôlego do primeiro “Die Hard”, o filme de Harlin limita-se a procurar ser uma boa sequela e consegue alcançar esse objectivo, mantendo as características da personagem central, sozinha contra todos. Não é Shakespeare, claro, mas o argumento possui numerosos bons pormenores. Só é pena que o lado sentimental da história seja algo débil.
Nota: 6/10.
“Die Hard – A Vingança” (1995), de John McTiernan: Os acontecimentos da fita de Harlin são totalmente ignorados neste regresso de McClane e McTiernan. Uma inovação de valor é a introdução da personagem de Samuel L. Jackson, actor que combina muito bem com Willis (como se veria novamente em “O Protegido”), mas o alargamento dos horizontes da narrativa (que engloba toda a cidade de Nova Iorque e ameniza um pouco o protagonismo de McClane) acaba por se revelar decepcionante. São tantos tiros e explosões, em tantos locais e em tantos meios de transporte, que a credibilidade do projecto sofre danos. Jeremy Irons não impressiona como o novo mauzão e as cenas de acção raramente ultrapassam a banalidade. A trilogia perde aqui muita da sua capacidade de surpreender, numa longa-metragem só possível antes do 11 de Setembro.
Nota: 5/10.
O quarto “Die Hard” é um daqueles projectos cuja concretização se prevê para breve durante muitos anos mas enfrenta dificuldades em passar à prática. Por enquanto, está previsto para 2006 um novo (e último) episódio da odisseia de McClane. No entanto, será possível enfrentar com sucesso problemas como o longo intervalo entre filmes, a maior relutância de Willis em salvar o dia, as alterações no gosto do público ou a dificuldade em obter novas ideias (a hipótese já avançada de incluir os filhos, já crescidos, do polícia nova-iorquino na história não é muito bom sinal)? Como trilogia, “Die Hard” tem um lugar na história recente do cinema. Esticar a corda pode deitar isso a perder.
“Assalto ao Arranha-Céus” (1988), de John McTiernan: Continua a ser um clássico do cinema de acção, com tudo o que falta a filmes menores desse tipo: emoção, humor, suspense, imaginação, reviravoltas, violência sem exageros... em resumo, espectáculo. Bruce Willis entra aqui no grupo dos actores com o nome acima do título, adequando-se na perfeição ao papel de herói de acção vulnerável (se Arnold Schwarzenegger protagonizasse mesmo este filme, tudo seria diferente para pior) que combate um vilão exemplarmente encarnado por Alan Rickman. McTiernan prende o espectador como poucos, mostrando um McClane (uma verdadeira personagem, outra coisa rara neste género) descalço e ensanguentado a tentar sobreviver num espaço fechado e repleto de tensão.
Nota: 8/10.
“Assalto ao Aeroporto” (1990), de Renny Harlin: Mudam o cenário e o realizador, mas McClane continua a salvar o dia. Sem atingir o fôlego do primeiro “Die Hard”, o filme de Harlin limita-se a procurar ser uma boa sequela e consegue alcançar esse objectivo, mantendo as características da personagem central, sozinha contra todos. Não é Shakespeare, claro, mas o argumento possui numerosos bons pormenores. Só é pena que o lado sentimental da história seja algo débil.
Nota: 6/10.
“Die Hard – A Vingança” (1995), de John McTiernan: Os acontecimentos da fita de Harlin são totalmente ignorados neste regresso de McClane e McTiernan. Uma inovação de valor é a introdução da personagem de Samuel L. Jackson, actor que combina muito bem com Willis (como se veria novamente em “O Protegido”), mas o alargamento dos horizontes da narrativa (que engloba toda a cidade de Nova Iorque e ameniza um pouco o protagonismo de McClane) acaba por se revelar decepcionante. São tantos tiros e explosões, em tantos locais e em tantos meios de transporte, que a credibilidade do projecto sofre danos. Jeremy Irons não impressiona como o novo mauzão e as cenas de acção raramente ultrapassam a banalidade. A trilogia perde aqui muita da sua capacidade de surpreender, numa longa-metragem só possível antes do 11 de Setembro.
Nota: 5/10.
O quarto “Die Hard” é um daqueles projectos cuja concretização se prevê para breve durante muitos anos mas enfrenta dificuldades em passar à prática. Por enquanto, está previsto para 2006 um novo (e último) episódio da odisseia de McClane. No entanto, será possível enfrentar com sucesso problemas como o longo intervalo entre filmes, a maior relutância de Willis em salvar o dia, as alterações no gosto do público ou a dificuldade em obter novas ideias (a hipótese já avançada de incluir os filhos, já crescidos, do polícia nova-iorquino na história não é muito bom sinal)? Como trilogia, “Die Hard” tem um lugar na história recente do cinema. Esticar a corda pode deitar isso a perder.
terça-feira, setembro 06, 2005
O Fiel Jardineiro
Le Carré é novamente adaptado ao cinema mas desta feita pelo brasileiro que dirigiu o magnífico "Cidade de Deus". O que me passa pela cabeça imediatamente depois de ver este filme é achar que finalmente alguém pegou no filme de espionagem e o encaminhou noutra direcção. Digo isto porque os Clancy, Grishman e os Le Carré adoptaram um estilo de produção em Hollywood que nunca originava nada mais que filmes competentes.
Meirelles cria uma história de amor em flashback e um magnífico thriller no presente. Dito isto importa realçar os protagonistas que estão insuperáveis sendo díficil imaginar como poderia ficar de outro modo.
E o Kénia nunca mais vai ser o mesmo. O realizador usa a câmara ao ombro e transporta-nos para mercados, hospitais e ambientes com um intensidade única. Aliada vem uma banda sonora com música africana que dá uma coesão magnífica às imagens.
O argumento é bom, sólido mas nada de espantoso, a montagem é do melhor visto em 2005 e a fotografia não lhe fica nada atrás. Não me quero alongar, não quero que a minha visão do filme estrague a descoberta de um dos mais belos filmes de 2005.
A meu ver o melhor filme estreado após o último Eastwood.
Classificação: 19 (0-20)
--------------------
Para os mais curiosos, vi este filme em NY durante as minhas férias.
Se os States são o país da grande indústria não sei porque fiquei espantado por ter visto uma projecção digital mas fiquei uma vez que não estou habituado.
E para finalizar, o novo Ang Lee dá para tremer de medo... Cowboys Gays?
Meirelles cria uma história de amor em flashback e um magnífico thriller no presente. Dito isto importa realçar os protagonistas que estão insuperáveis sendo díficil imaginar como poderia ficar de outro modo.
E o Kénia nunca mais vai ser o mesmo. O realizador usa a câmara ao ombro e transporta-nos para mercados, hospitais e ambientes com um intensidade única. Aliada vem uma banda sonora com música africana que dá uma coesão magnífica às imagens.
O argumento é bom, sólido mas nada de espantoso, a montagem é do melhor visto em 2005 e a fotografia não lhe fica nada atrás. Não me quero alongar, não quero que a minha visão do filme estrague a descoberta de um dos mais belos filmes de 2005.
A meu ver o melhor filme estreado após o último Eastwood.
Classificação: 19 (0-20)
--------------------
Para os mais curiosos, vi este filme em NY durante as minhas férias.
Se os States são o país da grande indústria não sei porque fiquei espantado por ter visto uma projecção digital mas fiquei uma vez que não estou habituado.
E para finalizar, o novo Ang Lee dá para tremer de medo... Cowboys Gays?
sexta-feira, setembro 02, 2005
Sem magia
“Casei com uma Feiticeira”, de Nora Ephron
Vi algumas vezes, em reposições na RTP, episódios da série “Bewitched”. Como tantas outras “sitcoms” americanas, não é má mas não me diz grande coisa. No entanto, é compreensível que seja objecto de nostalgia. E como se afirma no próprio filme de Ephron (também co-argumentista), a ideia de fazer uma adaptação cinematográfica da série enquadra-se na estratégia de vender essa nostalgia. Na verdade, o êxito comercial da longa-metragem não foi nada de especial. “Casei com uma Feiticeira” foi mesmo apontado como um exemplo da falta de ideias e criatividade do Verão cinematográfico americano.
Apesar das suas escassas ambições de criatividade, o filme escapa do desastre absoluto, graças sobretudo ao eficaz “casting”. Will Ferrell e Nicole Kidman conseguem realmente divertir com os seus desempenhos. Entre os restantes actores (sem grandes personagens a que se agarrar, é verdade), atenção para Steve Carell (a nova estrela da comédia, promovida pelo sucesso de “Virgem aos 40 Anos” e da versão americana de “The Office”). Além disso, o tributo aos actores dos anos 60 e o dispositivo de “série dentro do filme” resultam em momentos curiosos.
O resto é apenas uma história meio sem graça, meio previsível e meio aborrecida que se limita a ser totalmente convencional. Sem atingir os níveis de ofensa ao intelecto do espectador de filmes como “Uma Sogra de Fugir”, a obra de Ephron acaba por ser meramente inofensiva. Trata-se de uma produção leve que se limita a tentar seguir o registo do original sem procurar ir além da cópia.
Por muito simpático que seja, “Casei com uma Feiticeira” não permite abandonar a sensação de “dèja vu”, tão nociva para o interesse do público pelo que vai sendo projectado actualmente nos cinemas.
A melhor cena: Jack faz pose de xerife.
A pior cena: Nigel fala a Isabel do seu amor por Iris.
Nota: 5/10.
Vi algumas vezes, em reposições na RTP, episódios da série “Bewitched”. Como tantas outras “sitcoms” americanas, não é má mas não me diz grande coisa. No entanto, é compreensível que seja objecto de nostalgia. E como se afirma no próprio filme de Ephron (também co-argumentista), a ideia de fazer uma adaptação cinematográfica da série enquadra-se na estratégia de vender essa nostalgia. Na verdade, o êxito comercial da longa-metragem não foi nada de especial. “Casei com uma Feiticeira” foi mesmo apontado como um exemplo da falta de ideias e criatividade do Verão cinematográfico americano.
Apesar das suas escassas ambições de criatividade, o filme escapa do desastre absoluto, graças sobretudo ao eficaz “casting”. Will Ferrell e Nicole Kidman conseguem realmente divertir com os seus desempenhos. Entre os restantes actores (sem grandes personagens a que se agarrar, é verdade), atenção para Steve Carell (a nova estrela da comédia, promovida pelo sucesso de “Virgem aos 40 Anos” e da versão americana de “The Office”). Além disso, o tributo aos actores dos anos 60 e o dispositivo de “série dentro do filme” resultam em momentos curiosos.
O resto é apenas uma história meio sem graça, meio previsível e meio aborrecida que se limita a ser totalmente convencional. Sem atingir os níveis de ofensa ao intelecto do espectador de filmes como “Uma Sogra de Fugir”, a obra de Ephron acaba por ser meramente inofensiva. Trata-se de uma produção leve que se limita a tentar seguir o registo do original sem procurar ir além da cópia.
Por muito simpático que seja, “Casei com uma Feiticeira” não permite abandonar a sensação de “dèja vu”, tão nociva para o interesse do público pelo que vai sendo projectado actualmente nos cinemas.
A melhor cena: Jack faz pose de xerife.
A pior cena: Nigel fala a Isabel do seu amor por Iris.
Nota: 5/10.
domingo, agosto 28, 2005
Ódio
“Malcolm X” (1992), de Spike Lee
Os filmes do realizador de “Verão Escaldante” (1999) têm obtido uma repercussão bastante variável dentro e fora dos EUA. No caso português, as longas-metragens de Lee enfrentam por vezes dificuldades em chegar às salas (“She Hate Me”, título surgido no ano passado, tem estreia prevista para 22 de Setembro). No entanto, de vez em quando o cineasta consegue acertar em cheio nas preferências da crítica e chamar a atenção para o seu trabalho. Dez anos antes do brilhante “A Última Hora”, Lee destacou-se ao assinar um bioépico sobre o polémico líder negro Malcolm X.
As fontes que servem de base ao argumento (a autobiografia de X e os registos das suas declarações públicas) poderiam contribuir para uma obra tendenciosa que caísse na apologia do biografado. No entanto, Lee consegue quase sempre evitar esse risco, expondo com relativa sobriedade a trajectória de Malcolm X, que se revela uma personagem bastante humana através das reviravoltas sofridas pela sua vida e ideologia. O contexto histórico da acção do pregador muçulmano também é recordado, ainda que talvez com escassa profundidade. “Malcolm X” é um filme equilibrado e interessante, apesar de possuir uma duração excessiva (algumas intervenções públicas de X integradas na obra são dispensáveis, contribuindo apenas para atingir as três horas de filme) e de, no final (após o assassínio do protagonista), esquecer a objectividade e cair descaradamente na glorificação.
A realização de Lee, sem ser genial, consegue atingir com eficácia o objectivo de, juntamente com a montagem, apoiar o essencial: a performance de Denzel Washington, que, entregando-se de corpo e alma à personagem, produz um dos seus melhores desempenhos (o qual lhe valeu uma nomeação para o Óscar). Os secundários estão também em bom plano.
Com algumas limitações, “Malcolm X” é uma obra forte e marcante, constituindo um objecto muito útil para compreender o período que aborda e lançando um grito contra as injustiças sociais e o “cancro do racismo” (segundo a expressão do biografado).
A melhor cena: Malcolm na rua, antes da última conferência.
A pior cena: “Eu sou Malcolm X”.
Nota: 7/10.
Os filmes do realizador de “Verão Escaldante” (1999) têm obtido uma repercussão bastante variável dentro e fora dos EUA. No caso português, as longas-metragens de Lee enfrentam por vezes dificuldades em chegar às salas (“She Hate Me”, título surgido no ano passado, tem estreia prevista para 22 de Setembro). No entanto, de vez em quando o cineasta consegue acertar em cheio nas preferências da crítica e chamar a atenção para o seu trabalho. Dez anos antes do brilhante “A Última Hora”, Lee destacou-se ao assinar um bioépico sobre o polémico líder negro Malcolm X.
As fontes que servem de base ao argumento (a autobiografia de X e os registos das suas declarações públicas) poderiam contribuir para uma obra tendenciosa que caísse na apologia do biografado. No entanto, Lee consegue quase sempre evitar esse risco, expondo com relativa sobriedade a trajectória de Malcolm X, que se revela uma personagem bastante humana através das reviravoltas sofridas pela sua vida e ideologia. O contexto histórico da acção do pregador muçulmano também é recordado, ainda que talvez com escassa profundidade. “Malcolm X” é um filme equilibrado e interessante, apesar de possuir uma duração excessiva (algumas intervenções públicas de X integradas na obra são dispensáveis, contribuindo apenas para atingir as três horas de filme) e de, no final (após o assassínio do protagonista), esquecer a objectividade e cair descaradamente na glorificação.
A realização de Lee, sem ser genial, consegue atingir com eficácia o objectivo de, juntamente com a montagem, apoiar o essencial: a performance de Denzel Washington, que, entregando-se de corpo e alma à personagem, produz um dos seus melhores desempenhos (o qual lhe valeu uma nomeação para o Óscar). Os secundários estão também em bom plano.
Com algumas limitações, “Malcolm X” é uma obra forte e marcante, constituindo um objecto muito útil para compreender o período que aborda e lançando um grito contra as injustiças sociais e o “cancro do racismo” (segundo a expressão do biografado).
A melhor cena: Malcolm na rua, antes da última conferência.
A pior cena: “Eu sou Malcolm X”.
Nota: 7/10.
quinta-feira, agosto 25, 2005
Bay afunda a Ilha
Realmente a Ilha poderia ser um bom filme de ficção cientifica pela mão de um realizador criativo. A premissa é muito batida mas tem bons elementos que poderiam ser interessantes e dar origem a ideas narrativas interessantes. No então Bay não é um destes realizadores...
Sinceramente não percebo como este tipo consegue ter projectos na indústria. Realmente o seu antigo produtor Bruckheimer geria um tipo de produção em que Bay se enquadrava mas passando para a Dreamworks de Spielberg, Bay deveria ter reinventado a sua postura narrativa de modo a produzir algo fora da influência anterior.
Este filme é um Bruckheimer sem Bruckheimer. Diga-se o que se disser é isto que fica no final. Um filme bem fraquinho, com bons actores principais, uma premissa base interessante mas uma realização desajustada das necessidades do filme.
Bay é um mau realizador de cenas de acção. Pode dizer-se que é tudo real, mas que raio interessa? Mil vezes as cenas 100% CG da nova triologia Star Wars...
A acção é mal montada, o esforço dos actores não recebe o tratamento correcto em montagem e depois parece que Bay deixa certos planos ao acaso sem estarem com story board, a camara apanha o que lhe aparecer pela frente.
McGreggor é mesmo muito bom. As suas cenas em escocês são o único momento mesmo conseguido do filme.
Enfim não é desta que o Miguel Baia me convence.
Classificacção 5 (0-20)
Sinceramente não percebo como este tipo consegue ter projectos na indústria. Realmente o seu antigo produtor Bruckheimer geria um tipo de produção em que Bay se enquadrava mas passando para a Dreamworks de Spielberg, Bay deveria ter reinventado a sua postura narrativa de modo a produzir algo fora da influência anterior.
Este filme é um Bruckheimer sem Bruckheimer. Diga-se o que se disser é isto que fica no final. Um filme bem fraquinho, com bons actores principais, uma premissa base interessante mas uma realização desajustada das necessidades do filme.
Bay é um mau realizador de cenas de acção. Pode dizer-se que é tudo real, mas que raio interessa? Mil vezes as cenas 100% CG da nova triologia Star Wars...
A acção é mal montada, o esforço dos actores não recebe o tratamento correcto em montagem e depois parece que Bay deixa certos planos ao acaso sem estarem com story board, a camara apanha o que lhe aparecer pela frente.
McGreggor é mesmo muito bom. As suas cenas em escocês são o único momento mesmo conseguido do filme.
Enfim não é desta que o Miguel Baia me convence.
Classificacção 5 (0-20)
segunda-feira, agosto 22, 2005
Uvas
“Sideways”, de Alexander Payne
A verdade é que Payne realiza e escreve (aqui em parceria com Jim Taylor) cada vez melhor. Depois de umas “Eleições” (1999) muito interessantes e de uma mudança eficaz de tema e perspectiva em “As Confissões de Schmidt” (2003), o cineasta alcançou finalmente a ovação crítica e a glória dos Óscares oferecendo um filme cheio de vinho.
Todas as referências e considerações enófilas proferidas pelas personagens tornam-se algo cansativas para quem não se interessa pelo assunto, mas aqui o vinho é um pretexto para abordar as reviravoltas da vida. As dúvidas e desilusões dos protagonistas são combinadas na perfeição com a galhofa pura. Simultaneamente leve e profunda, a história desenvolve-se com naturalidade, evitando perdas de tempo e ritmo (uma preocupação que o realizador destaca nos seus comentários às divertidas cenas cortadas incluídas no DVD), sem pressas exageradas. A qualidade da fotografia e o dinamismo da realização fazem o resto, construindo um objecto sempre agradável.
Payne conta ainda com a colaboração fundamental dos actores que dirige. O brilho alcançado por Reese Witherspoon e Jack Nicholson nas anteriores longas-metragens do cineasta reside agora em Paul Giamatti, concentrando-se a câmara no seu olhar e nos seus gestos, tão ou mais expressivos que as palavras. Ao ver Giamatti a dar forma ao depressivo escritor/professor, só nos perguntamos porque ninguém reparou mais cedo neste intérprete, o qual possui ainda uma boa química com Thomas Haden Church. Madsen e Oh também preenchem bem as suas funções.
No meio das paisagens vinícolas da Califórnia, encontramos amor, amizade, golfe, traição, sofrimento, insegurança, optimismo, pessimismo, Bush e Rumsfeld metidos numa cena de sexo ardente… O conjunto disso tudo dá um filme de tão bom gosto como o mais requintado dos vinhos e a confirmação do valor de um brilhante realizador americano.
A melhor cena: Miles recupera a carteira de Jack.
A pior cena: Miles na sala de espera do hospital.
Nota: 9/10.
A verdade é que Payne realiza e escreve (aqui em parceria com Jim Taylor) cada vez melhor. Depois de umas “Eleições” (1999) muito interessantes e de uma mudança eficaz de tema e perspectiva em “As Confissões de Schmidt” (2003), o cineasta alcançou finalmente a ovação crítica e a glória dos Óscares oferecendo um filme cheio de vinho.
Todas as referências e considerações enófilas proferidas pelas personagens tornam-se algo cansativas para quem não se interessa pelo assunto, mas aqui o vinho é um pretexto para abordar as reviravoltas da vida. As dúvidas e desilusões dos protagonistas são combinadas na perfeição com a galhofa pura. Simultaneamente leve e profunda, a história desenvolve-se com naturalidade, evitando perdas de tempo e ritmo (uma preocupação que o realizador destaca nos seus comentários às divertidas cenas cortadas incluídas no DVD), sem pressas exageradas. A qualidade da fotografia e o dinamismo da realização fazem o resto, construindo um objecto sempre agradável.
