“Máquina Zero”, de Sam Mendes
Na sua terceira incursão em longas-metragens, o encenador britânico, que antes realizara “apenas” obras como “Beleza Americana” (seis anos depois, continua a ser um dos meus filmes preferidos) e “Caminho para Perdição”, aborda a Guerra do Golfo (a de 1990-91) através da perspectiva verídica de um fuzileiro (Anthony Swofford) interpretado por Jake Gyllenhaal.
Prestando homenagem a clássicos do género de guerra (“Nascido para Matar”, “Apocalypse Now”, etc.), Mendes opta por fugir a uma posição tão clara sobre o conflito que retrata como a do filme criticado no “post” anterior. Se é certo que, como se diz a dada altura, a política não interessa no deserto onde os fuzileiros esperam a hora de começar a matar, a verdade é que os guerreiros voltarão do Médio Oriente sem saber muito bem o que lá andaram a fazer.
Visualmente, “Máquina Zero” é praticamente irrepreensível, com a perícia de Mendes e a fotografia magistral de Roger Deakins a comporem um deserto insuportável a que o petróleo vem acentuar a dimensão de absurdo.
O maior problema da fita é a dificuldade de nos fazer sentir as características pessoais das personagens, mantendo uma distância que nunca é completamente vencida. Os fuzileiros funcionam como colectivo, mas individualmente parecem já vistos, não nos identificando com as suas perturbações algo previsíveis (o que não anula a qualidade das interpretações), mesmo já depois do fim da Operação Tempestade no Deserto.
Falhando na tentativa de atingir o impacto pretendido (não devido à falta de conteúdo épico, já que a introdução de grandes batalhas contrariaria todo o espírito da obra, que se baseia sobretudo no tédio e na perplexidade), “Máquina Zero” acaba por ser apenas mais um filme de guerra, desiludindo as expectativas mais elevadas. No entanto, está longe de ser rejeitável, expondo à sua maneira as experiências de (não) combate de jovens frustrados.
A melhor cena: Sykes e Swofford perante os poços de petróleo.
A pior cena: Swofford aponta a arma a Fergus.
Nota: 6/10.
quinta-feira, junho 29, 2006
terça-feira, junho 27, 2006
Revanchista
“Rambo: A Vingança do Herói” (1985), de George Pan Costamos
O segundo filme da trilogia (se é que é possível chamar-lhe assim) sobre um dos alter-egos de Sylvester Stallone procede a uma modificação notória da personagem, transformando o Rambo inadaptado e revoltado de “A Fúria do Herói” numa espécie de super-herói guerreiro dedicado a limpar a honra americana. A vertente de propaganda das aventuras do descendente de alemães e índios acentua-se, com o objectivo de reabilitar a imagem dos ex-combatentes no Vietname (e reforçar a auto-estima nacional abalada pela derrota sofrida na Indochina). Infelizmente para Stallone, a questão é introduzida de forma algo inepta e o filme leva-se demasiado a sério para conseguir fugir às críticas.
O argumento de Stallone e James Cameron (que se viria a demarcar do resultado final) coloca Rambo, após uma brevíssima introdução, em território vietnamita, onde lutará contra os marxistas-leninistas, mas sobretudo contra a traição de responsáveis americanos interessados em esquecer os prisioneiros de guerra. A primeira luta é rotineira e previsível (embora resulte em cenas de explosões tecnicamente bem conseguidas), tendo os militares russos e vietnamitas tantas hipóteses contra Rambo como os legionários romanos perante Astérix e Obélix. A fita possui momentos brilhantes de comédia involuntária obtidos enquanto o protagonista arrasa dezenas de crentes na possibilidade de a “praxis” conduzir a uma sociedade sem classes.
Com Stallone a falar apenas quando estritamente necessário, Richard Crenna a tentar dar seriedade à coisa, linhas de diálogo supostamente marcantes, personagens secundárias sem profundidade e masculinidade a rodos, “Rambo: A Vingança do Herói” converte-se num clássico do cinema de acção medíocre.
Perante as pretensões de Stallone, um filme da mesma época sobre o mesmo tema (“Desaparecido em Combate”, com Chuck Norris) parece credível. No que toca às peripécias da vida de Rambo, o pior ainda estaria para vir.
A melhor cena: Murdock e Trautman discutem.
A pior cena: Co é atingida.
Nota: 4/10.
O segundo filme da trilogia (se é que é possível chamar-lhe assim) sobre um dos alter-egos de Sylvester Stallone procede a uma modificação notória da personagem, transformando o Rambo inadaptado e revoltado de “A Fúria do Herói” numa espécie de super-herói guerreiro dedicado a limpar a honra americana. A vertente de propaganda das aventuras do descendente de alemães e índios acentua-se, com o objectivo de reabilitar a imagem dos ex-combatentes no Vietname (e reforçar a auto-estima nacional abalada pela derrota sofrida na Indochina). Infelizmente para Stallone, a questão é introduzida de forma algo inepta e o filme leva-se demasiado a sério para conseguir fugir às críticas.
O argumento de Stallone e James Cameron (que se viria a demarcar do resultado final) coloca Rambo, após uma brevíssima introdução, em território vietnamita, onde lutará contra os marxistas-leninistas, mas sobretudo contra a traição de responsáveis americanos interessados em esquecer os prisioneiros de guerra. A primeira luta é rotineira e previsível (embora resulte em cenas de explosões tecnicamente bem conseguidas), tendo os militares russos e vietnamitas tantas hipóteses contra Rambo como os legionários romanos perante Astérix e Obélix. A fita possui momentos brilhantes de comédia involuntária obtidos enquanto o protagonista arrasa dezenas de crentes na possibilidade de a “praxis” conduzir a uma sociedade sem classes.
Com Stallone a falar apenas quando estritamente necessário, Richard Crenna a tentar dar seriedade à coisa, linhas de diálogo supostamente marcantes, personagens secundárias sem profundidade e masculinidade a rodos, “Rambo: A Vingança do Herói” converte-se num clássico do cinema de acção medíocre.
Perante as pretensões de Stallone, um filme da mesma época sobre o mesmo tema (“Desaparecido em Combate”, com Chuck Norris) parece credível. No que toca às peripécias da vida de Rambo, o pior ainda estaria para vir.
A melhor cena: Murdock e Trautman discutem.
A pior cena: Co é atingida.
Nota: 4/10.
quarta-feira, junho 21, 2006
Flechas
“O Homem do Tempo”, de Gore Verbinski
Nicolas Cage protagoniza uma comédia dramática e por vezes depressiva sobre a difícil vida familiar de um crescentemente só apresentador do boletim meteorológico televisivo.
A tristeza dos olhos de Cage adequa-se na perfeição à personagem, tal como a voz que entoa a eficaz narração. Michael Caine apresenta a sua habitual sobriedade, destacando-se num elenco secundário sem grandes rasgos (embora seja interessante rever Nicolas Hoult três anos depois de “Era uma Vez um Rapaz”).
Verbinski filma o Inverno de forma agradável, mas sem ir além da mera competência (falta-lhe ainda uma certa marca pessoal), tal como acontece com um argumento por vezes arrastado. No entanto, o conjunto funciona bem, divertindo enquanto entristece sem perder um toque de esperança, ao som da música de Hans Zimmer.