Payne conta ainda com a colaboração fundamental dos actores que dirige. O brilho alcançado por Reese Witherspoon e Jack Nicholson nas anteriores longas-metragens do cineasta reside agora em Paul Giamatti, concentrando-se a câmara no seu olhar e nos seus gestos, tão ou mais expressivos que as palavras. Ao ver Giamatti a dar forma ao depressivo escritor/professor, só nos perguntamos porque ninguém reparou mais cedo neste intérprete, o qual possui ainda uma boa química com Thomas Haden Church. Madsen e Oh também preenchem bem as suas funções.
No meio das paisagens vinícolas da Califórnia, encontramos amor, amizade, golfe, traição, sofrimento, insegurança, optimismo, pessimismo, Bush e Rumsfeld metidos numa cena de sexo ardente… O conjunto disso tudo dá um filme de tão bom gosto como o mais requintado dos vinhos e a confirmação do valor de um brilhante realizador americano.
A melhor cena: Miles recupera a carteira de Jack.
A pior cena: Miles na sala de espera do hospital.
Nota: 9/10.
domingo, agosto 21, 2005
Burton finalmente de volta
Foram necessários 3 filmes para que Burton pudesse realizar um filme com toda a sua Weirdness. E mais uma vez o talento de Depp é aliado ao magnífico universo Burtoniano com o objectivo de criar um objecto cinematográfico único e intemporal.
August, o argumentista, parece perceber muito bem como pensa e trabalho Burton. É notável a cena de apresentação de Chris Lee, um magnífico pai dentista.
É também de salientar, o trabalho genial da dupla criativa Burton-Elfmann onde se fundem grande parte das cenas visual e musicalmente.
Não me parece que Burton tenha feito o seu melhor mas para lá caminha. Falta estrear o mais promissor filme do ano, Corpse Bride esse sim vindo totalmente do Universo de Burton.
Resta esperar mais uns meses...
Classificacão 18 (0-20)
August, o argumentista, parece perceber muito bem como pensa e trabalho Burton. É notável a cena de apresentação de Chris Lee, um magnífico pai dentista.
É também de salientar, o trabalho genial da dupla criativa Burton-Elfmann onde se fundem grande parte das cenas visual e musicalmente.
Não me parece que Burton tenha feito o seu melhor mas para lá caminha. Falta estrear o mais promissor filme do ano, Corpse Bride esse sim vindo totalmente do Universo de Burton.
Resta esperar mais uns meses...
Classificacão 18 (0-20)
sexta-feira, agosto 19, 2005
Notas rápidas
Num ano aparentemente fraco a nível da qualidade das longas-metragens exibidas nos cinemas portugueses como 2005, surgiram até agora pelo menos cinco títulos dignos de forte destaque:
1. “Million Dollar Baby”, de Clint Eastwood
2. “Charlie e a Fábrica de Chocolate”, de Tim Burton
3. “Colisão”, de Paul Haggis
4. “Vera Drake”, de Mike Leigh
5. “Guerra dos Mundos”, de Steven Spielberg
Trata-se de uma selecção bastante provisória, tendo em conta que ainda não vi alguns dos filmes mais “prestigiados” do primeiro semestre do ano (como “Sideways”), mas que confirma que, apesar de tudo, vão chegando aos cinemas lusitanos obras de acentuada qualidade. Passam é, por vezes, despercebidas entre os numerosos filmes medianos (ou simplesmente horríveis) que estreiam semana após semana.
Será “A Ilha” tão mau como as informações que chegam dos EUA dão a entender? A promoção actualmente existente em vários cinemas (na qual é oferecido um “voucher” que permite obter um bilhete grátis na compra de uma entrada para a projecção da obra de Michael Bay) não parece ser um bom sinal. Sobre “Cinderella Man”, só posso dizer que a premissa e o “trailer” sugerem um drama bastante meloso de Ron Howard. Será o talento de Crowe e Zellweger suficiente para suportar a história?
1. “Million Dollar Baby”, de Clint Eastwood
2. “Charlie e a Fábrica de Chocolate”, de Tim Burton
3. “Colisão”, de Paul Haggis
4. “Vera Drake”, de Mike Leigh
5. “Guerra dos Mundos”, de Steven Spielberg
Trata-se de uma selecção bastante provisória, tendo em conta que ainda não vi alguns dos filmes mais “prestigiados” do primeiro semestre do ano (como “Sideways”), mas que confirma que, apesar de tudo, vão chegando aos cinemas lusitanos obras de acentuada qualidade. Passam é, por vezes, despercebidas entre os numerosos filmes medianos (ou simplesmente horríveis) que estreiam semana após semana.
Será “A Ilha” tão mau como as informações que chegam dos EUA dão a entender? A promoção actualmente existente em vários cinemas (na qual é oferecido um “voucher” que permite obter um bilhete grátis na compra de uma entrada para a projecção da obra de Michael Bay) não parece ser um bom sinal. Sobre “Cinderella Man”, só posso dizer que a premissa e o “trailer” sugerem um drama bastante meloso de Ron Howard. Será o talento de Crowe e Zellweger suficiente para suportar a história?
sábado, agosto 13, 2005
Loura
“Kiss Me”, de António da Cunha Telles
Este filme deveria ter sido um sucesso, de acordo com a atenção que lhe foi concedida pela imprensa (nomeadamente pela “Premiere”, embora nenhum crítico da revista tenha classificado a obra) e a profusão de anúncios com a bela Marisa Cruz colocados nos transportes públicos (só filmes portugueses dirigidos ao “grande público” são publicitados nos autocarros). No entanto, obras financeiramente modestas como “Sorte Nula” e “Balas e Bolinhos: O Regresso” atraíram mais espectadores. “Kiss Me” entrou para a lista dos “blockbusters” portugueses falhados.
Por culpa da protagonista? É verdade que Cruz (em quem a realização se concentra) constitui uma aposta falhada, possuindo limitações que em muito prejudicam a credibilidade do projecto, mas encontram-se neste outros pontos fracos. No elenco, Nicolau Breyner (um senhor do cinema), Rui Unas e Manuel Wiborg oferecem trabalhos interessantes, mas não se percebe bem porque é que Clara Pinto Correia e outros secundários foram escolhidos para aparecer no ecrã.
Com uma duração exagerada (a história é esticada para alcançar as duas horas), “Kiss Me” não consegue transmitir eficazmente a visão de Cunha Telles dos anos 50 e 60. Os elementos apresentados (o atraso dos costumes rurais, o fascínio por Marilyn Monroe, as perseguições políticas) são abordados de forma surpreendentemente leve e frágil. A contextualização da história (que se prolonga, de forma confusa, por catorze anos) parece muito forçada. Nem a qualidade técnica da obra é particularmente significativa. A banda sonora é utilizada em demasia, tornando-se irritante.
O realizador procurou homenagear vários filmes e cineastas que admira (enumerados no genérico final) e recordar o período em que começou a trabalhar em cinema, mas não conseguiu comunicar com o público (afinal, isso não acontece apenas no “cinema de autor”). “Kiss Me” deixa a sensação de ser um passo maior que a perna. Ainda não foi desta…
A melhor cena: Fernando Almeida salva o Salão Rose.
A pior cena: Laura é visitada pela PIDE.
Nota: 4/10.
Este filme deveria ter sido um sucesso, de acordo com a atenção que lhe foi concedida pela imprensa (nomeadamente pela “Premiere”, embora nenhum crítico da revista tenha classificado a obra) e a profusão de anúncios com a bela Marisa Cruz colocados nos transportes públicos (só filmes portugueses dirigidos ao “grande público” são publicitados nos autocarros). No entanto, obras financeiramente modestas como “Sorte Nula” e “Balas e Bolinhos: O Regresso” atraíram mais espectadores. “Kiss Me” entrou para a lista dos “blockbusters” portugueses falhados.
Por culpa da protagonista? É verdade que Cruz (em quem a realização se concentra) constitui uma aposta falhada, possuindo limitações que em muito prejudicam a credibilidade do projecto, mas encontram-se neste outros pontos fracos. No elenco, Nicolau Breyner (um senhor do cinema), Rui Unas e Manuel Wiborg oferecem trabalhos interessantes, mas não se percebe bem porque é que Clara Pinto Correia e outros secundários foram escolhidos para aparecer no ecrã.
Com uma duração exagerada (a história é esticada para alcançar as duas horas), “Kiss Me” não consegue transmitir eficazmente a visão de Cunha Telles dos anos 50 e 60. Os elementos apresentados (o atraso dos costumes rurais, o fascínio por Marilyn Monroe, as perseguições políticas) são abordados de forma surpreendentemente leve e frágil. A contextualização da história (que se prolonga, de forma confusa, por catorze anos) parece muito forçada. Nem a qualidade técnica da obra é particularmente significativa. A banda sonora é utilizada em demasia, tornando-se irritante.
O realizador procurou homenagear vários filmes e cineastas que admira (enumerados no genérico final) e recordar o período em que começou a trabalhar em cinema, mas não conseguiu comunicar com o público (afinal, isso não acontece apenas no “cinema de autor”). “Kiss Me” deixa a sensação de ser um passo maior que a perna. Ainda não foi desta…
A melhor cena: Fernando Almeida salva o Salão Rose.
A pior cena: Laura é visitada pela PIDE.
Nota: 4/10.
sexta-feira, agosto 12, 2005
Crise?
O “top 10” dos filmes mais vistos este ano nos cinemas portugueses registou algumas modificações desde Junho. No final de Julho, a lista elaborada pelo ICAM era liderada por:
1. “Madagáscar” (570.708 espectadores)
2. “Guerra dos Mundos” (414.546)
3. “Uns Compadres do Pior” (400.271)
4. “Ocean’s Twelve” (391.273)
5. “Mr. e Mrs. Smith” (378.896)
6. “Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith” (350.957)
7. “Million Dollar Baby – Sonhos Vencidos” (319.085)
8. “Constantine” (243.937)
9. “Hitch – A Cura para o Homem Comum” (241.749)
10. “A Intérprete” (237.891)
O último filme de animação da Dreamworks parece ter hipóteses de permanecer no primeiro lugar até ao final de 2005, apesar do fulgor da obra de Spielberg. Trata-se de uma longa-metragem que arrasta a família toda e é fortemente apoiada por publicidade e “merchandising”. No caso português, o sucesso beneficia ainda de outros factores (tudo aquilo em que os Gato Fedorento tocam transforma-se em ouro). Quanto aos outros títulos, para além da (boa) surpresa dos resultados da obra oscarizada de Eastwood, verifica-se uma certa frustração das elevadas expectativas de “blockbusters” como os de Lucas e Nolan (”Batman – O Início” está em 12º lugar, com 215.355 bilhetes vendidos), exibidos em mais salas que “Madagáscar” ou mesmo “Ocean’s Twelve”.
Ah, e continua a não haver nenhum filme português entre os 50 títulos mais vistos (“Um Tiro no Escuro”, de Leonel Vieira, é até agora o maior “flop” luso de 2005).
1. “Madagáscar” (570.708 espectadores)
2. “Guerra dos Mundos” (414.546)
3. “Uns Compadres do Pior” (400.271)
4. “Ocean’s Twelve” (391.273)
5. “Mr. e Mrs. Smith” (378.896)
6. “Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith” (350.957)
7. “Million Dollar Baby – Sonhos Vencidos” (319.085)
8. “Constantine” (243.937)
9. “Hitch – A Cura para o Homem Comum” (241.749)
10. “A Intérprete” (237.891)
O último filme de animação da Dreamworks parece ter hipóteses de permanecer no primeiro lugar até ao final de 2005, apesar do fulgor da obra de Spielberg. Trata-se de uma longa-metragem que arrasta a família toda e é fortemente apoiada por publicidade e “merchandising”. No caso português, o sucesso beneficia ainda de outros factores (tudo aquilo em que os Gato Fedorento tocam transforma-se em ouro). Quanto aos outros títulos, para além da (boa) surpresa dos resultados da obra oscarizada de Eastwood, verifica-se uma certa frustração das elevadas expectativas de “blockbusters” como os de Lucas e Nolan (”Batman – O Início” está em 12º lugar, com 215.355 bilhetes vendidos), exibidos em mais salas que “Madagáscar” ou mesmo “Ocean’s Twelve”.
Ah, e continua a não haver nenhum filme português entre os 50 títulos mais vistos (“Um Tiro no Escuro”, de Leonel Vieira, é até agora o maior “flop” luso de 2005).
terça-feira, agosto 02, 2005
Outros Blockbusters
BlockBuster 1
Nesta coisa dos comics que ando agora a ler mais que nunca há muito que se diga. Tal como os filmes, existem tb blockbusters uns melhores que outros.
Como nunca tinha lido nenhum comic por issues mensais, comecei agora com o blockbuster de Frank Miller e Jim Lee (o artista favorito dos fan-boys americanos) sobre a origem do Robin o rapaz maravilha.
O primeiro issue foi uma desilusão por terras americanas e Miller mostra que já não consegue sair da sua Sin City. Mais do que nunca Gothan está podre, a polícia fica retratada entre-linhas como abusadores de crianças.
Por um lado é bom por outro questiona o verdadeiro valor de Miller fora dos cenários narrativos criados por ele próprio durante uma década. Por outro lado o comic continua a prometer para os seu próximos 11 volumes (sim não há paciência para esta maneira de ler).
Blockbuster 2
O pessoal do cinema conhece Miller mas possivelmente outros nomes dos comics serão estranhos. No entanto não só de Miller vivem os comics e em muitas coisas Miller não tem os mesmo fulgor de outros tempos.
Brian Michael Bendis é um nome que escreve actualmente na Marvel. Sinceramente acho que não é mau a escrever histórias de super-heróis com montes de batatada.
O título que causa furor actualmente é o House of M, uma realidade alternativa em que Magneto é o líder do Mundo e os Humanos são resumidos a uma existência clandestina.
Está muito bem desenhado por Choiper um artista francês que trabalha na Marvel e Bendis escreve bem a história que tem Wolverine como personagem central.
Nota final
Histórias de super-heróis têm o seu lugar cativo nos comics e não no cinema.
Nesta coisa dos comics que ando agora a ler mais que nunca há muito que se diga. Tal como os filmes, existem tb blockbusters uns melhores que outros.
Como nunca tinha lido nenhum comic por issues mensais, comecei agora com o blockbuster de Frank Miller e Jim Lee (o artista favorito dos fan-boys americanos) sobre a origem do Robin o rapaz maravilha.
O primeiro issue foi uma desilusão por terras americanas e Miller mostra que já não consegue sair da sua Sin City. Mais do que nunca Gothan está podre, a polícia fica retratada entre-linhas como abusadores de crianças.
Por um lado é bom por outro questiona o verdadeiro valor de Miller fora dos cenários narrativos criados por ele próprio durante uma década. Por outro lado o comic continua a prometer para os seu próximos 11 volumes (sim não há paciência para esta maneira de ler).
Blockbuster 2
O pessoal do cinema conhece Miller mas possivelmente outros nomes dos comics serão estranhos. No entanto não só de Miller vivem os comics e em muitas coisas Miller não tem os mesmo fulgor de outros tempos.
Brian Michael Bendis é um nome que escreve actualmente na Marvel. Sinceramente acho que não é mau a escrever histórias de super-heróis com montes de batatada.
O título que causa furor actualmente é o House of M, uma realidade alternativa em que Magneto é o líder do Mundo e os Humanos são resumidos a uma existência clandestina.
Está muito bem desenhado por Choiper um artista francês que trabalha na Marvel e Bendis escreve bem a história que tem Wolverine como personagem central.
Nota final
Histórias de super-heróis têm o seu lugar cativo nos comics e não no cinema.
sexta-feira, julho 29, 2005
F4
Sinceramente não é uma obra-prima mas é uma boa diversão despretenciosa. Quando o Batman de Nolan pretende ser um grande filme mesmo fora dos comics FF não pretende ser mais nada que um filme giro para passar 1h e 30m no cinema.
Não conheço muito bem a BD mas sendo o que sei o Dr.Doom ficou bem menos interessante do que no Comic. Seja como for acaba por ser um bom trabalho de Cast excluindo Alba que não tem maturidade para fazer este tipo de personagens. Uma actriz com mais uns cinco anos ficaria bem melhor.
Seja como for o The Thing ficou perfeito (o que me espanta), o Human Tourch e o Sr. Fantástico foram muito bem escolhidos.
Apesar de não ser brilhante é competente e divertido e globalmente fiel ao espírito do Comic genialmente inventado por Stan Lee para combater o domínio de mercada da DC com a liga de Justiça da América.
Classificação: 3 (0-5)
Não conheço muito bem a BD mas sendo o que sei o Dr.Doom ficou bem menos interessante do que no Comic. Seja como for acaba por ser um bom trabalho de Cast excluindo Alba que não tem maturidade para fazer este tipo de personagens. Uma actriz com mais uns cinco anos ficaria bem melhor.
Seja como for o The Thing ficou perfeito (o que me espanta), o Human Tourch e o Sr. Fantástico foram muito bem escolhidos.
Apesar de não ser brilhante é competente e divertido e globalmente fiel ao espírito do Comic genialmente inventado por Stan Lee para combater o domínio de mercada da DC com a liga de Justiça da América.
Classificação: 3 (0-5)
terça-feira, julho 26, 2005
11:14
Já alguém viu este filme? Já alguém ouviu falar deste filme?
Recentemente perguntaram-me se conhecia esta obra e sinceramente nunca ouvi falar. Parece de Hillary Shank, Colin Hanks e Henry Thomas mas pelo que me lembro em Portugal não estreou...
Caso conheçam digam-me de vossa justiça nos comentários. Obrigado
Recentemente perguntaram-me se conhecia esta obra e sinceramente nunca ouvi falar. Parece de Hillary Shank, Colin Hanks e Henry Thomas mas pelo que me lembro em Portugal não estreou...
Caso conheçam digam-me de vossa justiça nos comentários. Obrigado
sábado, julho 23, 2005
Fujam
“Uma Sogra de Fugir”, de Robert Luketic
Às vezes apetece-me ver uma comédia rasca. Nessa área, o realizador australiano Robert Luketic afirma-se como um especialista. Depois de “Legalmente Loura” (2001) e “O Ídolo dos Meus Sonhos” (2004), chega agora a sua terceira longa-metragem, “Uma Sogra de Fugir” (“Monster-in-Law” no original).
Grande parte da publicidade obtida pela obra deve-se ao interesse provocado pelo regresso ao cinema de Jane Fonda. De facto, ela é a alma do filme, chegando a divertir no papel da temível sogra do título, que constrói com habilidade. Só é pena não ter uma adversária à altura. Ainda não é desta que Jennifer Lopez dá sinais de ter talento para a representação, o que retira impacto e credibilidade ao confronto sogra-nora no qual assenta a história. Sobre Michael Vartan não há muito a dizer, devido à irrelevância da sua personagem.
No conjunto, Luketic limita-se a filmar como pode a combinação de personagens secundários que existem só para encher (incluindo o tradicional ”amigo gay”), piadas sem grande efeito, situações demasiado óbvias e desenvolvimentos previsíveis que resulta no final irritantemente certinho. Sem pretensões de fugir ao convencional, esta comédia não tem sequer a abundância de ideias dos filmes de Jay Roach (cuja influência é realçada pelo título português) que a inspiram.
Apesar de ser um pouco melhor que “Legalmente Loura”, “Uma Sogra de Fugir” é apenas mais um entretenimento demasiado básico, sem nada de memorável. Será a adaptação de “Dallas” um meio para Luketic deixar de fazer sempre o mesmo filme?
A melhor cena: Viola imagina a reacção ao noivado do filho.
A pior cena: Charlie atira o “bouquet”.
Nota: 4/10.
Às vezes apetece-me ver uma comédia rasca. Nessa área, o realizador australiano Robert Luketic afirma-se como um especialista. Depois de “Legalmente Loura” (2001) e “O Ídolo dos Meus Sonhos” (2004), chega agora a sua terceira longa-metragem, “Uma Sogra de Fugir” (“Monster-in-Law” no original).
Grande parte da publicidade obtida pela obra deve-se ao interesse provocado pelo regresso ao cinema de Jane Fonda. De facto, ela é a alma do filme, chegando a divertir no papel da temível sogra do título, que constrói com habilidade. Só é pena não ter uma adversária à altura. Ainda não é desta que Jennifer Lopez dá sinais de ter talento para a representação, o que retira impacto e credibilidade ao confronto sogra-nora no qual assenta a história. Sobre Michael Vartan não há muito a dizer, devido à irrelevância da sua personagem.
No conjunto, Luketic limita-se a filmar como pode a combinação de personagens secundários que existem só para encher (incluindo o tradicional ”amigo gay”), piadas sem grande efeito, situações demasiado óbvias e desenvolvimentos previsíveis que resulta no final irritantemente certinho. Sem pretensões de fugir ao convencional, esta comédia não tem sequer a abundância de ideias dos filmes de Jay Roach (cuja influência é realçada pelo título português) que a inspiram.
Apesar de ser um pouco melhor que “Legalmente Loura”, “Uma Sogra de Fugir” é apenas mais um entretenimento demasiado básico, sem nada de memorável. Será a adaptação de “Dallas” um meio para Luketic deixar de fazer sempre o mesmo filme?
A melhor cena: Viola imagina a reacção ao noivado do filho.