Temos aqui mais um caso do conhecido fenómeno frequentemente descrito como “tanta porcaria a estrear nos cinemas e isto vai directo para DVD”. Não parecem existir grandes razões para essa exclusão, até porque a classificação M/16 assinala a abundância (por vezes cansativa) de linguagem rude. O certo é que o filme de Verbinski está nos videoclubes, não merecendo cair no esquecimento normalmente reservado aos “direct-to-video”.
A melhor cena: David tenta lembrar-se do molho tártaro.
A pior cena: O funeral.
Nota: 6/10.
Nicolas Cage protagoniza uma comédia dramática e por vezes depressiva sobre a difícil vida familiar de um crescentemente só apresentador do boletim meteorológico televisivo.
A tristeza dos olhos de Cage adequa-se na perfeição à personagem, tal como a voz que entoa a eficaz narração. Michael Caine apresenta a sua habitual sobriedade, destacando-se num elenco secundário sem grandes rasgos (embora seja interessante rever Nicolas Hoult três anos depois de “Era uma Vez um Rapaz”).
Verbinski filma o Inverno de forma agradável, mas sem ir além da mera competência (falta-lhe ainda uma certa marca pessoal), tal como acontece com um argumento por vezes arrastado. No entanto, o conjunto funciona bem, divertindo enquanto entristece sem perder um toque de esperança, ao som da música de Hans Zimmer.
Temos aqui mais um caso do conhecido fenómeno frequentemente descrito como “tanta porcaria a estrear nos cinemas e isto vai directo para DVD”. Não parecem existir grandes razões para essa exclusão, até porque a classificação M/16 assinala a abundância (por vezes cansativa) de linguagem rude. O certo é que o filme de Verbinski está nos videoclubes, não merecendo cair no esquecimento normalmente reservado aos “direct-to-video”.
A melhor cena: David tenta lembrar-se do molho tártaro.
A pior cena: O funeral.
Nota: 6/10.
quarta-feira, junho 14, 2006
Ideais
“Sophie Scholl – Os Últimos Dias”, de Marc Rothemund
Pouco depois do sucesso de “A Queda”, surge uma nova longa-metragem alemã (galardoada no Festival de Berlim com os Ursos de Prata para Melhor Realizador e Melhor Actriz) que aborda o período do III Reich, encarado a partir da história de Sophie Scholl, uma jovem envolvida durante a II Guerra Mundial num movimento de resistência pacífica ao nazismo.
A qualidade do trabalho de Rothemund destaca-se na sua capacidade de evitar a queda na monotonia de um filme baseado sobretudo em longos diálogos e espaços fechados. Julia Jentsch é a grande revelação da obra, dando à protagonista toda a dignidade e o carácter emocional que comovem o espectador.
O argumento possui, no entanto, várias limitações a nível dramático. Um certo tom apologético seria dificilmente evitável, mas as personagens secundárias são escassamente desenvolvidas, roçando o estereótipo. Algumas cenas tornam-se inverosímeis (a discussão política entre Sophie e o seu interrogador é eficaz na contextualização da acção, mas parece algo forçada).
Sem conseguir atingir um grande nível cinematográfico, “Sophie Scholl” é um filme que precisava de ser feito para mostrar um exemplo de resistência ao avanço da loucura.
A melhor cena: Hans e Sophie distribuem panfletos.
A pior cena: Sophie discute com o seu advogado de defesa.
Nota: 6/10.
Pouco depois do sucesso de “A Queda”, surge uma nova longa-metragem alemã (galardoada no Festival de Berlim com os Ursos de Prata para Melhor Realizador e Melhor Actriz) que aborda o período do III Reich, encarado a partir da história de Sophie Scholl, uma jovem envolvida durante a II Guerra Mundial num movimento de resistência pacífica ao nazismo.
A qualidade do trabalho de Rothemund destaca-se na sua capacidade de evitar a queda na monotonia de um filme baseado sobretudo em longos diálogos e espaços fechados. Julia Jentsch é a grande revelação da obra, dando à protagonista toda a dignidade e o carácter emocional que comovem o espectador.
O argumento possui, no entanto, várias limitações a nível dramático. Um certo tom apologético seria dificilmente evitável, mas as personagens secundárias são escassamente desenvolvidas, roçando o estereótipo. Algumas cenas tornam-se inverosímeis (a discussão política entre Sophie e o seu interrogador é eficaz na contextualização da acção, mas parece algo forçada).
Sem conseguir atingir um grande nível cinematográfico, “Sophie Scholl” é um filme que precisava de ser feito para mostrar um exemplo de resistência ao avanço da loucura.
A melhor cena: Hans e Sophie distribuem panfletos.
A pior cena: Sophie discute com o seu advogado de defesa.
Nota: 6/10.
quinta-feira, junho 08, 2006
Maio
Estes foram os filmes mais vistos nos cinemas portugueses até 31 de Maio (incluindo já alguns dos grandes “blockbusters” do ano):
1. “A Idade do Gelo 2: Descongelados”
2. “O Código Da Vinci”
3. “Infiltrado”
4. “Missão Impossível III”
5. “Munique”
6. “Dick e Jane – Ladrões sem Jeito”
7. “Scary Movie 4: Que Susto de Filme”
8. “Match Point”
9. “O Segredo de Brokeback Mountain”
10. “Como Despachar um Encalhado”
Tal como “Missão Impossível III” (embora este já em refluxo), o filme de Ron Howard apresenta forte potencial de subida na tabela. O ICAM revela ainda um fenómeno curioso situado nas profundezas da tabela: “Lisboetas”, de Sérgio Tréfaut, foi exibido em apenas quatro ecrãs, permanecendo em cartaz seis semanas depois da estreia e tendo já atraído mais de 10 500 espectadores. À sua dimensão, trata-se de um sucesso de bilheteira, animador para quem quer fazer documentários em Portugal.
1. “A Idade do Gelo 2: Descongelados”
2. “O Código Da Vinci”
3. “Infiltrado”
4. “Missão Impossível III”
5. “Munique”
6. “Dick e Jane – Ladrões sem Jeito”
7. “Scary Movie 4: Que Susto de Filme”
8. “Match Point”
9. “O Segredo de Brokeback Mountain”
10. “Como Despachar um Encalhado”
Tal como “Missão Impossível III” (embora este já em refluxo), o filme de Ron Howard apresenta forte potencial de subida na tabela. O ICAM revela ainda um fenómeno curioso situado nas profundezas da tabela: “Lisboetas”, de Sérgio Tréfaut, foi exibido em apenas quatro ecrãs, permanecendo em cartaz seis semanas depois da estreia e tendo já atraído mais de 10 500 espectadores. À sua dimensão, trata-se de um sucesso de bilheteira, animador para quem quer fazer documentários em Portugal.
segunda-feira, junho 05, 2006
Luvas
“Uma Rapariga Cheia de Sonhos”, de Anand Tucker
Felizmente, ainda há filmes de Steve Martin (aqui actor, produtor e argumentista) que fogem à comédia fácil. “Uma Rapariga Cheia de Sonhos” (“Shopgirl” no original) pode ser classificado como comédia romântica, mas com menos humor que amargura. De resto, o argumento é mais maduro e sensível que a maioria dos conteúdos provenientes de Los Angeles.
Martin, Danes e Schwartzman estão à-vontade numa obra surpreendentemente bem filmada, com um cuidado nos cenários e no guarda-roupa que se reflecte em imagens de grande beleza, apoiadas na qualidade da fotografia.
O conjunto é, no entanto, prejudicado por uma falta de história para contar que acaba por levar a uma certa rotina e previsibilidade. Várias personagens secundárias (Lisa, os pais de Mirabelle, etc.) são apresentadas repentinamente e depois deixadas de lado.
Não se tornando indispensável, o filme representa uma proposta interessante e (dentro de certos limites) alternativa ao figurino comum da abordagem das relações amorosas pelo cinema americano.
A melhor cena: Ray no restaurante japonês.
A pior cena: Jeremy telefona a Lisa.
Nota: 6/10.
Felizmente, ainda há filmes de Steve Martin (aqui actor, produtor e argumentista) que fogem à comédia fácil. “Uma Rapariga Cheia de Sonhos” (“Shopgirl” no original) pode ser classificado como comédia romântica, mas com menos humor que amargura. De resto, o argumento é mais maduro e sensível que a maioria dos conteúdos provenientes de Los Angeles.
Martin, Danes e Schwartzman estão à-vontade numa obra surpreendentemente bem filmada, com um cuidado nos cenários e no guarda-roupa que se reflecte em imagens de grande beleza, apoiadas na qualidade da fotografia.
O conjunto é, no entanto, prejudicado por uma falta de história para contar que acaba por levar a uma certa rotina e previsibilidade. Várias personagens secundárias (Lisa, os pais de Mirabelle, etc.) são apresentadas repentinamente e depois deixadas de lado.
Não se tornando indispensável, o filme representa uma proposta interessante e (dentro de certos limites) alternativa ao figurino comum da abordagem das relações amorosas pelo cinema americano.
A melhor cena: Ray no restaurante japonês.
A pior cena: Jeremy telefona a Lisa.
Nota: 6/10.
sexta-feira, junho 02, 2006
Botas
“Natureza Morta”, de Susana de Sousa Dias
O documentário que causou alvoroço entre a comunidade historiográfica é difícil de descrever. A realizadora desta produção luso-francesa segue uma premissa arriscada mas interessante (apresentar uma visão dos tempos do Estado Novo construída apenas com imagens de arquivo e sem narração), o que não impede que o resultado final pareça algo irrelevante.
O trabalho de Sousa Dias é de louvar ao nível da recolha documental (várias imagens desconhecidas, inclusive de combates na guerra colonial, são reveladas) e do tratamento do material obtido através da montagem. A banda sonora é inspirada, embora acabe por se tornar cansativa.
O problema é que (para ir directo ao assunto) “Natureza Morta” é muitas vezes aborrecido e repetitivo. A aposta na exibição de imagens sem contextualização e sem excertos do acompanhamento sonoro original (excepto no final) permite testar a atenção e a capacidade interpretativa do espectador, mas acaba por se esgotar em si própria. Vários aspectos do período ditatorial (Salazar, manifestações de apoio, colonialismo, guerra, apoio americano, colaboração da Igreja e do Exército, etc.) são referidos de forma demasiado óbvia e sem acrescentar muito ao que já sabemos. Parece por vezes faltar um fio condutor que ligue os excertos.
É certo que o filme de Sousa Dias possui uma componente de divulgação (aliás, durante o período de exibição da obra decorrem no cinema King debates com a presença de historiadores e cineastas), mas a abordagem do Estado Novo que realiza é simplista e demasiado incompleta para o tornar indispensável. A falta de surpresa e a lógica limitada do formato acabam por reduzir a qualidade do projecto.
A melhor cena: Salazar envelhece.
A pior cena: Os créditos iniciais.
Nota: 5/10.
P.S. A propósito de “Natureza Morta”, lembrou-se a carência de filmes acerca do regime salazarista, em especial sobre o ditador beirão. Curiosamente, acho que, mais que Salazar, seria o seu sucessor, Marcelo Caetano (retratado brevemente nos filmes “A Hora da Liberdade” e “Capitães de Abril”), a poder inspirar um interessante filme biográfico. Ninguém estará disposto a pegar na personagem?
O documentário que causou alvoroço entre a comunidade historiográfica é difícil de descrever. A realizadora desta produção luso-francesa segue uma premissa arriscada mas interessante (apresentar uma visão dos tempos do Estado Novo construída apenas com imagens de arquivo e sem narração), o que não impede que o resultado final pareça algo irrelevante.
O trabalho de Sousa Dias é de louvar ao nível da recolha documental (várias imagens desconhecidas, inclusive de combates na guerra colonial, são reveladas) e do tratamento do material obtido através da montagem. A banda sonora é inspirada, embora acabe por se tornar cansativa.
O problema é que (para ir directo ao assunto) “Natureza Morta” é muitas vezes aborrecido e repetitivo. A aposta na exibição de imagens sem contextualização e sem excertos do acompanhamento sonoro original (excepto no final) permite testar a atenção e a capacidade interpretativa do espectador, mas acaba por se esgotar em si própria. Vários aspectos do período ditatorial (Salazar, manifestações de apoio, colonialismo, guerra, apoio americano, colaboração da Igreja e do Exército, etc.) são referidos de forma demasiado óbvia e sem acrescentar muito ao que já sabemos. Parece por vezes faltar um fio condutor que ligue os excertos.
É certo que o filme de Sousa Dias possui uma componente de divulgação (aliás, durante o período de exibição da obra decorrem no cinema King debates com a presença de historiadores e cineastas), mas a abordagem do Estado Novo que realiza é simplista e demasiado incompleta para o tornar indispensável. A falta de surpresa e a lógica limitada do formato acabam por reduzir a qualidade do projecto.
A melhor cena: Salazar envelhece.
A pior cena: Os créditos iniciais.
Nota: 5/10.
P.S. A propósito de “Natureza Morta”, lembrou-se a carência de filmes acerca do regime salazarista, em especial sobre o ditador beirão. Curiosamente, acho que, mais que Salazar, seria o seu sucessor, Marcelo Caetano (retratado brevemente nos filmes “A Hora da Liberdade” e “Capitães de Abril”), a poder inspirar um interessante filme biográfico. Ninguém estará disposto a pegar na personagem?
domingo, maio 21, 2006
Voo baixo
“Flightplan – Pânico a Bordo”, de Robert Schwentke
Com o nome por cima do título, Jodie Foster é o centro deste “thriller”, entregando-se com a energia habitual ao papel (longe de ser dos melhores que já teve) da mãe desesperada que busca a filha supostamente desaparecida a bordo de um avião que faz o trajecto entre Berlim e Nova Iorque.
A fragilidade da realização de Schwentke é precisamente a sua concentração exclusiva na personagem de Foster e a preocupação em marcá-la como uma heroína que luta contra a incompreensão dos restantes ocupantes do avião (caracterizados através de exemplos demasiado débeis). Limitando-se mostrar a estrela, o realizador alemão não demonstra talento para criar situações de acção ou apenas tensão, raramente cativando o interesse pelo que se passa no ecrã.
Para além de Foster, encontramos aqui Peter Sarsgaard (muito fraco), Sean Bean (dentro do que se lhe exige) e secundários manifestamente irrelevantes, envolvidos num filme que promete através da sua premissa mas cedo demonstra uma clara falta de ideias.