A pior cena: Charlie atira o “bouquet”.
Nota: 4/10.
quinta-feira, julho 21, 2005
Utopia
“Kuxa Kanema – O Nascimento do Cinema” (2003), de Margarida Cardoso
Margarida Cardoso destacou-se como realizadora de documentários com “Natal 71” (1999), onde em cerca de cinquenta minutos expunha duas perspectivas da guerra colonial formadas durante o conflito (a do regime ditatorial e a dos militares que combatiam as guerrilhas africanas). Sendo o caso de Moçambique abordado já nesse filme, “Kuxa Kanema” funciona como uma espécie de sequela, acompanhando o percurso do país nos primeiros anos após a independência e combinando novamente imagens da época analisada (neste caso, os filmes oficiais de actualidades, com o título “Kuxa Kanema”) com depoimentos daqueles que as criaram.
Os pequenos filmes noticiosos que servem de base ao trabalho de Cardoso valem quer pelo que representaram como origem do cinema moçambicano quer pelo retrato (parcial) por eles fornecido dos tempos da República Popular de Samora Machel (a análise das imagens termina com a morte deste). O documentário acompanha, com os técnicos responsáveis pelo projecto, o entusiasmo criador de 1975 e a progressiva desilusão causada pelos efeitos da guerra. Embora sem grandes audácias na realização (interessam sobretudo as palavras dos entrevistados) e concentrando-se na perspectiva dos cineastas, Cardoso conta uma história, cativando o interesse do espectador e construindo eficazmente o retrato pretendido.
O tom da obra é fornecido pela intervenção da realizadora, não à frente da câmara (só a vemos de costas) ou através de perguntas aos entrevistados mas sobretudo pela narração. Cardoso destaca o lado propagandístico dos noticiários encomendados pela Frelimo, realçando, no entanto, a convicção e a esperança que acompanharam a sua confecção e identificando-se com o falhanço da utopia projectada. O final está longe de ser feliz, exagerando talvez ao não ver nenhuma luz ao fundo do túnel.
Premiado no festival Caminhos do Cinema Português de 2003, “Kuxa Kanema” é a prova de que o género documental existe entre nós (o filme foi exibido na 2:, num ciclo dedicado aos “docs” financiados pelo ICAM) e tem muito para mostrar.
Nota: 8/10.
Margarida Cardoso destacou-se como realizadora de documentários com “Natal 71” (1999), onde em cerca de cinquenta minutos expunha duas perspectivas da guerra colonial formadas durante o conflito (a do regime ditatorial e a dos militares que combatiam as guerrilhas africanas). Sendo o caso de Moçambique abordado já nesse filme, “Kuxa Kanema” funciona como uma espécie de sequela, acompanhando o percurso do país nos primeiros anos após a independência e combinando novamente imagens da época analisada (neste caso, os filmes oficiais de actualidades, com o título “Kuxa Kanema”) com depoimentos daqueles que as criaram.
Os pequenos filmes noticiosos que servem de base ao trabalho de Cardoso valem quer pelo que representaram como origem do cinema moçambicano quer pelo retrato (parcial) por eles fornecido dos tempos da República Popular de Samora Machel (a análise das imagens termina com a morte deste). O documentário acompanha, com os técnicos responsáveis pelo projecto, o entusiasmo criador de 1975 e a progressiva desilusão causada pelos efeitos da guerra. Embora sem grandes audácias na realização (interessam sobretudo as palavras dos entrevistados) e concentrando-se na perspectiva dos cineastas, Cardoso conta uma história, cativando o interesse do espectador e construindo eficazmente o retrato pretendido.
O tom da obra é fornecido pela intervenção da realizadora, não à frente da câmara (só a vemos de costas) ou através de perguntas aos entrevistados mas sobretudo pela narração. Cardoso destaca o lado propagandístico dos noticiários encomendados pela Frelimo, realçando, no entanto, a convicção e a esperança que acompanharam a sua confecção e identificando-se com o falhanço da utopia projectada. O final está longe de ser feliz, exagerando talvez ao não ver nenhuma luz ao fundo do túnel.
Premiado no festival Caminhos do Cinema Português de 2003, “Kuxa Kanema” é a prova de que o género documental existe entre nós (o filme foi exibido na 2:, num ciclo dedicado aos “docs” financiados pelo ICAM) e tem muito para mostrar.
Nota: 8/10.
segunda-feira, julho 18, 2005
2003
A produção de filmes destinados a ser exibidos nos canais de televisão portugueses arrancou em força a partir de 1999, quando a SIC resolveu investir no projecto SICFilmes (embora não se tratasse da primeira experiência do género em Portugal, como chegou a ser publicitado). Durante 2000, sucederam-se, uma vez por mês, novas longas-metragens exibidas em horário nobre, algumas delas bem interessantes. Depois, a qualidade das produções decaiu, as audiências baixaram e as prioridades dos programadores mudaram, acabando os SICFilmes por desaparecer sem glória. No entanto, a ideia de associar o cinema e a televisão portugueses foi retomada pela RTP, que negociou com Paulo Branco e a produtora CLAP Filmes o desenvolvimento de cinco longas-metragens, procurando apostar sobretudo em realizadores e argumentistas ainda por consagrar.
Um dos projectos, o bem conseguido “Esquece Tudo o que Te Disse”, de António Ferreira, acabou por chegar aos cinemas no final de 2002. Os restantes foram sendo mostrados pela RTP no ano seguinte (embora sem o destaque e publicidade que a SIC concedera aos seus telefilmes). Recentemente, a estação pública lembrou-se de usá-los para preencher o horário posterior à meia-noite. Ficam aqui breves impressões sobre os títulos produzidos por Branco:
“Debaixo da Cama”, de Bruno Niel: O crítico Eduardo Cintra Torres apresenta a história de um político populista (Vítor Norte) cujos segredos são desvendados por um repórter televisivo (Rui Luís Brás), também ele nada inocente. Num período curto (72 minutos), a mensagem é transmitida de forma eficaz. O problema deste telefilme acaba por ser a falta de subtileza (tudo, incluindo o final, é demasiado óbvio).
“FM – Rádio Relâmpago”, de José Nascimento: O argumento de Nuno Markl aborda a rádio e a magia a ela associada, opondo a liberdade das estações piratas dos anos 80 à previsibilidade das grandes emissoras actuais. A obra possui ideias interessantes e a banda sonora, para quem gosta de música portuguesa dos anos 70 e 80, é um autêntico doce. No entanto, poucas cenas conseguem ser convincentes e a história (filmada sem grande inspiração) torna-se simplista.
“O Meu Sósia e Eu”, de Tiago Guedes: O realizador desta longa-metragem escrita pelo “fictício” Fernando Bilé tinha já rodado dois telefilmes para o canal de Carnaxide, “Alta Fidelidade” (uma das piores coisas que já vi na televisão) e “Cavaleiros de Água Doce”, sendo apontado como uma das grandes esperanças do cinema português (tem pronto “Coisa Ruim”, ainda sem data de estreia). Aqui, o seu trabalho não deslumbra, mas dá bons sinais. O problema encontra-se mais no argumento, que começa por apresentar uma situação interessante (Marco Horácio interpreta o sósia de um famoso actor de telenovela que utiliza a sua parecença para ficar com a rapariga dos seus sonhos, encarnada por Joana Seixas) mas fica preso nela. Assumindo um registo cómico, habilmente seguido por Horácio, “O Meu Sósia e Eu” dá a certa altura uma estranha reviravolta que muda tudo (para pior), acabando num falhanço inglório. Muitos actores de renome (como Rita Blanco ou Nicolau Breyner) surgem em pequenos papéis.
“Só por Acaso”, de Rita Nunes: Este telefilme (distinguido em Outubro de 2004 no Festival Prix Europa, em Berlim, na categoria de Ficção Televisiva), protagonizado por actores como Marco d’Almeida, Filipe Duarte e Julie Sargeant, aborda o regresso à vida (após cinco anos de coma provocados por um tiro) de um homem que em breve se envolve em novos sarilhos. A obra procura obter um ambiente urbano e moderno, utilizando novidades como as mensagens SMS na evolução da narrativa. No entanto, os ziguezagues do argumento de Filipe Homem Fonseca, assente em sucessivas revelações, acabam por se tornar forçados e retirar credibilidade à acção. Uma certa falta de conteúdo opõe-se à “frescura” que se pretende transmitir.
Como se pode ver, não gostei por aí além dos telefilmes. É certo que nenhum deles possui intenções de educar o público, procurando apenas contar histórias actuais e inovadoras filmadas de forma dinâmica. Apesar disso, a sensação com que se fica é de fracasso. Será o formato do telefilme limitativo à partida, ou perdeu-se uma grande oportunidade?
P.S. Mais informações sobre estes e outros filmes portugueses podem ser encontradas na base de dados do ICAM.
Um dos projectos, o bem conseguido “Esquece Tudo o que Te Disse”, de António Ferreira, acabou por chegar aos cinemas no final de 2002. Os restantes foram sendo mostrados pela RTP no ano seguinte (embora sem o destaque e publicidade que a SIC concedera aos seus telefilmes). Recentemente, a estação pública lembrou-se de usá-los para preencher o horário posterior à meia-noite. Ficam aqui breves impressões sobre os títulos produzidos por Branco:
“Debaixo da Cama”, de Bruno Niel: O crítico Eduardo Cintra Torres apresenta a história de um político populista (Vítor Norte) cujos segredos são desvendados por um repórter televisivo (Rui Luís Brás), também ele nada inocente. Num período curto (72 minutos), a mensagem é transmitida de forma eficaz. O problema deste telefilme acaba por ser a falta de subtileza (tudo, incluindo o final, é demasiado óbvio).
“FM – Rádio Relâmpago”, de José Nascimento: O argumento de Nuno Markl aborda a rádio e a magia a ela associada, opondo a liberdade das estações piratas dos anos 80 à previsibilidade das grandes emissoras actuais. A obra possui ideias interessantes e a banda sonora, para quem gosta de música portuguesa dos anos 70 e 80, é um autêntico doce. No entanto, poucas cenas conseguem ser convincentes e a história (filmada sem grande inspiração) torna-se simplista.
“O Meu Sósia e Eu”, de Tiago Guedes: O realizador desta longa-metragem escrita pelo “fictício” Fernando Bilé tinha já rodado dois telefilmes para o canal de Carnaxide, “Alta Fidelidade” (uma das piores coisas que já vi na televisão) e “Cavaleiros de Água Doce”, sendo apontado como uma das grandes esperanças do cinema português (tem pronto “Coisa Ruim”, ainda sem data de estreia). Aqui, o seu trabalho não deslumbra, mas dá bons sinais. O problema encontra-se mais no argumento, que começa por apresentar uma situação interessante (Marco Horácio interpreta o sósia de um famoso actor de telenovela que utiliza a sua parecença para ficar com a rapariga dos seus sonhos, encarnada por Joana Seixas) mas fica preso nela. Assumindo um registo cómico, habilmente seguido por Horácio, “O Meu Sósia e Eu” dá a certa altura uma estranha reviravolta que muda tudo (para pior), acabando num falhanço inglório. Muitos actores de renome (como Rita Blanco ou Nicolau Breyner) surgem em pequenos papéis.
“Só por Acaso”, de Rita Nunes: Este telefilme (distinguido em Outubro de 2004 no Festival Prix Europa, em Berlim, na categoria de Ficção Televisiva), protagonizado por actores como Marco d’Almeida, Filipe Duarte e Julie Sargeant, aborda o regresso à vida (após cinco anos de coma provocados por um tiro) de um homem que em breve se envolve em novos sarilhos. A obra procura obter um ambiente urbano e moderno, utilizando novidades como as mensagens SMS na evolução da narrativa. No entanto, os ziguezagues do argumento de Filipe Homem Fonseca, assente em sucessivas revelações, acabam por se tornar forçados e retirar credibilidade à acção. Uma certa falta de conteúdo opõe-se à “frescura” que se pretende transmitir.
Como se pode ver, não gostei por aí além dos telefilmes. É certo que nenhum deles possui intenções de educar o público, procurando apenas contar histórias actuais e inovadoras filmadas de forma dinâmica. Apesar disso, a sensação com que se fica é de fracasso. Será o formato do telefilme limitativo à partida, ou perdeu-se uma grande oportunidade?
P.S. Mais informações sobre estes e outros filmes portugueses podem ser encontradas na base de dados do ICAM.
sábado, julho 16, 2005
181 dias
O ICAM já divulgou o “ranking” dos cinquenta filmes mais vistos nas salas de cinema portuguesas nos primeiros seis meses de 2005. Uma vez que ainda falta metade do ano, muitos dos títulos presentes na tabela possuem números de espectadores relativamente reduzidos. Destaquem-se, portanto, os dez primeiros:
1. “Uns Compadres do Pior”
2. “Ocean’s Twelve”
3. “Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith”
4. “Million Dollar Baby – Sonhos Vencidos”
5. “Constantine”
6. “Hitch – A Cura para o Homem Comum”
7. “A Intérprete”
8. “Mr. e Mrs. Smith”
9. “Reino dos Céus”
10. “Vamos Dançar?”
Trata-se de um conjunto geralmente previsível que engloba filmes leves (“Uns Compadres do Pior” é a única fita a ultrapassar os 400 mil espectadores), “blockbusters” e sobretudo grandes estrelas (“Constantine”, protagonizado por Keanu Reeves e linchado pela crítica, atraiu nada menos que 243.717 portugueses). A curiosa excepção é o filme de Clint Eastwood, com 318.781 bilhetes vendidos. Não é o tipo de longa-metragem que costuma atrair multidões e foi exibido em apenas 177 salas, enquanto todos os seus companheiros de “top 10” estiveram, se não contarmos com “Mr. e Mrs. Smith” (ainda em exibição), em mais de 200 espaços de projecção (“Reino dos Céus” atingiu, até agora, o recorde de 265). O efeito dos Óscares, o aplauso crítico e muito boca-a-boca construíram um inesperado fenómeno de bilheteira.
Nos níveis mais inferiores do “ranking” do ICAM, encontram-se títulos que podem ser considerados relativos fracassos. “XXX 2 – Estado Radical” passou por 205 salas e não conseguiu ser visto por mais de 76.612 pessoas. As obras de animação estreadas antes de “Madagáscar” (como “Robôs” e “Corrida (A)rriscada”) também não impressionaram.
Esta lista é, no entanto, bastante provisória, tendo em conta os resultados da primeira semana de Julho. O filme de Brangelina atingiu já números que o colocam no quinto lugar da tabela, enquanto “Madagáscar” entrou a matar (será uma animação o maior sucesso do ano, como em 2004?), ocupando mais de 200 mil cadeiras. E falta ainda o temível ataque dos extraterrestres de “Guerra dos Mundos”.
1. “Uns Compadres do Pior”
2. “Ocean’s Twelve”
3. “Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith”
4. “Million Dollar Baby – Sonhos Vencidos”
5. “Constantine”
6. “Hitch – A Cura para o Homem Comum”
7. “A Intérprete”
8. “Mr. e Mrs. Smith”
9. “Reino dos Céus”
10. “Vamos Dançar?”
Trata-se de um conjunto geralmente previsível que engloba filmes leves (“Uns Compadres do Pior” é a única fita a ultrapassar os 400 mil espectadores), “blockbusters” e sobretudo grandes estrelas (“Constantine”, protagonizado por Keanu Reeves e linchado pela crítica, atraiu nada menos que 243.717 portugueses). A curiosa excepção é o filme de Clint Eastwood, com 318.781 bilhetes vendidos. Não é o tipo de longa-metragem que costuma atrair multidões e foi exibido em apenas 177 salas, enquanto todos os seus companheiros de “top 10” estiveram, se não contarmos com “Mr. e Mrs. Smith” (ainda em exibição), em mais de 200 espaços de projecção (“Reino dos Céus” atingiu, até agora, o recorde de 265). O efeito dos Óscares, o aplauso crítico e muito boca-a-boca construíram um inesperado fenómeno de bilheteira.
Nos níveis mais inferiores do “ranking” do ICAM, encontram-se títulos que podem ser considerados relativos fracassos. “XXX 2 – Estado Radical” passou por 205 salas e não conseguiu ser visto por mais de 76.612 pessoas. As obras de animação estreadas antes de “Madagáscar” (como “Robôs” e “Corrida (A)rriscada”) também não impressionaram.
Esta lista é, no entanto, bastante provisória, tendo em conta os resultados da primeira semana de Julho. O filme de Brangelina atingiu já números que o colocam no quinto lugar da tabela, enquanto “Madagáscar” entrou a matar (será uma animação o maior sucesso do ano, como em 2004?), ocupando mais de 200 mil cadeiras. E falta ainda o temível ataque dos extraterrestres de “Guerra dos Mundos”.
quarta-feira, julho 13, 2005
Alex
“Alexandre, o Grande”, de Oliver Stone
Afastada das nomeações aos Óscares onde, no ano passado, muitos lhe apontavam um lugar garantido, a visão de Oliver Stone (também co-autor do argumento) da vida do grande conquistador da Antiguidade tornou-se tão amada quanto odiada. Muitos críticos desancaram a obra, provocando reacções acaloradas de afirmação da sua qualidade por parte de fãs ou entusiastas moderados do bioépico de Stone. Talvez “Alexandre, o Grande” seja um dos melhores exemplos de como a apreciação de um filme é subjectiva. Não existem grandes argumentos racionais para negar ou garantir as maravilhas da longa-metragem.
Tratando-se de uma questão de gostos, posso dizer que não gosto. Em quase todas as cenas, existem más ideias. Os episódios da vida de Alexandre que já conhecia (como o aparecimento de Bucéfalo ou a morte de Cleito) foram retratados de forma decepcionante, não sendo a obra muito hábil na abordagem dos aspectos menos célebres do percurso do conquistador.
Não foi por falta de meios que o projecto decepcionou, dispondo Stone de um guarda-roupa e uma reconstituição de época convincentes. A banda sonora de Vangelis, sem ser genial, também obtém o efeito pretendido.
No entanto, o talento do elenco é desperdiçado. Colin Farrell acaba por cair no “overacting” e os outros não passam da mediania (Angelina Jolie, para além de não envelhecer, tem de lutar contra um sotaque absurdo, enquanto Anthony Hopkins se arrasta numa narração desinteressante). A realização de Stone também possui limitações, não tornando o filme atractivo. As sequências das batalhas de Gaugamela e Hidaspes são algo confusas e raramente despertam emoção. Embora não seja fácil filmar batalhas da Antiguidade Clássica (um cineasta que o fez muito bem foi Stanley Kubrick, em “Spartacus”), Stone não consegue nem a glorificação nem a humanização dos combatentes.
Por fim, de uma maneira geral o argumento é fraco, demasiado fraco para um projecto desta envergadura. Não se trata apenas das incorrecções históricas (referidas por Luísa Alves num artigo na “Premiere” de Janeiro), mas da banalidade dos diálogos ou da debilidade das personagens. A estrutura da história, com saltos temporais bizarros (mesmo tendo em conta a dificuldade de condensação da existência de Alexandre em menos de três horas) e um “flash-back” que aparece de repente não se percebe bem porquê, é confusa. Quanto à abordagem da homossexualidade do rei macedónio, não a considero excessiva. O problema, mais que a orientação sexual, é que as cenas da relação Alexandre-Hefestião dificilmente poderiam ser mais piegas.
O resultado final é um filme demasiado longo e aborrecido, que falha o objectivo de aproximar a figura histórica dos espectadores e esclarecê-los acerca da época onde decorre a acção. Esperemos que “Alexandre, o Grande” seja um mero passo em falso dos envolvidos (capazes de fazer bem melhor).
A melhor cena: Alexandre encontra Dario na batalha.
A pior cena: Alexandre é transportado ferido.
Nota: 4/10.
Afastada das nomeações aos Óscares onde, no ano passado, muitos lhe apontavam um lugar garantido, a visão de Oliver Stone (também co-autor do argumento) da vida do grande conquistador da Antiguidade tornou-se tão amada quanto odiada. Muitos críticos desancaram a obra, provocando reacções acaloradas de afirmação da sua qualidade por parte de fãs ou entusiastas moderados do bioépico de Stone. Talvez “Alexandre, o Grande” seja um dos melhores exemplos de como a apreciação de um filme é subjectiva. Não existem grandes argumentos racionais para negar ou garantir as maravilhas da longa-metragem.
Tratando-se de uma questão de gostos, posso dizer que não gosto. Em quase todas as cenas, existem más ideias. Os episódios da vida de Alexandre que já conhecia (como o aparecimento de Bucéfalo ou a morte de Cleito) foram retratados de forma decepcionante, não sendo a obra muito hábil na abordagem dos aspectos menos célebres do percurso do conquistador.
Não foi por falta de meios que o projecto decepcionou, dispondo Stone de um guarda-roupa e uma reconstituição de época convincentes. A banda sonora de Vangelis, sem ser genial, também obtém o efeito pretendido.