A falta de subtileza e o modo bastante forçado como são introduzidas as reviravoltas no argumento são gritantes, culminando num final marcadamente simplista com um toque de irrealismo. Tudo se torna óbvio e denunciado.
O filme de Schwentke revela-se um “thriller” falhado e superficial que desilude o espectador. Felizmente “Flightplan” não será exibido em aviões: só faz o tempo parecer mais longo.
A melhor cena: Kyle entra no porão.
A pior cena: Kyle deixa o aeroporto.
Nota: 4/10.
Com o nome por cima do título, Jodie Foster é o centro deste “thriller”, entregando-se com a energia habitual ao papel (longe de ser dos melhores que já teve) da mãe desesperada que busca a filha supostamente desaparecida a bordo de um avião que faz o trajecto entre Berlim e Nova Iorque.
A fragilidade da realização de Schwentke é precisamente a sua concentração exclusiva na personagem de Foster e a preocupação em marcá-la como uma heroína que luta contra a incompreensão dos restantes ocupantes do avião (caracterizados através de exemplos demasiado débeis). Limitando-se mostrar a estrela, o realizador alemão não demonstra talento para criar situações de acção ou apenas tensão, raramente cativando o interesse pelo que se passa no ecrã.
Para além de Foster, encontramos aqui Peter Sarsgaard (muito fraco), Sean Bean (dentro do que se lhe exige) e secundários manifestamente irrelevantes, envolvidos num filme que promete através da sua premissa mas cedo demonstra uma clara falta de ideias.
A falta de subtileza e o modo bastante forçado como são introduzidas as reviravoltas no argumento são gritantes, culminando num final marcadamente simplista com um toque de irrealismo. Tudo se torna óbvio e denunciado.
O filme de Schwentke revela-se um “thriller” falhado e superficial que desilude o espectador. Felizmente “Flightplan” não será exibido em aviões: só faz o tempo parecer mais longo.
A melhor cena: Kyle entra no porão.
A pior cena: Kyle deixa o aeroporto.
Nota: 4/10.
sexta-feira, maio 19, 2006
Picando o ponto
Graças ao ICAM, podemos saber que, entre 1 de Janeiro e 10 de Maio, estes foram os dez filmes que venderam mais bilhetes de cinema em Portugal:
1. “A Idade do Gelo 2: Descongelados”
2. “Infiltrado”
3. “Munique”
4. “Dick e Jane – Ladrões sem Jeito”
5. “Match Point”
6. “Scary Movie 4: Que Susto de Filme”
7. “O Segredo de Brokeback Mountain”
8. “Como Despachar um Encalhado”
9. “Orgulho e Preconceito”
10. “Instinto Fatal 2”
A mais importante entrada para a lista é, obviamente, a de “Infiltrado”, com Spike Lee a obter um sucesso de bilheteira pouco habitual (tal como Woody Allen) que compensa o desagrado de alguns pelo carácter menos pessoal do último “joint”. Entretanto, “Como Despachar um Encalhado” preenche a vaga da comédia descartável e “Scary Movie 4” vai subindo a bom ritmo, mas sem surpreender, enquanto o regresso de Sharon Stone consegue resultados relativamente modestos.
1. “A Idade do Gelo 2: Descongelados”
2. “Infiltrado”
3. “Munique”
4. “Dick e Jane – Ladrões sem Jeito”
5. “Match Point”
6. “Scary Movie 4: Que Susto de Filme”
7. “O Segredo de Brokeback Mountain”
8. “Como Despachar um Encalhado”
9. “Orgulho e Preconceito”
10. “Instinto Fatal 2”
A mais importante entrada para a lista é, obviamente, a de “Infiltrado”, com Spike Lee a obter um sucesso de bilheteira pouco habitual (tal como Woody Allen) que compensa o desagrado de alguns pelo carácter menos pessoal do último “joint”. Entretanto, “Como Despachar um Encalhado” preenche a vaga da comédia descartável e “Scary Movie 4” vai subindo a bom ritmo, mas sem surpreender, enquanto o regresso de Sharon Stone consegue resultados relativamente modestos.
segunda-feira, maio 15, 2006
Hitch
Eu, pessoalmente, colocaria os filmes de Hitchcock por esta ordem:
1. "Psico"
2. "Vertigo - A Mulher que Viveu Duas Vezes"
3. "Os Pássaros"
4. "Janela Indiscreta"
5. "Intriga Internacional"
Claro que ainda me falta ver muitas obras do mestre e esta ordenação é fortemente subjectiva...
1. "Psico"
2. "Vertigo - A Mulher que Viveu Duas Vezes"
3. "Os Pássaros"
4. "Janela Indiscreta"
5. "Intriga Internacional"
Claro que ainda me falta ver muitas obras do mestre e esta ordenação é fortemente subjectiva...
segunda-feira, maio 08, 2006
Antevisão
O Prémio Atalanta Filmes para melhor documentário português atribuído no Doc Lisboa 2005 permitiu à realizadora Susana Sousa Dias (n.1962) obter a distribuição comercial do seu filme “Natureza Morta” que, depois de percorrer o circuito dos festivais no ano passado, estreia em Lisboa no dia 25 de Maio.
Trata-se de um projecto ambicioso, marcado pela não utilização de qualquer narração ao longo dos 75 minutos de filme. Ao espectador são apresentadas apenas uma banda sonora minimalista e as imagens, compostas exclusivamente por excertos de documentos (noticiários de actualidades, filmes de propaganda, fotografias de presos políticos, etc.) datados do período entre 1926 e 1974 (já abordado pela cineasta em “Processo-Crime 141/53 - Enfermeiras no Estado Novo”). Com uma montagem cuidadosamente elaborada, Sousa Dias traça um retrato do país triste, atrasado e oprimido que é possível detectar nos registos audiovisuais.
As reacções a esta visão do passado recente do país (ainda insuficientemente explorado pela cinematografia nacional) têm sido bastante positivas. Ainda não vi a obra, mas a sua estreia em sala, tal como a de “Lisboetas”, de Sérgio Tréfaut, prova que o documentário português existe e é capaz de atrair um público desejoso de conhecer retratos aprofundados da nossa realidade.
Trata-se de um projecto ambicioso, marcado pela não utilização de qualquer narração ao longo dos 75 minutos de filme. Ao espectador são apresentadas apenas uma banda sonora minimalista e as imagens, compostas exclusivamente por excertos de documentos (noticiários de actualidades, filmes de propaganda, fotografias de presos políticos, etc.) datados do período entre 1926 e 1974 (já abordado pela cineasta em “Processo-Crime 141/53 - Enfermeiras no Estado Novo”). Com uma montagem cuidadosamente elaborada, Sousa Dias traça um retrato do país triste, atrasado e oprimido que é possível detectar nos registos audiovisuais.
As reacções a esta visão do passado recente do país (ainda insuficientemente explorado pela cinematografia nacional) têm sido bastante positivas. Ainda não vi a obra, mas a sua estreia em sala, tal como a de “Lisboetas”, de Sérgio Tréfaut, prova que o documentário português existe e é capaz de atrair um público desejoso de conhecer retratos aprofundados da nossa realidade.
sábado, maio 06, 2006
Zombarias
O “sketch” dos Gato Fedorento em que é proibido sorrir durante a projecção de um monótono filme português (que só pode provocar nos espectadores reacções de tédio e depressão) é a divertida expressão da atitude da maioria do público cinéfilo relativamente às longas-metragens nacionais. Para além do aborrecimento e complexidade associados ao cinema financiado pelo ICAM, denuncia-se a concentração da maioria dos realizadores no drama, a qual leva a uma escassa diversidade temática desagradável para consumidores desejosos de géneros como acção, comédia, terror ou romance. Curiosamente, no ano passado tivemos nas salas lusas objectos cinematográficos distanciados do estereótipo, como “O Crime do Padre Amaro” (que quando quer ser dramático torna-se involuntariamente cómico) e “Alice” (um drama pesado que nunca é maçador).
No caso da comédia, verifica-se uma significativa carência de produções e o escasso sucesso das tentativas que surgem periodicamente (como “A Bomba” ou “A Mulher que Acreditava Ser Presidente dos Estados Unidos da América”). De facto, não é provável que um espectador preveja rir-se ao ver uma fita portuguesa. Para a gargalhada existem obras “importadas” como “Date Movie” e outros filmes do mesmo nível.
Por tudo isto, é particularmente interessante que as Produções Fictícias se envolvam pela primeira vez (se não me engano) na escrita de um argumento para uma longa-metragem destinada aos multiplexes. A adaptação de “Conversa da Treta” ao cinema vale igualmente pelo pormenor de ter António Feio e José Pedro Gomes como protagonistas e ser produzida por Leonel Vieira (cujo dinamismo leva a que entre a rodagem e a estreia comercial do filme passem apenas seis meses, caso raro em Portugal). Não é provável que se trate de uma obra-prima na origem de uma onda de comédias de qualidade filmadas em território português. Mas promete ser um filme divertido, e isso faz falta por cá.
No caso da comédia, verifica-se uma significativa carência de produções e o escasso sucesso das tentativas que surgem periodicamente (como “A Bomba” ou “A Mulher que Acreditava Ser Presidente dos Estados Unidos da América”). De facto, não é provável que um espectador preveja rir-se ao ver uma fita portuguesa. Para a gargalhada existem obras “importadas” como “Date Movie” e outros filmes do mesmo nível.
Por tudo isto, é particularmente interessante que as Produções Fictícias se envolvam pela primeira vez (se não me engano) na escrita de um argumento para uma longa-metragem destinada aos multiplexes. A adaptação de “Conversa da Treta” ao cinema vale igualmente pelo pormenor de ter António Feio e José Pedro Gomes como protagonistas e ser produzida por Leonel Vieira (cujo dinamismo leva a que entre a rodagem e a estreia comercial do filme passem apenas seis meses, caso raro em Portugal). Não é provável que se trate de uma obra-prima na origem de uma onda de comédias de qualidade filmadas em território português. Mas promete ser um filme divertido, e isso faz falta por cá.
segunda-feira, maio 01, 2006
Antes do Verão
Os dados do ICAM indicam que estes foram os dez filmes mais vistos nos cinemas portugueses entre 1 de Janeiro e 19 de Abril:
1. “A Idade do Gelo 2: Descongelados”
2. “Munique”
3. “Dick e Jane – Ladrões sem Jeito”
4. “Match Point”
5. “O Segredo de Brokeback Mountain”
6. “Orgulho e Preconceito”
7. “A Pantera Cor-de-Rosa”
8. “Aeon Flux”
9. “Nanny McPhee – A Ama Mágica”
10. “Memórias de uma Gueixa”
Uma lista apurada tão cedo não revelará muito sobre as tendências do público em 2006, mas assinale-se a diversidade do “top”, que combina “blockbusters” dirigidos sobretudo às crianças, as habituais comédias de nível modesto e filmes nomeados para os Óscares. Destaque para a penúltima obra de Woody Allen, que passou surpreendentemente a barreira dos 200 mil espectadores, algo pouco habitual nas recepções portuguesas ao trabalho do cineasta nova-iorquino. Actualmente, o charme de Scarlett Johansson aumenta o valor comercial de qualquer fita (sem desvalorizar a qualidade da obra). Entretanto, resta-nos esperar pelo impacto de títulos primaveris como “Scary Movie 4”, “Missão Impossível III” ou “O Código Da Vinci”.
1. “A Idade do Gelo 2: Descongelados”
2. “Munique”
3. “Dick e Jane – Ladrões sem Jeito”
4. “Match Point”
5. “O Segredo de Brokeback Mountain”
6. “Orgulho e Preconceito”
7. “A Pantera Cor-de-Rosa”
8. “Aeon Flux”
9. “Nanny McPhee – A Ama Mágica”
10. “Memórias de uma Gueixa”
Uma lista apurada tão cedo não revelará muito sobre as tendências do público em 2006, mas assinale-se a diversidade do “top”, que combina “blockbusters” dirigidos sobretudo às crianças, as habituais comédias de nível modesto e filmes nomeados para os Óscares. Destaque para a penúltima obra de Woody Allen, que passou surpreendentemente a barreira dos 200 mil espectadores, algo pouco habitual nas recepções portuguesas ao trabalho do cineasta nova-iorquino. Actualmente, o charme de Scarlett Johansson aumenta o valor comercial de qualquer fita (sem desvalorizar a qualidade da obra). Entretanto, resta-nos esperar pelo impacto de títulos primaveris como “Scary Movie 4”, “Missão Impossível III” ou “O Código Da Vinci”.
sábado, abril 29, 2006
Europa
“As Bonecas Russas”, de Cédric Klapisch
Não sou um dos fãs mais radicalizados de “A Residência Espanhola”, mas essa longa-metragem de Klapisch revela-se um filme simpático, bem concebido e interessante de seguir. O problema da sequela, “As Bonecas Russas”, é que possui apenas a simpatia.
A realização de Klapisch apresenta pormenores inspirados, enquanto o elenco, onde se destacam actores como Romain Duris (embora o seu Xavier tenha pouco de novo), Audrey Tautou, Kelly Reilly e Cécile de France (cujo desempenho valeu-lhe o César de Melhor Actriz Secundária), possui a competência esperada.
No entanto, o conjunto da obra demonstra várias fraquezas, nomeadamente a dispersão das peripécias, faltando um fio condutor que lhes forneça coesão. Algumas personagens secundárias são abordadas sem grande atenção e a vertente cómica do filme é surpreendentemente desinspirada.
Enquanto “A Residência Espanhola” pode ser adoptado como símbolo do movimento europeísta, a sua sequela parece promover o turismo no Velho Continente, mostrando paisagens urbanas de grande beleza encontradas em Paris, Londres e S. Petersburgo. É pena que os actores pareçam por vezes deslocados, não sendo as cidades realmente aproveitadas como elementos narrativos.
O mais recente filme de Klapisch funciona como reunião de amigos e permite aos apreciadores da história de Barcelona satisfazer a curiosidade pela evolução posterior das personagens, mas não realiza uma verdadeira evolução em relação ao passado, deixando a sensação de que faltou qualquer coisa para dar sabor à mistura.
A melhor cena: Martine pede desculpa a Xavier.
A pior cena: Xavier expulsa Ed da casa de Wendy.
Nota: 5/10.