No entanto, o talento do elenco é desperdiçado. Colin Farrell acaba por cair no “overacting” e os outros não passam da mediania (Angelina Jolie, para além de não envelhecer, tem de lutar contra um sotaque absurdo, enquanto Anthony Hopkins se arrasta numa narração desinteressante). A realização de Stone também possui limitações, não tornando o filme atractivo. As sequências das batalhas de Gaugamela e Hidaspes são algo confusas e raramente despertam emoção. Embora não seja fácil filmar batalhas da Antiguidade Clássica (um cineasta que o fez muito bem foi Stanley Kubrick, em “Spartacus”), Stone não consegue nem a glorificação nem a humanização dos combatentes.
Por fim, de uma maneira geral o argumento é fraco, demasiado fraco para um projecto desta envergadura. Não se trata apenas das incorrecções históricas (referidas por Luísa Alves num artigo na “Premiere” de Janeiro), mas da banalidade dos diálogos ou da debilidade das personagens. A estrutura da história, com saltos temporais bizarros (mesmo tendo em conta a dificuldade de condensação da existência de Alexandre em menos de três horas) e um “flash-back” que aparece de repente não se percebe bem porquê, é confusa. Quanto à abordagem da homossexualidade do rei macedónio, não a considero excessiva. O problema, mais que a orientação sexual, é que as cenas da relação Alexandre-Hefestião dificilmente poderiam ser mais piegas.
O resultado final é um filme demasiado longo e aborrecido, que falha o objectivo de aproximar a figura histórica dos espectadores e esclarecê-los acerca da época onde decorre a acção. Esperemos que “Alexandre, o Grande” seja um mero passo em falso dos envolvidos (capazes de fazer bem melhor).
A melhor cena: Alexandre encontra Dario na batalha.
A pior cena: Alexandre é transportado ferido.
Nota: 4/10.
terça-feira, julho 12, 2005
Duas pipocas
Dois anos depois de ter começado a escrever neste blogue, o que posso dizer sobre essa actividade? Tenho sido irregular quer na qualidade quer na frequência (ultimamente, por exemplo, não tenho vindo muito aqui) e sem grande originalidade (muitas vezes, escrevo o que mesmo que outros já disseram com melhores palavras). Por outro lado, continua a ser divertido, e escrever “posts” é sempre mais útil que nos afundarmos em ansiedades e depressões. Por isso, é preciso continuar, e há mais um ano de cinema à nossa frente.
E agora, o melhor: agradecer a quem contribui para tornar a blogosfera tão viciante. Obrigado, em primeiro lugar, ao Fernando, por me ter convidado e por tudo ser mais fácil quando se trabalha com ele. Quem tem o Fernando tem tudo, quem não tem o Fernando não tem nada… OK, já chega. Agradeço também à Sara, pelo incentivo. E, claro, nada disto faria sentido se não fossem os membros da cada vez mais vasta blogosfera cinéfila, uma contínua fonte de opinião e informação de qualidade. Para os cibernautas que continuam a gastar tempo a visitar o nosso endereço, um grande abraço.
Obrigado a todos e continuação de um Verão de bom cinema.
E agora, o melhor: agradecer a quem contribui para tornar a blogosfera tão viciante. Obrigado, em primeiro lugar, ao Fernando, por me ter convidado e por tudo ser mais fácil quando se trabalha com ele. Quem tem o Fernando tem tudo, quem não tem o Fernando não tem nada… OK, já chega. Agradeço também à Sara, pelo incentivo. E, claro, nada disto faria sentido se não fossem os membros da cada vez mais vasta blogosfera cinéfila, uma contínua fonte de opinião e informação de qualidade. Para os cibernautas que continuam a gastar tempo a visitar o nosso endereço, um grande abraço.
Obrigado a todos e continuação de um Verão de bom cinema.
segunda-feira, julho 11, 2005
Genuíno filme de Verão - (post revisto)
Spielberg foi o criador do Blockbuster de Verão e como autor que é criou um precedente problemático: Hollywood habituou-se a um modelo de cinema perigoso nas mãos erradas.
Com Spielberg os blockbusters vivem do seu talento como autor e não se resumem a filme de Série B com grande orçamento. Spielberg dá-lhes uma dimensão humana que os faz perdurar no tempo e causa-lhes diversos motivos de interesse.
No entanto o modelo de Blockbuster passa pelos estúdios pelas mãos de realizadores dotados mas cada vez mais pelas mãos tarefeiros manipulados pelas produtoras.
E o Verão é actualmente o período mas desinteressante em termos cinematográficos de todo o ano.
Nos anos 80 os blockbusters eram inteligentes e seguiam de perto o modelo de Spielberg e alguns não sendo obras-primas são muito agradáveis mesmo passados anos e anos.
Se me lembrar de 89/90 temos: "Indy and the Last Crusade", "GhostBusters II", "Total Recall", "Batman", "Back To the Future II e III" e muitos outros.
Num espaço de um ano lembro-me que vi estes filmes no cinema. E no espaço de 2004/5 que bons blockbusters vi eu?
Vejamos: War of the Worlds e o Spider Man 2 (de autor também curiosamente).
Voltando a War of the Worlds Spielberg volta a mostrar como se faz um genuíno filme de Verão. Simples, bem escrito e interpretado, com tensão e perfeito na sua realização. Murren volta a trabalhar com o mestre e o CG é notável. No entanto War of the Worlds é um filme completo, Spielberg cresceu e o filme tem elementos muito sombrios que nunca estariam na sua filmografia de ínicio de carreira.
Espanta-me falar-se tanto de Batman Begins, um blockbuster pretencioso mas sem nunca mostrar a mestria necessário para um regresso definitivo do Cavaleiro das Trevas. Os críticos americanos dão nota máxima ao Batman e ignoram o WOTW? Incompreensivel!!!
O filme WOTW mostra uma perspectiva interessante e realista de um ataque. São extra-terrestres mas poderiam ser qualquer outra entidade. E é isso que separa este filme de outras perspectivas mais nacionalistas como o ID4. Cruise é um sobrevivente e não tem a pretensão que querer salvar o dia. Isso foi mesmo o melhor do filme. Este é uma jornada de sobrevivência onde a Guerra dos Mundos é vista por uma família comum.
Aqueles que querem um entretenimento inteligente, de autor têm este Verão a missão obrigatória de assistir à Guerra dos Mundos.
Classificação 17 (0-20)
Com Spielberg os blockbusters vivem do seu talento como autor e não se resumem a filme de Série B com grande orçamento. Spielberg dá-lhes uma dimensão humana que os faz perdurar no tempo e causa-lhes diversos motivos de interesse.
No entanto o modelo de Blockbuster passa pelos estúdios pelas mãos de realizadores dotados mas cada vez mais pelas mãos tarefeiros manipulados pelas produtoras.
E o Verão é actualmente o período mas desinteressante em termos cinematográficos de todo o ano.
Nos anos 80 os blockbusters eram inteligentes e seguiam de perto o modelo de Spielberg e alguns não sendo obras-primas são muito agradáveis mesmo passados anos e anos.
Se me lembrar de 89/90 temos: "Indy and the Last Crusade", "GhostBusters II", "Total Recall", "Batman", "Back To the Future II e III" e muitos outros.
Num espaço de um ano lembro-me que vi estes filmes no cinema. E no espaço de 2004/5 que bons blockbusters vi eu?
Vejamos: War of the Worlds e o Spider Man 2 (de autor também curiosamente).
Voltando a War of the Worlds Spielberg volta a mostrar como se faz um genuíno filme de Verão. Simples, bem escrito e interpretado, com tensão e perfeito na sua realização. Murren volta a trabalhar com o mestre e o CG é notável. No entanto War of the Worlds é um filme completo, Spielberg cresceu e o filme tem elementos muito sombrios que nunca estariam na sua filmografia de ínicio de carreira.
Espanta-me falar-se tanto de Batman Begins, um blockbuster pretencioso mas sem nunca mostrar a mestria necessário para um regresso definitivo do Cavaleiro das Trevas. Os críticos americanos dão nota máxima ao Batman e ignoram o WOTW? Incompreensivel!!!
O filme WOTW mostra uma perspectiva interessante e realista de um ataque. São extra-terrestres mas poderiam ser qualquer outra entidade. E é isso que separa este filme de outras perspectivas mais nacionalistas como o ID4. Cruise é um sobrevivente e não tem a pretensão que querer salvar o dia. Isso foi mesmo o melhor do filme. Este é uma jornada de sobrevivência onde a Guerra dos Mundos é vista por uma família comum.
Aqueles que querem um entretenimento inteligente, de autor têm este Verão a missão obrigatória de assistir à Guerra dos Mundos.
Classificação 17 (0-20)
Benfica
“Fintar o Destino” (1998), de Fernando Vendrell
A primeira longa-metragem “a solo” de Fernando Vendrell (após ter partilhado com João Canijo, em 1988, a realização de “Três Menos Eu”) divide-se entre Cabo Verde (mais propriamente a cidade do Mindelo, na ilha de S. Vicente) e Lisboa. Exibida na semana passada pela 2:, a fita concentra-se na trajectória de Mané (Carlos Germano), um ex-futebolista frustrado por ter falhado, no final dos anos 50, a oportunidade de jogar em Portugal. Em 1993, Mané desloca-se a Lisboa, procurando recuperar de alguma forma o passado perdido.
Para quem não conhece Cabo Verde, o filme vale pelo retrato do quotidiano do Mindelo ou pelo uso do crioulo local. Os planos da cidade e da paisagem vicentina são habilmente captados e fotografados. “Fintar o Destino” possui também um lado de filme de futebol, acentuado em Lisboa (nesse aspecto, as características da história tornam-na agradável sobretudo para os adeptos do Benfica).
O problema é que a obra de Vendrell não é especialmente marcante em nenhum pormenor, nem mesmo na banda sonora ou na interpretação de Carlos Germano. O argumento é eficaz q.b., mas parece nunca ter algo de sólido em que se apoiar.
Funcionando como uma interessante perspectiva da vida cabo-verdiana, quer no arquipélago africano quer entre os imigrantes na antiga metrópole, “Fintar o Destino” é um projecto limitado mas bem construído que deixa algumas indicações favoráveis sobre o trabalho de Vendrell.
Nota: 6/10.
A primeira longa-metragem “a solo” de Fernando Vendrell (após ter partilhado com João Canijo, em 1988, a realização de “Três Menos Eu”) divide-se entre Cabo Verde (mais propriamente a cidade do Mindelo, na ilha de S. Vicente) e Lisboa. Exibida na semana passada pela 2:, a fita concentra-se na trajectória de Mané (Carlos Germano), um ex-futebolista frustrado por ter falhado, no final dos anos 50, a oportunidade de jogar em Portugal. Em 1993, Mané desloca-se a Lisboa, procurando recuperar de alguma forma o passado perdido.
Para quem não conhece Cabo Verde, o filme vale pelo retrato do quotidiano do Mindelo ou pelo uso do crioulo local. Os planos da cidade e da paisagem vicentina são habilmente captados e fotografados. “Fintar o Destino” possui também um lado de filme de futebol, acentuado em Lisboa (nesse aspecto, as características da história tornam-na agradável sobretudo para os adeptos do Benfica).
O problema é que a obra de Vendrell não é especialmente marcante em nenhum pormenor, nem mesmo na banda sonora ou na interpretação de Carlos Germano. O argumento é eficaz q.b., mas parece nunca ter algo de sólido em que se apoiar.
Funcionando como uma interessante perspectiva da vida cabo-verdiana, quer no arquipélago africano quer entre os imigrantes na antiga metrópole, “Fintar o Destino” é um projecto limitado mas bem construído que deixa algumas indicações favoráveis sobre o trabalho de Vendrell.
Nota: 6/10.
terça-feira, julho 05, 2005
O espectáculo tem que continuar...
No passado Sábado tive uma grande surpresa. Fui ao concerto dos Queen e realmente percebo porque quiseram fazer um Tour sem o Freddie.
Taylor disse que quando Rodgers ficou disponível surgiu a ideia. Realmente ficou muito bem enquadrado com os outros dois veteranos. Nota-se que é um cantor da mesma escola e consegue uma boa coesão dois os dois Queens originais.
Por outro lado entendo porque Brian e Roger quiseram fazer os concertos. Quem toca como eles deve sentir a saudade dos tempos aureos. Porra Brian May toca mesmo muito!! O público em geral ficou estupefacto quando ele começava com os solos de guitarra. Não era preciso mais nada, May e uma guitarra e lá estarei....
Queen, You are the Champions
Taylor disse que quando Rodgers ficou disponível surgiu a ideia. Realmente ficou muito bem enquadrado com os outros dois veteranos. Nota-se que é um cantor da mesma escola e consegue uma boa coesão dois os dois Queens originais.
Por outro lado entendo porque Brian e Roger quiseram fazer os concertos. Quem toca como eles deve sentir a saudade dos tempos aureos. Porra Brian May toca mesmo muito!! O público em geral ficou estupefacto quando ele começava com os solos de guitarra. Não era preciso mais nada, May e uma guitarra e lá estarei....
Queen, You are the Champions
sábado, julho 02, 2005
Chá
“Vera Drake”, de Mike Leigh
É impossível referir o último filme de Mike Leigh sem falar do desempenho multipremiado de Imelda Staunton no papel da protagonista. Staunton parece apagar-se para deixar apenas Vera Drake à frente dos nossos olhos, contribuindo para a imediata empatia com a personagem e não fraquejando nas cenas mais dramáticas (com menos diálogo, neste caso). Os restantes actores funcionam igualmente bem no projecto de Leigh.
O realizador é hábil na recriação do ambiente social de Londres em 1950, quando as marcas psicológicas da guerra são ainda fortes, a televisão é uma novidade cara e o aborto é crime. A apagada banda sonora e a duração geralmente breve das cenas não reduzem o impacto dramático da fita. A chave do êxito narrativo de “Vera Drake” encontra-se numa certa subtileza das reacções das personagens. Impressiona como, sem recorrer a excessos verbais ou gestuais habituais nos dramas americanos, Leigh e os actores transmitem a força emocional da situação (sem redenção final). O realismo do filme é particularmente expressivo.
Claro que a obra propõe uma posição sobre o polémico tema que aborda. Pode-se dizer que “Vera Drake” é claramente pró-escolha, mas procura não ser demasiado óbvio ou militante (são mostrados aspectos como os lucros que o aborto clandestino fornece a alguns ou a diversidade de situações que conduzem à decisão de interromper a gravidez), evitando a glorificação da protagonista. Talvez alguns elementos da “burguesia” sejam apresentados com excessiva rapidez, mas o quadro traçado por Leigh é verosímil (talvez demasiado familiar, uma vez que o passado descrito pelo realizador, nomeadamente na entrevista incluída no DVD, é presente em Portugal).
Concorde-se ou não com a perspectiva assumida pela longa-metragem, “Vera Drake” é cinema de qualidade, chamando a atenção para o trabalho por vezes pouco visível dos cineastas britânicos.
A melhor cena: Vera é interrogada pela primeira vez.
A pior cena: Sid no trabalho.
Nota: 8/10.
É impossível referir o último filme de Mike Leigh sem falar do desempenho multipremiado de Imelda Staunton no papel da protagonista. Staunton parece apagar-se para deixar apenas Vera Drake à frente dos nossos olhos, contribuindo para a imediata empatia com a personagem e não fraquejando nas cenas mais dramáticas (com menos diálogo, neste caso). Os restantes actores funcionam igualmente bem no projecto de Leigh.
O realizador é hábil na recriação do ambiente social de Londres em 1950, quando as marcas psicológicas da guerra são ainda fortes, a televisão é uma novidade cara e o aborto é crime. A apagada banda sonora e a duração geralmente breve das cenas não reduzem o impacto dramático da fita. A chave do êxito narrativo de “Vera Drake” encontra-se numa certa subtileza das reacções das personagens. Impressiona como, sem recorrer a excessos verbais ou gestuais habituais nos dramas americanos, Leigh e os actores transmitem a força emocional da situação (sem redenção final). O realismo do filme é particularmente expressivo.
Claro que a obra propõe uma posição sobre o polémico tema que aborda. Pode-se dizer que “Vera Drake” é claramente pró-escolha, mas procura não ser demasiado óbvio ou militante (são mostrados aspectos como os lucros que o aborto clandestino fornece a alguns ou a diversidade de situações que conduzem à decisão de interromper a gravidez), evitando a glorificação da protagonista. Talvez alguns elementos da “burguesia” sejam apresentados com excessiva rapidez, mas o quadro traçado por Leigh é verosímil (talvez demasiado familiar, uma vez que o passado descrito pelo realizador, nomeadamente na entrevista incluída no DVD, é presente em Portugal).
Concorde-se ou não com a perspectiva assumida pela longa-metragem, “Vera Drake” é cinema de qualidade, chamando a atenção para o trabalho por vezes pouco visível dos cineastas britânicos.
A melhor cena: Vera é interrogada pela primeira vez.
A pior cena: Sid no trabalho.
Nota: 8/10.
segunda-feira, junho 27, 2005
Mosaico
O filme mosaico ficou falado sobretudo pelos dois trabalhos de PT Anderson, Boogie Night e o etéreo Magnólia. Posteriormente qualquer tentativa de entrar neste campo é pretenciosa e marcada para o insucesso.
Paul Haggis depois de nos brindar com Million Dollar Baby (que produziu e escreveu) brinda-nos com este Crash. Se PT Anderson se afasta um pouco da realidade para construir as suas magníficas histórias, Haggis joga com a realidade actual para construir uma teia de relações em que se cruzam os tons da cor da pele.
Acredito que comparar qualquer filme com Magnólia seja escusado, prefiro comparar Crash com a maior parte dos filmes que exploram este tema, o racismo.
Em Crash a sintonia é perfeita, nada transborda e nunca se toma uma posição. Haggis filma as fobias sociais para realçar as suas fragilidades, o mosaico funciona como a mais evidente prova que na questão da cor da pele as opiniões se constroem consoante o olhar que se toma. E é tão bom quando somos confrontados com aquelas coisas que pensamos não sentir mas que revelam as nossas mais intimas fragilidades.
Essas fragilidades moldam a natureza humana e moldam também aquilo que julgavamos saber e ter como adquirido.
Tecnicamente confesso que o filme me surpreendeu.
A realização é notável. Possivelmente este filme tem a mais bela cena que vi no cinema no último ano: o salvamento do carro em chamas. Notável a camara lenta e a escolha musical.
Não posso deixar também de citar a magnífica cena do colar que nos protege contra tudo e depois o desenlace. Emocionamente e ao mesmo tempo genial.
Classificação: 18 (0-20)
O melhor filme estreado pós Million Dollar Baby
Paul Haggis depois de nos brindar com Million Dollar Baby (que produziu e escreveu) brinda-nos com este Crash. Se PT Anderson se afasta um pouco da realidade para construir as suas magníficas histórias, Haggis joga com a realidade actual para construir uma teia de relações em que se cruzam os tons da cor da pele.
Acredito que comparar qualquer filme com Magnólia seja escusado, prefiro comparar Crash com a maior parte dos filmes que exploram este tema, o racismo.
Em Crash a sintonia é perfeita, nada transborda e nunca se toma uma posição. Haggis filma as fobias sociais para realçar as suas fragilidades, o mosaico funciona como a mais evidente prova que na questão da cor da pele as opiniões se constroem consoante o olhar que se toma. E é tão bom quando somos confrontados com aquelas coisas que pensamos não sentir mas que revelam as nossas mais intimas fragilidades.
Essas fragilidades moldam a natureza humana e moldam também aquilo que julgavamos saber e ter como adquirido.
Tecnicamente confesso que o filme me surpreendeu.
A realização é notável. Possivelmente este filme tem a mais bela cena que vi no cinema no último ano: o salvamento do carro em chamas. Notável a camara lenta e a escolha musical.
Não posso deixar também de citar a magnífica cena do colar que nos protege contra tudo e depois o desenlace. Emocionamente e ao mesmo tempo genial.
Classificação: 18 (0-20)
O melhor filme estreado pós Million Dollar Baby
domingo, junho 26, 2005
Batman Ano Um
Este filme acaba por ser o que se espera dele. Uma nova adaptação de Batman com pontos muito bons e outros menos conseguidos.
Primeira impressão: não supera qualquer dos Batmans de Burton e Bale é realmente o melhor actor a participar num Batman ou mesmo numa adaptação de comics.
Nolan desaponta. As cenas de acção são péssimas, com uma montagem muito rápida e com planos muito curtos. Perde toda a grandiosidade dos grandes planos de Burton. No entanto consegue bons momentos com o jogo do rato do Batman o que leva a pensar o que será um filme com mais Batman que Wayne.
O argumento é o mais fiel aos comics mas possivelmente acaba se sair fragilizado de tentar perrcorrer anos e anos de comics em cerca de duas horas. Goyer realmente escreve bem a adaptação e finalmente o Comissionário Gordon é bem adaptado por Oldman sem dúvida o melhor actor do filme ao lado de Bale.
A relação Batman/Gordon é magistral e é realmente o grande ponto a espera para a sequela que é magnificamente apresentada na última cena.
------------------------------
Classificação 3 de 0 a 5
Primeira impressão: não supera qualquer dos Batmans de Burton e Bale é realmente o melhor actor a participar num Batman ou mesmo numa adaptação de comics.