Não sou um dos fãs mais radicalizados de “A Residência Espanhola”, mas essa longa-metragem de Klapisch revela-se um filme simpático, bem concebido e interessante de seguir. O problema da sequela, “As Bonecas Russas”, é que possui apenas a simpatia.
A realização de Klapisch apresenta pormenores inspirados, enquanto o elenco, onde se destacam actores como Romain Duris (embora o seu Xavier tenha pouco de novo), Audrey Tautou, Kelly Reilly e Cécile de France (cujo desempenho valeu-lhe o César de Melhor Actriz Secundária), possui a competência esperada.
No entanto, o conjunto da obra demonstra várias fraquezas, nomeadamente a dispersão das peripécias, faltando um fio condutor que lhes forneça coesão. Algumas personagens secundárias são abordadas sem grande atenção e a vertente cómica do filme é surpreendentemente desinspirada.
Enquanto “A Residência Espanhola” pode ser adoptado como símbolo do movimento europeísta, a sua sequela parece promover o turismo no Velho Continente, mostrando paisagens urbanas de grande beleza encontradas em Paris, Londres e S. Petersburgo. É pena que os actores pareçam por vezes deslocados, não sendo as cidades realmente aproveitadas como elementos narrativos.
O mais recente filme de Klapisch funciona como reunião de amigos e permite aos apreciadores da história de Barcelona satisfazer a curiosidade pela evolução posterior das personagens, mas não realiza uma verdadeira evolução em relação ao passado, deixando a sensação de que faltou qualquer coisa para dar sabor à mistura.
A melhor cena: Martine pede desculpa a Xavier.
A pior cena: Xavier expulsa Ed da casa de Wendy.
Nota: 5/10.
domingo, abril 23, 2006
Fórum
O visionamento da segunda sessão da Competição Nacional Curtas do Indie Lisboa 2006 permitiu contactar com alguns exemplos daquilo que, discretamente, os cineastas portugueses estão a fazer em filmes de vários géneros com menos de meia hora de duração. Após uma breve apresentação (na qual os intervenientes desejaram “boa noite” quando o relógio marcava 18.30) e alguns anúncios, foram projectadas sete obras:
“Assembleia”, de Leonor Noivo (6/10)
Noivo pega na câmara e percorre o Palácio de S. Bento durante as primeiras horas da manhã, filmando as actividades (limpeza, cozinha, etc.) necessárias para o funcionamento do Parlamento. Embora tecnicamente pobre e por vezes monótono, o documentário vale pela inclusão de cenas relativas aos obstáculos que o projecto enfrenta.
“Não Ouves Ladrar os Cães?”, de Francisco Moreira (5/10)
Dois homens numa planície. Cães a ladrar. Apesar da beleza de alguns planos, não se percebe muito bem onde é que o filme quer chegar.
“Selo ou Não Sê-lo”, de Isabel Aboim (6/10)
Embora não necessariamente unida por um fio lógico, a obra de Aboim mostra desenhos (de ilustradores como Richard Câmara ou Alice Geirinhas) cativantes e animação de bom nível.
“No Início”, de Pedro Pinho (6/10)
“No Início” não tem propriamente uma história com meio e fim, mas isso até contribui para o seu realismo. Trata-se de um filme simples onde se destacam a fotografia e as interpretações.
“Pé na Terra”, de João Vladimiro (6/10)
Este documentário “passado”, nas palavras do realizador, retrata vestígios de ruralidade inesperadamente existentes perto das Olaias (Lisboa). Ao concentrar-se quase sempre no mesmo personagem, torna-se algo cansativo, mas é divertido observar a tradução dos palavrões do velho para o inglês das legendas.
“História Trágica com Final Feliz”, de Regina Pessoa (8/10)
Consagrada com “A Noite”, Pessoa pode sair premiada do festival deste ano graças a esta história comovente narrada por Manuela Azevedo, com animação e banda sonora de grande qualidade.
“O Almoço”, de Gideon Nel (7/10)
Num espaço limitado e num registo de comédia “nonsense”, é apresentado um divertido e surpreendente retrato da alarvidade nacional. A refeição de uma família tipicamente portuguesa é acompanhada sem piedade pelo realizador, que constrói um “sketch” eficaz.
“Assembleia”, de Leonor Noivo (6/10)
Noivo pega na câmara e percorre o Palácio de S. Bento durante as primeiras horas da manhã, filmando as actividades (limpeza, cozinha, etc.) necessárias para o funcionamento do Parlamento. Embora tecnicamente pobre e por vezes monótono, o documentário vale pela inclusão de cenas relativas aos obstáculos que o projecto enfrenta.
“Não Ouves Ladrar os Cães?”, de Francisco Moreira (5/10)
Dois homens numa planície. Cães a ladrar. Apesar da beleza de alguns planos, não se percebe muito bem onde é que o filme quer chegar.
“Selo ou Não Sê-lo”, de Isabel Aboim (6/10)
Embora não necessariamente unida por um fio lógico, a obra de Aboim mostra desenhos (de ilustradores como Richard Câmara ou Alice Geirinhas) cativantes e animação de bom nível.
“No Início”, de Pedro Pinho (6/10)
“No Início” não tem propriamente uma história com meio e fim, mas isso até contribui para o seu realismo. Trata-se de um filme simples onde se destacam a fotografia e as interpretações.
“Pé na Terra”, de João Vladimiro (6/10)
Este documentário “passado”, nas palavras do realizador, retrata vestígios de ruralidade inesperadamente existentes perto das Olaias (Lisboa). Ao concentrar-se quase sempre no mesmo personagem, torna-se algo cansativo, mas é divertido observar a tradução dos palavrões do velho para o inglês das legendas.
“História Trágica com Final Feliz”, de Regina Pessoa (8/10)
Consagrada com “A Noite”, Pessoa pode sair premiada do festival deste ano graças a esta história comovente narrada por Manuela Azevedo, com animação e banda sonora de grande qualidade.
“O Almoço”, de Gideon Nel (7/10)
Num espaço limitado e num registo de comédia “nonsense”, é apresentado um divertido e surpreendente retrato da alarvidade nacional. A refeição de uma família tipicamente portuguesa é acompanhada sem piedade pelo realizador, que constrói um “sketch” eficaz.
terça-feira, abril 18, 2006
Outubro
Depois de comprar (numa feira do livro manuseado) e folhear frequentemente o "Video 93", coordenado por Pedro Garcia Rosado, naturalmente pensei que seria muito útil que surgisse um guia similar abordando (e classificando) os DVDs actualmente existentes no mercado português. No entanto, a tarefa parecia-me demasiado ambiciosa, uma vez que teria de se referir aos extras e a todo o tipo de pormenores que um catálogo do género necessariamente exigiria.
Mas eis que, no ano da graça de 2006, Garcia Rosado, agora envolvido no projecto da editora Comunicando, lança o "Cine Guia 2007", que será colocado à venda em Outubro. Como já toda a Grande Lisboa sabe (um artigo sobre o assunto pode ser encontrado no "Metro" de hoje), o jornalista ao qual foi entregue a missão de escrever essa obra clássica e ao mesmo tempo pioneira foi o incansável Miguel Lourenço Pereira. Completo a todos os níveis, o Cine Guia será impresso num formato prático (com o tamanho de uma caixa de DVD) e custará cerca de vinte euros.
Mais palavras para quê? Eu compro!
Mas eis que, no ano da graça de 2006, Garcia Rosado, agora envolvido no projecto da editora Comunicando, lança o "Cine Guia 2007", que será colocado à venda em Outubro. Como já toda a Grande Lisboa sabe (um artigo sobre o assunto pode ser encontrado no "Metro" de hoje), o jornalista ao qual foi entregue a missão de escrever essa obra clássica e ao mesmo tempo pioneira foi o incansável Miguel Lourenço Pereira. Completo a todos os níveis, o Cine Guia será impresso num formato prático (com o tamanho de uma caixa de DVD) e custará cerca de vinte euros.
Mais palavras para quê? Eu compro!
sexta-feira, abril 14, 2006
Sem cérebro
“Date Movie”, de Aaron Seltzer
Porquê ver esta paródia às comédias românticas?
1. Tal como os títulos da longa série “Scary Movie”, a obra de Seltzer reúne referências ao que está na moda na altura da sua estreia, quer quanto à cultura “pop” (iPod, “Donas de Casa Desesperadas”, Cruise-Holmes, Spears-Federline, etc.) quer ao nível do cinema (para além de obras mais “antigas”, são reproduzidos pormenores de filmes do ano passado, como “Virgem aos 40 Anos”, “Os Fura-Casamentos”, "Uma Sogra de Fugir" ou “King Kong”). Trata-se, assim, de um barómetro interessante das preferências do seu público-alvo.
2. Não é todos os dias que se encontra uma longa-metragem (os 83 minutos parecem ser muito mais) que combine tão habilmente actores medíocres, uma má montagem e uma realização desastrosa.
3. É difícil descrever por palavras o tipo de humor utilizado na maior parte da obra. Só é possível acreditar vendo os novos patamares atingidos a nível das piadas de gosto muito duvidoso. É como uma materialização das nossas fantasias mais doentias, para além de exigir esforços mentais mínimos.
4. É divertido detectar os filmes parodiados (“Uns Compadres do Pior”, “O Senhor dos Anéis”, “Kill Bill”, “O Diário de Bridget Jones”, entre muitos outros), embora seja doloroso ver quão desinspiradas são as sátiras (não se vai muito além de um pontapé nos genitais de Gandalf).
5. Embora atirando-se (sem agilidade) aos clichés dos filmes românticos, a verdade é que “Date Movie” não se livra de cair neles exactamente quando não devia. Trata-se de uma evidente originalidade.
6. Numa homenagem a Ed Wood, os argumentistas preocupam-se em acentuar ao máximo a sensação de incredulidade do espectador, levando-o a tentar compreender como é possível alcançar uma falta de piada tão bem conseguida no grande ecrã. Chunguice pura do genérico inicial ao final.
A melhor cena: Julia cai do terraço do prédio.
A pior cena: Jinxies na sanita.
Nota: 3/10.
Porquê ver esta paródia às comédias românticas?
1. Tal como os títulos da longa série “Scary Movie”, a obra de Seltzer reúne referências ao que está na moda na altura da sua estreia, quer quanto à cultura “pop” (iPod, “Donas de Casa Desesperadas”, Cruise-Holmes, Spears-Federline, etc.) quer ao nível do cinema (para além de obras mais “antigas”, são reproduzidos pormenores de filmes do ano passado, como “Virgem aos 40 Anos”, “Os Fura-Casamentos”, "Uma Sogra de Fugir" ou “King Kong”). Trata-se, assim, de um barómetro interessante das preferências do seu público-alvo.
2. Não é todos os dias que se encontra uma longa-metragem (os 83 minutos parecem ser muito mais) que combine tão habilmente actores medíocres, uma má montagem e uma realização desastrosa.
3. É difícil descrever por palavras o tipo de humor utilizado na maior parte da obra. Só é possível acreditar vendo os novos patamares atingidos a nível das piadas de gosto muito duvidoso. É como uma materialização das nossas fantasias mais doentias, para além de exigir esforços mentais mínimos.
4. É divertido detectar os filmes parodiados (“Uns Compadres do Pior”, “O Senhor dos Anéis”, “Kill Bill”, “O Diário de Bridget Jones”, entre muitos outros), embora seja doloroso ver quão desinspiradas são as sátiras (não se vai muito além de um pontapé nos genitais de Gandalf).
5. Embora atirando-se (sem agilidade) aos clichés dos filmes românticos, a verdade é que “Date Movie” não se livra de cair neles exactamente quando não devia. Trata-se de uma evidente originalidade.
6. Numa homenagem a Ed Wood, os argumentistas preocupam-se em acentuar ao máximo a sensação de incredulidade do espectador, levando-o a tentar compreender como é possível alcançar uma falta de piada tão bem conseguida no grande ecrã. Chunguice pura do genérico inicial ao final.
A melhor cena: Julia cai do terraço do prédio.
A pior cena: Jinxies na sanita.
Nota: 3/10.
quinta-feira, abril 13, 2006
New York
“Infiltrado”, de Spike Lee
O novo “joint” leva-nos de volta a Manhattan, com uma trama policial na qual o tema da corrupção se encontra fortemente presente. O formato parece por vezes demasiado convencional para um cineasta com uma marca de provocação como Lee, mas o olhar deste revela-se nos pormenores que contextualizam subtilmente o filme (“We will never forget”) e no humor certeiro habilmente introduzido. A realização possui a competência habitual (destaque para a cena em que um dos reféns é arrastado), ainda que com alguns exageros nos movimentos da câmara.
A mestria do argumento reside sobretudo na capacidade de manter no espectador a sensação de que algo de espantoso está prestes a acontecer (o que ajuda a superar o excessivo tempo de filme gasto no banco). Não existe propriamente uma reviravolta bombástica, mas a imprevisibilidade é bem conseguida.
Washington, Owen e Foster justificam o seu estatuto (embora não sejam realmente marcantes), enquanto Dafoe está invulgarmente discreto. O resto do heterogéneo elenco é apresentado sobretudo nas prolepses, que se ligam de forma eficaz à narrativa principal.
Não se trata da melhor obra de Lee, mas “Infiltrado” prova que “Ela Odeia-me” foi só para nos assustar um pouco. O realizador nova-iorquino continua imparável.
A melhor cena: O jogo de vídeo de Brian.
A pior cena: Madeleine extorque um favor ao Mayor.
Nota: 7/10.
O novo “joint” leva-nos de volta a Manhattan, com uma trama policial na qual o tema da corrupção se encontra fortemente presente. O formato parece por vezes demasiado convencional para um cineasta com uma marca de provocação como Lee, mas o olhar deste revela-se nos pormenores que contextualizam subtilmente o filme (“We will never forget”) e no humor certeiro habilmente introduzido. A realização possui a competência habitual (destaque para a cena em que um dos reféns é arrastado), ainda que com alguns exageros nos movimentos da câmara.
A mestria do argumento reside sobretudo na capacidade de manter no espectador a sensação de que algo de espantoso está prestes a acontecer (o que ajuda a superar o excessivo tempo de filme gasto no banco). Não existe propriamente uma reviravolta bombástica, mas a imprevisibilidade é bem conseguida.
Washington, Owen e Foster justificam o seu estatuto (embora não sejam realmente marcantes), enquanto Dafoe está invulgarmente discreto. O resto do heterogéneo elenco é apresentado sobretudo nas prolepses, que se ligam de forma eficaz à narrativa principal.