Nolan desaponta. As cenas de acção são péssimas, com uma montagem muito rápida e com planos muito curtos. Perde toda a grandiosidade dos grandes planos de Burton. No entanto consegue bons momentos com o jogo do rato do Batman o que leva a pensar o que será um filme com mais Batman que Wayne.
O argumento é o mais fiel aos comics mas possivelmente acaba se sair fragilizado de tentar perrcorrer anos e anos de comics em cerca de duas horas. Goyer realmente escreve bem a adaptação e finalmente o Comissionário Gordon é bem adaptado por Oldman sem dúvida o melhor actor do filme ao lado de Bale.
A relação Batman/Gordon é magistral e é realmente o grande ponto a espera para a sequela que é magnificamente apresentada na última cena.
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Classificação 3 de 0 a 5
Nós e eles
“Colisão”, de Paul Haggis
Com uma forte (e injusta) discrição (acentuada pelo nascimento do homem-morcego), chegou aos cinemas portugueses a primeira experiência na realização em cinema de Paul Haggis (argumentista de “Million Dollar Baby”), que aqui aborda outro tema polémico.
“Colisão” é um filme sobre o racismo cuja história decorre num passado (Dezembro de 2003?) tão próximo que é ainda presente, na Califórnia do Governador Arnold, ainda afectada pelo clima psicológico do pós-11 de Setembro e da guerra no Iraque. Haggis apresenta um conjunto de eventos e personagens que têm em comum os choques (como as colisões que ocorrem no início e no fim do filme) existentes entre as diferentes comunidades de Los Angeles. Um aspecto importante da obra é a lucidez de mostrar preconceitos e ideias feitas entre todas as “maiorias” e “minorias” da sociedade, evitando simplificações abusivas. Embora se concentre no caso americano, “Colisão” analisa sentimentos e problemas inter-relacionais praticamente universais. O racismo está por toda a parte (incluindo em mim, claro).
Tratando-se de um “filme-mosaico” inspirado no modelo de “Magnólia” (embora não voe tão alto como a obra de Paul Thomas Anderson), acaba por não prestar a mesma atenção a todas as personagens, mas o argumento evita falhas de relevo nesse domínio e integra as histórias num todo coerente, interligando-as de forma eficaz. Embora puxe em excesso, por vezes, pelo sentimentalismo ou pelo carácter “positivo” do final, o filme possui uma inteligência e um impacto emocional que lhe permitem chegar directamente ao coração do espectador. A realização (boa estreia de Haggis) e a banda sonora são também elementos essenciais para esse efeito.
O conjunto de actores funciona na perfeição, destacando-se interpretações como a de Don Cheadle ou, pela sua surpresa (tendo em conta o tipo de filmes em que costumam participar), Sandra Bullock e Brendan Fraser.
Duro e realista, mas também sensível e comovente, “Colisão” é um drama cheio de esperança que defende a paz entre todos e acredita que o combate ao racismo tem de começar dentro de cada um de nós.
A melhor cena: O sargento Ryan salva Christine.
A pior cena: A neve começa a cair.
Nota: 8/10.
Com uma forte (e injusta) discrição (acentuada pelo nascimento do homem-morcego), chegou aos cinemas portugueses a primeira experiência na realização em cinema de Paul Haggis (argumentista de “Million Dollar Baby”), que aqui aborda outro tema polémico.
“Colisão” é um filme sobre o racismo cuja história decorre num passado (Dezembro de 2003?) tão próximo que é ainda presente, na Califórnia do Governador Arnold, ainda afectada pelo clima psicológico do pós-11 de Setembro e da guerra no Iraque. Haggis apresenta um conjunto de eventos e personagens que têm em comum os choques (como as colisões que ocorrem no início e no fim do filme) existentes entre as diferentes comunidades de Los Angeles. Um aspecto importante da obra é a lucidez de mostrar preconceitos e ideias feitas entre todas as “maiorias” e “minorias” da sociedade, evitando simplificações abusivas. Embora se concentre no caso americano, “Colisão” analisa sentimentos e problemas inter-relacionais praticamente universais. O racismo está por toda a parte (incluindo em mim, claro).
Tratando-se de um “filme-mosaico” inspirado no modelo de “Magnólia” (embora não voe tão alto como a obra de Paul Thomas Anderson), acaba por não prestar a mesma atenção a todas as personagens, mas o argumento evita falhas de relevo nesse domínio e integra as histórias num todo coerente, interligando-as de forma eficaz. Embora puxe em excesso, por vezes, pelo sentimentalismo ou pelo carácter “positivo” do final, o filme possui uma inteligência e um impacto emocional que lhe permitem chegar directamente ao coração do espectador. A realização (boa estreia de Haggis) e a banda sonora são também elementos essenciais para esse efeito.
O conjunto de actores funciona na perfeição, destacando-se interpretações como a de Don Cheadle ou, pela sua surpresa (tendo em conta o tipo de filmes em que costumam participar), Sandra Bullock e Brendan Fraser.
Duro e realista, mas também sensível e comovente, “Colisão” é um drama cheio de esperança que defende a paz entre todos e acredita que o combate ao racismo tem de começar dentro de cada um de nós.
A melhor cena: O sargento Ryan salva Christine.
A pior cena: A neve começa a cair.
Nota: 8/10.
quinta-feira, junho 23, 2005
Fita
“Rambo III” (1988), de Peter MacDonald
O terceiro filme da saga Rambo constitui um clássico do cinema “chunga” dos anos 80 (podem consultar aqui um especialista no assunto). Como dizia a publicidade da TVI, “fez história na América”. No entanto, trata-se de um filme infeliz, não só porque as receitas de bilheteira não foram tão altas como se esperava, mas por ter surgido algo fora de contexto (a obra foi concluída já depois da União Soviética iniciar a retirada do Afeganistão) e sem ligação com o futuro (os aliados de Rambo em 1988 tornar-se-iam inimigos ferozes da América).
O filme está longe de pretender fornecer grandes estímulos intelectuais, para além da propaganda a favor do “corajoso povo do Afeganistão” (ao qual a obra é dedicada), ameaçado pela brutalidade marxista-leninista. Os diálogos são paupérrimos e as personagens secundárias de cartão, até mesmo o tenebroso vilão (eliminado numa cena decepcionante). Os argumentistas acabam por anular o carácter de inadaptado de Rambo (bem explorado em “A Fúria do Herói”), tornando-o um corajoso protector dos indefesos. O trabalho de Sylvester Stallone (que parece reagir a tudo com a mesma expressão) em nada ajuda a humanizar a personagem.
Assim, “Rambo III” é assumidamente uma sucessão contínua de tiros e explosões. Isso não seria mau de todo se eles fossem mostrados com ritmo e qualidade. No entanto, a montagem e a realização são desastrosas, não demonstrando MacDonald qualquer originalidade (devem existir, em menos de duas horas de filme, tantos grandes planos de Stallone como as 108 mortes contabilizadas). A violência torna-se repetitiva e perde sentido.
Claro que resta a diversão de ver um filme que se leva tanto a sério (satirizado em comédias como “Ases pelos Ares 2”) e apresenta um modelo hoje descredibilizado de herói, para além de recordar os tempos em que a carreira de Stallone tinha alguma relevância (talvez por causa desse obscurecimento, o guerreiro de fita no cabelo regressa no ano que vem). Uma das graves consequências da Guerra Fria foi o surgimento de filmes como este.
Nota: 3/10.
O terceiro filme da saga Rambo constitui um clássico do cinema “chunga” dos anos 80 (podem consultar aqui um especialista no assunto). Como dizia a publicidade da TVI, “fez história na América”. No entanto, trata-se de um filme infeliz, não só porque as receitas de bilheteira não foram tão altas como se esperava, mas por ter surgido algo fora de contexto (a obra foi concluída já depois da União Soviética iniciar a retirada do Afeganistão) e sem ligação com o futuro (os aliados de Rambo em 1988 tornar-se-iam inimigos ferozes da América).
O filme está longe de pretender fornecer grandes estímulos intelectuais, para além da propaganda a favor do “corajoso povo do Afeganistão” (ao qual a obra é dedicada), ameaçado pela brutalidade marxista-leninista. Os diálogos são paupérrimos e as personagens secundárias de cartão, até mesmo o tenebroso vilão (eliminado numa cena decepcionante). Os argumentistas acabam por anular o carácter de inadaptado de Rambo (bem explorado em “A Fúria do Herói”), tornando-o um corajoso protector dos indefesos. O trabalho de Sylvester Stallone (que parece reagir a tudo com a mesma expressão) em nada ajuda a humanizar a personagem.
Assim, “Rambo III” é assumidamente uma sucessão contínua de tiros e explosões. Isso não seria mau de todo se eles fossem mostrados com ritmo e qualidade. No entanto, a montagem e a realização são desastrosas, não demonstrando MacDonald qualquer originalidade (devem existir, em menos de duas horas de filme, tantos grandes planos de Stallone como as 108 mortes contabilizadas). A violência torna-se repetitiva e perde sentido.
Claro que resta a diversão de ver um filme que se leva tanto a sério (satirizado em comédias como “Ases pelos Ares 2”) e apresenta um modelo hoje descredibilizado de herói, para além de recordar os tempos em que a carreira de Stallone tinha alguma relevância (talvez por causa desse obscurecimento, o guerreiro de fita no cabelo regressa no ano que vem). Uma das graves consequências da Guerra Fria foi o surgimento de filmes como este.
Nota: 3/10.
segunda-feira, junho 20, 2005
Doze na Europa
“Ocean’s Twelve”, de Steven Soderbergh
Soderbergh é um ás capaz de fazer maravilhas com praticamente qualquer argumento. “Ocean’s Eleven” (2001) é um exemplo de como, num registo assumidamente mais leve (longe de projectos que não obtiveram grande impacto junto do público, como “Full Frontal” ou “Solaris”), o cineasta é igualmente hábil na construção de cinema de qualidade. A história do grande assalto da quadrilha de Ocean pode não ter a força de “Traffic”, mas é irresistivelmente divertida e bem realizada.
A sequela, “Ocean’s Twelve”, não consegue alcançar essa fasquia nem é tão bem construída, embora, tecnicamente, nada tenha a apontar. Os actores, essenciais para o funcionamento do projecto, entram no jogo e, sem espaço para grandes proezas, cumprem sem mácula a sua função.
Embora desta vez o argumento não seja tão bem conseguido, falhando por vezes na coordenação das várias peripécias, o espírito do filme é tão calmo e despretensioso que acaba por obter a adesão do espectador. Enquadra-se nessa descontracção a auto-paródia de Julia Roberts (acho que nenhum actor de Hollywood tinha satirizado tanto a sua própria imagem desde Schwarzenegger em “O Último Grande Herói”), que funciona bem de início mas acaba por gastar-se.
Após o final, com sucessivas reviravoltas e a festa dos nossos bandidos preferidos, o que fica na memória é uma longa-metragem que não mudará a vida de ninguém mas garante duas horas de entretenimento digno desse nome (e uma imagem curiosa do litoral português).
A melhor cena: O roubo no comboio.
A pior cena: Julia na “suite”.
Nota: 7/10.
P.S. O texto não está lá muito bom, mas estou a tentar um "comeback". Alguma compreensão, por favor...
Soderbergh é um ás capaz de fazer maravilhas com praticamente qualquer argumento. “Ocean’s Eleven” (2001) é um exemplo de como, num registo assumidamente mais leve (longe de projectos que não obtiveram grande impacto junto do público, como “Full Frontal” ou “Solaris”), o cineasta é igualmente hábil na construção de cinema de qualidade. A história do grande assalto da quadrilha de Ocean pode não ter a força de “Traffic”, mas é irresistivelmente divertida e bem realizada.
A sequela, “Ocean’s Twelve”, não consegue alcançar essa fasquia nem é tão bem construída, embora, tecnicamente, nada tenha a apontar. Os actores, essenciais para o funcionamento do projecto, entram no jogo e, sem espaço para grandes proezas, cumprem sem mácula a sua função.
Embora desta vez o argumento não seja tão bem conseguido, falhando por vezes na coordenação das várias peripécias, o espírito do filme é tão calmo e despretensioso que acaba por obter a adesão do espectador. Enquadra-se nessa descontracção a auto-paródia de Julia Roberts (acho que nenhum actor de Hollywood tinha satirizado tanto a sua própria imagem desde Schwarzenegger em “O Último Grande Herói”), que funciona bem de início mas acaba por gastar-se.
Após o final, com sucessivas reviravoltas e a festa dos nossos bandidos preferidos, o que fica na memória é uma longa-metragem que não mudará a vida de ninguém mas garante duas horas de entretenimento digno desse nome (e uma imagem curiosa do litoral português).
A melhor cena: O roubo no comboio.
A pior cena: Julia na “suite”.
Nota: 7/10.
P.S. O texto não está lá muito bom, mas estou a tentar um "comeback". Alguma compreensão, por favor...
quarta-feira, junho 15, 2005
Pecado
Sou um grande fã de Miller e antes disso mesmo um grande fã de cinema.
Em termos de fidelidade, realmente Sin City consegue os seus propósitos mas e em termos de cinema, 7ªArte?
Miller é um mestre na narrativa dos Comics Americanos mas em termos da narrativa de cinema a sua abordagem stá errada.
O facto de estar bem escrito para os Comics não significa estar bem direccionado para o grande ecrân. O meio é diferente, a linguagem é distinta.
Em termos gerais para conseguir um melhor filme Miller deveria ter escrito com Rodriguez uma nova história no seu Universo. Poderia ser mesmo algo que mais tarde lançaria em comic no formato comic, diferente... (sim eu sei que não era isso que pretendiam fazer).
Desse modo seria interessante para os fãs de cinema e fãs de comics uma vez que visualmente esta aboradagem consegue uma proesa de aproximação ao comic notável.
Em termos de estilo de interpretação para os actores penso que algo foi mal direccionado. É normal nos comics de Frank Miller grande parte da parte psicológica da história decorrer em pensamentos das personagens. Esse foi um dos elementos Pulp que Miller trouxe para os comics e que proporcionou a revolução que os seus livros originaram.
No entanto como a imagem é estática, os pensamentos interiores das personagens complementam a percepção que o leitor tem do meio em que a personagem se insere.
No cinema tal é redundante e sinceramente embora goste do tom de narração policial (lembro-me da narração de Blade Runner, que embora estivesse na primeira versão acabou por ser retirada por ser redundante no Director's Cut).
Quanto as actores... Rouke é magnífico e faz valer um terço do filme. A personagem de Marv é a mais emblemática do Universo de Miller e o actor consegue fugir ao lugar comum e a bocejo, interpretando num registo perfeito a sua personagem.
Quando a Clive Owen está péssimo. Não consegue sair de um over-acting cristalino.
Willis está melhor mas não é a apoiado pelos secundários. Alba não se consegue soltar do verde que a rodeia deixando Willis sem par e este acaba por ser penalizado porque o tio Willis parece sempre estar-se a interpretar a si próprio.
Mais um aspecto positivo é a banda sonora de Rodriguez. Este é o seu ponto mais forte, já em Kill Bill mostrou ter um talento muito grande para criar bandas sonoras magistrais para cenários de acção e histórias pulp.
(em homenagem ao Pedro)
O melhor
- O Visual
- Rourke
- Banda Sonora e efeitos sonoros
O Pior
- Jessica Alba
- Más interpretações de alguns actores
- OverActing desnecessário
- Argumento não mostrar as 3 histórias na totalidade
- Clive Owen
- Michael Madsen (um dos piores actores do seu tempo)
- Não é sétima arte
Classificação: 2 (0-5)
9 (0-10)
Nota 1:
Para se ver uma boa fusão entre BD e cinema parece que o próximo Batman vai ter uma palavra a dizer. Nolan e Bale numa história de Goyer parece estar talhado para o sucesso. A reacção nos EUA tem sido muito positiva (chegam a dizer que o filme é forte demais para crianças o que dá curiosidade).
Nota 2:
Esta nota serve para dizer que considero o primeiro e segundos livros da Cidade do Pecado duas das melhores histórias que li em comic. Quando as comecei a ler não consegui parar e achei tudo violentamente maravilhoso.
Em termos de fidelidade, realmente Sin City consegue os seus propósitos mas e em termos de cinema, 7ªArte?
Miller é um mestre na narrativa dos Comics Americanos mas em termos da narrativa de cinema a sua abordagem stá errada.
O facto de estar bem escrito para os Comics não significa estar bem direccionado para o grande ecrân. O meio é diferente, a linguagem é distinta.
Em termos gerais para conseguir um melhor filme Miller deveria ter escrito com Rodriguez uma nova história no seu Universo. Poderia ser mesmo algo que mais tarde lançaria em comic no formato comic, diferente... (sim eu sei que não era isso que pretendiam fazer).
Desse modo seria interessante para os fãs de cinema e fãs de comics uma vez que visualmente esta aboradagem consegue uma proesa de aproximação ao comic notável.
Em termos de estilo de interpretação para os actores penso que algo foi mal direccionado. É normal nos comics de Frank Miller grande parte da parte psicológica da história decorrer em pensamentos das personagens. Esse foi um dos elementos Pulp que Miller trouxe para os comics e que proporcionou a revolução que os seus livros originaram.
No entanto como a imagem é estática, os pensamentos interiores das personagens complementam a percepção que o leitor tem do meio em que a personagem se insere.
No cinema tal é redundante e sinceramente embora goste do tom de narração policial (lembro-me da narração de Blade Runner, que embora estivesse na primeira versão acabou por ser retirada por ser redundante no Director's Cut).
Quanto as actores... Rouke é magnífico e faz valer um terço do filme. A personagem de Marv é a mais emblemática do Universo de Miller e o actor consegue fugir ao lugar comum e a bocejo, interpretando num registo perfeito a sua personagem.
Quando a Clive Owen está péssimo. Não consegue sair de um over-acting cristalino.
Willis está melhor mas não é a apoiado pelos secundários. Alba não se consegue soltar do verde que a rodeia deixando Willis sem par e este acaba por ser penalizado porque o tio Willis parece sempre estar-se a interpretar a si próprio.
Mais um aspecto positivo é a banda sonora de Rodriguez. Este é o seu ponto mais forte, já em Kill Bill mostrou ter um talento muito grande para criar bandas sonoras magistrais para cenários de acção e histórias pulp.
(em homenagem ao Pedro)
O melhor
- O Visual
- Rourke
- Banda Sonora e efeitos sonoros
O Pior
- Jessica Alba
- Más interpretações de alguns actores
- OverActing desnecessário
- Argumento não mostrar as 3 histórias na totalidade
- Clive Owen
- Michael Madsen (um dos piores actores do seu tempo)
- Não é sétima arte
Classificação: 2 (0-5)
9 (0-10)
Nota 1:
Para se ver uma boa fusão entre BD e cinema parece que o próximo Batman vai ter uma palavra a dizer. Nolan e Bale numa história de Goyer parece estar talhado para o sucesso. A reacção nos EUA tem sido muito positiva (chegam a dizer que o filme é forte demais para crianças o que dá curiosidade).
Nota 2:
Esta nota serve para dizer que considero o primeiro e segundos livros da Cidade do Pecado duas das melhores histórias que li em comic. Quando as comecei a ler não consegui parar e achei tudo violentamente maravilhoso.
quinta-feira, junho 09, 2005
Terceiro
“Star Wars – Episódio III: A Vingança dos Sith”, de George Lucas
Não sou um Fã (com maiúscula) da saga. Quer dizer, gosto muito dos episódios IV-VI (o meu preferido é “A Guerra das Estrelas”) e considero-os obras incontornáveis e bastante completas, mas sempre vi como uma seita estranha esse vasto grupo de fascinados pela obra de George Lucas (e de Lawrence Kasdan, no caso do Fernando) que sabiam tudo sobre os filmes, compraram os DVDs logo que saíram, citavam abundantemente diálogos e personagens e especulavam durante três anos acerca do episódio seguinte da segunda (ou primeira?) trilogia (pelo menos, isso agora acabou). Talvez devesse ser mais compreensivo. Afinal, eu é que fico a perder por não poder apreciar verdadeiramente muitos aspectos dos seis capítulos.
Seja como for, o Episódio III, que agora domina as bilheteiras mundiais, não deixa de constituir uma certa decepção. É bem mais interessante que os Eps. I-II, mas tem pouco a ver com o nível dos Eps. IV-VI. Visualmente, é fabuloso, mas lida mal com o problema de integrar emoções e sentimentos nos cenários digitais. Por vezes, naves, droides, clones e alienígenas são tão abundantes que se tornam demasiado artificiais.
Esse fracasso passa, em parte, pelos actores, com Hayden Christensen e mesmo Natalie Portman a ficarem muito aquém do que se lhes exigia e a protagonizarem cenas românticas de reduzida qualidade e subtileza. Nenhum dos outros intérpretes é muito melhor, com a excepção, é claro, de Ian McDiarmid, Imperador de alma e coração.
Tal como os diálogos, as numerosas cenas de combate possuem qualidade desigual. No clímax final, os esforços inglórios de Yoda contra Palpatine são bem mais cativantes que o duelo entre Anakin e Obi-Wan. A destruição do general Grievous por este último também está longe de ser memorável.
Apesar destes altos e baixos, é preciso reconhecer que “A Vingança dos Sith” cumpre habilmente os mínimos, raramente caindo no tédio ou na lentidão e conseguindo explicar sem grandes falhas a queda de Anakin Skywalker. As cenas finais, que efectuam a ligação com o Episódio IV, também estão bem conseguidas. O tom carregado que a obra assume é realmente eficaz, ajudado pela banda sonora de Williams.
Trata-se, afinal, de um bom filme, que faz sentido no conjunto da saga. No entanto, passa ao lado da pérola que podia ser.
A melhor cena: Lord Sidious nomeia o seu novo aprendiz.
A pior cena: Anakin promete a Padmé protegê-la.
Nota: 6/10.
Não sou um Fã (com maiúscula) da saga. Quer dizer, gosto muito dos episódios IV-VI (o meu preferido é “A Guerra das Estrelas”) e considero-os obras incontornáveis e bastante completas, mas sempre vi como uma seita estranha esse vasto grupo de fascinados pela obra de George Lucas (e de Lawrence Kasdan, no caso do Fernando) que sabiam tudo sobre os filmes, compraram os DVDs logo que saíram, citavam abundantemente diálogos e personagens e especulavam durante três anos acerca do episódio seguinte da segunda (ou primeira?) trilogia (pelo menos, isso agora acabou). Talvez devesse ser mais compreensivo. Afinal, eu é que fico a perder por não poder apreciar verdadeiramente muitos aspectos dos seis capítulos.
Seja como for, o Episódio III, que agora domina as bilheteiras mundiais, não deixa de constituir uma certa decepção. É bem mais interessante que os Eps. I-II, mas tem pouco a ver com o nível dos Eps. IV-VI. Visualmente, é fabuloso, mas lida mal com o problema de integrar emoções e sentimentos nos cenários digitais. Por vezes, naves, droides, clones e alienígenas são tão abundantes que se tornam demasiado artificiais.
Esse fracasso passa, em parte, pelos actores, com Hayden Christensen e mesmo Natalie Portman a ficarem muito aquém do que se lhes exigia e a protagonizarem cenas românticas de reduzida qualidade e subtileza. Nenhum dos outros intérpretes é muito melhor, com a excepção, é claro, de Ian McDiarmid, Imperador de alma e coração.
Tal como os diálogos, as numerosas cenas de combate possuem qualidade desigual. No clímax final, os esforços inglórios de Yoda contra Palpatine são bem mais cativantes que o duelo entre Anakin e Obi-Wan. A destruição do general Grievous por este último também está longe de ser memorável.
Apesar destes altos e baixos, é preciso reconhecer que “A Vingança dos Sith” cumpre habilmente os mínimos, raramente caindo no tédio ou na lentidão e conseguindo explicar sem grandes falhas a queda de Anakin Skywalker. As cenas finais, que efectuam a ligação com o Episódio IV, também estão bem conseguidas. O tom carregado que a obra assume é realmente eficaz, ajudado pela banda sonora de Williams.
Trata-se, afinal, de um bom filme, que faz sentido no conjunto da saga. No entanto, passa ao lado da pérola que podia ser.
A melhor cena: Lord Sidious nomeia o seu novo aprendiz.
A pior cena: Anakin promete a Padmé protegê-la.
Nota: 6/10.
sábado, maio 28, 2005
EU quero os COMENTÁRIOS de volta!!!
Parece que o servidor dos comentários aos posts hoje não quer colaborar!
Vejamos o que lhe vou ter de fazer!!
Vejamos o que lhe vou ter de fazer!!
domingo, maio 22, 2005
SW episode 3 - primeiras impressões
Ao contrário da maior parte dos fãs não consigo dizer que este filme chega aos calcanhares da primeira triologia. Possivelmente é melhor que o anterior mas não exageremos...
Lucas escreve mal e garantidamente deve o sucesso da triologia anterior a Lawrence Kasdan sempre esquecido nestas andanças. Eu LEMBRO todos que Kasdan escreveu brilhantemente para Lucas o Episódio V,VI e os "Salteadores da Arca Perdida". A nova triologia sente demasiado a sua falta...
E quanto aos actores acho que dois estão bons e o resto escapa... mal. O Ian e o Ewan safam o filme da derrocada fatal. Quanto a space-opera realmente o argumento teria tudo para funcionar porque realmente a colagem com a primeira triologia está bem feita.
Como grande fã da velha guarda não vou dar uma classificação antes de ver novamente. Uma coisa que me fez perder a concentração no filme é o facto da projecção digital realçar demasiado que os actores estão contra um cenário totalmente renderizado por computador. Os interiores estão tão maus como os diálogos... Enfim modernices...
Lucas escreve mal e garantidamente deve o sucesso da triologia anterior a Lawrence Kasdan sempre esquecido nestas andanças. Eu LEMBRO todos que Kasdan escreveu brilhantemente para Lucas o Episódio V,VI e os "Salteadores da Arca Perdida". A nova triologia sente demasiado a sua falta...
E quanto aos actores acho que dois estão bons e o resto escapa... mal. O Ian e o Ewan safam o filme da derrocada fatal. Quanto a space-opera realmente o argumento teria tudo para funcionar porque realmente a colagem com a primeira triologia está bem feita.
Como grande fã da velha guarda não vou dar uma classificação antes de ver novamente. Uma coisa que me fez perder a concentração no filme é o facto da projecção digital realçar demasiado que os actores estão contra um cenário totalmente renderizado por computador. Os interiores estão tão maus como os diálogos... Enfim modernices...
terça-feira, maio 17, 2005
Putos, os Putos
Realmente que bom filme vi este fim-de-semana - "Mean Creek".
Surpresa em Sundance é um filme muito interessante com méritos muito próprios. Já vão uns largos anos desde que vi "Deliverance" de Jonh Boorman e "Stand by Me" de Rob Reiner e esta vingança fez-me relembrá-los. E que grandes pérolas...
Quanto a "Mean Creek" é um notável filme independente, cheio de boas ideias de realização, o arguimento é muito interessante para um tema não muito original e sobretudo a direcção de actores consegue ser muito viva. O actor que desempenha George, Josh Peck consegue uma interpretação muito conseguida, nunca caindo no miúdo simplesmente mau, tendo uma dualidade muito interessante de seguir.
Penso que desde a fornada de filmes dos Óscares este foi o melhor filme estreado.
Classificação: 14 (0-20)
Surpresa em Sundance é um filme muito interessante com méritos muito próprios. Já vão uns largos anos desde que vi "Deliverance" de Jonh Boorman e "Stand by Me" de Rob Reiner e esta vingança fez-me relembrá-los. E que grandes pérolas...
Quanto a "Mean Creek" é um notável filme independente, cheio de boas ideias de realização, o arguimento é muito interessante para um tema não muito original e sobretudo a direcção de actores consegue ser muito viva. O actor que desempenha George, Josh Peck consegue uma interpretação muito conseguida, nunca caindo no miúdo simplesmente mau, tendo uma dualidade muito interessante de seguir.
Penso que desde a fornada de filmes dos Óscares este foi o melhor filme estreado.
Classificação: 14 (0-20)
Novidades, pouco cinema e mais bd
Finalmente acho que vou voltar a ter mais tempo para escrever.
Nos últimos tempos a falta de cinema tem-me feito descobrir pérolas no comics. Sinceramente nunca pensei que a indústria tivesse evoluido tanto na arte de contar boas histórias, arrojadas, brutais e criativas.
Quem está por fora do mundo da BD pensa que somente Frank Millher é um grande criador de histórias para comics... Felizmente há vários e BONS!
Não sei se são tão bons como Millher e a comparação é quase tão absurda como comparações entre Hitchcock e Shyamalan. Um é um mito e outro poderá um dia o ser...
Se quiserem descobrir o Mundo dos comics americanos serão fundamentais descobertas os seguintes nomes:
- Mark Millar
- Neil Gaiman
- Alan Moore
- Bryan Hitch (sua arte é incrível)
- Brian Michael Bendis (ideia de Powers é genial)
- Jim Lee (tem uma arte notável)
Note-se que grande parte dos melhores são britanicos e as visões de heróis outroura demasiado americanos ficam agora muito mais interessantes.
Assim é fácil entrar no Mundo dos comics.
Nos últimos tempos a falta de cinema tem-me feito descobrir pérolas no comics. Sinceramente nunca pensei que a indústria tivesse evoluido tanto na arte de contar boas histórias, arrojadas, brutais e criativas.
Quem está por fora do mundo da BD pensa que somente Frank Millher é um grande criador de histórias para comics... Felizmente há vários e BONS!
Não sei se são tão bons como Millher e a comparação é quase tão absurda como comparações entre Hitchcock e Shyamalan. Um é um mito e outro poderá um dia o ser...
Se quiserem descobrir o Mundo dos comics americanos serão fundamentais descobertas os seguintes nomes:
- Mark Millar
- Neil Gaiman
- Alan Moore
- Bryan Hitch (sua arte é incrível)
- Brian Michael Bendis (ideia de Powers é genial)
- Jim Lee (tem uma arte notável)
Note-se que grande parte dos melhores são britanicos e as visões de heróis outroura demasiado americanos ficam agora muito mais interessantes.
Assim é fácil entrar no Mundo dos comics.
quarta-feira, maio 11, 2005
Breves
- Pelo que parece a crítica americana parece estar a gostar do novo episódio da saga Star Wars. O lado mais pessimista consegue atrair os novos e antigos fãs.
- E por falar em crítica nada bate este ano Sin City. A crítica adora e eu vi uns cinco minutos e não sei que dizer. Tinha muita curiosidade e gravaram-me um cd com um daqueles formatos marados e vi um pouco. A minha primeira impressão foi que o filme é uma transposição demasiado directa. Eu gosto do comic mas penso que há coisas que funcionam em cinema e outras que funcionam em comics. O overacting deixou-me de pé atrás mas parei de ver e decidi ir ver ao cinema para ter uma opinião mesmo bem fundada (devo ser o único fã das graphic novels que tem duvidas quanto ao filme).
Batman Begins tem um novo trailer prometedor e Steven Spielberg vai lançar dois filmes em 2005: a Guerra dos Mundos e o filme sobre as Olimpiadas de Munique... Fantástico
E para finalizar Lucas, Ford e Spielberg deverão começar a filmar o quarto Indy em 2006, isto nas palavras de Lucas, uma vez que o argumento está finalizado (passados 8 anos do seu início) e o realizador já se comprometeu a realizá-lo no próximo ano.
- E por falar em crítica nada bate este ano Sin City. A crítica adora e eu vi uns cinco minutos e não sei que dizer. Tinha muita curiosidade e gravaram-me um cd com um daqueles formatos marados e vi um pouco. A minha primeira impressão foi que o filme é uma transposição demasiado directa. Eu gosto do comic mas penso que há coisas que funcionam em cinema e outras que funcionam em comics. O overacting deixou-me de pé atrás mas parei de ver e decidi ir ver ao cinema para ter uma opinião mesmo bem fundada (devo ser o único fã das graphic novels que tem duvidas quanto ao filme).
Batman Begins tem um novo trailer prometedor e Steven Spielberg vai lançar dois filmes em 2005: a Guerra dos Mundos e o filme sobre as Olimpiadas de Munique... Fantástico
E para finalizar Lucas, Ford e Spielberg deverão começar a filmar o quarto Indy em 2006, isto nas palavras de Lucas, uma vez que o argumento está finalizado (passados 8 anos do seu início) e o realizador já se comprometeu a realizá-lo no próximo ano.
segunda-feira, maio 09, 2005
Coisas por arrumar
São comuns queixas pela divulgação realizada pelos “media” de “spoilers”, dando a conhecer o final surpreendente de um dado filme. O conhecimento dessa informação “secreta” impede aos espectadores que ainda não assistiram ao filme em questão uma fruição completa do seu visionamento, ou seja, mais valia deixá-los na ignorância. No entanto, nem só os jornalistas cometem indiscrições nessa área. Em entrevista à edição de 9 de Maio do quinzenário “Mundo Universitário”, Isabel Figueira fala sobre a sua participação em “Sorte Nula”, de Fernando Fragata. A modelo refere a sua personagem e a importância desta na trama. O problema é que Figueira conta a história de maneira algo errónea e divulga um pormenor que o filme só revela no final. É certo que “Sorte Nula” gira sobretudo em torno do efeito surpresa das relações entre as personagens e algumas das reviravoltas do argumento são previsíveis, mas o conhecimento prévio da informação dada por Figueira acaba por contrariar os planos do realizador-argumentista.
Joel Neto critica, na “Grande Reportagem” de 7 de Maio, os sussurros dos espectadores de uma sessão de “A Intérprete” quando surge uma personagem portuguesa que diz umas palavras na língua de Camões. Os risos e comentários que essa situação invulgar provoca podem ser uma manifestação de um certo provincianismo (do género “os americanos sabem que nós existimos, somos importantes, pá”). No entanto, é mais um filme em que o elemento português acaba por não sair muito favorecido (nem Lúcia Moniz nos salvou completamente em “O Amor Acontece”). Quando chegarão aos ecrãs referências mais exactas e favoráveis (talvez num futuro “biopic” de José Mourinho, quem sabe)?
Caso não tenham visto, o “Telejornal” da RTP de 6 de Maio incluiu uma peça relativa ao visionamento pela crítica portuguesa do Episódio III de “Star Wars”. O “pivot” anunciou que os críticos lusitanos consideravam o filme como “o melhor da trilogia de George Lucas”. Depois, por entre imagens do último trabalho de Lucas, surgiam declarações, no cenário de um cinema não identificado (embora o ambiente fosse do tipo Warner Lusomundo), de três elementos da “Premiere”. Rui Pedro Tendinha elogiou a obra (que merecia um polegar para cima), enquanto Luísa Alves e Luís Salvado também tinham palavras doces a dizer. A universitária e o jornalista da “Premiere” discordavam, no entanto, quanto aos méritos interpretativos de Hayden Christensen (Lucas lançou um novo actor de drama, disse Alves, Lucas nunca soube muito bem como dirigir actores e o resultado disso voltou a fazer-se sentir, afirmou Salvado). A peça terminou com boas vibrações acerca do tão esperado Episódio III. O certo é que poucos ficarão indiferentes, uma vez que é pouco frequente tanta preparação noticiosa da estreia de uma longa-metragem (“Matrix Revolutions” ou “Fahrenheit 9/11” foram bons exemplos).
Joel Neto critica, na “Grande Reportagem” de 7 de Maio, os sussurros dos espectadores de uma sessão de “A Intérprete” quando surge uma personagem portuguesa que diz umas palavras na língua de Camões. Os risos e comentários que essa situação invulgar provoca podem ser uma manifestação de um certo provincianismo (do género “os americanos sabem que nós existimos, somos importantes, pá”). No entanto, é mais um filme em que o elemento português acaba por não sair muito favorecido (nem Lúcia Moniz nos salvou completamente em “O Amor Acontece”). Quando chegarão aos ecrãs referências mais exactas e favoráveis (talvez num futuro “biopic” de José Mourinho, quem sabe)?
Caso não tenham visto, o “Telejornal” da RTP de 6 de Maio incluiu uma peça relativa ao visionamento pela crítica portuguesa do Episódio III de “Star Wars”. O “pivot” anunciou que os críticos lusitanos consideravam o filme como “o melhor da trilogia de George Lucas”. Depois, por entre imagens do último trabalho de Lucas, surgiam declarações, no cenário de um cinema não identificado (embora o ambiente fosse do tipo Warner Lusomundo), de três elementos da “Premiere”. Rui Pedro Tendinha elogiou a obra (que merecia um polegar para cima), enquanto Luísa Alves e Luís Salvado também tinham palavras doces a dizer. A universitária e o jornalista da “Premiere” discordavam, no entanto, quanto aos méritos interpretativos de Hayden Christensen (Lucas lançou um novo actor de drama, disse Alves, Lucas nunca soube muito bem como dirigir actores e o resultado disso voltou a fazer-se sentir, afirmou Salvado). A peça terminou com boas vibrações acerca do tão esperado Episódio III. O certo é que poucos ficarão indiferentes, uma vez que é pouco frequente tanta preparação noticiosa da estreia de uma longa-metragem (“Matrix Revolutions” ou “Fahrenheit 9/11” foram bons exemplos).
sábado, abril 30, 2005
Guerra lusa
Num artigo publicado no “Diário de Notícias” de hoje, Eurico de Barros analisa a forma como o cinema americano abordou a guerra do Vietname, referindo as diferentes perspectivas do conflito reveladas por títulos como “Apocalypse Now”, “O Caçador” e “Platoon – Os Bravos do Pelotão”, entre muitos outros. Segundo o crítico, as visões da guerra dividem-se entre a sua condenação explícita e a glorificação aos militares americanos, como opositores da expansão comunista.
No que diz respeito ao “nosso” Vietname, a Guerra Colonial (1961-1974), não se verifica no cinema português que a aborda ou simplesmente se lhe refere uma tal dualidade de opiniões, devido à reprovação praticamente universal do conflito africano. As diferenças entre os trabalhos dos cineastas lusitanos sobre esse assunto residem sobretudo na maneira como integram a guerra nas suas histórias e retratam os efeitos psicológicos das experiências dos militares. Criticar a falta de interesse do cinema português pela história recente do nosso país é já um lugar-comum, mas não deixam de surgir com relativa frequência filmes com referências à realidade dos anos 60 e 70. Se ainda não foi feito o “grande” filme sobre a guerra de África, ela está presente em obras como, entre outras:
“Era uma Vez um Alferes” (1988), de Luís Filipe Costa: Uma média-metragem (55 minutos) produzida para a RTP a partir de um conto de Mário de Carvalho. A história não se concentra nos combates mas sim nas relações entre os militares portugueses, mostrando uma situação extrema (um alferes pisa uma mina, tendo de se manter imóvel de modo a evitar a explosão) mas não isenta de surpresas. Com boas interpretações (José Jorge Duarte e Júlio César, entre outros), o filme possui um nível técnico regular.
“Natal 71” (1999), de Margarida Cardoso: Um disco com canções e mensagens de incentivo aos soldados em combate e uma cassete com música clandestina da autoria dos próprios militares servem de ponto de partida a um documentário no qual Cardoso confronta a propaganda oficial do Estado Novo sobre a guerra e a visão dos intervenientes no conflito. Com entrevistas e imagens de arquivo de grande interesse, “Natal 71” analisa um tema limitado (não se trata de um grande fresco sobre a guerra) mas muito bem tratado.
“Inferno” (1999), de Joaquim Leitão: Também o cinema português tem os seus veteranos de guerra. Aqui, um grupo de ex-combatentes reúne-se perto da fronteira com Espanha. Depois do jantar, expõem as suas questões não resolvidas e acabam por se envolver numa perigosa aventura. Aqui, a guerra serve como mero pretexto para um filme de acção falhado.
“Monsanto” (2000), de Ruy Guerra: O segundo SICFilme vira a sua atenção para o “stress” pós-traumático que afecta muitos dos ex-combatentes. Vítor Norte, numa daquelas interpretações que provam as suas grandes qualidades (por vezes pouco visíveis), encarna um veterano que, inadaptado, acaba por perder a noção da realidade e regressar à Guiné no parque de Monsanto. O argumento de Vicente Alves do Ó é surpreendentemente bom e o projecto possui uma qualidade rara neste tipo de produções.
“A Noiva” (2000), de Luís Galvão Teles: Outro telefilme da SIC que conta uma espécie de “Frei Luís de Sousa” passado em 1970, narrando a situação criada pelo anúncio oficial da morte de um militar (Marco de Almeida) que se encontra prisioneiro do PAIGC. Catarina Furtado é a “viúva” que acabará por ficar noiva pela segunda vez antes de saber a verdade. Trata-se de uma fita com momentos interessantes, mas também muitos clichés e até inexactidões, sem nada de particularmente inspirado.
“Preto e Branco” (2003), de José Carlos de Oliveira: Filmado em Moçambique, este é talvez o filme mais realista em termos de cenários e situações, pelo menos no início. No entanto, trata-se de outro argumento da co-autoria de Mário de Carvalho, e em pouco tempo cai num registo próximo da comédia. O encontro entre dois combatentes de lados opostos que se distanciam dos respectivos estereótipos é bastante interessante e gera um bom ritmo narrativo. Uma obra competente (à excepção da cena em que um microfone é incluído no enquadramento) que perde com a introdução do elemento romântico.
“Os Imortais” (2003), de António-Pedro Vasconcelos: A memória de mais esta “história de veteranos” ainda está fresca. A guerra surge em “flash-backs” credíveis, mas o melhor é o trabalho dos actores (grande Nicolau Breyner, estreia convincente de Rui Unas) e a maneira clara de contar uma história que tantas vezes falta por cá.
Não falo aqui de outros filmes que também passam pela África colonial (como “A Costa dos Murmúrios”), mas é claro que a guerra do Ultramar deixou já de ser um tema esquecido, com melhores ou piores resultados.