Não se trata da melhor obra de Lee, mas “Infiltrado” prova que “Ela Odeia-me” foi só para nos assustar um pouco. O realizador nova-iorquino continua imparável.
A melhor cena: O jogo de vídeo de Brian.
A pior cena: Madeleine extorque um favor ao Mayor.
Nota: 7/10.
domingo, abril 09, 2006
Amor
“King Kong”, de Peter Jackson
O amor ao cinema guiou o realizador de “Feebles – Os Terríveis” durante a concretização de um projecto tão ambicioso como uma nova versão do clássico do género fantástico que é “King Kong” (1933). Apesar da complexidade do desafio, Peter Jackson contava com trunfos como efeitos especiais incomparavelmente melhores (a queda de Kong do Empire State Building nos dois filmes serve como exemplo do tempo que os separa), a sua experiência recente na realização de produções grandes em tudo (inclusive na duração) ou o talento de actores como Naomi Watts, Jack Black e Adrien Brody.
O argumento do “King Kong” do século XXI (de facto, creio que se os criadores do filme original, aos quais Jackson dedica a sua obra, tivessem a mesma tecnologia não fariam algo de muito diferente) apresenta algumas inovações, como a introdução de algumas personagens secundárias (muito mal desenvolvidas) e o maior destaque concedido ao amor impossível de Kong e Ann Darrow. O resultado é uma combinação de suspense, terror, aventura, drama e romance, na qual cada um dos elementos é conduzido com mestria.
Apesar de algum exagero nas três horas de filme, Jackson agarra o espectador com sequências tão marcantes como a chegada à Ilha da Caveira, a luta entre Kong e os dinossauros e, obviamente, o final. A emoção e o puro espectáculo da acção juntam-se à sensibilidade e expressividade das cenas românticas. Os diálogos são medianos, mas isso pouco importa numa obra de tão forte impacto visual.
Penso que é injusto considerar superior o filme dos anos 30 ou o “remake” de Jackson. À sua maneira, ambos são prodígios técnicos e objectos de entretenimento brilhante que foge à superficialidade.
A melhor cena: Kong e Ann despedem-se.
A pior cena: Jimmy lê “Heart of Darkness”.
Nota: 8/10.
O amor ao cinema guiou o realizador de “Feebles – Os Terríveis” durante a concretização de um projecto tão ambicioso como uma nova versão do clássico do género fantástico que é “King Kong” (1933). Apesar da complexidade do desafio, Peter Jackson contava com trunfos como efeitos especiais incomparavelmente melhores (a queda de Kong do Empire State Building nos dois filmes serve como exemplo do tempo que os separa), a sua experiência recente na realização de produções grandes em tudo (inclusive na duração) ou o talento de actores como Naomi Watts, Jack Black e Adrien Brody.
O argumento do “King Kong” do século XXI (de facto, creio que se os criadores do filme original, aos quais Jackson dedica a sua obra, tivessem a mesma tecnologia não fariam algo de muito diferente) apresenta algumas inovações, como a introdução de algumas personagens secundárias (muito mal desenvolvidas) e o maior destaque concedido ao amor impossível de Kong e Ann Darrow. O resultado é uma combinação de suspense, terror, aventura, drama e romance, na qual cada um dos elementos é conduzido com mestria.
Apesar de algum exagero nas três horas de filme, Jackson agarra o espectador com sequências tão marcantes como a chegada à Ilha da Caveira, a luta entre Kong e os dinossauros e, obviamente, o final. A emoção e o puro espectáculo da acção juntam-se à sensibilidade e expressividade das cenas românticas. Os diálogos são medianos, mas isso pouco importa numa obra de tão forte impacto visual.
Penso que é injusto considerar superior o filme dos anos 30 ou o “remake” de Jackson. À sua maneira, ambos são prodígios técnicos e objectos de entretenimento brilhante que foge à superficialidade.
A melhor cena: Kong e Ann despedem-se.
A pior cena: Jimmy lê “Heart of Darkness”.
Nota: 8/10.
terça-feira, abril 04, 2006
Estatísticas
Já algo tardiamente (as estatísticas do ICAM estiveram inacessíveis durante várias semanas), chega a lista dos 20 filmes mais vistos nos cinemas portugueses em 2005:
1. “Madagáscar”
2. “Harry Potter e o Cálice de Fogo”
3. “Guerra dos Mundos”
4. “Mr. e Mrs. Smith”
5. “Uns Compadres do Pior”
6. “Ocean’s Twelve”
7. “Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith”
8. “Million Dollar Baby”
9. “O Crime do Padre Amaro”
10. “Chicken Little”
11. “A Ilha”
12. “King Kong”
13. “Flightplan – Pânico a Bordo”
14. “Virgem aos 40 Anos”
15. “Constantine”
16. “Hitch – A Cura para o Homem Comum”
17. “A Intérprete”
18. “Quarteto Fantástico”
19. “Uma Sogra de Fugir”
20. “Batman - O Início”
Surpresas: “O Crime do Padre Amaro”, claro. Um genuíno fenómeno de popularidade que nem precisou de uma distribuição colossal (entre os títulos da lista, só “King Kong” foi exibido em menos ecrãs) e quase ultrapassou o clássico de Eastwood. “Uns Compadres do Pior” provou o valor comercial da comédia “tradicional” americana em Portugal. Pode-se dizer que “Batman - O Início” surpreendeu pela negativa, tendo a origem do super-herói atraído “apenas” 223.044 espectadores. Também o filme de George Lucas falhou ao não atingir sequer os cinco primeiros.
Confirmações: Praticamente tudo o resto. Estrelas, acção, piadas, efeitos especiais, desenhos animados… há muito para fazer um português feliz.
1. “Madagáscar”
2. “Harry Potter e o Cálice de Fogo”
3. “Guerra dos Mundos”
4. “Mr. e Mrs. Smith”
5. “Uns Compadres do Pior”
6. “Ocean’s Twelve”
7. “Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith”
8. “Million Dollar Baby”
9. “O Crime do Padre Amaro”
10. “Chicken Little”
11. “A Ilha”
12. “King Kong”
13. “Flightplan – Pânico a Bordo”
14. “Virgem aos 40 Anos”
15. “Constantine”
16. “Hitch – A Cura para o Homem Comum”
17. “A Intérprete”
18. “Quarteto Fantástico”
19. “Uma Sogra de Fugir”
20. “Batman - O Início”
Surpresas: “O Crime do Padre Amaro”, claro. Um genuíno fenómeno de popularidade que nem precisou de uma distribuição colossal (entre os títulos da lista, só “King Kong” foi exibido em menos ecrãs) e quase ultrapassou o clássico de Eastwood. “Uns Compadres do Pior” provou o valor comercial da comédia “tradicional” americana em Portugal. Pode-se dizer que “Batman - O Início” surpreendeu pela negativa, tendo a origem do super-herói atraído “apenas” 223.044 espectadores. Também o filme de George Lucas falhou ao não atingir sequer os cinco primeiros.
Confirmações: Praticamente tudo o resto. Estrelas, acção, piadas, efeitos especiais, desenhos animados… há muito para fazer um português feliz.
Subscrever:
Mensagens (Atom)