No que diz respeito ao “nosso” Vietname, a Guerra Colonial (1961-1974), não se verifica no cinema português que a aborda ou simplesmente se lhe refere uma tal dualidade de opiniões, devido à reprovação praticamente universal do conflito africano. As diferenças entre os trabalhos dos cineastas lusitanos sobre esse assunto residem sobretudo na maneira como integram a guerra nas suas histórias e retratam os efeitos psicológicos das experiências dos militares. Criticar a falta de interesse do cinema português pela história recente do nosso país é já um lugar-comum, mas não deixam de surgir com relativa frequência filmes com referências à realidade dos anos 60 e 70. Se ainda não foi feito o “grande” filme sobre a guerra de África, ela está presente em obras como, entre outras:
“Era uma Vez um Alferes” (1988), de Luís Filipe Costa: Uma média-metragem (55 minutos) produzida para a RTP a partir de um conto de Mário de Carvalho. A história não se concentra nos combates mas sim nas relações entre os militares portugueses, mostrando uma situação extrema (um alferes pisa uma mina, tendo de se manter imóvel de modo a evitar a explosão) mas não isenta de surpresas. Com boas interpretações (José Jorge Duarte e Júlio César, entre outros), o filme possui um nível técnico regular.
“Natal 71” (1999), de Margarida Cardoso: Um disco com canções e mensagens de incentivo aos soldados em combate e uma cassete com música clandestina da autoria dos próprios militares servem de ponto de partida a um documentário no qual Cardoso confronta a propaganda oficial do Estado Novo sobre a guerra e a visão dos intervenientes no conflito. Com entrevistas e imagens de arquivo de grande interesse, “Natal 71” analisa um tema limitado (não se trata de um grande fresco sobre a guerra) mas muito bem tratado.
“Inferno” (1999), de Joaquim Leitão: Também o cinema português tem os seus veteranos de guerra. Aqui, um grupo de ex-combatentes reúne-se perto da fronteira com Espanha. Depois do jantar, expõem as suas questões não resolvidas e acabam por se envolver numa perigosa aventura. Aqui, a guerra serve como mero pretexto para um filme de acção falhado.
“Monsanto” (2000), de Ruy Guerra: O segundo SICFilme vira a sua atenção para o “stress” pós-traumático que afecta muitos dos ex-combatentes. Vítor Norte, numa daquelas interpretações que provam as suas grandes qualidades (por vezes pouco visíveis), encarna um veterano que, inadaptado, acaba por perder a noção da realidade e regressar à Guiné no parque de Monsanto. O argumento de Vicente Alves do Ó é surpreendentemente bom e o projecto possui uma qualidade rara neste tipo de produções.
“A Noiva” (2000), de Luís Galvão Teles: Outro telefilme da SIC que conta uma espécie de “Frei Luís de Sousa” passado em 1970, narrando a situação criada pelo anúncio oficial da morte de um militar (Marco de Almeida) que se encontra prisioneiro do PAIGC. Catarina Furtado é a “viúva” que acabará por ficar noiva pela segunda vez antes de saber a verdade. Trata-se de uma fita com momentos interessantes, mas também muitos clichés e até inexactidões, sem nada de particularmente inspirado.
“Preto e Branco” (2003), de José Carlos de Oliveira: Filmado em Moçambique, este é talvez o filme mais realista em termos de cenários e situações, pelo menos no início. No entanto, trata-se de outro argumento da co-autoria de Mário de Carvalho, e em pouco tempo cai num registo próximo da comédia. O encontro entre dois combatentes de lados opostos que se distanciam dos respectivos estereótipos é bastante interessante e gera um bom ritmo narrativo. Uma obra competente (à excepção da cena em que um microfone é incluído no enquadramento) que perde com a introdução do elemento romântico.
“Os Imortais” (2003), de António-Pedro Vasconcelos: A memória de mais esta “história de veteranos” ainda está fresca. A guerra surge em “flash-backs” credíveis, mas o melhor é o trabalho dos actores (grande Nicolau Breyner, estreia convincente de Rui Unas) e a maneira clara de contar uma história que tantas vezes falta por cá.
Não falo aqui de outros filmes que também passam pela África colonial (como “A Costa dos Murmúrios”), mas é claro que a guerra do Ultramar deixou já de ser um tema esquecido, com melhores ou piores resultados.
terça-feira, abril 26, 2005
Profissionais
“Colateral”, de Michael Mann
Para a posteridade, “Colateral” fica como o filme que tornou Jamie Foxx uma estrela (pouco antes de “Ray” fazer dele um actor oscarizado). Um sinal desse facto é a presença de uma imagem de Foxx na capa da caixa do DVD (apenas Tom Cruise era visível nos cartazes que anunciavam a projecção do filme). Começando por aí, o trabalho do actor que interpreta Max, o taxista, é realmente muito bom, inclusive nas cenas a puxar para a acção (é difícil imaginar Adam Sandler, uma das primeiras escolhas para o papel, nesse tipo de situações), contribuindo para criar a química entre os dois protagonistas, essencial para o sucesso da obra. Quanto à actuação de Cruise, na pele do “mau” Vincent, o assassino, é tão regular e eficiente como todas as outras do actor (excepto alguns filmes como “Magnólia”, em que a estrela realmente se supera).
A nível técnico, “Colateral” é plenamente aceitável. A montagem e a fotografia criam na perfeição o ambiente urbano e nocturno no qual o enredo se move e ao qual dá vida. A verdadeira pérola da fita é, no entanto, a realização de Michael Mann. Não gostei por aí além dos “truques” que Mann utilizou em “O Informador” e “Ali”, mas aqui constrói habilmente um empolgante “thriller”.
A história acaba por ser o aspecto menos brilhante, não tendo nenhum momento particularmente genial. Embora bem filmado, o final é algo convencional. Mesmo assim, “Colateral” é entretenimento inteligente e bem construído, evitando perdas de tempo ou violência fácil.
Seja pelos actores (incluindo Javier Bardem, numa aparição breve mas interessante), pela realização ou por Los Angeles, “Colateral” vale a pena.
A melhor cena: Tiros no Fever.
A pior cena: Todos vão para o Fever.
Nota: 8/10.
Para a posteridade, “Colateral” fica como o filme que tornou Jamie Foxx uma estrela (pouco antes de “Ray” fazer dele um actor oscarizado). Um sinal desse facto é a presença de uma imagem de Foxx na capa da caixa do DVD (apenas Tom Cruise era visível nos cartazes que anunciavam a projecção do filme). Começando por aí, o trabalho do actor que interpreta Max, o taxista, é realmente muito bom, inclusive nas cenas a puxar para a acção (é difícil imaginar Adam Sandler, uma das primeiras escolhas para o papel, nesse tipo de situações), contribuindo para criar a química entre os dois protagonistas, essencial para o sucesso da obra. Quanto à actuação de Cruise, na pele do “mau” Vincent, o assassino, é tão regular e eficiente como todas as outras do actor (excepto alguns filmes como “Magnólia”, em que a estrela realmente se supera).
A nível técnico, “Colateral” é plenamente aceitável. A montagem e a fotografia criam na perfeição o ambiente urbano e nocturno no qual o enredo se move e ao qual dá vida. A verdadeira pérola da fita é, no entanto, a realização de Michael Mann. Não gostei por aí além dos “truques” que Mann utilizou em “O Informador” e “Ali”, mas aqui constrói habilmente um empolgante “thriller”.
A história acaba por ser o aspecto menos brilhante, não tendo nenhum momento particularmente genial. Embora bem filmado, o final é algo convencional. Mesmo assim, “Colateral” é entretenimento inteligente e bem construído, evitando perdas de tempo ou violência fácil.
Seja pelos actores (incluindo Javier Bardem, numa aparição breve mas interessante), pela realização ou por Los Angeles, “Colateral” vale a pena.
A melhor cena: Tiros no Fever.
A pior cena: Todos vão para o Fever.
Nota: 8/10.
domingo, abril 24, 2005
Mais Comics
Em resposta um pouco tardia ao João André, infelizmente o Batman Begins não foi escrito por Miller. Esse é o Batman Ano-Um que chegou a estar para adaptar mas foi alterado para esta versão.
Curiosamente já vi o "Sin City" de Frank Miller e estou um pouco confuso na minha análise. Realmente o filme é visualmente esmagador mas os textos de Miller fora da bd e interpretados como são no filme parecem de um over-acting muito acentuado. No entanto é sem qualquer dúvida a mais perfeita adaptação de bd ou mesmo transição de bd....
Curiosamente já vi o "Sin City" de Frank Miller e estou um pouco confuso na minha análise. Realmente o filme é visualmente esmagador mas os textos de Miller fora da bd e interpretados como são no filme parecem de um over-acting muito acentuado. No entanto é sem qualquer dúvida a mais perfeita adaptação de bd ou mesmo transição de bd....
A Queda
Hittler finalmente retratado no cinema alemão. Penso que um actor alemão consegue muito melhor chegar ao ponto ideal para a caracterização de um ser com o ditador alemão.
Li muito sobre o filme mas penso que algumas critícas são exageradas. O filme não retrata o homem como uma pessoa. Simplesmente mostra um louco desesperado. Penso que não pretende mais do que mostrar a Queda do Terceiro Reitch. Nesse mesmo prossuposto o filme vence.
O filme tem pormenores de realização conseguidos, é uma realização sólida apoiada em bons meios de produção que conseguem criar a atmosfera de uma cidade de Berlim a dar as últimas no regime Nazi.
Para não variar tenho de falar de Bruno Ganz. Realmente o trabalho de composição deste actor é notável chegando mesmo a assustar. Hittler é uma figura que psicologiamente deve tocar bastante uma pessoa que se coloque na sua pele. E para mais com a intensidade dada pelo actor alemão.
A meu ver é com "O Pianista", "A Lista de Schindler" um dos melhores filmes sobre a Segunda Grande Gerra. No entanto o facto de ser realizado por alemão dá uma realidade de interpretaçãi que os outros não conseguiram captar.
Classificação 4,5 (0-5)
Li muito sobre o filme mas penso que algumas critícas são exageradas. O filme não retrata o homem como uma pessoa. Simplesmente mostra um louco desesperado. Penso que não pretende mais do que mostrar a Queda do Terceiro Reitch. Nesse mesmo prossuposto o filme vence.
O filme tem pormenores de realização conseguidos, é uma realização sólida apoiada em bons meios de produção que conseguem criar a atmosfera de uma cidade de Berlim a dar as últimas no regime Nazi.
Para não variar tenho de falar de Bruno Ganz. Realmente o trabalho de composição deste actor é notável chegando mesmo a assustar. Hittler é uma figura que psicologiamente deve tocar bastante uma pessoa que se coloque na sua pele. E para mais com a intensidade dada pelo actor alemão.
A meu ver é com "O Pianista", "A Lista de Schindler" um dos melhores filmes sobre a Segunda Grande Gerra. No entanto o facto de ser realizado por alemão dá uma realidade de interpretaçãi que os outros não conseguiram captar.
Classificação 4,5 (0-5)
terça-feira, abril 19, 2005
O verdadeiro Comic Relief
Como estamos mal de filmes, nos últimos tempos voltei-me para os comics. Acho que nos últimos tempos li mais comics do que vi filmes.
Realmente a banda desenhada vive e viveu tempos áureos. Existem histórias que realmente valem a pena serem descobertas sobretudo por aqueles como eu pensam que o bom blockbuster anda com os dias contados. Por acaso este ano até parece ser um ano de boa colheita mas é fácil esquecer o último bom filme de pipocas que vi.
Deixo aquilo sugestões para aqueles que querem conhecer novos mundos para lá da 7ª Arte:
Wolverine Origin: a graphic Novel sobre a origem do mais carismático dos X-Men. Um marco deste início de século.
Batman Year One: Frank Miller redesenha o morcego. As cenas onde este aparecem são poucas mas o drama psicológico é soberbo. Duvido que Batman Begins lhe chegue perto.
Constantine-Todo o seu Engenho: muito bom. No entanto um pouco visceral para o meu gosto. Para quem gosta de filmes do exorcista. No entanto a personagem é mais interessante do que aquilo que Keanu Reeves faz crer.
Wolverine Weapon X: lembram-se do General Striker do X-Men 2? Lembram-se da experiência relatada e da qual Wolverine não se lembra? Este é o comic definitivo sobre esse episódio da vida do X-Men.
Sin City - Miller consegue reinventar o thriller negro. Narrativamente perfeito, doentio e sempre com o dedo no gatinho num clima do mais intenso sexo.
Pode ser uma forma de cultura cara mas merece todos os euros investidos....
Realmente a banda desenhada vive e viveu tempos áureos. Existem histórias que realmente valem a pena serem descobertas sobretudo por aqueles como eu pensam que o bom blockbuster anda com os dias contados. Por acaso este ano até parece ser um ano de boa colheita mas é fácil esquecer o último bom filme de pipocas que vi.
Deixo aquilo sugestões para aqueles que querem conhecer novos mundos para lá da 7ª Arte:
Wolverine Origin: a graphic Novel sobre a origem do mais carismático dos X-Men. Um marco deste início de século.
Batman Year One: Frank Miller redesenha o morcego. As cenas onde este aparecem são poucas mas o drama psicológico é soberbo. Duvido que Batman Begins lhe chegue perto.
Constantine-Todo o seu Engenho: muito bom. No entanto um pouco visceral para o meu gosto. Para quem gosta de filmes do exorcista. No entanto a personagem é mais interessante do que aquilo que Keanu Reeves faz crer.
Wolverine Weapon X: lembram-se do General Striker do X-Men 2? Lembram-se da experiência relatada e da qual Wolverine não se lembra? Este é o comic definitivo sobre esse episódio da vida do X-Men.
Sin City - Miller consegue reinventar o thriller negro. Narrativamente perfeito, doentio e sempre com o dedo no gatinho num clima do mais intenso sexo.
Pode ser uma forma de cultura cara mas merece todos os euros investidos....
sábado, abril 16, 2005
Competente
Sobre o filme "A Interprete" é esta palavra que me surge. Não consigo achar grandes problemas no filme embora não seja uma obra que me deixe sem palavras.
Kidman e Penn vão bem e conseguem criar duas personagens muito conseguidas no que diz respeito a bom cinema comercial. Depois de existir um clima de romance no ar Pollack nunca o trata de forma grosseira e consegue mesmo criar momentos de bom gosto cinematográfico.
A trama é digna de um Tom Clancy virado para intrigas africanas com um toque de diplomacia e Nações Unidas.
O pior é que não consigo dizer grande coisa mais e só posso garantir que é um bom entertenimento no grande ecrân.
classificação: 14 (0-20)
Kidman e Penn vão bem e conseguem criar duas personagens muito conseguidas no que diz respeito a bom cinema comercial. Depois de existir um clima de romance no ar Pollack nunca o trata de forma grosseira e consegue mesmo criar momentos de bom gosto cinematográfico.
A trama é digna de um Tom Clancy virado para intrigas africanas com um toque de diplomacia e Nações Unidas.
O pior é que não consigo dizer grande coisa mais e só posso garantir que é um bom entertenimento no grande ecrân.
classificação: 14 (0-20)
sexta-feira, abril 15, 2005
Aplausos
Parabéns:
a) Ao Miguel Lourenço Pereira, pelo primeiro aniversário do Hollywood, que à custa de um trabalho incansável do seu autor se tornou merecidamente um “êxito comercial” e um site cinéfilo de referência;
b) Ao Royale With Cheese, pela cobertura completa do festival conimbricense Caminhos do Cinema Português, para além da “programação” habitual;
c) À vasta equipa do Matiné, pelo número de filmes analisados diariamente (em críticas geralmente sucintas, mas claras) e pelo profissionalismo do espaço;
d) Ao Cinema Xunga, o blogue ideal para quem está farto de críticas sérias e politicamente correctas, considera o cinema americano que chega às nossas salas frequentemente sobrevalorizado ou simplesmente quer ler algo divertido;
e) Ao resto do pessoal que vai animando a blogosfera cinéfila com o seu empenho e imaginação.
a) Ao Miguel Lourenço Pereira, pelo primeiro aniversário do Hollywood, que à custa de um trabalho incansável do seu autor se tornou merecidamente um “êxito comercial” e um site cinéfilo de referência;
b) Ao Royale With Cheese, pela cobertura completa do festival conimbricense Caminhos do Cinema Português, para além da “programação” habitual;
c) À vasta equipa do Matiné, pelo número de filmes analisados diariamente (em críticas geralmente sucintas, mas claras) e pelo profissionalismo do espaço;
d) Ao Cinema Xunga, o blogue ideal para quem está farto de críticas sérias e politicamente correctas, considera o cinema americano que chega às nossas salas frequentemente sobrevalorizado ou simplesmente quer ler algo divertido;
e) Ao resto do pessoal que vai animando a blogosfera cinéfila com o seu empenho e imaginação.
segunda-feira, abril 11, 2005
Mais falhas
Dois lapsos raros numa publicação especializada:
"(Bill Murray entrou) em filmes como (...) "O Dia da Marmota", de Harold Ramis"
"Y", "Público", 18-3-05
O título português de "Groundhog Day" é "O Feitiço do Tempo".
"Darth Vader (...) ganhou um rosto humano, que foi, por breves minutos, o do actor inglês David Prowse."
"Y", "Público", 25-3-05
O rosto citado foi o de Sebastian Shaw.
Na verdade, o suplemento "Y" costuma ser rigoroso na revisão. Tendo em conta a grande quantidade de realizadores que os críticos de cinema da publicação referem, é realmente necessária muita atenção para evitar falhas.
"(Bill Murray entrou) em filmes como (...) "O Dia da Marmota", de Harold Ramis"
"Y", "Público", 18-3-05
O título português de "Groundhog Day" é "O Feitiço do Tempo".
"Darth Vader (...) ganhou um rosto humano, que foi, por breves minutos, o do actor inglês David Prowse."
"Y", "Público", 25-3-05
O rosto citado foi o de Sebastian Shaw.
Na verdade, o suplemento "Y" costuma ser rigoroso na revisão. Tendo em conta a grande quantidade de realizadores que os críticos de cinema da publicação referem, é realmente necessária muita atenção para evitar falhas.
segunda-feira, abril 04, 2005
Verão...
E depois de uma fornada de filmes excelentes vem aí a seca habitual nas salas de cinema no Verão. Poderão alguns dizer que os melhores filmes vêm agora mas isso é em termos de budget mas não em termos de filme em si. No entanto como também gosto de um bom blockbuster de vez enquando aqui vão as minhas apostas para este Verão:
Kingdom of Heaven
O regresso de Scott ao épico de capa e espada. Pelo que parece o filme deve ser um espanto visual uma vez que é um projecto guardado pelo realizador há cerca de vinte anos. Bloom é a meu ver um mau actor... Vejamos o que dá
Star Wars: Episode III
É mau é mau mas esperamos e vamos logo a ver. Massacre audiovisual de novo e o que é que isso tem de mal?
Batman Begins
A meu ver desta vez temos o Batman ideal. Possivelmente o melhor substituto até à data para Burton. No entanto começa a fartar.
Lords of Dogtown
Iniialmente era um projecto de David Fincher. Não é blockbuster e mesmo por isso não se deve esquecer.
Charlie and the Chocolate Factory e Corpse Bride
As duas pérolas deste Verão. Tim Burton volta a ter um ano em grande. Uma animação por computador ao tom de Nightmare Before Christhmas.
A Guerra dos Mundos
Cruise e Spielberg vezes dois? Independence Day meets Spielberg? Sinceramente parece o filme catástrofe normal, realizado com mestria mas a fórmula fará sucesso?
Kingdom of Heaven
O regresso de Scott ao épico de capa e espada. Pelo que parece o filme deve ser um espanto visual uma vez que é um projecto guardado pelo realizador há cerca de vinte anos. Bloom é a meu ver um mau actor... Vejamos o que dá
Star Wars: Episode III
É mau é mau mas esperamos e vamos logo a ver. Massacre audiovisual de novo e o que é que isso tem de mal?
Batman Begins
A meu ver desta vez temos o Batman ideal. Possivelmente o melhor substituto até à data para Burton. No entanto começa a fartar.
Lords of Dogtown
Iniialmente era um projecto de David Fincher. Não é blockbuster e mesmo por isso não se deve esquecer.
Charlie and the Chocolate Factory e Corpse Bride
As duas pérolas deste Verão. Tim Burton volta a ter um ano em grande. Uma animação por computador ao tom de Nightmare Before Christhmas.
A Guerra dos Mundos
Cruise e Spielberg vezes dois? Independence Day meets Spielberg? Sinceramente parece o filme catástrofe normal, realizado com mestria mas a fórmula fará sucesso?
sábado, abril 02, 2005
Que nota mereces?
Os anúncios a filmes que incluem uma ou mais citações de críticas elogiosas à fita publicitada (uma técnica utilizada em Portugal sobretudo pela Atalanta Filmes) deixam-me quase sempre desconfiado. É interessante saber que alguns críticos gostaram de determinado filme, mas ninguém garante que não sejam excepções à regra (não costumam ser reproduzidas críticas negativas) entre os especialistas no assunto. Por vezes, é transcrita uma frase elogiando um aspecto particular da obra (os actores, a fotografia, os efeitos especiais, etc.), o que não quer dizer que o crítico citado avalie da mesma forma os outros factores (o “grande trabalho” de um actor pode ser a única coisa boa no meio de um filme mediano).
Esse é um dos motivos pelos quais o anúncio de “A Cara que Mereces” (a primeira longa-metragem de Miguel Gomes, premiada no festival IndieLisboa) publicado no suplemento “Y” (p.31) do “Público” de ontem é curioso. Além de apresentar os habituais louvores entusiásticos à qualidade da obra, fornece também exemplos de comentários desfavoráveis (e nada meigos) ao trabalho do ex-crítico. É difícil para alguém que ainda não viu “A Cara que Mereces” saber o que pensar ao ler opiniões como “Uma das melhores estreias de sempre do cinema português” (Francisco Ferreira, “Expresso”) e “Ficará concerteza entre os piores filmes portugueses de sempre” (Andreia Félix Coelho, “O Independente”). São referidos mais quatro críticos fãs do filme, mas há gente como Eurico de Barros (“Diário de Notícias”), Manuel Menano (“Jornal de Notícias”) e Jorge Leitão Ramos (“Expresso”) a não compreender como é que algo tão mau como “A Cara que Mereces” pôde ser feito.
Em primeiro lugar, louve-se a produtora do filme (O Som e a Fúria) por este ataque de originalidade (estimulando o público a conhecer esse projecto que causa reacções tão opostas). Quanto à situação revelada pelas citações, consiste por vezes numa verdadeira cisão dentro dos painéis de críticos (no caso do “Público”, a bola preta de Mário Jorge Torres opõe-se ao trio de estrelas concedido por cada um dos outros membros da equipa). Não há dúvida de que a longa-metragem de Miguel Gomes só pode inspirar ódio ou amor pelo realizador. Esse carácter polémico pode ser uma vantagem, uma vez que seria muito pior se o conjunto dos comentadores detestasse ou simplesmente ignorasse o filme. No entanto, trata-se de um cenário relativamente frequente no que respeita ao cinema português. Os filmes lusos do catálogo de Paulo Branco ou outros com marca “de autor” são normalmente incensados por uma parte significativa da crítica e desancados na Internet (para além de ignorados pelo público). Já quando estreia uma produção de ou “à” Tino Navarro, ela é desprezada na imprensa e destacada noutros círculos como o filme português divertido e compreensível (diferente do lixo habitual pago pelos contribuintes) que faltava há muito. As posições encontram-se bastante polarizadas, numa luta que assume por vezes mais vivacidade que qualquer disputa política ou ideológica.
No caso de “A Cara que Mereces”, o quase nulo impacto social e cultural da obra em questão limita esta discussão a um grupo de meia dúzia de pessoas com visões divergentes do que deve ser filmado em Portugal. Pelo que sei da obra, não me parece que seja o meu tipo de filme. Vi duas das curtas-metragens de Gomes, “Entretanto” e “Inventário de Natal” (o cineasta realizou também “31” e “Kalkitos”), sem grande entusiasmo (o segundo título é interessante, o primeiro nem por isso). Seja como for, trata-se de um realizador jovem (“jovem”, neste contexto, significa menor de 40 anos) que, para o bem e para o mal, filma com uma assinalável frequência e que ninguém pode acusar de não ser inovador. O seu trabalho não deve deixar de ser seguido com alguma atenção.
Esse é um dos motivos pelos quais o anúncio de “A Cara que Mereces” (a primeira longa-metragem de Miguel Gomes, premiada no festival IndieLisboa) publicado no suplemento “Y” (p.31) do “Público” de ontem é curioso. Além de apresentar os habituais louvores entusiásticos à qualidade da obra, fornece também exemplos de comentários desfavoráveis (e nada meigos) ao trabalho do ex-crítico. É difícil para alguém que ainda não viu “A Cara que Mereces” saber o que pensar ao ler opiniões como “Uma das melhores estreias de sempre do cinema português” (Francisco Ferreira, “Expresso”) e “Ficará concerteza entre os piores filmes portugueses de sempre” (Andreia Félix Coelho, “O Independente”). São referidos mais quatro críticos fãs do filme, mas há gente como Eurico de Barros (“Diário de Notícias”), Manuel Menano (“Jornal de Notícias”) e Jorge Leitão Ramos (“Expresso”) a não compreender como é que algo tão mau como “A Cara que Mereces” pôde ser feito.
Em primeiro lugar, louve-se a produtora do filme (O Som e a Fúria) por este ataque de originalidade (estimulando o público a conhecer esse projecto que causa reacções tão opostas). Quanto à situação revelada pelas citações, consiste por vezes numa verdadeira cisão dentro dos painéis de críticos (no caso do “Público”, a bola preta de Mário Jorge Torres opõe-se ao trio de estrelas concedido por cada um dos outros membros da equipa). Não há dúvida de que a longa-metragem de Miguel Gomes só pode inspirar ódio ou amor pelo realizador. Esse carácter polémico pode ser uma vantagem, uma vez que seria muito pior se o conjunto dos comentadores detestasse ou simplesmente ignorasse o filme. No entanto, trata-se de um cenário relativamente frequente no que respeita ao cinema português. Os filmes lusos do catálogo de Paulo Branco ou outros com marca “de autor” são normalmente incensados por uma parte significativa da crítica e desancados na Internet (para além de ignorados pelo público). Já quando estreia uma produção de ou “à” Tino Navarro, ela é desprezada na imprensa e destacada noutros círculos como o filme português divertido e compreensível (diferente do lixo habitual pago pelos contribuintes) que faltava há muito. As posições encontram-se bastante polarizadas, numa luta que assume por vezes mais vivacidade que qualquer disputa política ou ideológica.
No caso de “A Cara que Mereces”, o quase nulo impacto social e cultural da obra em questão limita esta discussão a um grupo de meia dúzia de pessoas com visões divergentes do que deve ser filmado em Portugal. Pelo que sei da obra, não me parece que seja o meu tipo de filme. Vi duas das curtas-metragens de Gomes, “Entretanto” e “Inventário de Natal” (o cineasta realizou também “31” e “Kalkitos”), sem grande entusiasmo (o segundo título é interessante, o primeiro nem por isso). Seja como for, trata-se de um realizador jovem (“jovem”, neste contexto, significa menor de 40 anos) que, para o bem e para o mal, filma com uma assinalável frequência e que ninguém pode acusar de não ser inovador. O seu trabalho não deve deixar de ser seguido com alguma atenção.
quarta-feira, março 30, 2005
Ah, ah
Fazer comédia em cinema é difícil. Não sei se é mais difícil que criar filmes dramáticos, mas a escrita e a realização de fitas destinadas a gerar gargalhadas (ou sorrisos, pelo menos) nos espectadores depara com vários obstáculos. A abordagem de um tema original, a fuga aos clichés, a coesão da história como um todo, a solidez das personagens ou a capacidade satírica são qualidades raramente cumpridas pelas comédias actualmente produzidas. Não é que não sejam feitos alguns projectos divertidos de bom entretenimento, mas possuem geralmente alguma falha na estrutura que impede o seu completo triunfo (são apenas “bons” ou “simpáticos”).
No entanto, clássicos como “A Vida de Brian”, “Monty Python e o Cálice Sagrado”, “O Grande Ditador”, “Dr. Strangelove…” ou “Annie Hall”, hoje disponíveis em DVD, são sempre agradáveis de ver. Abordando questões por vezes muito sérias, fazem-no mostrando o lado absurdo delas e incentivando a reacção e mesmo a esperança perante as bizarrias quotidianas, para além de conterem diálogos e situações de antologia cuja lembrança alegra os momentos entediantes.
Se no cinema americano é relativamente raro surgir uma comédia brilhante (por vezes surgem inovações, como as obras de Trey Parker e Matt Stone), em Portugal fazer rir no escuro das salas parece ser complicado desde sempre. Os filmes dos anos 30 e 40 tinham actores de prestígio como António Silva e Vasco Santana e umas piadas engraçadinhas, mas as histórias parecem hoje tão “felizes” e ingénuas que as produções da Tóbis são sobretudo objecto de nostalgia. Seguiram-se a elas décadas de vazio e, nos últimos anos, as poucas tentativas dos nossos cineastas na área humorística (“Tráfico”, “A Bomba”, “Balas e Bolinhos”, etc.) têm obtido resultados modestos. O destaque dado aos filmes de autor e a dificuldade em atingir o tal cinema comercial português de sucesso que toda a gente quer (de Leonel Vieira a Inês Castel-Branco) não favorecem investidas de qualidade no humor cinematográfico. Perante a improbabilidade da adaptação à 7ª Arte de “Gato Fedorento” ou “Manobras de Diversão”, só nos resta esperar pacientemente que chegue o tal filme comercial com diálogos na língua portuguesa que façam os risos das multidões ecoar nos multiplexes.
No entanto, clássicos como “A Vida de Brian”, “Monty Python e o Cálice Sagrado”, “O Grande Ditador”, “Dr. Strangelove…” ou “Annie Hall”, hoje disponíveis em DVD, são sempre agradáveis de ver. Abordando questões por vezes muito sérias, fazem-no mostrando o lado absurdo delas e incentivando a reacção e mesmo a esperança perante as bizarrias quotidianas, para além de conterem diálogos e situações de antologia cuja lembrança alegra os momentos entediantes.
Se no cinema americano é relativamente raro surgir uma comédia brilhante (por vezes surgem inovações, como as obras de Trey Parker e Matt Stone), em Portugal fazer rir no escuro das salas parece ser complicado desde sempre. Os filmes dos anos 30 e 40 tinham actores de prestígio como António Silva e Vasco Santana e umas piadas engraçadinhas, mas as histórias parecem hoje tão “felizes” e ingénuas que as produções da Tóbis são sobretudo objecto de nostalgia. Seguiram-se a elas décadas de vazio e, nos últimos anos, as poucas tentativas dos nossos cineastas na área humorística (“Tráfico”, “A Bomba”, “Balas e Bolinhos”, etc.) têm obtido resultados modestos. O destaque dado aos filmes de autor e a dificuldade em atingir o tal cinema comercial português de sucesso que toda a gente quer (de Leonel Vieira a Inês Castel-Branco) não favorecem investidas de qualidade no humor cinematográfico. Perante a improbabilidade da adaptação à 7ª Arte de “Gato Fedorento” ou “Manobras de Diversão”, só nos resta esperar pacientemente que chegue o tal filme comercial com diálogos na língua portuguesa que façam os risos das multidões ecoar nos multiplexes.
sábado, março 26, 2005
Velharias?
Comentários breves a três filmes já com alguns anos em cima:
“A Pantera Cor-de-Rosa” (1963)
Deste filme de Blake Edwards, o que fica na memória é precisamente aquilo que mais tarde foi explorado até à exaustão: a canção do genérico, o desenho animado da Pantera e o inspector Clouseau interpretado por Peter Sellers. Tudo isso é magnífico, mas o enredo e as personagens de David Niven e Capucine não possuem interesse de maior, o que não impede algumas situações hilariantes (de preferência com o inspector por perto). Uma comédia policial simples e divertida que serviu de ponto de partida para uma longa série.
Nota: 6/10.
“Annie Hall” (1977)
Um clássico de Woody Allen que conseguiu ser uma das raras comédias a obter o Óscar de Melhor Filme (uma excepção que desculpa o facto de o ter “roubado” a “A Guerra das Estrelas”). È daqueles filmes que se pode citar a todo o momento, com diálogos de antologia. Muito bem escrito, “Annie Hall” pode ser classificado como comédia romântica, mas está muito longe dos tiques desse género, procurando ser real como a própria vida, ao mesmo tempo que brinca deliciosamente com a sua própria construção (as cenas em que Allen imagina situações ou se dirige ao espectador são brilhantes). As interpretações de Allen e Diane Keaton não são prodigiosas, mas destaca-se a química existente entre os dois. No conjunto, é o tipo de fita inteligente e “nova-iorquina” que gerou tantos fãs do realizador/argumentista.
Nota: 8/10.
“Justiceiro Solitário” (1985)
Sem partilhar o entusiasmo do Fernando, tenho de reconhecer que este não é um filme de “cobóis” básico. A qualidade técnica da obra alia-se à maneira hábil como são construídos o mistério e o magnetismo do Pregador de Clint Eastwood, à volta do qual tudo gira. Algumas peripécias previsíveis e um desenvolvimento insatisfatório das personagens secundárias impedem voos mais altos, mas ver “Pale Rider” está longe de ser uma perda de tempo.
Nota: 6/10.
“A Pantera Cor-de-Rosa” (1963)
Deste filme de Blake Edwards, o que fica na memória é precisamente aquilo que mais tarde foi explorado até à exaustão: a canção do genérico, o desenho animado da Pantera e o inspector Clouseau interpretado por Peter Sellers. Tudo isso é magnífico, mas o enredo e as personagens de David Niven e Capucine não possuem interesse de maior, o que não impede algumas situações hilariantes (de preferência com o inspector por perto). Uma comédia policial simples e divertida que serviu de ponto de partida para uma longa série.
Nota: 6/10.
“Annie Hall” (1977)
Um clássico de Woody Allen que conseguiu ser uma das raras comédias a obter o Óscar de Melhor Filme (uma excepção que desculpa o facto de o ter “roubado” a “A Guerra das Estrelas”). È daqueles filmes que se pode citar a todo o momento, com diálogos de antologia. Muito bem escrito, “Annie Hall” pode ser classificado como comédia romântica, mas está muito longe dos tiques desse género, procurando ser real como a própria vida, ao mesmo tempo que brinca deliciosamente com a sua própria construção (as cenas em que Allen imagina situações ou se dirige ao espectador são brilhantes). As interpretações de Allen e Diane Keaton não são prodigiosas, mas destaca-se a química existente entre os dois. No conjunto, é o tipo de fita inteligente e “nova-iorquina” que gerou tantos fãs do realizador/argumentista.
Nota: 8/10.
“Justiceiro Solitário” (1985)
Sem partilhar o entusiasmo do Fernando, tenho de reconhecer que este não é um filme de “cobóis” básico. A qualidade técnica da obra alia-se à maneira hábil como são construídos o mistério e o magnetismo do Pregador de Clint Eastwood, à volta do qual tudo gira. Algumas peripécias previsíveis e um desenvolvimento insatisfatório das personagens secundárias impedem voos mais altos, mas ver “Pale Rider” está longe de ser uma perda de tempo.
Nota: 6/10.
sexta-feira, março 25, 2005
O Vagabundo das Planícies
Continuei a ver os filmes realizados por Clint Eastwood que ainda não vi.
Comento agora o filme "High Plains Drifter" em português "O Pistoleiro do Diabo". Que western estranho é este? Sinceramente até agora vi três dos quatro westerns realizados por Eastwood e este nunca se repetiu. Pale Rider é um western mais pausado e visual, Unforgiven é um western que mistura a espessura dramática de um Ford com o visual de um Leone. E este "High Plains drifter" o que é? Diria que é o primeiro western surreal ou western farsa.
A história parece mais metaforica do que um tratamento da realidade. Aquela de pintar a cidade de vermelho para os furagidos voltarem ao Inferno é uma tirada de génio. E a presença de Eastwood é de uma ironia genial e muito visual (a cena do quarto e da dinamite é do melhor) e o fact0 de ser um western muito violento, contra o esteriótipo habitual nos anos sessenta é ousado. Li algures que existe uma história de uma carta de Wayne a Eastwood (os mais famosos pistoleiros de sempre) a dizer que não percebia o que ele andava a fazer ao estragar a imagem do cowboy americano que tanta gente demorou tempo a criar. Isto era motivado pela cena de violação no ínicio do filme.
Surreal é também a maneira como os habitantes da cidade dão poderes ao pistoleiro desconhecido e a maneira como lidam com este. Parece uma maldade estéril que não tem outra justificação que ser nata. Este é um filme muito violento, é um filme sobre os detalhes de uma vingança e tem o bom gosto de nos deixar na dúvida se a personagem tem ou não um nome.
Classificação: ****,5 (0-5)
Classificação: 15 (0-20)
Comento agora o filme "High Plains Drifter" em português "O Pistoleiro do Diabo". Que western estranho é este? Sinceramente até agora vi três dos quatro westerns realizados por Eastwood e este nunca se repetiu. Pale Rider é um western mais pausado e visual, Unforgiven é um western que mistura a espessura dramática de um Ford com o visual de um Leone. E este "High Plains drifter" o que é? Diria que é o primeiro western surreal ou western farsa.
A história parece mais metaforica do que um tratamento da realidade. Aquela de pintar a cidade de vermelho para os furagidos voltarem ao Inferno é uma tirada de génio. E a presença de Eastwood é de uma ironia genial e muito visual (a cena do quarto e da dinamite é do melhor) e o fact0 de ser um western muito violento, contra o esteriótipo habitual nos anos sessenta é ousado. Li algures que existe uma história de uma carta de Wayne a Eastwood (os mais famosos pistoleiros de sempre) a dizer que não percebia o que ele andava a fazer ao estragar a imagem do cowboy americano que tanta gente demorou tempo a criar. Isto era motivado pela cena de violação no ínicio do filme.
Surreal é também a maneira como os habitantes da cidade dão poderes ao pistoleiro desconhecido e a maneira como lidam com este. Parece uma maldade estéril que não tem outra justificação que ser nata. Este é um filme muito violento, é um filme sobre os detalhes de uma vingança e tem o bom gosto de nos deixar na dúvida se a personagem tem ou não um nome.
Classificação: ****,5 (0-5)
Classificação: 15 (0-20)
segunda-feira, março 21, 2005
Buu
“The Ring 2 – O Aviso”, de Hideo Nakata
Não conheço os filmes japoneses que deram origem ao “The Ring” americano, mas gostei da obra que estreou há dois anos. Misteriosa e surpreendente, a longa-metragem realizada por Gore Verbinski conseguia sustos dignos desse nome, aterrando o espectador ao mesmo tempo que o intrigava com a história da origem da cassete assassina. Mantendo o interesse até ao final. “The Ring” mereceu o sucesso que teve.
A ideia de uma sequela não era, apesar de tudo, muito aliciante, mas o recurso ao trabalho do realizador do filme original contribuiu para alimentar expectativas. É logo por aí que “The Ring 2” começa por desiludir. A realização de Nakata não tem nada de especial, arrastando-se sem inspiração. O argumento que lhe deram para filmar também não é dos mais entusiasmantes.
Em vez de surpreendente, “The Ring 2” é longo e aborrecido. As cenas “assustadoras” são bastante previsíveis e nunca convencem (os efeitos especiais não ajudam), com um “suspense” medíocre. A banda sonora é pálida e indistinta. Quanto aos novos elementos acerca de Samara Morgan e às peripécias a que levam, a verdade é que não há grande estímulo para compreendê-los. Como diz uma das personagens, a história “não interessa”.
Praticamente toda a fita assenta em Naomi Watts e David Dorfman (as personagens secundárias são irrelevantes). Pelo menos quanto aos desempenhos destes, o filme não fraqueja, mas também não acrescenta muito em relação ao que já foi visto, com a excepção do risível “momento Schwarzenegger” do final, certamente inédito (e esperemos que único) na carreira de Watts.
“The Ring 2” tinha à partida a desvantagem da perda do efeito surpresa, o que não explica o desastre em que resultou. Um aviso acerca desta obra: isto é apenas mais uma sequela inútil.
A melhor cena: O crime inicial.
A pior cena: Rachel deixa-se cair.
Nota: 4/10.
Não conheço os filmes japoneses que deram origem ao “The Ring” americano, mas gostei da obra que estreou há dois anos. Misteriosa e surpreendente, a longa-metragem realizada por Gore Verbinski conseguia sustos dignos desse nome, aterrando o espectador ao mesmo tempo que o intrigava com a história da origem da cassete assassina. Mantendo o interesse até ao final. “The Ring” mereceu o sucesso que teve.
A ideia de uma sequela não era, apesar de tudo, muito aliciante, mas o recurso ao trabalho do realizador do filme original contribuiu para alimentar expectativas. É logo por aí que “The Ring 2” começa por desiludir. A realização de Nakata não tem nada de especial, arrastando-se sem inspiração. O argumento que lhe deram para filmar também não é dos mais entusiasmantes.
Em vez de surpreendente, “The Ring 2” é longo e aborrecido. As cenas “assustadoras” são bastante previsíveis e nunca convencem (os efeitos especiais não ajudam), com um “suspense” medíocre. A banda sonora é pálida e indistinta. Quanto aos novos elementos acerca de Samara Morgan e às peripécias a que levam, a verdade é que não há grande estímulo para compreendê-los. Como diz uma das personagens, a história “não interessa”.
Praticamente toda a fita assenta em Naomi Watts e David Dorfman (as personagens secundárias são irrelevantes). Pelo menos quanto aos desempenhos destes, o filme não fraqueja, mas também não acrescenta muito em relação ao que já foi visto, com a excepção do risível “momento Schwarzenegger” do final, certamente inédito (e esperemos que único) na carreira de Watts.
“The Ring 2” tinha à partida a desvantagem da perda do efeito surpresa, o que não explica o desastre em que resultou. Um aviso acerca desta obra: isto é apenas mais uma sequela inútil.
A melhor cena: O crime inicial.
A pior cena: Rachel deixa-se cair.
Nota: 4/10.
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